História Segredos da coroa - Capítulo 10


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 5.324
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura!! <3

Capítulo 10 - De Volta ao Lar


- Você sabia? Sabia sobre nós? Sabia de tudo e não contou nada? - perguntei com lágrimas nos olhos olhando para cima, pois ainda estava de joelhos e com o mesmo sangrando por causa do ferimento, perguntei antes que ele pudesse dizer alguma coisa.

- Desculpe, apenas não sabia como explicar, não deu tempo, aconteceu tudo muito rápido. Descobri que você era a princesa, minha prometida, mas logo depois fomos atacados e você se feriu, não consegui explicar… - disse ficando de joelhos também para me olhar nos olhos.

- Tudo bem, você tem razão, desculpe descontar em você. - disse baixando a cabeça envergonhada por ter acusado ele precipitadamente - Mas eu preciso entender melhor tudo isso, pode me explicar? - Charles abriu a boca para responder, porém fechou ao ouvir sua mãe dizer atrás de nós.

- Talvez eu possa. -  Pérola que tinha saído de casa para o campo em que estávamos e nos chamou - Venham, vou explicar, tem mais coisas que Charles também não sabe. Além de estar frio aqui fora e vocês estão sem agasalho.

Olhei para Charles e o mesmo parecia confuso, ele se levantou primeiro e estendeu a mão para me ajudar e percebeu a mancha de sangue no meu vestido:

- Isa! Sua perna, mãe, me ajuda! - Gritou Charles para Pérola que já estava na porta de casa e voltou correndo para me ajudar.

- Charles leve-a para dentro. - Mandou e prontamente Charles me pegou no colo.

Senti que a qualquer momento desmaiaria, mas assim que entramos em casa Charles me colocou com muito cuidado no sofá da pequena sala e se sentou do meu lado com uma expressão muito preocupada e seu pai estava do meu outro lado segurando minha mão tentando me manter acordada ou dando apoio, pois quando Pérola colocou um líquido estranho, que estava no interior de um dos frascos que ela pegou dentro do quarto que eu tinha despertado mais cedo, sobre o ferimento doeu muito e não pude conter um grito de agonia. Charles me abraçou com força, como se quisesse tirar a dor que estava sentindo e passasse para ele, me permiti por um momento fechar os olhos e relaxar em seus braços.

- Pronto querida, passou, pode abrir os olhos agora. Desculpe pela dor, mas isso vai curar mais rápido o ferimento. - disse Pérola, terminando de refazer o curativo, estranhei sua fala, mas estava sem forças para questionar.

- Tudo bem. - disse com a voz falha. E agradeci à Marcos pelo apoio enquanto ele ajudava a esposa a limpar os retalhos da faixa do curativo.

Olhei para Charles, e ele continuou me apertando com força, chamei ele e quando ele me olhou e eu sorri para ele, apesar da dor, e ele sorriu de volta. Confesso, meu estômago deu uma cambalhota e… admito, ficaria olhando para aquele sorriso para sempre se pudesse, mas infelizmente, muito cedo, o nosso contato visual foi quebrado quando seus pais voltaram para a sala.

Os pais de Charles se sentaram de frente para nós dois. E a mãe de Charles, Pérola achou melhor nós todos, principalmente eu, irmos descansar, mas insisti que estava bem para ouvir tudo e depois de muito argumento convenci ela a explicar tudo e ela começou:

- Eu vou contar tudo desde o ínicio. - respirou fundo e voltou alguns anos atrás… - Vivíamos em uma pequena aldeia um pouco mais distante do castelo, era simples mas abrigava apenas pessoas de bom coração, - estava prestes a perguntar como ela sabia que só haviam pessoas de bom coração quando ela respondeu minha pergunta antes de eu ter feito - eu vou explicar mais pra frente, querida, enfim, era um lugar feliz, parecia que estávamos em outro mundo, longe das cidades mais populosas. Era uma aldeia tão pacífica e tranquila que o rei Clemente vinha, na maioria das vezes apenas com a filha  e costumava passar o dia todo, de vez em quando ficava para jantar conosco. Éramos considerados os “líderes” da aldeia, e era uma honra receber o rei e sua família. - ela pausou para respirar e focou o olhar em Charles. - foi assim que a princesa e… e seu irmão se tornaram melhores amigos.

