História Segredos de família - Capítulo 1


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Categorias Gravity Falls, O Segredo Além do Jardim (Over the Garden Wall)
Personagens Beatrice, Bill Cipher, Candy Chiu, Dipper Pines, Gideon Gleeful, Greg, Grenda, Mabel Pines, Pacifica Northwest, Soos Ramirez, Stanford "Ford" Pines, Stanley "Stan" Pines, Waddles, Wendy Corduroy, Wirt
Tags Bipper, Comedia, Drama, Mabecifica, Pinescone, Supernatural
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Palavras 2.503
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Pansexualidade, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Estou em busca de um co-autor ou um editor pra me ajudar, interessados só mandar mensagem ^^
Aproveitem a história

Capítulo 1 - Prólogo


Dipper

 

Acordo assustado. Não do tipo em que você pula da cama após um pesadelo, com sua respiração acelerada e coração batendo descompassado. Não, isso não acontece comigo. Pra mim, meus olhos se abriram, a visão do teto de madeira escura é a primeira coisa que vejo. Estou com medo, tremendo, suando frio e sinto mais do que nunca que não estou seguro. Ninguém a minha volta está seguro. Então lentamente sento e passo as mãos pelos cabelos, tentando me acalmar. Não lembro sobre o que era o pesadelo mas sei que era terrível ao ponto de me fazer esquecer sobre ele, ao ponto de eu acordar assustado temendo pela minha vida e pela daqueles a minha volta.

Olho pela janela, o sol havia apenas começado a nascer e a luz que entra pela janela cria sombras estranhas no quarto, bizarras e quase assustadoras. Volto a deitar e rolo pro lado. O relógio digital no criado mudo diz que são 5:53 AM. Acordei antes do despertador, que maravilha. Fecho os olhos, tentando dormir mais um pouco antes do inevitável acontecer.

Segundos pareceram passar quando batidas na porta me tiram do meu estado meio-dormindo-meio-acordado. Hum, o que? Quando tempo passou? Encaro o relógio digital, 6:46 AM. P o r r a. Eu perdi a hora.

- Dipper! Saía desse quarto e vá se arrumar pra escola. - os gritos de tiovô Stan soam do outro lado da porta, seguidos de mais batidas. -  Sei que meninos da sua idade estão se descobrindo e tal mas isso não é motivo pra mofar aí dentro.

- Já estou quase pronto! - solto um grunhido ao passar a mão pelo rosto, sentindo-me mais cansado do que nunca. - E faz favor de parar de dizer essas coisas embaraçosas? Você está me envergonhando e envergonhando a si mesmo.

 

Ouço risadas do outro lado da porta e o som de passos se distanciando, sei que não adianta falar com ele. E justamente por saber que Stan não pode ver, reviro os olhos. Levanto da cama e vou até o guarda-roupa, não passo muito tempo pensando antes de pegar qualquer coisa e sair do quarto pra ir ao banheiro.

 

*  * *

 

Mabel, minha querida e irritante gêmea, e Tio Avô Ford estão à mesa tomado o café da manhã, ela comendo como se não houvesse amanhã e ele lendo alguns livros que flutuavam ao redor dele, mal tocando nas panquecas. Stan está no fogão, usando o que se pode dizer ser o pior avental de cozinha do mundo. “Beije o cozinheiro ou ele vai cuspir na comida”. Horrível, cômico e nojento. Dá pra entender porque ele gosta tanto desse avental em específico. Me sento à mesa.

- Bom dia. - cumprimento eles e começo a pegar minha comida.

- Dia. - Diz tio avô Ford de forma monótona ao virar a página de um de seus livros. Queria ser capaz de fazer isso.

- Bhum dhia! - Mabel ri, sua boca tão cheia de comida ao falar que temi que aquilo voasse na minha cara. Eca.

- Bom dia, Dipper. - Stan diz, se virando pra mim e colocando os ovos mexidos da frigideira no meu prato. - Está atrasado. Come rápido, Wendy vai chegar logo pra levar vocês.

