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História Seize The Day - Capítulo 21


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Notas do Autor


Me demorei um pouquinho, mas aqui estou eu, estrelinhas.
Hoje me sinto estressada, chateada, com uma moleza insuportável...
Por isso me demorei em organizar e betar o capítulo.
Mas...
O que importa é o capítulo, certo?
Vamos a leitura?

Capítulo 21 - Capítulo Vinte


Fanfic / Fanfiction Seize The Day - Capítulo 21 - Capítulo Vinte

 

Alemanha 

— 22 de Janeiro de 2020 

 

No instante em que abriu a porta — ainda que não tivesse sido avisado que havia um visitante e que ele estava subindo — seu cenho franziu de imediato por não reconhecer o homem alto e forte a sua frente, e ainda que estivesse curiosa em especial por não ter sido avisada, pode perceber que ele a analisava completamente, o que a deixou um pouco incomodada, mas não se sentia nenhum pouco ameada ou envergonhada, por perceber que não havia malícia, maldade ou nenhum outro sentimento negativo vindo dele. Ainda assim, se perguntava quem era.  

O senhor de cabelos negros e olhos igualmente negros que a olhava de cima a baixo a fazia ter uma leve desconfiança por se parecer tanto com alguém da família de Sasuke, mas como havia conhecido praticamente todos, e como ele havia dito uma vez que o restante da família morava em outra cidade ou país, imaginou que fosse engano — seu e do homem a sua frente, que com toda a certeza — em sua opinião — tocou a campainha errada. 

E foi por perceber que já estava na porta a um tempo que pigarreou, chamando a atenção do homem mais velho, que parou imediatamente de analisá-la. 

— Me desculpe.  

Ouviu a voz grossa, que por algum motivo a lembrou de Uchiha Fugaku.  

— Eu acho que apertei a campainha da porta errada... 

Ela concordava, mas achou melhor não dizer uma palavra sobre. 

— Hamm... – Tocou o pescoço com uma das mãos. – Quem está procurando? 

— Uchiha Sasuke.  

Um Uchiha, assim como imaginou de primeira. 

— Oh, é aqui mesmo. – Abriu um pouco mais a porta. – Ele está trabalhando ainda, mas deve estar para chegar. Quem seria o senhor? 

— Sou Uchiha Madara, o avô de Sasuke.  

Aquele era o homem que Sasuke falou tanto nas últimas semanas, o homem que praticamente o criou enquanto o filho mais velho fazia inúmeras viagens, o homem que lhe dava toda a atenção que o pai não o fazia. E apenas por saber que era um bom homem — e porque Sasuke havia falado maravilhas sobre — relaxou completamente. 

— Sasuke falou muito do senhor. – Comentou, sem conseguir segurar a língua, vendo-o franzir o cenho de repente. 

Madara se perguntava quem era a mulher e o que ela era de seu neto, principalmente pela forma que ela havia falado ao comentar sobre seu neto. Havia algo a mais do que apenas carinho, ali, ele tinha certeza. Já havia visto aqueles olhos brilhantes em outra pessoa quando falava de alguém que gostava — e ela era hoje sua nora mais velho.  

— Entre.  

Ele o fez, mas não deixou de olhá-la nem por um minuto. 

— Você seria quem? 

Estava extremamente curioso a respeito da moça. 

— Sou Haruno Sakura, a babá do Daisuke. 

— Babá? – Ficou surpreso. – Daisuke aceitou ter uma babá? 

— Ele me adora. – Diz com um sorriso.  

— Bom. – E realmente estava sendo verdadeiro, apesar de ainda muito surpreso, mais ainda pelo garotinho gostar da moça, como ela dizia. – Muito bom. – Olhou em volta. – E onde está meu bisneto? 

— Ele está na sala.  

Antes que pudessem seguir para o cômodo à frente — na qual a TV estava ligada um pouco alto demais e que por isso ele podia ouvir as vozes dos personagens do desenho animado — as duas crianças apontaram no final do corredor.  

— Bisa.  

Sakura então viu o sorriso do homem e se impressionou em como ele ficou parecido com Sasuke naquele momento, e ainda que tivesse tão impressionada — principalmente pelo amigo se parecer mais com o avô que com o próprio pai — pode ver o momento em que Daisuke correu para o homem que se abaixou para abraçá-lo.  

— Garoto... – Sorriu. – Como você cresceu. – O levantou em seu colo. – E está a cada dia mais parecido com seu pai. 

— Tio Ita diz isso também. – Sorriu. – Chegou agora? 

— Faz algumas horas. Aproveitei para vir ver você e seu pai. 

— Meu pai está trabalhando... – Olhou para Sakura no momento seguinte. – Já conheceu a Sakura, bisa?  

Impressionado — além da conta — com a forma carinhosa que Daisuke chamou a mulher, ele olhou para ela novamente, pensando no que a moça havia feito para conquistar o marrentinho de seu bisneto, ainda que tivesse feliz por saber que ela lhe cuidava tão bem. Esse só podia ser o motivo para ela conquistar o pequeno em seu colo. 

— Conheci sim. Sua babá, certo? 

— Ela é a melhor.  

Madara o colocou no chão, se impressionando ainda mais com o afeto que seu bisneto tinha pela babá, principalmente porque estava por perto quando sua nora havia decidido contratar uma babá que acabou não durando nem mesmo uma semana.  

— E ela e meu pai são amigos. – Viu o bisavô balançar a cabeça. – Sabia que ela conheceu a minha mãe? 

— Oh, sério? – Desviou os olhos para a garotinha ao lado de seu bisneto. – Eu posso dizer que a pequena seja sua filha? 

— Sim. – Sorriu. – Impressionado com a semelhança? 

— Com toda a certeza. 

Era impressionante como as duas eram parecidas. 

— Venha aqui, filha.  

A menina veio, mas comedida e muito tímida, que se aproximou do melhor amigo, que pegou em sua mão carinhosamente. 

— Mayu, esse é meu bisa. 

— Oi. – Cumprimenta em sussurro, por causa da timidez. 

Madara não pode deixar de sorrir ao perceber a timidez da criança.  

— Olá, pequena.  

Ficou olhando para a garotinha por alguns minutos, antes de se voltar para o bisneto.  

— Então, como você está? 

— Estou bem, bisa. O senhor também? 

— Estou sim. – Sorriu.  

— O senhor quer se sentar?  

A atenção do mais velho se volta para a rosada maior ao seu lado  

— Ou beber alguma coisa? 

— Uma água. 

