História Seduzentes - Capítulo 39


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Categorias Descendentes
Personagens Carlos de Vil, Chad, Doug, Evie, Jane, Jay, Lonnie, Mal, Princesa Audrey, Príncipe Ben
Tags Devie, Jarlos, Jonnie, Malen, Romance
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Palavras 3.164
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Esporte, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Luta, Magia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Acampamento - Tarzan

Capítulo 39 - Acampamento


Acampamento

Enquanto os professores e a diretora se encarregavam de conversar com Mal – um reflexo roxo ao longe – prepará-la para a volta forçada, os demais alunos ficaram livres do olhar dos responsáveis. As conversas aumentaram, alguns risos, alguns cochichos. Um pequeno grupinho dançava ao som baixo de um celular aproveitando descaradamente da desgraça da menina.

-Malzinha sempre surpreendendo – resmungou Carlos, entediado, quase invejoso do que acontecera com a amiga; ele também teria confessado qualquer pegadinha estúpida para ir embora daquela desgraça de acampamento estudantil – Droga! Eu preciso muito de um trago – levantou-se, quase desesperado por alucinógenos.

-Pelo menos ela conseguiu se livrar dessa farsa – Evie apoiou-se sobre os joelhos igualmente invejando a rapidez de Mal em se dar bem; dobrou seu casaco desistindo de vesti-lo – Não vai precisar dormir nesse colchonete fino...

-Como se você nunca tivesse dormido num chão frio – resmungou Jay, cortando um discurso longo sobre as desvantagens de estarem ali – Mas isso está um porre mesmo. Precisamos agitar isso aqui antes que eu surte e surre alguém.

-Por favor – Jay assustou-se ao ouvir a voz de Lonnie incentivando-o, quase implorando por uma agressão pública – Todo ano é a mesma coisa. Daqui a três minutos vão nos mandar para as barracas para dormir. Isso é, se lembrarem de olhar a hora antes de despacharem a Mal. Se for surrar alguém faça na vista de todos, assim nos divertimos um pouquinho antes de sermos forçados a nos revirar num colchonete até dormir.

O sorriso de Jay era autenticamente surpreso. Estranhamente, assim ele ficava muito mais sexy. Lonnie era uma caixinha de surpresas. Alguém que entre no jogo, alguém que diga não! A vontade de jogá-la no chão e atormentá-la – com palavras e com seu corpo – era grande.

Carlos havia desistido do cigarro no meio do caminho; ouvira as palavras de Lonnie. Parado, olhando atentamente para o que estava acontecendo, o movimento dos professores se afastando, as expressões entediadas dos alunos, o grupinho dançando... Ah, mas a solução era tão simples...

-Lonnie – chamou De Vil com um sorriso crescente – Reúna os alunos; pega os representantes, os mais animados, os líderes. Só a galera de atitude. Uns três de cada sala. Traga-os aqui.

Nenhum dos três viu Mal atravessando a trilha com um funcionário/motorista em seu encalço. Nenhum dos três notou o olhar angustiado do príncipe Ben nas costas da vilã de cabelos roxos.

-O que está pensando, Carlos? – o sorriso era de Evie; ela já sabia que havia uma alternativa para aquela noite enfadonha.

-Só junta a galera. Eu tenho um plano para animar isso aqui. Se concordarem, espalhamos a ideia.

Lonnie saiu rapidamente, sem olhar para trás.

[...]

-Isso vai dar certo? – o sussurro veio de Jane.

-Claro... Isso é, se você fizer a sua parte – respondeu Carlos sem sequer olhar para ela; aquela falta de contato machucou-a como uma alfinetada certeira num machucado exposto.

-Não sei se consigo fazer isso, Carlos – sua voz sumiu com o vento da noite, mas ele havia ouvido perfeitamente.

O vilão finalmente olhou-a. Jane tinha os olhos arregalados, as mãos trêmulas... Carlos suspirou internamente. A menina mais do que nunca parecia inocente aos seus olhos. Ele realmente estava pedindo muito de uma inocente.

-Você não vai prejudicá-la, Jane – disse com a voz mansinha, doce como mel – Só vai ajudá-la a dormir.

O problema nem era mais se livrarem dos adultos. Jane sabia o que aquele gesto desencadearia. Não sabia se estava pronta, mentalmente preparada para lidar com a alternativa oferecida pelos descendentes dos vilões. Sabia que emocionalmente ela estava um caos e não lidaria com nada.

