História Segredos - Norminah G!p - Capítulo 3


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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren, Laurinah, Laurmani, Normally, Norminah, Trolly
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Palavras 6.706
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Mistério, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura ;)

Capítulo 3 - Capitulo 3


Um Passo Errado

VISÃO DE NORMANI

Estava dando tudo certo na viagem. Todos os compromissos foram cumpridos e os rapazes conseguiram fazer ótimos contatos.
Executamos um bom trabalho.
Eu começava a me sentir mais à vontade com a equipe, mesmo sendo ela composta em maioria  por homens com exceção de Dinah.
No geral eles estavam me respeitando, tirando as brincadeiras sem propósito do Kendel, além das investidas sutis de Dinah todas as manhãs, na hora em que eu ia acordá-la, o que sempre era uma tentação para mim; o balanço era bastante favorável.
Havia me aproximado bastante de Alfredo.
Por isso ele passou a me acompanhar nas corridas matinais, um grande avanço, afinal, normalmente eu defendia o direito de ter esse tempo só para mim.

— Não precisa ficar preocupada por se aproximar de mim, Mani— Alfredo puxou a conversa no nosso primeiro dia de viagem.

— Como assim?

— Você não precisa ficar tão tensa perto de mim. Eu não vou fazer o mesmo que eles estão fazendo com você. Não tenho o menor interesse nissvidc seu sorriso era revelador e fiquei me questionando do que ele poderia estar falando, sem conseguir me situar.

— Desculpe-me Alfredo, continuo sem entender do que você está falando. Não fico tensa com nenhum de vocês, só não gosto que confundam as coisas. Estamos trabalhando e não em uma festa.

— É exatamente disso que estou falando. Mesmo em uma festa eu não daria em cima de você — dei risada. — Mani , eu sou gay.

Parei de organizar os documentos que tinha em mãos e voltei, chocada, meus olhos para ele.
Nunca tive problemas com homossexuais, muito pelo contrário. Eu tinha alguns amigos gays e eu mesma era bi isso nunca fez a menor diferença para mim.
Mas sua revelação me pegou de surpresa.
Nunca passou pela minha cabeça que Alfredo estive incluso neste grupo. Ele não tinha nenhum trejeito, nunca deu a menor pista.

— Você tem algo contra? — Ele recuou diante da minha reação.

— Não. Sou contra políticos corruptos, estupradores e pedófilos. Para mim homossexuais, bissexuais e heterossexuais são a mesma coisa, só que com opções sexuais opostas.

Voltei a minha atenção para os documentos.
Depois desta conversa nunca mais nos afastamos.
Alfredo me fazia relaxar, eu não sabia bem o porquê, talvez fosse pelo fato dele ser gay, o que eliminava qualquer possibilidade de ser mais um a me paquerar.
Nós nos dávamos muito bem e não tive dificuldades em abrir a minha vida para ele, que às vezes me compreendia melhor que eu mesma. Era muito fácil ficar ao seu lado.
No final das contas, até me sentia mais protegida dos outros dois.
Fredo era o tipo de amigo bem amigo, ou seja, quando gostava de alguém, era totalmente leal. Assim, passei a me comportar como ele.
Sempre que a agenda nos permitia, eu corria para o seu lado, procurando coisas divertidas e interessantes para fazermos juntos.
Também estava mais próxima da Dinah, principalmente pela necessidade de estarmos sempre juntas devido ao trabalho, que era mais forte do que pela afinidade em si.
De certa forma ela me irritava muito. Não sei se porque fazia questão de ser uma idiota conquistadora e adorar o fato das mulheres se derreterem por seus encantos, o que era verdade, ou se era porque exercia um efeito forte sobre mim.
Frequentemente me desconcentrava quando ela ficava me encarando com seus olhos olhos castanhos e imensos, ou fazia-me esquecer do que estava falando quando sorria daquele jeito cinematográfico, ou deixava minha pele arrepiada quando se aproximava muito.
O contato, então, nem se fala, cada toque era uma onda de calor que me deixava maluca.
Fredo falava que existia uma tensão sexual tão grande entre nós duas que era quase palpável.
Eu fingia não perceber, mas admito que minhas tentativas eram todas um fracasso.
Isso me deixava cada vez mais irritada.
Dinah sabia o quanto mexia comigo e se divertia com essa realidade. Tentava ser o mais forte possível, no entanto isso exigia o máximo da minha concentração. Era desgastante. Declinei a todos os convites deles para sair durante a viagem.
Mesmo quando era Alfredo quem me convidava.
Eu sabia era um pedido da Dinah, então rejeitava.
Fora do trabalho ela teria todas as oportunidades e eu não poderia deixar nada acontecer.
Precisava me manter concentrada e focada, pois esse trabalho era importante demais.
Estava gostando muito. Até então, a fama de mulherenga da minha chefe era apenas histórias, fatos que tinham ocorrido antes de mim.
Até que, numa manhã, quando fui acordá-la, como de hábito, deparei com ela já na sala, o que não era normal.
Dinah sempre ficava dormindo até a minha chegada. Às vezes, eu achava que era apenas para tentar me seduzir. Vestia apenas uma bermuda e top e fumava um cigarro encostada à janela.
Olhei-a questionando o porquê da mudança, quando ela coçou a cabeça um pouco sem graça, sem sustentar o meu olhar.
Antes que eu conseguisse dizer qualquer coisa, ouvi a porta se abrir. Então vi uma mulher escultural sair do seu quarto, vestindo apenas sua camisa azul. A mesma que eu tanto havia gostado em outro momento. Meu sangue sumiu do corpo.
Fiquei parada onde estava, em choque, enquanto ela se dirigia a ela sem se preocupar com a minha presença.
Notei que minha chefe me olhava esperando alguma reação, porém não consegui esboçar nenhuma. Permaneci imóvel, enquanto a mulher beijava os lábios dela e se enroscava em seu corpo.
Ela correspondeu apaixonadamente. Parecia um casal de verdade, tamanha era a intimidade das duas.

