História Seduzentes - Capítulo 15


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Categorias Descendentes
Personagens Carlos de Vil, Chad, Doug, Evie, Jane, Jay, Lonnie, Mal, Princesa Audrey, Príncipe Ben
Tags Devie, Jarlos, Jonnie, Malen, Romance
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Palavras 3.162
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Esporte, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Luta, Magia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Lá Fora - O Corcunda de Notre-Dame

Capítulo 15 - Lá Fora


Lá Fora

Na manhã de quarta-feira, Evie se levantou cedo com a intenção de revirar seu guarda-roupa e encontrar a melhor combinação, o melhor look para abalar de vez o coração de Chad Charming e fazê-lo entender que a previsível Audrey não era tão incrível assim.

Não importava o calor dos beijos de Jay, nem sua mão frenética e dedos ansiosos dentro da calcinha dela na noite anterior. Fora apenas uma maravilhosa preliminar que não progredira devido o horário, fora que teriam sido interrompidos pela simulação de incêndio. Ela se dava bem com Jay justamente porque nenhum dos dois queria algo sério. Era casual, entre amigos. Amizade colorida.

-Evie! – gritou Mal, sentada, ainda vestida com a camisa do professor.

-Eu não tenho nada bom o bastante! – gritou ela de volta jogando um punhado de roupas no chão e se jogou na cama com os olhos marejados; igualzinho uma criança mimada. Por muito pouco sua toalha não caiu e deixou-a nua.

-Então veste qualquer coisa! – levantou-se a outra irritada.

-Qualquer coisa não vai ser sexy o suficiente!

-Então sai de lingerie – riu Mal – Garanto que muitos se jogarão aos seus pés implorando por um boquete.

-Mal! Não é o bastante.

-Você está me estressando – avisou Mal.

-Me ajuda – chorou Evie.

-Não reclama depois.

Mal separou para ela um clássico – para não errar – mas um clássico bem sensual. O look estilo colegial nunca saía de moda, e elas estavam na escola apesar de não se comportarem dessa forma. Antes, é claro, a lingerie mais simples e básica possível. A saia delicadamente pregueada era de cintura alta num azul profundo. A camisa era de um azul tão claro que chegava a parecer branco, com listras fininhas num azul um pouco mais forte; mas Mal deu uma incrementada: deu um nozinho no fim da camisa deixando que uma faixa da pele de Evie aparecesse sensualmente. E claro, deixou os primeiros botões abertos valorizando bem aquele par de seios.

-Com os acessórios eu acho que você se vira, não? – disse abrindo o próprio guarda-roupa – Eu ainda preciso me vestir. Ah! E coloca um salto vermelho! – e entrou no banheiro, saindo cinco minutos depois.

Para Evie não conseguir se vestir o caso era grave. Mal só esperava que ele não se agravasse mais e prejudicasse seus planos.

Ela escolheu para si uma regata lisa preta, não tinha um decote muito aberto, mas não chegava a ser fechada, era um pouquinho mais curta também; não sabia se aquilo era ou não um cropped como diria Evie. O short, porém, tinha cintura alta, era estampado em tons lilases prevalecendo, porém, o rosa vibrante e era bem soltinho; excelente para o fim do verão. Mal calçou uma sandália de salto, a plataforma no mesmo tom de rosa forte do short, com lindas e grossas tiras negras.

Era sem dúvida uma de suas produções mais comportadas naquela escola, ou seja, não estava mostrando seu sutiã ou a ausência dele para ninguém. Estava comportadinha.

-Evie, já escolheu seus acessórios?

-Ainda não decidi o sapato – ela tinha muitas opções de saltos vermelhos.

-Scarpin... Não, melhor não, você o usou semana passada – declinou Mal jogando o referido sapato longe, aumentando a bagunça do quarto – Um salto grosso? Ou estilo boneca? Evie!

-Eu estou tão nervosa! Eu quero muito que ele me note, entende? Ser a namorada dele é muito importante para mim, Mal!

A filha da Malévola puxou os próprios cabelos para não bater na amiga.

