História Segredos - Norminah G!p - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren, Laurinah, Laurmani, Normally, Norminah, Trolly
Visualizações 282
Palavras 6.405
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Mistério, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Essa obra é uma adaptação do livro da Tatiana Amaral
Todos os direitos são dela
Boa leitura

Capítulo 1 - Capitulo 1


Fanfic / Fanfiction Segredos - Norminah G!p - Capítulo 1 - Capitulo 1

Um Novo Começo

VISÃO DE NORMANI

Estava no quarto, arrumando minhas coisas.

Sentia-me muito feliz por ter conseguido o emprego e ao mesmo tempo triste, pois essa conquista significava deixar de morar e conviver diariamente com amigas que aprendi a amar durante os dois últimos anos.

Eu estava um pouco emotiva nesta última semana.

Enquanto guardava meus livros preferidos na última caixa, sentia as lágrimas se formarem.

Lauren bateu na porta me afastando dos pensamentos depressivos.

- Não comece a chorar outra vez, Mani.

Nós já conversamos sobre isso várias vezes. Você vai apenas se mudar para outra casa, que, diga-se de passagem, é simplesmente sensacional. Além disso, vai passar a maior parte do seu tempo viajando com uma das gatas mais maravilhosas do momento. O que há de tão triste nisso? Ah, já sei, deve ser o salário absurdo que vai ganhar para ficar ao lado dela o tempo todo. - começou a rir e a me fazer cócegas.

Graças a Lauren Morgado, uma das minhas melhores amigas, eu havia aprendido a gostar de moda e de me vestir bem, mas isso era o que tinha de mais superficial em nossa amizade.

Lauren é uma das poucas pessoas em quem confio e por esse motivo, faz parte do grupo seleto que sabe da verdadeira história que me cerca.

Ela é meiga, companheira e, acima de tudo, completamente racional e justa.

Eu a amo.

Iria sentir terrivelmente a sua falta.

- Pare com isso, Mani. Vamos, vou ajudá-la. Você vai levar tudo mesmo?Pode deixar uma parte aqui, para o caso de decidir voltar - um sorriso largo brilhou em seu rosto.

- De jeito nenhum. Vocês precisam alugar e terei espaço suficiente no meu novo quarto. Além do mais, quando eu estiver viajando, o que acontecerá quase sempre, não vou precisar nem da metade dessas coisas.

- Não será o mesmo sem você. Vai ficar um imenso vazio.

Não consegui impedir as lágrimas de caírem após a sua declaração.

Laur é como uma irmã mais velha. Aquela que eu nunca tive.

Sou filha única. Meu pai nem queria filhos, mas minha mãe engravidou numa tentativa de manter o casamento, ou o que ela acreditava ser um casamento.

Pensar em minha mãe me doía ainda mais. Ela tinha morrido tão jovem.

Eu ainda era uma criança.

Estava com apenas 12 anos e fiquei sozinha no mundo, com parentes que nunca se preocuparam realmente comigo. Somente com o que o meu pai, que nunca desejou ser pai, poderia lhes proporcionar financeiramente.

No início não foi tão ruim viver com eles, só não era como deveria ser, especialmente num caso como o meu: órfã de mãe. Principalmente depois de descobrir toda a verdade com relação à minha família.

Nossa relação nunca foi difícil, pelo menos não com a minha tia, irmã mais velha da minha mãe, mas me senti aliviada por fazer faculdade em Los Angeles e não precisar mais ser um peso em suas costas.

Nasci em Carson City, Nevada, Estados Unidos, em meio a cassinos e turistas. Foi por esse motivo que minha mãe conheceu meu pai.

Ele era um forasteiro na cidade, viajando a trabalho e se divertindo nas horas vagas. Vim para Los Angeles cursar a universidade, recomeçar a vida e também para fugir do que restava dela. Foi quando conheci Lauren e nunca mais nos desgrudamos.

Até agora.

- Vou sentir sua falta também - enxuguei as lágrimas com as costas das mãos. - Vamos falar sobre outra coisa? - ri, tentando conter a emoção.

- Ok, então! Pronta para hoje à noite? Estamos preparando uma tremenda despedida para você.

Pelo seu olhar percebi que minha noite seria longa.

- Ai, meu Deus! O que vocês estão aprontando? Dá até medo de imaginar.

Lauren riu com vontade, o que me causou medo. Não sabia se deveria temer o que ela estava planejando ou animada com a possibilidade de diversão.

- Tudo bem! Mas nada de tentar me deixar bêbada, certo? Você sabe como fico quando bebo, aliás, álcool e Mani não se misturam. Mesmo assim vocês não perdem este hábito, se não

me cuidar vou acabar me metendo em encrencas.

- Nós não vamos deixar nada lhe acontecer.

Ela saiu do meu quarto dando seus pulinhos infantis que muitas vezes me faziam esquecer que se tratava de uma mulher séria e responsável, que também mais parecia uma modelo de tão linda.

Lauren é alta e magra, seu corpo é muito bonito, apesar de eu não ver muita graça em corpos

magros demais, porém o dela é diferente.