— Agora eu preciso trabalhar, linda — Dinah falava de forma melosa.
Eu tinha certeza de que elas mal se conheciam. Ela apontou para mim e ela finalmente percebeu que havia mais alguém no quarto.

— Vejo você ainda? — A mulher buscava nela algo a que pudesse se apegar e ter esperanças.

— Claro! Eu ligo mais tarde — ela estava sorrindo para ela do mesmo jeito que me dava todas as manhãs.

Era tão ridículo!
Como Dinah podia iludir a garota daquela forma?
O pior de tudo, como. ela podia aceitar ser enganada?
Em que mundo aquela mulher vivia, que não lia o que a imprensa publicava a respeito dela?
Ela voltou ao quarto e em poucos minutos saiu pronta para ir embora. Não trocamos uma só palavra enquanto a “vítima” permaneceu lá. Tentei afugentar a minha irritação. Não sei por que isso me incomodava tanto.
Não esperava que ela estivesse apaixonado por mim. Nunca havia acontecido nada entre nós. Tirando suas investidas, não havíamos nos relacionado de outra forma que não fosse profissional.
Mesmo assim, estava visivelmente abalada.
Toda aquela situação serviu para me apegar ainda mais ao que tanto defendia para a minha vida: realmente não valia a pena confiar no amor, ele só trazia desgosto e sofrimento.
Esta garota com certeza seria mais uma pobre coitada que iria amargar uma eterna espera por um telefonema.

— Desculpe pelo constrangimento, Mani, pensei que ela iria embora antes de você chegar — iniciou as justificativas assim que a garota foi embora. Sua voz era tão casual que parecia que estava se desculpando por um atraso, ou um esbarrão. Ela não se incomodava com o fato de estar mostrando quem realmente era.

— Não precisa se desculpar — fui fria. — Também não precisa tentar varrer a sua sujeira para debaixo do tapete. Eu sei perfeitamente que tipo de pessoa você é. Conheço seu histórico com as mulheres, Dinah. E estou pouco me preocupando com quem você leva para sua cama. Apenas quero que esteja pronta para trabalhar quando eu chegar. Isso é o mínimo que poderia fazer para facilitar meu trabalho — não devia responder daquela forma, nem tinha motivos para agir desta maneira, mas não consegui fazer diferente.

— Mani, vá com calma. Qual é o seu problema?

Virei a cara fingindo não me importar com o que ela estava dizendo. Ela adorou a minha reação. Encarou como um incentivo às suas investidas.

— Não acredito que está com ciúmes. Seria bem melhor se fosse você no lugar dela, mas você continua insistindo no tal “assédio sexual” — o que ela estava pensando?

— Eu? Isso, na menor das hipóteses, é ridículo, Dinah. Mesmo se você não fosse a minha chefe, não me prestaria a um papel desses. Só mesmo uma imbecil com silicone no cérebro para cair na sua conversa — estava a ponto de explodir.

Ela gargalhou com a minha resposta, o que me deixou ainda mais irritada.

— Eu sei, não se irrite, só estou brincando. É lógico que você é bem melhor do que ela e nunca se submeteria a esse papel e eu juro que te ligaria no dia seguinte —ela me envolveu pela cintura com seus braços e ficou bem próximo do meu rosto, ainda rindo.

— Eu posso sentir o perfume dela em você, Dinah. Garanto que é bem barato e enjoativo — fiz cara de nojo. — Tire as suas mãos de mim.

— Relaxe, Mani, só estou me divertindo com sua irritação.

— É. Você é bem irritante mesmo. E inconveniente também — ela se afastou rindo e foi em direção ao quarto para tomar banho.

Voltou vinte minutos depois, como se nada tivesse acontecido.
Resolvi deixar a minha raiva de lado e me dedicar exclusivamente ao trabalho.
Foi o que fiz o restante da semana, tentando manter distância do episódio.
Em uma semana, já tinha feito tantos contatos que poderia modificar definitivamente a minha vida.
Era tudo o que eu queria.
Então precisava me concentrar no trabalho.
O incidente com Dinah já não me incomodava mais, ou quem sabe eu tentava não me preocupar com ela. Principalmente porque depois disso, não a vi com mais ninguém, o que facilitava o nosso entendimento.
Ela estava sendo bastante atenciosa, claro que de maneira profissional, mas era atenção e eu estava gostando. Pelo menos não teria que me deparar com uma garota diferente a cada dia quando fosse acordá-la.
Para minha surpresa, Dinah era muito profissional e levava a sério o seu trabalho.
Não precisava falar duas vezes, pois ela entendia rapidamente o que era necessário se adaptando a qualquer realidade.
Era também bastante tranquila, bem diferente da mulher farrista que aparecia nas revistas.
Muitas vezes se contentava em ficar jogando videogame no seu quarto, ou em conversar com amigos por telefone. Entendia que nem sempre era possível ter uma vida normal. Frequentemente era obrigada a ficar no hotel enquanto todos saíam para se divertir e isso não parecia ser um problema. Comecei a simpatizar mais com a minha chefe.