- O que?! Eu tenho um irmão?! - perguntou Charles se levantando do sofá surpreso.

- Meu filho, se acalme e deixe sua mãe terminar - pediu Marcos.

Charles parou por um instante e olhou para os pais, mas voltou a se sentar do meu lado e passou o braço por cima dos meus ombros e com a mão livre segurou a minha com força, eu tentei transmitir alguma calma apenas em segurar sua mão. Pérola respirou fundo e continuou:

- Toda vez que o rei e a filha chegavam seu irmão ficava tão feliz, ele e a princesa Isadora brincavam juntos o dia todo com as outras crianças e no fim da tarde eles vinham juntos comer biscoitos de canela que eu costumava fazer, depois a princesa e o rei iam embora para ainda poder jantar com a rainha. Um dia o rei deixou a princesa comigo e pediu para o seu pai acompanhar ele em uma cavalgada pela floresta e…

- Ele durante a cavalgada - continuou Marcos - perguntou se você já era comprometido com alguma dama da aldeia, eu respondi que não, pois você de fato não era. Então o rei ofereceu um acordo de que ele faria um decreto para que a ordem da princesa se casar apenas com um nobre fosse revogada e assim pudesse colocar alguém que ele teria certeza que não abandonaria a filha e nem seu reino quando chegasse a hora dela assumir o trono e esse alguém seria você. Não podia ser seu irmão, por mais que ele e a princesa fossem mais próximos, pois ele era da idade da princesa, para o conselho real aceitar o decreto deveria ser alguém no mínimo dois anos mais velho que ela, no caso, você. Disse para o rei que conversaria com a sua mãe sobre o assunto, pois sempre decidimos tudo juntos e na próxima visita dele teria a resposta.

- Ele aceitou, disse que caso concordássemos ele gostaria de observar você por um tempo, para ter total certeza e assim faria o decreto. - continuou Pérola - Infelizmente depois de um tempo, nosso acordo, de alguma forma chegou aos ouvidos do irmão do rei, Valentim, e ele com um pequeno grupo de mercenários vieram e destruíram toda a aldeia alguns meses antes da morte do rei Clemente. Quando ele invadiu a nossa casa e estava preste a matar você e seu pai eu intervi,mesmo sem saber quem era aquele homem na época; com seu irmão assustado nos meus braços pedi para que aquele homem estranho não fizesse nada com vocês e ele perguntou o que eu daria em troca...

POV’s Pérola

Flashback on

- Por favor! Eu te imploro! Deixe minha família em paz! Eu faço o que você quiser… - coloquei meu filho mais novo no chão e me ajoelhei aos pés daquele homem com um espada no pescoço do meu filho e pisando no meu marido, prendendo o mesmo no chão.

- E o que você poderia me dar que eu já não tenha, minha flor?

- Eu… - olhei meu marido antes de contar o maior segredo da minha vida e ele implorava apenas com o olhar para que eu não falasse - eu sou uma bruxa, posso apagar a memória de qualquer um, até dos meus filhos, de toda a aldeia, mas por favor não machuque minha família.

O homem que se parecia muito com o rei, me olhou bem e ficou pensativo, ao mesmo tempo que tirava a espada do pescoço de Charles e levantava o pé, libertando meu marido. 

- Muito bem, estou planejando algo muito grande para o reino de Trevália e agora que eu sei que tem uma bruxa aqui, pode me ajudar muito. Quero um veneno que não possa ser identificado, algo disfarçado. Depois que meu plano entrar em prática mandarei um mensageiro com as outras coisas que desejo, mas eu iria me despedindo de um dos seus filhos, pois irei querer um deles como garantia de que não fará nada contra mim.

