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História Selvagem - Capítulo 1


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Notas do Autor


OLÁ! Tudo bem com vocês?
Estou dando início a mais um fic taoris. Com o mesmo esquema de "Entre livros e atrasos", não prometo postagem em dia fixo e nem contínua.
Isso é uma história Taoris, então eles terão o maior destaque. Não prometo couples secundários além de Sulay e nem a aparição de todos os membros do EXO.
Postei um jornal sobre como o universo dessa fanfic funciona, então leiam para não ficarem perdidos. (link nas notas finais)
Fiquem com o primeiro capítulo da fic:

Capítulo 1 - Olhos azuis


Fanfic / Fanfiction Selvagem - Capítulo 1 - Olhos azuis

A delegacia estava agitada naquela manhã. Isso porquê estavam fazendo uma limpa nos documentos e casos antigos, organizando tudo em caixas para dar espaço para novos casos. Wu Yifan não se lembrava de ver tanto papel junto nos últimos 4 anos, desde que se tornou o xerife da pequena cidade. 

— Fechamos mais uma caixa. — Minseok disse ao adentrar o escritório do chefe.

— Ótimo! — Yifan respondeu, ajeitando o óculos em seu rosto. — Quanto mais rápido mandarmos isso para o galpão, melhor. — falou, vendo o Kim concordar consigo.

— Kris! — ouviram a voz de Yixing, que entrou no local. — Temos uma chamada para atender. — informou.

O lúpus se levantou da sua cadeira, pegando sua arma e colocando no coldre. Os dois alfas se dirigiram para o lado de fora da delegacia, até o carro.

— Onde? — o xerife questionou.

— No restaurante da Mama Kim. —  Lay respondeu. — Alguns repórteres estão importunando o velho Huang. — Yifan ligou o carro, dirigindo até o lugar indicado pelo Zhang. 

 

A situação não estava das melhores ao estacionar em frente ao pequeno restaurante. Os dois alfas saíram do carro e andaram até um grupo de umas 15 pessoas, alguns com câmeras e outros com celulares, certamente com os gravadores ligados. Todos gritavam várias perguntas ao mesmo tempo e encurralavam um homem no auge de seus 50 anos.

— Tá legal, pessoal! — Yifan chamou a atenção de todos, entrando na frente do alfa que era bastante conhecido por si. — Já chega. — disse tentando afastá-los. — Lay, leve o Huang pra dentro. — ordenou, sendo prontamente atendido.

— Queremos um depoimento dele! — escutou uma repórter dizer.

— Já tiveram tudo o que queriam, deixem ele em paz antes que eu os prenda. — ameaçou.

Yifan não era muito conhecido por brincar, então bastou aquela ameaça para que a maioria que conhecia o xerife se afastasse. Alguns ainda o encararam por alguns segundos, mas perceberam que o Wu falava sério e desistiram. O lúpus ficou parado em frente ao restaurante, garantindo que todos foram embora para que pudesse entrar no local.

Ao adentrar o pequeno restaurante, viu o homem bebendo um copo d’água, sendo amparado pela Kim mais velha e seu parceiro. A atenção dos três foi para o lúpus, que observou atentamente a feição cansada que o Huang tinha.

— Já faz oito anos… — disse, abatido, jogando um jornal no balcão. — Quando vão esquecer?

Yifan analisou o jornal, e logo na capa percebeu o incômodo do outro. 

“Oito anos: família assassinada brutalmente e nenhum suspeito.” 

A foto das três vítimas estampava metade da folha: a mãe e seus dois filhos.

— Eu sinto muito… — o lúpus disse. — Talvez o senhor devesse ficar em casa hoje, eu e Lay podemos deixá-lo lá. — propôs, vendo o mais velho assentir.

— Cuidem dele! — a senhora Kim disse, olhando penalizada para o amigo.

— Pode deixar, mama. — Yixing garantiu para a sogra.

Os dois alfas se levantaram, caminhando até a porta. O velho Huang por pouco pegou o jornal que havia mostrado o xerife, porém Yifan foi mais rápido e pegou primeiro.

— Eu fico com isso. — falou. 

xXxXxXx

Desde que se mudou para a cidade e se tornou xerife, todo ano era a mesma coisa. Os repórteres insistiam em reviver essa matéria e atazanar o pobre Huang, que por sua vez pedia ajuda da polícia para controlá-los, e nas mídias, a reportagem sensacionalista estampava a capa de todos lugares. De fato, entendia que poucos assassinatos igual àquele ocorriam no local, e quando não se solucionava o caso era motivo de sobra para os jornalistas caírem em cima.

Sentado em sua sala, Yifan observava a foto do jornal. Mais precisamente, encarava a foto do filho mais velho, que na época tinha apenas dezesseis anos. Os olhos azulados do ômega eram algo que por algum motivo, lhe prendia a atenção. Eram tão marcantes quanto o céu. Não era a primeira vez que via a foto daquela família, e definitivamente não era a primeira vez que se pegava admirando as feições do garoto, a ponto de pensar nelas por dias até se afundar em trabalho e esquecer, esperando o próximo ano onde reviveria tudo de novo, apenas para continuar com a imagem do garoto em sua mente.

O caso da família Huang o intrigava.

— Yifan?! — Minseok disse ao entrar na sala do lúpus, que guardou o jornal em uma gaveta e deu atenção ao beta. — A senhora Feng ligou, disse que está com um problema e que precisa de você. — Kris assentiu. — Yixing já está te esperando no carro.

