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História See You Again - Capítulo 5


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Notas do Autor


Ócus Pócus meus queridos leitores zumbis!
Capitulo tirado do forno, fresquinho pra vocês uahsuahsush
Esse capitulo vai tocar alguns coraçõezinhos eu acho, espero que gostem, e que me perdoem pelos erros eu não tive muito tempo de revisa-lo mas o próximo irei caprichar mais.

Como sempre tem musiquinha nas notas finais, e comentem oque acharem assim que terminarem de ler.
Até breveeee u_u

Capítulo 5 - Capítulo IV - Manchete


Fanfic / Fanfiction See You Again - Capítulo 5 - Capítulo IV - Manchete

"Os monstros caminham onde menos esperamos,
em cada luz a uma sombra. Os demônios também estão onde menos esperamos,
e você pode perceber se analisar bem. 
Quando se olha longamente para dentro de um abismo, logo
percebe-se que ele também olha para dentro de você!"

- Friedrich Nietzsche

 

Tweek Tweak

Aquilo foi uma grande e enorme explosão de notícias, eu não tinha o hábito de ler o jornal entretanto, depois daquilo, começaria a me atualizar, por que não conseguia acreditar totalmente que algo desse tipo está acontecendo em South Park, uma pequena cidade no interior do colorado, tão pequena que fica entre as montanhas, mas que pelo visto abrigava algo gigante nos escombros da noite. Aquilo foi ao mesmo tempo irrelevante e chocante também, acho que ainda tinha o sentimento de que não serei uma possível vítima, algo tão comum a se sentir nos dias atuais, de que nenhum dos meus... Antigos amigos seriam vítimas, esse sentimento era ruim, por que nos faz esquecer do perigo, por que faz nos sentirmos inalcançáveis e essa barreira, poderia ser facilmente quebrada. Eu deveria aprender mais com a minha nova realidade, eu também jamais achei que entraria em um relacionamento como o atual... E agora... Eu sou refém de um a 8 anos...

A verdade é que eu não me importaria se uma única pessoa que conheço fosse pega, eu não teria problema algum caso ele... Fosse uma das vítimas, e por mais ruim que seja desejar morte a alguém, ele me mata todos os dias que pode, me rasga com a navalha na ponta de sua língua e me faz querer morrer quando seus dedos se enroscam no meu pescoço... Ou seu punho se fecha em meu rosto... Talvez eu fosse o pior de todos mas, eu seria grato se Clyde simplesmente sumisse algum dia.

- Até você está lendo essa merda? Joga essa porcaria fora e faz algo de útil por que minha cabeça está explodindo. — Eu não precisava escutar sua voz para saber que ele estava no loca, o refluxo vinha rapidamente a minha garganta assim que sentia aquele perfume, aquele maldito perfume.

- E-estão alertando sobre assassinatos... — Disse me levantando da cadeira que estava sentado assim que este se sentou à mesa, odiava dividir algo com ele, ele sempre parecia que iria avançar sobre mim a qualquer segundo. Por isso fui até o balcão colocando café em uma xícara e logo estendendo a Clyde.

- Essa merda é inútil, deve ser apenas um bosta tentando ser o novo Jack Estripador, não perca o seu tempo com isso. Mas, se está com tanto medo, feche a loja mais cedo e não saía de casa. — Eu já fecho a loja antes do horário... Preciso ficar mais tempo longe dessa casa e de Clyde.

- C-certo... Mas, você talvez deveria ler... É preocupante. — Por que estava o avisando sobre? Por que eu simplesmente não o deixava sair de noite e ser sequestrado, por que eu estava dizendo a ele para ler aquilo... Eu não quero que ele tome cuidado... Eu quero ser livre sem que ninguém que eu gosto se machuque.

Voltei ao balcão pegando faca que usava para cortar as frutas que iria comer, me afastando do jornal, não queria testar mais sua paciência com aquilo, suspirava fundo sentindo o temor pesar nas minhas costas, era sempre assim quando estava na presença dele, era sempre assim quando dormíamos na mesma cama, durante longos anos foi assim, todas as noites eu não dormia mais de 4 horas direito, sempre tive medo de acordar com ele me sufocando como já fez um dia, ele havia voltado bêbado do bar, e estava irritado por algo que não perguntei nem que tive interesse em perguntar, ele havia apertado tanto meu pescoço que quase quebrou minha traqueia, nunca chorei tanto como naquele dia, virei a noite trancado no banheiro vomitando e chorando... Na manhã seguinte, eu recebi lindas flores... E eu senti tanto nojo delas que não me dei o trabalho de toca-las.

Mas escutei o barulho de sua cadeira arrastando, e isso me trouxe de volta a realidade, mesmo que não demonstrasse totalmente, eu estava em alerta, a faca em minhas mãos coçava tanto, pensamentos dos mais variados tipos me rondavam, e ele se aproximou de mim me abraçando por trás, não... Por favor...

- Me diz, como você está? Sabe já faz um tempo que não fazemos nada... — Suas mãos eram tão ásperas que irritavam a minha pele, a sensação do seu corpo tão próximo ao meu me fazia congelar, o refluxo ativava as lágrimas em meus olhos e o medo terminava de me controlar por inteiro, no começo essa sensação não me incomodava mas agora, o pânico controlava minhas veias e nervos, não seria a primeira vez que ele força algo comigo, e ele não costumava pegar leve.

Suas mãos percorreram meu corpo e eu apertei de forma bruta os olhos, não gostava daquela sensação, minha respiração era travada, estava dolorida, estava me matando, suas mãos desceram até o meu quadril e em seguida foram para minhas nádegas sem poupar esforços, eu não queria, não posso deixar isso acontecer, não, não por favor, não. Ao menos uma vez tenha dignidade e se afaste, nem que isso te custe uma boa surra.

Minhas pernas foram tocadas com força e senti seu rosto se encaixando na curvatura do meu pescoço, vamos, diga algo, diga algo você consegue, ao menos isso Tweek, diga ao menos uma boa desculpa, diga que está passando mal, que está gripado, diga qualquer coisa, mas diga algo... Quanto mais sua mão se aproximava da parte da frente das minhas calças moletom mais o desespero me cegava, queria correr, meu corpo me mandava correr, mas meu cérebro sabia que se eu corresse, as coisas ficariam piores.

- C-clyde e-eu não estou e-em condições, por favor... — Minha voz saiu tão baixa que pareceu sequer ter produzido algum som, e dessa vez eu não pude segurar a faca sobre o balcão por mais tempo visto que este agarrou meu corpo e me puxou rente a si. Sua mão não poupou esforços para agarrar meu membro por cima da calça e instintivamente senti minhas bochechas se molharem.