E então Daisuke pegou na mão do bisavô para levá-lo até a sala enquanto que Sakura dizia que já os alcançava, caminhando em direção a cozinha. 

— Aqui é grande, não é bisa? 

— Muito. E aconchegante. 

O menino sorriu. 

— Gosto muito daqui, mas sinto falta do jardim e da Shasta. 

— Imagino que ela esteja grande. 

— Muito grande.  

Se jogou no sofá junto do Mayu, vendo o bisavô sentar-se na poltrona ao mesmo tempo em que Sakura voltava com um copo de água em mãos. 

— E o que você faz enquanto seu pai está trabalhando? 

— Jogo videogame, jogo xadrez, monto quebra-cabeça... – Olhou para sua babá preferida. – A Sakura sai comigo e a Mayu quase sempre, né, Sakura?  

Ela assente com um sorriso, sentando-se no sofá junto das crianças — mais especificamente ao lado de sua filha, já que Daisuke estava perto demais do braço do sofá e sua garotinha estava praticamente agarrada ao melhor amigo, o que de certa forma a divertia. 

— E agente almoça no vovô e na vovó todo sábado. – Contou ainda com um sorriso. – Eles sabem que está aqui, bisa? 

— “Eles sabem”. – Sussurra, surpreso; já tinha percebido que o menino falava muito certo para alguém de sua idade, mas ainda assim, era surpreendente.  

— Bisa?  

Ele piscou algumas vezes e sorriu. 

— Ainda não. Nem seu pai sabe que cheguei. Decidi fazer surpresa. – Olhou para a rosada. – Eu já vi você em algum lugar... – Comenta finalmente, fazendo Sakura compreender o porquê de o homem analisá-la por tanto tempo na porta e depois que adentrou a cobertura. – Daisuke disse que conheceu a Karin..., estudaram juntas? 

— Estudei na mesma sala que ela, Sasuke, Naruto, Gaara...  

E ele assentiu.  

— Eu era a capitã das líderes de torcida.  

— Ah, então é isso. Eu ia aos jogos do Sasuke, cada um deles. – Volta a sorrir. – Me lembro de acompanhar Sasuke até onde a Karin estava com uma equipe, no final do ano em que terminaram o ensino médio. 

— Oh, entendo. Então deve ser isso.  

— E seus cabelos são rosas, então é meio difícil de não reconhecer.  

Ela não pôde deixar de sorrir.  

— Seu nome é... Sakura, certo? 

— Uhum Isso mesmo.  

O som da porta se abrindo foi ouvido por todos, o que interrompe qualquer outra pergunta do Uchiha mais velho. 

— Meu pai.  

Sorriu pulando do sofá, ficando em pé. 

— Cheguei. – Avisou fechando a porta.  

Tanto Daisuke quanto Mayu — que até a pouco tempo estava tímida — sorriram ao ouvir a voz rouca, e Madara, que tinha os olhos nas crianças, acabou por se impressionar com a mudança de comportamento da pequena criança de cabelos rosados. Ela estava extremamente tímida até poucos minutos atrás; quieta e comedida, características que ele nunca havia visto em uma criança, e foi só a voz de seu neto ecoar pelo apartamento, que a menina imediatamente sorriu. Com aquele comportamento e principalmente a da mulher ao seu lado, ele começou a se fazer várias perguntas, entre elas, se seu neto finalmente se esqueceu do que houve e se decidiu lhe dar mais uma chance.  

Desviou os olhos da rosada maior para ver o comportamento de seu neto que chegava finalmente à sala, e assim que ele apontou na sala, as duas crianças correram até ele, que sorriu, e soltando a pasta preta no chão, os pegou no colo sem esforço algum. 

 — Tio Sasuke, você demorou hoje.  

— Eu estava em uma reunião entediante, pequena.  

Beijou a bochecha da menina.  

— Papai, olha quem está aqui...  

Apontou para o bisavô, que até aquele momento não tinha sido visto por seu pai.  

— Avô? 

O mais velho sorriu enquanto se levantava. 

— Como você está, Sasuke?  

Ainda que tivesse um sorriso em seus lábios, tudo que conseguia pensar naquele momento era na garotinha nos braços de seu neto. Ficou extremamente impressionado pela forma carinhosa e aberta que a garotinha passou a ser assim que o viu. E era por esse motivo que tinha até mesmo ficado curioso a respeito daquela cena que aconteceu a pouco. Muito curioso. Se perguntava se a babá de seu bisneto não tinha algo com o pai dele, se aqueles dois não tinham algum relacionamento, e se isso realmente não fosse apenas “coisa” de sua cabeça, ficaria feliz, principalmente porque desde que Sasuke foi preso, era quase impossível ver um brilho em seus olhos que indicasse que estava “realmente” bem, ou até mesmo feliz. E sempre que o ouvia dizer que sua vida seria apenas para trazer felicidade ao filho, se preocupava por demais, não concordando, apesar de apoiá-lo.  

Outra coisa que o deixava extremamente curioso era a mudança no ambiente assim que seu neto chegou em casa, vindo tanto das crianças quanto da rosada ao seu lado, apesar de ela ter continuado sentada. Mas apesar de estar curioso a respeito, deixaria para saber sobre tudo relacionado com aqueles dois — em especial aqueles dois — e as crianças mais tarde. 

— Estou bem. – Colocou as crianças no chão e se aproximou do avô, abraçando-o. – Por que não avisou que chegaria hoje? 

— Quis fazer surpresa. 

— Pensei que fosse só para meus pais. 

— Não disse sobre a carta, certo? 

— Não. Como o senhor pediu, deixei em segredo. Mas por que não veio para o natal? 

— Houve um problema na empresa da Inglaterra, então...  

Sasuke apenas assentiu.  

— Mas como já está tudo certo, resolvi que era hora de vir para casa. – Colocou as mãos nos ombros do neto. – Você parece mais maduro. 

— Aa. O que a prisão não faz.  

Madara não gostou do comentário.  

— Então..., já conheceu a Sakura? 

— Sim. E já soube por Daisuke que ela estudou com você.  

Decide não falar em Karin sabendo que era algo muito difícil para o neto. 

— Ela e Karin eram mais próximas do que nós dois.  

E então o mais velho deixou a surpresa transparecer em seu rosto ao ouvi-lo falar na noiva falecida de forma tão calma e sem aquela culpa que brilhava em seus olhos. 

— Está tudo bem.  

Madara balança a cabeça, ainda surpreso, sem conseguir dizer uma palavra. Esperava que o neto ainda estivesse abalado com o que houve, mas pôde ver que estava errado, e era um alívio ver que ele finalmente havia se livrado daquela culpa e aquela tristeza que sempre transparecia nele quando falavam na Uzumaki.  

