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História Selvagem - Capítulo 31


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Capítulo 31 - Vermelho sangue


Fanfic / Fanfiction Selvagem - Capítulo 31 - Vermelho sangue

Em toda sua vida, Junmyeon nunca se considerou uma pessoa quieta. Desde que se lembrava, era ele quem começava os mais diversos assuntos e aventuras, principalmente com Zitao. Ainda se recordava de como fazia o Huang passar por poucas e boas em alguns momentos por ser “para frente” — como sua mãe costumava dizer, fosse iniciando alguma brincadeira em um momento oportuno ou arrastando o mais novo para situações inusitadas — como quando decidiu aprender a dar cambalhotas e arrastou Zitao junto consigo, resultando em um dente de leite a menos e joelhos ralados.

Independente da situação, Junmyeon sempre teria uma ideia ou resposta na ponta da língua. Entretanto, ali sentado em frente à mulher, o ômega não conseguia pensar em nada que pudesse aliviar o clima esquisito, então apenas fazia seu melhor para não encarar os olhos parecidos com os seus.

— Você nem imagina o quão feliz eu estou em te ver. — a voz doce de Mei quebrou o silêncio. O tom suave teve um grande impacto no mais novo, que sentiu seu estômago embrulhar levemente. 

— Eu deveria ter vindo antes, mas o tempo está apertado com os plantões noturnos e o planejamento para a barriga de aluguel… — comprimiu os lábios. 

— Eu entendo! — sorriu sem mostrar os dentes. — Você e Yixing conseguiram encontrar alguém para ajudar? — questionou curiosa.

— Minseok se voluntariou para ajudar. A inseminação aconteceu há dois dias.

Mei arqueou as sobrancelhas, surpresa.

— Ele é uma pessoa extraordinária. — elogiou.

— Sim, ele é. — concordou, sem perceber o sorriso que apareceu em seus lábios.

Sorriso este que logo morreu, dando lugar a um silêncio incômodo na sala de visitas da delegacia.

— Como está o restaurante? — Mei quis saber.

— Eu deixei que Zitao tomasse conta dele, parecia uma pena deixar aquele lugar parado.

A Kim sorriu.

— Ele está em boas mãos!

— O advogado parece bem empenhado em te tirar daqui… — Junmyeon tentou iniciar um novo assunto antes que o ambiente se tornasse pesado outra vez.

— Ele é um bom profissional. — a ômega deu de ombros. — Inclusive eu gostaria de te agradecer por me ajudar a arcar com as despesas do advogado.

— Não tem porquê me agradecer. — o Kim focou seus olhos na mulher sentada em sua frente. — Estou fazendo isso porque eu ainda tenho sentimentos por você, você é a minha mãe. — a ômega sorriu suave. — Mas isso não quer dizer que estou do seu lado nisso. O que você fez foi errado, muito errado.

— Sabe, Junmyeon, eu já fiz muitas coisas que eu me arrependo na vida. Coisas que você nem sequer imagina… — admitiu. — Mas todas as escolhas tomadas, todos os erros que eu cometi foi porque eu acreditava ser o certo a se fazer. Eu espero que um dia você entenda isso.

— Eu nunca vou entender como você pôde defender um assassino.

— Joon não é um assassino! — Mei respirou fundo, visivelmente cansada.

— Como você sabe? 

A mais velha se calou, sem palavras para responder o filho.

— Eu não vim entrar nesse assunto, mãe. — suspirou. — Eu só vim te dizer que se a inseminação der certo em breve você terá um neto ou uma neta, e eu fico feliz em vê-la bem. — se levantou.

— Você já vai? — perguntou, desapontada.

— Preciso voltar para o hospital. 

— Fico feliz que tenha vindo, filho! — a Kim sorriu.

— Eu também, mãe. — se forçou a sorrir.

Quando Junmyeon saiu da sala foi amparado pelos braços de Yixing. Os dedos do ômega agarraram o tecido do uniforme que o marido usava, sentindo o odor suave do alfa preencher seus pulmões enquanto se confortava no abraço apertado do Zhang.

— Como foi? — Lay questionou, fazendo uma carícia nos cabelos do ômega.

— Eu achei que seria mais fácil… — disse abafado pelo abraço.

— Você a ama, Myeon... — o alfa começou. — Nunca é fácil ver alguém que amamos em uma situação dessas.

— Eu queria que não estivéssemos em uma situação dessas. — sua voz saiu embargada.

— Eu também, meu amor… — depositou um beijo singelo na testa do marido. — Eu também.

xXxXxXx

Já estava anoitecendo quando Yifan adentrou o restaurante. Pelas luzes apagadas e o lugar vazio, o alfa sabia que Zitao já havia fechado o local. Era o terceiro dia do ômega tomando conta do local e Kris sabia que o mesmo estava se saindo bem. Era notável o quanto aceitar a proposta de Junmyeon fez bem para o mais novo, já que o mesmo estava muito mais alegre e comunicativo com outras pessoas que não fosse si, Jennie ou Junmyeon.

