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História Segundas Chances - Capítulo 3


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Notas do Autor


Oiee!

Gente, eu nunca postei tão rápido numa fic quanto to postando essa, deve ser a quarentena... kkk
Mas assim, não acho ruim pq fazer conteúdo pras pessoas ficarem entretidas também é bom!

Então, o capítulo é tão fofo que tá causando diabetes instantânea. Honestamente, eu queria só escrever fofura, e a maioria vai ser mesmo, mas eles vão ter alguns problemas no caminho ainda.

Espero que gostem do capítulo, boa leitura!

Capítulo 3 - Capítulo 3


Lan Xichen gostava do que fazia no trabalho. Era um serviço exigente, ele usava muito de seu tempo pensando no que fazer, em qual era a melhor forma de agir, no que poderia acontecer. Era necessário ter uma boa visão, perspectiva e o que chamavam de jogo de cintura. Ele não queria se gabar, mas ele tinha isso tudo, e ainda era agraciado com uma pitada de sorte em tudo o que fazia. Ele tinha confiança em suas decisões, e sempre pode acreditar nos seus instintos. 

 

Normalmente, ele preferia não exceder seu horário na empresa, para que ele não ficasse sobrecarregado. Ele conseguia manejar seu tempo muito bem, e por mais que tivesse mais trabalho, ele poderia deixar pro dia seguinte. Ele havia demorado um tempo para conseguir fazer e manter esse equilíbrio no passado, mas ao menos nunca havia esquecido como fazê-lo. Assim, voltar ao trabalho havia sido como voltar a andar de bicicleta, ele só precisou começar novamente. 

 

Infelizmente ele não podia dizer o mesmo sobre o seu tempo em casa e seus hobbies. Ele havia abandonado o golfe, e sua flauta, ele achava que se tentasse tocá-la agora, ele apenas assopraria o pó para fora. Ele passava muito de seu tempo agora pesquisando sobre novas estratégias para o mercado, estudando e algumas poucas vezes se distraindo com a TV e o jardim. Depois que A-Yuan havia entrado em sua vida, ele tinha alguns momentos com o pequeno. 

 

Um dia, era um domingo e Wei Wuxian e Lan Wangji estavam num almoço beneficente que a universidade de Lan Wangji estava oferecendo, A-Yuan havia ficado com ele. Enquanto Lan Xichen cozinhava, o pequeno andava pela casa, fazendo-lhe mil perguntas sobre a mobília. Ele havia largado seus brinquedos na sala, já entediado. 

 

-Tio, o que é essa espada? - o pequeno perguntou apontando a decoração.

 

-Ela se chama Shuoyue, e já foi a arma de um guerreiro antigo. - Lan Xichen explicou. -Você gostou dela?

 

-Papai Wangji também tem uma espada assim. Por que elas ficam na parede? - ele perguntou de novo.

 

-Porque não podem ser usadas contra as pessoas. Elas já estão aposentadas. - Lan Xichen disse. 

 

-E o que é aposentada?

 

-Quer dizer que elas estão cansadas e agora querem só descansar, como o tio Qiren. - Lan Xichen explicou.

 

-E essa flauta? Você sabe tocar como papai Wuxian? - o pequeno continuou perguntando. 

 

-Eu sei tocar sim, aprendi junto com seu pai Wangji. - Lan Xichen disse.

 

-O tio pode tocar pra mim? - a pergunta inocente de A-Yuan desencadeou várias memórias que, em qualquer outro momento anterior em sua vida, eram momentos bons. Agora, apenas cutucava feridas dolorosas, trazia tristeza e desapontamento. Ele não podia culpar o pequeno por não saber.

 

-Já tem muitos anos que o tio não toca, A-Yuan. Talvez outro dia?

 

-Tudo bem. - o pequeno falou sem insistir, e às vezes Lan Xichen achava que A-Yuan captava muito mais do que eles imaginavam. 

 

-O almoço está pronto, A-Yuan, vamos lavar as mãos para comer. - ele chamou.

 

Os dois foram ao banheiro, lavaram as mãos e se sentaram para comer. Lan Xichen não era um exímio cozinheiro, mas ele sabia o suficiente para sobreviver. Era melhor do que a comida tóxica de pimenta que Wei Wuxian fazia, mas não chegava aos pés da comida que seu irmão mais novo sabia preparar. A-Yuan já entendia isso muito bem.