Não, não... Por favor, não... E por alguns segundos de pânico, meu corpo se moveu, se moveu o suficiente para que eu pudesse empurra-lo para longe, e seu rosto não estava nada bom, era daquele olhar que eu tinha tanto horror, sabia que com aquele olhar no rosto, ele poderia fazer qualquer coisa, que era imprevisível, meu peito subia e descia de forma acelerada, Clyde era maior que eu, mas eu ainda sim conseguia ao menos afasta-lo se o pegasse de surpresa.

- Que merda Tweek, você só chora, só chora, quando eu começar a procurar gente na rua, vai querer voltar atrás, eu nunca toco em você e quando estou precisando de algo você fica fazendo cu doce, que se foda então. — Ele estava irritado, se aproximou de mim no baque me dando um empurrão na direção da mesa e eu agradeci tanto por essa ser a única agressão de hoje ainda.

Acompanhei o mesmo indo até onde estava meu jornal, amassa-lo completamente e jogá-lo no lixeiro, mantive a cabeça baixa apertando a beirada da mesa enquanto ainda tinha meu peito batendo rápido, eu estava tremendo, não queria que ele me tocasse, não queria que ele voltasse e terminasse o que começou como muitas vezes já fez, não queria ele perto, demoraria tanto tempo para apagar da memória os toques de hoje, e quando seus passos na direção da escada sumiram eu pude desabar no chão, eu havia o empurrado, havia o afastado, minhas pernas tremiam tanto que fraquejavam, de onde eu tirei essa coragem?

De onde essa situação veio? Que loucura foi essa? Oque acabei de fazer? Oque eu acabei de fazer? Eu reagi? Eu realmente reagi? Oque deu em mim? Oque diabos deu em mim? Apertei meus olhos que ainda insistiam em soltar lágrimas e me apoiei na beirada da mesa novamente me colocando de pé... Tinha uma ideia do que me fez reagir, de quem me fez o afastar, parece que apenas um abraço seu me fez tomar essa decisão... Deveria tomar cuidado quanto a isso.

Olhei para o lixeiro e caminhei devagar até lá pegando o jornal amassado novamente, ainda queria ler o que de fato havia acontecido. Mas o impressionante era a notícia estampada no fim do jornal, a última vítima relatada, Bebe Stevens, oque? A loira de cachos foi sequestrada... Talvez isso estivesse mais próximo do que eu fosse capaz de imaginar, estava desaparecida a 3 dias, e outras coisas no fim da página eram informadas, como o nome do detetive no caso, Kenneth McCormick, sua família não foi citada mas depois dessa notícia, vão saber que ele está na cidade. O jornal local da televisão logo irá citar sobre, acho que essas notícias foram vazadas de forma ilegal, não imagino que Kenny tenha dito isso publicamente, então era esse o trabalho que citaram quando foram ao café...

A situação era péssima, Bebe foi da minha turma na época do colégio, ela mesmo não sendo uma colega próxima, era uma boa companheira de classe, era melhor amiga de Wendy Testaburguer, então ela visivelmente era uma ótima pessoa, e infelizmente era agora uma provável vítima, saber disso foi sufocante, mas acabei me aproximando do balcão uma outra vez segurando a faca continuando a cortar as frutas, alternava minha atenção para as frutas e para o jornal, minha mente tentava mudar seu foco para as coisas que fazia agora e eu consegui, por instantes eu consegui, esperava que Clyde não saísse tão cedo daquele quarto e que hoje tivesse o resto do dia solitário.

Mas, minha prece não foi escutada, uma outra vez ela não foi escutada e eu podia sentir não apenas o perfume nojento mais forte mas como sua aura pesada, e seus passos foram rápidos na minha direção, ele estava irritado, estava severamente irritado ainda, e seus olhos denunciavam isso, eu nem o escutei descer as escadas... O quão distraído eu estava, como eu baixei minha guarda tão rápido?

- Você continua lendo essa merda? Tweek você está testando a porra da minha paciência hoje? Está tirando o dia para me irritar? Por que se for essa a sua ideia você está conseguindo. — Sua mão agarrou meu pulso com a faca de forma bruta, e o seu aperto assim como todos doeu até na minha alma.

O baque do seu corpo contra o meu foi forte o suficiente para que eu chocasse as costas contra o balcão e doeu, tudo o que ele fazia me machucava, as vezes a dor nem era física, e sim emocional, por que lembrar que estava em péssimas condições como aquelas me deixava ainda pior, como cheguei nisso, como aceitei algo assim... Eu sempre me achei tão forte e agora estou perdido nesse grande buraco que não tem escada, sei que sair disso parece uma missão simples, mas Clyde, eu sabia quem ele era, o conhecia bem o suficiente para pensar duas vezes no que eu faria.

- E-está me machucando, por favor... — Disse mantendo os olhos sobre a situação, eu estava corajoso hoje, estava tão corajoso ao que tudo indica, mas sabia que por menos ele me mataria e diria que foi suicídio.

- Cala a merda da boca, você não quer ficar comigo, você não quer transar, você não quer conversar, você só chora, só chora, e agora... Fica de gracinha com Craig, ou acha que não os vi na cafeteria? Tweek eu sou qualquer coisa menos idiota... — Arregalei os olhos engolindo seco e travei em meu lugar mordendo o lábio.

É claro que ele sabia, Clyde conhecia tantas pessoas na cidade, andava tanto pela cidade, até hoje me perguntava como ele recebia tão bem sendo que mal parava quieto no emprego.

- O que foi? Não quis transar por que deu pra ele? Transou com aquele idiota, me diz Tweek o que você fez com ele? Chupou ele? Você é tão nojento sabia? Tão asqueroso, você tem tanta sorte de estar comigo, tem tanta sorte por eu não te largar mesmo você tendo me traído, você deveria me valorizar também, por que quando você estava na merda, fui eu quem te ajudou. — O aperto em meu braço, que segurava o utensilio de cozinha, foi trocado por um puxão, e em câmera lenta eu vi a faca escorregar sua lâmina por cima do meu pulso gerando um corte grande, e aquilo ardeu como o inferno.

Ao ver o sangue descendo por meu braço, Clyde me soltou com velocidade para que não se suja-se, e então minha outra mão foi ao encontro do corte rapidamente o apertando e o contato da palma da minha mão com a pele sensível fez o ferimento arder. Travei meu maxilar encarando aquela quantidade de sangue escorrendo e mordi o lábio contendo o gemido de dor, droga.