- Sabe, você podia deixar eu pegar seu carro e assim eu mesmo dirijo até lá. - Sugiro, levando um pouco de bacon e ovos até a boca. - Seria mais rápido do que pegar carona com ela. O carro dela cheirava a maconha e tinta de xerox's da última vez que pegamos carona.

Stan me responde sem se virar do fogão.

- Ela é uma universitária. Eu ficaria surpreso se o carro dela não cheirasse a maconha e tinta de xerox's. No meu tempo…- Stan é cortado por Ford.

- Você nunca fez faculdade, Stanley.

- Esse não é o ponto, tive muitos amigos universitários! Argh, vocês não sabem bulhufas sobre meus dias de ouro.

- Tiovô Stan, ninguém mais diz bulhufas ou dias de ouro. - Mabel ri. - além disso, Dipper. Você sabe que ela nunca tá chapada quando dá carona pra gente então não stressa. - Ela dá outra garfada nos ovos. - Você só quer dirigir um carro por si mesmo mas sabe que não tem ideia de como fazer.

Cruzo os braços e reviro os olhos. Não por eles estarem errados ou algo assim, mas sim por saber que eles estão certos. Eu não sei dirigir mas qual o problema? Só porque bati o carro uma ou treze vezes não quer dizer que minha direção não seja segura. Que besteira. De qualquer forma, se não fosse por essa coisa na escola chamada reputação eu talvez não estivesse tão preocupado por ter uma das menores.

Dirigir meu próprio carro talvez eleve um pouco minha posição social de Nerd Sem Causa Que Batemos pra só Nerd Sem Causa. Na verdade, se não fosse pelas caronas da Wendy minha reputação seria praticamente abaixo de zero. Pois é, eu sei, ela ainda tem bastante moral por aquele lugar.

Estava terminando de comer meus ovos mexidos quando uma buzina começa a tocar num ritmo rápido e impaciente. Só uma pessoa faz essa sequência irritante e rápidas de buzinadas.

- Bora, bora, bora Dipper! Wendy ta esperando lá fora. - Mabel tira sua mochila da cadeira e num pulo anda rápido pra dar um beijo na bochecha de cada Stan e Ford, então corre pra fora, gritando uma despedida para nossos tiovôs.

- Tchau, tio avô Stan. Tchau, Ford. - aceno para eles e tiro a mochila da cadeira, indo pra fora também, porém num ritmo menos acelerado e cheio de açúcar da Mabel.

Ouço eles dizerem uma despedida e então estou fora da Cabana do Mistério, o lugar onde Stan usa toda sua lábia para convencer turistas idiotas a comprar quinquilharias inúteis. Um trabalho bem honesto, verdadeiramente honesto. Mais honesto impossível. Vejo carro de Wendy parado do lado de fora, que só para de buzinar quando enfim me vê. Ela abre a porta e acena pra mim, um sorriso cansado no rosto cheio de olheiras. Dá pra dizer que a faculdade está matando ela bem devagar.

Eu entro e sento no banco do passageiro, fazendo caminho pelo chão cheio de embalagens de fast-food. Não posso reclamar disso, ela trata o chão do carro do jeito que trato os bolsos de meus casacos. Mabel fica nos bancos de trás. O cheiro de maconha e xerox ainda presente e forte no carro.

- Você parece um zumbi. - Digo ao colocar o cinto de segurança.

- E você parece um adolescente cheio de hormônios do ensino médio com a cara cheia de espinhas.

- Ei! Eu só disse a verdade.

- E a verdade nem sempre agrada todo mundo. - Wendy suspira, uma mão indo ao volante enquanto a outra engata a ignição e começa a dirigir. - Desculpa, Dipper. As coisas são estão sendo mais difíceis do que pensei, realmente me sinto uma morta viva.

- Que merda. - lhe dou tapinhas solidários no braço. Pobrezinha.

