História Sehun Contra o Mundo - Capítulo 6


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Sehun
Tags Baekhun, Baekyeol, Baekyeol!slight, Brasil!au, Chanbaek, Chanbaek!slight, Drogas, Sebaek
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Palavras 6.696
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


mE pErDoEm O aTrAsO e NãO dEsIsTaM dE mIm
(sim, eu sei que no Brasil o natal é no verão,mas tô nem aí também)
BOA LEITURA

Capítulo 6 - Trespassar


 

 

O natal estava chegando. As pessoas se apressavam para enfeitar suas casas e as lojas se apressavam para criar suas promoções de “compre pela metade do dobro do preço!”. O inverno tornava-se cada vez mais intenso e hostil para moradores de rua, que eram alimentados e agasalhados pelas poucas ONGs espalhadas pelo país. A preocupação de Baekhyun com Sehun obviamente aumentou: deixou-o com agasalhos, calças e mantas extras que estavam ocupando espaço em seu armário porque os noticiários previam que as noites mais frias do ano estavam por vir. Um dia, levou-o uma enorme garrafa térmica com café dentro para que se mantivesse aquecido pela noite.

Havia se esquecido por um momento de Sehun quando Chanyeol o levou para almoçar. O céu estava azulado como no verão; os pontos amarelados da calçada versus o frio que fazia só diziam que os raios de Sol, aparentemente fortes, eram apenas ilustrativos para que o dia não fosse cinzento.

 

– Vai chamar o Sehun pra passar o natal contigo? – Chanyeol perguntou enquanto caminhavam para a saída do prédio da agência de publicidade.

– Ele é ateu.

 

– E daí? O natal não é apenas o nascimento de Jesus ou do Sol, tanto faz, é também o tempo pra revermos as nossas atitudes e sermos caridosos, carinhosos... – empurrou-o com o ombro. – 'Cê ainda gosta dele? – baixou o tom de voz ao se verem na rua.

– Sei lá. – pendeu a cabeça para o lado, atravessando pela faixa de pedestre com o grandão ao lado. – Acho que ‘tô apenas emocionado por ele ter voltado à minha vida, nada muito especial...

 

...Ou o sentimento nunca morrera.

Sentaram-se à janela panorâmica na cafeteria de médio padrão para apreciar os pedaços de torta holandesa e croissant acompanhados de copos grandes de cappuccinos. A decoração de natal já caía do teto em faixas vermelhas e verdes e bolas douradas. Os atendentes pareciam tão imersos na magia natalina que continuavam com as mesmas caretas entediadas de sempre. Pasmem!, como nunca espantaram clientes com aquelas expressões de chateação pela vida?

Não demorou muito para Baekhyun se lembrar de Sehun: será que ele estava comendo àquela hora? O bandejão solidário geralmente é feito no início da noite e ainda eram duas e vinte e quatro da tarde. Suspirou e, em seguida, assoprou seu copo, movendo a colherzinha pela espuma de leite sobre o café expresso.

Sua expressão preocupada pintava o reflexo da janela panorâmica, dividindo espaço com a paisagem invernal do lado de fora. Estava inquieto. Por que sua preocupação com Sehun o consumia tanto? Não se lembrava de ter se preocupado tanto com alguém antes; a vez em que Chanyeol fora fazer exame de sangue não contava, pois ele sempre teve o que comer e beber. Era como se o homem, que já não tinha mais nome ou sobrenome para o restante da sociedade, fosse seu filho perdido. O gosto da torta holandesa já não era tão saboroso ao seu paladar: estava amarga, amarga como seu humor naquela tarde em que só queria saber de certo mendigo que morava com suas coisas atumultuadas sob o viaduto.

 

Baek?

– Diga.

 

– ‘Cê não ‘tá legal.

– Tipo, eu ‘tô meio preocupado com Sehun. – suspirou longo. – Não sei como ele vai sobreviver a esse inverno.

 

– Cara, esse n'é o primeiro inverno dele na rua, ‘cê sabe disso. – arqueou a sobrancelha.

 

Em seguida, o maior estendeu a mão pela mesa, buscando pela de seu amigo, e ambos entrelaçaram os dedos.

 

– Você doou roupas e uma manta pra ele. Ele vai ficar bem. – soltou uma piscadela.

 

Baekhyun sentia o ar de sinceridade nas palavras de Chanyeol, que sempre foi um rapaz positivo, mesmo quando tal positividade condenou o seu sangue. O sorriso dele era o apogeu da beleza do homem moderno; gostaria de saquear aquele rosto e roubar aquele sorriso para si, mas, enquanto isso fosse impossível, contentava-se apenas em admirá-lo e enviesar seus lábios quando os dele o fazia.

 

– ‘Cê faz um café pra mim depois? – ergueu o canto da boca um tanto sacana, sugerindo que passaria no apartamento de Byun, que o mostrou a língua em resposta, após o expediente.

– Meu café n’era horrível?

 

– ‘Cê sabe, meu estômago é meio masoquista. – riu, com o queixo a se esconder por trás do cachecol das cores de alguma casa de Hogwarts.

 

Naquele dia, Baekhyun resolveu fazer jus à temperatura e esfriar a cabeça, bem como nevava no caminho de casa como se o Sol não tivesse aparecido mais cedo. Não procurou por Sehun, deixou-o em paz por mais um dia. O garoto já deveria estar cansado de olhar para a sua cara de mãe aflita.