-Ah! – suspirou aliviada, invadindo o guarda-roupa de Evie e se livrando de responder – Esse aqui! Modelo boneca e salto grosso. Calça – mandou.

-Eu quero o salto fino – disse tremendo sobre o salto.

-Você mal ficou de pé no grosso. Se continuar desse jeito, vai calçar um tênis para o seu encontro romântico.

A discussão acabou.

[...]

Inesperadamente, Mal ganhou um horário livre. Bom, ela e os demais alunos da classe de física: o professor tivera um problema pessoal e não comparecera. Era uma pena, pois ela queria devolver a camisa. Era magnífico não ter aula, mas ela também não tinha muita ideia do que fazer. Não tinha nem seu caderno/diário; sua mãe fizera o favor de queimá-lo...

Mal acabou parada em frente ao próprio armário guardando a camisa e seu material, livro por livro, para ver se a hora passava mais rápido.

Carlos estava na sala de informática e Jay devia estar babando sobre o livro de história. Evie estava agora seguindo para a aula de química com o detestável estepe real... O pensamento a fez querer parar no tempo; Evie com certeza terminaria aquele dia transtornada.

-Oi – a voz surpreendeu-a.

-Oi – respondeu olhando para o príncipe Ben; ele tinha um sorriso tão bonito, olhos tão suaves... Mal queria tanto desenhar num caderno seu, específico para desenhos, um diário com imagens e não palavras... Desenhar aqueles olhos... – Eu não percebi que você também tinha aula vaga – disse fechando o armário e travando a ideia.

-Não tenho nada para fazer agora e fiquei pensando se você teria.

-Não tenho – a curiosidade estava latejando por seu corpo, queria saber se ele teria alguma proposta para matar o tempo.

-Podemos conversar – sugeriu meio inseguro.

-Sobre o que?

-Eu sou péssimo em puxar assunto – confessou – Mas não queria ficar só.

-Eu percebi – disse sorrindo de sua falsa cara de ofendido – Eu também não sei puxar assunto.

-Meu pai sempre diz que isso é uma obrigação, ainda mais em situações sociais como encontros e festas. Eu nunca posso deixar a situação converter-se num silêncio constrangedor.

-Ser príncipe deve ser um saco.

-Muitas vezes. E você faz o que quando quer passar o tempo? Imagino que tenha namorado... Os garotos não devem sair de cima de você – disse lembrando-se da imagem dela sobre Carlos; quase cerrou os pulsos, um sentimento estranho o dominava.

Mal riu com um pouquinho de desdém.

-Está me confundindo com Evie. Nunca tive um namorado; acho uma perda de tempo – disse com descaso; Ben não sabia o que pensar depois daquele show dela com Carlos: quase alívio, porém... “perda de tempo...” – Eu desenho. Sou melhor com figuras do que com palavras. Não lido bem com gente.

-Não parece. Tem sido ótima com Jane, Lonnie, comigo...

Os olhares se encontram e se fixaram como raízes num solo fértil. O verde suave de Mal reluziu por meio segundo então voltou a ser aquela cor clarinha adorável.

-Talvez eu saiba atuar... Ou consigo não demonstrar o que de fato sinto.

-Não acho – Ben pareceu chegar mais perto; na verdade, ele achava isso, sim, só não queria admitir. Mal sentiu seu corpo estremecer – Me diga algo – pediu, quase implorou por algo que ele nem mesmo sabia.

-Como o que?

-O que mais quer nesse momento.

Benjamin estava próximo demais de uma forma que Mal não entendia como. Ele não era um dos bonzinhos, ele era o bonzinho. Tinha namorada e reputação a zelar. Mal não compreendia o que Ben queria dela, com ela. Não fazia o menor sentido.

-Você ainda não aprendeu, não é, alteza? – disse de forma arisca, a voz um pouco menos suave.

-O que?

-Eu não serei comprada.

-Você também ainda não aprendeu, não é, Mal? – rebateu, o hálito quente chegando aos lábios de Mal a deixando ansiosa por mais – Gosto da sua companhia. Não quero comprá-la.

-Um diário – disse em voz baixa depois de minutos sentindo o olhar dele.

-É isso o que mais quer?