- Ah que merda, você é um desastre. Limpa isso logo! — O Donovan disse se afastando de mim e caminhando uma outra vez na direção das escadas, desta vez levando o jornal junto de si, apenas acompanhou o de cabelos castanhos se afastando cada vez mais indo para o andar de cima, era por isso que tinha medo de Clyde, por esses motivos que tinha tanto medo do Donovan.

Apenas se afastou da cozinha indo até o banheiro mais próximo a fim de fazer um curativo naquele corte, que pelo visto não seria o suficiente para estancar o sangramento. Não sabia diferenciar oque doía mais, o corte ardendo a cada vez mais que colocava o curativo por cima ou seu peito que tentava aliviar a pressão através de mais lágrimas. Tinha de se recompor logo, abriria em breve a cafeteria!

 

Kenneth McCormick

Oque eu gostaria de saber era como e quem vazou as informações, quem havia vazado aquela merda pra imprensa, os pais de Bebe Stevens agora deveriam ser escoltados para todos os locais devido aos malditos jornalistas que ficavam em cima a todo segundo, e a delegacia estava cercada deles, os policiais pediam para que os mesmos se afastassem a todo segundo e a prefeita da cidade teria que falar em público sobre o assunto, merda, ainda é cedo demais e agora que os malditos já sabem da investigação da polícia, tudo ficara mais difícil, infelizmente é um pé no saco, eles precisavam acha uma única falha nossa pra nos despistar totalmente agora, e para pegarmos, precisaríamos de todas as deles. É isso que acontece quando um caso sigiloso é exposto publicamente, só dificulta o trabalho policial.

- Detetive, é verdade que o senhor é nascido em South Park? A sua família é usuária de drogas? — O homem com microfone barrava minha passagem, eu precisava chegar até meu carro, precisava sair da frente daquela maldita delegacia.

- Detetive McCormick, o senhor acha que a cidade deve entrar em confinamento até que os assassinatos sejam resolvidos? — Outro jornalista disse colocando o microfone a minha frente e revirei meus olhos passando pelos mesmos.

- Esperem o pronunciamento da prefeita. Tenham uma boa tarde! — Disse caminhando para longe dos mesmos que ainda me perseguiam na calçada e acho que minha sorte naquele segundo foi ver Butters atravessando as ruas com várias sacolas nas mãos, estava saindo do mercado.

Corri até o mesmo me afastando dos jornalistas e olhando para trás tendo certeza que havia saído de perto dos mesmos, atravessei a rua sem olhar para os lados direito escutando o barulho de buzina e estendi a mão a frente do carro a fim de pedir desculpas pelo incidente, e por fim tive a atenção do loiro de roupas coloridas para mim, me olhava como se tentava entender o motivo da minha aproximação e da minha desatenção com as ruas.

- Kenny? — Sua pergunta foi rápida como se tentasse me repreender e entender minha pressa, mas seus olhos mudaram para trás de mim percebendo os repórteres e entendeu sem que eu precisasse explicar.

- Posso te ajudar com as compras e você me dá um motivo pra sair daqui. — Disse a ele que concordou rindo fraco ainda olhando os tabloides, peguei a maioria das suas sacolas e então ele não demorou a me seguir na direção da picape estacionada mais à frente.

Bati as mãos no bolso pegando as chaves e destravando o carro, abri a porta de trás do veículo e pude colocar as compras sobre o banco tomando cuidado para que elas não caíssem nem virassem quando o carro estivesse em movimento, peguei as que estavam com Butters ainda e as coloquei junto as outras, essas pareciam mais frágeis.

Não precisei me virar para abrir a porta para Butters entrar, este já havia feito isso, apenas dei a volta no carro entrando no mesmo em questão de segundos, coloquei a chave na ignição fechando as janelas para que tivesse um momento de paz, e era por esse motivo que adorava morar distante da cidade, era mais calmo e eu não precisava dessa agitação chata, desnecessária diária.

- Estão te perseguindo dês de quando? — Acelerei o carro saindo daquele local e pude rir com sua pergunta, a manhã inteira.

- Dês de manhã, eu não suporto mais isso, fico me perguntando como os famosos gostam tanto desse tipo de coisa. — Disse fazendo a curva na esquina e então olhei Butters que dessa vez riu concordando analisando as janelas e a paisagem a fora.

- Eles não gostam, quando são fãs apreciando seu trabalho é completamente diferente, agora jornalistas em cima de você o tempo todo é bem desgastante. — Concordei com ele voltando minha atenção para o trânsito, tudo parecia sempre ficar tão sem assunto quando estava próximo a ele, meu corpo simplesmente travava e nenhuma informação boa vinha direito, é tão complicado.

- Onde você mora mesmo? Sei que não é mais com seus pais, mas não faço ideia de onde é. — Perguntei a ele coçando a nuca por um instante mantendo meus olhos no painel da frente.

Não era muito distante dali, talvez seja por isso que veio caminhando, só precisaram de algumas quadras para que avistasse o condomínio, era um local bonito, havia um porteiro na frente que controlava quem entrava ou não, parecia um local bastante seguro e isso me acalmava bastante, ele estava seguro se ficasse em casa.

Estacionei em frente a uma arvore e analisei por completo as casas, todas tinham o mesmo padrão, porém não a mesma cor, por exemplo a de Butters era azul claro, mas não tão claro assim, portões brancos e muitas flores, é era uma casa com muitas flores mesmo, e isso me fez rir por que era definitivamente a cara dele agora.

- Você gosta mesmo de cores não? As plantas denunciam que você não conseguiu mais fazer tantos ajustes assim nas cores. — Disse descendo do carro rindo ao lado do mesmo que me mostrou a língua e então me ajudou a retirar as sacolas do carro.

- É azul turquesa, fica lindo com qualquer outra cor, só depende da forma que quer usa-las. — Butters disse caminhando até a frente do portão e eu o segui. Não haviam tantos vizinhos fora de suas casas, muito menos crianças por ali, eu também estranharia ter alguma nas ruas depois desse aviso nos jornais.

E sua casa por dentro era bem decorada e não tinham tantas cores chamativas assim, isso me surpreendeu por certo lado, mas era uma boa casa, uma casa ótima para falar a verdade, o acompanhei até sua cozinha desorganizada e pude ver uma chama de vergonha em seu rosto por eu ver sua bagunça, me sentei em um dos bancos do seu balcão o observando guardar algumas coisas superficialmente.