- Não! Isso não!

- É isso, ou sua família morre e faço de você minha prisioneira para me servir pelo resto da vida. - disse segurando meu queixo forçando eu levantar a cabeça e olhar para ele, esperando uma resposta. Olhei para o meu marido e ele estava tão machucado e meus filhos tão assustados que me vi sem escolha a não ser…

- Eu. Aceito. - disse devagar pois cada palavra doía.

- Quero o veneno para hoje.

Preparei o veneno como ele pediu e coloquei em um frasco de remédio, entreguei e antes que ele saísse da casa perguntei:

- Qual o seu nome?

- Duque Valentim Bucler, futuro rei de Trevália. - assim ele deu um sorriso assombroso e se foi.

Flashback off

POV’s Isadora

Olhei paralisada para a mãe de Charles quando ela parou pra respirar e me deu uma olhada preocupada.

- Minha querida, você está bem? Está passando mal? Charles ela está pálida. - senti Charles me virando de frente para ele, mas estava entorpecida, não conseguindo controlar o pânico que crescia em mim, não estava conseguindo respirar. Mas consegui ouvi Charles falando comigo, me chacoalhando, ficando preocupado, vi ele olhando para o ferimento na minha perna para conferir se estava sangrando de novo. 

- Isa! Isa! Fala comigo, por favor!

-  Eu estou bem, só em choque com tudo isso. - consegui dizer, tentando disfarçar e ao mesmo tempo me acalmar.

Mas a verdade é que eu não estava bem, nem um pouco, e acho que Charles percebeu, apenas ele sabe o quanto toda essa história mexe comigo, seus pais não sabem que sou a princesa Isadora, não tive a oportunidade de contar ainda.  A mãe de Charles é uma bruxa e ela deu um veneno ao meu tio quando ele já planejava derrubar o meu pai. Não a culpo, ela não sabia quem era antes de entregar o veneno para Valentim, e foi assim que ele matou o meu pai, mas ele mataria meu pai com ou sem veneno, tenho certeza. 

- Desculpa, só fiquei… assustada com tudo o que a senhora contou, ainda mais pela senhora ser…

- Uma bruxa? Ora, querida, não há nada com que se preocupar. Eu sou uma bruxa boa, uso a magia apenas para ajudar os outros, para o resto da aldeia eu sou uma curandeira muito boa. - disse rindo, tentando deixar o clima menos pesado. - Tem mais coisa para explicar, posso continuar? Ou prefere deixar para amanhã?

- É melhor continuar, não vou conseguir dormir de qualquer forma. - disse dando um sorriso de leve.