Quando chegou ao andar e constatou a porta de seu apartamento destrancada, nem sequer se preocupou. Devia ser Chanyeol. E era Chanyeol, que deixara os sapatos na entrada e estava com o corpo jogado sobre o sofá, afagando o gato branco encolhido a seu lado. Ele abriu um sorrisão ao vê-lo.

 

– Eu não te vi indo embora. – Baekhyun disse, tirando os sapatos.

– Terminei o que tinha pra fazer e pude sair mais cedo. – respondeu. – E fiz café.

 

– Pensei que seu estômago fosse masoquista. – lembrou-o, indo para o banheiro no final do corredor.

 

Tomou um banho para tirar de si todo o peso do dia que tivera. Detestava fotografar pessoas, ainda mais modelos publicitárias novatas metidas a pérolas veteranas. Acabou demorando tempo demais debaixo do chuveiro porque a coisa mais deliciosa que um dia frio pode proporcionar é um banho quente no início da noite e saiu desfilando nu pela casa, pois, além do aquecedor estar ligado, Chanyeol já o viu e fotografou desnudo em todos os ângulos possíveis, logo ambos os corpos não possuíam segredo um para o outro.

Vestiu-se com uma camiseta branca e moletom escuro e rumou para a cozinha, ignorando sua visita entretida pela televisão, e encheu sua caneca da Galinha Pintadinha do café feito pelo rapaz. Bebericou-o; nada mal. Misturou com leite e bebeu de uma vez, aquecendo seu interior. Em seguida, sentou-se na poltrona reclinável e entrou de cabeça em seu celular.

A única foto de Sehun que possuía era a que Chanyeol tirara para o projeto Invisível. Suspirou. Arrependeu-se por um instante por nunca tê-lo fotografado para si.

 

– Baekhyun! – ouviu-o berrar, despertando-lhe de seus devaneios.

– Oi, fala.

 

– Meu, eu ‘tô chamando e tu não responde!

– Fala!

 

– Vai passar o natal com Sehun?

– Não sei, por quê?

 

– Esqueceu que a minha família não fala comigo desde que descobri a AIDS?

 

Os pais de Chanyeol ligaram a doença à possibilidade do filho ser mais um homossexual imundo que desvirtua crianças com beijos gays em público, mesmo já tendo namorado Wendy, que foi apresentada a eles. Claro, o namoro não dera certo quando o rapaz percebeu que não era tão afeiçoado assim por mulheres. Apesar de ter negado com a sua alma que não era gay, senhor e senhora Park já estavam convictos da sexualidade do filho.

Já a família de Díaz estava na Coreia do Sul e o jovem não os atualizara ainda sobre sua preferência por mancebos.

 

– Eu... Eu não sei. – coçou a testa. – Cara, ‘cê me deu uma ótima ideia. Eu acho que quero passar o natal com Sehun agora.

– Então vou passar na Peixoto, enchendo o cu de cachaça e, quem sabe, sendo fodido por algum universitário tão ferrado quanto eu... – suspirou. – Com camisinha, é claro. – ergueu o indicador.

 

Baekhyun riu soprado. Mesmo quando Chanyeol falava com sua família, passava os natais tirando Papais Noéis das filas das baladas  na Augusta e na Frei Caneca para chupá-los atrás do MASP. Além disso, ambos os amigos faziam parte do perfil de rapazes que frequentam baladas em Pinheiros, mas, quando adolescentes, foram possuídos pelo espírito da baixaria concentrada nas alamedas da Paulista.

 

– Pensei. – virou os olhos de volta para o celular. – Vai ser do caralho. – bocejou nem um pouco empolgado, já mergulhado no feed do instagram.

 

Naquela noite, jantaram como príncipes e Baekhyun se despiu novamente para sentar no colo de Chanyeol no tapete, pois o anfitrião não queria desgastar o sofá. Foderam como se fosse a última vez, pois nunca resistiam um ao outro. Sempre estavam sedentos um para o outro, sempre jogavam flertes pelo ar e acabavam se atracando em carícias tão intensas que soavam como escovadas à pele. Chupavam os pescoços sem preocupação alguma porque a tendência do inverno era se fortificar, então ninguém se interessaria em saber quais cores escondiam sob os cachecóis.

Chanyeol sempre finalizava esporrando no rosto de Díaz, que recebia seu gozo como uma bênção. Aquela era a bênção de natal, já que estariam muito ocupados fodendo com pessoas que acabaram de encontrar após dar meia-noite.

 

+++

 

Não sabia se era paixão ou Sehun tinha o dom de ser bonito mesmo encoberto de sujeira. Ele havia lavado as mãos no lavatório que havia próximo ao balcão do MC Donald’s da Liberdade antes de descerem para o jardim do estabelecimento, onde dispunha mesas com guarda-sóis que se faziam desnecessários naquele inverno. Quando o vento batia, o rapaz parecia não ser atingido porque nem sequer se estremecia enquanto engolia aquele lanche. Baekhyun, mesmo bem agasalhado, encolhia-se a cada ida e vinda da impiedosa brisa invernal enquanto observava o mais novo comer.

Aliás, Sehun era adorável comendo: as bochechas se enchiam, a comida ia de uma para a outra e havia uma pausa para engolir, com os lábios bem comprimidos para não escapar comida.

 

– Posso tirar uma foto sua? – Baekhyun pediu.

– Pode. – respondeu após bebericar do refrigerante sem gelo.

 

Então Sehun largou o sanduíche, fez sinal de “V” perto dos olhos e sorriu; Baekhyun capturou aquela ternura com a câmera do celular e, em seguida, mostrou para o rapaz, que riu em resposta.