Foi assim certa tarde, quando não tínhamos nenhum compromisso e todos resolveram sair para se divertir, cada um do seu jeito.
Fredo estava todo eufórico, pois iria se encontrar com um amigo com quem já tivera um relacionamento. Ajudei um amigo a escolher a roupa mais adequada para a ocasião e o acompanhei até o elevador, desejando-lhe sorte.
Fui em direção ao meu quarto, pensando no livro que havia comprado e que planejava passar a tarde toda lendo.
Quando passei pela porta do quarto da Dinah, que estava aberta, a vi sentada em frente à TV muito concentrada em seu jogo.
Fiquei observando-a por um breve instante, enquanto ela não percebia a minha presença.
Tive a sensação de que estava se sentindo sozinha, por isso se escondia atrás dos jogos de videogame.
Resolvi esquecer o livro e lhe fazer companhia, envolvida por uma culpa que sabia não ser minha.
Bati na porta de leve e ela olhou rapidamente em minha direção. Voltou para pausar o jogo e, logo, estava olhando para mim outra vez.

— Mani. Pensei que você estivesse aproveitando sua folga.

— Pois é. Eu não tinha nada para fazer, então resolvi ficar no hotel.

— Fredo foi ver o namorado dele e te deixou sozinha — jogou a verdade em minha cara.

Dinah não tinha muito cuidado em falar a verdade às pessoas. No geral era ruim, mas para mim era até muito bom. Eu sempre preferia a verdade à mentira, mesmo que doesse. Mesmo tendo aprendido com a minha mãe que ser verdadeira demais era falta de educação. Então tentava encontrar um equilíbrio entre ser verdadeira e cortês ao mesmo tempo com as pessoas.

— Isso. Agora estou me sentindo rejeitada — acrescentei, fingindo-me ressentida com o fato.

— Ah! Tudo bem. Pode ficar comigo —ela tinha percebido a minha brincadeira e entrou rapidamente no clima.

— Não sei. Tem alguma modelo esquelética escondida no seu quarto? — Dinah deu uma gargalhada. 

— Não. Hoje não. Também estou me sentindo rejeitada por isso — foi a minha vez de gargalhar. Fui em direção ao sofá em que ela estava e me sentei ao seu lado.

— Talvez, se você realmente ligasse para uma delas, teria com quem dividir sua tarde.

— Bem. Talvez seja verdade. Mas eu tenho você. Então está tudo bem — tive que rir. Peguei o outro controle insinuando que também iria jogar.

— Sabe jogar?

— Eu aprendo rápido — pisquei para ela.

— Tudo bem então... Boa sorte!

Jogamos a tarde toda e quando o pessoal chegou, nos encontrou no quarto em meio a uma disputa repleta de brincadeiras e empurrões, um tentando desconcentrar o outro. Rimos muito.
Olhando de fora, parecíamos duass amigas de infância. Talvez fosse possível.
Se eu me aproximasse dela dessa forma, poderíamos ser somente amigas e todo nosso problema de relacionamento acabaria.
Desejei isso fervorosamente. Seria o melhor para todos.
Na viagem de volta, sentamos lado a lado e tivemos uma conversa animada sobre música; ambas adorávamos.
Não quis contar que tocava violão e guitarra, essa era uma parte da minha vida que reservava para poucos.
O fato de Dinah também gostar de música animou as coisas entre nós.
Já havia percebido que ela sempre estava com fones nos ouvidos, mas eu ligava isso à sua necessidade de se distanciar um pouco do mundo ao seu redor.
Conversamos muito sobre nossos gostos.
Ela era mais voltada para ritmos mais antigos, o que me surpreendeu bastante. Pensei que gostasse de coisas mais modernas, como o que tocava nos bares e nas boates que ela frequentava. Mas Dinah curtia soul. Eu era eclética, a música sempre seguia o meu estado de espírito.
Ela disse que isso era muito interessante e ficou surpresa quando soube que eu conhecia alguns dos seus músicos prediletos e que gostava muito.
Passamos a viagem toda dividindo seus fones para podermos ouvir as mesmas músicas e comentar sobre elas.
A facilidade de estar ao seu lado, naquele momento, tinha me pegado de surpresa. Fiquei envergonhada por ter tido pensamentos tão ruins a respeito da sua personalidade.
Na verdade, após conseguir ultrapassar o véu sob o qual se escondia para dar espaço ao artista de cinema, pude ver uma pessoa muito interessante e inteligente. Mas isso era tudo o que eu me permitiria enxergar. Eu tinha medo de avião e comentei com ela em meio à nossa conversa animada.

— É o meio de transporte mais seguro – revirou os olhos para a minha revelação.

— Se você pensa assim...

— As estatísticas apontam isso. É uma realidade, Mani. Você deveria relaxar.

— Desculpe, mas não consigo. Não é uma coisa que consiga controlar. Eu tenho medo, e pronto.

— Me dê pelo menos um motivo  — Dinah ria do meu medo.