Suas pernas são longas e torneadas e sua cintura é

bastante fina.

Seus seios são do tamanho ideal. Ela com certeza seria uma grande modelo, porém escolhera trabalhar como consultora de moda.

Minha amiga é incrível!

Sozinha no quarto eu me entreguei outra vez aos pensamentos.

Estava completamente insegura com o meu novo emprego.

Quando fiz a entrevista tinha quase certeza de que não seria selecionada. A pessoa responsável nem sequer olhou em meus olhos, apenas fez algumas perguntas e me dispensou. Por isso fiquei surpresa quando no dia seguinte fui convocada para

mais uma etapa da seleção.

Eu nem sabia para qual artista iria trabalhar, porém se soubesse, com certeza, nem conseguiria responder às perguntas.

Dessa vez fui entrevistada por uma mulher muito bonita, a manager do artista para quem eu iria trabalhar, Allyson Brooke.

Uma manager era muito mais do que uma agente. Ela era a responsável por todos os detalhes da vida da atriz, desde seus trabalhos até a roupa adequada para ele vestir.

Allyson não é muito alta. Tem feições finas como as de uma criança. Seu rosto é angelical, e ela tem um sorriso no qual é muito difícil não reparar. Conversamos bastante, de maneira

descontraída e, apenas no final, disse que havia gostado muito de mim.

No outro dia me ligou dizendo que eu tinha sido escolhida para o cargo. Somente depois de acertarmos todos os detalhes ela me disse quem era a artista.

Fiquei sem reação, porém consegui me recompor a tempo e fingir indiferença, rezando para

ela não desistir de me contratar por esse deslize.

Eu simplesmente a achava a mulher mais bonita que já vira.

Havia até um cartaz do seu último filme colado na porta do meu quarto do qual, é claro, me livrei logo em seguida.

Como seria trabalhar com ela? E a enorme atenção dada à sua carreira? Como eu me sairia diante de tudo isso?

Suspirei e balancei a cabeça tentando afastar os pensamentos de insegurança.

No dia seguinte seria a assistente da atriz mais famosa do momento: Dinah Jane Hansen, 25 anos, podre de rica e linda, muito linda!

Precisava tirar esses outros pensamentos da cabeça, afinal de contas ela agora era minha chefe e, "onde se ganha o pão, não se come a carne", como dizia a minha sábia amiga, Jilly Anais.

Era importante me concentrar nisso. Além do mais, o amor era a última coisa que eu procurava.

Não por não acreditar nele, apenas por achar desnecessário naquele momento da minha vida.

Já tive experiência suficiente para saber que equilíbrio e amor não andam de mãos dadas.

Então estava fora de qualquer cogitação me relacionar com alguém, por ora. Não que eu tivesse problemas com relacionamentos, mas tinha uma séria restrição com a ideia de me apaixonar.

Um reflexo do meu passado.

Para ser bastante sincera, Dinah era a última mulher na face da Terra por quem gostaria de me apaixonar, pelo menos na vida real. Suas personagens eram perfeitas. Mulheres lindas e

apaixonadas, do tipo que dão tudo que têm pela mulher amada.

Era difícil não sonhar com alguém tão encantadora, porém esse era a personagem.

A personalidade da mulher, descrita por todos os tabloides, era completamente diferente.

Na verdade, ela era uma cafageste, um colecionadora de mulheres, exatamente o tipo que eu procurava passar bem longe.

Sem contar que não acredito na pessoa perfeita, nem na mulher que ela interpretava nos filmes. São apenas personagens. Por isso suspiramos por eles.

Meu trabalho seria organizar a sua vida e fazê-la cumprir a agenda. Ao que me parecia, ainda por cima, era indisciplinada e descomprometida. Não seria uma tarefa fácil.

Para tanto eu teria que conviver com ela o tempo todo e estar em constante contato com toda a sua equipe para que não houvesse conflito de interesses ou de horários.

Além disso, teria de discutir todas as propostas de trabalho recebidas e enviadas pelos seus agentes que, até onde eu sabia, eram três, todos homens: Alfredo, Miller e Williams.

Com exceção da líder de sua equipe, que me contratara, que estava grávida e planejava sair de cena tão logo fosse possível, eu seria a única mulher no grupo. Isso poderia ser complicado.

- Tudo arrumado - minha voz ecoou no quarto vazio e desmontado, logo ouvi Lauren gritar, do quarto dela:

- Então vá se arrumar, garota. Pelo amor de Deus, nada de ir simplesinha. Hoje nós vamos arrasar! É sua despedida e, principalmente, a comemoração de sua vitória profissional e financeira - a risada do outro quarto e me animou.

- Esta noite vai entrar para a história! -

Não pude deixar de rir.

Fomos a uma boate que frequentávamos muito.

Era perfeita para nossa despedida,pois sua programação se dividia entre Karaokê com uma banda ao vivo, muito divertido e show com DJ, que era alucinante.

Ficava bem próxima à praia e nós adorávamos! Estava sempre lotada, mas como já éramos conhecidas pelo pessoal da portaria, eles nos davam acesso livre.