 

– Acho q'essa câmera é mágica: eu nem ‘tô parecendo feio!

– Mas tu n’é feio.

 

– Diz isso p'que tá apaixonado. – torceu o bico, logo se desfazendo em risos quando viu o mais velho enrubescer.

– Talvez. – deu de ombros e pegou uma batata para deformar entre os dedos e, por fim, levar à boca e engolir.

 

– Eu não sei o que sinto por você. – levou uma batata à boca e cobriu-a para voltar a falar: – Maybe eu esteja criando carinho de volta por você ser caridoso, sabe?

 

Baekhyun engoliu em seco. Também não sabia se gostava dele ou se sentia apenas responsável, como se sua missão de tomar conta dele não tivesse acabado na adolescência, quando recebeu alta da clínica.

 

– Como vai ser o seu natal? – perguntou.

– Tem uma ONG que faz um banquete caridoso para moradores de rua pela cidade. Vou comer com eles, sabe? Eu não acredito mais em Deus, mas natal é uma data legal. Eu gosto mais de quando acendem fogos depois da meia-noite, tipo ano novo, e o céu fica todo colorido.

 

– ‘Bora passar o natal comigo?

 

O sorriso que se formou no rosto de Sehun irisou a sua semana inteira.

 

Of course! – respondeu, contendo sua animação num tom meigo. – Na rua?

– Que tal no meu apartamento? Podemos cozinhar pra nós mesmos. – sorriu animado, mas, assim como Sehun, falava num tom modesto.

 

– Ah, pode pá! – soou com fascínio.

 

Baekhyun se lembrava de quando passou os últimos dias de dezembro fora da clínica com sua família. Ao voltar no início do ano seguinte, encontrou um Sehun completamente depressivo. O garoto estava tão monossilábico que Díaz, por um instante, achou que o problema era consigo. E era: havia inveja dentro do pequeno Oh, pois passara o natal em seu quarto gelado, chorando enquanto os fogos estouravam no céu, tendo que assisti-los da janela. Os internos estavam nos jardins, mas o menino preferiu se isolar com seus soluços na cama de solteiro, sozinho, com a magia de natal o evitando.

Aquele natal seria diferente: seria o primeiro que passariam juntos. E passariam juntos como deveriam tê-lo feito naquele ano. Baekhyun estava ansioso para apertá-lo em seu peito enquanto estivessem vigiando o céu coberto por pontos coloridos e o beijaria, desejando-o um feliz natal. Queria vê-lo deitar no chão com a mão sobre o estômago dolorido e rir de sua expressão desgostosa por ter comido demais. Queria dormitar tranquilamente ao lado dele quando os fogos se cessassem e vê-lo adormecer aos poucos sob a luz de algum poste de iluminação.

Queria tanta coisa, idealizava tanta coisa, que o tempo acabou por passar mais devagar do que deveria. Evitava pensar no pior: e se Sehun desistisse da ideia? E se não o encontrasse na rua? E se...? Não. Apenas evitou tal linha de raciocínio.

Com o décimo terceiro na conta, comprou comidas para preparar e roupas para vestir. Para Sehun, ele sempre estava bonito, porém, para o primeiro natal de ambos, gostaria de estar impecavelmente lindo. A árvore de natal era montada com precaução ao lado de Nini, que corria atrás dos enfeites que empurrava com as patinhas pelo chão. O aquecedor estava ligado e deixava um bom velho dub fazê-lo companhia, despistando o silêncio do apartamento. Os pisca-piscas brilhavam pela metade por conta das traquinagens do gato, mas ainda era belo quando enrolado à copa sintética do pinheirinho no canto de sua sala de estar. O toque final fora a guirlanda na porta de seu apartamento, rodeando o olho mágico.

Por fim, seu apartamento expirava o ar natalino com certa modéstia. E, sim, parecia mais bonito naquele ano do que nos anteriores, pois sua animosidade para aquele vinte e cinco de dezembro era maior e embelezava tudo à sua volta. Quando não sobrou mais nada para fazer, sentou-se à cadeira na varanda e fumou um cigarro em triunfo pela árvore de natal já em pé e decorada. Em seus lábios, havia um sorriso. Sorria como uma criança por estar tão animado quanto como era quando era mais novo: o motivo não era mais o Papai Noel, e sim Sehun, que o presentearia com sua presença.

 

– Árvore da hora! – Sehun elogiou.

 

Era manhã do dia vinte e quatro. Já havia filas pelos comércios, principalmente em mercados e lojas de presentes e de roupas. Aqueles que trabalharam pelo mês inteiro só tinham a oportunidade de planejar seu natal em cima da hora. E estava frio para um caralho.

 

– Eu gostava de montar a árvore em casa. – o mais novo se sentou aos pés da árvore. – Isso quando eu tinha uma casa lá no Brooklin.

– Porra! Tu era rico, hein? – apertou-o o ombro.

 

O maior apenas concordou com a cabeça, um tanto absorto pela ordem em que as luzes do pisca-pisca se acendiam. Era hipnotizante.

 

– Estar no Bom Retiro deve ser uó pra você. – Baekhyun sugeriu, quebrando o silêncio esquisito.

– Que nada! Uó, pra mim, é estar na rua. – assumiu o que pensou que jamais sairia da sua boca. – Sabe, eu meio que me desacostumei da rua depois que vim pra cá pela primeira vez, mas...

 

– Mas...?