 

-A comida de papai Wangji é melhor… - ele comentou em algum momento depois do almoço. 

 

-Assim você fere meus sentimentos, A-Yuan. Eu realmente me esforcei para fazer algo gostoso…

 

-Estava gostoso tio! Muito melhor que a comida de papai Wuxian… - A-Yuan falou rapidamente. Ele demorou um pouco para colocar seus próximos pensamentos nas palavras certas. -Como é parecido com papai Wangji, eu achei que cozinhasse como ele.

 

Lan Xichen riu antes de responder.

 

-Você vai ver que eu e seu pai, apesar de parecermos na aparência, não parecemos em muita coisa mais. 

 

-Vocês dois tem espadas. - o pequeno falou.

 

-É verdade. Nós somos da mesma família, fomos criados da mesma forma, mas mesmo assim, as pessoas são diferentes. Você não vai ser igual ao seu primo Jin Ling, apesar de vocês serem da mesma família. - Lan Xichen explicou. 

 

-Como papai Wuxian e tio Jiang Cheng são diferentes, né? - o pequeno falou, depois de pensar um pouco.

 

-Exatamente. 

 

O pequeno ficou mais um tempo em silêncio. Eles estavam na sala, e A-Yuan estava sentado com um livro no colo. 

 

-Tio, porque tio Jiang Cheng nunca mais ficou com a gente aqui? Aquele dia do zoológico, foi legal, não foi? 

 

-Foi sim, mas seu tio tem outras coisas pra fazer. Ele é ocupado. - Lan Xichen disse.

 

-Podemos ligar pra ele? E chamar ele pra brincar? - A-Yuan perguntou inocentemente. -Se ele não estiver ocupado…

 

-É claro. - Lan Xichen falou, sem saber como fugir da pergunta. Ele podia tentar, e se Jiang Cheng não se importasse, ele também não se importaria. 

 

O problema era que ele não tinha o número de Jiang Cheng. Ele mandou uma mensagem para Wei Wuxian explicando a situação. Lan Xichen estava se sentindo um pouco ansioso, e quase quis que o cunhado não respondesse, que estivesse muito entretido no almoço, mas ele parecia estar entediado, já que respondeu quase que imediatamente. 

 

‘Aqui está, só tente não mimar A-Yuan demais, não faça tudo o que ele pede se não estiver à vontade.’

 

Lan Xichen agradeceu ao cunhado e reforçou que não teria problema fazer o que A-Yuan queria. Ele salvou o contato de Jiang Cheng e ligou pra ele.

 

-Deixa eu falar! - A-Yuan falou animado, pulando no sofá. 

 

Bem, seria melhor se o pequeno falasse de qualquer forma, assim ele evitava de ter que se explicar. Assim que Jiang Cheng atendeu, ele passou o telefone para A-Yuan.

 

-Tio! - ele falou animado. -É o celular do tio Xichen, eu tô na casa dele. - ele respondeu o tio. -Eu queria saber se você quer vir aqui pra brincar… Tá bom. Tio Xichen, ele me pediu pra falar com você.

 

-Obrigado, A-Yuan. - Lan Xichen recebeu o telefone de volta. 

 

-Você não se importa se eu for? - Jiang Cheng perguntou. -Eu na verdade tenho algum trabalho pra fazer, mas pode ser feito outro dia, e eu não perderia a oportunidade de ver A-Yuan. Mas é a sua casa, então não quero me intrometer. 

 

-Não se preocupe, eu deixei que A-Yuan te chamasse, então não tem nenhum problema. - Lan Xichen garantiu. -Ele vai ficar feliz se vier. 

 

-Vem tio! - A-Yuan disse animado. 

 

-Esse pestinha, tem todos na palma da mão. - Jiang Cheng riu do outro lado da linha. -Eu vou me trocar e vou para o Recanto das Nuvens. 

 

-Estaremos esperando. - Lan Xichen disse, e ele sentiu seu rosto esquentar. -Quero dizer, A-Yuan… Ele está bastante animado. 

 

-Até mais. - Jiang Cheng falou rapidamente do outro lado e desligou. 