-Um diário de folhas lisas onde eu possa desenhar a vontade. Cansei de rabiscar o livro de matemática – disse se afastando alguns passos do garoto, para recuperar um pouco a compostura.

-É essa a sua válvula de escape, não? – Ben disse recordando-se de seus sonhos, de seu último sonho com Mal: seus olhos brilhantes de lágrimas conforme ela desenhava e cantava sobre o papel.

-Ah?

-Você me disse algumas noites atrás que recorrera aos cigarros de Carlos porque perdera sua válvula de escape.

Mal ficou surpresa por ele se lembrar.

-É... Essa é minha válvula, minha âncora.

-O que aconteceu com seu antigo diário? – ela já havia falado, mas não claramente de forma que ele não se recordava.

-Malévola o queimou – disse sem emoções. Assim que ela pronunciou o nome, o desenho no armário de Mal pareceu brilhar, a pedra verde em sua pulseira também. Como se parte daquela vilã estivesse realmente ali, o que era ridículo porque realmente estava sua filha ali presente.

-Eu sinto muito...

-Não foi a primeira vez – deu de ombros.

Ben pensou um pouquinho sobre o que fazer. Procurou por uma solução, por alguma forma de ajudar, então...

-Tem uma papelaria perto do colégio. Fica numa vila perto daqui. Podíamos ir até lá...

-Sério, menino-fera, por que insiste tanto em me ajudar? Não quero mais presentes.

-Não é um presente, garanto! – ergueu as mãos em sinal de rendição – Você disse que tem dinheiro.

-E tenho.

-Então nós vamos até a papelaria para passar o tempo. Eu ganho uma companhia e você consegue seu diário. Ganhamos os dois... Então, você quer ir?

-Se eu puder... Quero ir aonde der.

O sorriso de Benjamin era lindo e encantou Mal por longos segundos até que ela mesma o rompesse:

-E nós podemos ir lá fora? – perguntou, mas já seguia em direção ao quarto para pegar seu dinheiro. O rapaz a seguia de perto, um ou dois passos atrás dela.

-Bom, não existe nenhuma regra específica que nos impeça – disse meio nervoso – Não vamos fazer nada demais, também. Só vamos numa papelaria, é uma situação de caráter escolar.

Mal não quis dizer em voz alta, mas o certinho estava se arriscando a, talvez, quebrar uma regra do colégio. Ela apenas sorriu sem conseguir ocultar todo o seu contentamento.

 

 

Maquiagem muito básica: delineador, rímel e batom rosinha cor-de-boca; nenhum acessório. Doug estranhou a aparição pouco elaborada de Evie. Não que ela estivesse feia ou pouco bonita. Mas parecia faltar algum maior cuidado ali.

-Evie? – chamou incerto – Você está bem?

-Não! Estou com uma dor de cabeça infernal, Doug – choramingou ela ignorando seu armário aberto – Nem enxerguei minha imagem no espelho hoje. Não faço ideia de como está minha roupa.

-Você está muito bonita, seu look está bem equilibrado.

-Foi a Mal que escolheu. Sinto-me péssima, mas sei que ela não me colocaria em algo detestável.

-Você podia ter colocado algum acessório para se destacar mais...

-Eu mal consegui escolher o sapato, Doug! Mal também teve que interferir.

-Tudo bem. Eu te ajudo. Ainda temos alguns minutos antes de a próxima aula começar.

No quarto, Doug ignorou a bagunça. E delicadamente colocou Evie sentada sobre a cama. Deu a ela um copo com água e um comprimido para dor enquanto ele escolhia suas joias, pedindo licença e murmurando desculpas por tocar em algo que não lhe pertencia. Alguns anéis e um colar grande para realçar ainda mais aquelas curvas bonitas que eram seus seios e uma tiara com um laço vermelho para os cabelos.

-Eu posso iluminar seu rosto também. Se quiser, é claro – disse tímido ainda com o colar na mão.

-Você é um amorzinho – disse ela afastando os cabelos do pescoço enquanto Doug tremia para fechar o colar.