– Nasci pra morar na rua. – declarou. – Eu faço as minhas regras: cago onde eu quero, durmo onde eu quero, chamo pra dormir comigo quem eu quero, me masturbo a hora que eu quero, se bem que... Well, quando se é um desabrigado, ‘cê nem pensa em putaria. Sobreviver na rua, com medo da GCM tirar o teu único cobertorzinho ou rasgar a tua barraca, é o que importa.

 

– Eles já abusaram de você alguma vez?

– Graças a Deus, não... – passou a língua entre os lábios.

 

Baekhyun riu, empurrando-o com o ombro.

 

– O que foi?

– Você disse “graças a Deus”!

 

– Costume, né? – coçou a nuca. – Posso tomar banho? – pediu, desviando o olhar das luzes.

– À vontade. Tem toalha no banheiro no final do corredor. Eu vou separar roupas.

 

– Valeu.

You are welcome. – Díaz entrou no embalo.

 

Ambos riram como cúmplices de uma piada interna.

Enquanto Sehun se banhava, Baekhyun, após colocar um conjunto de calça de moletom e camiseta d’O Rappa na porta, fora preparar os ingredientes para a noite que os esperava. Havia pernil para assar, bolo de cenoura para cozinhar, fricassé para montar, maionese para gelar... E mantinha sua barriga vazia apenas para comer tudo o que havia direito em sua casa; inclusive lutava contra a tentação de beliscar os três chocotones trufados que comprara. Além disso, os vinhos para fazer batida estavam gelando.

O maior saiu do banheiro cheirando à pura lavanda, com seu hálito de hortelã a assobiar na nuca de Byun, que estava picando os pimentões. O anfitrião se virou nos braços esguios e deixou um selo apaixonado nos lábios alheios, vendo estes se entortarem em seu sorriso predileto. Juntaram-se para cozinhar; por incrível que pareça, após três anos morando na rua, Sehun ainda manjava de cozinha.

Enquanto temperavam as carnes, conversavam sobre a vida. Sobre a vida de Sehun, porque Sehun não vivia qualquer vida; vivia a vida de um morador de rua. Como estava sempre na rua, sempre, também, conhecia pessoas e via coisas novas acontecer.

 

– Teve um cara que morreu de frio esses tempos aí. Ele era conhecido como Chen, era malucão. A gente ficou bem triste, sabe? Ele criava um cachorro. O cachorro saiu atrás da vã do IML quando colocaram o corpo dele pra dentro. – contava enquanto cortava os ingredientes da maionese.

– Poxa, que foda... – lamentou, massageando o pernil sopitado de pimenta. – Acho que eu nunca perdi alguém de quem eu fosse próximo. No máximo, um povo conhecido aí, mas nunca alguém que eu realmente gostasse.

 

– Sorte a sua, Baek. O foda de morar na rua é isso: a gente nunca pode se apegar a alguém. Nunca. Se não nós se fode.

– Já se apaixonou por alguém da rua?

 

– Teve uma mina de quem gostei um pouco, mas não foi como com você. Você foi a minha única paixão na vida inteira mesmo.

 

Os olhares se cruzaram. O garotinho Oh ainda vivia dentro da carcaça tatuada daquele homem. Baekhyun o encontrou no fundo dos orbes castanhos e enrubesceu encantado.

O mesmo encanto...

 

– Tipo, eu passei por uns perrengues por confiar demais, sabe? Eu acabei ficando esperto, então não tinha como me apaixonar se eu ‘tava desconfiado. E ’tô esperto sobre você. – apontou-o a faca com um sorriso.

– Eu não vou te apunhalar. – enxaguou as mãos na pia antes de levar a assadeira ao forno. – Pelo menos não acho que ‘cê mereça... – riu. – Fala aí que música tu curte p’ra eu botar pá tocar. Sempre te ouço cantarolando Chico Buarque. – disse enquanto ia para a sala.

 

Baekhyun só tinha uma certeza: só morreria feliz quando Chico Buarque dissesse que, sim, aceita seu pedido de casamento.

 

– É dele mesmo que eu gosto! Puta homão da porra!

 

Baekhyun acessou o YouTube pela televisão e selecionou a música que sempre escutava resvalar dos lábios de Sehun em momentos de distração: essa moça ‘tá diferente, já não me conhece mais, está pra lá de pra frente, está me passando pra trás...

Seu corpo começou a se mover no ritmo da melodia de bossa nova-raiz. Sehun largou a maionese na cozinha e veio com suas mãos se movimentando no ar até a sala, buscando pelos dedos de Baekhyun para que dançassem como um casal. A dança do pseudocasal era um samba desajeitado; os pés se moviam para lá e para cá nas pontinhas, arrastando-se pelo tapete enquanto as mãos permaneciam agarradas para o alto. Sorriam infantis; eram como se aprendessem a dançar, ali, um com o outro, nos passos defeituosos um do outro, e divertiam-se genuinamente.

O melhor de tudo é que não havia ninguém para reparar no quão mal dançavam. E se importavam? Não, então sorriam, com os orbes se resumindo a meias-luas em seus rostos.

 

Mas o tempo vai

Mas o tempo vem

Ela me desfaz

Mas o que é que tem

Que ela só me guarda despeito

Que ela só me guarda desdém

 

Sehun e Baekhyun ainda eram adolescentes a descobrirem a si mesmos pelas sensações que um sentia quando com o outro. Nem um concerto de flauta seria capaz de despertar emoções em ambos os corações como o beijo que os jogara no sofá fez.