Era uma das boates mais bem frequentadas do momento e, de vez em quando, aparecia por lá alguém famoso ou importante.

Éramos cinco amigas: eu, Lauren Morgado, Jilly Anais, Zendaya Colleman e Veronica Iglesias.

Morávamos todas juntas em um apartamento de quatro quartos na 3rd Street Promenade, Santa Mônica, Los Angeles. Nossa convivência era no mínimo pacífica.

Claro que tínhamos gostos e interesses específicos e éramos diferentes em diversos aspectos, porém isso normalmente não era um problema.

Por esse motivo estávamos reunidas naquela noite, gostávamos da companhia umas das outras.

Escolhemos uma mesa entre o palco e o bar, o que deixou todas satisfeitas com a localização.

No meio da noite a conversa estava bastante animada e ríamos muito. Como eu já tinha previsto, as meninas estavam tentando me deixar bêbada e, apesar de conseguir me livrar da maioria dos copos que me davam, estava começando a me sentir "alta".

A fraqueza com bebidas alcoólicas sempre era o ponto alto da noite para as minhas amigas, entretanto elas se mantinham fiéis e não extrapolavam comigo, por isso eu conseguia terminar a noite andando com as próprias pernas.

Como sempre fazíamos, depois de algumas doses, óbvio, acompanhávamos a banda em

alguma música do momento.

Naquela noite as meninas estavam com tudo, escolheram uma bastante insinuante e, antes de cantarmos, apostamos quem conseguiria ser mais sexy, uma brincadeira que eu jamais aceitaria se não estivesse bebendo.

O cantor era um conhecido de outros momentos de diversão e nos anunciou como a atração da noite, chamando a atenção dos homens e mulheres.

Confesso que tive ímpeto de voltar para a mesa, mas me contive para não desapontar minhas amigas.

Quando a banda começou a tocar, estávamos totalmente empolgadas, pelo menos eu tentava ficar, então começamos a cantar e a dançar.

A plateia gritava e nós nos divertíamos.

Era sempre muito alegre quando saíamos e, apesar do clima de despedida ter nos deixado bastante emotivas, estávamos realmente dispostas a curtir tudo o que a noite poderia nos proporcionar.

Quando já tínhamos passado da metade da música, Jilly me puxou pelo braço e mostrou no andar de cima uma pessoa encostada na grade olhando fixamente para mim.

Não consegui ouvir o que ela dizia, mas percebi de imediato de quem se tratava.

Como não perceber? Eu havia olhado para ela todos os dias nos últimos dois anos de minha vida e agora ela estava lá, imóvel como uma estátua, perfeita como um anjo.

Dinah Hansen.

Sua beleza era tanta que não pude deixar de suspirar ao vê-la.

Só voltei à realidade quando Jilly me rodou no palco mandando não dar bandeira.

Fiquei sem graça de mediato sentindo-me uma idiota olhando-a daquele jeito.

Mas antes de desviar o olhar a vi sorrir de maneira tão perfeita que me tirou o ar.

Todo o meu pensamento se voltou para os problemas que poderia ter por causa daquela noite.

Ela podia não saber quem eu era, porém eu sabia exatamente quem ela era e, não apenas por se tratar de quem se tratava, mas principalmente porque no dia seguinte ela seria a minha chefe.

A forma como Dinah Hansen tinha me olhado não me ajudaria muito a sustentar o personagem que interpretaria quando estivéssemos juntas.

A música acabou e nós descemos do palco sob uma chuva de aplausos, gritos e gracinhas dos rapazes e garotas que assistiram nossa performance.

Jilly e Lauren adoravam a atenção que recebiam dos garotos e garotas da boate. Eu normalmente ficava completamente sem graça.

Quando passei, voltando para a mesa, não pude evitar olhar mais uma vez para o andar de cima.

Baixei a cabeça imediatamente quando percebi que minha futura chefe ainda estava encarava.

Seria mais difícil do que eu imaginava.

Era importante que Dinah Hansen não tivesse nenhum interesse por mim, seria o mais saudável para o nosso trabalho.

- Caramba! É ela mesmo? Nem acredito, a mulher é mesmo muito linda, não é? Não vai falar com ela? Se apresentar? - Lauren tagarelava ansiosa atrás de mim como sempre.

- De jeito nenhum! Teremos tempo de sobra para nos conhecer amanhã. Espero sinceramente que esteja bêbada o suficiente para não se lembrar de nada do que viu - fui seca. Eu estava morrendo de medo. Que imagem ela teria de mim?

- Deixe de bobagem! Você ainda nem começou a trabalhar, além do mais, está apenas se divertindo, que mal há nisso? - Zendaya tentava me animar. - Ela não pode fazer nenhum juízo de você só porque cantou e dançou com suas amigas. Dinah não tem nada a ver com a sua vida pessoal.

