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História Selvagem - Capítulo 25


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Capítulo 25 - Um quarto vazio


Fanfic / Fanfiction Selvagem - Capítulo 25 - Um quarto vazio

A vista que Zitao teve ao descer as escadas foi um tanto cômica. Yifan segurava o cabelo da filha com uma cara um tanto desesperada, alternando o olhar entre as mechas escuras e uma imagem em seu celular enquanto Jennie continuava sentada esperando o pai terminar de reproduzir o penteado em si.

— Eu acho que terminei… — o lúpus disse.

Kris afastou as mãos com cuidado como se a qualquer momento o penteado fosse se desfazer, sorrindo ao receber um abraço da filha.

— Já escovou os dentes? — perguntou, recebendo um aceno positivo da garota. — Estamos prontos para ir. — o Wu sorriu. — Vou pegar a sua mochila.

Quando se levantou do sofá, os olhos vermelhos automaticamente rumaram em direção ao ômega parado na porta. Yifan sorriu ao perceber as bochechas do menor adquirirem um tom avermelhado, tímido por ter sido pego observando a cena.

— Bom dia! — saudou.

— Bom dia, Taozi! — Jennie o cumprimentou e Yifan fez o mesmo.

— Acordou cedo hoje… — o alfa apontou, arqueando a sobrancelha.

— Eu tenho consulta com o Kyungsoo. — o ômega explicou, dando de ombros.

— Eu posso te buscar se você quiser. — sugeriu. — Que horas ela termina?

— Na verdade, eu estava pensando em passar na minha casa para pegar as minhas coisas depois da consulta. 

— Ah, ok… — o Wu comprimiu os lábios. No fundo ainda tinha medo de Zitao tentar o afastar.

— Papai, temos que ir. — Jennie puxou a mão do mais velho para atrair a atenção do mesmo que caminhou até o outro sofá para pegar a mochila da garota. — Tchau, Taozi! — disse correndo até o ômega.

— Tchau, Jennie! — os lábios se curvaram em um sorriso e o Huang se agachou para ficar da altura da mesma, dando um beijinho na bochecha da alfa.

Quando se levantou deu de cara com Yifan o olhando. Franziu as sobrancelhas por não perceber o maior se aproximar a ponto de estar tão perto de si. Os olhos vermelhos o analisavam calmamente, o proporcionando leves arrepios que no fim já estava se acostumando a tê-los sempre que o lúpus o olhava.

— O que foi? — questionou tímido.

— Eu não ganho um beijinho também? — brincou.

Zitao abaixou a cabeça, envergonhado, porém se aproximou ainda mais do alfa e ao chegar perto o suficiente, colocou sua mão no rosto do Wu para mantê-lo parado enquanto depositava um beijo na bochecha do alfa. Quando se separaram, os olhos vermelhos estavam levemente arregalados e Yifan virou o rosto a tempo de notar o rubor nas bochechas do ômega. Tao ficava adorável daquela maneira.

O xerife não conteve o sorriso, sentindo seu coração se acelerar. Não estava esperando que Zitao realmente levaria a sério o seu pedido, mas de forma alguma achava ruim.

— Tenha um bom trabalho, Yifan! — o Huang desejou, desviando o olhar.

— Obrigado! — agradeceu sem conseguir esconder o sorriso que de maneira alguma queria deixar seus lábios.

— Taozi, eu mereço mais um! — Jennie fez manha e o ômega deixou uma risada anasalada, se abaixando e dando mais um beijinho na alfa.

— Ei! Eu acho que eu mereço também… — o mais velho falou, tentando imitar a filha.

— Você tem que ir trabalhar. — Tao brincou.

— Mas… — o alfa tentou contestar.

— Tchau, Yifan! — disse, se distanciando do Wu.

Yifan suspirou, negando com a cabeça enquanto ria baixo. Olhou para a filha que o observava e sorriu, segurando na mão da Wu e saindo de casa.

xXxXxXx

— E como você está se sentindo com isso? — Kyungsoo perguntou.

— Eu não sei… — Tao suspirou, olhando para as próprias mãos depositadas em seu colo. — Eu sinto que ainda tem algo nessa história, como se algo ainda estivesse errado, mas não sei se o Yifan entenderia.

— Pelo que você me contou, o Yifan parece ser bem compreensivo.

— Ele é! — o Huang deu um sorriso tímido, que não passou despercebido pelo D.O. — É só que… — suspirou. — Ele ainda é a pessoa que prendeu o meu pai e isso não vai mudar. Por mais que eu sinta que posso contar com ele, eu não sei como ele reagiria a isso. Talvez ele pense que eu acho isso porque não quero que o meu pai continue preso.

— Você está morando com ele, não é? — o doutor questionou.

— Sim. — mordeu o lábio inferior. — É estranho? Quero dizer, eu não deveria me sentir tão bem morando junto com ele, não é?

— Não, não é estranho você se sentir bem. — sorriu. — Yifan não é uma má pessoa e pelo visto você compreende que ele fez o que fez por ser o trabalho dele, você não guarda nenhum rancor dele e isso é bom. — apontou. — Em relação ao seu pai, a única forma de saber se você está certo é se lembrando, sugiro que continuemos o tratamento, se você quiser, é claro.

