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História Segunda Chance - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Coisas mortas


                                                                                                                                                   

-Eu conheço esse lugar...
  Dean e Morgan estão caminhando numa estrada já muito conhecida pelos irmãos Winchester. Porém, a escuridão a torna mais longa, mais difícil a pé. 
-Claro que conhece, quando não estão na estrada matando alguma coisa estão aqui matando o Bobby de tédio com suas brigas inúteis.
-Como você...?
-Sua vontade era estar aqui então aqui estamos.
-Então você se teletransporta, me leva junto e nem me avisa antes?
-E te avisar mudaria o fato da necessidade de sairmos de lá?
-... Podia ter feito um sinal pelo menos, né? Tava preparado pra isso não.
-Então se prepare. O que foi atrás de você lá com certeza virá até aqui.
-E o que era?
-Demônios. A notícia da sua súbita saída do inferno causou alvoroço total.
-Eles sabem quem me tirou de lá?
-Só sabem o de sempre, que Deus pediu e que um Anjo foi lá e fez.
-Não sabem sobre você?
-Não.
-Nadinha? Mesmo você sendo irmã do Diabo?
-Eu sou uma espécie de lenda que passou de boca em boca entre os polos. Lúcifer não teria motivo pra falar de mim, Dean.
-Ressentimento?
-Decepção.
-E pra isso, ele tem motivo?
-Na visão dele, sim.
-O que realmente aconteceu entre você e o diabo?
-A história é longa, Dean...
-A estrada também.
-Lúcifer é o primogênito dos Arcanjos. Considerado o ''filho favorito.''- fez aspas com os dedos - Tínhamos muitas coisas em comum naquela época. Acreditávamos nas mesmas coisas e isso irritou o meu pai. Ele me trancou no breu por muito, muito, muito tempo. De era em era me fazia uma ''visita''. Observava o meu sofrimento, a minha solidão, mas não se compadecia. Até que um dia me libertou. A humanidade já havia se corrompido. Muitas tragédias acontecido. Então Lúcifer e eu nos unimos de uma forma que meu pai não aprovou. Fomos jogados no abismo. Meu irmão caiu mais fundo enquanto eu, beirando a superfície consegui me manter. Criei o que vocês chamam de limbo. Um lugar pra coisas como eu. E elas não paravam de chegar. Mesmo assim me senti sozinha. Então eu fiz o inacreditável... Nasci de um ventre humano. Lúcifer nunca me perdoará pela minha escolha pois ambos acreditávamos que os humanos não eram dignos do paraíso- sem ofensa.
-Ainda acredita nisso?
-Há muito deixei de acreditar. Não é a toa que estou aqui.
-Por que a família Morrigan?
-Era pra ser a família Singer.
  Dean parou. Pensou. Parou novamente.
-Singer? Do Bobby e da Karen Singer?
-Exatamente. - Morgan parou e olhou Dean nos olhos. Num fraco feixe de luz vindo de um poste, Dean pôde ver a expressão de preocupação no rosto dela. - Não conte ao Bob mas, Karen estava grávida quando ele a matou. Eu precisava nascer então escolhi outra mulher que não podia engravidar.
-Perder mulher e filho num mesmo dia, seria muito pro Bobby saber.
  
  Sam e Bobby estão na sala ainda discutindo sobre o Primeiro Anjo quando escutam batidas na porta da frente. Pegam as armas por precaução. Ouvem a voz de Dean. Bobby destranca a porta.
-Como você chegou aqui?
-Tenho uma boa explicação pra isso, Bobby.
-Dean?!- perguntou Sam surpreso.
-É, tivemos que adiantar o nosso reencontro.
-E cadê a...?
-A Morgan? Ela tá aqui do lado, com medo do Bobby não deixar ela entrar. -riu.
  Bobby pôs a cabeça pra fora da porta, se curvou e fitou Morgan. Ela caminhou até a porta. Sorriu.
-Olá de novo, Bobby.
-Mas que merda! Eu conheço você...
-Sim, sou filha dos Morrigan.
-Filha?
-Sim.
-Mas Sam me disse que encontraram a arma! Que era o Primeiro Anjo! O que você tem a ver com isso?
-Eu sou o que o Sam disse.
-Um anjo que nasceu de uma humana?
-Era impossível, Bobby. Até ela tornar possível. A gente pode entrar agora, hein?
 
