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História Selvagem - Tododeku - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Conexão


A notícia de que havia um lobo na floresta atacando crianças circulou rapidamente pelo pequeno vilarejo. Os moradores ficaram amedrontados, sofrendo antecipadamente por um ataque que talvez nunca aconteça, e, principalmente, exigindo segurança aos líderes do local.

Os três representantes do vilarejo ficaram sem saber exatamente o que fazer. Era uma situação delicada e as vítimas do repentino "ataque", não ajudaram muito na descrição de todo o acontecimento na mata para os superiores chegarem a uma conclusão de que atitude tomar para amenizar o caos.

No primeiro relato, o pequeno Midoriya contou o motivo de ir ao bosque sozinho e escondido de sua mãe e irmã mais velha. O menino queria apenas cumprir a missão que sua querida avó lhe deu horas antes do incidente. Não era algo muito complicado de se fazer, porém, era perigoso para somente uma criança. Os representantes decidiram refletir sobre esta questão mais tarde, conversando com a avó do esverdeado pessoalmente para tirar algumas dúvidas.

Em seguida, o menino continuou dizendo que depois do melhor amigo, Bakugou Katsuki, chegar lá lhe alertando do perigo que corria sozinho, Midoriya pegou tudo que precisava para voltar a casa de sua avó quando mirou os olhos no lobo grande à espera deles para fazer deles seu lanche. Neste momento, o loiro passou por cima do esverdeado, alegando que pretendia servir de isca distraindo a besta enquanto o outro teria a chance de fugir e pedir ajuda.

Midoriya agradeceu gentilmente a atitude heróica do amigo, por mais imprudente que fosse. Continuando, ambos disseram juntos as autoridades que após um breve "confronto", o lobo pareceu atender as ordens do esverdeado. Este fato intrigou bastante os homens responsáveis pela segurança, principalmente pela sinceridade e determinação que os dois amigos tinham em provar com todas as letras que era verdade. No fim, os representantes deduziram que não passava de um exagero ou brincadeira de criança.

— Aqueles velhos idiotas duvidando de nós, quem pensam que são? — Bakugou saiu enfurecido da sala onde ocorreu o interrogatório, chutando o nada e resmungando alto para que todos ali presentes ouvissem suas frustrações com clareza.

Midoriya acompanhou o loiro sem dar muita importância aos resmungos e palavrões soltados no ar a cada cinco segundos. Estava focado demais em seus pensamentos incoerentes, tentando entender o que aconteceu naquela floresta, se o que havia vivido lá foi real e não uma alucinação. Não poderia ser uma alucinação. Bakugou estava lá consigo e confirma sua mesma versão da história, então era sim verdade, o esverdeado conseguiu se comunicar com o lobo e até mesmo ouvir sua voz. Aquela voz grossa e áspera que parecia tocá-lo sem precisar utilizar as mãos.

Era uma conexão estranha, anormal para ser mais exata. A estranheza vinda disto aguçava a vontade que Midoriya tinha em saber mais, e, até mesmo se possível, rever aquele lobo de olhos distintos.

— Deku? Estou falando com você! — Bakugou gritou tirando o amigo do transe, fazendo este pular assustado repousando a mão sobre o peito em seguida buscando ar.

— Kacchan! — Repreendeu o loiro pelo susto. — Não faça isso, quase me mata do coração!

— É o que merece por ficar me ignorando, porra!

— Não xingue. É feio e humilhante. — O menino de cabelos esverdeados pediu, formando um bico magoado nos lábios rosados.

Odiava a linguagem suja que seu amigo aderiu com o decorrer do tempo, ainda mais porque ele sempre usava para colocá-lo para baixo. Mesmo que sem intenção.

— Pare de chorar, Deku. — Falou grosseiramente revirando os olhos em impaciência. — Vem cá.

Pegou o encolhido Midoriya pensativo do canto, acolhendo o menor em seus bracinhos enquanto aspirava o aroma doce dos cabelos verdes encaracolados.

Alguns adultos que passavam por eles, viam os dois meninos abraçados achando uma graça. Muitos ali sabiam da afinidade que ambos tinham, apesar de ser um pouco questionada pela forma de tratamento grosseria que o loiro tinha com o outro, mas apesar dessas questões, tinham em mente que talvez pudesse ser um sentimento amoroso reprimido pela parte de Bakugou. Mesmo que inconscientemente.