- Eu cantei e dancei de maneira bastante sensual, Zend. Ela pode formar um monte de conceitos sobre mim por causa disso, inclusive achar que pode se dar bem comigo. -enquanto pensava nesta possibilidade, um calafrio me percorreu. Teria de ser bastante forte e dura com ela para que nada acontecesse. Seria como jogar fora uma grande oportunidade. Definitivamente, eu não queria isso.

- Acho que devemos brindar a situação com mais uma rodada -

Vero sugeriu já levantando para buscar as bebidas, mas eu a segurei dizendo que era a minha vez. Precisava me afastar um pouco para organizar minhas ideias.

Caminhei em direção ao bar, tentando me sentir mais segura.

Parei no balcão para pedir as bebidas. Enquanto aguardava, senti uma mão tocar o meu ombro, logo depois um rapaz muito bonito, loiro e forte se sentou no banco ao meu lado, se apresentando.

Ele me lançou um sorriso encantador. Eu sabia exatamente quem ele era e podia imaginar o motivo de estar ali.

Gelei.

- Oi, meu nome é Kendel, posso saber o seu?

Deu um sorriso lindo, mas por trás havia a arrogância típica de pessoas na sua posição.

Era um dos agentes da Dinah, Kendel Miller, conhecido em toda a cidade como um garanhão, um conquistador, aliás, classificação que também servia para a própria Dinah.

- A princípio não, Kendel.

Peguei minhas bebidas e levantei do banco indo embora.

Parte da minha fuga estava relacionada ao fato de não querer ficar ali o ouvindo alimentar o

próprio ego.

Outra ao fato de não querer conhecê-los antes da hora e formar uma imagem errada. Mas, para ser bem mais sincera, eu queria realmente fugir do que ele pretendia.

- Olha, seja um pouco mais receptiva, tá? Minha amiga quer muito conhecê-la, disse que não

vai embora sem antes lhe pagar uma bebida. Garanto que vai gostar de conhecê-la - ele piscou

para mim e, tornando a conversa mais confidencial, acrescentou:

- Acredite, muitas garotas gostariam de estar no seu lugar - sorriu de forma maliciosa, certo de que já havia conseguido o seu objetivo.

- Kendel, não é? - Fingi não lembrar o nome dele. - Por favor, diga para sua "amiga" que quem paga a minha bebida sou eu e, que se ela for esperar por isso, sinto muito, mas irá morar

aqui.

Levantei uma sobrancelha enquanto falava e saí de forma desafiadora.

Fui infantil, eu sei, mas foi impossível evitar a raiva que senti pelo fato dela achar que pode ter qualquer garota.

Kendel até podia, mas eu nunca seria uma delas.

Quando cheguei à mesa, as meninas estavam loucas querendo saber o que ele tinha me dito, além do motivo de eu ter saído com raiva.

Elas tinham prestado atenção.

Ótimo.

Parece que o assunto não seria encerrado naquela noite. Expliquei o ocorrido a elas que caíram na gargalhada.

- Você não muda mesmo, hein Mani? Sempre tão difícil com os homens e mulheres. Conhecê-la não vai lhe fazer mal algum.

Vero ria da minha cara irritada.

Logo a conversa mudou de rumo, o que me fez ficar grata.

A história já havia recebido toda a atenção que deveria. Além do mais, já tinha decidido que deixaria para pensar sobre ela no dia seguinte.

Após alguns minutos conversando e desfrutando das nossas bebidas resolvemos nos levantar para dançar.

Foi ótimo! Eu adoro.

Simplesmente me esqueço do mundo. É uma liberdade para o meu corpo sempre tão preocupado com o que as pessoas estão pensando a meu respeito.

Estávamos bem animadas e nos apoderamos da pista. Sabíamos que as pessoas nos observavam, éramos todas bonitas, cada uma do seu jeito e, no geral, chamávamos bastante

atenção.

Por um momento esqueci que ela também estava lá. Achei que depois da minha resposta iria procurar outra garota para se divertir.

Não sei porque fiquei um pouco decepcionada com esse pensamento. Balancei a cabeça tentando expulsar aquele sentimento e me entreguei à dança não pensando mais em nada. Meu corpo recebia com prazer todo o calor dos outros corpos na pista e em pouco tempo já estava transpirando e precisando de mais uma bebida.

Vero, Jilly e Zend saíram da pista de dança.

Não consegui saber para onde iam, no entanto, pelos risinhos emitidos, percebi que estavam aprontando alguma brincadeira.

Comecei a me preparar psicologicamente.

Lauren me pediu para buscar mais bebidas. Saímos e fomos juntas ao balcão.

Eu precisava escapar rapidamente de qualquer coisa que as meninas estavam aprontando, então tentei ser

rápida o suficiente para chegar à mesa e simplesmente me acorrentar lá, porém quando me virei, rápido demais, deparei com Dinah Hansen em pessoa.

A bebida sujou sua camisa e escorreu pelo decote da minha, passando de maneira insinuante pelos meus seios que, automaticamente, enrijeceram com o contato.

Não pude evitar levar as mãos ao decote, arqueando pelo contato do líquido gelado com a pele e ela sorriu com a minha reação.

- Eu gostaria de poder ajudar, mas até onde sei, não tenho permissão para conhecê-la e terei de morar aqui se quiser fazer isso.