- Muito bem, depois que o irmão do rei se foi e nós quatro nos abraçamos e respiramos fundo, fomos ver se alguém precisava de ajuda, assim que saímos de casa o que vimos partiu meu coração, tinham incêndios por todo lado, crianças chorando pelos pais que foram mortos por resistirem, alguns homens corriam de casa em casa para tentar salvar alguma coisa, roupas de frio, pois estávamos no inverno, comida e armas, pois por mais que fossemos pacíficos precisávamos nos defender de alguma forma, Marcos mesmo treinava alguns jovens, Charles aprendeu a lutar com o pai, mas depois da briga dele com Valentim algumas dores nunca sumiram e nem eu pude fazer nada. Mas, enfim, passamos ainda uma semana na aldeia, agora destruída, juntando provisões, curando os mais feridos e recrutando o máximo de pessoas que fugiram com medo e enterrando os mortos dignamente. Na manhã que fomos embora um mensageiro me encontrou e me deu uma carta de Valentim, eram seus outros pedidos e uma nova notícia. Seu primeiro pedido era uma poção que pudesse apagar parcialmente a memória da princesa, apenas sobre a aldeia, seu segundo pedido era que eu mandasse com o mensageiro um de meus filhos como uma garantia, que eu não faria nada contra ele, além de apagar toda a sua memória, sobre a aldeia e sobre sua família. - ela pausou para respirar - A notícia era sobre o rei Clemente, que ele tinha falecido e Valentim tomou conta do trono e prendeu a princesa e a rainha. Por sermos considerados os líderes da aldeia e tínhamos mais contato com o rei Clemente ele nos disse que uma ameaça estava próxima do reino, o Império Bórmio estava tentando invadir o reino, tanto que as visitas do rei ficaram cada vez menores. - ela suspirou, talvez lembrando de algo triste - O filho que decidimos mandar foi o mais novo, pois como dizia na carta a princesa estava presa, e por mais que eles não se lembrassem um do outro uma amizade como a deles não se apaga do coração. Seria bom para a princesa ter alguém com ela para enfrentar esse momento além da mãe, é claro. Preparei a poção para a princesa e juntei minha família para nos despedirmos do caçula, juntei algumas roupas dele e na sala de nossa antiga casa me despedi do meu filho, juntos vimos ele partir com o mensageiro que nem parecia gostar do que estava fazendo, parecia ser uma boa pessoa sendo obrigada a fazer algo ruim. - então ela se virou para Charles - Meu filho, você sofreu tanto, mais tanto com a partida de seu irmão que não vi outra alternativa senão apagar sua memória também, e de todos que iam embora conosco. Foi a coisa mais difícil que já fiz na vida, mas torço sempre para que ele esteja bem e vivo, mesmo tão próximo daquele monstro, e que tenha feito amizade com a princesa mesmo sem sua memória. Um dia espero reencontrá-lo. - eu vi um olhar de esperança nela - Assim partimos, andamos até aqui, onde nos sentimos confortáveis e longe de tudo que acontecia no reino, mesmo ainda estando em suas terras. Em segredo coloquei uma barreira invisível que nos protege e apenas pessoas com boas intenções podem passar, assim como fiz em nossa antiga aldeia, por isso eu sabia que apenas viviam ali pessoas boas, por isso confiei em você para contar tudo, querida, sabia que não era uma pessoa ruim, mesmo que tenha chegado desacordada sabia que era boa pois passou pela barreira sem danos. - disse sorrindo para mim. 

- Eu preciso contar uma coisa também, - disse respirando fundo e apertando a mão de Charles - meus planos era contar depois do jantar, mas não aconteceu como eu planejei - disse sorrindo sem graça, eles pareciam preocupados com o que eu iria revelar - devem ter estranhado um pouco o por que da minha reação quando soube do casamento arranjado que o rei planejava para a princesa…

- Sim, de fato estranhamos. Você tinha alguma ligação com a princesa ou com o rei? - perguntou Marcos.

- É… na verdade, - suspirei - é a segunda vez que faço isso e não é nada fácil - disse sorrindo sem graça - eu sou a princesa Isadora, Charles sabia, por isso ele foi atrás de mim quando eu levantei da mesa. - os pais de Charles ficaram em choque, olhando assustados demais para mim.

- Ah meu Deus, me perdoe princesa, se eu soubesse que era a senhorita não teria feito a senhora ouvir toda essa história terrível sobre o seu tio. - apressou-se em dizer Pérola.

- Não se preocupe, foi bem esclarecedor, por mais que difícil de ouvir em alguns momentos, mas saber de toda a verdade, que nunca me falaram foi muito importante. E eu tenho que contar, aos três na verdade, - disse olhando para Charles - seu filho, e irmão, Nicolas está vivo, ele, de fato, foi um grande amigo no castelo quando eu não tinha mais ninguém, nem sempre minha mãe podia ficar comigo e quando conseguia era por poucos minutos. Ele sempre ia me visitar, ficava comigo e trazia bolo - disse sorrindo nostálgica me lembrando do último dia no castelo - estava sempre sorrindo e me dando sermões quando minha vontade era me rebelar contra Valentim. A última vez que vi Nick foi a alguns meses quando fugi do Castelo com meu primo, ele prometeu me mandar notícias de dentro do Castelo quando possível. Até agora não recebemos nada, não que eu sabia pelo menos. Nick não era o único de dentro do castelo que não concorda com as atitudes de Valentim, até o próprio filho o traiu, acredito que se algo acontecesse com Nick os outros criados dariam um jeito de me contar e…

- Espere um momento, Nicolas era um criado? - perguntou Pérola.

