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História See You Again - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


E eu voltei antes do esperado por que me animei mais, só que não se acostumem por favor ou estarei ferrada.

Ócus Pócus meus queridos leitores zumbis, e ai oque acharam do primeiro capitulo? Se você está aqui ou gostou, ou ta tentando dar uma chance, ou apertou algum botão errado,certeza.
Mas dessa vez, chega de enrolação, vamos logo para o capitulo e como eu sou uma ótima pessoa, hauashauh deixei links de musicas nas notas finais.
Ok, ok, vamos lá!

Capítulo 2 - Capítulo I - Nostalgia


Fanfic / Fanfiction See You Again - Capítulo 2 - Capítulo I - Nostalgia

"Se pessoas com pouca idade e muita maturidade deveriam se orgulhar
por já terem tamanha responsabilidade, por que sinto que crescer rápido demais
foi a pior decisão que fiz na minha vida?"

- Sentimentos de Kenneth McCormick — Mind Night

 

Kenneth McCormick

Nove anos sem nem sentir o cheiro de South Park, mesmo que uma vez ou outra eu sinta falta de algumas pessoas, minha vida aqui nunca foi fácil, ela sempre foi fodida e nunca foi um mar de rosas, talvez essa seja a maldição dos McCormick, nunca estar de fato feliz. Minha vida só melhorou quando eu saí dessa cidade, na verdade quando eu fugi em uma madrugada, não me despedi do meu pai, da minha mãe ou do meu irmão mais velho. Não falei com nenhum deles, havia me despedido apenas de Kyle, Stan e Butters, 1 mês depois de saber que Craig havia se mudado para fazer faculdade.

Nada mais me prendia nessa cidade, Karen estava bem e segura com a nossa tia, sabia que jamais conseguiria dar adeus a essa cidade se ela continuasse com o carma que chamamos de família. Então, eu pude ir sabendo que qualquer coisa seria melhor do que continuar em South Park. Na verdade, vários dos nossos amigos saíram para fazer faculdade.

Entretanto, dessa vez não estava aqui para uma visita, ou para um passeio em férias, estava a trabalho, e a primeira coisa que fiz foi organizar as ferramentas que usaria para completar essa operação. Pude ajeitar um pouco o chalé antigo que havia conseguido com o Chefe, antigo cozinheiro da escola, eu conseguia várias coisas para ele e em uma dessas trocas, eu ganhei uma chave. Foi aqui que passei boa parte do meu tempo na infância e adolescência.

Começaria hoje com meu trabalho, o delegado já sabia da minha chegada, mesmo passando um bom tempo fora, eu conhecia bem a cidade, levaria pouco tempo para me acostumar com as mudanças, visto que a anos atrás, vivi um vigilante que ajudou a polícia, Mistério. Mesmo sendo um fodido e infringindo muitas leis, se eu não seguisse no caminho da justiça como profissão, ficaria até estranho, depois de tudo oque vivemos aqui, depois de tudo oque eu vi e fiz aqui.

- Aqui está você... — Pude falar tranquilamente ao erguer a porta da garagem com velocidade e força, essa estava emperrada devido a falta de óleo e o tempo que ficou fechada.

O lençol branco estendido sobre veículo grande me fez sorrir. Tanto tempo parada, vou precisar mexer no motor. Puxei o tecido tossindo pela poeira, mas apenas ver o brilho preto da picape me fez sorrir, faróis funcionando, vidro fumê, pintura velha, entretanto ainda estava bonita, tudo parecia exatamente no lugar, como deixei a anos atrás. Havia concertado essa caminhonete sozinho, eu e o Chefe conseguimos acha-la totalmente destruída no ferro velho, arrastamos para cá e dei meu suor para recuperar essa belezinha. Custou bem caro no passado, algumas peças, a pintura e a melhora do motor, mas valeu a pena.

Aquela foi uma boa lembrança, um bom momento que vivi aqui, acho que as únicas pessoas que a viram, foram o chefe, Craig e Butters... Talvez as últimas pessoas mais próximas de mim que restaram. Quando a adolescência chegou, os antigos grupinhos se dissiparam e acabamos de alguma forma amadurecendo um pouco, e com isso pudemos seguir nossos próprios caminhos mais à frente.

E o motor havia ligado, após longos minutos de luta ele havia ligado e o ronco soou alto pela garagem, os vizinhos haviam escutado aquilo com toda certeza, haviam muitos trailers próximos. Mas, ainda tinhas coisas a fazer, tinha um caso para resolver. E isso me trouxe de volta para a realidade, eu não estava aqui para ter lembranças ou criar laços, eu estava aqui em uma operação de assassinato em massa.