- Eu não achei que fosse bagunceiro agora, antes você costumava deixar tudo bem arrumado. — Disse simples e o vi negar rapidamente se virando para mim.

- Eu não sou uma pessoa desorganizada, eu tive um problema com um guaxinim, e nem é brincadeira, acabei saindo atrasado para a faculdade hoje, tinha que estar bem cedo lá, e acabei tendo que deixar tudo assim. — Ele disse começando a tirar as coisas do balcão com velocidade as alinhando como se fosse um perfeccionista.

- Guaxinim? Como ele entrou aqui? — Perguntei o olhando com curiosidade e então seu dedo indicador apontou para uma janela quebrada ali da cozinha, pareciam ter arremessado algo por ali, apertei meus olhos encarando e descendo do balcão me aproximando do vidro.

- Quem acertou isso aqui? — Perguntei a ele que suspirou fundo se aproximando de mim e colocando as mãos na cintura enquanto um bico se formava em seus lábios, foi um gesto bonitinho.

- Eu não sei, mas foi uma bola de basebol, deve ter sido alguma criança, nesse condomínio tem muitas delas. — Mantive meus olhos em seu rosto descontente enquanto travava meu riso, é, talvez a sua timidez tivesse ido embora mas, ele ainda parecia o mesmo para mim, Butters nunca foi uma pessoa tímida comigo, apenas com as outras pessoas, nossa amizade foi bastante forte naquela época, e eu sentia falta dela neste exato momento.

Mas estar calado com Butters sozinhos em uma cozinha, era um tremendo perigo, a tensão nos cercava de forma muito rápida, e eu não sabia como agir, não era desconfortável estar com ele, de forma alguma eu apenas não sabia o que fazer, talvez estivesse inseguro, e era isso oque mais me grilava, que sensação idiota é essa? Era algo bom, lembrar dele me deixava bem, mas estar perto dele era outra história... Me fazia bem, mas me deixava sem... Saber oque fazer.

O vi voltar a organizar a cozinha enquanto me mantinha quieto, era bom observa-lo, acabei voltando a me sentar sobre o banco e mantive meus olhos atentos aos seus movimentos, quando esse tinha de se esticar para alcançar lugares altos ou dava alguns pulinhos que eram engraçados de se ver visto que ele havia crescido pouco, é apenas um talvez.

- Por que não para de me olhar, é vergonhoso sabia? — Escutei sua frase enquanto esse ainda se movia guardando as coisas e cruzei meus braços me inclinando para o balcão.

- Não é ruim ficar te olhando. É até divertido te ver com vergonha. — Disse intensificando meus olhos para este ainda e pude o ver se virar com o rosto avermelhado me encarando desgostoso ainda.

- Se eu ficasse te encarando, você gostaria? — Sua pergunta saiu e eu pude rir novamente ainda o observando.

- Não seria totalmente ruim saber que eu tenho a sua atenção apenas para mim. — Lhe respondi vendo a vermelhidão em seu rosto se intensificar e este voltou a se virar de costas para mim terminando de guardar as coisas bagunçadas na cozinha.

Eu não estava mentindo, mesmo que me sentisse estranho perto dele, não era ruim, me agradava saber que ele estaria me observando o tempo inteiro, certo e isso ativou meu sistema de querer impressiona-lo a todo custo agora. Droga de masculinidade!

- Você é um idiota McCormick. — Seu insulto com o tom de voz envergonhado e levemente irritadiço fez com que eu risse uma outra vez. E eu havia gostado daquela sensação, de estar em uma casa, com ele, estar em casa... Sei que essa palavra tem dois sentidos, e eu até hoje só havia entendido o primeiro, que é estar literalmente dentro de uma residência, o segundo era se sentir em casa, se sentir confortável, e não querer ir embora jamais, esse eu ainda estava curioso para sentir.

- Lembra quando éramos adolescentes, quando naquela madrugada você disse que me... Amava? — Perguntei encarando o balcão e então pude ver de relance a silhueta do loiro a minha frente travar e então se virar para mim aos poucos.

- Eu não quero lembrar disso, foi... Vergonhoso, achei que não fosse mais querer ser meu amigo. — Voltei a olhar seu rosto e então sorri negando.

- Eu não deixaria de ser seu amigo, só quer me desculpar por nunca ter dito nada sobre aquilo, aquilo me pegou de surpresa, e eu não sabia como reagir, não era a primeira confissão que eu ganhava, mas foi a primeira que me deixou sem saber oque fazer. — Disse o olhando e o vi se sentar a minha frente me encarando ainda sem graça por eu estar tocando naquele assunto tão repentinamente.

- Tudo bem, eu não esperava uma reposta sua, só precisava falar aquilo antes que eu perdesse a minha ultima chance de te dizer sobre aquilo, eu fiquei longas horas na frente do espelho treinando uma simples frase, pra no fim te encher delas. Me desculpe, por aquilo. — O loiro pediu visivelmente desconfortável enquanto desviava seu olhar para a parede ao lado. — Mas por que está tocando nesse assunto tão do nada? — E então eu tive de pensar bem oque lhe responder, certo, ele tinha um grande poder em seus olhos e isso me desconcertou por segundos, antes ele não costumava me olhar tão diretamente nos olhos a menos que fosse para me repreender depois de alguma briga que eu arrumava.

- É que, se eu tivesse tido mais tempo pra entender como me sentia, eu não teria ido para Nova York. — Disse levantando meus olhos para os seus dessa vez, e a duvida se estampou por todo seu rosto.

- Como assim? — Ele realmente parecia chocado com as minhas palavras, eu o entendia, antes eu raramente lhe dizia oque sentia, apenas dizia sobre Karen, minha motivação nessa cidade, mas não oque eu estava sentindo, talvez se lhe dissesse algum dia, eu choraria horas.

- Percebi que gostava de você 6 meses depois que estava em Nova York, e eu não soube oque fazer, na verdade eu não sabia que o que estava sentindo naquela época se chamava amor, eu realmente pensei que estava com algum problema psicológico. Então, eu só engoli isso e segui minha vida normalmente, mas se antes eu tivesse ao menos tido mais tempo para mim, se as coisas fossem um pouco mais fáceis para mim quando morava aqui, eu teria ficado, e teria correspondido a sua confissão. — Soltei tudo de forma tão repentina que até eu me surpreendi, os lábios do loiro a minha frente estavam entreabertos em surpresa, uma surpresa realmente chocante. Ele pareceu demorar longos minutos para entender oque havia acontecido e a vergonha me cercou fazendo que eu risse encarando a janela quebrada.

