1. Spirit Fanfics >
  2. Segunda Chance >
  3. E da luz te criareis!

História Segunda Chance - Capítulo 7


Escrita por:


Capítulo 7 - E da luz te criareis!


Dean e Morgan largaram-se rapidamente. Ela tentando abaixar a velha camiseta (em vão) enquanto ele sorria marotamente para Castiel.

- Estou atrapalhando? - perguntou Castiel enquanto tentava não fixar o olhar nas pernas de Morgan.

- Hum... Não! Não! Você nunca atrapalha, Cas! - respondeu Dean, enquanto Morgan sentava-se na beirada da cama dele.

- Bem, eu... - Castiel fitou ambos. - Eu gostaria de conversar com a Morgan, Dean.

- Claro! Olha ela aí! - sorriu.

- Não... Em particular. Se importa?

Dean olhou para ambos, mexeu as sobrancelhas e fez que sim com a cabeça. Vestiu a jaqueta escura e saiu do quarto.

Morgan permanecia sentada na beirada da cama, os cabelos agora mal presos num coque mal feito. Muito mal feito.

Castiel apoiou-se na bancada.

- Então, Cas?!

- Os poucos que te conhecem no céu relatam que você foi expulsa após cometer incesto com o diabo. O que nos garante que você realmente vai ajudar?

- Lúcifer e eu, antes de qualquer coisa, éramos muito amigos. Nós dois pensávamos da mesma forma. Acreditávamos que os mortais fossem estragar todo o trabalho de Deus, que fossem se transformar em verdadeiros monstros e talvez até desonrando seu próprio pai. Das amizades assim Castiel, costumam nascer outros tipos de sentimentos. Sentimentos estes que nunca nos foram ensinados porque somente os humanos eram merecedores de senti-los. A nossa amizade gerou a primeira maçã, o primeiro ''pecado'' - fez aspas com os dedos finos e brancos - foi cometido no céu. Nós dois fomos expulsos, ele jogado num buraco escuro e quente e eu isolada no nada, na luz que me cegou por tantos anos. Deus abandonou Lúcifer mas ainda assim me procurou, Ele sempre me procurou pra ver o meu sofrimento e como eu conseguia lidar com ele. Eu criei o Purgatório para abrigar criaturas como eu que não possuem lugar no mundo, muito menos um nome ou família. E foi lá que eu percebi, depois de tantos relatos daqueles que foram transformados, que a humanidade não era de toda ruim... Muito parecido com o céu, não é mesmo?

Castiel fixou o olhar na porta, Dean estava sentado na varanda do quarto.

- Eles não precisam se matar por um pai que nunca esteve presente. Deus se foi, Castiel. Há muito tempo Ele nos abandonou a própria sorte. Não estou do lado de nenhum dos meus irmãos, só quero que eles desistam dessa ideia ridícula. Entendeu agora?

- Creio que sim. - abaixou a cabeça e fitou o chão.

- Eu sei que você tinha grandes expectativas com Ele. Acredite, todos nós tínhamos. E quantos de nós ainda têm... Não sei se algum dia Ele retornará, até lá estaremos sozinhos. Mas juntos podemos conseguir alguma coisa. - ela sorriu. Um sorriso de esperança. Um sorriso sincero. E foi esse sorriso que fez Castiel acreditar nas palavras dela. Sumiu.

Dean olhou pra dentro do quarto através da porta de vidro, levantou-se e entrou.

- Cadê o Cas?

- Ele já se foi.

- O que ele realmente queria?

- Saber se eu realmente estou aqui para ajudar.

- E está? Não é?

- Sim e estarei por quanto tempo você precisar... - ela se levantou, foi até ele.

- Hum hum... - Dean caminhou até ela — Nós não estávamos...???

Morgan olhou fundo nos olhos de Dean. Pôde ler a vida inteira dele naquele momento... Seus medos, seus sonhos. Até seu coração. Corações possuem história e moradores. Morgan estava em uma das linhas e ela adorou saber disso. Sorriu para ele. Eles se beijaram, não da forma como fizeram anteriormente, desta vez havia um novo sentimento, haviam novas sensações. Ele só havia sentido algo assim com uma única pessoa, mas isso foi há muito tempo... Todo caçador teme nunca mais sentir o que Morgan estava fazendo nascer em Dean.

 

Sam e Bree estão no Impala, não demorará muito para chegarem a casa de Bobby.

- Então, Bree... Como aconteceu exatamente?

A garota estava com a cabeça encostada no vidro, observava os pingos de chuva caírem do outro lado. Os pés no painel do carro, os braços cruzados.

- Nossos pais eram caçadores. E irmãos. Eles estavam caçando alguma coisa, mataram o líder e estavam sendo perseguidos. Tivemos que nos mudar... Naquela noite o bando os seguiu. Me colocaram nos braços da Morgan e a empurraram pro porão. Ela sempre me contou que havia me escondido numa cesta e que ficou no fim da escada, de guarda, para me proteger caso alguém entrasse. E quase entraram. Ela subiu e tentou agarrar a porta, foi quando aconteceu. Ela disse que ouviu um grito e que o bando correu em disparada.

- E depois?

- Ela nunca fala sobre isso... Deve ter sido muito difícil pra ela sair do porão e encarar tantos corpos, inclusive os dos pais dela... - Bree se fechou. A garota falante, divertida e comilona era agora dispersa e introvertida.