A sincronia das bocas era perfeita. Em seus peitos, estava gravada a maneira que se beijavam quando mais novos, ou seja, nunca se esqueceram. E cada pincelada de língua pelos lábios era dada com nostalgia; os beiços se amassavam com saudade dos velhos tempos, a fim de reviverem os velhos tempos, nos quais suas almas resolveram se perder para nunca mais acompanhar o tempo.

Aquela música sobre uma moça que não dava a mínima para os apelos amorosos de seu admirador nada combinava com o clima no sofá porque Sehun e Baekhyun se importavam um com o outro; talvez, se imaginassem que os sentimentos não eram correspondidos, jogariam-se na frente de um carro. No entanto, pelo beijo fervoroso e carícias loucas que percorriam o corpo de ambos, era perceptível que o carinho que sentiam era mútuo.

Ao primeiro estalo, este seguido de uma mordidela no lábio inferior de Baekhyun, riram um para o outro como dois meninos a tramarem alguma traquinagem e selaram-se mais uma vez antes do anfitrião descer do regaço de sua visita.

Da ternura do MPB ao agito do reggae.

Sehun aprendeu a apreciar o cheiro de nicotina com café ao vozerão de Pliers enquanto Baekhyun, de olhos fechados, movia seu quadril para lá e para cá com a garrafa de Pedacinho do Céu na mão. O fotógrafo pisoteava na bituca quentinha do cigarro jogada no tapete. Era sensual a maneira débil de como se balançava, com o riddim ditando o ritmo de seu corpo entre os joelhos abertos do mais novo, que o assistia com fascínio.

 

AAhh…

I want you to know that, I am the man who'll

Fight for the right, not the wrong

Singin' this and singin' that

Going there, I'm growing there

Soon you will find out the man I'm supposed to be

 

As mãos do maior foram à sua cintura; Baekhyun virou a garrafa do coquetel mais uma vez, sorvendo grandes goles, e a passou para Sehun, que apenas dera uma bebericada na bebida antes de volta-la ao mais velho e subi-lo a camiseta, beijando-o a linha traçada do umbigo ao baixo-ventre. O rapaz riu, jogando a cabeça para trás, e descansou seus antebraços nos ombros alheios.

O fotógrafo já estava um tanto bêbado enquanto seu namoradinho, que não curtia tanto a brisa do álcool, beijava sua pele com certa devoção. Haviam acabado de tirar o bolo do forno e estavam apenas se divertindo antes de banquetear. O gato observava-os atento. A conexão entre Baekhyun e Sehun era tão envolvente quanto os acordes do baixo da música, a qual o mais velho ouviu pela primeira vez quando quebrou seu preconceito e resolveu ir ao sound system da Três Coco, que diziam ser o melhor da cidade. E era. Assim como os beijos de Sehun eram tão entorpecentes quanto o melhor coquetel do mundo cuja garrafa estava na sua mão.

Estava acalorado. A respiração dele em sua pele sensível junto aos dedos em seu cós estavam o excitando, e lutava para não ficar de pau duro antes da janta. De qualquer forma, gostava de ser provocado enquanto suas unhas passeavam pelo couro cabeludo que, naquele dia, passou a cheirar à lavanda.

A varanda de cortinas abertas denunciava o final da tarde. Passaram o dia inteiro escutando música, fumando e trocando selos admirados que não levavam malícia alguma, o que explicava o êxtase agindo no corpo de ambos e o nevoeiro dentro do apartamento. Pobre Nini, o fumante passivo! Eram como velhos amigos que nunca haviam se separado antes, rindo à toa de caretas que faziam para o vento, com a inocência a reinar no contato entre ambos quando os lábios e as mãos se encontravam.

 

– Acho que o pernil ‘tá pronto. – empurrou o maior, que recostou-se ao encosto do sofá como se estivesse morto.

 

Em passos ébrios, andou até a cozinha, acendeu a luz do fogão e, sim, o pernil que haviam virado há poucos minutos já estava completamente dourado. Largou a garrafa de Pedacinho sobre a pia e, ao pegar as luvas fofas, Sehun logo apareceu, tirando-as das suas mãos e as vestindo, pois, desnorteado daquele jeito, com certeza Baekhyun derrubaria a assadeira ou se queimaria.

O cheiro que evolou quando a peça principal do banquete fora posta sobre a pia os inebriou. Sehun arriscou passar a côncava de uma colher sobre o relevo suculento do pernil para experimentar o tempero. Nada mal. Baekhyun urrou deliciado ao sentir o sabor na ponta da língua: estava apimentado e levemente salgado da maneira que tanto amava.

Com o olor do pernil a entorpecê-los as narinas, não esperaram até meia-noite para começarem com a comilância. Era pernil, maionese, arroz à grega, bolo de cenoura com chocolate... E Sehun se serviu modestamente, acompanhado de um copo de coca-cola, por estar acostumado a comer pouco, enquanto no prato de Baekhyun havia uma montanha de comida. Não sentaram-se à mesa como na primeira vez, e sim ao sofá, com a televisão ligada no noticiário, pois os canais de filme só passavam romances frouxos e comédias-pastelão sobre o natal.

O noticiário dizia que a incidência de furtos havia aumentado na véspera. Em seguida, mostrou algumas pessoas na porta de um Carrefour fechado e todas se queixavam sobre terem saído muito tarde do expediente, sem tempo de comprarem os últimos ingredientes da ceia. Logo após, oh!, o quadro de fofocas trazia uma reportagem sobre o baile de gala dos famosos que ainda teria à noite e que já estava movimentando o distrito de Moema. Enfim, comerciais: os comerciais da Coca-Cola eram os favoritos de Baekhyun, ainda mais aquele, ali, que estava passando.