- Então, acha que... Teríamos ficado juntos? — E sua pergunta me fez coçar a nuca uma outra vez, mas eu sabia muito bem a resposta.

- Eu tenho certeza. — Lhe respondi de forma direta e calma, e eu pude acompanhar bem suas orbes dessa vez me encarando com tanta intensidade que era de tirar o folego, mas que merda, por que eu não posso simplesmente ter controle dessas coisas como o Craig por exemplo.

Dessa vez aquele atrito nos olhares me pareceu confortável, talvez eu pudesse comparar seus olhos como imãs, por que a todo momento eu voltava a olha-los, estávamos em uma curta distância, uma curta distância bastante perigosa, por que minha mente agora trabalhava coisas sobre ele, coisas das quais eu jamais lhe diria, não tão diretamente.

Suas mãos estavam sobre o balcão, e mesmo que não parecesse, até seus mínimos movimentos pareciam provocantes, baixei meus olhos para seus lábios anotando mentalmente cada detalhe que havia neles, eram finos, mas podia ver de forma bem clara as linhas que pareciam ter sido desenhadas, meu corpo parecia corresponder todos os movimentos que eles faziam, se abriam e se fechavam de forma sutil, a língua escorregando de forma lenta pelos mesmos os umedecendo, o breve sorriso que se instalou ali... Estava me tentando, estava tentando cada músculo meu, fechei meus olhos por segundos respirando fundo endireitando minha postura e condenando qualquer pensamento meu sobre ele que viesse a tona.

- Você tem muitos... Vegetais... — E Craig teria me socado se tivesse escutado isso.

- Sim eu tenho, eu não gosto de muitas coisas gordurosas. — Butters disse baixando o olhar por segundos como se houvesse acordado de um transe hipnótico, assim como eu. Acompanhei sua mão indo até a sacola e pegando um... Pepino de lá, sério universo? Está brincando comigo? Butters não é um caso de uma noite em Nova York. E isso está começando a me desesperara.

- Por que não? Antes você gostava de comer hambúrguer comigo. — Perguntei levemente curioso com sua escolha de cardápio nova e travei as pernas ainda afastando qualquer pensamento sexual sobre o mesmo.

- Eu faço faculdade de moda, você definitivamente não entenderia. — E este se levantou do banco começando a guardar as compras.

- E quem te disse que pra fazer faculdade você tem que fazer dieta? Eu realmente não entendo mesmo. — Disse rindo fraco e o vi revirar os olhos pegando as outras coisas de cima do balcão.

- É complicado, mas não esquenta com isso. — Ele disse novamente e eu pude acompanhar seus movimentos, é, Butters era provocante por si só, antes não, anos atrás eu não conseguia o imaginar nem beijando alguém, parecia pecado tocar nele, mas agora eu estava tentado a pular de ponta nesse pecado, e eu não estava nem um pouco maluco.

Tive de erguer minha cabeça para encarar o teto enquanto processava o fator de que tinha que ir embora, me levantei do banco e então coloquei as mãos nos bolsos, o vendo se virar para mim e me encarar de forma envergonhada ainda, eu queria o ver de novo, dessa forma tranquila como a de agora.

- Bom eu preciso ir agora, mas quer jantar comigo, hoje? — Perguntei a ele sorrindo de forma convidativa, se ele negasse não seria o meu primeiro fora, estaria tudo bem, o entenderia. — Pode me mostrar oque você costuma comer de noite já que não gosta mais de hambúrguer. — Entretanto, eu não pretendia levar um fora e não queria isso.

- Claro... Gosta de frutos do mar? — Escutei sua sugestão e contive minha animação.

- Gosto, não tem algo em especifico que eu não goste. — Disse a ele e o vi caminhar comigo até a porta, agora seu sorriso era perfeitamente estampado em seu rosto, e isso me animou ainda mais.

- Tudo bem... As 21:00? — Sua pergunta me fez concordar e então saí de sua casa mantendo minhas mãos em seus bolsos, é eu tinha um encontro. E de repente South Park não parecia mais tão ruim.

- Apareço aqui as 21:00 — Disse e sorri o olhando ainda, me virei de costas seguindo lentamente até o carro e após segundos eu escutei o barulho da porta se fechando, e mantive os passos calmos até o carro, entretanto em um lapso de felicidade não pude conter minha animação erguendo os braços em forma de comemoração, que foi cortado assim que entrei no veículo.

Espero que tudo dê certo essa tarde de buscas, a força policial estaria ativa essa noite oque me daria mais calmaria, faria os relatórios novos essa tarde e de noite, encontraria ele... É, Butters havia entrado definitivamente muito bem em minha cabeça.

 

Tweek Tweak

Me sentia tão tonto, meu corpo parecia tão pesado e eu sabia bem qual o motivo daquilo, eu havia perdido uma grande quantidade de sangue o dia inteiro devido ao corte, mas Clyde não poderia nem sonhar que fui a algum lugar sem ele, então ainda sentado no sofá eu pude o ver atravessando a porta da frente, mantinha dessa vez um sorriso no rosto que mudou-se totalmente ao me ver, para um de choque.

- Que merda você tem? Ta mais branco que essa parede, deveria pegar um pouco de sol sabia. — Este passou na direção da cozinha e me mantive deitado sobre o sofá, meu corpo parecia bambo demais para me levantar de forma rápida.

- Craig... Eu não estou bem... Preciso ir ao ho-hospital... — Disse a ele que voltava de forma tranquila segurando um copo com água. Este parou perto de mim e tocou minha testa como se estivesse checando minha temperatura, e tive de me segurar para não recuar.

- Você não está com febre, você está gelado. — Este disse ainda me olhando de cima a baixo e então estendi meu braço coberto pela atadura já manchado novamente de sangue, qualquer movimento que fazia era motivo para perda de mais sangue, ele surtaria se soubesse que não fui a cafeteria e não o avisei que fiquei o dia todo em casa. Sinto por Butters ter de abri-la sozinha.

- Merda, vai trocar de roupa, vamos ver isso aí. — Respirei fundo me levantando do sofá assim que este voltou para a cozinha e tive de me apoiar com força nas escadas para não cair.

[...]

O hospital não parecia cheio, na realidade haviam poucas pessoas que eu poderia chamar de pacientes, Clyde caminhava agora com o braço em volta da minha cintura, e agora ele parecia preocupado, seus braços em volta de mim me enjoavam, ele me prendia como uma gaiola prende um pássaro, me prendia como se fosse um prêmio a se exibir, me prendia como faz todos os dias, e isso era tão desgastante. Por que sabia que tantos o desejavam e viam como namorado perfeito, mas apenas eu sabia o que passava com ele, quem ele era de verdade.