Um silêncio paira sobre nós, o único som é o do carro se movendo e de Mabel digitando no celular no banco traseiro. Não é um silêncio desagradável. Wendy se tornou uma das poucas pessoas em que eu podia ficar na mesma sala enquanto fazemos duas coisas totalmente paralelas e ainda não me fazia sentir que havia necessidade de uma conversa existir. Mesmo assim, pelo rosto dela dá pra notar como estava cansada. Decido tentar um tiro no escuro.

- Professora de física de novo?

- Bingo.

- O que a infeliz queria dessa vez?

- O que ela queria?! - Wendy se voltou pra mim, o rosto contraído numa expressão que só pude identificar como frustração. - Ela queria um trabalho de trezentas folhas falando sobre uma teoria imbecil! pra semana seguinte! Parece até que ela ignora o fato de que temos outros professores e mais quinhentos outros trabalhos, uma mais impossível que o outro.

Mabel pareceu ter perdido o interesse nas mensagens anteriores que digitava e passou a ouvir a conversa, mais interessada no surto de Wendy do que qualquer coisa. Ela se inclinou entre os bancos da frente.

- Você precisa DESstressar, garota. Pode começar tirando uma soneca assim que nos deixar na escola. Não precisa vir nos buscar, podemos voltar sozinhos e então aproveite e durma a tarde toda! Talvez até uma fada-madrinha de aparelhos e glitter apareça e te deixa o famoso Mabel Juice™ pra você tomar. - ela sorri pra Wendy.

- Primeiro, ew, Mabel Juice™. - Me manifesto, fazendo uma careta ao falar do suco. Aquela coisa tem um gosto horrível. - Segundo, como disse antes você parece um zumbi. Um descanso te cai bem.

- Vocês tem certeza? - Ela parecia tentada a aceitar a oferta, mais um pouco e conseguimos.

- Sim, temos certeza. Não é saudável só focar em trabalho e esquecer de relaxar. E eu tô falando de dormir, não de maconha. - respondo. Mabel balança a cabeça, concordando comigo.

Wendy ri, a postura ficando um pouco menos tensa. - Tudo bem, tudo bem. - Mas só hoje, ainda tenho muito o que fazer quando acordar.

Sorrio. Eu e Mabel trocamos um soquinho, satisfeitos por conseguir fazer nossa amiga ruiva dar uma pausa. Depois disso não demorou muito até chegar na escola. Descemos do carro e nos despedimos de Wendy, acenando pra ela. Nos viramos e damos de cara com nossa escola, uma instituição de Ensino Médio comum, sem nada de especial. No pátio tem aqueles adolescentes correndo em velocidade máxima, outros fofocando e há sempre aquela falta de desodorante. O ar cheira à ansiedade, hormônios e CC.

Olho em volta, percebendo que Mabel já não se encontra mais ao meu lado e vejo que se distanciou pra ir de encontro com suas amigas. Dou de ombros, não dando muita bola pra isso. Eu tenho minha própria dubla pra achar afinal. Entro na escola. Os corredores são um campo de batalha, um piso em falso e você acaba dentro de uma lata de lixo por causa de uns valentões ou com a cabeça na privada enquanto dão descarga. Eu sei, nojento, ninguém quer isso. Porém, como um cara de posição baixa na escala social, sou um alvo fácil. Então cabeça abaixada, siga as regras e não seja notado. Assim sobrevivo nesse lugar.

Um pouco mais a frente vejo meu amigo Wirt em seu armário e corro até ele.

Wirt é meu melhor amigo desdo segundo semestre do ano passado, quando ele começou o Ensino Médio atrasado e me designaram pra ajudá-lo a alcançar os outros, já que me consideram um gênio ou algo assim. Não dá pra dizer quando a amizade surgiu mas dá pra dizer que não teríamos sobrevivido a uma caralhada de coisas sem a ajuda do outro.

