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História Segredos da Imortalidade - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Capítulo 4


Fanfic / Fanfiction Segredos da Imortalidade - Capítulo 4 - Capítulo 4

 O retorno ocorreu mais rápido do que considerado normal e aceitavel, foi um alívio e tanto não ter encontrado nenhum policial ao longo do percurso. Dentro de casa não havia um mínimo ruído, indicando que meus pais haviam saído para o trabalho, Pablo é o novo administrador chefe do hospital de Forks, ele conseguiu a transferência após o excelente trabalho desenvolvido anteriormente.

 Enquanto Melanie tem atuado no comércio em Port Angeles, ela abriu uma loja de roupas de alta costura com preços mais acessíveis. A decoração do ambiente e o posicionamento dos móveis foi feita por nós duas, uma forma de passar mais tempo juntas e aprofundar os laços maternos que temos criado desde a minha recente transformação.

 Fui abençoada com a presença de ambos em minha vida e também com sua paciência, minha história como humana foi complicada e dolorosa. Fui abandonada na porta de um orfanato antigo no interior do Brasil, crescer com a idéia de abandono tornou a adolescência ainda mais solitária e estranha, sem mencionar o preconceito na sociedade.

 Como acontece com todos os jovens que não foram adotados até os 18 anos, fui obrigada a sair de lá e vagar pelas ruas, carregando apenas uma mochila contendo poucas peças. Lembro de estar sentada no chão e apoiada contra uma parede cheia de mofo, meu estômago roncando de fome, ouvi o som de passos se aproximando e suspirei quando um lindo homem se aproximou.

 Seus movimentos eram lentos e absurdamente calculados, era como testemunhar  um predador circulando sua presa. A escuridão da noite e a iluminação precária dificultava minha visão, por isso demorei um tempo até perceber a coloração incomum presente em seus olhos, sua íris exibia o tom intenso e assustador de vermelho.

 Ele segurou meu pescoço com as mãos e depositou um aperto firme, sorrindo com malícia e observando enquanto eu me debatia e lutava para respirar. Meus olhos ardiam e ficaram cheios de lágrimas, o desespero atingiu níveis exorbitantes e muito elevados, aos poucos a visão foi ficando embaçada e ele se aproximou ainda mais.

 Aquele homem monstruoso posicionou a cabeça na curva do meu pescoço e respirou fundo, inalando o cheiro de minha pele e soltando um rosnado animalesco e perturbador. Seus dentes perfuraram a jugular e apertei os punhos em sua blusa, uma tentativa inútil de aliviar a dor, mas a pressão aplicada era demais, ele nunca permitiria minha sobrevivência.

 Foi então que um verdadeiro milagre aconteceu, algo o empurrou com toda a força para longe de mim e o manteve afastado, meu corpo desmoronou no chão e senti a queimação agonizante em minhas veias. Gritei e implorei por ajuda, eu não sabia na época, mas nada poderia ser feito, meu destino havia sido celado e decidido sem o meu consentimento.

 Ao todo foram três dias sofrendo e implorando por socorro, senti algo frio e duro deslizando por meu cabelo e acariciando os fios desalinhados e sujos. O cheiro de morangos frescos e a sensação agradável da esponja macia sendo esfregada em minha pele sinalizou que alguém estava me dando banho.

 Felizmente, a dor diminuiu e atingiu nuances menos intensas, porém não menos dolorosas, o sofrimento permaneceu latente e estressante. Mantive os olhos fechados e notei mudanças absurdas na atmosfera e no ambiente, os sons pareciam mais altos e claros, o cheiro das coisas parecia puro e ainda mais vivaz.

 Durante a manhã acordei e enxerguei partículas minúsculas de poeira sobrevoando a ar, mas o surpreendente e incômodo foi a queimação em minha garganta. Levantei da cama e bati na parede que estava do outro lado do quarto, arfei sem acreditar na velocidade surreal com que as coisas aconteceram.

 Pablo e Melanie surgiram segundos depois e de forma paciente explicaram o que estava acontecendo, explicando a tentativa de impedir que o vampiro fugisse. No entanto, nada pode ser feito em relação a minha transformação, o veneno havia avançado e realizado o seu propósito com maestria, acarretando uma série de alterações permanentes.

 A fase de adaptação foi infernal e extremamente desconfortável, ocorreram alguns imprevistos ao longo do caminho e isso resultou em pensamentos cheio de auto aversão e receio. Não tenho orgulho disso, mas matei humanos durante esse período, lembro de todos os rostos e de suas expressões de pavor e medo, agora o monstro era eu.

 O lado positivo foi a ausência de entes queridos, parentes e da família, não havia ninguém que se preocupasse comigo ou que estivesse esperando por mim. Juntamos nossas coisas e nos mudamos para o Norte do Brasil, a floresta Amazônica é um excelente lugar para vampiros se esconderem e ainda mais para realizar suas caçadas, as opções são várias.

 

- Jade, você não deveria estar na escola? - Perguntou Melanie assim que entrou em casa, seu rosto mostrava sinais claros de preocupação.

 

- Tive alguns problemas, achei prudente voltar para cá ao invés de expor nosso segredo - Respondi expondo a verdade, mentir para ela é impossível.

 

- Sinto muito, mas estou orgulhosa do seu controle - Elogiou vindo me abraçar, retribuí sem pensar duas vezes - Você foi ótima, filha - Murmurou e depositou beijos em minha cabeça.

 

- Ele tinha um cheiro tão gostoso, mãe - Reclamei e senti a boca salivar ao lembrar do aroma adocicado e atraente de seu sangue.