— Sakura tem cuidado de Daisuke quase desde que eu saí da prisão. 

— E eu fico impressionado que ele tenha aceitado a mulher tão bem. – A olhou. – Nada contra você, querida. 

— Ah, tudo bem, eu entendo. – Sorriu.  

— Minha mãe me contou sobre a babá antiga. 

— Que não durou uma semana. – Se voltou para a rosada – Me impressiono que você tenha durado tanto, e que ele goste tanto de você.  

Sasuke concorda.  

— Mas isso é bom. Se está cuidando bem dele, não tenho do que reclamar.  

O neto e a rosada sorriram. 

— Você fez falta, avô. 

— Eu posso imaginar. Você e seu pai ainda estão como gato e rato?  

— Gato e rato? – A voz de Daisuke se faz presente.  

E quando os adultos olham para o menino, o veem com a cabeça tombada para a direita, totalmente confuso, o que era normal. 

— Brigando, querido. – Sakura explica.  

— O papai e o vovô não brigam não, bisa. Eles são amigos agora.  

Madara olha para o neto. 

— Nós conversamos e nos entendemos. 

— Já não era sem tempo, hein.  

Não gostava de ver pai e filho discutindo, ainda mais do jeito que discutiam antes. Ele tinha feito de tudo para ajudar, até mesmo tentado de toda forma aconselhar a ambos, mas o pai de sua nora sempre dava um jeito de destruir tudo quanto é tentativa de sua parte. Sempre que conseguia fazer com que Sasuke se abrisse com o pai, mesmo que pouco, o outro conseguia transformar tudo em pó, o que o fazia ficar de certa forma furioso com o outro. Mas esse não era o único motivo de não ter nenhuma paciência para com o homem, apesar de ser o maior de todos.  

Seu neto sempre foi muito complicado e era facilmente manipulável, infelizmente, e Kaito usava isso com fervor.  

Aquele homem asqueroso, ele pensa. 

Será que ele estava na cidade, ele se perguntou.  

Seria um problema, porque enquanto os outros faziam de tudo para não ter discussão com o velho, ele não segurava a língua, assim como Sasuke, e era esse o maior dos motivos de se ver tanto no garoto a sua frente — que já era um homem.  

Sorriu. 

Seu neto mais novo era tão parecido consigo, e talvez por esse motivo se dava tão bem com ele e o tratava como seu preferido, apesar de amar por igual cada um de seus netos.  

Desde que Mikoto havia ficado grávida pela segunda vez, ele sabia que seria mais um menino, apesar de seu filho e sua nora, desejarem tanto por uma garotinha. E ainda assim, sentia que que estava certo, sentia uma conecção com Sasuke, desde antes de saberem que seria um menino, e talvez esse fosse o motivo de ter uma relação tão boa com ele.  

Quando Sasuke andou pela primeira vez, Madara se lembrava de que estava conversando com Izuna no jardim, quando de repente o garotinho abraçou suas pernas. Não havia visto com seus próprios olhos o neto andar até ele, mas Obito, que estava de olho no sobrinho junto de Fugaku a poucos passos do bebê, gravou a cena com o celular; tinham sido os primos passos e o bebê havia ido diretamente até o avô, para a total surpresa de seus pais.  

Amava aquele garoto. E por vezes, se sentia amargurado por tudo que fez o filho mais velho passar por conta do namoro com Mikoto.  

Se arrependia amargamente.  

Se eles não ficassem juntos, nunca teriam Itachi e Sasuke e consequentemente não poderia ter ambos em sua vida, nem mesmo seus filhos.  

— Daisuke, Mayu, por que não vão brincar lá no quarto? – Ambos a olham. – Eu vou terminar o almoço e já chamo vocês. 

E então os pequenos balançaram a cabeça, correndo para o andar de cima. 

— Eu te ajudo, Sakura. 

— Não precisa.  

Se vira impedindo de ouvir o retrucar do outro, que revirava os olhos. 

— Avô, se importa de ficar com agente na cozinha? 

— Claro que não. – Os acompanhou. – Eu pensei que você tivesse preguiça de preparar as refeições... – Chamou a atenção do neto. – Pelo menos era o que seu irmão dizia para mim. 

—Ele ainda tem.  

Sasuke olha para a mulher a poucos passos de si, que ao perceber seu olhar, apenas dá de ombros.  

— Bom, avô, com o Daisuke por perto, eu não poderia comer comida congelada como antes.  

— Garoto, você não tem vergonha na cara?  

Sakura segurou uma risada, e mesmo estando de costas, o Uchiha mais novo percebeu. 

— Não me julgue, eu não tenho muito tempo para isso, e quando tenho, eu prefiro passar esse tempo com Daisuke e Mayu. 

— Mayu. – Diz devagar; tinha de confessar que gostava do nome. – A garotinha parece gostar muito de você. 

— E ela gosta. Da mesma forma que Daisuke gosta da Sakura. – Pegou a travessa de lasanha que Sakura havia terminado de montar — provavelmente antes de ele chegar — e colocou no forno. – Elas passam tanto tempo aqui, que foi meio que impossível, sabe? 

— Entendo. – Diz devagar novamente, desviando os olhos para a mulher do outro lado da ilha. – E você..., que mal eu pergunte...  

Sakura o olhou, ao perceber que o homem lhe falava.  

— É casada? 

— Avô.  

— O que? É só uma pergunta.  

Deu de ombros e o neto bufou. 

— Ainda bem que você já está acostumada com as inconveniências da minha família, Sakura. 

Ela riu. 

— Me respeita, garoto. – Brincou, e Sasuke deixou um sorriso aparecer em seu rosto. – Então... 

— Não, eu não sou. – Passa a língua nos lábios. – Eu e o pai da Mayu nos separamos antes de ela nascer.  

— E foi a melhor coisa que aconteceu a ela, acredite. 

— O pai da sua filha não era um bom homem?  

A rosada deu uma risada anasalada.  

— Ele é um maldito.  

Neto e avô trocam um olhar. 

— Nunca quis saber da própria filha. Ele só se importa com a porcaria da empresa da família. 

Se virou de costas, voltando a montar outra travessa de lasanha de carne.  

— Sinto muito.  

— Ah, eu estou bem. Como Sasuke disse, foi a melhor coisa que me aconteceu. Eu estaria vivendo um inferno se tivesse me casado com ele. 

— O senhor conhece a família dele, avô. 

Seus olhos se encontram. 

— Quem? 