 

– Eu trabalho na agência responsável por esse comercial, sabia? – contou com os olhos brilhando de leve orgulho.

– ‘Cê participou?

 

– Não, eu sou só fotógrafo, mas conheço a equipe que fez.

– Agência de publicidade?

 

Uhum. – respondeu. – Mas de vez em quando nós faz uns trampos de jornalismo.

 

Baekhyun ainda se sentia um tanto ébrio. Comia devagar. Repetiu a comida com cautela. E repetiu de novo, enquanto Sehun experimentava o bolo de cenoura e urrava, alegando que lembrava o de uma idosa que vivia no pensionato consigo. Aproveitavam o natal antecipadamente e ainda eram apenas oito horas e cinquenta e um minutos da noite. Riam jogados no tapete da sala enquanto voltavam a escutar Chico Buarque pela televisão, e Díaz havia queimado seu velho novo amigo sem querer com o cigarro, o que o rendeu um soco no ombro.

A música era lenta, a letra exprimia intimidade entre dois corpos, dois âmagos, tal qual estavam deitados lado a lado com os braços e coxas coladas e pernas estendidas no sofá. A proximidade deixou de existir apenas quando resolveram se banhar, já que o natal já havia sido comemorado antecipadamente por ambos. Trocaram de roupas: ambos de camisetas vermelhas e calças pretas como dois gêmeos ou um tradicional casal coreano.

 

Quero ficar no teu corpo

Feito tatuagem

Que é pra te dar coragem

Pra seguir viagem

Quando a noite vem

 

A música reprisava. Após taças de catuaba com coca-cola, Sehun ergueu a mão e chamou Baekhyun para dançar novamente. Numa valsa, os corpos ébrios rodopiavam em torno da mesa de centro com os dedos entrelaçados como numa cena de novela. Os olhos não se desconectavam por um instante sequer: estavam vidrados um pelo outro, sem querer perder nenhum frame das facetas estonteadas.

Por dentro, estavam felizes. Por fora também. As mãos de Sehun percorreram os antebraços de Baekhyun, que desenhava as tatuagens em seus pulsos com a ponta dos dedos, então tocou-o os ombros e logo o rosto; queria se certificar de que ele era real. Era um anjo aos seus olhos, e nem sequer acreditava em anjos. Louco era como se sentia protegido sob a asa daquele pequeno querubim, cuja cabeça chegava à altura de seu peito.

Não demorou muito para, enfim, beijarem-se pela milésima vez no dia, juntando os hálitos alcoólicos; o sabor de nicotina passou a ser o preferido de Sehun, pois estava na ponta da língua de Baekhyun, esta que serpenteava dentro de sua boca. Mil e um sentimentos faziam orgia no estômago dos rapazes, que continuavam a mover os quadris ao timbre de Chico Buarque enquanto os lábios matavam a saudade de minutos. E aquele era um beijo romântico, carregado de sensações e emoções, e intenso, no qual suspiros eram bem-vindos quando o interrompiam.

 

Quero brincar no teu corpo

Feito bailarina

Que logo se alucina

Salta e te ilumina

Quando a noite vem

 

Num instante, estavam sobre a cama. Sehun tirava a camiseta, revelando mais uma vez seu abdômen tatuado para Baekhyun, que contornava cada risca preta com suas falanges sedentas por aquele homem. E daquela vez era especial, pois Sehun se encontrava entre as suas pernas; apesar disso, não pensavam diretamente em sexo. As mentes estavam focadas em apreciar os corpos com o tato e a visão; as mentes estavam focadas em se extasiarem extravasando a ardência guardada dentro dos peitos.

As línguas brincavam no ar como numa ciranda de apenas dois pares enquanto as mãos de Baekhyun subiam pelas costas de seu amante. Um beijo estalou-se no lóbulo do menor, que suspirou nasalado e ofereceu seu pescoço à boca alheia, que o plantava selos molhados pela epiderme arrepiada. Cada selo fazia o mais velho implodir de calor naquela noite gelada, em que Sehun se refugiava entre as suas pernas enquanto subia sua camiseta vagarosamente, com os lábios seguindo as mãos em beijos breves que trilharam até um dos mamilos. Byun prendeu o beiço inferior entre as mandíbulas ao ter seu botão repuxado pelos dentes alheios, que logo foram substituídos pela língua que contornava a auréola rosada.

Não demorou muito para que as unhas de Baekhyun se deslizassem pelas costas rabiscadas de Sehun, que suava em seus braços. O mais novo achava uma graça como o abdômen de seu namoradinho era roliço; mordiscava toda aquela boa gordura, claro sinal de fartura, e enchia os dedos com os flancos carnudos. Seus lábios seguiam em idas e voltas a trilha vertical de pelos escuros que os guiava do umbigo à altura do púbis, escutando o mais velho suspirar em resposta.

 

E nos músculos exaustos

Do teu braço

Repousar frouxa, murcha, farta,

Morta de cansaço

 

Num instante, ambos estavam apenas de cueca, roçando as ereções úmidas pelos tecidos enquanto chupavam os lábios um do outro com certa embriaguez. Ambas as peças íntimas partilhavam manchas de pré-gozo, o que, de certa forma, dava certa crueza ao contato. Gemidos escapavam por entre os lábios a partir de suspiros de deleite enquanto Baekhyun segurava a bunda de Sehun e Sehun segurava as coxas de Baekhyun, nas quais afundava os dedos devido à flacidez. Baekhyun por inteiro era apetitoso; era como aquelas Vênus de quadros e esculturas antigas, seria adorado naquela Grécia como um Adônis em carne — muita carne — e osso.