Ela estava brincando, é claro, mas eu fiquei envergonhada na mesma hora.

- Desculpe! - Eu me desculpava pelas duas coisas, pela resposta desaforada e pela camisa dela.

- Acho que estraguei a sua camisa.

Antes que eu conseguisse terminar a frase, as meninas surgiram do nada e me agarraram, puxando-me para algum lugar distante dela.

Todas riam muito.

Só quando estava a caminho,

percebi para onde estavam me levando.

Os tequileiros!

Agora estava na maior enrascada. Iria ficar bêbada na frente da minha chefe.

Meu Deus! Ela teria a pior de todas as imagens de mim. Comecei a protestar e choramingar mas não adiantou. Antes de subir o degrau e me sentar na poltrona, Lauren sussurrou no meu ouvido:

- Não se preocupe, não deixarei nada acontecer a você.

Acordei em meu quarto. O sol já estava há muito tempo brilhando no céu. Levantei rápido demais indo direto ao chão. Minha cabeça doía muito e meu estômago estava revirado. Só então me dei conta de que estava nua e que Lauren estava dormindo ao meu lado.

- Meu Deus! O que aconteceu? - Falei alto o suficiente para acordá-la, fazendo minha cabeça doer ainda mais.

- Caramba, Mani! Você não consegue dormir quieta um só minuto? Mexeu-se a noite inteira. Eu mal consegui pregar os olhos.

- Lauren, o que estou fazendo sem roupas, deitada com você em minha cama? - Senti meu estômago revirar.

Lauren riu olhando para mim, cinicamente:

- Não se lembra de nada? Caramba! Achei que você tinha gostado - fez beicinho, demonstrando sua decepção.

- Por favor, diga que é mentira - quase chorei de pânico. Lauren estava gargalhando.

- O que acha que aconteceu, sua doida? Você bebeu demais, os tequileiros a deixaram louca e eu a trouxe para casa como prometi. Como vomitou em toda a roupa, eu te joguei embaixo do chuveiro, depois você se deitou. Quando eu estava saindo me pediu para ficar e cuidar de você. Apenas isso. Você deve ser maluca mesmo. De onde tirou a ideia de que eu poderia gostar de mulher? Nada contra, eu até gosto, mas não você; além do mais acho que já conviveu tempo demais comigo para saber que meu negócio é homem - ela não parava de rir.

Respirei aliviada por um segundo, até me lembrar de que não fazia a menor ideia de como havia saído da boate, aliás, eu não tinha a menor ideia do que aconteceu depois dos tequileiros. O ar voltou a me faltar. O que ela havia presenciado?

- Lauren , o que aconteceu depois daquilo?

- Nada. Eu já tinha dito para as meninas que eu a pegaria logo em seguida e tiraria de lá. Não a deixamos ter nenhum contato com você bêbada. Pode relaxar.

Fiquei mais tranquila, no entanto lembrei, imediatamente, que me mudaria naquele dia e deveria estar, no mínimo, apresentável.

Levantei lentamente e fui direto para o banheiro. Tomei um banho demorado, depois gastei algum tempo secando o cabelo até ele ficar totalmente liso; era o mínimo que poderia fazer para melhorar a minha imagem.

Eu gostava do meu cabelo,

longo e volumoso. Estava preto, mas já foi de diversas cores. Eu e minha vontade de mudar de cara sempre. Ou quem sabe de fugir do que sou.

Olhei-me no espelho e gostei da imagem.

Aos 23 anos havia conseguido o corpo que desejava. Livrei-me dos seios pequenos, que me faziam parecer uma adolescente, colocando um pouco de silicone, nada muito exagerado, apenas o suficiente para fazer volume num decote.

Tinha malhado muito enquanto estudava na universidade, ganhando formas mais firmes, arredondadas nas pernas e na bunda, mantendo a cintura bem fina.

Gostava do meu corpo!

Isso era inacreditável, já que as mulheres ficam o tempo todo insatisfeitas com algo. Eu não fugia ao padrão, no entanto isso não acontecia em relação ao meu corpo.

Voltei para o quarto me deparando com um conjunto estendido sobre a minha cama.

Lauren!

Constatei com carinho. Ela havia escolhido uma saia creme, não muito comprida, nem muito curta, que modelava perfeitamente meus quadris. Uma blusa branca justa ao corpo com uma abertura que revelava meus ombros, além de um casaco preto de cintura afivelada. Para os pés, um sapato alto preto, totalmente fechado que valorizava bastante meus tornozelos.

- Sem revelar, mas também sem esconder - Lauren entrou no meu quarto com aquela sutileza só dela e me abraçou.

- Vou sentir sua falta!

- Eu também - as lágrimas já estavam querendo descer. Desviei meu olhar. - Preciso me apressar, não posso me atrasar no primeiro dia de trabalho.

- Vai chamar um táxi?

- Não. Allyson vai mandar um carro me buscar.

- Allyson é a pessoa que te contratou?