— Akasuna  

– Oh, se conheço. –  Diz de forma incômoda. – Fizemos uma parceria com eles na época que Fujitaka era vivo. Algumas coisas aconteceram e decidimos desmanchar isso.  

— Na minha opinião, senhor Uchiha... – O olhou apenas por um momento. – Foi a melhor coisa que fizeram. Tanto Sasori quanto o pai dele eram uns porcos nojentos.  

— Ainda sente ódio dele. 

— Ele tentou me tirar minha filha, então sim, o ódio só cresceu se quer saber.  

Madara assentiu, compreendendo a forma como a mulher falava do pai da filha dela, afinal ela tinha motivos para isso. 

— Eu a ajudei a ficar com a guarda e ter Sasori longe dela e de Mayu.  

O homem balançou a cabeça mais uma vez, ficando ainda mais curioso com a relação daqueles dois. 

— Fiquei sabendo que está indo muito bem na empresa. – Diz sorrindo, mudando de assunto. – Fico orgulhoso de você.  

— Obrigado.  

Sasuke pegou uma jarra de suco que havia dentro da geladeira colocando um pouco no copo e entregado ao avô enquanto Sakura lavava as mãos.  

— O pai e a mãe ainda não sabem que está aqui, sabe? 

— Não. Nem eles e nem ninguém além de vocês. Vou visitá-los mais tarde. 

— Ficou sabendo da bebê do Itachi, certo? 

— Akanne. – Sorriu. – Ele me mandou algumas fotos de quando ela nasceu. 

— Ela está linda. Uma verdadeira princesa.  

Sasuke ligou a tela do celular, se sentando ao lado do avô para mostrar as fotos que tinha. 

— Você tem mais fotos de criança do que qualquer outra coisa, hein.  

O outro apenas sorriu.  

— Pelo jeito essa princesinha aqui vai ser muito mimada.  

Sakura que estava encostada na bancada, sorriu, concordando completamente. 

— Essa é a filha do Shisui? 

— É sim, avô.  

— Ela está linda. Shisui me enviou duas fotos de quando ela nasceu, mas agora está maior. –Sorriu. – Está linda. Ambas estão. Você deve ser o tio mais babão do mundo, não é?  

O mais novo voltou a sorrir.  

— Akanne e Yuuki serão muito mimadas, os pais delas que se preparem.  

O neto riu enquanto que Sakura sorria.  

— Sakura é a madrinha da Akanne.  

— Oh. – Se surpreendeu, desviando os olhos das fotos por um momento. – Imagino que essa ideia tenha sido do seu irmão? 

— Também. Mas Izumi e Sakura são amigas, então...  

O avô assentiu, voltando a olhar as fotos.  

— Esses olhos...  

— Tia Rin se impressionou com os olhos da Akanne também. 

— Os olhos da Kazumi.  

A Haruno então percebeu a emoção do avô de Sasuke, não só em seus olhos negros, mas também em suas palavras. Podia imaginar o quanto ele deveria sentir com o desaparecimento da neta, tanto quanto os pais da garotinha. 

— Eu imagino que ela e Obito tenham ficado abismados. 

— Na verdade, nem tanto, porque eles já conheciam Izumi e elas tem os mesmos olhos. – A voz de Sakura se fez presente e Sasuke concordou com ela. 

— Eles ficaram muito emocionados. 

— Rin trata Izumi como uma filha.  

Madara olha para Sakura.  

— Eu imagino que sim.  

— Vai ver o porquê quando a conhecer, avô. 

— Então... – Pigarreou após um momento de silêncio. – Uma perguntinha... – Olhou para o neto e depois para a rosada. – Vocês dois estão tendo alguma coisa?  

Sasuke e Sakura trocaram um olhar, o primeiro não muito surpreso com a pergunta, mas já a segunda, estava não só surpresa, mas também bastante corada. 

— Não. – Dizem juntos. 

— Tá! Eu vou fingir que acredito.  

Volta os olhos para o celular, deixando dessa vez, os dois envergonhados por um tempo considerável, até que finalmente o Uchiha mais novo pigarreou. 

— Então, avô, pensei em chamar todos para jantar aqui. O senhor disse que queria fazer uma surpresa...  

O outro sorriu, aprovando aquela ideia. 

— Acho uma ótima ideia. – Fitou a rosada. – Fica com agente?  

E então Sasuke olhou para Sakura assim como o avô. 

— Hamm... – Levou a mão até o pescoço. – Claro.  

E Madara não pôde deixar de ver o sorriso do neto no instante seguinte.  

**--** **--** 

Enquanto Sakura fazia o jantar com a ajuda de Madara, que havia feito questão de ajudá-la, ainda que ela dissesse que não era necessário, Sasuke estava no andar de cima com Mayu e Daisuke os ajudando no banho. Ele não gostava de deixar os dois sem supervisão, ainda mais por Mayu ter as crises dela e por isso havia subido com ambos quando chegou a hora do banho. Enquanto se encontrava com as duas crianças, ele se perguntava se seu avô não estava enchendo Sakura de perguntas. Ele conhecia o avô que tinha. Ele não era como Itachi, era mais sucinto, e ainda assim, a rosada perceberia as intenções do velho. E era esse seu medo, porque sabia como ela ficava envergonhada e estranha, principalmente com ele. 

Balançou a cabeça e se voltou para as crianças que começavam a jogar a água da banheira para cima, molhando-o. No final, ambos riram ao vê-lo os fuzilar com os olhos, sabendo que era apenas uma brincadeira. Sempre que dava banho naqueles dois era a mesma coisa. Ele não sabia como ainda usava camisa sempre que entrava no banho com eles, era inútil, ainda assim, muito divertido.  

Naquele momento a Haruno estava extremamente envergonhada, mas tentava não transparecer isso. As perguntas, mesmo que sucintas, eram de constranger qualquer um, e ainda que soubesse que imaginasse que isso não era a intenção do outro, era impossível não se envergonhar principalmente quando sabia exatamente o porquê de cada uma das perguntas. O mais velho queria saber tudo sobre ela, e principalmente, coisas sobre o relacionamento dela com seu neto; como se conheceram, como eles eram na época da escola, como se tornaram amigos. E ainda que dissesse que eram apenas amigos, ainda assim o outro não acreditava nenhum pouco, e Sakura se perguntava se toda a família Uchiha a questionaria — e consequentemente a deixaria constrangida — sobre ela e Sasuke, e mais que isso, se estava escrito em sua tenta que estava apaixonada por Sasuke, porque o avô dele havia acabado de chegar e parecia já ter percebido que havia algo entre eles.  

