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História See You Again - Capítulo 1


Escrita por: magnifico

Capítulo 1 - Coisas estranhas às vezes


Mikey via a forma como a água dançava na correnteza do rio. Fluía enquanto os primeiros vestígios do pôr do Sol a manchava. Seus joelhos se encontraram em seu peito estufado que aos poucos perdia o ar e uma respiração calma se iniciava, Mikey também sentia a grama tocar em sua pele, suas mãos a encostaram, era áspero porém macio, não dava para explicar.

Uma aproximação cautelosa cutucou sua audição e guarda baixa, mas sua reação foi neutra, não havia motivos para ficar em alerta.

O lugar vago em seu lado foi afundado por pés vestidos com tênis esfarrapados e duas canelas visíveis fora do shorts, a pele imaculada como de um bebê, e então sentou-se em seu lado tirando toda a observação de Mikey. Hanagaki era a pessoa que estava ali, segurando dois hambúrgueres ainda quentes entre guarnapoos e entregou um para Mikey que brilhou os olhos ao ter a comida em mãos. 

— Valeu, Takemichy! — Disse o Sano, sua voz igualzinha a de uma criança feliz. Takemichi sorriu encabulado com a cena, Mikey brilhava como uma estrela e a espera na fila da lanchonete pareceu valer a pena. Seu olhar foi pego no ar e Takemichi fingiu que seus dedos estavam queimando por causa do hambúrguer, encenando uma expressão surpresa mas que não parecia dolorosa.

Mikey decidiu não perguntar, mordendo o lanche como a última fagulha de doce do mundo enquanto Takemichi ainda desembrulhava o seu. O papel era barulhento e estava grudado no pão, mas nada que pudesse entrar em seu caminho. Os garotos começaram a comer apenas curtindo a companhia um do outro, o som de cigarras nos canteiros das árvores, o som da água indo embora. O céu já se pintava em laranja a cada minuto e isso inspirou Takemichi.

— Você acha que vamos ter filhos um dia? — Jogou no ar observando uma nuvem de formato duvidoso, Hanagaki sempre se mostrou alguém ligado com a família e principalmente o amor verdadeiro, então essas perguntas eram frequentes em sua cabeça. Mikey parou no meio a mordida e arregalou os olhos, Takemichi ainda parecia inerte na vista e não moveu um fio.

— Você e eu...?

Takemichi pisca um pouco, um olhar ingênuo que tentava entender Mikey, mas como um impacto de martelo suas bochechas se encheram de sangue e percebeu que talvez tivesse deixado outra interpretação em sua frase. Seus lábios fofos se abriram calados e demorou um pouco para que puxasse força para falar.

— Não, eu quis d-dizer que... se um dia vo-você e eu, no futuro talvez... — Ele só estava piorando e o olhar atento de Mikey dificultava tudo. Os olhos azuis se abriram desesperados ao Takemichi ouvir a própria voz, ele suspirou alto, dispensando o sanduíche no colo e batendo uma mão na testa. Havia desistido. — Se um de nós vai ter uma família algum dia, era isso que eu queria dizer.

Sua mão deslizou lentamente para fora do rosto, até que a risada de Mikey o perfurou. Era bom de se ouvir, Takemichi gostou, e foi esse som que melhorou seu humor de volta e agora tudo parecia só uma brincadeira. Takemichi sorriu, os olhos de Mikey se fechavam levemente quando ele ria.

Aos poucos a risada foi embora e o Sano terminou sua mordida, mastigando com paciência antes de responder, seus olhos colados no pôr do sol.

— Talvez, quem sabe? Seria interessante ver pequenos Takemichi correndo por aí. — Algo no tom de voz de Mikey deu uma pontada no coração de Takemichi, mas o mesmo não entendeu, estava bom ouvir ele falar, era sempre bom e suas palavras eram sempre gentis com ele. Hanagaki percebeu que ainda não havia acabado, assistiu o olhar afiado de Manjiro o encontrar, viu seu sorriso mudar para uma silhueta provocativa. — Iria ser nossos pequenos Takemichi, eu ia adorar cuidar deles.

Hanagaki prendeu a respiração, a reação vindo antes mesmo dele compreender a frase, a pergunta saindo como um estalo da sua boca e se pegou com o coração batendo mais rápido.

— Nossos?

Takemichi, então, teve um pensamento perigoso, o pensamento que era alimentado com aquele olhar de Mikey para si, o pensamento que o fazia duvidar se realmente conhecia a si mesmo e que o deixava assustado com a resposta. Seu rosto pareceu esquentar mais e seus dedos prendiam a grama em seus vãos, agora Takemichi estava preocupado com a cara que devia estar no momento.

Mikey, por outro lado, tardou em sua resposta. A verdade era que havia ficado um pouco hipnotizado com a forma que os lábios da sua companhia se mordiam, ficando colados por alguns segundos e depois umedecidos com a língua em um movimento longo. De repente olhar para a boca de Takemichi o deixou estranho, o estômago parecia borbulhar junto com uma sintonia que subia, mas Mikey retirou tudo aquilo da cabeça, estava apenas viajando...

— Quem sabe? — Respondeu em tom brincalhão, poupando de ver a próxima reação explícita de Takemichi ao se levantar do chão, o embrulho do seu sanduíche já vazio. Ele dizia aquelas coisas apenas para provocar, era da sua natureza caótica, mas aquelas palavras saíram com mais vontade esta vez.

Enquanto se aproximava da lixeira mais próxima sentia o olhar de Takemichi queimar suas costas, sabendo que ele estava pronto para fazer mais questionamentos, Mikey o olha atrás do ombro, sinalizando para que o seguisse para a moto estacionada perto.

— Vamos, está anoitecendo. Nos vemos de novo outro dia.

Mikey nunca se preocupou com o horário, na verdade, a noite fazia parte da sua rotina, mas seu peito estava o preocupando, batia como se fosse uma partida de ping-pong.

Mikey havia aprendido a sentir coisas estranhas às vezes naquele dia...


Notas Finais




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