— Só em janeiro deste ano, tivemos dois acidentes de avião. Um em d’Ivoire Cotê no Oceano Atlântico, com 169 vítimas e outro na costa da Califórnia, com 88 mortos. Ela ficou me encarando, apavorada. Achei graça da sua reação.

— Estamos no ar agora, sabia?

— Você perguntou.

— Mas não era para você me apavorar — dei risada e me senti mais relaxada, agora que podia dividir o meu medo com alguém.

Sempre que o avião começava a aterrissar, eu ficava apreensiva. Percebendo o meu estado, Dinah segurou minha mão com força transmitindo confiança e segurança. “Como se ela fosse capaz de impedir o pior, caso o avião caísse”, pensei, com ironia.
Porém, o contato entre nossas mãos realmente teve efeito calmante, fazendo com que meu coração se tranquilizasse. Ela continuou a nossa conversa, prendendo a minha atenção, quando percebi, o avião já estava pousando.
Agradeci mentalmente por esse momento.
Com certeza a partir de agora eu sempre tentaria viajar ao seu lado.
Estávamos de volta a Los Angeles.
Eu estava extasiada.
Apesar de não ser a minha terra natal, era o lugar que havia adotado como casa. Amava estar de volta a minha realidade.
Por isso, assim que cheguei liguei para as minhas amigas.
Queria sair, revê-las, matar a saudade e conversar sobre as minhas novidades, ou seja, me sentir um pouco fora do trabalho.
A rotina exigida pela nossa agenda não deixava espaço para que pudesse ter a minha própria vida, exceto quando conseguia ficar trancada no meu quarto, o que era raro.
Elas também queriam me ver, então marcamos num restaurante japonês e, depois de jantarmos, iríamos a uma boate nova, inaugurada no último fim de semana que era a sensação do momento, como minhas amigas me informaram.
Coloquei um vestido justo, um pouco curto que abria na região dos quadris sem revelar muito, só insinuando. Completei o visual com saltos finos, bem altos.
Senti uma imensa satisfação em poder me vestir assim. Era mais uma forma de resgatar a minha vida.
As roupas tinham se tornado um problema desde que passei a trabalhar com Dinah, então aproveitei a sua ausência e abusei do termo “sexy”.
Antes de sair, fui ao seu quarto verificar se precisava de alguma coisa.
Ela estava no banho, graças a Deus, assim minha chefe não precisaria ver como eu estava vestida.
Cheguei próximo à porta para avisar que estava de saída, como ela não precisava de nada, fui embora.
As meninas estavam eufóricas com meu novo trabalho. Queriam saber tudo, cada pequeno detalhe. Principalmente os que envolviam Dinah e eu.
Contei que estávamos nos tornando boas amigas e que, com exceção de alguns acontecimentos, tudo tinha dado certo.
Não podia revelar detalhes, principalmente as informações que só diziam respeito à equipe e que não podiam vazar.
Zendaya era a mais curiosa de todas, tentava a todo custo arrancar algumas confissões.
Respondi com sutileza a cada pergunta, para que não ficasse decepcionada comigo.
Quando minha amiga já estava forçando muito a barra, Lauren me salvou com a ideia de irmos logo para a boate, onde o som seria alto e eu não teria mais que aguentar a inquirição. Fiz questão de dançar o tempo todo. Estava saudosa, mas as meninas, mais uma vez, quiseram se divertir às minhas custas tentando me embebedar.

— Não, Jilly. Não vou mais beber com vocês, da última vez pensei que tinha transado com Lauren , você pode imaginar a minha cara quando acordei? — Eu ria de mim mesma junto com as minhas amigas.

— Ah, vamos lá, Mani! É só para você ficar mais divertida — ela colocou uma bebida rosa em minha mão. — Essa é bem fraquinha, você nem vai sentir. Beba. É simplesmente a bebida perfeita para você.

Peguei o copo, hesitando um pouco. Beber era sempre um problema para mim. Precisava me sentir em segurança para aceitar passar por aquilo, principalmente porque teria que voltar para casa. Seria horrível estar bêbada na presença da Dinah outra vez.

— Lauren, faça a sua promessa.

Lauren levantou a mão solenemente, como se estivesse jurando diante de uma bíblia.

— Eu juro protegê-la contra tudo e contra todos e, desta vez, não me aproveitar para transar com você — caímos todas na gargalhada e fomos dançar.

Estava adorando estar com elas, e felicidade refletia em minhas atitudes. Eu dançava de maneira livre, curtindo apenas o som que parecia entrar em meu corpo, me conduzindo. Estar com meus novos colegas de trabalho tinha se transformado em um prazer, e o trabalho não era tão maçante como imaginava que seria, principalmente em relação ao nível de relacionamento com o pessoal. Alfredo era um excelente companheiro, mas em nenhum momento foi como estar com as minhas amigas.
Por este motivo fiquei completamente extasiada naquela noite.
Quando estava no meio da pista de dança, senti alguém me abraçar por trás e falar em meu ouvido:

— Você está lindíssima hoje!

Reconheci a voz de Alfredo e relaxei em seus braços.
Virei abraçando-o, sem deixar de dançar, feliz por ele estar ali.
Nós sempre conversávamos sobre este tipo de programa e combinávamos sair juntos algum dia, sem os demais colegas, é claro!
Meu amigo estar comigo, completava a noite.
Eu queria que as meninas o conhecessem e que ele conhecesse as minhas amigas.
Agora estava tudo perfeito.

