História Segredo de Alfa - Capítulo 35


Escrita por:


Notas do Autor


Eis-me aqui leitores do meu kokoro.

Capítulo 35 - Capítulo 35


Um dos guardas, beta, abriu a porta com a digital, uma senha e retina. Segurança demais pra onde só tem duas pessoas presas. Então me empurraram para lá e depois de passar por uma espécie de túnel com uma outra porta no fim, eles tiraram minhas algemas e um deles me explicou.

- Lá dentro você terá uma cela, da sua escolha, mas ela não fica trancada, como essa é a única saída dali, você pode perambular por lá. – Um tipo de scanner me revistou e uma voz de robô falou meu nome antes do guarda voltar a falar. – Você pode andar por lá mas não chegue perto da sala 23.

O tom de alerta em sua voz me fez ficar um pouco assustado e eu apenas confirmei com a cabeça.

Com o corpo tenso e os pensamentos escassos eu entrei lá como se entrasse num filme de terror e logo, a porta atrás de mim se fechou num baque altíssimo.

Basicamente era como uma prisão normal. Tinha os corredores com várias celas abertas e vários andares para cima, em volta de um pátio com as mesmas mesas do refeitório. Parecia uma escola fantasma.

Comecei a andar pelo corredor de tinta suja e descascada, desci os dois degraus e cheguei na parte do pátio. As cadeiras e mesas sujas de poeira e rangendo com qualquer movimento.

- Parece que eles não entram aqui tem um bom tempo... – conversei comigo mesmo e me assustei quando o som de algo caindo alcançou meus ouvidos. – Ei! – gritei ao ver uma sombra se mover para uma das celas e fui atrás de quem quer que fosse.

Ele entrou em uma cela do corredor virando a direita daquele que eu entrei, mas quando vi, todas as portas estavam fechadas. Comecei a andar e a cada passo que eu dava, um cheiro diferente me invadia.

Quando parei em frente a penúltima porta, o cheiro ficou mais forte e levado pela curiosidade, eu me aproximei e empurrei a porta metálica vendo que só estava encostada.

- Quem é você? – questionei mas não tive resposta alguma. A pessoa estava de costas fazendo alguma coisa na parede, a julgar pelo movimento do braço. Dei pequenos passos cautelosos até estar a um passo dele, mas quando levei minha mão ao seu ombro, sua reação foi mais rápida que eu.

Ele pegou meu pulso e torceu, me girou e me jogou de cara no chão sentando nas minhas costas segurando meu braço e prendendo minha cabeça.

- Por que está aqui? – sua voz grave ecoou pelo quarto e eu tentei não me apavorar.

- Bati num cara. – soltei um gemido de dor quando ele aumentou o aperto na minha cabeça. – É serio!

Ele vacilou e usei esses poucos segundos para usar minhas pernas e tirá-lo de cima de mim e me afastar para depois prende-lo na mesma posição que eu estava.

- Mas também queria verificar uma coisa. Dizem que você é uma lenda aqui, conseguiu escapar... – ele inverteu as posições e agora eu estava deitado no chão com ele na minha barriga segurando meus pulsos.

- As pessoas gostam de exagerar – ele apertou mais e eu encarei a máscara preta que cobria seu rosto junto do capuz, deixando apenas seus olhos verdes à mostra. – Mas eu conheço uma forma de sair daqui sim, por isso estou aqui sem poder sair.

- E é por isso que eu preciso da sua ajuda – envolvi seu pescoço com minha perna e segurei seus braços no chão – Você é esperto e conseguiu driblar eles uma vez, pode fazer de novo não é?

- Em primeiro lugar – deu uma joelhada na minha costela que me fez soltar seus braços e logo antes de me prender na parede, amassando minha cara. – Tem um tempo que eu estou aqui e provavelmente eles já aumentaram a segurança e em segundo lugar, não sou esperto.

Ele me soltou e se afastou e eu puxei o ar com todas as minhas forças e me virei para ele.

- Sou esperta.