 

 

Mal se recusou a ir de carro mesmo Ben alertando-a de que ela poderia se cansar com aquela sandália altíssima; nenhum deles pensou que pudessem não chegar a tempo de assistir a próxima aula. “Não sou uma princesa, menino-fera. Se eu quiser ou precisar descer do salto e andar descalça, eu vou andar” foi a resposta que recebeu.

O príncipe fora bem paciente: esperara ela retocar o protetor solar, recomendara um chapéu além dos óculos já nas mãos de Mal. Ela teve que aceitar apesar de não gostar muito de acessórios nos seus cabelos.

A menina quis ir daquela forma mais vagarosa para decorar o caminho. Não tinha intenção de ficar presa no colégio por muito mais tempo do que o necessário. E ela bem que podia achar algo interessante, não? Tinha que haver alguma diversão naquele reino perfeito.

A estrada que pegaram era de pedra e a vista era verdejante. A vila era discreta e “adorável” com algum movimento. A loja em si parecia pequena por fora, aconchegante, bem cheia de mimimi, por dentro era maior...

Corredores cheios de adesivos, outros de canetas, papéis e folhas soltas, lápis de milhares de cores inimagináveis. Havia muita coisa. Tintas e pincéis, estojos e bolsas, cadernos e chaveiros e fitas... Era o paraíso aos olhos artísticos de Mal. 

-É incrível – murmurou ela, incapaz de desviar os olhos das prateleiras, tirando os óculos para ver a real tonalidade das coisas ao seu redor.

-Mal – chamou Ben, a voz bastante animada; ela teve caminhar um pouco até achá-lo já que se distraíra com a mercadoria. Encontrou-o num balcão em frente a um senhor idoso – O senhor Otto acabou de me dizer que você pode montar seu diário. Cada detalhe do seu jeito.

-Sério? – sorriu se aproximando. Mal vislumbrou o velhinho paralisar ao vê-la – Isso é perfeito – disse com a voz aveludada de sempre.

-Mal, este é o dono e recepcionista, senhor Otto. Senhor Otto, esta é Mal, uma das intercambistas da Ilha dos Perdidos.

-Encantado, senhorita – disse o homem o mais gentil que pode, ainda razoavelmente assustado.

-O prazer é meu – disse com um sorriso sensual e realmente feliz – Ainda mais se conseguir montar o meu diário ideal.

-Sim, conseguimos sim – riu o idoso mais a vontade – Sua alteza me falou que o diário seria para desenho. Isso muda a escolha das páginas. Venha cá, vamos começar pelas folhas – disse conduzindo-a pelos corredores – Deixe eu te mostrar a qualidade do papel. Está à procura de uma folha mais grossa, mais fina, lisa ou com textura?

Benjamin ficou quieto o restante do tempo. Não conseguia fazer mais do que observá-la em sua felicidade. Não entendia nada do que eles falavam sobre o papel e como os materiais diferentes – tintas, lápis e giz – reagiriam nele. Entendia apenas que conseguira arrancar de Mal um momento em que suas defesas estavam baixas, se não nulas, em que ela se divertia sem grandes esforços.

O príncipe decidiu que estava vendo um momento muito pessoal da vida de Mal e quis sair dali rapidamente. Sentia como se estivesse olhando-a seminua ou algo assim. Saiu da loja para deixá-la mais a vontade e também para comprar dois refrescos já que, apesar do outono se aproximar, o sol ainda estava quente e eles teriam que seguir direto para a sala de aula. Entrou na primeira loja e saiu quase junto de Mal.

-Hey – saudou feliz oferecendo o copo a ela.

-O que é isso? – sorriu ela; a defesa baixa, o sorriso mais gentil, menos sexy. Os olhos verdes claros tinham um brilho lindo, natural e delicado.

-Chá de hortelã, gengibre e limão. Está geladinho – sorriu bebendo do seu; ela imitou-o – Gostou?

-Gostei – disse ajeitando a sacola no braço e já caminhando na direção do colégio, sem sequer olhar para trás e ver se Ben a seguia, colocando os óculos de sol.

Seguiram na caminhada em silêncio por um tempo, apenas apreciando as bebidas, até que Ben quisesse ouvir novamente a voz dela.

-Então já está com seu diário...