Quem sabe, não é ? Eram apenas crianças. A única preocupação que tinham era até quando teriam energia o suficiente para ficar correndo de um lado para o outro por aí.

(...)

Midoriya mudava de posição várias vezes na cama, procurando um ponto que lhe agradasse e por fim conseguisse dormir. O que parecia impossível aquela noite.

Estava com o coração batendo a mil e respirando ofegante, como se estivesse correndo por aí desesperado. Sentia o peito doer em um misto de angústia e medo, deixando sua pobre cabeça juvenil ainda mais confusa com as inúmeras novas sensações de inquietude.

Relacionava isto aos eventos súbitos que ocorriam a seu redor e em sua presença, acreditava com todas as suas forças que não passava disso.

— Izuku? — Asui entrou no quarto do irmão mais novo, vendo sua demora e frustração para dormir. — Está se sentindo bem?

— Não sei dizer. — Respondeu pensativo encarando o teto.

A garota franziu o cenho confusa, decidindo mentalmente entender o incômodo do caçula para tirar o ponto de interrogação de sua face.

Asui deitou no colchão, trazendo o menor para perto de si repousando a cabeça dele sobre seu peito. Ficou ali com ele afagando os fios esverdeado, tentando distraí-lo do que quer que fosse o atormentando tirando seu sossego.

No andar debaixo, a mais velha terminava de lavar as louças do jantar para depois preparar-se para descansar após um longo dia exaustivo, tendo que trabalhar dobrado e aturar nesse meio tempo pessoas curiosas querendo mais detalhes do incidente que seu pequeno Izuku sofreu. Foi muito desconfortável falar sobre aquilo. Ainda doía saber que sua mãe foi tão descuidada e egoísta mandando seu próprio neto para morte.

A mulher sabia que não deveria culpar a própria mãe por aquele incidente, afinal, poderia acontecer com qualquer um. Mas Inko a culpava, e, não era qualquer um naquela floresta, era seu filho. Um dos seus bens mais preciosos e só de pensar em perdê-lo, ela sente as batidas do seu pobre coração falhar.

Talvez devesse seguir os conselhos do representantes, manter seus filhos longe da avó por um tempo. A velha não estava mais batendo bem da cabeça.

Inko subiu as escadas avistando o quarto do seu filho no final do corredor com a porta entreaberta, permitindo que uma breve fresta de luz saísse do cômodo. Ela caminhou até lá e adentrou sem convite, encontrando seus tesouros abraçados dormindo tranquilamente.

Suspirou aliviada abrindo um sorriso bobo. Era completamente apaixonada pelos filhos, uma verdadeira mamãe coruja.

Aproximou-se deles devagar beijando a testa de cada um, antes de murmurar um "boa noite" e seguir caminho em direção ao seu quarto para adormecer e esquecer dos problemas atuais.

(...)

Horas mais tarde, Midoriya escutou um barulho abafado vindo do lado de fora da casa. Estava sonolento demais e distraído dentro de sua própria mente tendo sonhos estranhos com pessoas que nunca viu na vida discutindo entre si sobre algo que não fazia ideia, dessa forma, não conseguiu distinguir que som era.

As imagens meio borradas de uma mulher entristecida pegando duas crianças chorosas e levando-as consigo para longe, deixou o esverdeado cismado em saber quem era um dos meninos que a desconhecida havia pegado para si, pois, um deles, possuía os mesmos olhos distintos iguais aos do lobo que viu na floresta.

"Pare com isso, por favor! Mamãe!"

A voz agoniada da criança de olhos heterocromáticos, causou uma leve pontada dentro de Midoriya. Ele sentiu que conhecia aquela voz de algum lugar, só não lembrava onde.

— Q-quem é você? — O esverdeado murmurou virando de um lado para o outro nos braços da irmã.

"Eu não quero isso, mamãe! Não quero ficar longe do papai!"

— Quem é você? — Repetiu a pergunta, enrugando a testa em sinal de desagrado.

A visão que tinha dos olhos peculiares daquela criança desconhecida, cheios de lágrimas de desespero, acabaram consigo de um jeito inexplicável.

Era como se Midoriya se importasse mais do que deveria com alguém que não fazia ideia se era real ou não.

— Quem é você? M-me diga... Por favor... — Suplicou em uma agonia similar a do menino em seus sonhos pedindo para que a tal mãe o largasse.