— Meninas, este é Alfredo, de quem falei durante quase todo o jantar. Ele tem sido meu. companheiro nesses últimos dias. É o meu anjinho da guarda — sorri carinhosamente, retribuindo todos os momentos bons que tínhamos passado durante a nossa viagem.

As meninas se apresentaram, entusiasmadas.
Notei que Lauren se identificou com ele na mesma hora.
Ficamos dançando e tentando conversar ao mesmo tempo. Alfredo era que nem eu, adorava dançar, curtia uma balada como a que estávamos.
Eu sentia que nos divertiríamos a noite inteira. Ledo engano.
Antes de Laur e Alfredo engatarem uma conversa sobre moda, assunto do interesse de ambos, ele virou em minha direção apontando para o andar de cima, reservado para vips, chamando a minha atenção para quem estava lá.

Dinah!

Meu coração quase parou.
Fixei os olhos naquela figura admirável, exatamente na hora em que o álcool começou a se apossar de meu corpo, confundindo a minha mente.
Kendel sorria como se eu estivesse aprontando alguma coisa.
Senti-me subitamente incomodada. Quem ele pensava que era? Meu pai? Virei para sair da pista e fui sentar em um banco próximo ao bar, sentindo a cabeça girar um pouco.
As batidas fortes, descompassados, do meu coração me impediam de raciocinar.
Ela estava ali.
Isso me deixava feliz, constatei.
Como era possível? Eu havia passado a noite inteira agradecendo por poder me livrar dela e agora estava fascinada com a sua presença.
Só podia mesmo estar bêbada, era impossível que me alegrasse com esse fato se o álcool não estivesse fazendo efeito.

Fui tirada de meus pensamentos por Alfredo, que se aproximou para avisar que Dinah tinha nos convidado a subir.
Eu negaria na hora se tivesse condições de continuar fugindo, mas as meninas praticamente me imploraram, não permitindo recusa. Obedeci, muito sem graça, e subi para falar com ela.

— Oi, chefe! — cumprimentei-a, brincando. — Vou fazer hora extra?

Dinah me olhou dos pés à cabeça soltando um suspiro um tanto quanto exagerado. Depois sorriu.

— Então é por isso que você nunca quis sair comigo? — Estávamos bem próximos, mas ela falava praticamente em meu ouvido por causa da música alta.

— Isso o que?

Do que ela estava falando? Das minhas amigas? Será que teria a cara de pau de sair com alguma delas?

— Para poder estar tão linda e me impedir de ficar na sua cola?

Não consegui deixar de sorrir. Tenho de admitir que um grande alívio tomou conta do meu coração.

— Não estamos trabalhando agora, então você não pode caracterizar minhas palavras como assedio sexual.

— É... Acho que não posso.

Como eu poderia? Minhas defesas estavam todas baixas. A música estava rolando.
Permiti que o ritmo me levasse.
Era uma forma de protelar o que sabia que iria acontecer.
Enquanto estivéssemos dançando eu conseguiria mantê-la distante. Por um breve momento me esqueci de que estava com meus colegas de trabalho. Com a minha chefe.
Queria apenas dançar, deixar a música entrar em mim e ditar as suas regras.
Fui me entregando sem me preocupar em abrir os olhos.
Tinha consciência quem estava me olhando, além de saber que outros estavam dançando junto comigo, mas nem isso me incomodava.
Não me importava com mais nada, só queria seguir o ritmo, me deixar levar.
E assim fiquei sem perceber o tempo passar.
Quando voltei a realidade, vi um lindo par de olhos castanhos me encarando.
Mergulhei de cabeça naquele olhar. Era completamente envolvente. Prendia-me.
O desejo estava presente nas duas direções.
Como Alfredo dizia: era praticamente palpável.
Tinha algo de animal em Dinah, em sua postura pronta para me atacar, algo que me fazia sentir uma presa, a sua presa.
No entanto, eu não sentia medo, muito pelo contrário. Nunca em nenhuma história vira uma presa desejar tanto o seu predador. Continuei dançando sem desviar o olhar.
Eu dançava somente para ela. Não existia mais ninguém, apenas nós duas. Meu corpo era um convite, não podia mais evitar, era forte demais e não tinha mais barreiras para nos impedir.
Dinah estava sentada em um banco alto, segurando sua bebida, próximo a pista e muito perto de mim.
Antes que eu pudesse reagir, ela levantou dando um passo rápido em minha direção.
Em um segundo, seu corpo estava tão colado ao meu que me fazia sentir o seu calor.
Minha chefe acompanhava os meus passos lentos e sensuais sem desviar o olhar.
Suas mãos correram por minhas costas nuas. Com agilidade, ela me virou, ficando às minhas costas.
Eu sentia a sua respiração em meu pescoço, a mão livre e firme, segurou em minha cintura me puxando para mais perto.
Nossos movimentos eram únicos, um só corpo, uma só vontade.
Ela mostrava o quanto me desejava fazendo com que um suspiro de satisfação escapasse de meus lábios. Pude senti-la rindo baixinho em minha orelha.
Dinah sabia que eu havia gostado. Quando a música estava quase acabando, sussurrou em meu ouvido:

— Aqui está quente demais. Vamos para algum lugar mais fresco — era uma ordem, reconheci pelo seu tom de voz.