Pude colocar as coisas necessárias no banco de trás da picape e finalmente tira-la da garagem, estava meio dura, mas em algum tempo amaciaria. As ruas não me agradavam mais, apenas por saber que algum maníaco estava solto, algum maníaco ou um grupo de maníacos, matando pessoas e as dilacerando, alguns raptos de corpos e membros deixados em locais públicos, a mídia ainda não sabia desses casos e toda a policia agradecia, ou isso iria gerar um grande escândalo. E escândalo não é o que precisamos agora.

Meus olhos analisavam cada metro quadrado das ruas, todas as coisas consideradas novas eram muito bem guardadas por mim, South Park definitivamente não era mais a mesma, e comecei a notar isso quando não conseguia mais ver crianças nas ruas, na verdade não via mais pessoas andando por ali direito, talvez fosse pela grande quantidade de carros, ou pelo frio que estava chegando cada vez mais, porém nem isso era capaz de nos parar antigamente.

O departamento de policia agora parecia mais chamativo que antes, isso era bom. Haviam mais viaturas estacionadas, motos e policiais por ali comendo algo ou fumando, isso não havia mudado muito. South Park era uma cidade baderneira e não violenta. A picape chamou atenção, sabia disso era um belo carro e bastante alto devido aos pneus trocados. Estacionei próximo as viaturas e desci do veículo, o cordão com distintivo da CIA brilhava em meu pescoço, eu não precisava mais de uniforme, porém me fazia falta uma vez ou outra, era divertido ser policial das ruas em Nova York, sempre havia uma movimentação gigante.

- McCormick? — Meu sobrenome foi dito de forma alta enquanto caminhava na direção do prédio.  Pude parar por alguns instantes podendo ver o rosto do homem velho, mas ainda fardado, barriga acentuada continuava ali, ele parecia perfeitamente bem. Oficial Barbrady, era sempre muito distraído e espalhafatoso, porém, era um bom homem.

Havia me ajudado tantas vezes que perdi a conta, teve de tirar os óculos escuros para poder realmente acreditar no que via. Nove anos sem ser parado com bebidas alcoólicas ou drogas. Talvez fosse um dos únicos homens dessa cidade que um dia cuidou de mim ou me salvou de apuros. Devia muito a ele, me arrumou bicos de uma noite ou de uma semana várias vezes para que eu pudesse dar algo melhor a Karen, me viu crescendo rápido demais, este homem tinha um bom coração e bastante inocente, talvez fosse patrimônio histórico desse departamento e só o tirariam das ruas quando pedisse sua aposentadoria.

- É bom te ver novamente Barbrady. Já faz 9 anos... — Disse sorrindo fraco para o mesmo que pareceu emocionado em me ver. E o homem me abraçou sem medo ou vergonha dos outros policiais, sempre teve um coração grande demais. Não recusei o afeto direcionado a mim naquele momento, aquele homem foi quase um pai para mim.

- Santo hambúrguer, eu te vi pela ultima vez quando você ainda era menino. Era da minha altura e agora está um homem. — As palavras sorridentes me atingiram em cheio, ele foi contra minha partida da cidade então nunca pude me despedir.

- Você está velho, e continua gordo. Não aprendeu mesmo? — Disse rindo fraco enquanto o via se afastar para poder me olhar novamente. E o olhar desgostoso me fez rir.

- Continua o mesmo pirralho ainda? Nova York não te deu um jeito? Se tivesse ficado, o nosso departamento teria dado. — Cruzei meus braços por um instante e então olhei ao redor, muitos policiais nos encaravam, curiosos e até irritados, eu estava no departamento deles. — Oque faz aqui filho? — Sua pergunta soou no fim e eu suspirei encarando as ruas com pesar, o frio machucava meu nariz.

- Vou cuidar de caso... As coisas não parecem boas nas ruas. — Disse simples evitando o olhar ainda e o suspiro que escapou do homem foi grande, longo o suficiente para entender que ele sabia bem sobre o caso. Mais que os outros.

- Tome cuidado filho, South Park não é mais a nossa cidade, é pequena, mas... Agora e terra de ninguém. — Senti sua mão em meu ombro e concordei. Ele tinha razão, apenas pelo que notei, não haviam mais muitas pessoas nas ruas e sua frase agora explicava o motivo disso acontecer. Traficantes e gangues adoram cidades pequenas.