 

Lan Xichen desligou e guardou o celular, se forçando a não se dar um tapa na testa. Como assim estaremos esperando? Ele não podia ser mais vergonhoso? Ele voltou sua atenção a A-Yuan para confirmar que o tio estava a caminho. 

 

Eles esperaram pouco mais de 30 minutos até o carro de Jiang Cheng estacionar na frente do Hanshi e A-Yuan correr para cumprimentá-lo. 

 

-Tome cuidado pra não tropeçar, A-Yuan! 

 

Jiang Cheng estava fora do carro com o pequeno nos braços quando Lan Xichen chegou à porta da frente. Ele convidou o outro para entrar, sorrindo para a cena. 

 

-Nós estávamos lendo, não é A-Yuan? - Lan Xichen falou. 

 

-Sim! Tio Xichen lê muito bem! - A-Yuan falou.

 

-E o que vocês estavam lendo? - Jiang Cheng perguntou.

 

-Era a história da família urso! - A-Yuan respondeu. 

 

-Você vai querer terminar, A-Yuan? - Lan Xichen perguntou. 

 

-Vamos! Tio Jiang Cheng você escuta comigo? 

 

-É claro, foi pra isso que eu vim. - Jiang Cheng falou e sentou-se no sofá. A-Yuan apenas se fez confortável no colo do tio e olhou esperançoso para Lan Xichen para que continuasse a história. 

 

Lan Xichen sentou-se numa poltrona ao lado do sofá, pegou o livro e continuou de onde havia parado.

 

-Mas tio Jiang Cheng não ouviu desde o começo. Pode começar de novo, tio Xichen? - A-Yuan falou.

 

-Não se preocupe comigo, A-Yuan, eu conheço a história. - Jiang Cheng falou rindo.

 

-Então tá. - o pequeno deu de ombros e então deixou o outro tio continuar a história.

 

Assim que terminou, A-Yuan correu e pegou outro livro, que ele também leu obedientemente. Quando o pequeno ia buscar um terceiro livro, Jiang Cheng o fez mudar de ideia, e eles foram desenhar. Eles gastaram a tarde quase toda fazendo pequenas atividades, e no fim da tarde eles foram cuidar dos coelhos no cercadinho. 

 

A-Yuan já estava acostumado com os coelhos, já que ele ia constantemente ali com o pai Wangji. Eles levaram algum alface e outras folhagens para os coelhos.

 

-Eu não esperava que ele cuidasse deles até hoje. - Jiang Cheng falou quando eles chegaram no cercadinho que ficava escondido nos fundos do Jingshi. 

 

-Oh, Wangji trouxe dois deles pra casa um dia, e meu tio nunca pôde negar um pedido de meu irmão. Ele cuida deles desde então. - Lan Xichen riu. 

 

-Foi Wei Wuxian que lhe deu os dois coelhos, quando fazíamos aulas de pintura. Ele os havia ganhado, mas sabia que minha mãe nunca deixaria que ele os criasse. - Jiang Cheng explicou. -No casamento deles, você falou que Lan Wangji só teve os coelhos até Wei Wuxian, mas na verdade, eles já eram amigos naquela época. Eu via que os dois se davam bem, apesar de Wei Wuxian irritar Lan Wangji até suas últimas forças. 

 

-Eu não sabia. - Lan Xichen falou, sorrindo. -Então foi por isso que ele fez tanta questão de mantê-los. Faz muito sentido. 

 

-Na verdade, eu concordo com o que falou sobre eles serem feitos um pro outro. - Jiang Cheng falou depois de um tempo. -No casamento, também. - ele se explicou melhor. -Mas não é toda pessoa que pode desfrutar de uma história de amor como a deles. 

 

-Eu acho que você estava certo na festa, também. - Lan Xichen falou. -As pessoas escolhem estar ao lado uma da outra. Eles são apenas mais sortudos que a maioria. Uma possibilidade não exclui a outra.

 

-Tio Jiang Cheng! Venha ver os filhotes! - A-Yuan finalmente chamou por sua atenção de novo, e então eles deixaram a conversa pra lá, e foram ver os filhotes. -Eles são pequeninos!

 

-Como você, A-Yuan. - Lan Xichen riu.

 

-Mas eu sou bem maior que eles! - A-Yuan falou, quase ultrajado, inflando as bochechas. 