Ele e o meio-irmão passaram o verão todo em uma casa de praia mais ao sul junto da família, sem internet. Então não pudemos nos ver ou conversar a menos que fosse por ligação. Nossa, quanta saudade senti desse cara.

- Cabeça de cone! - pulo em suas costas, rindo, e quase o derrubo no chão.

- Oi pra você também, Dipper. - Ele ri, dando tapinhas no meu braço para que eu solte ele. O solto e Wirt fecha seu armário, passamos a andar lado a lado até nossas primeiras aulas do dia. - pronto pra começar mais um ano?

- Definitivamente não. - respondo, então ajeito a alça da mochila no ombro. - Mas como é inevitável, só posso aceitar.

- Sim, sim. Somos todos almas confinadas a vagar pelos veias entupidas de gordura desse coração que é a escola de Ensino Médio. - Wirt diz de forma dramática com uma mão no peito, então ri e olha pra mim em expectativa. Dou uma risada.

- Isso foi terrível. Me avisa quando escrever um poema sério.

- Ei! - Ele sorri, dando uma leve cotovelada no meu braço. - Isso foi sério.

- Se isso foi sério temos um problema maior do que pensei sobre suas habilidades com poesia.

- Se eu tenho um problema com minha poesia você tem um problema com esse seu cérebro fanático por mistério.

- Quem sabe. - Simplesmente dou de ombros. - Talvez você tenha razão e somos dois problemáticos.

O sinal toca, um barulho estridente e de acabar com os tímpanos de qualquer desavisado que perambulava pelos corredores. Os alunos passaram a andar mais rápido e um deles esbarrou no meu ombro. Estava pra reclamar mas o garoto já tinha sumido. Tenho quase certeza que era um loiro, talvez cabelo castanho claro? Argh, não deu pra ver direito.

- Bem, acho que te vejo no almoço. - digo, soando mais desapontado do que queria. Tento disfarçar. - Me conta como foi a viagem em família depois, não pule os detalhes sórdidos.  

- É, certo. “Detalhes sórdidos” - Ele ri, um leve rubor na bochechas. - Até o almoço.

Paramos de andar, tínhamos chegado a minha sala de cálculo avançado, a primeira do dia. Ele acena pra mim e se distancia, faço o mesmo e depois passo pela porta. Sigo em direção a um lugar no meio da sala. O lugar era longe o bastante pra evitar o cuspe do professor quando fala porém perto o bastante pra ouvi-lo com clareza, a cadeira perfeita. O resto dos alunos terminam de entrar e sentam em seus lugares, o professor foi o último a entrar e fecha a porta atrás dele. Sr Rômulo deixa sua mochila na mesa e fica de pé em frente ao quadro, o olhar de águia que parece penetrar sua alma e descobri cada cola que tu fez na vida continua o mesmo.

- Alunos, tenho um anúncio a fazer. - um burburinho de sussurros começou. - Silêncio, não é nada com o que se preocupar. Dessa vez. - Ele dá um sorriso de canto e faz um sinal pra porta.

Um garoto que aparece ter minha idade abre a porta e entra na sala. Ele anda e para ao lado do professor. Arregalo os olhos, um sensação súbita de medo me corrói por dentro, começo a suar frio e tremer, embora não saiba bem o porquê. Não havia nada demais nele, cabelo loiro, roupas talvez formais demais e um corpo alto demais. Mas um detalhe se destaca. Uma enorme e horrível cicatriz exatamente onde deveria ser o olho esquerdo está a mostra. A mochila dele pendia em um dos ombros. O sorriso convencido no rosto daquele menino era diabólico, como se tivesse posto fogo na cozinha e ninguém teria como descobrir que foi ele.

Tenho um mal presentemento. O sr Rômulo volta a se manifestar.

- Esse é o mais novo aluno da turma, se apresente rapaz. - Ele dá um tapinha no braço do menino e volta para sua mesa. O sorriso sinistro do rosto dele só aumenta.

- Claro, Prof. Eu sou Bill Cipher, espero que possamos todos ser amigos.



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