- Isso. A manager. E também uma espécie de chefe dos agentes, entendeu? Na verdade seu cargo é a central de comando, tudo deve passar por ela. Eu serei uma espécie de braço direito, ficarei com todas as atividades relacionadas ao dia a dia de Dinah Jane.

- A Gata, linda e maravilhosa dos filmes! Que trabalho difícil! - Sua ironia chamou a minha atenção.

- Quer que eu vá ou não? Ontem era o trabalho perfeito, hoje uma besteira.

- Não estou dizendo isso. Apenas acho que este trabalho será muito importante em sua vida.

- Como assim?

- Não sei. Ontem sonhei com vocês duas se beijando.

Lauren levava a sério os seus sonhos.

Sempre acreditava que era uma espécie de premonição. Eu apenas achava graça, principalmente porque nem sempre dava certo e o que acontecia era tão previsível que seria

impossível não se realizar.

- Está doida? Ela é a minha chefe agora. Não posso pensar nela de outra maneira. Além do mais, nunca fui dessas que ficam suspirando por uma atriz linda e maravilhosa - sorri, sabendo que era mentira. Eu sempre suspirara por Dinah Hansen.

- Foi só um sonho e você até ontem suspirava por uma certa atriz que ficava bem aqui na sua porta - abracei-a e senti muita vontade de chorar, porém me segurei. Nada mais de despedidas.

Precisava me apressar.

- Vou me vestir. Preciso ir - tentei disfarçar.

Bastou ver o carro que foi me buscar para perceber minha nova realidade. Era um Acura MDX, preto, lindíssimo. Eu adorava carros.

Fiquei boquiaberta com tamanho luxo e design.

Com certeza seria uma maravilha dirigir um modelo daqueles, era uma pena ter motorista.

Entrei me sentindo um pouco fora do meu mundo.

Minha família não era pobre, também não possuíamos dinheiro para viver com luxo. Vivíamos bem, com certo conforto. O carro do meu pai era sempre um modelo chamativo, por

causa do seu trabalho e o de minha mãe era qualquer coisa que servisse para me buscar na escola. Meu pai era um apaixonado por veículos automotivos.

Sentia-me frustrada por perceber que, mesmo tão distantes, havia tanto dele em mim.

Voltei a pensar em minha mãe.

Gostar de carros deveria ser um problema, afinal fora um carro que a

tirara de mim, mas mesmo depois de todos os acontecimentos, de tanto sofrimento, eu continuava louca por eles.

Quando paramos em frente à casa, fui arrancada dos pensamentos para entrar em uma realidade nunca antes vivenciada.

A casa era linda! Tão em sintonia com o restante do ambiente, esculpida pelas mãos de Deus, ou do melhor arquiteto e engenheiro do mundo. Com certeza! Era grande, porém não como as mansões das estrelas de cinema.

A sua entrada era uma mistura de

simplicidade e glamour. Branca com imensas janelas de vidro. Eram tão grandes que mais pareciam portas. Muito bem localizada na Palisades Beach Road, de frente para o mar. Havia um muro muito alto que impedia qualquer pessoa de enxergar o seu interior, o que lhe dava total

privacidade.

Fiquei parada, sem saber o que fazer. O motorista retirou as minhas malas e me avisou que esperavam por mim na sala principal.

Fui em direção ao local que ele apontou. Levava uma pequena bagagem de mão, com algumas coisasque iria precisar para a primeira reunião, como

meu Smartphone e meu notebook , por exemplo, alguns dos presentes do meu pai que eu me vira obrigada a aceitar. Eles tinham providenciado um computador que deveria estar em meu quarto.

Abri a imensa porta e me deparei com um corredor revestido de madeira clara, dando acesso a um enorme vão muito bem decorado, totalmente clean.

Dei alguns passos tímidos e tive uma visão mais ampla do ambiente. Dividia-se em duas salas, a primeira com alguns sofás formando um ambiente aconchegante e, mais atrás, a de jantar, completa.

Ao lado ficava um declive com alguns degraus ligando a o ambiente a outro. Ao me aproximar, ouvi vozes não

muito distantes.

Reconheci a de Allyson e me encaminhei para lá.

A sala onde todos estavam era algo espetacular!

De onde eu estava podia ver um ambiente lindíssimo, com alguns sofás, cadeiras de madeira com forros brancos e algumas poltronas.

"Muito apropriada para uma reunião", pensei sorrindo.

A vista foi o que me chamou mais

atenção. Outra porta, de correr, toda de vidro dava a impressão de que retinha o mar. Tão azul!

- Ah! Você chegou! Bem na hora. Estava agora mesmo falando sobre você com os eles. Venha, deixe-me apresentá-la. Meninos e Dinah comportem-se, por favor! Essa é Normani Kordei, a nova assistente minha e da Dinah, como já havia explicado. Normani, estes são Dinah Hansen, Alfredo Flores e Kendel Miller.

- Oi, outra vez, Mani!

Kendel se aproximou com um sorriso gigantesco no rosto.

Não gostei, por isso não retribuí o sorriso.