 

-Mas ainda é pequeno em comparação com os tios. - Jiang Cheng disse rindo. -Não vamos deixar eles com fome.

 

Eles alimentaram os filhotes e depois os adultos. A-Yuan ficou um tempo correndo atrás deles e, quando ele finalmente se cansou, Lan Xichen pegou-o no colo para que voltassem para o Hanshi. Antes de saírem do Jingshi, entretanto, eles viram o carro de Lan Wangji parando na garagem. O pequeno, mesmo cansado, se remexeu no colo do tio para que ele o soltasse e ele pudesse correr até os pais. 

 

-A-Yuan! - eles ouviram Wei Wuxian chamando assim que saiu do carro e o filho já estava agarrado em suas pernas. -Você está imundo! O que estava fazendo?

 

-Estávamos alimentando os coelhos! - A-Yuan explicou. 

 

-E você não quer tomar um banho? - Wei Wuxian perguntou novamente.

 

-Não! - o pequeno falou, soltando as pernas do pai imediatamente. Seu medo era o pai pegá-lo no colo e ele não poder fugir do banho iminente. -Eu vou voltar com os tios e terminar meu desenho.

 

-Se você voltar com tio Xichen e o tio Jiang Cheng, também terá que tomar um banho. - Jiang Cheng falou, e Lan Xichen o olhou admirado. -Olhe para você, parece um porquinho. 

 

-Mas eu posso continuar o desenho depois?

 

-É claro, A-Yuan. - Lan Xichen falou. 

 

-Então eu volto com os tios. - ele concluiu. -E quando eu terminar o desenho, eu volto pra casa.

 

-Então tá. - Wei Wuxian riu da assertividade do filho e deixou que ele prosseguisse com a sua agenda. -Então avise quando estiver voltando pra casa. 

 

-Tá! 

 

A-Yuan correu e pegou a mão de Lan Xichen e depois a de Jiang Cheng para puxá-los para o Hanshi. 





 

Ao fundo, Wei Wuxian riu e olhou para Lan Wangji significativamente.

 

-E esses dois…? - ele falou ao marido, que apenas observou os irmãos dos dois sendo puxados por seu filho. -Eles parecem se dar bem. 

 

-Mn. Meu irmão não tem nenhuma reclamação sobre Jiang Cheng. - Lan Wangji falou. 

 

-É verdade, e nem Jiang Cheng nunca reclamou sobre Lan Xichen. Nada. Nenhuma palavra. Isso é estranho, ele costuma ter algo para dizer sobre todos com quem encontra, mas mesmo depois de passar alguns dias e outros pequenos eventos com seu irmão, ele nunca falou nada sobre ele. - Wei Wuxian disse.

 

-Talvez não goste de Xichen. - Lan Wangji deduziu.

 

-Oh, não, com certeza não é esse o caso. Quando Jiang Cheng não gosta de alguém, ele é bem vocal sobre isso. Ele aluga meus ouvidos por horas para falar mal de qualquer pessoa que ele não goste, ou que não o passe uma boa primeira impressão. Ele fez isso com Jin Guangyao, sabe, quando o conheceu, ele não gostou dele logo de cara, chamou ele de fingido. -Wei Wuxian comentou, baixinho, para que Lan Xichen não chegasse a ouvir nada, mesmo que a essas alturas eles já estivessem quase na porta do Hanshi. -Bem, em todo caso, ele deve gostar de Lan Xichen, já que não se importou de vir. 

 

-Hm. - Lan Wangji. -Vamos para dentro. 




 

    

No Hanshi, A-Yuan correu para a sala para terminar seu desenho, desejando que os tios esquecessem que ele tinha que tomar um banho antes. Infelizmente, antes que ele chegasse ao desenho, tio Jiang Cheng pigarreou e andou até ele.

 

-A-Yuan, o que você prometeu? Que ia tomar um banho antes de terminar seu desenho. - Jiang Cheng falou duramente. 

 

-Tudo bem… - A-Yuan respondeu tristonho. 

 

-Pegue sua mochila com as roupas e vamos para o banheiro. - Lan Xichen falou. -Você pode ficar à vontade, Jiang Cheng.

 

-Não se preocupe comigo. - Jiang Cheng falou, sentando-se no sofá.