 

Quando Lay estacionou, saíram do carro em direção à casa da beta. A casa dela ficava mais afastada do centro, quase na saída da cidade. Feng costumava dizer que tinha a floresta inteira como seu quintal. Bateram na porta e logo foram atendidos pela mulher.

— Bom dia, senhores! — disse, dando espaço para os policiais entrarem.

— Bom dia! — responderam.

— Em que podemos ajudar, Feng? — Yifan questionou.

— Estou tendo problemas com um lobo… 

— Um lobo? — Lay questionou. Ele e se entreolharam. — Isso é um problema para o controle de animais.

— Não acho que seja um lobo selvagem.

— E por que a senhora acha isso? — Kris perguntou.

— É mais esperto que os outros. — começou. — Desvia das armadilhas, pega minha caça e depois sai, sem pisar em nenhuma, já tem uma semana.

— Armadilhas? — o Zhang questionou. — Quantas você tem espalhadas por aí?

— Várias. — Yifan lhe olhou com uma cara nada boa. — Eu tenho licença para colocá-las.

— Isso é perigoso! — começou. — Alguma criança acampando pode pisar em uma delas.

— Xerife, — riu sem humor. — ninguém acampa nessas matas há oito anos.

— De qualquer maneira, vamos precisar da localização de cada uma, e também quero ver sua licença, tanto essa quanto a de caça.

— Sem problemas, está tudo em dia! — afirmou. — Se não for muito incomodo, será que podem dar uma olhada? Já tentei o seguir uma vez e posso indicar o caminho que ele geralmente segue. 

— Não vejo problemas, já que estamos aqui… — Yixing disse, tendo confirmação de Yifan.

— Nos dê o mapa das armadilhas e mostre a direção. — Yifan pediu. — Se estiver certa, e não for um selvagem, vamos pedir para que te deixe em paz.

 

Os dois alfas estavam no meio da mata, tentando entender o mapa que a beta lhes deu após os levar até metade do caminho que havia seguido o animal. 

— É naquela direção. — Yifan apontou.

— Mas foi de lá que nós viemos, Kris. — o Zhang disse, levando a mão até o rosto em claro sinal de cansaço.

— Você não deixou eu terminar a frase, Lay. — tentou disfarçar. — É naquela direção que nós viemos. — falou.

— Claro, claro… — o policial quis rir. — Então acho que deveríamos seguir até o riacho… — apontou para o mapa.

Contudo, antes que pudessem dar um passo, ouviram um barulho vindo do meio da mata. Se entreolharam e pegaram as armas, andando com cuidado até o som que escutaram.

Se embrenharam nos arbustos, porém não encontraram nada.

Yixing suspirou, guardando a arma e abrindo o mapa novamente. Contudo, a intuição de Yifan lhe dizia que algo estava errado, e se usasse seu olfato — mais apurado devido ao fato de ser um lúpus — no meio daquele cheiro de terra e mato, podia sentir um leve cheiro diferente do que estava acostumado. Claramente um cheiro que não deveria estar ali.

Algo em seu interior o fez dar o primeiro passo em direção a trilha que julgou exalar o cheiro. Não percebeu quando se afastou de Lay. 

Olhou em volta. Sentia que deveria encontrar algo. 

Foi quando viu, em meio às sombras o formato de um lobo. Não era muito grande, mas tão pouco tinha o tamanho de um lobo selvagem comum. O animal pareceu perceber sua presença e desatou a correr. E Yifan o seguiu, porque seu lúpus interior estava agitado, indicando que era o que deveria fazer.

O lobo corria rápido, porém o Wu conseguia acompanhar a certa distância — claramente deveria ser mais fácil se estivesse em quatro patas também.

Em um ponto, ao chegar em uma parede rochosa, Kris o perdeu de vista.

Para todo lugar que olhava não enxergava nada além de folhas caídas e árvores.

Até que ouviu um rosnado, vindo atrás de si. Se virou lentamente. O lobo estava em cima de uma rocha, cara a cara com si. Ele rosnava em posição de ataque, pronto para pular em cima do lúpus.

Kris o observou atentamente.

Os pêlos marrons pareciam macios e os olhos eram escuros. Sua estatura era mediana, o que definitivamente o tornaria muito menor que si em sua forma lupina.

O animal fez que iria o atacar, entretanto, Yifan rosnou, tentando demonstrar superioridade. Se fosse uma pessoa em forma lupina, dificilmente seu rosnado teria algum efeito, mas como lhe parecia apenas um animal selvagem, certamente surtiria alguma coisa.

Dito e feito, o animal recuou levemente.

E estaria tudo certo se somente isso tivesse acontecido, mas não foi. 

Yifan não controlou o espanto quando, diante de si, os olhos do animal se transformaram em um azul tão vívido quanto o céu. 

Era como se o tempo estivesse parado e tudo que o alfa conseguisse enxergar eram aqueles olhos, que eram cheios de melancolia.

— YIFAN? — ouviu a voz de Yixing chegar cada vez mais perto.

Os olhos do lobo voltaram a ser escuros, e com a aproximação do Zhang, o animal recuou, correndo para dentro da mata, deixando Yifan ali, parado.

— Yifan? — Lay chamou ao encontrá-lo. Percebeu o corpo de Yifan tensionado. — O que houve? — questionou.

O lúpus nada disse, apenas continuou encarando o caminho seguido pelo lobo. Em sua mente, era como se a mudança da cor dos olhos do animal estivesse rodando em um looping infinito.

Aquela cor.

Aqueles malditos olhos azuis.


Notas Finais




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