Será que era tão claro assim?  

Estava realmente escrito na sua testa? 

Não conseguia compreender como cada um daquela família sempre fazia algo para que a deixasse mais perto do Uchiha mais novo, e mais, parecia torcer tanto para que ficassem juntos. Podiam ser mais sucintos que Itachi ou mesmo Naruto, mas ainda assim dava para perceber suas intenções. Faziam com que se sentassem perto um do outro, faziam perguntas sobre “como eles estavam”, faziam com que os olhares deles sempre se cruzassem, independente da conversa. E agora, o mesmo acontecia. Em pouco tempo que teve com Uchiha Madara, ele já havia percebido seus sentimentos. E ela tinha certeza que essa era a razão de tantas perguntas. 

Mas o que a rosada não sabia era que Madara não havia percebido apenas os sentimentos de dela, mas os de seu neto também. Ele havia achado aquilo interessante, principalmente porque ele jurou que seu neto amaria Uzumaki Karin para sempre, principalmente após tudo que houve.  

Grande erro o dele. E ali estava a prova.  

Naquelas horas em que esteve com os quatro, — contava com as crianças também — ele percebeu o quanto pareciam uma família. Percebeu que Sasuke e Sakura se amavam, mas que não haviam dito um ao outro, que pareciam se falar com apenas um olhar, ainda que percebesse o constrangimento de ambos em algumas situações, incluindo quando eram pegos “no flagra”. Ele não precisava que seu neto lhe dissesse, estava na troca de olhares. Ainda assim se perguntava por que ainda não estavam juntos. Tinha certeza de que nem seu filho ou qualquer um dos outros de sua família iria se opor. Sakura era uma mulher educada, gentil, carinhosa, agradável, cuidadosa e o mais importante, solteira. Mas como havia percebido que aquela história parecia complexa demais, decidiu que faria as perguntas para seus netos mais velhos, afinal, não gostaria de deixar o neto mais novo constrangido ou até mesmo a rosada ao seu lado.  

Algo que chamou muito sua atenção — depois do “casal”, claro — havia sido o modo como ela tratava Daisuke, e isso era o que mais o admirava. Ela era cuidadosa o tempo todo, carinhosa, sempre o chamando de “amor”, e o fato da filha dela não ter ciúmes desse amor que ela dava a seu bisneto era mais impressionante ainda. Outra coisa que lhe chamou a atenção, foi a forma como a garotinha tratava seu neto.  

Era fofo demais, em sua opinião.  

E também gostou de ver que o seu garoto, que agora já não era uma criança e parecia extremamente maduro, estava bem, apesar de tudo que passou. E ele agradeceria Sakura em um outro momento, porque tinha certeza de que as mudanças tinham sido obra dela, mesmo que ela não soubesse disso.  

— Eu vou atender. – Avisa ao ouvir a campainha. 

— Eu vou para a sala assim que Sasuke descer.  

— Tudo bem.  

A rosada se afastou e caminhou até a porta, abrindo-a em seguida.  

— Sakura. – Mikoto a abraçou. – É muito bom vê-la novamente.  

— Digo o mesmo.  

Os deixou passar. 

— Como você está? – Izumi e Yumi — que seguravam cada uma um bebê conforto — perguntam praticamente juntas.  

— Estou bem, e vocês? – Pergunta depois de as abraçar.  

— Estamos bem também.  

— Onde está meu irmãozinho? – Beijou o rosto da rosada.  

— Está dando banho no Daisuke e na Mayu... – Também foi beijada no rosto por Shisui, Fugaku, Obito e Izuna. – Mas como ele está demorando... – Sorriu para as bebês, tocando suas mãozinhas, antes de dirigir o olhar para os que estavam ao seu redor. – Eu imagino que ele tenha ido trocar de camisa. 

— Como assim? – Mokoto pergunta enquanto observava a rosada ser abraçada por Rin e Haruka.  

— Sempre que ele os ajuda no banho, acaba sendo molhado.  

Os outros riram, acompanhando a rosada.  

— Aprendam, Itachi e Shisui. 

— E se ele sabe que isso sempre acontece..., porque insiste em ir para o banho com as crianças de camisa?  

Sakura deu de ombros, e Fugaku sorri.  

— Você vai ficar com agente, certo? – Mikoto pergunta. 

Sakura tinha certeza de que se dissesse não — ainda que já tivesse aceitado o convite de Madara — não conseguiria colocar os pés para fora daquela cobertura, porque nenhum dos que estavam a sua frente — Mikoto e Izumi principalmente — a deixariam ir. 

— Vou sim.  

No mesmo momento em que chegavam à sala, Sasuke descia as escadas com Daisuke e Mayu, que correram para Izumi e Yumi que estavam com as bebês. 

— Ah, agora é assim? – Itachi se fez ouvir. – Quando eu chegava você corria para mim, agora você corre para as bebês?  

Os outros riram, e Itachi viu o irmão revirar os olhos.  

— Eu fui trocado. 

— Não sente ciúmes, não, tio Ita.  

E a família sorriu, vendo o pequeno abraçar o tio.  

— Elas estão tão lindas.  

E então os olhos de cada um caem sobre a rosadinha, ainda muito impressionados em como a garotinha mudou de umas semanas para cá — desde o natal, para ser mais exato. Ela estava muito menos tímida e conversava com os outros de forma animada.  

— Elas estão sim, assim como você.  

Mayu sorriu para Izumi que colocava o bebê conforto no tapete felpudo, assim como sua amiga, deixando as bebês lado a lado. 

— Está parecendo uma princesa com esse vestidinho azul cheio de babados e todo rodado.  

—Tio Sasuke que me deu.  

A garotinha o olhou e sorriu, sendo correspondida prontamente. 

— Sasuke tendo bom gosto?  

— Eu sempre tive bom gosto. – Retrucou o irmão e Sakura riu. 

— Tem certeza de que não o ajudou, Sakura? 

— Eu nem sabia desse vestido.  

Itachi olhou para o “casal” desconfiado. 

— Então, vai dizer por que desse almoço inusitado na sua casa? 

— O que quer dizer, Shisui? 

— Itachi sempre diz que você tem preguiça de cozinhar, e eu estou de prova de que é verdade.  

O primo bufou, e os mais velhos riram.  

— Ainda estou surpresa demais em saber disso, sobrinho. 

— Por favor, tio Izuna, me apoie. 

O tio riu enquanto que os outros — com exceção dos mais novos — sorriram. 

— Quer apostar que não foi ele quem fez?  

