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História Selene - Capítulo 21


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Capítulo 21 - O sonho


Capítulo 21

O sonho

 

Na manhã seguinte Augusto veio vê-la antes de ir trabalhar. Ela já estava acordada e tomava sol em um banco de madeira em frente ao jardim.

            _ Bom dia, meu amor! _ Disse ele com uma suavidade irreconhecível na voz.

            O rosto de Selene ruborizou de ódio. O que Augusto pensava que ela era uma idiota? Queria suplantar sua culpa fingindo amá-la. Respondeu cortante.

            _ Meu amor? Apaixonou-se pelo morador número cinco do condomínio. _ Fez um sinal com a cabeça indicando o lado onde o cemitério ficava. _ Isso é patológico você devia procurar um médico.

            _ Você podia ser menos sarcástica._ Disse ele irritado com a reação dela.

            _ Sarcástica! Você não me queria nem para diversão. Só ficou comigo por que havia bebido demais. Agora que acha que eu vou morrer, me declara amor. Isso é crueldade.

            _ Eu não queria ficar com você por causa da maldição. Você não conseguiu entender isso ainda?

            _ Eu estava carente, insegura e amedrontada. Você me negava até sua companhia.

            _ Você não quer entender não é? Tudo bem! Eu não vou insistir. Amanhã você começa a trabalhar, eu passo cedo para lhe apanhar.

            _ Você não. Eu não quero que ninguém saiba dessa história. Pede a Jeremias para me levar. Não é ele que faz o translado dos funcionários?

            Augusto pensou um minuto.

            _ Você tem razão, melhor manter essa história em segredo. Peça a Jeremias para te levar._ Ele entrou no carro e se foi aborrecido.

            À noite Selene se sentia bem disposta. Tinha feito todas as refeições na hora certa, com todas as frutas e verdura que uma gravidez saudável pedia. Agora estava em paz com seu destino. Até o amor que sentia por Augusto era menos opressivo, depois que a vida está definida tudo parece menos angustiante.

            Augusto veio no final da tarde, desceu imponente de seu carro, olhou ela e Nari que estavam sentadas na varanda. Nari a ensinava a fazer sapatinho de crochê. Foi até Jeremias que havia descido da varanda caminhando no pátio em frente a sua casa. Eles conversaram.

O patrão foi embora, dando a elas apenas um aceno. Nari o olhou com tristeza, sabia que ele havia procurado uma desculpa qualquer só para poder vê-la, via isso nos movimentos dele. Selene fingiu que não o notava, mas se sentiu alterada com a presença dele.

             Selene começou a trabalhar na manhã seguinte e estava feliz, o dia estava claro e nada de ruim parecia poder acontecer.  Ao manter-se ocupada evitava pensar constantemente nos seus problemas.

O trabalho era simples e quase monótono. Organizar a pequena documentação da recém-criada queijaria. Suspeitava que o seu cargo fosse inventado, uma vez que o volume de documento poderia ser organizado por qualquer secretária mais experiente.

Voltou para casa a tarde e não viu Augusto, tinha que aprender a conter a vontade louca que tinha de encontrá-lo, aprenderia fazer isso. Foi dormir cedo, estava cansada.

 

 

 

Selene estava sentada na cadeira de Linda e olhava o retrato a óleo dela na parede. Muitos papéis voavam em volta da sala e fotos iam grudando na parede refazendo o passado da família.

Linda abriu a porta e os papéis se reuniram em pilhas perfeitas assentadas em cima da mesa e em ordem crescente de tamanho.

Linda sorriu para ela estava feliz, não exibia a barriga de grávida como no dia em que havia se mostrado naquela sala. Ela era voluptuosa em suas formas arredondada como uma madona italiana, seus cabelos longos e castanhos também se pareciam com pintura renascentista. Estava colorida e densa, não era a nevoa que sempre aparecia.

Selene sorriu, achando-a incrivelmente bela. Ela bailou até Selene e lhe estendeu a mão, Selene ficou intrigada porque sentia a consistência macia da mão dela.

Linda a puxou obrigando-a a se levantar. Correram até a porta da casa, era uma casa estranha. Ela indicou o trinco da porta e Selene o abriu enquanto ela batia palmas de alegria por estar feliz em se fazer entender.  

A porta se abriu e um vento cortante veio até elas, mas a noite lá fora era bonita e iluminada. Linda queria caminhar e a instigava a seguir, ela foi. Selene via a lua e as nuvens que passavam no céu. A lua nova iluminava a estrada então ela seguia tranqüila, seus pés estavam gelados e ela acelerou o passo.

 Linda caminhava à sua frente. Deixaram o pátio e a vegetação tornou o caminho muito escuro. Selene ficou temerosa e diminuiu o passo resistindo, estava com medo.

O espírito percebeu que Selene tinha medo do escuro e iluminou-se mais, cobriu a frente para que ela não visse a escuridão. Linda caminhava de costas guiando-a, sempre sorrindo.

Selene sentia o seu corpo esfriar, o vento cortante dava arrepios nela, mas Linda não a queria deixar parar, ela parecia não sentir frio.

            A porta se abriu e Selene entrou, Linda ficou lá fora e acenou para ela se despedindo. Selena estava com frio, foi até o sofá e deitou, se enroscando como um gato. Aos poucos se sentiu melhor, a sala tinha uma temperatura agradável.

 

Ouviu uma voz que falava com ela muito baixa e temerosa, sorriu preguiçosa sem abrir os olhos, amava aquela voz, mas não queria acordar. A voz insistiu.

Abriu os olhos e viu Augusto a sua frente, era bom vê-lo, mas sabia que alguma coisa estava errada, ele não devia estar ali. Sentou sobressaltada.

            _ O que você está fazendo aqui?

            _ Calma!  Você é que está no lugar errado._ Ele era cauteloso.

            Ela olhou em volta e estava na sala dele.

            _ O que eu estou fazendo aqui?_ Olhou a sua roupa e estava de camisola, seus pés estavam sujos de terra e pedaços de grama.

            _ Você é sonâmbula?

            _ Não! Claro que não. Eu estava sonhando. _ Selene estava muito confusa. Suspeitava que Linda desejasse lhe dizer alguma coisa.

            _ Quer ficar aqui?

            _ Não.  Ela se levantou do sofá, se sentia perdida, como se fosse incapaz de encontrar a saída.

            Jeremias chamou. Ela correu para porta. Augusto a seguiu.

            _ Você deu um susto danado na gente. _ disse o motorista ao vê-la, com um suspiro de alívio. _ Se queria vir era só ter falado.

            _ Acho que ela é sonâmbula._ Falou Augusto preocupado. _ Vamos, eu vou te acompanhar. _ Disse Augusto.

            _ Não vai não. Eu vou com Jeremias.

            Voltou para casa de Jeremias se desculpando. A camisola fina enregelando a sua pele e seus pés descalços se machucavam nas pedras. Mas não reclamou, estava com vergonha do que havia feito.

            O dia seguinte foi menos otimista, o sonho havia afetado o humor de Selene e ela chorou escondida no banheiro da empresa.

O jantar foi silencioso. Naria estava duplamente atenciosa e Jeremias um pouco disperso. Quando resolveram se recolher, Selena percebeu o quanto eles se empenharam em fechar bem a casa.

Trancaram tudo e retiram as chaves das portas, cuidado desnecessário ali no campo. Selene sentiu que estava tumultuando a vida do casal com seu comportamento estranho.

 

 



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