Sam tentou imaginar como teria sido se fosse com ele. Neste momento percebeu que Dean e Morgan tinham este ponto em comum: tornaram-se responsáveis muito cedo.

Que infância ela teve? Quais eram seus sonhos? Seus medos? Como Morgan conseguiu sobreviver sozinha?

- Chegamos!

A casa de Bobby Singer ficava depois do ferro velho. A propriedade era grande, cercada por um portão de ferro. Em meio à tantas carcaças velhas, mal podia-se enxergar a residência. O Impala adentrou na escuridão, somente uma janela iluminada. Bree tirou os pés do painel, pegou a mochila e abriu a porta.

- Então é aqui que ele mora??? - ela parecia não acreditar.

- É sim.

Sam bateu três vezes na porta, com intervalos. Uma maneira de dizer quem era. Logo, Bobby a abriu.

- Oi Sam. Oi... Quem é ela? É o primeiro anjo? Se for é bem diferente do que você comentou...

- Não... Não... Essa é a Bree, a prima da Morgan.

- Ah, oi pra você também.

Bree sorriu mas não fora muito convincente.

- Vocês demoraram!

- É, pois é! Paramos pra comer... Algumas vezes. - Sam disse com certo pesar enquanto fixava os olhos em Bree.— O que você achou Bobby?

- Bom... Pra começar, aqui diz que Deus fez algumas experiências antes de criar os anjos e todo o resto. Ela foi a primeira experiência dele, foi feita a partir de algo chamado Najmah. Andei pesquisando e quer dizer estrela. Enfim, ela foi criada a partir de um punhado de luz, porque Ele queria que todas as suas criações fossem iluminadas. Pois bem, parece que a criação foi contra o criador e assim isolada em um lugar no espaço. Após algum tempo, quando Deus já havia criado algumas coisas, ele a libertou. Somente os Arcanjos sabem que ela existe. Por algum motivo, Deus deu a ela um poder muito maior, inimaginável. O fato é que, o próprio diabo e a irmãzinha mais velha se enrolaram pra valer, sabe? E por isso Deus os expulsou. Lúcifer foi jogado num buraco escuro e quente e ela no vazio. Pouco depois do que aconteceu com a minha mulher, pouco depois de... Eu a matar... Houve um episódio que me fez pensar... Uma estrela cadente ou seja lá que diabos foi aquilo caiu próximo a casa de um vizinho meu que também era caçador, Nathaniel Morrigan. Dias depois ele contava vantagem de que a esposa que não podia ter filhos estava finalmente grávida.

- Morrigan... Então você realmente conheceu Nathaniel...

- Eu não sabia que criaturas poderiam nascer de ventres humanos!

- Nem eu. Nem eu, Bobby.

- A família era até normal se considerar que todos os homens eram todos caçadores. Eu cheguei a ver a criança, não tinha nada de diferente. - bebeu um gole de cerveja. - Estavam caçando Vampiros, ah! Já fazia muito tempo! Nathaniel dizia que sabia onde o ninho ficava. Pouco depois de uma caçada eles se mudaram. Perdemos contato. Seu pai e ele caçaram juntos algumas vezes.

 - Ela não tem poderes, Bobby. - disse Sam após observar os olhares de Bobby para Bree que dormia tranquilamente.  

- Menos mal. Não gostaria de ter um monstro dormindo na minha poltrona preferida.- riram.- E o Dean?

- Ah... O Dean... Bom, digamos que eles não se deram lá muito bem. - riu.

- E você?

- Eu?

- É, e você?

- Eu não sei... Acho que ainda não passei tempo suficiente com ela para dizer.

- E está com cara de que quer mesmo passar... Filho, ela é como todos os outros filhos da mãe que matamos. Quem diria, o primeiro anjo direto para as crônicas de um velho bêbado!

 

Quando Bobby apagou no sofá, Bree ainda continuava a dormir. Sam sentou-se no topo da escada e refletiu sobre o que estava acontecendo. No fundo ele torcia para que Morgan conseguisse interromper o Apocalipse, ele só queria poder viver, poder ver o irmão e os amigos vivos. Mas uma parte dele também gostaria que ela também pudesse viver.

 

O beijo entre Dean e Morgan se transformou no silêncio poucos minutos depois. Após um sorriso trocado as luzes do quarto começaram a querer apagar. Dean pegou a arma que estava na mesinha, Morgan rapidamente se vestiu.

- Pegue as coisas, Dean.

- O quê?

- Pegue as coisas! Não temos muito tempo!

Os dois pegaram as malas, os papéis que estavam jogados na mesinha. Morgan sinalizou para que Dean a seguisse até o banheiro e ele o fez. Trancaram a porta.

- Agora, você precisa confiar em mim.

- Eu já confio em você.

Um cântico enoquiano foi sendo sibilado por ela, neste momento a porta do quarto é aberta num estampido. Passos do outro lado da porta, o sibilar dos lábios dela, a arma engatilhada na mão dele.

- O que quer que seja que você está fazendo precisa terminar agora! - ele gritou.

- ... Samaá!

 

 A porta do banheiro se abriu e quatro demônios entraram...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas nada lá encontraram.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...