-Nada demais... – ela murmurou fechando os olhos. A caneca com chá soltava uma nuvem sutil de vapor. Jane lembrou que Mal sempre a aconselhava a fazer o contrário do que era acostumada “crie novas perspectivas; você já sabe o que isto vai causar então faça diferente”. E se tudo desse muito errado ela podia se refugiar no meio do bosque.

Ela não deu tempo de ele encorajá-la mais uma vez, saiu em direção a sua mãe. Carlos estranhou a falta de um olhar carente de encorajamento da menina; estranhou e sentiu falta da costumeira necessidade de Jane de um toque amigo. Carlos reprimiu aquela vontade de confortar Jane como se aquilo não passasse de uma vontade patética, mas o vazio no peito persistiu por mais alguns minutos.

As duas – mãe e filha – conversavam sem nenhuma pressa, aparentemente sobre um assunto até mais sério. Enquanto isso Carlos rodou os olhos, atento, pela clareira. Evie, sozinha, havia passado pela professora de biologia com uma graça absurda, sem sequer falar com a mulher; atravessando o aglomerado de pessoas como se tivesse um destino fixo e não uma pessoa fixa. Claro, sorriu Carlos, aquela era a especialidade da menina mesmo. Jay e Kai esbarraram nos treinadores e iam buscar novos copos, novas bebidas. Raissa e Lonnie conversavam com o professor de geografia. Carlos sorriu observando a pequena Gisele com um amigo de sua turma conversando com os motoristas/seguranças daquela excursão numa naturalidade adorável; De Vil sabia que se ela tivesse nascido na Ilha seria do grupo deles, afinal, a menina tinha muito potencial.

Devido o acidente com Mal, os professores haviam dado/atrasado dez minutinhos para mandar os demais alunos para as barracas. Fora tempo suficiente para os alunos decidirem e se organizarem. Ninguém disse não. E a ordem de Carlos era obedecer. Todos foram “dormir” conforme uma diretora de voz arrastada pedia. Nas barracas, porém, todos silenciosamente contavam cinco minutos. Era tempo suficiente para o sonífero fazer efeito... Sorte de Carlos sempre andar com algumas opções de “remédios”.

Cinco minutos depois, Carlos, Evie e Jay saíam das barracas. A fogueira ainda estava em brasa; alimentaram o fogo até que ele estivesse mais alto do que a altura de um ser humano.

Os três trocaram sorrisos, sorrisos que cresceram e tornaram-se risos e gargalhadas convidativas para que os demais saíssem e viessem festejar um devido acampamento adolescente. Todos os alunos bateram palmas entusiasmados com o que haviam feito. A noite estava, em todos os sentidos, apenas começando.

 

 

-Tragam o máximo de bebida que conseguirem – dizia Carlos em frente aos ônibus e aos, agora dois, carros dos seguranças do colégio – E não se comprometam!

-Relaxa, baixinho – sorriu Jay agitando a chave de um dos ônibus – Nós vamos voltar cheios de alegrias engarrafadas. Se dermos sorte, vai sobrar para o caminho de volta.

-Hey, Jay! – vinha o príncipe se aproximando, cortando uma resposta de Carlos; Ben não havia se candidatado para nenhuma daquelas tarefas, nem havia se pronunciado sobre nada naquela “brincadeira”; indiscutivelmente neutro – Tem como você me deixar na avenida? Meu avô está precisando de mim...

Ninguém questionou a veracidade daquela frase. O príncipe estava agitado com o celular nas mãos.

-Vai perder a festa, alteza? – Evie estranhou, ou melhor, chateou-se. Ela tinha intenção de, em algum momento da noite, jogar um pouco de seu charme nesse encantado apenas para irritar Chad e Audrey, já que Mal não dava maiores coordenadas de por onde seguirem. E o que a princesa má mais queria era provocar aquele casal de amantes; custasse o que custasse.

-Sim, não estou no clima e reconheço que uma mudança nessa excursão é necessária. Por favor, divirtam-se, mas não arrumem confusão – disse rapidamente; não parecia preocupado com o que eles poderiam aprontar.