-Na verdade, não. Como ele é todo personalizado só vai ficar pronto segunda-feira. Eu pedi para ele entregar no colégio já que não sei quando vou poder sair de novo.

-E essa sacola?

-Nunca tive lápis colorido antes. Não resisti.

-E pegou o conjunto com o maior leque de cores, não? – sorriu ele.

-Mas é claro – riu e levou novamente o canudinho à boca – Não sei por que aceitei isso.

-Porque estava de bom humor e com calor – sorriu Ben.

-Talvez...

No meio da estrada, do caminho de volta, Mal se afastou e se sentou num tronco caído na sombra de uma grande árvore, para descansar os pés do salto, ele supôs.

-Eu te avisei sobre o salto – sorriu ele.

-Não é o sapato – disse respirando fundo, quase como se passasse mal – É o sol, a claridade. Não me sinto bem em muita luz.

Ben pensou sobre o assunto, pensando que poderia ajudá-la, encontrando uma sombrinha ou pedindo um carro... E decidiu levantar outro; aproximou-se devagar, criou coragem e, de pé na frente da menina, perguntou:

-Qual o seu problema com presentes?

Ela tirou os óculos e o chapéu; bagunçou os cabelos antes de responder.

-Além do que eu já lhe disse noites atrás? Cada presente vem com uma maldição, menino-fera. Para cada coisa boa outra má acontece. Prefiro viver da minha capacidade a receber mimos de qualquer um.

-Eu sou qualquer um para você, Mal? – a voz viera baixa, carregada de medo de uma confirmação.

Mal não soube como reagir à pergunta. Não fora para tirar sarro, aliviar o clima, ser cômico. A pergunta fora séria, sentida. Ben queria uma resposta.

-Você... – começou sem saber que fim teria a frase e, pelo que percebia, ela não teria fim algum – Você...

Ben chegava mais perto, inclusive se ajoelhou no chão para olhá-la nos olhos, de pertinho. Aquele tom lindo e suave, a mistura, a indecisão do azul e do verde estava abalando o coração da menina, que já pulava mais forte em seu peito.

-Mal, eu...

Os lábios dos dois estavam perto, estavam entreabertos. Os olhos estavam cerrando lentamente, ainda meio abertos; a visão de Ben já estava até turva, embasada por um desejo insano e irrefreável de beijá-la.

E realmente os lábios chegaram a se encaixar... Embora não se encostassem. Extremamente próximos, um sentindo o hálito fresco do outro. Só precisavam fechar os lábios e desfrutar do que tinha que acontecer desde que se viram pela primeira vez.

Uma buzina os separou.

Era um carro com a bandeira do reino. Ben assustou-se internamente com a conclusão. Seus pais haviam sido avisados de sua saída.

Tinham que voltar.

[...]

O caminho foi constrangedoramente silencioso. Mal voltara a colocar seus óculos, mas desistira do chapéu – guardou-o na sacola junto com sua aquisição – e ficou olhando a paisagem da janela.

Assim que o carro parou, Mal não esperou um convite, ordem ou sermão. Saiu andando em direção aos armários ignorando novamente a existência do príncipe encantado.

-A diretora pede que compareça a todas as suas aulas e seus pais pedem que não vá fora do colégio sem informar de sua saída.

-Claro – disse distraído.

Ben quase a beijara! Faltara muito pouco para concretizar uma traição e quebrar todas as promessas que fizera a Audrey. O pior era saber que ele queria aquele beijo. Queria desesperadamente, por mais que soubesse que era muito errado.

Claro, ele também sabia que teria que ouvir o pai sobre sair do colégio sem avisar, sem “permissão”. Bom, teria que marcar hora para aquela conversa. Até lá Benjamin já teria enlouquecido com seus pensamentos, com seus desejos.

Precisava passar mais tempo lá fora, mais tempo com Audrey, sua namorada. Precisava evitar Mal, mesmo que seu corpo e seu coração gritassem pelo contrário. Ele seguiria a cabeça.

Tomou o último gole do seu chá e partiu para a aula de redação. Depois dela, treino. Seria ótimo para ocupar a cabeça.



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