 

A-Yuan pegou suas coisas e foi para o banheiro, e Lan Xichen foi ajeitando seu banho, ligando a banheira e testando a temperatura. Ele ajudou o pequeno a sair de suas roupas sujas e a entrar na banheira, entregando para ele um patinho de borracha que sempre estava em seu banheiro. Enquanto A-Yuan brincava distraidamente, ele pegou o xampu e começou a lavar seus cabelos. 

 

No meio do banho, Jiang Cheng os procurou no banheiro para avisar que Wei Wuxian os havia chamado para jantar no Jingshi. 

 

-Oh, você trouxe um patinho de borracha também, A-Yuan?

 

-Ah, não, esse patinho na verdade… é meu… - Lan Xichen disse, corando profusamente. -Eu não brinco com ele! Eu só… Quando eu tomo banhos demorados, é interessante… Eu só olho.

 

Claramente sua explicação estava sendo vista com graça, Jiang Cheng tentava por tudo esconder a risada que queria sair de seus lábios, e Lan Xichen parou de tentar se explicar para admirá-lo. Ele era realmente um homem bonito, quando estava daquele jeito ainda mais do que quando estava sério e sisudo. Foi então a vez de Jiang Cheng pigarrear e tentar esconder o vermelho de suas bochechas. 

 

-O que digo a meu irmão? - Jiang Cheng perguntou.

 

-Ah, por mim tudo bem, se meu irmão cozinhar. - Lan Xichen disse.

 

-É claro, ninguém iria pela comida de Wei Wuxian. - Jiang Cheng riu. -Vou aceitar o convite.

 

Eles terminaram o banho, A-Yuan voltou finalmente para seu desenho, e pouco tempo depois eles voltaram para o Jingshi. Eles jantaram, A-Yuan mostrou aos pais seus desenhos, e mais tarde, Jiang Cheng se despediu do irmão, do cunhado e do sobrinho. 

 

-Hm, eu não tinha pensado que meu carro está na frente do Hanshi… - Jiang Cheng falou.

 

-Eu o acompanho até lá. - Lan Xichen se prontificou, despedindo também do irmão, do cunhado e do sobrinho.

 

-Até a próxima! - Wei Wuxian falou, acenando para os dois da frente da casa. 

 

Lan Xichen e Jiang Cheng andaram calmamente até o Hanshi. 

 

-Bem, até mais. - Jiang Cheng falou. -Agora que demos abertura, eu não duvido que esse diabinho me chame sempre que puder. 

 

-Eu não vou me importar. - Lan Xichen falou sorrindo. -Ao menos agora tenho seu número. - ele falou, e logo depois pensou melhor no que disse, e voltou a corar. Isso estava acontecendo com uma frequência alarmante perto de Jiang Cheng. 

 

-É, e eu o seu. - Jiang Cheng falou, acenando e entrando em seu carro extremamente extravagante. 

 

Lan Xichen também acenou e voltou a entrar em casa. O que estava acontecendo entre ele e Jiang Cheng? Lan Xichen quase tinha vergonha de contar quantas vezes ele se lembrava de ter corado na frente do outro. Ele só se lembrava de uma circunstância em que isso acontecia nessa frequência, e ele não queria pensar nessa outra circunstância, então decidiu não pensar nisso. 

 

Ele tinha que se preparar para o trabalho amanhã, e ajeitar um pouco as coisas em casa depois do furacão A-Yuan. Ele não conseguiu não pensar, entretanto, que Jiang Cheng seria um ótimo pai no futuro.





 

Lan Xichen continuou encontrando Jiang Cheng em eventos no Jingshi e algumas vezes, A-Yuan voltou a chamá-lo para ir ao Hanshi. Já havia muitas semanas que A-Yuan estava alegrando o Recanto das Nuvens, e hoje era seu aniversário de 3 anos. Lan Xichen foi para o Jingshi logo cedo, era um sábado. Lan Wangji estava dando o café-da-manhã de aniversário para o pequeno que era tradicional na família Lan. 

 

Eles comeram e conversaram (essa era a única refeição em que se podia, oficialmente, conversar). Lan Sizhui ganhou seus presentes do tio e do tio-avô, e também dos pais, e logo depois foi brincar com os coelhos. Mais tarde, eles receberiam os irmãos Jiang para uma nova comemoração. 