O desejo não me deixou recusar.
Ela estava vencendo cada luta contra o medo, contra as regras que eu tinha imposto em minha vida.
Eu estava sendo impulsionada a continuar. Onde estavam as minhas barreiras?
Segurou minha mão, guiando-me por um corredor escuro.
Subimos a escada que dava para uma porta fechada.
Com uma das mãos ainda em minha cintura e, sem se afastar nem um centímetro do meu corpo, Dinah empurrou a porta.
Senti o vento no rosto.
Era revigorante. Estávamos no heliporto do prédio. Tão alto que não éramos vistos por mais ninguém.
O céu estava lindo e a lua cheia chamou a minha atenção.
Dei alguns passos para frente, absorta em sua beleza.

— Linda! — Fiquei encantada com imagem a minha frente.

— Quem?

— A lua. Perfeita! — Não me atrevi a olhar para ondondea estava.

— Desculpe — seu corpo se aproximou mais ainda do meu. — Não consegui perceber a presença dela. Não conseguiria nunca, com você por perto — segurou outra vez em minha cintura, sussurrando em meu ouvido: — Linda!

Estando um pouco mais lúcida, tentei mudar a situação.
Era necessário, apesar da recusa do meu corpo.
Virei de frente para ela, tentando explicar, mas fui surpreendida.
Dinah colocou uma das mãos em minha nuca, levantando o meu cabelo, puxando meu corpo completamente para ela e me beijou. Não tenho palavras para descrever o que eu senti nem a minha reação.
O beijo, a princípio foi delicado, como se estivesse querendo experimentar o que eu tinha para oferecer.
Foi absurdamente gostoso!
E breve. Porque depois a urgência caiu sobre nós dois. Ela me puxou ainda mais para si, exigindo, não apenas os meus lábios, mas também o meu corpo como um todo. Este reagia intensamente.
Quando seus lábios deixaram os meus, involuntariamente gemi.
Dinah adorou!
Continuou beijando o meu rosto, descendo até o pescoço. Cada parte do meu corpo se arrepiou com o contato da sua língua explorando a minha pele.
Ela sorriu com prazer quando percebeu e eu busquei os seus lábios mais uma vez, me agarrando em seus cabelos perfeitamente arrumados. Senti seus braços me levantarem com cuidado, girando-me, trocando de lugar comigo.
Fiquei sentada sobre alguma coisa, eliminando a diferença de tamanho entre nós; não conseguia identificar exatamente onde eu estava, mas também não tentei descobrir.
Logo ela se posicionou entre minhas pernas me puxando em sua direção. Senti todo o seu desejo entre as roupas que nos separavam.
Não foi surpresa para mim sentir seu volume, pois já sabia da sua interssexualidade.
Ela estava grudada em mim. Gemi mais uma vez, jogando a cabeça para trás e liberando os seus lábios.
Dinah também gemia baixinho.
Era delicioso ouvi-la!
Suas mãos tocavam meus ombros, procurando uma forma de aumentar o contato entre nossas peles.
Quando tocou o meu seio, mesmo sobre o vestido, meu corpo reagiu de imediato, fazendo com que eu sentisse como se estivesse pegando fogo. Ardia, queimava, mas não machucava de forma alguma.
Agarrei-me ainda mais a ela, que aproveitou para me deitar em algo frio, juntando-se a mim.
Minha respiração estava irregular. Eu ofegava e ela também.
Dinah desceu a mão e acariciou minha coxa. Primeiro por fora, no entanto, logo depois buscou pela parte interna.
Meus olhos se fecharam de tanto prazer quando ela subiu por dentro de meu vestido. Eu estava em puro êxtase. Senti quando agarrou a lateral da minha calcinha e, muito sutilmente, tentou puxá-la para baixo.
Foi neste momento que o medo venceu a batalha contra o desejo. Eu voltei à realidade imediatamente.

— Não. Pare! — Pedi, apreensiva.

— Relaxe! Ninguém está nos vendo — sua voz estava carregada de desejo.

Dinah voltou a me beijar calorosamente, mas eu já estava tensa demais. Afastei-a e levantei, endireitando meu vestido.

— O que há com você? — Ela tentou segurar meu braço, porém nem olhei para trás, levantando instantaneamente. Precisava fugir dali. Tinha que fugir dela.

— Você nunca vai entender. Isso é um erro!

Fui embora sem me preocupar com Dinah ou com qualquer outra pessoa. Estava tão envergonhada que as lágrimas escorriam pelo meu rosto sem nenhum esforço.
Consegui sair pelos fundos, chamei um taxi e dei o endereço.
Chorei durante todo o percurso. Quando cheguei em casa mandei uma mensagem para o celular de Lauren, avisando que estava tudo bem e que ligaria depois explicando tudo.
Corri para o quarto procurando asilo e conforto. Eu sabia que não iria encontrar. A ameaça estava dentro de mim.
O que eu tinha feito? Como pude permitir o que aconteceu? Chorava copiosamente.
O desejo que sentia por ela doía em meu corpo que exigia desesperadamente por mais.
Ao mesmo tempo, a consciência gritava um alerta de que eu estava jogando tudo fora.
Ela me fazia lembrar que ela era uma conquistadora, que seria apenas mais uma das mulheres de sua coleção e era a mais pura verdade.
O pior de tudo era o fato dela ser a minha chefe.
Uma pessoa com quem deveria lidar todos os dias, independentemente do que acontecesse.
No que eu estava pensando? Nós trabalhávamos juntas.
Como poderia evitá-la? Eu teria de ir embora.
Mas não queria.
Gostava do trabalho, gostava do salário e gostava dolorosamente dela. O que fazer? O que estava acontecendo comigo?
Nunca me permitira esse tipo de descontrole. Também nunca havia sentido o que senti com ela.
Aos 23 anos, estava perdendo o controle da minha mente e o que era muito pior, do meu corpo.