 

- Todos eles tem, chega a ser irritante - Zombou e sorri, sabendo que ela tem razão - Podemos ir caçar, só nós duas - Propôs animada, assumindo uma áurea alegre e jovial.

 

- Eu adoraria - Respondi, não sendo capaz de esconder o alívio.

 

- Preciso trocar de roupa, volto em um segundo - Anunciou e simplesmente desapareceu, no andar superior ouvi o barulho de portas batendo.

 

 Sentei no enorme sofá posicionado no centro da sala principal e aguardei pacientemente por seu retorno, a empolgação estava presente em minhas veias e o sentimento de competição inundou meu coração. O momento de caçar e importante para qualquer predador, mas essa família leva as coisas muito a sério, a emoção e a adrenalina torna tudo mais divertido, melhora quando acompanhado de pessoas que gostamos.

 

- Prontinho, podemos ir - Anunciou descendo os degraus da escadaria.

 

 Concordei com um aceno de cabeça e segui em direção a porta, minha mãe deixou o vestido elegante e o salto alto de lado, agora ela usava roupas de ginástica e tênis de academia. A escolha da estampa militar nas peças permite que ela se misture em meio a vegetação e se integre ao ambiente, embora ela não precise dessa facilidade, Melanie é uma excelente estrategista.

 Corremos pela floresta a toda velocidade, sorri emocionada ao testemunhar os raios de sol ultrapassando a copa das árvore, foi como estar dentro de um conto de fadas. Desviei de troncos mortos e saltei sobre o desfiladeiro de pedra, os animais de grande porte prefere esconderijos de difícil acesso, de preferência próximo de rios e lagos.

 Em determinado momento fomos obrigadas a seguir por rotas opostas, os animais sentiam nossa aproximação e tentavam fugir para o mais longe que podiam. Aglomerações de imortais tendem a espantar as presas ainda mais, por isso a necessidade de seguir sozinha, além de possuirmos gostos completamente diferentes.

 Minha mãe adora o gosto do sangue de ursos morrons, ela diz ser forte e bastante intenso, e afirma categoricamente que o desafio compensa todo e qualquer esforço realizado. Eu prefiro caçar cervos e veados, o sangue é mais doce e suave, eles são criaturas fantásticas, seus olhos brilhantes e profundos são capazes de expressar suas almas.

 

- Onde vocês estão, cervinhos? - Questionei baixinho, fechando os olhos e forçando a audição ao máximo - Achei vocês - Rosnei satisfeita.

 

 Parti em disparada na direção mais escura e profunda de Forks, as árvores eram bem maiores e grossas e a vegetação era visivelmente mais densa, as plantas haviam desenvolvido mecanismos de defesa contra predadores, como espinhos e a produção de toxinas. Infelizmente, a área era próxima do limite delimitado com a tribo quileute, o cheiro de cachorro molhado estava impregnado no lugar.

 Sorri ao identificar um casal de cervos se alimentando tranquilamente próximos do rio, umideci os lábios e saltei de encontro ao macho, eles costumam lutar para defender sua fêmea. Ele tentou revidar, mas parou quando cravei os dentes em seu pescoço, gemi ao sentir a temperatura quente do sangue e o gosto delicioso e afrodisíaco do néctar dos deuses, aos poucos a ardência e queimação diminuiu.

 Mas ela nunca termina completamente.

 O som do farfalhar das folhas e galhos se partindo chamou a minha atenção, olhei para o outro lado do rio e havia inúmeros lobisomens rosnando de maneira selvagem e raivosa. Larguei o corpo já sem vida no chão e levantei com graça e leveza, um filete de sangue ainda bastante fresco escorreu de minha boca e escorreu pela área do meu pescoço.

 

- Ei, vizinhos - Provoquei sorrindo de forma zombeteira, os rosnados ficaram mais altos - Não são muito comunicativos, eu entendo - Afirmei e um deles ameaçou atravessar a fronteira.

 

 Assumi uma postura mais séria e decidi me defender se fosse realmente necessário, minhas mãos foram envolvidas pela névoa escarlate e extremamente brilhante. Isso despertou o interesse da matilha e o líder ordenou que o lobo recuasse, mas permaneci atenta e com os sentidos em ação, usaria magia para causar danos físicos e psicológicos, independente do que isso possa causar em suas vidas medíocres.

 

- Jade, não faça isso - Implorou Melanie, ela congelou diante da situação.

 

- Aquele cachorro desgraçado queria me atacar - Cuspi olhando direto nos olhos do humano indígena, raiva borbulhando em meu interior.

 

- Por favor, acabamos de nos mudar - Insistiu e fui obrigada a concordar, seria divertido matar cada um deles, mas isso iria atrair o interesse das autoridades.

 

- Vocês não terão a mesma sorte na próxima - Rosnei expondo meus dentes afiados, e saindo correndo dali, contendo o desejo de voltar e terminar com o que aquele desgraçado começou.

 

- Como isso aconteceu? - Perguntou minha mãe assim que conseguiu se aproximar.

 

- Eles estão nos vigiando, senti o cheiro deles em nosso território - Respondi de imediato - Acabei perdendo a cabeça e os provoquei - Admiti um pouco sem jeito.

 

- Jade... - A mulher me repreendeu, mas seus olhos brilharam em descontentamento, os lobos haviam descumprido o combinado inicial.

 

- Eu sei, desculpe - Pedi desacelerando a velocidade, nossa casa estava próxima.

 

- Espero que isso não se repita - Ordenou utilizando aquele tom sério e firme.

 

- Sim, senhora - Concordei sem pestanejar, as vezes Melanie pode ser assustadora.



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