 

Quando Jiang Cheng e Jiang Yanli e a família chegaram, A-Yuan já tinha tomado um banho e estava esperando os tios enquanto desenhava. Lan Xichen estava já no Jingshi quando eles chegaram. 

 

O pequeno Jin Ling já estava com quase 9 meses a essas alturas, e era um bebê gordinho e fofo. Seu rosto e expressão ficavam cada dia mais parecidos com os de Jiang Cheng. Assim que Jiang Yanli o colocou no chão, ele engatinhou até o primo e tentou se levantar na mesa que ele desenhava. 

 

-Jin Ling já está tão crescido! - Lan Xichen se espantou. Ele era tão pequeno para ter tanta mobilidade.

 

-Ah, eles crescem tão rápido que você mal tem tempo de desfrutar. - Jiang Yanli falou. -Parece que foi ontem que ele começou a levantar a cabeça, e olhe aí…

 

-E está cada dia mais parecido com Jiang Cheng. - Wei Wuxian disse, um leve tom de revolta em sua voz. -Eles parecem pai e filho.

 

-Você acha que não sei? Já perguntaram mais de uma vez se Jiang Cheng não era pai de Jin Ling. - Jin Zixuan disse, resignado.

 

-A culpa não é minha se ele foi abençoado com a beleza do tio. - Jiang Cheng falou. 

 

-Eu não diria bem abençoado… - Wei Wuxian disse.

 

-O que disse…? - Jiang Cheng.

 

-Mas e A-Yuan, está cada dia mais parecido com Lan Wangji! - Jiang Yanli falou, cortando a briga dos irmãos. -Não é verdade? Olhe o nariz… 

 

-Eu pareço papai Wangji? - A-Yuan perguntou. -Mas eu não fui sempre filho dele e do papai Wuxian…

 

-Não é por isso que não pode parecer! - Jiang Yanli falou. 

 

-É verdade, agora que falou, realmente se parecem… - Lan Xichen disse sorrindo para A-Yuan. Havia uma semelhança, e seus temperamentos também eram parecidos, apesar de A-Yuan ser um pouco mais energético que Wangji quando era pequeno.

 

-Eu estou com fome, quando vamos jantar? - A-Yuan perguntou.

 

-Está tudo pronto. - Lan Wangji disse, e então eles foram se sentar na mesa de jantar. 

 

Depois de comerem, de darem mais presentes para A-Yuan, Jiang Cheng disse que estava planejando ir com A-Yuan até o aquário, já que ele havia gostado tanto de ir ao zoológico quando o levaram. 

 

-Amanhã é domingo, afinal, e eu ainda posso mimar meu sobrinho pelo aniversário. - ele riu. -O que acha, A-Yuan? 

 

-Eu quero! É lá que vive os pinguins! - A-Yuan falou animado.

 

-Desse jeito, você vai fazer todos os programas legais com A-Yuan primeiro que nós… - Wei Wuxian falou fazendo bico. 

 

-Ele não precisa ir só uma vez… - Jiang Cheng rebateu. -Deveriam me agradecer, assim ele já sabe o que gosta e vocês não precisam andar o lugar inteiro.

 

-Mas eu queria andar o lugar inteiro… - Wei Wuxian continuou.

 

-E ainda tem muitas coisa, parques de diversão, paraísos de crianças, e tem aquelas fazendas onde você pode alimentar os animais… - Jiang Cheng se justificou.

 

-Tudo bem. - foi Lan Wangji quem cortou a briga dessa vez. 

 

Quando estavam se despedindo, Jiang Cheng chamou Lan Xichen para perguntá-lo se ele não gostaria de se juntar aos dois no aquário amanhã. Lan Xichen corou levemente, mas aceitou de bom grado o convite. Mais tempo com A-Yuan era sempre bom, e ir ao aquário era tão novo para ele quanto era para A-Yuan, assim como havia sido no zoológico. 

 

Ele voltou para o Hanshi aquela noite imaginando se poderia contar o convite de Jiang Cheng como um passo a mais no relacionamento dos dois. Até ali, apenas Lan Xichen havia chamado Jiang Cheng a se juntar a ele e A-Yuan. 

 

No outro dia, ele se vestiu com um pouco mais de atenção, apenas porque podia (ele acordava no horário padrão de sua família, às 5h). Depois de tomar um café da manhã reforçado e ler as notícias em seu tablet, ele rumou para o Jingshi, onde A-Yuan estava terminando de ficar pronto. 