-Claro – disse Jay com um sorriso felino e feliz; adorara aquela “confiança” passada, querendo ou não, pelo príncipe – Kai, o Ben vai com a gente até metade do caminho – os dois príncipes trocaram um olhar longo e frio, percebido facilmente pelos três vilões, então subiram todos os três no ônibus.

[...]

Jay estacionou o ônibus escolar uns 15 minutos depois de deixar Ben no acostamento da estrada/rota 66. Era um estabelecimento de tamanho considerado médio. Nada mal para um posto de conveniência... na realidade, a única conveniência era estar fechado.

-Como vamos fazer para... – Kai não terminou a pergunta; Jay já havia destravado a porta da frente com um canivete roubado dos professores – Sorte não terem câmeras – riu o príncipe.

Começaram a empilhar os engradados de cerveja e alguns salgadinhos e docinhos de fácil transporte. Quando metade do que pretendiam levar já estava dentro do ônibus ainda trocando risadas depois de algum comentário de natureza babaca, Jay resolveu alfinetar:

-Então, você e o Ben se estranham – riu o árabe.

-É... – Kai riu pelo nariz – Parece que não vamos nos dar bem até o final desse intercâmbio.

Intercâmbio... Apesar de vasto o reino de Auradon, ainda havia outros reinos espelhados pelo mapa e muitas realezas estavam fazendo intercâmbio no colégio de Auradon. Gisele e Cordélia estavam nesse grupo, Raissa também. Boatos de que o filho do Aladdin cancelara sua inscrição quando soubera do ingresso de Jay.

-E vocês se estram sem motivo? – perguntou colocando dois engradados sobre os ombros; andava para fora com seu gingado de malandro, sem deixar que o outro percebesse toda a sua curiosidade; para todos os efeitos era somente uma tentativa de conversa.

-Nada... – Kai deixou uma caixa cheia de salgadinhos num dos bancos do ônibus; apoiou-se no banco da frente quando continuou – Parece que ele não gosta muito da minha proximidade com a sua amiga.

-Como se Mal precisasse de alguém para protegê-la – gargalhou Jay conduzindo o jogo de palavras.

 -Não sei se proteger é a palavra – disse Kai voltando ao estabelecimento e enchendo os braços com garrafas de vodca – Parece ciúme. Não que faça sentido já que ele tem uma namorada bonitinha...

Bingo!

-Ah a namorada é mesmo uma gracinha – riu com malícia.

-Está de olho na mina? – riu Kai – Sacanagem querer uma comprometida.

-Sacanagem é deixar uma mulher sem a devida atenção – disse com sua melhor cara de safado – Estamos prontos?

Kai, suspeitando que Jay fosse sair daquele jeito mesmo, disse ter esquecido uma correntinha numa das prateleiras. Voltou ao estabelecimento e deixou uma boa quantia em dinheiro ao lado da caixa-registradora; não sabia se era o suficiente para pagar por aquelas compras, mas era, com certeza, um valor próximo. Só então voltou ao ônibus.

 

 

Carlos e Célia estavam juntos roubando os rádios dos carros que sobraram. Os dois juntos levaram os aparelhos e mexiam nos fios tentando fazê-los funcionar. Enquanto isso, Evie observava o movimento dos colegas estando escorada numa árvore razoavelmente longe da vista dos demais. Era a mesma simplicidade de antes de os professores mandarem que se recolhessem: conversas entediantes e alguns risinhos chatos; havia apenas um casal aos beijos, ovacionados pelos colegas de turma, pareciam mais novos, da classe de Cordélia; não que importasse.

Viu Aaron e Klaus – irmão mais novo do primeiro – com o canto dos olhos; eles conversavam de forma despojada, nunca deixando de lado a essência real de ambos. Lindos príncipes... lindos cachos negros como o mogno, pele branca como a neve e lábios rubros como o sangue... Lindos e reais. Príncipes com o status de nobreza impecável: Branca de Neve era princesa de nascença e casara com um príncipe de linhagem igualmente real. Nenhum plebeu estragando a árvore genealógica. Lindos, reais, e ambos desejavam a vilã.