- Hã… sim, era, mas nunca sofreu nada. Nós ficamos amigos depois que designaram ele para levar comida para mim no quarto. Ele sempre ia, quando não, conseguia ir antes de escurecer. 

- Querida, o importante é que o nosso garotinho está vivo, vamos libertá-lo, e ele logo estará conosco novamente. - Marcos tentou consolar a esposa que ameaçava chorar.

- Perdão, não quis entristecer a senhora… - disse abaixando a cabeça para não ter que ver a mulher chorando.

- Oh querida, não me entristeceu, isso são lágrimas de alegria. Não sabe o quanto fico aliviada em saber que meu filho está vivo. Obrigada por essa notícia maravilhosa Isa, quero dizer… Princesa Isadora.

- Por favor, nada de princesa, fora dos muros do castelo eu sou apenas Isa. - disse para Pérola, não quero nenhum tratamento especial.

- Mãe, combinei com Isa de treinar um pouco. Por que você e meu pai não vão se deitar e descansar um pouco? Amanhã de manhã podemos mostrar a aldeia para Isa.

- Claro, filho, ótima idéia. Isa, querida, se estiver disposta amanhã podemos dar uma volta como o Charles sugeriu.

- Claro, adoraria conhecer a aldeia. - disse sorrindo, ela assentiu, os dois mais velhos se despediram e foram para o quarto. Me levantei do sofá com o apoio de Charles e fomos até o campo de treinamento logo de frente para a casa dele.

Já havia escurecido, não sabia bem como iríamos treinar no escuro, então apenas segui Charles até que ele parou de repente, me fazendo esbarrar com suas costas. Perguntei o que tinha acontecido mais ele não respondeu, dei a volta nele e vi que ele estava com lágrimas nos olhos.

- O que aconteceu? - perguntei preocupada.

- Obrigado.

- Pelo o que?

- Por tudo. - disse e me abraçou forte. 

Cedo demais ele me soltou e viu que eu também estava chorando então nos sentamos no gramado e conversamos, contei um pouco sobre Nick e depois de um tempo decidimos ir para a cama pois estava tarde.

 

Alguns dias depois…

Estou cansada por causa dos treinamentos que tenho tido com Charles, seu pai, Marcos, me ajuda com algumas dificuldades que tenho enquanto Charles ajuda outras pessoas com quem tenho treinado. Charles diz que eu já estou boa para lutar, mas quer esperar mais um pouco antes de me levar de volta para casa de Vivian, pois sabe que assim que voltarmos a rebelião vai querer entrar em combate com o rei, por isso a viagem se estendeu mais do que o planejado, o que é muito bom. 

De noite jantamos todos juntos e depois eu e Charles costumamos passear no centro da aldeia e conversamos bastante, fico surpresa no quanto a gente tem em comum e entendo o porquê do meu pai escolher ele como um futuro marido para assumir o trono comigo.

No dia seguinte de toda aquela conversa que tivemos com os pais de Charles, Pérola disse que retirou o bloqueio da memória de Charles e que o meu bloqueio se foi assim que eu soube de toda a história e durante uma dessas várias conversas Charles confessou para mim que quer muito se reencontrar com o irmão. 

E é por isso que neste momento estou arrumando minha bolsa para fugir na calada da noite e tentar chegar ainda de madrugada na Casa da Revolução e roubar algumas armas e assim ir atrás de Nick. Aproveito que todos estão dormindo e devagar saio do meu quarto, que pelo o que Pérola contou é um quarto extra para quando o filho deles voltasse para casa, uma forma que ela encontrou de manter a esperança de rever o filho. Enfim, antes de sair deixo uma carta para Charles e seus pais agradecendo por tudo e dizendo que em breve eles reencontrarão Nick. Levei para o quarto um pouco de comida e água dizendo que devido aos treinamentos tenho sentido mais fome que o normal.

