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História Sem Ilusões - Capítulo 3


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Notas do Autor


Boa leitura

Capítulo 3 - Sino


- Cheguei. Falo sem ânimo nenhum.

- Estou na cozinha querida, como foi na escola?

- Bem... sobre isso, eu preciso falar com você. 

- Claro querida. É sobre algum namoradinho seu? Aposto que é aquele seu amigo de cabelo escuro. 

- Até você mãe. Eu não tenho namorado tá bom. Sento-me à mesa da cozinha enquanto mamãe prepara o jantar. 

- Bem, sobre o que você quer falar então? 

- Então, tem um idio.. um cara no 3° ano que vive pegando no meu pé e hoje ele passou dos limites sabe. E eu meio que... machuquei o nariz dele. 

- Você o quê? Não acredito que estou ouvindo isso Naomi. O que você estava pensando? 

- Mas mãe, ele me derrubou no chão, eu até cortei a testa. 

- Nada justifica violência Naomi. Achei que eu tivesse te criado direito mas pelo visto me enganei. Se pelo menos o seu pai estivesse aqui.

- Não me fale nesse homem, você sabe porque ele não está aqui. Não fui boa o suficiente pra ele e pelo visto não sou pra você também. 

- Vá pro seu quarto! Está de castigo até segunda ordem! 

Pego minha mochila e me tranco no quarto batendo a porta com força. Me jogo sobre a cama, fecho as mãos e aperto com força tentando me acalmar. Lágrimas querem sair dos meus olhos mas resisto. 

"Não, você nem está aqui, não vai me fazer chorar de novo." 

Vou até o espelho de corpo inteiro e me observo, cada detalhe, cada marca e sinal que tenho. 

"Não fui boa o suficiente pra você não é? Mamãe também parece achar isso. Será que eu sou tão horrível e decepcionante assim?" 

Tomo um banho quente, não saí mais do quarto, nem jantei. Passei a noite em claro vagando em meus pensamentos. 

Acordo bem cedo e saio para a escola de mansinho, antes de mamãe levantar. Não estou afim de mais discussão. Ainda eram 06:15 quando olhei no relógio antes de sair de casa, compro um lanche no caminho até o colégio, como tinha tempo de sobra decidi ir a pé. O céu estava limpo, o sol brilhava não tão forte, o vento era suave, um belo dia para caminhar.

Não havia muitos outros estudantes na rua a essa hora, eu seguia meu caminho despreocupada e com os pensamentos longe. Antes do Colégio havia uma pracinha, o caminho que venho pelo metrô é o oposto então nunca havia notado. Sento-me em um banco sombreado por uma árvore, fecho os olhos por um momento e inclino a cabeça para trás. 

"Vamos lá Naomi, você pode aguentar tudo isso. Será que posso mesmo?" 

- Você chegando cedo? Assustador. Ouço uma voz familiar. Abro um pouco os olhos e vejo Sasuke.

- Sasuke? O que faz aqui tão cedo? 

- Ei, a pergunta é o que você faz tão cedo aqui? Sempre chega atrasada ou quase. 

- Briguei com mamãe ontem e etc e etc. Mas não é cedo demais? 

- Você tá com a cabeça nas nuvens mesmo. Já são mais de 07:00 Naomi. Ainda é cedo pra mim, mas alguém quis chegar adiantado. Ele aumenta o volume da voz quando fala a última parte. Foi então que percebi Itachi no portão da escola, nos observando. 

- Seu irmão me dá arrepios. Acredita que ele falou com o diretor pra "me ajudar a controlar minha raiva". 

- Boa sorte. Você vai precisar. Ele ri.  

Naruto e Hinata chegam logo depois, de mãos dadas e entramos todos juntos na escola. As aulas passam lentamente quando não presto atenção nelas, vi Kabuto no almoço, ele estava com um curativo no nariz, me viu mas não deu importância. 

Chegava o fim da última aula e eu precisava dar um jeito de sumir do Itachi-san. 

"Sem chance de eu ficar falando sobre minha raiva com ele depois da aula." 

Bate o sinal e nós começamos a sair, vejo Naruto e vou até ele. 

- Rápido, arranja uma distração pra mim. Falo baixo. Ele sorri, não pergunta nada.

- Aí! Aí aí aí! Socorro! Não tô me sentindo bem! Tá doendo muito! Alguém me ajuda!