Tornei a caminhar para dentro do prédio e a cada segundo sentia um olhar direcionado a mim. O escritório do departamento estava calmo, conseguia ver alguns presos por ali, a maioria adolescente. Alguns velhos e poucos adultos. Tudo parecia tranquilo, e essa tranquilidade me deixava desconfortável, o escritório do antigo DP que trabalhei em N.Y era maluco, o da CIA era sério demais, mais ainda corrido.

Pude ver de longe um grupo de pessoas reunidas próximo a maquina de café sem o uniforme, mas ainda formais, esses eram os agentes que interviam em casos de assassinato e os olhares sobre mim foram o suficiente para me fazer saber que a minha bunda não era totalmente bem vinda ali. Entretanto um rosto se destacou no grupo. Cartman, Eric Cartman era agente da policia agora. Seu semblante debochado e nada agradável continuava o mesmo, mas ele não pareceu surpreso em me ver.

- Kenny McCormick a criança mais pobre da escola, quanto tempo não vejo você. — O copo com café não saiu de suas mãos, mas este se moveu até mim, ele não estava mais tão gordo como na infância, porém ainda sim não estava em forma. Me perguntava se esse babaca ainda morava com a mãe.

- Cartman a rolha de poço. Quanto tempo. — Disse cruzando meus braços o encarando, ele apenas manteve a risada sarcástica enquanto me olhava.

- Faz nove anos que saiu de South Park e agora volta para cá, que estranho. Está fracassando em Nova York também, te deportaram para cá? — Revirei meus olhos e encarei ao longe a sala do delegado, ele era novo na cidade. Nunca o vi antes. — Veio para tomar o caso das pessoas mais qualificadas para resolver essa besteira. Um assassino fracassado aparece e eles deportam a merda deles pra cá. — Ajeitei a postura o encarando de cima, ele não havia crescido tanto assim, mas seu ego não cabia nessa sala.

- Na verdade, me mandaram pra cá pra resolver oque vocês qualificados não conseguem fazer, um assassino fracassado a solta e precisam de um agente da CIA pra resolver isso. Sério? Que vergonha oficial Cartman. Achei que com o tempo você ficasse menos filho da puta e mais competente, mas a única coisa que ficou maior em você foi essa sua bunda gorda. — Sorri no mesmo tom de minhas palavras e me movi de forma tranquila até a sala do delegado, não precisei esperar para ver a cara de Eric, eu geralmente não perdia meu tempo para revidar seus insultos antes por que eu definitivamente era tudo oque ele dizia, mas agora eu era da CIA e ajudava em casos grandes com o FBI e a INTERPOL. Eu definitivamente era alguém agora!

- Vá se foder seu pobre filho da puta. Você está na minha cidade Kenny, essa é a minha cidade agora. — Não precisei bater na porta do delegado para que ele a abrisse.

Já tinha algo incrível para contar a Craig agora sobre essa cidade, Eric Cartman era um agente gordo que come rosquinhas na mesa do trabalho. É, sempre soube que isso um dia poderia acontecer afinal ele também tentou ser um ajudante da lei quando mais novo, o Guaxinim. mas, meu foco agora era outro. O delegado parecia profissional, apenas parecia, mas seus policiais nenhum pouco. E talvez esse seja um dos maiores motivos para eu ter sido mandado pra cá.

- Bem vindo agente McCormick, é bom recebe-lo no meu departamento. Sou o capitão Walter, vou ser seu reforço nessa operação. — O cumprimentei apertando sua mão e passei brevemente a outra pelos cabelos a fim de parecer um pouco mais formal. A jaqueta de couro e a camisa quadriculada não ajudavam nisso também.

- Pode me chamar de Kenneth. Eu vou precisar da papelada toda e das fotos tiradas nas cenas dos crimes. — Falei simples e o vi concordar abrindo uma das gavetas de sua mesa e tirando uma pilha de pastas. Merda, eles não eram dinâmicos pelo visto.

- O nosso legista quer vê-lo também, ele disse que vocês foram colegas de classe. — Walter pronunciou cruzando os braços e concordei soltando um breve suspiro tensionado.

- Claro, mas tenho algo a dizer. Eu não vim sozinho! O FBI assinou uma carta de autorização e eu tenho um legista comigo. Ele é cirurgião geral, mas atua conosco quando necessário. O nome dele é Craig Tucker, então a decisão final sobre as vitimas virão dele. — Disse de forma direta e o vi concordar apertando os olhos.