Não me senti a vontade com a sua intimidade com o meu nome, pois era algo que eu só permitia a meus amigos. Apenas apertei sua mão como resposta. Os outros limitaram-se a acenar de onde estavam, inclusive Dinah, que parecia bastante cansada, apesar de estar olhando fixamente para mim.

Acenei de volta.

Será que ela contaria que me conheceu na noite passada? Será que vira algo que não deveria? Fiquei um pouco tensa.

Todos sorriam com a coincidência. Eu consegui perceber quando trocaram olhares, deixando-me ainda mais sem graça. Implorei intimamente para que Allyson não tivesse notado.

Não sabia o que ela pensaria de mim se soubesse do que tinha acontecido no dia anterior. Com certeza a manager de um artista famoso esperaria uma postura mais séria de mim, adequada para uma profissional competente.

- Bem, Mani, estávamos terminando a reunião. Vou passar mais algum tempo com você e depois trabalharemos um pouco na rotina. Terá a tarde livre para arrumar as suas coisas. Lembre-se de que viajaremos em dois dias e só voltaremos daqui a uma semana.

Allyson parecia um pouco preocupada com a reação dos rapazes e Dinah, porém não disse nada, o que

me fez sentir melhor em relação à situação. Seu jeito sempre carinhoso de falar lembrava a minha mãe, como se quisesse sempre confortar. E eu me sentia mesmo bastante confortável

com em sua presença, tanto que nem me incomodei por ter usado meu apelido.

- Certo - sorri para ela, o que não era difícil.

Passei o restante da manhã com Allyson me ensinando os procedimentos e passando toda a

agenda programada até o fim do ano. Ela me explicou que, apesar de tudo ser organizado com antecedência, as coisas mudavam o tempo todo, seguindo o ritmo ditado pela popularidade de Dinah e que estávamos em uma ótima fase, com novos trabalhos aparecendo o tempo todo.

Existiam novas propostas, automaticamente enviadas para o meu novo endereço de e-mail,

que eu deveria analisar e verificar a disponibilidade até o outro dia pela manhã, quando haveria outra reunião.

Teria que me lembrar dos eventos anuais do cinema mundial e seus respectivos personagens que estavam programados, pois já contavam com a participação da Dinah, exigindo atenção especial para essas datas. Muito trabalho, então.

Almoçamos juntas e, durante todo o tempo não vi nem ouvi Dinah pela casa.

Quando acabamos, Allyson me levou até o meu novo quarto, no andar de cima, deixando-me lá para

arrumar as minhas coisas.

As malas estavam ao lado da cama, esperando por mim.

Fiquei boquiaberta com o aposento. Era tão grande que eu poderia morar nele.

A decoração seguia o bom gosto do restante da casa. O padrão era o mesmo, uma imensa janela de vidro tendo como pano de fundo uma linda visão do mar. Cortinas brancas, bem leves, uma cama enorme, com cobertores brancos, encostada na outra parede, de frente para paisagem.

Ao lado, o criado com um abajur. Achei ótimo, teria luz para dormir sem problemas. Antes da cama, havia uma espreguiçadeira branca tão bem acolchoada que poderia facilmente servir como lugar para dormir.

Um tapete se estendia por baixo dos móveis e uma mesa de centro de madeira rústica com alguns objetos de decoração.

Olhei ao redor e me dei conta da outra sala que dava acesso a duas portas, closet e banheiro.

Arrumei as coisas mais rápido do que pensei, afinal era muito espaço para tão poucos pertences. O que havia de mais volumoso eram os meus livros, a maioria técnicos, saldo da universidade e do MBA.

Arrumei-os meticulosamente na prateleira do quarto. Combinaram com o ambiente.

Como tinha tempo de sobra, resolvi trocar de roupa. Vesti um short e uma regata, já que ficaria presa no quarto o restante da tarde, e comecei a arrumar uma mala para a viagem. Separei as peças e deixei na cama para depois organizá-las.

Quando estava quase terminando, ouvi uma batida leve na porta, que logo foi aberta, revelando Dinah já entrando no quarto. Fiquei branca! Não sabia o que fazer. O que ela queria?

- Oi!

Ficou meio sem graça. Será que percebeu minha apreensão?

Eu precisaria ter cuidado com minhas reações na sua presença, não poderia demonstrar o quanto me intimidava,

do contrário ela ganharia território.

Seus olhos percorreram meu corpo, aparentemente surpresos com a minha roupa.

Minha vontade era que se abrisse um buraco no chão e me engolisse. Como eu podia ter sido tão descuidada? Onde estava com a cabeça ao me vestir tão à vontade no meu primeiro dia de trabalho? Fiz uma nota mental para prestar mais atenção nas minhas roupas de forma a não cometer tal deslize novamente.

- Oi! Ah, desculpe, eu estava arrumando as coisas, não sabia que alguém apareceria. Dê-me só um minuto, vou me trocar - virei em direção ao closet, mas ela me interrompeu.

- Não. Não precisa. Desculpe-me por aparecer sem avisar. Quanto à roupa, fique a vontade, você também mora aqui, aja como se a casa fosse sua, por favor!