Todos prestam atenção nele, é a minha chance. Saio em disparada para o portão, estou quase saindo, sinto-me vitoriosa, mas toda essa animação vai embora quando escuto atrás de mim:

- Vai a algum lugar senhorita Naomi? 

- Eu? Não, quer dizer estava indo pro ginásio. 

"Foi quase." 

- O ginásio é por aqui, siga-me por favor.
Sigo ele até o ginásio, haviam várias máquinas de exercícios ali, pesos e mais uma infinidade de coisas. 

- O que nós vamos fazer? 

- Treinar sua raiva. 

- Tá, e como se faz isso em 3 dias?

- 3 dias? A sim, pretendo que continuemos mesmo depois do seu castigo acabar.

- Sem chance. Digo rindo. 

- Veremos. Troque-se, já vamos começar.

Visto o uniforme que Itachi-san me entrega, uma camisa fina e um short moletom. 

"Se ele pretende que eu malhe, pode desistir." 

Estamos em um local forrado com os tapetes que se usa na aula de Jiu Jitsu. 

- Sua raiva domina você Naomi. Isso não é bom, você fica a mercê de seus sentimos e pode acabar machucando as pessoas que gosta. Você concorda com isso?

- E eu tenho escolha? 

- Sempre se tem escolha. Não queria estar aqui não é? 

- Claro que não. 

- Está com raiva de mim por isso?

- Um pouco. Mas o que isso...

Antes que eu possa terminar a frase, sou derrubada nos tapetes. 

- Está com mais raiva agora? Itachi-san pergunta me olhando de cima.

- Qual o seu problema comigo? Digo enquanto levanto. 

- Problema? Não tenho problema nenhum. Vou lhe propor um jogo. Olhe, tenho aqui um sino, vou prender ele a minha calça. Se você conseguir pegá-lo pode ir embora e nós acabamos isso tudo aqui mesmo, para sempre. 

- Só preciso pegar o sino? 

- Sim.

- Vale qualquer coisa? 

- Qualquer coisa que você fizer para pegá-lo de mim será válido. Aceita?

- Tá bom.

Espero um instante e parto pra cima de Itachi, ele é rápido, tão rápido que mal posso acertá-lo. Já ele, faz questão de me derrubar sempre que tem chance. Depois de 10 minutos estou exausta, meu corpo não aguenta mais, suor escorre de toda parte. 

Não estou com raiva, me sinto frustrada, não consegui fazer algo que deveria ser tão simples. 

- Vamos, tente de novo. 

Forço meu corpo a levantar e tento desesperadamente pegar o maldito sino. Inútil, minha frustração dá lugar a raiva e não me concentro mais no sino e sim em conseguir acertar Itachi. Mas não adianta, ele se esquiva de tudo que faço, numa última tentativa de acertá-lo com um soco ele puxa meu braço, e me pressiona contra a parede. 

- Quando sua raiva toma conta você perde a noção de tudo a sua volta. Você não escuta seus pensamentos. 

- Cale a boca! Grito e Itachi-san se surpreende e me solta.

- Eu não virei aqui de novo, não importa o que você diga. Isso é inútil. Pego minhas coisas e saio. 

Começo a caminhar direto para casa, não tomei banho nem troquei de roupa. No meio do caminho começa a chover, as pessoas ao meu redor correm mas eu continuo no mesmo ritmo. Não tem sentido, nada mais tem, pra que me apressar pra chegar em casa. Quando chego já passa das 19:00 horas, estou encharcada. Tento entrar sem fazer barulho, tudo que menos quero é ter que dar explicações para mamãe. Vou até meu quarto e tiro a roupa molhada, tomo um banho quente e visto um moletom e short.

Saio para a cozinha e coloco meu jantar, mamãe apenas me observa.

- Cheguei tarde por causa da detenção e do mal tempo, se quer saber.

- Ok, da próxima vez se estiver chovendo ligue, que vou te pegar.   

- Ok. 

Como em silêncio e vou para o quarto. Recebo uma ligação de um número desconhecido. Atendo.

- Alô.

- Naomi. É o Itachi liguei pra sab...

Desligo. "Sasuke eu vou te matar." Ele liga novamente e eu desligo o aparelho. Leio um livro para me distrair até pegar no sono. 



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