Seus olhos rolaram para o outro lado do acampamento indo direto para Audrey. A princesa tinha o quadril deslocado de forma charmosa e sexy. Ela estava com as pernas bem torneadas a mostra, a pele morena clara, lisa, impecável... ficava claro também o top cor-de-rosa forte sob a camiseta do colégio. Os cabelos da cor de chocolate, brilhantes sobre os ombros... E ele estava ali, próximo demais daquela figura tão bonita. Chad estava quase gritando pela atenção de Audrey. Mais um pouco e ele a agarraria a força – isso, claro, aos olhos de Evie.

A princesa má não estava feliz. Era a mesmice de sempre, a mesma visão do pátio do colégio interno; não havia nada realmente excitante. Para os bonzinhos apenas drogar os professores já havia bastado, ela necessitava de algo mais, precisava fugir daquela visão dolorosa.

Saiu caminhando longe das trilhas, amarrando a blusa na cintura. Não precisava de bússola nem de mapa; a fogueira estava alta e muito brilhante na clareira; Evie saberia achar o caminho de volta. Suas tranças batiam em sua cintura nua conforme andava, fazendo cócegas em sua pele. Seus coturnos esmagavam folhas marrons. Sua mente estava tão longe... seguia o vento... em direção a Ilha dos Perdidos.

“Perfeição...” ouviu a voz da mãe com uma clareza absurda, como se a mulher estivesse lhe falando ao pé do ouvido “A beleza é essencial. A riqueza, a nobreza. Alguém tão frívolo que não faria falta”.

Chad... Chad era perfeito! Tinha os cabelos num tom belíssimo, loiro claro, as madeixas em cachos angelicais sempre bem penteados, os olhos num azul pálido, suavemente acinzentados e a pele leitosa. Claro, tinha o sangue de Cinderela o que diminuía ligeiramente sua importância na linha nobreza, mas nada irreparável. E Evie não conseguia imaginar alguém realmente lamentando a ausência de Chad, nem Audrey ou mesmo o príncipe Ben... Tão perfeito...

“Você só terá valor no instante em que, de véu e grinalda, seu príncipe diga os votos. Até lá, você não passa de uma coisinha digna de pena” a voz da Rainha Má ecoou em seus ouvidos; lâminas em seu coração. Chad... ele era perfeito... Mas como ele podia não se interessar por Evie? Ela era linda...

“Você pode até ser linda, mas nunca jamais irá ter um legado... Porque você é só isso, não passa de um rostinho bonito, não é, minha linda menina burra?”

Evie tropeçou em raízes e caiu no chão. Quando o susto passou e as lágrimas se afastaram de seus olhos, a menina percebeu sobre o que ela havia caído, o que era aquilo sob seus pés, aos seu redor. Sua salvação!

Um sorriso maliciosamente satisfeito apareceu em seus lábios cor de carmim.

 

 

-A bebida chegou! – anunciou Jay descendo do ônibus. Aaron e outros rapazes se apressaram em descarregar o veículo – O som já está pronto? – perguntou em tom normal a Carlos.

-Ainda não. Mas agita a galera aí, prepara um clima.

-Preparar o caminho – riu Jay – Vamos fazer uma brincadeirinha todo mundo? – disse com uma voz extremamente persuasiva; o tom alto, a dicção impecável, todos os ouviam – Eu nunca... Já jogaram?

-Eu nunca?

-Dizemos uma frase, quem nunca não faz nada... quem já... – o sorriso era tão malicioso que diversas meninas ficaram com a calcinha um pouquinho mais úmida – vira o copo. Lembrando que... não vale mentir...

Não que ele precisasse dizer; bonzinhos eram tão corretos que não mentiriam num jogo como aquele... não conseguiriam mesmo se quisessem depois de o álcool ser ingerido.

Não precisou de dois minutos para convencer todos a jogar. Evie apareceu quando estavam distribuindo copos vermelhos de plástico antes da brincadeira começar. Todos sentados ao redor da fogueira, uns em troncos outros no chão, todos com os copos na mão e expressões ansiosas para brincar como vilões o faziam. E obviamente, os copos foram enchidos com as bebidas mais fortes; a cerveja podia ficar para depois.

Jay apontou para uma menina novinha, de bochechas cheias; ela iniciaria aquela rodada:

-Eu nunca... colei chiclete embaixo da carteira do colégio.

Jay levou o copo a boca, mas alguns meninos de Auradon também o fizeram causando burburinhos e risinhos.

-Eu nunca... beijei – a frase veio de outra menina que corou absurdamente ao perguntar.