— Não, porque eu perderia, irmão.  

— Deixem o Sasuke em paz. – Haruka diz, rindo.  

— Foi a Sakura quem fez. – Daisuke conta. 

— Mas ela teve ajuda. – Mayu completou.  

— Que gracinha, irmãozinho.  

O outro revirou os olhos, e Daisuke e Mayu riram. 

— Não foi o papai / Não foi o tio Sasuke. – Dizem juntos, e cada um dos presentes olham para as crianças, confusos e curiosos. 

— Fui eu.  

E então cada um dos Uchiha olham para trás, encontrando Uchiha Madara. 

— Avô? / Pai? – Dizem todos juntos, surpresos. 

— Quando foi que o senhor chegou? – Fugaku é o primeiro a se aproximar, em seguida, Izuna, Obito, Itachi e Shisui.  

— Á algumas horas. Quis fazer uma surpresa. – Foi abraçado por todos, e correspondeu da mesma forma carinhosa. – Como está, Mikoto? 

— Vou bem, e parece que o senhor também.  

Ela recebeu um beijo no rosto.  

— Faz algum tempo que não aparece. 

— Exatamente dois anos. – Abraçou e beijou no rosto da outra nora. – Como vai, Haruka? 

— Vou bem. – Sorriu. – Não imaginei que o veria aqui.  

— Pois é. Como a empresa está bem, achei que era hora de voltar para casa. – Caminhou até as esposas de seus netos. – Como você está, Yumi? 

— Estou ótima. – Se afastou um pouco para que o homem se abaixasse para poder ver melhor as bebês. – Impressionado também? 

— Não tanto. Sasuke me mostrou fotos mais cedo. – Olhou para a mulher de cabelos escuros. – Yuuki se parece mais com você do que com Shisui. 

— O senhor acha? A maioria disse o contrário.  

Ele sorriu e se voltou para a mulher ao lado de seu neto mais velho, Itachi, encontrando os olhos tão idênticos aos de sua neta desaparecida. 

— Você deve ser a Izumi. 

— Sim. É um prazer conhecer o senhor. 

— O prazer é meu. – Sorriu para ela. – Acredite que fiquei muito surpreso quando soube que Itachi tinha se tornado pai, quando nem mesmo sabia que ele namorava. 

— Ele escondeu isso de todos, meu sogro. Até mesmo dos pais dele. 

— A senhora nunca vai esquecer isso? – Murmurou. 

— Ele apanhou um pouco, avô.  

Os olhos fuzilantes de Itachi caíram sobre o irmão. 

— Você gosta de um mal feito, né?  

Sasuke, assim como os outros riram. 

— E vocês ainda gostam de se implicar, pelo jeito. 

E Fugaku colocou a mão no ombro do mais velho. 

— Se pudessem, fariam isso 24h por dia, pai.  

**--** **--** 

Sasuke havia percebido os olhares de seu avô, ainda que ele fosse bem discreto, diferente de seu irmão e seu primo que faziam questão de perturbá-lo sempre que percebiam o mesmo que seu avô. Naquele momento ele conversava com Itachi, Shisui, seu pai e seus tios, mas os olhos estavam nele vez ou outra, e mesmo jogando videogame com Daisuke e Mayu, era impossível não perceber que o avô o olhava de forma curiosa. E até fazia ideia do porquê, a julgar pelo olhar dele que caía em Sakura vez ou outra. Já estava esperando pelos questionamentos. Tinha certeza de que no instante em que estivessem só os dois, ou pelo menos eles e seu irmão mais velho, seu avô o questionaria sem hesitar. O moreno só esperava que o avô não fizesse as perguntas quando seu irmão e primo estivessem perto, porque seria — como diria Shikamaru — problemático.  

Enquanto os pequeninos e Sasuke jogavam, Sakura tinha a pequena Akanne nos braços. A garotinha estava tão quieta, que Itachi até mesmo estranhou, porque a pequena não gostava de ficar no colo de estranhos. Apesar de Sakura ser a madrinha, não era sempre que ela via a sobrinha, e por ela estar tão estranha com o Uchiha nas últimas semanas, a viu menos ainda por não participar dos tradicionais almoços na mansão Uchiha. Sasuke achava que mesmo vendo a “dinda” poucas vezes, ela já havia se acostumado com os braços, o cheiro e a voz de Sakura, e Izumi concordava totalmente com o cunhado. Era impossível não reconhecer a rosada, principalmente quando ela usava aquele mesmo perfume, que querendo admitir ou não, o deixava louco. 

Sasuke deixou que o irmão entrasse no seu lugar quando perdeu — de lavada — para Mayu, mas continuou ali, prestando atenção — nem tanto — no jogo. Seu avô se aproximou também, sentando-se ao seu lado, e o Uchiha mais novo soube que ele queria conversar, ainda que não tivesse ouvido um som da boca do mais velho. Shisui disse algo ao seu filho, mas não prestou atenção.  

Assim como o irmão, Itachi sabia que o avô queria conversar sobre Sakura, e esse era o motivo de estar perto de ambos naquele momento, inclusive para poder contar tudo ao avô, caso o irmão resolva dizer o que sempre diz. E ele tinha certeza de que o mais novo fugiria do assunto como sempre fazia. O moreno ouviu quando o irmão mais velho chamou Mayu de viciada, indignado que ela tenha vencido ele em menos de dez minutos. Para ele isso era quase impossível, e por isso não pôde deixar de rir. Daisuke, que estava sentado no tapete, pulou para o sofá, ao lado da pequena rosada, dizendo ser a vez dele, e Shisui, que estava sentado no chão, pouco à frente de onde o primo estava sentado no sofá, avisou que seria o próximo.  

— Então... – Chamou a atenção para si. – Você vai me contar o que está acontecendo entre você e a rosadinha?  

— Como assim, avô? – Se fez de desentendido rapidamente, ouvindo seu irmão e seu primo rirem.  

— Nossa, priminho, como você é cínico.  

— Como é? – Franziu o cenho, olhando para o que estava sentado praticamente aos seus pés. 

— Você sabe o que nosso avô está perguntando, responda de uma vez. 

— É. Ou nós faremos isso por você. – Completou a frase do primo, ouvindo o irmão bufar ao seu lado. 

— Estou ficando mais curioso ainda sobre isso. 

E os olhos de Sasuke caíram sobre Madara. 

— Que isso, avô? O senhor nunca foi assim. 

— Quando é sobre a vida dos meus netos... e bisnetos, eu sou.  

Sasuke suspirou ao perceber que havia perdido. 

— O que o senhor quer saber exatamente?  