 

-A-Yuan, nós precisamos pensar seriamente em cortar seu cabelo. - Wei Wuxian falou enquanto tentava tirar a franja dos olhos de A-Yuan. 

 

-Mas eu quero ficar mais parecido com papai Wangji! Ele tem o cabelo grande! - A-Yuan falou, batendo um pézinho no chão. 

 

Wei Wuxian suspirou. -Tudo bem, venha, vamos tentar de outro jeito. Já sei! - e ele prendeu sua franja para cima como um coqueirinho. 

 

-Assim não! - A-Yuan brigou.

 

-Mas está tão fofo! - Wei Wuxian falou, fazendo bico.

 

-Se não se importa, eu posso ajudar. - Lan Xichen falou, se aproximando dos dois. 

 

-Obrigado! - Wei Wuxian falou, vendo o cunhado desfazer o coqueirinho e ajeitar o cabelo um pouco para o lado, fazendo um rabinho que não ficasse inteiramente para cima. 

 

-Assim está melhor, A-Yuan? - Lan Xichen perguntou. 

 

-Sim! 

 

-Mas, se o seu cabelo começar a te atrapalhar, é bom que corte pelo menos a franja. - Lan Xichen falou. -Wangji fazia isso quando era pequeno.

 

-Tudo bem. - A-Yuan falou e foi pegar algumas coisa que ele considerava importante para colocar em sua mochila para o dia. 

 

-Estou mandando uma muda de roupa caso precisem, carteirinha de identificação, um lanche e água, e ele pegou o macaco…

 

-O nome dele é Caco, papai Wuxian. - A-Yuan corrigiu.

 

-Certo, e o Caco, o chapéu que compraram pra ele no zoológico. - Wei Wuxian falou.

 

-Não se preocupe, A-Yuan se comporta bem conosco, ele foi excelente no zoológico. - Lan Xichen disse. 

 

-Viu papai, excelente! - o pequeno falou orgulhoso.

 

-Você é excelente, A-Yuan. - Wei Wuxian falou, pegando o filho no colo e assoprando sua barriga, fazendo um alto barulho. -Eu espero que continue sendo educado com seus tios. 

 

-Tio Jiang Cheng é assustador quando está com raiva, eu prefiro quando ele está feliz. - A-Yuan falou. -E ele fica feliz quando eu sou bonzinho.

 

-Exatamente. - Wei Wuxian riu. -Me espanta que ele tenha te chamado também, irmão Xichen. Ele costuma prezar muito seu tempo sozinho com os sobrinhos.

 

-Talvez porque A-Yuan se comporta bem conosco… - Lan Xichen falou, mas preferia pensar que Jiang Cheng estava se acostumando com sua presença.

 

-Eu estou começando a achar que meu irmão realmente gosta da sua companhia, mais que tudo. - Wei Wuxian falou. -Eu não me lembro de qualquer outra pessoa que ele não tenha nada para reclamar, além de Jiang Yanli, é claro.

 

Nesse momento, Jiang Cheng havia chegado, e ele não estava no carro extravagante que normalmente dirigia. Lan Xichen sorriu pensando que Jiang Cheng tinha um carro especial para levar os sobrinhos para passear. Era muito fofo. 

 

-Tio Jiang Cheng! - A-Yuan ouviu o tio estacionando e foi correndo para fora. 

 

-Bem, eu espero que se divirtam. - Wei Wuxian falou, passando a mochila de A-Yuan para Lan Xichen e indo se despedir do filho. Lan Wangji saiu de seu escritório para se despedir do filho também, e eles rumaram para o aquário. 

 

Assim que chegaram, Jiang Cheng correu para pagar os ingressos, assim como havia feito no zoológico. Quando entraram, ele repetiu as regras com A-Yuan, para que ele não corresse e pedisse se quisesse ver outra atração, para não se perderem do pequeno. O aquário era uma atração mais fechada, a maior parte era num espaço interno imenso, então eles podiam se preocupar um pouco menos com o pequeno.

 

Não que poderiam desviar a atenção dele por muito tempo, aconteceu apenas uma vez, e ele correu para se grudar no vidro da exibição dos pinguins. 