— É realmente o único jeito, não é?! — falou baixo, respirando fundo. — Podemos continuar. — aceitou.

— Ótimo! — sorriu. — E o seu novo amigo? — perguntou, se referindo a amizade que Zitao revelou ter feito na última consulta. 

— Ele tem me ajudado bastante! — umedeceu os lábios. — Não cheguei a encontrá-lo nos últimos dias devido aos acontecimentos, mas não acho que vá demorar para nos encontrarmos de novo.

— Fico feliz em ver o seu avanço, Zitao! — sorriu. — Infelizmente nossa consulta está acabando, continuaremos o tratamento para suas lembranças na semana que vem. 

Se levantaram, caminhando até a porta. Assim como na primeira vez, Kyungsoo fez questão de abrir a porta para que o ômega passasse, sorrindo para o paciente.

— Até semana que vem! — o D.O disse.

— Até!

xXxXxXx

O ômega tinha acabado de colocar suas roupas em uma mochila. Não fez questão de levar muita coisa, afinal estava a pé e sabia que sempre que precisasse era só ir até a casa buscar. Suspirou, saindo do quarto com a mochila em seus ombros, no entanto, ao chegar no topo da escada, parou.

Seu olhar foi até a porta que há muito tentava evitar a qualquer custo. Sentiu um aperto em seu coração e olhou para os degraus da escada, tentado a continuar seu caminho mesmo que seu subconsciente gritasse para que não o fizesse. Demorou alguns minutos até tomar coragem para encarar aquilo de uma vez por todas. 

Andou até a porta e seus dedos encostaram na maçaneta gelada. Várias lembranças do quarto de Jongin vinham em sua mente e ainda se lembrava perfeitamente de cada detalhe do local. Lembrava das paredes verdes — a cor preferida de seu irmão —, dos brinquedos jogados em um canto do quarto, do tapete felpudo que sua mãe insistira em colocar no quarto para que Jongin não brincasse no chão duro, e embora parecesse impossível, se lembrava do cheiro cítrico suave de limão que exalava do pequeno Huang.

Engoliu em seco, rodando a maçaneta e deixando a porta se abrir sozinha causando um barulho de madeira rangendo. Seus dedos procuraram o interruptor para acender a luz devido ao fato de que as cortinas estavam fechadas, escurecendo o ambiente. Deu um passo para dentro da escuridão, respirando fundo ao finalmente achar o interruptor e fechou os olhos com força quando acendeu a luz, evitando olhar para o que quer que estivesse no quarto. Aos poucos abriu as pálpebras, percorrendo os olhos azuis pelo local ao mesmo tempo em que sua boca se abria surpreso. Franziu as sobrancelhas claramente incomodado ao ver o espaço sem nada; um quarto vazio.

Não sabia que seu pai havia esvaziado o quarto de Jongin e isso fez seu coração pesar. Como ele ousou se desfazer das coisas de seu irmão, mesmo não tendo feito isso com as suas próprias? 

Pela primeira vez desde que voltou, Zitao sentiu raiva.

Sentiu raiva por não se lembrar;

Por não conseguir ajudar as pessoas que amava; 

Por Jongin ter sido superado a ponto de Joon se desfazer de suas coisas enquanto si próprio estava preso na forma de um lobo sem saber como voltar para casa.

Um gemido de dor escapou dos lábios finos quando sentiu sua cabeça doer. Os sintomas que estava sentindo se assemelhavam aos mesmos que sentiu naquele dia, com a diferença de que no passado, foram causados pelo medo.

Um medo extremo que o fez sair correndo para dentro da floresta enquanto era perseguido por um animal. Ainda podia lembrar do vento gélido batendo contra seu rosto e dos arbustos arranhando sua pele. Se recordava da dor que sofreu enquanto seus ossos pareciam se quebrar e sua pele se partia, as peças de roupa se tornando trapos, as unhas dando lugar para as garras enquanto seu corpo se contorcia manchado com seu próprio sangue, se transformando em sua forma lupina. 

Quando deu por si, seu coração batia frenético e sua respiração estava completamente desregulada. Seu peito doía e uma inquietação tomava conta de seu corpo, o ar parecia pesar em seus pulmões. 

Saiu correndo do quarto com a mochila em seus ombros. Desceu as escadas rapidamente e saiu da casa, atravessando o portão com velocidade e trancando tudo às pressas. Seu ômega interior gritava para achar Yifan o mais depressa possível, sabendo que o alfa lúpus era o único que poderia o acalmar.

Seus passos eram rápidos enquanto andava pelas ruas, sua visão parecia embaçada e seu corpo estava tenso, nervoso com a possibilidade de não encontrar o Wu a tempo de perder o controle. Contudo, congelou no lugar ao identificar uma voz que há muito não ouvia atrás de si:

— Zitao?


Notas Finais


Yifan pedindo beijinho do Tao, aiai to bobinha por eles
Quem será que chamou o Zitao? Descubra sexta, no globo repórter ~só que não
Kissus

Twitter: https://twitter.com/wuyifxxck


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