Ainda não pensavam em sexo; deixavam que os instintos os guiassem por aquela jornada libidinosa sobre a cama enquanto Nini miava para si mesmo. Os selos trocados estalavam tão altos quanto as risadas da família do apartamento ao lado e as mãos estavam sedentas para apalpar aqui e ali. E apalpavam com força, deixando marcas vermelhas pelas carnes, ficando com as juntas dos dedos esbranquiçadas tamanha era a luxúria que os movia naquele quarto, já abafado pela sede dos rapazes.

Os dedos longos e tatuados de Sehun vez ou outra adentravam a cueca de Baekhyun, puxando o cós para escutar o estalo do elástico contra a pele. E beijava-o o pescoço, que o era oferecido como uma taça de vinha, da qual o garoto Oh bebia com sofreguidão, lambendo-o a pele e deixando leves selos para não marcá-lo, o que era uma tortura aos seus lábios ansiosos para corromper aquela palidez ao roxo. Mordidelas eram depositadas nos ombros largos do rapaz, que abria suas pernas ainda mais para receber o homem de sua vida entre estas.

 

Quero pesar feito cruz

Nas tuas costas

Que te retalha em postas

Mas no fundo gostas

Quando a noite vem

 

Baekhyun já não aguentava mais as provocações de Sehun quando suas mãos se infiltraram dentro da cueca dele, agarrando-o as nádegas cruas. O garoto parou no mesmo instante com os selos que deixava nos ombros cheios e sorriu, retirando as mãos alheias de sua bunda. O mais velho não entendeu até que seus dedos foram guiados até o volume semelhante ao seu; o arquejo que veio daqueles lábios pequenos o arrepiou de uma forma sobrenatural. Seu olhar mudou: o brilho do tesão em seus orbes era intenso, estava sedento.

Sehun retirou vagarosamente a última peça de roupa que o cobria, revelando uma das poucas áreas não tatuadas de seu corpo. Os lábios do menor se entreabriram em deleite; sentiu-se como se tivesse recebido aquilo que aguardara durante anos e, sei lá!, meio que passava suas vagas horas imaginando como teria sido se tivessem transado quando ainda estavam internados.

O jovem voltou a ocupar os seus lábios no pescoço alheio quando passou a ser massageado pelas mãos de Byun, que o faziam num ritmo lento e com extrema maestria. Seu pré-gozo era espalhado pela extensão inteira em toques cheios de esmero enquanto mordiscava a pele de seu anfitrião. E Baekhyun também estava excitado, muito excitado, por ter seu primeiro amor de adolescência pulsando em sua mão como um homem. Também estava molhado; quando sua cueca fora retirada, havia um fio viscoso que unia sua glande ao seu baixo-ventre.

As bocas se uniram junto às ereções nuas, que eram masturbadas em conjunto pelas mãos do mais velho, que gemia contra os lábios daquele que devolvia os seus gemidos em urros de excitação. Havia suor, saliva, pré-sêmen... Era uma roda de diálogo libidinosa entre as secreções de ambos os corpos, que se ondulavam a fim de sentirem mais de si mesmos. A pele queimava, os lábios ardiam em reação às mordidelas e vergões atravessavam as costas coloridas de Sehun, que, maldito seja!, emitia seus sons de deleite ao pé do ouvido de Baekhyun, que se ondulava de maneira a formar dobras em seu torso.

Com a ponta da língua, Sehun desceu o corpo voluptuoso de seu namoradinho e plantou um selo na base da ereção deste, recebendo um afago nos cabelos em troca. Os olhos se encontraram: um estava ansioso, o outro estava deveras excitado, mordiscando o próprio lábio inferior em resposta às provocações que ainda viriam. E vieram: os beiços entreabertos subiram pela extensão fálica até a glande, na qual deixaram um beijo estalado, e fora a língua que desceu pelo membro numa leve carícia, arrancando do rapaz um breve arfar.

Sehun apenas subiu sua boca para ambos os mamilos de Baekhyun, nos quais deixou um beijo seguidamente, então desceu para, assim, abocanhá-lo de vez. Ele arquejou, segurando seus cabelos escuros enquanto sua boca alojava aquele membro excitado devagar. Logo, seus lábios subiram até a glande e a sugaram por alguns segundos, fazendo o dono desta torcer o cenho, e começou a chupá-lo em vai-e-vem, com sua mão a tocá-lo, seguindo seus lábios.

Baekhyun suspirava trêmulo, via o quarto girar, embaçar e apenas os orbes negros de Sehun eram nítidos ao seu olhar. Os lábios vermelhos se moldavam ao seu pênis com a perfeição da última de um quebra-cabeça porque quiçá foram feitos um para o outro. Byun ria de Chanyeol por dentro, que se gabava por um cara do Grajaú ter dito que seu boquete era o melhor de todos; aliás, nem sabia se todo o tesão que sentia ali, com a boquinha tórrida de Oh, era fruto do amor que nunca deixou de nutrir por ele. Amor este que era tocado, renovado e manifestado pelos toques que trocavam naquela cama, comemorando o natal da maneira mais sórdida possível.