Shisui e Itachi trocam um olhar e olham para o mais novo logo em seguida; o segundo desviou minutos depois de volta para o jogo. 

— Saiba fazer as melhores perguntas, avô.  

O homem riu ao ouvir o neto do meio.  

— Não induza nosso avô, Shisui. – Rosnou, mas o outro apenas riu.  

— Vocês dois são apenas amigos de verdade? 

— Sim. 

— Mas ele a ama. – Itachi completa, só para o avô e “os irmãos” ouvirem.  

Sasuke pensou em retrucar, mas não o fez, não iria adiantar, afinal era a verdade. 

— É, eu percebi.  

E o mais novo ficou extremamente surpreso.  

— O que? Seus olhos não saem dela. 

— Ah, irmãozinho, agora você foi pego, hein.  

Itachi foi fuzilado pelo mais novo. 

— O que ela sente por você? 

— Como é que eu vou saber? 

— Ela o ama, mas está com medo de dizer.  

Sasuke bufou ao ouvir o irmão. 

— Ela acha que ele ainda ama a Karin. – O primo completou. 

— Olha, vou dizer, vocês são bem... – Fez uma pausa curta. – Problemáticos, diria Shikaku.  

Os netos, com exceção do mais novo, riram.  

— Ô garoto viciado, você não vai me deixar ganhar?  

O menino riu.  

— Ele está precisando começar ir à escola. – Murmura.  

— Você é ruim pra caramba, tio Itachi. – A garotinha se pronuncia, deixando Madara extremamente surpreso pela menina chamar seu neto de “tio”; era a primeira vez que acontecia desde que chegou, mas pelo olhar do outro, não parecia ser a primeira vez a acontecer.  

— Vocês que não fazem outra coisa, senão jogar. – Retrucou, e as duas crianças riram. 

— Você é uma criança no corpo de um adulto.  

Itachi fingiu não ouvir o irmão. 

— Está mudando de assunto.  

E Sasuke fuzilou o primo, que fingiu não ver. 

— Outra pergunta, meu neto: por que não disse a ela que não ama mais a sua ex? 

Suspirou, nada surpreso por seu avô chegar àquela pergunta. 

— Eu não... pude.  

— Mas eles se beijaram, avô. 

— Duas vezes. – Itachi completa, ainda jogando.  

— Vocês dois vão ficar fazendo isso por quanto tempo?  

Ambos riram.  

— Eu e ela nos beijamos, okay? Mas ela fugiu..., nas duas vezes. Satisfeitos? 

–— Duas vezes e estão nesse chove e não molha até hoje?  

O mais novo olhar para o avô completamente incrédulo, enquanto que os outros dois ao seu redor riam, ainda assim, sua atenção estava toda no mais velho. Nunca pensou que passaria por tal questionamento e comentários vergonhosos vindo todos de seu avô. 

— Ah, tio Itachi, você está me deixando ganhar. – Reclamou. 

— Foi mal, garoto. Vai jogando aqui com a Mayu, que na próxima rodada eu vou derrotar os dois.  

E então ambas as crianças estavam rindo.  

— O que? Estão duvidando? Se eu ganhar, vão ter que trocar a fralda da Akanne.  

Ambas as crianças fizeram uma careta. 

— E se a gente ganhar? – A pequena rosada pergunta. 

— Bom, aí..., eu dou o que quiserem.  

Eles trocam um olhar com um sorriso cheio de segundas intenções, antes de fitarem o tio. 

— Tio Itachi, você vai perder tão feio.  

Mayu concorda prontamente.  

— Por que eu acho que você não devia ter feito essa promessa? 

— Porque seu irmão vai sofrer uma derrota humilhante.  

Shisui e Sasuke começam a rir. 

— De que lado tu tá, energúmeno?  

O primo não se importa com o jeito que o outro diz.  

— Se bandeou para o lado dele? 

— Só por um momento. 

Madara, que observava os três se provocarem, dá um sorriso divertido. 

— Vocês devem deixar seus pais loucos até hoje.  

E dessa vez os três riram. 

— O senhor tem toda a razão.  

Obito se aproxima com os irmãos.  

— Eles se implicam o tempo todo, sempre que se veem. – Izuna conta após o concordar de seu irmão do meio. 

— E na maioria das vezes, Sasuke é quem mais sofre.  

— Viu? O pai está de prova de que vocês dois são um... porre. – Fala a última palavra em sussurro por causa das crianças que estavam ao lado. 

— Pai, o avô estava perguntando sobre Sasuke e Sakura. 

— Filho da mãe. – Xinga, e os dois provocadores riram.  

— Até mesmo seu avô já percebeu, sobrinho. E olha que ele chegou aqui a poucas horas. 

— Até o senhor, tio Izuna? Já não basta meu irmão e meu primo? 

— Queria saber o que está esperando para dizer a ela o que sente.  

— Já expliquei, pai, ela não está pronta. 

— Você acha isso porque ela fugiu de você, pela segunda vez, no natal. 

— Ah, tá brincando? – Izuna e Obito perguntam juntos, completamente surpresos e um pouco incrédulos pelo acontecido.  

— Obrigado, Itachi.  

— Por que? 

— Porque ela acha que ainda amo a Karin. – Decide responder, fazendo cada um deles olharem para a rosada, que ria junto de Yumi de algo que Izumi dizia. 

— Onde foi que ela viu isso? 

— Ótima pergunta, pai. – Sasuke diz.  

— Ela está com medo, e isso é totalmente normal depois de tudo que ela passou. 

— O meu pai está certo. 

— Eu acho que você deveria dizer de uma vez, assim, ela terá a certeza de que você não ama mais a ruiva. – Itachi dá sua opinião. 

— Você vai esperar até quando? Quando ela enfim estiver com alguém?  

Sasuke franziu o cenho, sentindo um certo incômodo com aquelas palavras, principalmente por saber que seu pai estava certo.  

— Tio Itachi, sua vez. – As crianças dizem juntas. 

— E a gente já sabe o que quer. – Mayu diz, animada. 

— Pronto para passar o dia na sorveteria, tio Itachi?  

Os outros riram pela forma que ambos perguntaram, com os olhos brilhando. 

— Vocês são dois vermentos. – Pegou o controle das mãos do sobrinho, com toda a pose, fazendo o irmão mais novo revirar os olhos, ainda que tivesse um sorriso ladino em seus lábios. – Vamos ver quem vai ganhar quem aqui.  