- O doutor já vai atende-lo, pode vir comigo. — A recepcionista disse sorrindo e Craig novamente me enlaçou pela cintura a fim de me ajudar a andar até lá, eu poderia ir sozinho, como vim até agora, mas sua possessão jamais me libertaria.

O corredor era cheio de salas, suas paredes eram brancas, e vez ou outra eu via alguém surgir em uma cadeira de rodas ou caminhando com ajuda de algum enfermeiro. Eu nunca gostei muito de hospitais, o cheiro deles sempre me enjoou, quando era mais novo, odiava tomar injeções por que achava traumatizante, saudade da época em que apenas agulhas me davam medo.

- Doutor Tucker, o paciente está aqui, preciso da ficha depois que terminar o atendimento. — A voz da mulher soou de forma mais mansa e eu captei o sobrenome, e em seguida pude ver os cabelos escuros cada vez mais próximos, sua expressão não era nada boa, e seus olhos pareciam carregados de preocupação.

- Obrigado Molly. — Ele disse e a enfermeira logo saiu do local nos dando passagem, o aperto de Clyde ao meu redor foi maior e eu travei o gemido pela força que seus braços me apertavam agora, eu havia entendido seu recado, ele não estava nada contente com isso.

- Olá, pode coloca-lo naquela maca. — Sua voz era grave e seu olhar nenhum pouco contente, Clyde me colocou sobre a maca que havia no canto da parede sem dificuldade nenhuma, e logo manteve-se próximo como se estivesse preocupado, por que precisa fazer isso comigo, por que tem que fingir que se importa comigo?

- Craig, eu tentei traze-lo antes, mas ele insistiu que podia cuidar disso em casa, ele é teimoso demais. — Clyde falou cruzando seus braços e mantive o olhar baixo.

- Imagino que sim Clyde... Tenho certeza que sim. Oque aconteceu? — Craig logo se aproximou tocando meu braço, e desenrolando a atadura do meu pulso, ardia de forma leve, mas suas mãos eram gentis.

- Hoje no almoço ele estava cortando os legumes, e eu cheguei de repente, ele se assustou e a faca cortou seu braço. — Clyde se pronunciou novamente e Craig me olhou de forma intensa, estava me questionando internamente.

- Sabe que deveria ter vindo antes não? Você está pálido, quanto sangue perdeu? Você ao menos comeu pra repor os nutrientes? — Engoli seco e logo Clyde cruzou seus braços negando com a cabeça.

- Acho que não, eu não estive muito tempo em casa, tive que ir ao trabalho, mas teimoso com ele é, duvido que tenha comido. É bom que diga isso para ele. — E então Craig o encarou com irritação, com uma que me deixou atônito.

- Clyde, ele pode muito bem responder por ele mesmo, agora preciso que espere lá fora, na recepção, esse corredor é só para os enfermos, nos vemos logo! — Craig foi até a porta e abriu a mesma com velocidade, ele estava irritado e Clyde sentiu isso, assim como eu senti.

- Tudo bem... Me desculpe, eu apenas estou preocupado... Esperarei lá. — Não fiz questão de acompanha-lo com os olhos pois sabia que Clyde também estava irritado, e que isso me geraria confusão mais tarde, mas eu gostaria de ficar sozinho agora.

A porta se fechou e logo Craig estava próximo a mim novamente, suas mãos tocaram meu pulso com delicadeza e por segundos senti falta de como ele segurava minha mão anos atrás, de como suas mãos eram o melhor calmante que eu poderia ter, e de como elas eram quentinhas independente do frio que tivesse em South Park.

O vi pegar o anestésico em pomada e passar rente ao corte, os pontos doeriam menos agora, mantive meus olhos sobre suas mãos e como elas eram boas trabalhando naquilo, ele realmente havia escolhido uma ótima profissão, mesmo sendo briguento e sempre se machucando na adolescência, a maioria de suas brigas sempre foi para defender alguma coisa ou alguém.

- Foi ele quem fez isso não? — Sua pergunta saiu baixa e eu apenas me mantive quieto controlando minha respiração, era tão vergonhoso, tinha tanta vergonha de lhe contar isso, de lhe pedir ajuda, eu ao menos tinha dignidade, aceitava esse tipo de coisa, eu não tinha coragem para reagir.

- O que aconteceu? Por que ele te cortou? — Outra pergunta sua que eu tive vergonha de responder. Como lhe contaria isso? Clyde estava a poucos metros dessa sala, e se estivesse na porta pronto para entrar e machucar Craig, ou para terminar oque aconteceu hoje mais cedo?

- Não foi ele, foi um acidente... — Disse ainda mantendo o tom de voz baixo e Craig logo se afastou com as mãos nos cabelos.

- Tweek, isso não foi a droga de um acidente, esse corte não foi acidental, pareceu certeiro para te machucar, e tem uma marca vermelha de mão exatamente próximo do seu ombro, quer mesmo que eu acredite que isso foi acidental? — E então mordi meu lábio encarando a porta por segundos, o medo de voltar para casa me cercou, eu sabia que Clyde estava com raiva, sabia o que aconteceria depois daqui, e aquilo me sufocou, me sufocou tanto que eu não aguentei, meu peito parecia querer explodir e as lágrimas rolaram pelo meu rosto a toda força e velocidade.

- E-então me ajuda... Me ajuda, por que eu acho que... E-ele vai me matar. — Disse quase sussurrando enquanto puxava agora o ar com força, sentia o gosto salgado das lágrimas em minha boca, e o desespero me carregou fazendo soluços um tanto altos começarem a escapar.

Craig se aproximou novamente de mim entendendo o motivo de falar tão baixo, talvez agora ele tivesse percebido que Clyde era perigoso, talvez agora tenha entendido o meu pavor. Suas mãos seguraram meu rosto com carinho fazendo-me olhar para ele, eu estava a ponto de surtar, por que eu tinha de voltar para casa com o meu pesadelo.

- Eu vou, vou te ajudar, vou fazer o que for preciso, mas agora eu preciso que seja forte por enquanto tudo bem, vou falar com Kenny logo, e vamos a polícia. — Meus olhos se arregalaram no mesmo segundo em que meu choro aumentou, não, agora não, eu não conseguiria.