- Um Tucker... Conheço esse sobrenome, Thomas Tucker é um amigo e Tricia é bastante querida. Não vai ser ruim trabalhar com o filho mais velho deles, vai ser bom conhece-lo. — Concordei um tanto surpreso pela noticia e apenas concordei.

Conhecer o departamento de policia não foi ao todo ruim, os oficiais foram bem receptivos, as pessoas do escritório pareceram animadas e os agentes bom, nenhum deles foi com a minha cara e a melhor expressão de raiva que pude guardar foi a de Cartman. E sendo totalmente sincero foi gratificante saber que ele parecia com muita inveja.

Mas, o local foi tomado por sons de gritos altos cada vez mais próximos, e logo pudemos ver um homem de terno e gravata entrando com a ira estampada nos olhos enquanto gritava palavras de baixo calão para a pessoa que estava atrás de um dos oficiais novos que se aproximava. A pessoa também parecia bastante irritada, era menor que o oficial e por isso meus olhos só conseguiam ver os cabelos loiros e as roupas coloridas e chamativas. Parecia ser alguém bem extravagante! Mas sua voz era bem conhecida por mim.

- Esse velho maldito acha que pode falar o que quiser e acha que não irei reagir? Homofobia é crime sabia? — E foram necessários longos segundos para que eu reconhecesse o dono daquela voz. Estava tão diferente, não havia crescido muito, ainda parecia o adolescente que conheci anos atrás, agora mais ousado, onde estava a timidez? Onde estava o medo de falar alto demais? Quem era essa nova pessoa?.

- Que porra é essa, Butters seu idiota. Pra que fazer toda essa cena com esse homem? — Erick se aproximou da cena apenas confirmando a mim quem era a pessoa cheia de raiva, uau... Normalmente Butters era bem calmo e tranquilo.

-- Essa criança maldita está me acusando sem ter as mínimas provas. Dizendo que eu o xinguei, como se eu me importasse com ele pra fazer algo assim. — E a voz do homem pareceu se acalmar na presença de Cartman.

O rosto de Butters parecia cada vez mais irado. Ele havia mudado pelo visto, a ultima vez que o vi ele estava chorando tanto que mal conseguia pronunciar oque tanto queria me dizer naquela madrugada que nevava tanto. E então veio a confissão que ele tanto esperou para fazer, me pegando totalmente de surpresa... Eu sabia que ele não gostava de garotas, mas não imaginei que era de mim que ele gostava, de alguém como eu naquela época.

Nunca pude dizer algo a ele sobre meus sentimentos, por que eu realmente não os sentia como ele sentia por mim. Na verdade, mal pude gostar de alguém direito, eu não tive tempo de me apaixonar... Quanto mais velho eu ficava, mais coisas apareciam para que eu pudesse cuidar. Até o dia que decidi ir embora, talvez se eu tivesse mais estabilidade emocional, eu tivesse correspondido seus sentimentos, entretanto eu não pude dizer nada a ele aquela noite. E ele também não me cobrou uma resposta. Sabia que não era heterossexual, mas também não era gay, eu já havia passado noites com mulheres em Nova York e em South Park, da mesma forma que estive com caras aqui e lá.

Me aproximei aos poucos enquanto via a oficial do escritório fazendo o Boletim de Ocorrência com oque Butters dizia enquanto o homem refutava irritado, Cartman tentava acalmar o de terno ali e sabia muito bem que aquele B.O nunca seria feito se dependesse de Erick. Por isso intervi no instante que pude olhando Butters diretamente. E quando este pode se acalmar em alguns segundos e perceber minha aproximação, o loiro foi da água para o vinho. Sua expressão mais que surpresa me fez travar o riso e voltar meus olhos para a oficial.

- Passe esse B.O para mim, vou cuidar dele. Homofobia é crime e apenas pelas palavras e postura deste homem dá pra ver que o senhor Stotch não foi a primeira vítima. — Disse e vi a mulher olhar para mim sorrindo e concordando, a expressão de Cartman ao meu lado também não foi nada boa. E a do homem que era acalmado pelo gordo parecia pior.

- Quem é esse idiota, ele sequer faz ideia do que aconteceu de verdade para tomar uma decisão dessa forma! — A voz ardente em raiva do acusado pareceu bastante nervosa e eu pude me virar para o mesmo analisando seu perfil de cima a baixo.