Ainda que estivessem apenas escolhendo os personagens, Sasuke já sabia o resultado daquele jogo, principalmente por saber que Mayu havia aprendido com o melhor. Seu filho. E só em imaginar seu irmão perdendo feio, se divertia. Mais ainda por saber que perderia não só da garotinha como também do próprio sobrinho. Seriam três rounds cada um. No instante seguinte, o Uchiha mais novo começou a rir por ouvir seu primo chamar a todos para verem Itachi “perder de forma humilhante”; palavras dele, que haviam feito o citado lhe jogar uma almofada, o que divertiu muito não só as crianças como também os adultos — incluindo os que se aproximavam. 

Para a surpresa dos mais velhos, Mayu havia ganhado as três rodadas com a vida de seu personagem praticamente intocada. Os outros riam do desespero do homem de 28 anos em vencer a garotinha, e no final, perder “humilhantemente”, como o primo mesmo disse. A garotinha sentou-se atrás de Daisuke — no encosto do sofá — depois de passar o controle para ele, e assim como a pequena, ele estava completamente concentrado em seu personagem e em cada golpe que dava em seu adversário.  

Enquanto Daisuke guardava os especiais para o final, seu tio usava cada um que sabia, de seu personagem, e Sasuke balançou a cabeça ao perceber que seu irmão havia perdido aquela primeira rodada — o que não era uma grande surpresa para ele, o pai do garotinho inteligente que jogava naquele momento.  

O Uchiha mais velho sorriu quando a vida do adversário começou a baixar, mas o irmão mais novo percebeu primeiro que ele que era apenas uma tática do garotinho. Seu filho não perderia.  

— Fala sério! – Gritou quando a vida do adversário começou a aumentar novamente, e todos começaram a rir por seu desespero.  

O tio do pequeno havia perdido feio na primeira rodada. Na segunda, havia sido ainda pior. Daisuke usou o especial duas vezes e acabou com a vida do personagem que o tio escolheu. Ele tinha um sorriso nos lábios enquanto deixava o tio bater nele na última rodada, na intenção de encontrar um momento para conseguir subir sua vida e fazer o especial novamente.  

Mas Itachi não deixaria.  

Bom, isso era o que ele pensava.  

De repente, o pequeno usa o especial e acaba com o adversário rapidamente, fazendo seu tio balançar a cabeça, totalmente incrédulo. 

— Fala sério, garoto, você é viciado mesmo. Não é possível.  

Os outros riram.  

— Como? Eu estava vencendo. 

— Eu vi você perder antes mesmo de isso acontecer. 

— Calado, irmãozinho.  

Os outros voltam a rir.  

— Itachi, você perdeu feio para duas crianças de quase cinco e seis anos. 

— E você acha que aconteceria diferente com você? 

— Não mesmo. – Se virou para Sakura e Sasuke, que estavam um do lado do outro. – Vocês dois deixam eles ficarem no videogame quantas horas por dia, hein?  

E novamente cada um dos presentes estavam rindo 

— Caraca!  

— Eles não ficam o dia todo. 

— Não, só doze horas por dia.  

E a família riu ao ouvir o deboche de Itachi.  

— Nunca pensei que seria derrotado dessa forma. A vida deles não acabava nunca. – Olhou para as crianças. – Como é que fazem isso? 

— Tio Itachi, como é que você pega um personagem que você mal sabe os especiais?  

Os outros acharam graça da pequenininha.  

— Errou feio ao fazer isso. – Daisuke completou, concordando com a amiga. 

— Eles não vão se esquecer mais nunca disso. – Izuna comenta. 

— Nem eu. – Obito diz. – Eu só tinha visto Sasuke e Itachi jogarem nesse nível aí. 

— É, mas esse jogo aqui é novo. 

— Tio Nejí que comprou pra gente. – Daisuke explica após a revelação do pai.  

— Seus amigos devem mimar essas duas crianças até dizer chega, né?  

Sasuke e Sakura sorriram. 

— Mais do que pode imaginar, avô. 

— Bom, já que eu perdi... 

— Muito feio. – Completa as duas crianças, fazendo os adultos rirem. 

— Vou passar para buscar vocês depois de amanhã.  

Ambos sorriram.  

— Se preparem vocês dois... – Olhou para o “casal”. – Não vão dormir tão cedo. – Apontou para o irmão e a rosadinha que estava ao seu lado. 

— O que? Por que? – Sakura pergunta, confusa. 

— Porque vou empanturrar esses dois de sorvete. 

— Você quem deveria cuidar deles, então, é você que vai dar doce para eles.  

E a família inteira riu, até mesmo o amigo e a noiva de Itachi. 

— Concordo, Sakura. 

— O que? – Diz, indignado. – A culpa não é minha. 

— Foi você que prometeu dar o que eles quiserem. – Repetiu a promessa ao irmão. – Que cuide deles você. 

— Irmãozinho, eu só faço isso com uma condição.  

O mais novo franziu o cenho.  

— Se eu fosse você, eu desistia dessa ideia. – Haruka diz.  

— Pela cara do seu irmão, eu acho que ele vai pedir algo constrangedor. 

— Eu já tenho certeza, Rin. Conheço o filho que tenho.  

Os adultos riram, não podendo descordar da mulher, enquanto que Sasuke e Sakura trocavam um olhar por alguns minutos. 

— Fico com eles até o dia seguinte... – Sorriu ladino. – Mas vocês terão que ir em um lugarzinho. 

— Lugarzinho? – Repete devagar, desconfiado. 

— E só vão descobrir no dia. – Olhou de um para o outro. – E aí? 

— Não sei se devo, não, você está me assustando.  

Todos riram ao ouvir a rosada, com exceção do filho mais novo de Fugaku e Mikoto, além das crianças.  

— Que se dane. – Bufou. – Eu não fujo, nunca. 

O outro sorriu. 

— Muito bom, irmãozinho, corajoso da sua parte.  

O outro revirou os olhos.  

— E você, Sakura? 

— Eu tenho certeza de que vou me arrepender.  

— Ah, eu tenho certeza de que não. – Izumi e Yumi dizem juntas ao ver o sorriso de Itachi. 

— Ah, primo, eu faço uma ideia do seu plano, e vai ser incrível. – Diz, desviando os olhos para Sasuke e Sakura, que — por um momento — ficam apreensivos ao perceber que os “primos” se olhavam com um sorriso estranho. 


Notas Finais


Vovô Madara na área!
Se preparem para momentos fofos entre o vovô Uchiha e seus netinhos — e bisnetinhos.

Alguém aqui ansioso para esse plano de Uchiha Itachi?
Vai ser muito importante para o começo de SasuSaku.


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