 

-Olha tio! Ele acabou de cair de cara! - ele riu, apontando um dos desengonçados pinguins. -Eles são engraçados! Parecem Jin Ling tentando andar.

 

-Não é legal falar de seu primo assim! - Jiang Cheng falou, mas estava rindo. -Você também teve que passar por isso antes de andar. 

 

-Tio eu estou com sede. - A-Yuan falou então, e Lan Xichen se agachou para pegar a água na mochila do pequeno. 

 

-Vamos continuar, A-Yuan, logo depois dos tubarões tem uma barraquinha de sorvete. - Jiang Cheng falou. 

 

Eles viram os tubarões, tomaram sorvete, que Lan Xichen fez questão de pagar, e continuaram pela exposição. Depois de um tempo, A-Yuan se cansou e Jiang Cheng o colocou nos ombros, o que animou muito o pequeno, que agora tinha um ângulo novo, e observava tudo pelo alto. 

 

-Olha tio Xichen! Eu estou mais alto que você! - ele riu. 

 

Depois dos pinguins, a exposição que o pequeno mais gostou foi a das belugas. Eles passaram vários minutos ali, o pequeno tentando chamar a atenção de cada animal que passava. 

 

Quando saíram do aquário, eles foram almoçar em algum lugar antes de voltarem para o Recesso das Nuvens. Jiang Cheng parou em frente ao Jingshi e retirou A-Yuan da cadeirinha, e ele correu para casa, como ele costumava fazer, para contar aos pais tudo o que havia acontecido em seu dia. 

 

-Eu posso te levar até a entrada do Hanshi. - Jiang Cheng falou, acenando para Wei Wuxian antes de voltar a abrir a porta do carro.

 

-Não é necessário. - Lan Xichen falou.

 

-Eu insisto. - Jiang Cheng disse, e Lan Xichen não soube como recusar novamente. Ele entrou novamente no carro.

 

Eles pararam na frente do Hanshi e quando Lan Xichen fez o movimento de abrir a porta, ele levantou uma mão para pará-lo. 

 

-Eu… Não sei se vai me achar um estranho, ou muito intrometido, mas… Você gostaria de jantar comigo algum dia dessa semana? Um encontro, mas sem A-Yuan. - Jiang Cheng perguntou, meio sem jeito, e Lan Xichen inicialmente não soube como responder, apenas o olhou surpreso. -Me desculpe, se eu estou lendo isso errado, ou se você se sentir mal por… Por estar indo rápido, eu só…

 

-É claro, eu posso em qualquer dia. - Lan Xichen finalmente encontrou sua voz para responder e para parar a cachoeira de desculpas que Jiang Cheng estava planejando dizer quando achou que estava sendo recusado.

 

-Bem… Se é assim, o que acha de quinta-feira? - Jiang Cheng perguntou.

 

-Às oito? - Lan Xichen perguntou.

 

-Ótimo.

 

-Então ótimo, está marcado. - Lan Xichen falou sorrindo, e finalmente abriu a porta do carro, olhando para o outro demoradamente antes de decidir que um beijo agora seria… Bem, pra ele, seria demais. Ele levantou uma das mãos e levou-a ao rosto do outro, e Jiang Cheng se inclinou levemente na direção de seu toque. -Obrigado.

 

E Jiang Cheng não teve tempo de sair de seu torpor e responder. Principalmente porque não saberia como responder. O que ele responderia ao agradecimento do outro? Ele nem conseguia juntar as palavras naquele momento, e observou Lan Xichen sair de seu carro e subir os degraus para a varanda do Hanshi e acenar em despedida antes de entrar na casa. 

 

A única coisa na mente dos dois naquele momento era: finalmente, um encontro. 

 


Notas Finais


Espero que estejam tão ansiosos quanto eu fiquei pra começar a escrever o encontro deles... kkkk

Eu queria dizer uma coisa, eu escrevi a história e depois fui checar os aniversários do Sizhui e do Jin Ling. Eles não batem com a história, e eu não quis mexer nisso, então eu preferi usar da minha licença poética nesse caso. Mas no caso é tudo licença poética pq é um trabalho de ficção, né... Enfim.

Muito obrigada pelos novos favoritos e pelos comentários!! Eu to adorando ler o que estão achando e ver a empolgação de vcs com a história! Muito muito obrigada mesmo!


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