Olhou ao redor, procurando pelo ômega e franziu o cenho ao notar o menor sentado no balcão, com os olhos fixos em suas mãos.

— Taozi? — chamou, não recebendo resposta.

Se aproximou, esperando que o Huang o notasse. Contudo, Zitao nem sequer se mexeu.

— Tao? — tentou novamente, ainda sem obter resultado. Quando chegou perto o suficiente, seu olfato captou o cheiro de sangue e os olhos vermelhos foram até as mãos do menor, onde era possível ver um machucado sangrando. — Meu Deus, Tao, como você se machucou? — questionou, segurando a mão delicada e a arrumando de uma forma que conseguisse ver melhor o corte.

Tal ato fez com que o ômega finalmente saísse do transe, no entanto, a respiração de Zitao parecia mais acelerada que o normal. O corte não era fundo e nem muito grande, mas era necessário fazer um curativo para que não infeccionasse.

— Precisamos lavar isso, Tao. — disse, alternando seu olhar entre a mão e o rosto do ômega.

No momento em que as orbes azuis carregados de lágrimas o olharam de volta, Yifan sentiu como se algo em seu interior se quebrasse.

— Está doendo tanto assim? — arregalou os olhos, começando a se desesperar quando as lágrimas desceram pelas bochechas levemente coradas. — Tao, fale alguma coisa! — implorou.

— Dói…

— O corte?

Zitao negou com a cabeça.

— Lembrar… — um soluço saiu da garganta do ômega. — Lembrar dói, Yifan. Eu não quero mais lembrar, eu não quero… — balançou a cabeça em negação tentando afirmar suas palavras, sentindo as lágrimas pesadas percorrerem seu rosto em um ritmo constante.

Yifan circundou o corpo frágil do menor com os braços, tentando o acalentar em um abraço apertado. O mais novo descansou a cabeça no peitoral do xerife, mordendo o lábio inferior que estava seco em uma tentativa de frear os soluços de dor e desespero que queriam sair de sua garganta.

— O que foi, meu amor, o que te deixou assim? — Yifan sussurrou, acariciando o braço do outro coberto pelo tecido fino do casaco. — Me diga, Tao… — pediu.

— Ela… — engoliu em seco. — Tinha alguém em cima dela… — os dedos trêmulos agarraram o pano branco da camisa do Wu, que pouco se importou se mancharia com o líquido vermelho provindo do corte na mão do menor.

— Ela? Sua mãe?

— S-Sim. 

— Você se lembra quem era, Tao? — apertou ainda mais o garoto em seus braços.

— Não… — soluçou. — É c-como uma s-sombra…

O lúpus umedeceu os lábios, notando como o corpo de Zitao tremia em pânico.

— Eu corri para ajudar… — ofegou. — Eu corri e eu empurrei a pessoa, m-mas eu senti… s-senti algo me cortando…

Provavelmente as garras, a pessoa deveria estar no meio da transformação. — Yifan pensou.

— A minha mãe tossia… Ela tossia tanto e… — soltou uma lufada de ar. O choro de Zitao não diminuía nenhum segundo. — E eu senti algo molhado e quando eu olhei tinha tanto… t-tinha tanto sangue.

Yifan fechou os olhos com força, respirando fundo. Então havia sido daquela forma que o sangue de Zitao acabou na camisa de Lian. O ômega não era culpado de nada, ele estava apenas tentando salvar a mãe. O coração do Wu se apertou apenas em imaginar a cena descrita pelo mais novo.

— O Nini pediu por socorro… — Tao começou a se debater, desesperado, forçando o alfa a segurá-lo no lugar para que não piorasse a situação. O lúpus pressionou-se ainda mais contra o mais novo, tentando acalmá-lo com seu cheiro. Ver Zitao naquele estado o atingia de uma forma que não sabia ser possível. — Ele pediu por socorro e a m-minha m-mãe me disse para correr… Ela me disse para correr e eu o-obedeci.

O xerife suspirou.

— Eu não deveria ter corrido, eu deveria ter ficado… — soluçou. Yifan sentia as lágrimas quentes o molhando, mas não tentou impedí-las. — E-eu deveria ter ficado…

— Shh… Está tudo bem, Zitao… — sussurrou, depositando um beijo casto nos fios escuros do cabelo do outro. — Está tudo bem…

O ômega se aconchegou nos braços do alfa, se segurando no outro como se Yifan fosse o proteger de todo o mal. Os olhos azuis continuavam inundados em lágrimas e já não mais tentava impedir os soluços e murmúrios de saírem de sua boca. As unhas de Zitao fincaram na pele branca do Wu, que pouco se importou com a ardência causada por tal ato.

O sentimento de impotência que preencheu o lúpus ao ver o estado de desespero do ômega fez seu estômago revirar e seu lobo interior grunhir. Uma promessa muda de que a pessoa que fez o que fez com Huang Zitao pagaria por toda a dor que causou.


Notas Finais


Alguém se habilita a me mandar uma caixinha de lenços e um chocolate pra eu chorar no cantinho antes de dormir?

Twitter: https://twitter.com/wuyifxxck


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