Depois que tive certeza que todos tinham se deitado saí na ponta dos pés do quarto e fui para a porta dos fundos da casa, segui pela mata escura e depois de um tempo de caminhada consegui ver ao longe uma aldeia, mesmo sem saber se era a aldeia da Vivian segui em frente.

Quando faltavam algumas horas para o nascer do sol consegui enxergar as construções da aldeia e reconheci ser a aldeia da Vivian e fui em direção à Casa da Revolução que eu conhecia tão bem. Entrei pelos fundos pois sabia que a porta ficava aberta fui em direção ao baú que ficavam algumas armas e me armei, porém antes que eu pudesse sair alguém me segurou pela cintura com um dos braços e com a outra mão tapou a minha boca para eu não gritar.

- Isa!  - disse a pessoa baixo no meu ouvido mas com uma forte cotovelada me desprendo dele e já puxo uma adaga.

Entretanto assim que me viro pronta para atacar percebo que era Charles e tento parar, mas tropeço num tapete e caio por cima dele. 

- O que você está fazendo? - pergunto com raiva enquanto me levanto.

- Eu que deveria fazer essa pergunta, Isadora! - responde ele com raiva também se levantando.

- Shhi!! Não fala meu nome todo, alguém pode ouvir!

- Ninguém vai ouvir… Sabe porque? Por que você fugiu no meio da noite como um bandido! - com a voz aumentando algumas oitavas e parecendo muito, muito furioso comigo. Ele nunca tinha ficado com tanta raiva de mim antes, mas ao mesmo tempo que ele parecia furioso ele parecia assustado, com medo de algo.

- Desculpa… desculpa… - disse desabando no sofá atrás de mim desistindo de ficar com raiva, não consegui evitar que lágrimas escorressem pelo meu rosto - eu só queria tentar consertar alguma coisa no mundo, mesmo que pequena, como resgatar Nick, levar ele de volta pra casa, ver que pelo menos uma família vai ter o seu momento de alegria. Eu perdi meu pai, minha mãe, minha casa e o meu reino… eu perdi tudo, nem posso usar o meu nome de verdade com medo de ser morta, eu só… - solucei não conseguindo mais aguentar tudo aquilo que eu mantinha dentro de mim - não aguento mais manter tudo isso dentro de mim e continuar forte, corajosa para todos quando eu não passo de uma menina fraca e…

- Ei, ei, Isa, olha pra mim - disse Charles se ajoelhando na minha frente e segurando meu rosto em suas mãos, levantando minha cabeça - você é a mulher mais corajosa que eu conheço, pensa bem, você fugiu do castelo para tentar recuperar o seu reino, suportou a morte da sua mãe e foi em viagem confiando em uma pessoa que você conhecia a um dia, o que foi loucura sua  - disse rindo e eu acompanhei mesmo sem querer - e agora queria voltar para o castelo apenas para resgatar o meu irmão, sério, você tem que ser vigiada, por que as suas ideias nunca são muito bem planejadas - agora eu gargalhei, foi tão alto que Charles precisou colocar a mão na minha boca para abafar o som - olha,eu não posso nem imaginar o quanto foi difícil guardar tudo isso dentro de você por todos esses meses e anos, mas eu quero que saiba que não precisa ser uma pessoa diferente comigo. Eu fiquei com raiva de você hoje, não porque você fugiu, fiquei com um pouco de raiva por isso sim, mas quando eu vi você entrando aqui e só ai abri a sua carta e li que você fugiu pra resgatar o meu irmão, eu fiquei apavorado, com medo de te perder, de você não conseguir sair do Castelo e o seu tio prender você de novo, achei que nunca mais fosse ver você, então resolvi entrar e tentar te parar, e quando eu vi você toda armada pronta para sair eu preferi esconder o meu medo com a raiva, e… me desculpa por isso.