   Quando Morgan passou por Bobby ele a olhou com uma expressão de profundo pesar pois Bobby se lembrava da garotinha curiosa de olhos azuis que sempre o cumprimentava quando visitava o seu pai nas noites de poker. Bobby sentiu muito pela morte da família Morrigan e achava que a garotinha também havia morrido ou algo pior: sido transformada pelo resto do bando. E agora ela estava ali. E nunca foi uma garotinha. Era uma das coisas que eles caçam. Bobby estava confuso. Uma confusão diferente da de Sam que se identificava com as dúvidas de Morgan o que o fazia sentir empatia por ela. Que era uma confusão diferente da de Dean que se apaixonava por ela a cada minuto.
   Morgan sorriu quando viu Bree dormindo no sofá.
-Ela se comportou, Sam?
-Ah... Sim. Sim. Ela se comportou. Só não imaginei que comia tanto. -riu.
-Eu esqueci de avisar...
-Pelo menos agora eu já sei.- riu.
-Encontraram alguma coisa?
-E precisa encontrar mais? Ela já não está aí do seu lado? Eu ainda preciso procurar alguma coisa?
-Eu só pensei que...
-Dá um tempo, Dean. É a merda do fim do mundo.- e saiu da sala bebendo uma cerveja.
-Dá um tempo pra ele, Dean. Ele ainda não conseguiu lidar muito bem com a Morgan...
-E você acha que eu já?- riu e piscou marotamente pra Morgan que o olhou com desprezo.
-É, parece que sim. Mas e aí? Como vocês chegaram aqui tão rápido? Eu ia sair de manhã pra buscar vocês.
-É mas parece que eu recebi uma visita desagradável e a Lilly Munster aí teletransportou a gente pro fim da estrada e a gente precisou vir caminhando até aqui, no escuro.
-Visita desagradável? No motel? Você tá de brincadeira?!
-Não, Sam. Ele não está. Dean está sendo procurado por uma horda de demônios e quem o tirou do inferno vai pagar.
-E o Castiel está sabendo disso? Não acha que precisa avisá-lo?
-Não, Sammy.
-Mas por que? Não foi ele quem te tirou da ''perdição''?
-Foi eu.
-Você?
-Castiel não tem poder pra isso, Sam.
-...Mas você tem.
-Infelizmente.
-Infelizmente? Você é a única que pode acabar com essa guerra e me diz infelizmente?
-Há muitas coisas além disso, Sam. Coisas que você não sabe...
-Então conta! Acho que a gente merece saber com o que estamos lidando e quem está nos ajudando.
-Sammy, relaxa!-pediu Dean.
-Porque ela não contou tudo isso antes? Porque esperou todo esse tempo?
-Não era o momento nem o lugar pra isso, Sam.
-O que mais você esconde da gente? O que mais vai esconder?
-Escuta aqui, porquê você tá tão nervosinho?- perguntou Dean.
-Deixa pra lá. Você não vai entender...
-Eu já não estou entendendo, Sammy. Não importa o fato dela não ter contado antes, importa ter contado. Ela salvou a gente mais cedo e me salvou há uma hora atrás. Que prova você quer que ela dê?
  Sam suspirou e saiu da sala. Morgan se aproximou de Bree que acordara com a discussão.
  O fato é que Dean não compreenderia que Sam também se apaixonava por Morgan a cada minuto e que saber que ela e o irmão estavam se entendendo era, apesar de tudo, doloroso pra ele. Sam queria ter ficado no Motel com ela. Mas não foi ele quem ficou. Foi Dean. Foi a Dean que ela salvou. Foi Dean que passou horas ao lado dela e que já a conhecia bem o suficiente para ter confiança. Sam queria isso também. Tanto quanto lá no fundo ainda desejava deixar de caçar coisas, de salvar pessoas e do negócio da família.  
 



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