"Todoroki Shouto"

Midoriya levantou assustado com o corpo inteiro trêmulo e suado, com o nome do menino ecoando em seus ouvidos em forma de sussurro transformando sua mente em uma bagunça desgovernada.

Sentou no colchão com a mão sobre o peito, checando e vendo o quão seu coração estava acelerado. Parou para pensar com clareza por alguns minutos, a fim de entender melhor o sonho bizarro seguido das sensações que o nome lhe trouxe. Era a mesma sensação que sentiu ao ouvir pela primeira vez a voz do lobo no floresta, com este pensamento puxado de suas memórias inocentemente, a mente do menor clareou conseguindo entrar em um raciocínio lógico.

Lembrou-se que antes de ser levado por Bakugou para de volta ao vilarejo, havia perguntado qual era o nome do lobo, e, por estar distante demais foi incapaz de escutar a resposta. Desse modo, não foi muito difícil ligar este fato ao sonho inusitado que outrora teve; o menino de olhos heterocromáticos era, sim, o lobo e o nome solto em meio a confusão do que era realidade ou apenas fantasia, serviu de chave para desvendar aquele mistério.

Agora a pergunta é : porque diabos estava sonhando com ele? Com ele criança? Se ele algum dia foi uma criança significa que o tal lobo é humano, ou foi em algum momento de sua vida. Midoriya queria saber mais, precisava saber mais. E a ânsia de novas informações o deixava agitado, quase que perturbado, fazendo seu corpo mover-se sozinho para fora da cama assim como para fora de casa.

Quando deu-se conta do que estava acontecendo, o esverdeado já estava a quilômetros do vilarejo ocultando o rosto sardento com o capuz vermelho inseparável.

Ele não sabia onde estava, muito menos a direção para voltar para casa. Estava completamente perdido. A floresta que costumava ser um lugar bonito e alegre cheio de vida, agora parecia aterrorizante a seus olhos verdes assustados. Tudo ali era comparado a um monstro medonho, louco para devorá-lo a qualquer instante.

— S-Shouto... — Sussurrou aquele nome contra o vento, franzindo o cenho em seguida por tê-lo pronunciado tão de repente.

Porque estava chamando a pessoa que por um triz não apagou sua existência e de Bakugou do mundo?

— O que você quer, seu pirralho maldito? — A voz grossa atrás de si o paralisou.

Midoriya ficou petrificado de olhos arregalados encarando o nada. Respirava fundo tentando manter-se calmo e não fazer nenhum movimento brusco, a partes não queria assustá-lo e irritá-lo. Qualquer ação sua definiria se viveria por bastante tempo nesta terra ou morreria sem conhecer tudo que o ciclo da vida permitia.

— Eu te fiz uma pergunta, pirralho. — O lobo rosnou impaciente, fazendo o menor cair de joelhos na grama encolhido de medo.

— E-eu... Eu n-não... Não quero nada. — Respondeu em um fio de voz, segurando com força o manto vermelho.

O híbrido cercou a "presa" atento a cada movimento deste, olhando atentamente a criança que não saía dos seus pensamentos por nada neste mundo.

Era curioso a maneira que ambos estava ligados e como nenhum dos dois sabia explicar, apenas sentir. Sentir intensamente o que o outro sente, entendendo cada pensamento abstrato e sensação sentida a flor da pele como se fosse o mais fácil exercício de casa que receberam. Apesar da distância entre eles e a diferença gigantesca de idade.

Não que Todoroki estivesse atraído por uma criança, longe disso, ele somente sentia com todas as forças do seu ser que deveria cuidar daquele pequeno ser de cabelos verdes encaracolados com sua vida. Que ele lhe pertencia, sempre lhe pertenceu, por mais que repudiasse tê-lo para si.

Todoroki tinha em mente que está possível "conexão" esteja relacionada as consequências do lobo dentro de si, o qual foi libertado das correntes que o prendiam a pouco tempo atrás, por isso, era complicado domá-lo segurando certas habilidades que deveriam continuar trancadas.

— Ei, você.

— O-oi?

— Você vem comigo.

— O-o quê? N-não... Eu não...

— Você vem comigo agora e pronto, chapeuzinho. 


Notas Finais


Capítulo não revisado, depois eu reviso tudo e concerto os erros.

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