VISÃO DE DINAH

Cheguei em casa procurando por ela. O que tinha dado naquela doida?
Em um momento me quer, me exige e logo depois dá a louca e vai embora. Simplesmente desaparece.
Eu queria uma explicação plausível para tal atitude.
A garota fugiu sem ao menos falar com as amigas.
Tentei alcançá-la, no entanto Normani foi mais rápida e sumiu.
Ninguém conseguiu encontrá-la. Estava com muita raiva, contudo, apesar disso, ainda a queria.
Muito!
Nunca havia sentido o que senti com ela.
O desejo foi tão forte que me dominou completamente.
Eu, que sempre procurei ser discreta, iria transar ali mesmo se ela permitisse.
Queria aquela mulher desesperadamente e tinha consciência disso. Meu corpo exigia o dela.
Fui até o seu quarto tentando abrir a porta. Estava trancada.
Meus olhos captaram a luz fraca que saía por baixo da porta.
“O abajur”, pensei.
Por diversas noites percebi essa mesma luz sair por baixo da sua porta.
Constatei que era assim que ela dormia.
Bati de leve, na esperança de Mani aparecer, porém não obtive resposta. Sabia que ela estava lá, então chamei, tentando manter minha voz baixa. Meu corpo pegava fogo.
Eu precisava dela, de mais ninguém. E precisava naquele momento. 

VISÃO DE NORMANI

Ouvi os passos no corredor e fiquei atenta.
Alguém tentou abrir a minha porta. Ainda bem que estava trancada.
Eu sabia que era ela e me obriguei a não abrir.
Não teria forças para detê-la. Não assim, com meu corpo tão descontrolado.
Ouvi quando ela bateu e me sentei no chão apoiada na parede ao lado. Tentei não fazer barulho.
Se ela percebesse que eu estava acordada iria exigir que abrisse e tinha certeza que obedeceria.
Fiquei calada.
As lágrimas ainda rolavam.
Quando Dinah chamou o meu nome baixinho, minha pele se arrepiou e meu corpo começou a exigir o dela. Há pouco tempo, aquela mesma voz falava ao meu ouvido, aqueles lábios estavam nos meus, em meu corpo.
A dor que as lembranças me causavam era insuportável.
Coloquei a cabeça entre os joelhos e chorei mais ainda.
O que estava acontecendo comigo?

VISÃO DE DINAH

Fui para o quarto dormir derrotada. Ela havia me rejeitado.
Como tinha conseguido frear o desejo que sentia por mim?
Como conseguiu controlar os sentimentos e o corpo?
Tinha sido forte para nós duas, disso eu estava certa.
Precisava saber o que tinha acontecido.
Por que Mani fugiu se também queria?
Nós teríamos que conversar sobre isso.
Era inevitável.
Era importante saber o que fazer com relação a tudo.
Mesmo sabendo que meu desejo era mais forte do que qualquer drama de consciência eu sabia que, dependendo do que ela quisesse para nós duas, poderia gerar um grande conflito em nosso trabalho.
Já tinha vivido isso e conhecia todos os riscos. Mesmo assim a queria mais do que qualquer outra coisa.
Peguei no sono vencida pelo cansaço, meu corpo ardia de desejo e precisei apelar para um banho gelado.
Abri os olhos pela manhã e não acreditei no que estava vendo coisa. Mani estava sentada no pé da minha cama. Suas mãos seguravam alguma coisa que eu não conseguia ver.
De cabeça baixa ela parecia travar uma batalha interior.

— Mani?!

Chamei, ainda surpresa com a sua presença.
Meu coração batia mais forte. Será que ela havia mudado de ideia?
Toda a emoção da noite anterior veio à tona e meu corpo imediatamente exigiu que continuássemos de onde tínhamos parado abruptamente. Atendendo ao meu chamado, ela virou para me olhar.
Fiquei estática por um tempo.
Seus olhos estavam inchados e vermelhos, sinalizando que ela tinha chorado a noite inteira.

— Oi, Dinah!

Sua voz estava fraca, o que me comoveu.
Tive ímpeto de tomá-la nos braços e confortá-la.
Mas todas as minhas barreiras me impediam de dar a Mani mais do que a satisfação física de nossos desejos. Não podíamos nos envolver emocionalmente então fiquei imóvel, aguardando o que ela iria dizer.

— Eu não pretendia acordá-la. Desculpe-me! 

— Acho que precisamos conversar — sentei-me na cama. Graças a Deus havia dormido de short.

— É, também acho — Mani desviou o olhar para o que estava em sua mão.

— O que aconteceu ontem? Você fugiu sem dizer nada.

— Foi um erro, Dinah.

— Como assim foi um erro, Mani ? — Explodi. — Qual é o seu problema, hein? — Ela se chocou com a minha reação. Eu me arrependi imediatamente de ter explodido. Minha reação pareceu dar a ela mais força para defender a sua posição.