- Anota também desacato a autoridade. E se ele continuar negando, eu vou mais a fundo na ficha dele, ele tem um perfil de pedófilo bem fechado. — Disse encarando o homem nos olhos ignorando a presença de Cartman, e dessa vez o homem se calou. Sua expressão estava carregada de raiva ainda, entretanto pareci pegar na sua ferida. Assédio a menor de idade também, uau. Pelo visto Cartman também era do tipo que caminhava com o crime pra manter a paz. Odiava policiais assim.

Voltei meu olhar para Butters que continuava me olhando como se eu fosse um fantasma e coloquei as mãos dentro dos bolsos da calça o olhando. Sorri fraco o vendo abrir a boca várias vezes e fechar como se não conseguisse pronunciar algo direito.

- Kenny... — E pela primeira vez sua voz saiu mansa e doce como me lembrava.

- Sou eu. Como vai Butters? — Perguntei simples ainda tendo seus olhos sobre mim, e foi possível ver seu rosto ganhando a mesma vermelhidão de anos atrás.

- Eu estou bem... Quer dizer, estou com esse problema agora, mas... Estou bem. — Ele parecia chocado demais para falar algo e sua expressão me trouxe graça... — E você como está?

- Estou bem, é bom ver você de novo. — Disse a ele que não desviava seus olhos dos meus segundo algum. Um breve sorriso se instalou em seu rosto me fazendo voltar a ter nostalgia.

Quando eu havia acabado de brigar em casa ou na rua, de alguma forma sempre acabávamos nos encontrando. Independente do horário, ele sempre me encontrava e após um sermão sobre como brigas eram ruins, ele sorria para mim e me perguntava se eu estava bem. Minha resposta era sempre a mesma: “Ainda consigo sorrir.” E aquilo não o convencia totalmente, mesmo assim ele sorria para mim e acabávamos indo até o porão de sua casa para vermos algum filme. Mas dessa vez, foi até gratificante para mim conseguir lhe responder que estava bem. Ele pareceu partilhar do mesmo sentimento que eu naquele momento... Saudade.

Não conversamos mais que isso, na verdade eu terminei de fazer o seu B.O e na ficha, conseguimos achar mais 3 registros, não apenas de homofobia, um deles era sobre assédio dentro de um bar. Esse miserável passaria um tempinho na cadeia, mesmo Erick movendo os pauzinhos para tirar o homem dali, Erick sempre foi narcisista e preconceituoso demais. Como virou agente investigativo?

- Ah, bom... Kenny, é bom te ver novamente, mas eu estava indo para o trabalho quando isso aconteceu, e agora estou atrasado... Podemos nos ver depois? — Escutei sua voz uma outra vez e então olhei ao redor, eu tinha trabalho a fazer, mas isso poderia esperar alguns minutos.

- Eu levo você, estou saindo daqui agora. Vamos! — Disse batendo de leve a mão no bolso sentindo o barulho das chaves e então o vi rir um tanto sem graça, e o Butters raivoso havia ido em bora com todas as forças, era isso? Aquilo havia me deixado curioso.

- Não precisa, você parece ocupado e eu gosto de caminhar. — Este disse caminhando de forma lenta e de costas na direção da saída do local e neguei com a cabeça revirando meus olhos.

- Não foi uma pergunta Stotch. — Lhe respondi sendo totalmente sincero e sorrindo, passei por ele indo até a porta do local podendo ver agora menos viaturas por ali, o trabalho havia começado.

Leopold veio após segundos de redenção, sua presença nunca era ruim e aquilo havia me animado um tanto, eu sentia saudades. Assim que entramos na picape a liguei arrancando para longe do DP. Nenhum de nós conseguia falar algo diretamente, foi surpreendente vê-lo de forma repentina... Ele parecia saber onde eu estaria, como no passado.

- E então... Quando resolveu mudar o visual? — Perguntei sorrindo um tanto ladino mantendo meu olhar para a frente do carro.

- A-ah... Eu não mudei meu visual, só dei um upgrade... Faculdade de moda... Então uma hora teria de mudar um pouco. Está ruim? — Ele também não havia me olhado, pareceu se encolher no banco encarando a janela. Sabia que era estranho me ver novamente de forma repentina depois de tantos anos fora, e lembrando que a ultima vez que nos vimos foi quando ele se confessou para mim. Era estranho, entendia a situação de merda que estava.