Numa última pincelada, Sehun largou o pênis alheio e envolveu o mais velho num beijo lento, mas cheio de desejos. O sabor fálico estava na ponta de sua língua, dando um toque pervertido ao ósculo.

 

– Tu tem transado com alguém? – Baekhyun indagou por precaução.

– Não. – omitiu o sexo oral feito em Suzy, pois aquilo nem contava como coito, apesar de ter sido uma atividade sexual. Até se esqueceu da verruga que sua língua tateara nos lábios vaginais da garota, o que deveria ser apenas um cisto, já que mulheres “amam” ter cistos.

 

E só não se beijaram por um longo tempo porque o mais velho logo se colocava de quatro na cama, com as pernas bem afastadas e quadril arrebitado de modo que explanasse seu cu pálido. O maior sorriu malicioso, com aquela bunda balançando na direção de seu rosto, que logo era enfiado entre as nádegas róseas após um tapa nestas. Baekhyun soluçava de uma maneira indescritível quando havia uma língua o trabalhando por trás, tal qual fazia naquele exato momento, comprimindo-se aos toques molhados de seu namoradinho de adolescência, que masturbava a si mesmo enquanto estimulava a entrada branca com o músculo bucal.

Sehun conseguia penetrá-lo vez ou outra com a língua, e pegava-se pensando em como Baekhyun o receberia quando o invadisse com algo maior, pois o rapaz estava sedento além da conta. Deixava beijos sobre o ânus excitado seguidos de pinceladas úmidas. Até sentia a boca um tanto dormente tamanha era sua dedicação àquele ousado contato, pois Díaz possuía um gosto de pele neutra por ser um rapaz limpo, logo era apetitoso.

Estava a ponto de gozar apenas com sua língua o tocando daquele jeito quando resolveu roçar a glande pela entrada alheia numa carícia de prévio aviso. Se já era bom senti-lo piscar contra os seus lábios, tê-lo se comprimindo enquanto esfregava seu pau pelo ânus branco era melhor ainda. Com um tapa dado na coxa roliça, penetrou-o vagarosamente; ambos arquejaram, e Díaz seguia se empinando e se abrindo mais e mais. Não demorou muito para que os corpos passassem a se chocar num vai-e-vem ritmado, e Díaz seguia se empurrando contra Sehun mais e mais. Assim como também não demorou para Díaz ter os cabelos puxados da maneira que tanto amava enquanto era fodido rapidamente.

Rapidamente. Fortemente. Profundamente.

Não se importava em gemer alto da maneira que o fazia naquele momento, consolidando sua fama de catamita pelo prédio. Sentia-se como se estivesse fodendo após passar por uma abstinência de sexo, pois o alívio era jorrado em suas veias e pingava de seus poros como regozijo. Por um instante, sentiu dor de cabeça tamanho era o balanço dos corpos enquanto o mais novo se mantinha firme e pulsante dentro de si, alimentando seu rabo com estocadas precisas e, de vez em quando, circulares, o que acabava por estimular sua próstata. E perdia o fôlego; os dois rapazes perdiam o fôlego consigo mesmos, pois eram os melhores da vida de ambos, os melhores para ambos os corpos.

Após Sehun preencher seu interior com sêmen, deixou-se deitar na cama com as costas suadas para o colchão. Só assim percebeu o quanto estava dolorido pelos tapas e pela foda louca. Gozou apenas quando a língua alheia voltou a afagar a sua glande enquanto era masturbado, sendo colocado inteiramente na boca só após dizer que estava para atingir o ápice. No final, ambos riram de si mesmos e da vida: era louco como o destino resolveu juntá-los. Era louco o que o destino fizera com suas vidas. Era tudo muito louco.

Como se tivessem voltado no tempo, o mais novo deitou sobre o ombro de Díaz. Como nos velhos tempos, como nos velhos tempos... O menor sorriu, passando a afagar os cabelos alheios para niná-lo em meio ao silêncio.

“Silêncio”.

Então fogos de artifício mancharam o silêncio.

 

– Feliz natal.

– Feliz natal.

 

Desejaram aos sussurros.

Antes de adormecer, Baekhyun reparou em algumas manchas avermelhadas nos ombros de Sehun, mas não se importou tanto. Drogas fodem a pele.

 

Quero ser a cicatriz

Risonha e corrosiva

Marcada a frio

Ferro e fogo

Em carne viva

 

+++

 

Estava frio. Muito frio. Sobrenaturalmente frio. Abriu os olhos vagarosamente quando seus braços não encontraram nada nem ninguém. Coçou-os. Não havia nada ou ninguém a seu lado. Olhou em volta pelo quarto: nada ou ninguém. Nada nem ninguém. Franziu o cenho, coçou a nuca e bocejou, espreguiçando-se em seguida. Ainda sentia o corpo um tanto mole pelo esforçou que fizera à noite. Engoliu em seco antes de levantar da cama e reparou numa nota sobre o criado-mudo.

“Desculpe, eu precisei usar droga”, dizia o bilhete.

Baekhyun suspirou enquanto, àquela altura, Sehun subornava Kai com a profundidade de sua garganta.

 

 


Notas Finais


As músicas do capítulo: Chico Buarque - Essa moça tá diferente https://www.youtube.com/watch?v=mLk4EH9FWwI
Pliers - Bam Bam https://www.youtube.com/watch?v=zz-G25XMXr4
Chico Buarque - Tatuagem https://www.youtube.com/watch?v=V2XaSJmBuqo
falem comigo: https://curiouscat.me/justdodoit


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