Ali o nível de perguntas já havia subido bem. Jay notou que muitos, incluindo formandos, não beberam. Quantas boquinhas virgens para desbravar.

-Eu nunca... usei drogas – disse um menino de aparência muito comum. Ele foi momentaneamente vaiado, mas assim que todos beberam ele soltou – Me agradeçam, vai ser difícil fazer com que todos virem o copo novamente.

Carlos gostou do complemento e incitou alguns colegas – Jay, Evie e alguns outros – a beberem em honra ao rapaz.

-Eu nunca... fiquei com algum dos aqui presentes mais de uma vez.

Era a primeira pergunta mais específica. Que deus abençoasse aquela alma desconhecida que incitara perguntas mais íntimas.

-Ah eh! – comemorou Jay virando o copo e tentando não fixar o olhar em ninguém especificamente. Lonnie secou o copo, já pegando uma garrafa para enchê-lo; Jane, surpreendentemente deu um golinho bem discreto; Chad e Audrey também beberam não passando despercebidos.

-Agora precisamos saber quem são as pessoas com quem ficaram – disse uma voz distante; Evie não identificou o dono da voz.

-Só se brincarmos de verdade ou desafio depois – e deu uma piscadinha para ninguém em especial.

As perguntas continuaram, a maioria era mais sutil embora ainda constrangedora, o nível de indecência subindo aos poucos. De uma forma ou de outra todos haviam bebido pelo menos três goles e a verdade aparecia límpida como água. Eu nunca entrei no banheiro errado, eu nunca mandei mensagem para um ex, eu nunca saí na rua de pijama, eu nunca peguei um ex de um amigo/amiga, eu nunca fiquei de vela, eu nunca fiquei com alguém por interesse, eu nunca me apaixonei pela pessoa errada...

-Eu nunca fiquei louco por algo que não fiz – Jane e Doug viraram o copo rápido demais até, como se urgissem em apagar as lembranças que os forçavam a beber daquela vez.

-Eu nunca nadei nu – Lonnie riu antes de virar o copo; Raissa também bebeu com um sorriso malicioso, saudoso, de quem tem lembranças agradavelmente quentes. Jay gostou muito de saber aquilo das duas meninas.

-Eu nunca beijei alguém do mesmo sexo – todos os meninos beberam devido a festa de Jay, Doug foi a única exceção; pouquíssimas meninas beberam, Gisele e Evie foram as únicas que beberam sem se constranger.

-Eu nunca me apaixonei por um professor – alguns beberam, ninguém relevante.

-Eu nunca disse que prestava – essa veio com uma chuva de ovações: os vilões beberam até secarem os copos.

Todos, inegavelmente todos estavam bêbados; uns mais outros menos, mas irremediavelmente bêbados.

-Eu nunca... duvidei da minha sexualidade – dos mais relevantes, Doug, Kai, Jay, Carlos e Chad viraram. Gisele, Evie, Lonnie...

Chad já resmungava palavras ininteligíveis e Audrey sorria para o céu com alguma calma no olhar. A princesa má aproveitou a deixa, a bebedeira, e distribuiu sua salvação entre aqueles que queriam: cogumelos. Aqueles que te deixavam doidão, completamente alucinados. Muitos quiseram, e os que não quiseram já estavam realmente muito altos... Então um ruído desagradável de interferência os interrompeu... e a música soou. Todos vibraram. A festa já estava animada, agora era só manter o ritmo.

No meio daquela bagunça, no entorpecimento de tantas drogas, ninguém percebeu o óbvio. Ninguém percebeu quando Jane juntou alguns cogumelos na mão e uma garrafa de cerveja e sumiu por uma trilha escura. Ninguém percebeu quando Lonnie se afastou ou quando Jay a seguiu. Ninguém percebeu Doug e seus olhos tristonhos ou Evie e sua crise interna. Ninguém notou o desejo de Chad por Audrey, seu olhar obsessivo sobre aquele corpo bonito que dançavam a luz do fogo. Ninguém se importava se Célia estava pagando um boquete para Carlos, ali, sem disfarçar...

Todos ali, de uma forma ou de outra, só precisavam extravasar, esquecer os problemas, os preconceitos, o adequado e o correto. Precisavam cometer erros. Queriam cometê-los. Que lidassem com isso pela manhã.



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