Ela me lançou um

olhar tão penetrante que acabou com as minhas forças em um segundo.

Se eu permitisse, logo estaria suspirando enquanto a admirava. Consegui recompor minhas

feições a tempo. Estava parecendo uma fã apaixonada e isso era tudo o que não poderia ser naquele momento.

- Se não conseguir relaxar, vai ser difícil trabalhar. Vim dizer exatamente isso. Como dona

da casa sinto-me na obrigação de dar-lhe as boas-vindas e dizer que pode desfrutar de todas as áreas da casa, piscina, praia particular, sala de vídeo, tudo - sorriu de forma perfeita.

Era incrível como um sorriso caía tão bem num rosto tão perfeito quanto o dela, que por sinal, sabia muito bem disso. Não era à toa que sempre sorria na hora certa, como se estivesse

sendo dirigido numa cena de filme. A única coisa que pensei foi como conseguiria escapar daquilo.

- Você está planejando fugir?

Fiquei um pouco surpresa com a pergunta. Como eu poderia ter dado a entender que queria fugir?

- O que?

- A mala. Parece que você está arrumando, não desarrumando - riu da minha confusão.

- Ah! Eu estou arrumando mesmo, para a viagem. Gosto de minhas coisas organizadas.

- Mas viajaremos só depois de amanhã.

- Eu sei, mas terei um dia cheio e iremos no outro bem cedo. Prefiro não fazer as coisas correndo, principalmente tendo tempo livre agora. Quer ajuda com as suas?

- Você não precisa fazer isso por mim - Dinah se referia às minhas obrigações como assistente, no entanto eu já sabia o quanto ela era desorganizada e displicente, então é claro que esta seria uma das minhas obrigações de agora em diante.

- Eu sei, por outro lado, sou responsável pela sua agenda e por fazê-la cumprir os compromissos. Meu início neste emprego seria um fiasco se você atrasasse nossa viagem porque não conseguiu organizar a sua mala a tempo - sorri inocentemente para ela, que sorriu de volta. - Ou então, se por causa da falta de tempo, você não levasse o mais adequado.

- Nesse caso, fique à vontade, meu quarto é aqui ao lado - indicou o caminho com a mão.

Eu hesitei um momento, pensando na informação que tinha acabado de receber.

O quarto dela era ao lado do meu, isso seria no mínimo constrangedor e no máximo uma tentação muito perigosa, exatamente o que não deveria acontecer.

Fechei a mala imaginando que estava

fechando o meu coração e aproveitei para lacrá-lo.

Fui ao quarto de Dinah, que era tão lindo quanto o meu. Percebi que sua varanda o ligava a minha, separados apenas por um pequeno muro com espaço para flores.

Ela me indicou o

caminho para o closet informando-me a respeito das suas preferências. Enquanto eu arrumava a mala, minha chefe aproveitou para tomar um banho. Rezei para que demorasse o suficiente para eu terminar tudo e ir embora.

Para o meu azar, não foi o que aconteceu.

Quando estava acabando de arrumar as roupas dentro da mala, ela saiu do banheiro só de toalha. Foi involuntário. Meus olhos percorreram todo o seu corpo.

Fiquei maravilhada com tanta perfeição.

Dinah era exatamente o meu padrão de beleza feminina.

Um corpo harmonioso, com músculos muito bem definidos, sem exageros, o que não a deixava perder a forma magra. Seus seios e abdômen eram o retrato da perfeição, uma estátua de uma deusa grega não faria jus a tanta perfeição.

Um caminho guiado por pelos levaram meus olhos até o limite da toalha; fiquei constrangida com a minha indiscrição e imediatamente desviei o olhar.

Ela sorriu de maneira fantástica, me prendendo cada vez mais aos seus encantos, e veio em minha direção. Dinah Hansen sabia que eu estava encantada e essa ideia me atirou ao poço.

Fechei os olhos e abaixei a cabeça. O que ela ia fazer? Sua mão roçou de leve o meu rosto e o toque de sua pele na minha lançou chamas pelo corpo inteiro. Isso era tão absurdo! Nunca tinha deixado ninguém me desarmar dessa forma. Nunca a minha pele havia se comportado assim.

Onde estavam as minhas defesas?

De repente a imagem da minha mãe deitada em sua cama, chorando a tristeza de mais uma decepção invadiu a minha mente.

Então consegui me lembrar de por que deveria de fugir desses sentimentos e sensações. Antes que ela dissesse qualquer coisa, me virei em direção à porta.

- Está tudo pronto. Preciso ir agora. Vou começar a organizar a agenda e analisar as propostas - quase corri.

Ouvi a sua risada baixa antes de bater a porta atrás de mim.

Fui direto para o meu quarto e me tranquei lá pelo resto do dia.

Não saí nem para comer, com medo do que poderia acontecer.

Repensei todas as formas de reerguer as minhas barreiras e, pela manhã, já estava mais fortalecida para enfrentar aquela batalha. O pior era que teria de lutar contra mim mesma.

Contra o meu corpo.


Notas Finais


E ai continua?


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