- Não, não está ruim. É o seu jeito, geralmente tudo que você fazia era sempre muito bom. — Disse movendo de leve meus olhos em sua direção. Pude notar o sorriso no mesmo conseguindo ver pelo reflexo da janela. Eu estava bem, havia me esquecido dessa sensação.

- Você... Veio pra passear, férias, trabalho... Veio pra ficar? — E sua pergunta por mais simples que parecesse me doeu, pretendia resolver logo esse caso para poder voltar logo a Nova York.

- Não, eu não vim para ficar. Vou passar algum tempo aqui, entretanto não voltei para ficar... Estou a trabalho... Vou voltar logo para Nova York se tudo der certo. — Disse rindo um tanto dolorido para a frente e logo pude escutar a sua risada, um tanto pesada, mas estava na intenção de descontrair.

- Verdade, eu me esqueci. Você agora é perito criminal em Nova York não? Tricia me disse antes, não tem motivo algum para ficar aqui. A única pessoa que te segurava nessa cidade era Karen, mas ela parece estar segura agora então... Me desculpe pela minha pergunta. É que faz muito tempo... — Sua voz era tranquila, tranquila o suficiente para fazer meu peito doer. Aquilo latejou dentro de mim, rasgou de forma bem forte, engoli seco concordando enquanto via o café que ele disse trabalhar segundos antes do clima ficar estranho.

 

[...]

 

Craig Tucker

- Oi... Tweek. — Minha voz saiu tão baixa quanto imaginei que sairia.

- Olá Craig, quanto tempo. — E a sua parecia mais ainda do que a minha, seu tom de voz era tremulo, mas não como antes, não haviam ticks nervosos quando ainda éramos adolescentes.

- Sim, faz um bom tempo... Como você está? — Não queria ter perguntado aquilo de forma tão direta, simplesmente saiu. Então não tive como voltar atrás. Seus olhos mantiveram-se erguidos, eles pareciam doloridos e queriam me mostrar algo que eu já havia entendido, ele não estava nada bem. Seu pai havia voltado a incomoda-lo, aquilo não foi resolvido anos atrás.

- Estou ótimo. E você como está? — Sua pergunta não me pareceu totalmente verdadeira, ele parecia agoniado, ele parecia agir no  piloto automático.

- Estou muito bem... Obrigado... — Lhe respondi engolindo em seco enquanto ainda continuava a olha-lo, entretanto o barulho de sucção no canudo de Tricia me tirou daquele devaneio acordando não apenas a mim, a Tweek também.

A tensão no ar era densa demais, achei que se ficasse próximo a ele um pouco mais, poderia pegar na mão aquela aura escura e ruim, estava agoniado por essa situação agora. Me sentei a mesa junto aos outros ficando de frente para a porta, aquilo era tão ruim, não apenas eu senti isso, mas Kyle, Token, Stan e Tricia também. Acabei pedindo um café mantendo-me junto aos outro na mesa enquanto respirava fundo.

- Vocês realmente não acabaram nada bem cara. — A voz de Stan soou de forma sutil enquanto este agora passava o braço pelos ombros de Kyle que apenas se acomodou, então eles também estavam juntos agora. Na verdade, usavam anéis prateados, estavam mesmo namorando.

O sino na porta logo foi tocado e eu pude escutar algumas palavras mais macias vindo da entrada. Kenny estava ali, ao lado de Butters, então haviam se encontrado já? Quando o McCormick me disse uma vez que o universo sempre conspirou para que um ajudasse o outro, para que pudessem se encontrar eu não acreditei totalmente, mas agora eu conseguia compreender isso.

- Craig? Céus, vocês vieram juntos. Tricia você perdeu tanto dinheiro. — Butters não parecia o Butters, o rosto ainda era angelical, mas, ele estava mudado, não havia muita timidez como no passado.

- Eu sei, estou tão arrependida. Eu teria conseguido pagar uma parcela do meu carro. — Tricia respondeu e eu pude acompanhar o mesmo ir até atrás do caixa e colocar um avental com bordados de arco-íris anunciando bem sua nova presença e personalidade.

Tweek logo voltou para o salão com meu café, o doce de Kyle e o novo capucino de Token que ainda se mantinha calado. Ele e Tricia trocavam olhares, que merda é essa, ele está comendo a minha irmã? Token seu desgraçado.