— O problema é que não acho certo isso acontecer entre nós dois. Você é minha chefe. Nós trabalhamos juntas...

— E daí? Por que trabalhamos juntas não podemos ter desejo uma pela outra? Eu quero você, não tenho como negar e, a julgar pelo seu comportamento ontem, você também me quer. Por que não podemos simplificar as coisas? Você é uma mulher, Mani, não é mais uma adolescente boba cheia de pudores e eu sou uma mulher. O que aconteceu entre nós, ou quase aconteceu, é natural, faz parte do mundo adulto, sabia? É perfeitamente normal em nosso meio.

Tentei fazê-la me olhar mas ela se levantou sem permitir.

— Eu sabia que não iríamos conseguir entrar num acordo — Mani olhou determinada em meus olhos. — Estou me demitindo — e estendeu um papel em minha direção.

Prendi a respiração.
Por que ela estava fazendo aquilo?
Fiquei olhando fixamente para suas mãos, pensando no que iria fazer. Minha mente estava a mil por hora. Não poderia deixá-la partir.
Estendi o braço para pegar a carta, então subitamente segurei a sua mão e a puxei para meus braços.

— Eu não posso deixar que se demita, Mani— segurei-a em meus braços enquanto ela se debatia tentando se soltar.

— Não faça isso, Dinah, me largue, por favor!

Sua voz estava tomada pela emoção. Eu a segurei em meu colo até que parasse de tentar fugir.
Quando estava mais calma, passei a mão pelos seus cabelos e acariciei o seu rosto com cuidado, procurando o seu olhar.
A garota chorava.
Meu coração doeu com a imagem.
Era difícil para Mani o que estava acontecendo.
Vê-la daquela forma só me deu a certeza de que ela também me queria, mas lutava bravamente contra seus sentimentos. Por quê?
A ideia de que não podermos nos relacionar porque trabalhamos juntos não é forte o suficiente para impedir o que estávamos sentindo, não por muito tempo.
Então, se fosse apenas isso, eu poderia aguardar o tempo necessário para que ela se sentisse mais à vontade. Principalmente porque sabia o quanto trabalhar comigo era importante para Mani e também o quanto o trabalho dela estava sendo importante para mim.

— Eu posso entender que não queira deixar acontecer nada entre nós duas, porém não posso deixá-la abrir mão de seus sonhos e objetivos. Não seria justo contigo, Mani. Me sentiria um monstro se aceitasse sua demissão.

Estava sendo verdadeira naquele momento. Não poderia permitir que ela abandonasse o que tanto almejou. Por mais que a desejasse, não era justo impor isso a ela.
Fiquei confusa com minha atitude. Era anormal eu abrir mão de algo ou de alguém que desejasse tanto, mas, estranhamente com ela era diferente. Eu me importava.
Gostava de estar ao seu lado.
Era uma excelente profissional e uma grande companheira de viagens. Depois que entrou para o grupo, parecia que o grupo tinha se fechado. Estávamos completos, perfeitos.
Era tão melhor trabalharmos desta forma.
Se Mani saísse, como seria? Senti um vazio se abrir em meu peito.

— Fique Mani!

Eu estava pedindo? Não acreditei no que estava fazendo.
Quem era aquela garota que conseguia quebrar todas as barreiras levantadas há tanto tempo por mim, e que eu julgava sólidas e intransponíveis?
Que desejo único era aquele?
Nunca tinha me sentido daquela forma.
Mesmo ali, em meio a tantas recusas, eu ainda a queria e muito.
O desejo lutava em meu corpo. Ficamos abraçadas por um tempo, enquanto minha assistente chorava em meu peito.
Depois ela sinalizou que sim com a cabeça.

— Dinah, se eu ficar, não podemos permitir que aconteça outra vez. Para mim é muito importante que seja assim. Eu não posso conviver com isso — Mani não estava exigindo, estava constatando um fato.

— O que faremos? Eu a desejo muito, Mani, como nunca desejei ninguém — acariciei seu rosto lindo com tanta emoção que não me reconhecia.

— Não sei. A única coisa que posso dizer agora é que não podemos ficar juntas.

— Por quê?

— Não se pode ter tudo na vida, Dinah. Você deve aceitar e se acostumar com isso. Ou vamos trabalhar juntas ou vamos nos relacionar fisicamente. Nunca poderemos fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Não daria certo. Eu decido por trabalharmos juntas e esquecermos o que aconteceu entre nós duas. 

Como ela podia ser tão racional? Agradeceria muito se tivesse restado um pouco da imprudência adolescente em sua personalidade.
O que senti foi muito forte. Continuava sendo muito forte.
Será que com ela não acontecia o mesmo?

— Mas você sentiu tanto quanto eu — fiquei desconfortável com a possibilidade dela não ter gostado de ficar comigo.

— Não tenho o direito nem a coragem de negar — alívio. — Mas não posso aceitar que esse desejo seja mais forte do que eu. A única coisa que quero é trabalhar em paz. Por favor, me ajude a fazer isso! Por favor! Esse trabalho é importante demais para mim.

Sua súplica me fez concordar. Eu não iria desistir dela, iria apenas dar um tempo. Havia perdido uma batalha, mas continuava na guerra.


Notas Finais


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