Assim que ele terminou eu cheguei mais para perto dele, sentando na ponta do sofá e abracei ele, e o mesmo retribuiu me apertando mais forte; disse assim que nos separamos:

- Obrigada, obrigada por tudo. Obrigada por vir atrás de mim e evitar que eu fizesse uma loucura - disse sorrindo com o rosto a centímetros do dele que estava sorrindo também. Estávamos prestes a nos beijar quando ele se afastou de repente, de novo.

- Hã… Acho melhor dormirmos. - disse se pondo de pé.

- Sim, sim é claro. Acho que não podemos ir para casa da Vivian à essa hora, melhor passarmos o resto da noite aqui e de manhã a gente se explica pra todos. - disse sorrindo ainda sem graça pelo momento anterior.

Como estava frio e não tinha muitas cobertas na Casa resolvemos deitar no chão e dormir juntos. Foi a noite mais embaraçosa que eu já passei.

 

Pov’s Alex

 Acordei cedo hoje porque o pai da Vivian quis que eu fosse mais cedo para a Casa da Revolução, quando levantei Victor, o irmão dela ainda estava dormindo, na noite anterior ele chegou tarde, provavelmente estava bebendo em alguma taberna imunda. São nesses momentos que eu sinto falta do Castelo, eu tinha mais privacidade e dormia numa cama e num quarto sem ninguém roncando a noite toda, mas ao menos sei que uma bela mulher dorme no quarto ao lado. Uma das melhores coisas que me aconteceu nesses meses foi conhecer Vivian, ela é maravilhosa, eu sou realmente louco por ela, e sem querer me gabar, mas ela é por mim também.

Assim que saio do quarto de Victor encontro Vivian acordada na sala e arrumada para sair.

- Onde você vai uma hora dessa da manhã? - pergunto surpreso e me controlando para não ir beijá-la.

- Bom dia pra você também, Alex. - responde ela, sorrindo brincalhona.

- Sempre tão educada.  - digo brincando com ela - Bom dia, bela donzela.

- Até parece… - diz sorrindo sem jeito e corando.

- Você é, linda. Mas não respondeu minha pergunta, por que está acordada tão cedo? - digo indo até a cozinha beber um copo d’água.

- Minha mãe pediu para ir até a Casa da Revolução, parece que hoje é minha vez de fingir que tem alguém em casa. - disse revirando os olhos.

É regra da Revolução, todo dia de manhã uma moça de uma família que faz parte da revolução tem que ir até a Casa para que ninguém que seja contra nós desconfie da casa e mande soldados do castelo averiguar. A casa é a nossa base, tudo que planejamos está lá, se os guardas do Castelo entrarem ali todos os nossos planos estarão arruinados.

- Engraçado, seu pai me mandou chegar cedo na Casa hoje, não entendi muito bem o porquê, já que ele mesmo está dormindo ainda. Parece que vamos ter que ir juntos. - disse sorrindo malicioso para ela, inteligente como é percebeu e logo ficou com vergonha.

- É, esses dois não tem jeito, não devem ter lembrado que um mandou o outro e acabou que vamos juntos.

Assim que estávamos prontos saímos, no caminho aproveitei que não tinham muitas pessoas na rua e segurei sua mão, ela se assustou de início, mas relaxou em seguida e se aproximou um pouco mais de mim. Estava muito frio nesta manhã, o inverno tinha terminado recentemente, mas o frio continua.

Quando chegamos perto da Casa, olhamos para ver se não tinha ninguém por perto e entramos pelos fundos, mas assim que chegamos perto da porta notei que ela não estava fechada por fora como costumamos deixar. Coloquei Vivian atrás de mim e mandei ela ficar perto, desembainhei a espada e deixei ela levantada quando empurrei a porta com o pé, olhei dentro antes de entrar e tudo estava escuro devido as cortinas que colocamos para que ninguém visse o que tem dentro da casa. Mandei Vivian ficar do lado de fora e que me avisasse caso visse alguém e entrei. Observei cada canto e quando cheguei até a sala o que eu vi… Preferia ter continuado com Victor roncando no quarto.