E então “ele” levou a mão no capuz e na máscara revelando que na verdade, “ele” é “ela”, que tinha o cabelo liso e curto ondulado, loira, pele branquinha nariz delicado e boca rosinha. Bonita, mas se eu estou sem falas é pelo fato de todos dizerem que ela é um homem, afinal eles já viram ela?

- Como você mudou sua voz? – perguntei um pouco surpreso - Ou não, mais importante, como ninguém nunca te viu?

- Uau, nenhum “nossa, é uma menina!” ou então “você está mentindo, onde ele está?”. -perguntou em deboche.

- Não, eu sei que vocês mulheres são muito mais espertas, mas eu ainda quero saber como você mudou sua voz – falei me lembrando que antes sua voz estava bem grave, mas agora estava mais suave e macia.

Ela deu um riso soprado me olhando incrédula, mas respondeu. – Tem um modificador na máscara, eu construí com umas peças velhas.

- Você constrói muitas coisas?

- Hãn... acho que sim? – respondeu sem muita certeza. – Qual seu nome garoto?

- Sou Matheus e você?

- Sou a Luna. O que exatamente você faz aqui Matheus?

- Eu vim pra conversar com você e por causa de um cheiro. – me sentei na cama e ela me olhou em divertimento.

- Conversar comigo? – afirmei vendo ela se encostar na parede – E o que você quer conversar?

- Quero pedir sua ajuda para sair daqui.

- E o que te faz pensar que eu vou te ajudar? – um sorriso de canto apareceu na sua boca e eu me concentrei em não ter uma crise de risos bem ali.

- Talvez o fato de você estar nessa solitária há tanto tempo? – rebati com outra pergunta e ela sorriu mais ainda.

- Você é astuto, mas eu não me preocupo mais em sair daqui. – ela deu um sorriso mais triste dessa vez.

- Não?

- Minha prioridade agora é matar o desgraçado que se diz dono daqui. – uma raiva consumiu sua feição, mas logo depois, um sorriso anuviou. – Se você me der essa chance, então eu te ajudo com prazer.

- Tudo bem então – respondi desconfiado e ela se aproximou da porta para sair. – Vem, vou te mostrar umas coisas.

Me levantei correndo e fiquei ao seu lado enquanto ela andava com as mãos atrás das costas.

- Diga Matheus, você é um alfa bem poderoso não é? – quebrou o silêncio de repente.

- Eu sou forte sim, mas poderoso não. – continuamos caminhando e virando à esquerda, vi seu sorriso crescer, parecia algo como satisfação. – Mas e você Luna, é uma alfa também né?

- Sim.

E sem mais perguntas, nós seguimos caminhando, no entanto a dúvida martelava na minha língua, pronta pra pular, e pulou.

- Por que você quer matar o dono? – percebi como seu corpo tensionou e sua expressão ficou dura.

- Ele matou minha família quando eu fugi, torturou meu melhor amigo e me tirou a chance de conhecer um ômega me prendendo aqui. – o rancor em sua voz era quase palpável e eu me amaldiçoei por ter perguntado.

Ela perdeu a família cedo demais, machucaram pessoas que ela ama, machucaram ela física e mentalmente. Eu imagino o que ela deve ter sentido, culpa. Mesmo que o culpado nunca vá ser ela é assim que ela se sente.

- Entendo.

Ela rapidamente mudou sua expressão para uma mais suave, mas ainda pesada. – Mas e você, Mat, tem algum ou alguma ômega?

Ela perguntou num tom sugestivo que fez minha mente viajar nas lembranças com a Milla, sua personalidade forte, seu jeito meigo, tudo nela. Viajando um pouco mais e sem perceber deixei um sorriso sair ao me lembrar do beijo.

- Você está vermelho, vou tomar isso como um sim. – falou me fazendo corar ainda mais – Imagino também que você é grudento pra caralho, estou certa Romeu?

- Me erra Luna.

Ela explodiu em gargalhadas e eu também. Fiquei até surpreso ao ver que tínhamos nos dado tão bem em pouquíssimo tempo, como se fôssemos amigos há anos. Ela parecia uma irmã perdida que eu não fazia ideia.

E de fato, uma amizade de muitos anos.


Notas Finais


Luninha apareceu... TRAGAM OS FOGOS!! KK


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...