- Tweek, desculpe o atraso eu tive um problema com um velho idiota e acabei tendo de ir na delegacia, acebei encontrando Kenny lá e ele me deu carona. — Escutei bem a conversa dos dois, por mais baixa que fosse e Tweek apenas confirmou com a cabeça sorrindo simples... Não lhe disse mais nada, nem parecia o Tweek, parecia um clone dele ligado no piloto automático. Butters não ficou parado por muito tempo começando a organizar as mesas no salão.

- Vocês vão se casar quando mesmo, eu nem me lembro do convite. — A voz de Kenny soou divertida enquanto este cumprimentava os velhos amigos. Stan engoliu em seco e pela primeira vez Token riu de forma aberta. Ok, Stan estava desconfortável com o assunto casamento.

- Quando ele parar de me enrolar. Estamos noivos a 4 anos, eu nem me incomodo mais. Ele não quer se casar, ele só pediu por que a mãe dele fez pressão. — Senti a alfinetada de Kyle direcionada ao moreno que mantinha seu braço em volta dele e pude rir junto aos outros.

- Mas que porra, pra que a pressa? Está ruim a nossa relação? Não é que eu não queira me casar, só está cedo. — Stan rebateu me fazendo rir e logo Token se pronunciou pela primeira vez.

- Ele tem fobia de altar, quase teve um derrame quando pediu Kyle em casamento. — Token disse bebendo do seu capucino em seguida e Stan o olhou com cara de morte.

- Ó, estamos fazendo revelações aqui. Por que não assume logo que está transando com a Tricia. Quando vai sair o namoro de vocês, hum? — Kenny e eu tivemos a mesma reação encarando Token que pareceu travar quase cuspindo na mesa e a risada de Tricia se espalhou por todo local junto a de Kyle... Que porra é essa?

- Token, tá transando com a minha irmã? — Perguntei sério o vendo negar de forma rápida, filho da puta, está transando com a minha irmã.

- Eu não estou fazendo nada com a Tricia, que merda Stan, para de ser cuzão. — Ele rebateu e pudemos ver seu rosto vermelho, não me surpreenderia caso ele estivesse mesmo fazendo algo com a minha irmã. Ele era o cara mais legal do colégio no fundamental, e era o cara popular do colégio no ensino médio.

Token sempre foi carismático, bem sucedido, divertido, era capitão do time de basquete e era amigo de todo mundo. Sempre dava as melhores festas, ninguém odiava ele de verdade, a não ser Erick Cartman, que se fingia de amigo dele.

As risadas continuaram na mesa enquanto eu tornava a pensar na escola, na minha primeira vez, foi em uma das festas de Token, ele sabia que eu queria algo a mais com Tweek naquela época e me cedeu seu quarto, foi uma péssima primeira vez visto que Tweek parecia desesperado mas, me rendeu uma ótima noite e uma ótima manhã, visto que quando acordamos, finalmente havíamos conseguido algo mais.

Porém o sino da porta foi tocado outra vez revelando outro rosto conhecido, Clyde Donovan, o cara mais bonito da turma, considerado pelas meninas é claro. Ele foi meu melhor amigo no ensino fundamental e em uma parte do ensino médio também, até começar a andar mais com os caras da faculdade. Seu rosto era sorridente e bastante receptivo. Seus olhos pareceram bem surpresos ao nos ver, especificamente ao me ver... Visto que ele não movia os olhos para os outros segundo algum... Talvez não imaginou que voltássemos um dia.

- Caralho, vocês vieram mesmo. Fiquei sabendo que os dois baderneiros iriam voltar aqui, mas duvidei. Ainda bem que não apostei com Tricia, teria perdido muito dinheiro. — Sua voz não pareceu animar ninguém ali, seu sorriso mesmo que receptivo foi capaz de fazer Kenny o olhar estranho, parecia analisar algo no moreno. Ele estava ótimo, parecia em forma, saudável e continuava bonito. É, realmente estranho ele não ter mudado quase nada visto que todos envelhecemos bastante.

Porém o mais estranho foi a cena que se seguiu, ele pareceu caminhar bastante contente na direção de Tweek e o beijo logo veio, de início pareceu roubado, mas Tweek sequer se moveu. Eles estavam juntos, e a reação mais a frente que Butters teve ao ver o beijo não pareceu muito boa. Butters nunca gostou de Clyde, oque era estranho, Butters dizia que Clyde era como um gavião, só estava onde lhe era bom.