Minha prima dormia profundamente no chão da sala abraçada com o tal de Charles, com quem foi viajar. Chamei Vivian e quando ela viu quem era quase matou minha prima de susto se jogando em cima dela. Charles acordou assustado e quase ataca Vivian, bom para ele que viu antes de atacar, teria perdido a mão. Embainhei a espada e estendi a mão para minha prima se levantar e depois ajudei Charles, mesmo não gostando muito dele. Senti falta da minha prima nessas semanas que esteve fora, e muita coisa aconteceu em sua ausência. Nunca fomos muito próximos, ainda mais quando meu pai roubou dela o trono, mas de alguma forma, nesses meses antes dela partir, eu senti como se estivesse recuperando o tempo e criei um laço com ela que agora eu a considero mais uma irmã do que uma prima. O problema é que esse sentimento de irmão mais velho tem me feito agir como um louco.

Assim que ela partiu com o Charles eu surtei, fiquei louco de preocupação, ainda mais quando soubemos que dois guarda do castelo foram mortos no pé da Grande Montanha algumas horas depois que eles foram embora. Fomos até lá é claro, para tentar encontrar alguns vestígios, mas não vimos nada, quando não vi o corpo dela me acalmei um pouco, mas nada se compara com o alívio que senti ao ver ela em casa e bem, mesmo que estando abraçada com ele.

Não gostei muito dele quando o conheci, pode ter sido porque conheci ele quando minha prima desapareceu e depois apareceu com ele, dizendo que ia para casa dele nas Montanhas Nevadas, com uma pessoa que ela conheceu a menos de um dia, minha prima tem sérios problemas, primeiro conta o nosso segredo para Vivian sendo que conhecia ela à algumas horas e depois vai viajar para um lugar distante com um homem que conhece à menos de um dia, sendo que algum instinto protetor meu dizia para ficar de olho nele. Porém agora, vendo como minha prima está inteira e parecendo mais feliz, relaxada e aliviada do que quando partiu, vejo como essa viagem fez bem para ela.

- Isa! Como você está? - pergunto depois que abraço ela.

- Muito bem, não poderia estar melhor. Estava com saudades, tenho tanta coisa pra contar… - disse ela parecendo um pouco apreensiva, dando um rápido olhar para Charles usando sua visão periférica.

- Nós também... - disse Vivian puxando Isa para perto dela, pronta para começar a contar tudo, mas antes precisava contar uma coisa para Isa.

- Sim, mas antes de tudo, Isa, você precisa ler uma carta que chegou do Castelo, no envelope diz que somente você pode abrir.

- De quem é? - perguntou preocupada.

- Acho que do seu amigo, Nicolas. - assim que disse isso Charles e Isa trocaram um olhar, uma mistura de alívio e ansiedade. O que será que eles descobriram com essa viagem?


Notas Finais


Oiee galera,
Espero que tenham gostado do capítulo, esse foi enoooorme, meio que para compensar o tempão que fiquei sem postar nada.
Eu estava passando por um bloqueio criativo, por isso não tinha postado nada, só agora terminei o meu planejamento e completei esse capítulo, que já estava pela metade escrito, me desculpeee.
Agora, talvez eu poste com um pouco mais de frequencia, mas não garanto, pois iniciei a faculdade e preciso ir bem logo no primeiro período.
Faltam 7 capítulos para a história acabar e não pretendo dar continuidade nela... garanto para vocês que o final vai ser maravilhoso.
E eu acho que para uma primeira história eu estou me saindo muito bem.
E vocês? O que acham?
Beijooos e até o próximo capítulo!!!

PS.: Eu dei uma atualizada no capítulo 8, confiram!


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