- Não, não, não, C-Craig, agora não eu não tenho nada contra ele, Clyde é conhecido na cidade inteira, não posso fazer nada... Por favor, agora não. — Segurei sua mão que estava em meu rosto negando com velocidade, ele vai me matar se eu o levar para delegacia, vai me matar quando formos para casa se ele sair ileso.

- Tá bom, tá bom, não vou fazer nada hoje, mas se acalma, por favor se acalma eu não quero ter que sedar você. Vamos pensar em algo, vou falar com Kenny e então eu vou falar com você, mas agora, por favor pare de chorar... Eu ainda odeio ver você chorando... Tudo bem? — Suas palavras me cortavam o ar, e suas mãos me traziam de volta a realidade, por mais que estivesse com medo agora, eu sabia que podia confiar nele, minha cabeça me dizia que oque eu fiz foi errado, mas meu peito se aliviava por saber que Craig me ajudaria.

T-tá... Desculpe... Eu, eu não consigo... Eu estou com medo... — Falei aos poucos respirando fundo. Mas seus braços me envolveram em um abraço surreal, seu corpo ainda mantinha o mesmo calor que hoje pela manhã, e a mesma segurança de sempre, Craig havia crescido mais e agora eu parecia caber perfeitamente entre seus braços, seu perfume surtiu efeito tão rápido em mim que eu nem pude contar os segundos que isso durou...

Fechei meus olhos mantendo o rosto em seu peito enquanto sentia seu queixo sobre a minha cabeça, seus braços agora me envolviam como jamais pensei sentir novamente, estiquei meu braço intacto para retribuir aquele gesto, e minha mão agarrou seu jaleco assim que ele ameaçou se afastar. Home pela manhã também foi assim, mas eu não pude o segurar por mais tempo, parecia errado e agora... Agora eu não queria sair mais dos seus braços, e ele pareceu entender, por que se colocou entre as minhas pernas para que eu não pudesse fugir dali.

Não sei quanto tempo demoramos juntos naquela posição, e eu também não me importaria se ficássemos daquela forma para sempre, mas ele ainda tinha meu braço para costurar antes que o efeito da anestesia sumisse. E foi por isso e apenas por isso que o deixei se afastar, Craig me fazia bem, Craig me trazia uma segurança que não achei que sentiria novamente, eu precisava dele comigo, e mesmo se não fosse reciproco, estaria tudo bem.

- Vou cuidar do seu braço, e depois... Do seu coração... — Ergui meus olhos para ele podendo ver seus olhos cuidadosos sobre meu braço machucado, me acalmava aos poucos a medida que sentia seus gestos ao fazer os pontos, a todo momento erguendo seus olhos para me rosto a fim de captar alguma reação dolorosa, não doía, mas pinicava quando a agulha entrava em minha pele.

- Como você notou? — Mantive minhas mãos fechadas a pedido dele a fim de não deixar o sangue correr tanto. — Como soube? — Perguntei me referindo a dês do começo, ele pareceu saber de tudo, dês de quando me viu no café.

- Seus olhos... Nem foi as marcas em si que denunciaram, foram seus olhos... Mesmo você negando, fugindo, eu e eles nos conhecemos bem, eles falaram por você... Eles precisavam de ajuda. — Sua resposta foi tudo oque eu precisava escutar, foi tudo oque eu mais quis escutar...

Ele não demorou tanto para finalizar seu trabalho, não estava dolorido, mas ele havia me avisado que coçaria e eu deveria tomar cuidado com isso, apenas colocou a atadura por cima e então ele já havia terminado os pontos, e eu quis arrebentar um por um deles se isso fosse motivo para ficar mais tempo aqui, entretanto Clyde me esperava, e eu tive de me recuperar bem para aparecer.

Craig me deu algumas coisas que o hospital geralmente dava para os pacientes comerem, e eu não tive como negar na frente dele, não com aquele olhar de quem enfiara as bolachas em minha boca se fosse preciso, eu sabia que Craig era uma pessoa mandona geralmente, mas ele tinha razão então não neguei comer, e isso o deixou satisfeito ao mesmo tempo que me ajudou bastante, teria de comer mais algumas coisas em casa.

Então este me acompanhou pelo corredor ainda, sua mão mantinha-se em minhas costas como se cuidasse para que eu não caísse ou tivesse uma piora pela perda de sangue, infelizmente agora tinha de enfrentar minha realidade e sabia que ela seria dolorida, mas agora... Eu não estava mais sozinho.

- Vai abrir o café amanhã? — Sua pergunta soou antes de chegarmos à recepção, e eu concordei com um movimento de cabeça.

- Eu vou até lá, se algo acontecer hoje, eu quero que me ligue, estou trabalhando de favor para a polícia, vai ser um imenso prazer arrebentar a cara do seu namorado contra o porta malas do carro caso ele toque em você novamente. — Sua frase me fez soltar um suspiro alto, não tinha seu número, mas nada adiantava, visto que era Clyde quem geralmente cuidava do meu celular.

- Tudo bem, vou te esperar... — Falei e o vi concordar... Seus olhos demoraram em mim longos segundos, longos e longos segundos... Como seu senti falta do seu olhar...

Voltamos a caminhar até a recepção e engoli seco, Craig retirou a mão das minhas costas e então Clyde se aproximou de forma rápida segurando meu braço sem força alguma e então o analisou bem, havíamos demorado e ele me olhava um tanto sério.

- Preciso que volte pra retirar os pontos em alguns dias, vamos te ligar, preciso de dois telefones. — Craig disse pegando a ficha que carregava em sua mão esquerda e logo retirando uma caneta do bolso do jaleco.

- Pode colocar o meu, eu geralmente atendo mais fácil que ele. — Craig concordou anotando na ficha e logo em seguida me olhou esperando que eu dissesse o meu, havia entendido oque ele queria. Não demorei para lhe passar o meu.

- Bom, o hospital vai mandar uma mensagem de confirmação. Fique atento ao celular Tweek, é para o seu bem. — Ele disse brevemente e então confirmei sentindo o braço de Clyde em meus ombros... Havia entendido, ele me mandaria mensagem do seu celular pessoal.

Esperaria, por que sentia perfeitamente que essa noite, eu precisaria dele, apenas pelo peso do braço de Clyde em meus ombros, ele estava irritado, e eu sabia que aquilo só passaria de uma forma, ou Clyde sairia para beber ou eu seria seu alvo... De qualquer forma, se ele saísse para beber, eu seria seu alvo, no fim de tudo... Por favor Craig... Preciso de você!