Engoli seco baixando meus olhos para a xícara de porcelanato branca, não queria ver aquilo de certa forma, esse era o desconforto que as pessoas diziam ter quando viam seus ex’s com outras pessoas? Se for, estou sentindo agora. O McCormick se virou para mim me olhando como se tentasse ler todas as minhas reações, odiava isso nesse filho da puta justamente por que ele sempre acertava e conversaríamos sobre isso uma hora ou outra.

Tweek logo pode escapar dos braços de Clyde e cochichou tão baixo próximo a ele que me deixou intrigado. Logo saiu do local indo para a prateleira outra vez, a que estava arrumando antes de ser agarrado ali. Clyde se sentou conosco voltando a sorrir e logo foi acolhido pelos outros na mesa. Não o olharia e não lhe dirigiria a palavra, acabei de descobrir que além de talaríco, Clyde é um incomodo.

Kenny também não falava com ele, mas, tentava interagir com os outros de uma forma paciente. Meus olhos novamente pousaram em Tweek que agora parecia angustiado e nervoso, se antes esse olhava para mim pedindo ajuda, agora ele parecia querer se esconder de todos, não estava me importando com o resto agora, minha atenção já havia sido tomada, e nem era por Tweek ser minha ferida eternamente aberta, e sim por vê-lo naquele estado. Não olhava para a mesa, não olhava para Clyde, seu peito parecia fraco e sua respiração densa, os olhos de Butters sobre ele apenas me deixaram ainda mais curioso, Butters secava os copos, mas parecia esquecer sua atividade enquanto olhava o amigo.

Passei meus olhos pelo loiro acuado por inteiro, dos pés até as madeixas que agora pareciam mal cuidadas. Sua camiseta de mangas até os cotovelos estava larga, Tweek odiava roupas largas antes, a não ser que fosse para dormir. E então meus olhos pousaram no braço enfaixado, os movimentos de erguer os braços do garoto revelaram a ponta de uma atadura e minha respiração travou no mesmo momento, minha mão que segurava a xícara apertou-se e eu pude escutar o pigarro que Kenny soltou a fim de chamar minha atenção... Eu havia entendido...

- Fucker, está no mundo da lua, estou falando com você. — Clyde, infelizmente era comigo que ele falava. Movi minha cabeça na direção do mesmo o olhando de forma séria... Clyde seu filho da puta.

- O que você quer? — Minha resposta saiu mais grossa do que o de costume o fazendo me olhar curioso e ofendido. Kenny me olhou da mesma forma, mas sem a parte do ofendido.

- Calma, é que eu queria saber se está tudo bem eu estar com Tweek agora, visto que no passado vocês namoraram. — Levei a xícara aos lábios bebendo o resto do café e então pousei a mesma na mesa pegando minha carteira.

- Não precisa da minha opinião no seu relacionamento. Faça o que quiser, mas é bom saber que somos amigos ainda, e que Tweek contar comigo para qualquer coisa. É isso que amigos fazem né? Quando temos carinho por alguém, cuidamos da pessoa. — Falei de forma direta e me levantei da cadeira vendo o olhar assustado do Tweak sobre mim, Clyde ficou calado por longos segundos e eu não me importei. Espero que eu esteja errado Clyde, por que se estiver fazendo mal a ele, farei ainda pior com você.

Kenny se levantou no mesmo instante que eu engolindo em seco, não me despedi, pois ainda os veria, mas meus passos foram duros enquanto caminhava para fora do café, Tweek ainda parecia surpreso, nossos olhos se prenderam por alguns segundos até eu finalmente sair do lugar, Kenny demorou alguns segundos para me seguir, visto que este ainda se despediu dos outros e de Butters... Espero que eu esteja errado Clyde, espero realmente que eu esteja errado.

- Que merda foi essa? — A voz de Kenny soou baixa e um tanto esganiçada pela tamanha surpresa momentânea. Apenas suspirei caminhando na direção da caminhonete que sabia perfeitamente ser dele visto que ela fez parte do nosso passado e o olhei sério por instantes.

- Apenas um aviso, vamos. Temos trabalho a fazer. — Estarei de olhos bem abertos em você agora Clyde. 


Notas Finais


Comentem oque acharam desse novo capitulo por que isso incentiva muito, de verdade, anima qualquer autor pequeno. Espero notas ruins, boas e tudooo. Adoro ler aquelas bíblias de comentários que alguns fazem, é tão divertido.

Por fim aqui os links:
Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=Uez-cY6H9S8
Spotify: https://open.spotify.com/album/4he4SQup02hEIQdwhZlZlk?highlight=spotify:track:0y1QJc3SJVPKJ1OvFmFqe6


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