 

Leopold Butters Stotch

- Eu sei, estou tão chocado quanto você, mas nós vamos sair. — Disse animado no telefone enquanto ajeitava meus cabelos em frente ao espelho, meu perfume estava transbordando por todo o quarto.

- Butters, você é uma predadora de verdade, o quão longe de você eu tenho que deixar minhas presas? — Dei risada com a expressão usada por Wendy no telefone e então peguei o celular de cima da cômoda e caminhei o segurando de forma tranquila para a cozinha, a ligação estava no “vivavós” como carinhosamente chamamos.

- Eu não sou predadora, não é como se fosse um encontro comum Wendy, gosto dele e ele hoje pareceu gostar de mim... Mas, céus ouve um momento em que achei que ele iria me beijar, achei que me agarraria em cima do balcão. — Disse novamente bebendo um pouco de água enquanto ajeitava a camiseta que usava.

- Butters, não confunda tesão com amor por favor, você é quem mais deveria saber disso. Eu sei que são sentimentos parecidos, mas tente entender oque está sentindo. É bem fácil! — Coloquei mais água na boca enquanto a escutava e logo encarei o celular.

- Fácil? Wendy é fácil pra você, oque sugere que eu faça então experte? — Perguntei bebendo o resto do liquido no copo a vendo rir.

- Gênio, é obvio que é fácil. Senta nele! — A água foi diretamente cuspida na janela a frente assim que escutei sua frase, e a mesma voltou a rir assim que escutou o barulho que aquilo fez. Meu rosto agora estava completamente vermelho, eu não era virgem, mas droga.

- Que merda, como consegue dizer isso como se fosse a coisa mais natural do mundo? — Perguntei a ela me sentando no banco do balcão.

- Por que é simples Butters, sexo casual não é um tabu, você tem 25 anos, não é mais um adolescente que não sabe oque é isso. Se ainda não sabe o que está sentindo, aproveita a situação, faz um teste, ele não vai recusar, Kenny pode ser muitas coisas, mas ele não é um idiota lerdo dessa forma. É sério, faz o teste, vai pra cama com ele, se o sentimento passar então era só tesão acumulado, mas se não, então eu sinto muito em te dizer, mas você literalmente está apaixonado. — Respirei fundo ainda sentindo meu rosto arder com sua dica...

- Mas e se... Eu realmente quiser algo mais que isso, se ele não quiser nada mais que um encontro, uns amassos na caminhonete e talvez sexo, eu vou me arrepender depois... — Falei fechando meus olhos me vendo no mesmo dilema que anos atrás... Eu me sentia um adolescente perto dele.

- Butters amor, você literalmente não anda escutando nenhuma das musicas que eu te recomendo não? Bom, já que não escutou, vou te dizer a frase de uma delas. “Melhor se arrepender do que passar vontade.” — Dei risada a escutando falar, ela estava animada com musicas latinas, principalmente brasileiras depois da ultima garota brasileira que ficou.

- Eu já disse que te amo hoje? — Perguntei rindo fraco olhando o telefone.

- Já sim, me mandou bolinhos ótimos que o nosso antigo amigo faz... Sinto falta de Tweek as vezes, juro que se puder passar com o carro por cima de Clyde na rua, eu passo tranquilamente. — Dei risada novamente e então escutei o barulho de buzina na frente de casa, sorri animado e me levantei da cadeira.

- Eu também, mas ele chegou, preciso ir. — Falei sorrindo olhando a mesa e vendo o jornal que ainda não tinha lido.

- Vai, mas toma cuidado, fique atento a qualquer coisa ok, leu o jornal hoje não? — Escutei sua pergunta e logo neguei vendo o mesmo, puxei por instantes e suspirei fundo.

- Eu não li todo ainda, mas o jornal disse que há um grupo de assassinos a solta, que pegam vitimas na nossa faixa de idade. Tenho que terminar de ler ainda. — Peguei rapidamente o mesmo olhando de relance a pagina final e aquilo o fez travar, seu corpo inteiro congelou ao ver o rosto de Bebe Stevens na página final.... A garota havia sido vista há 3 dias atrás, os pais a viram pela manhã e depois não houveram mais relatos dela.

- Wendy, a página final... Bebe está desaparecida... — Falei sentindo meu peito disparar e o ar me faltou por segundos, a voz de Wendy saiu assustada e os barulhos dos seus passos rápidos junto a sua respiração me cortavam, Bebe estava desaparecida... Clyde...

Meu coração parou por um segundo, havíamos presenciado a ultima vez que ela foi vista, a ultima vez que ela foi livre... E se ela tivesse morrido, nós ainda não havíamos tomado coragem para falar com Tweek... Nós... Sabíamos informações sobre um provável caso de assassinato...

- Ai meu Deus... Butters... O Clyde... O Clyde estava com ela na noite do super mercado... Será que ele?... – Sua pergunta foi cortada e eu corri para fora de casa segurando o celular e o jornal, meus passos estavam pesados e meu corpo gelado...

- Nos falamos depois, eu já te ligo. — Soltei o celular de uma vez só no chão e abri a porta da frente com velocidade.

Kenny estava encostado no carro, seu sorriso receptivo sumiu assim que este viu meu rosto e em cerca de segundos ele já havia corrido na minha direção segurando meus ombros e olhando para dentro de casa.

- Oque ouve? Por que está desse jeito, tem alguém ai? — Sua movimentação rápida o fez levar a mão até o cós da calça levantando a camisa de forma rápida e que me alertasse que este estava armado. Sua expressão não era nada boa agora.

- Não, não tem ninguém, eu só vi o jornal agora... Céus, Kenny, eu só o olhei agora... — Respirava fundo enquanto este parecia relaxar a pose.

- Oque foi, está assustado com a notícia? Se for que que saiba que está seguro comigo e que ninguém vai chegar perto de você. — Senti suas mãos gentis descerem de forma calma dos meus ombros para meus braços e então neguei.

- Não é isso... Eu tenho informações sobre o desaparecimento da Bebe Stevens... — Falei e vi seus olhos se arregalarem me encarando com firmeza... South Park... Oque fizeram com você?


Notas Finais


EAI???? OQUE ACHARAMMM???
Só Hecate sabe o quanto eu fico ansiosa para saber opiniões de vocês de verdade, aaaaahhhh
Espero que gostem real, próximo capitulo vai estar quentinho quentinho quentinhoooooo
Obrigada por lerem, agora os links.

Links das musicas.
Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=WXyLdg4mJxo
Spotify: https://open.spotify.com/album/6fQ1xPtYMzoBiqvSO2LcpT


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