História Sem Juízo - Shawmila - Capítulo 5


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Categorias Camila Cabello, Shawn Mendes
Personagens Camila Cabello, Personagens Originais, Shawn Mendes
Visualizações 60
Palavras 3.231
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Votem e comentem caralhoo

Capítulo 5 - Energia peculiar do tribunal.


CAMILA

Existe uma energia peculiar que invade o tribunal pouco antes de um veredito ser lido, uma estática que faz o ar estalar. É uma tensão compartilhada, na qual ninguém respira, a mesma que os romanos deviam vivenciar no Coliseu enquanto esperavam para ver em que direção César apontaria com o polegar. O pulso acelera, o sangue é bombeado com força, a adrenalina toma conta. É excitante.

E tão viciante quanto o sexo de qualidade. Do tipo que a deixa com marcas, inchada, exausta – e que você mal pode esperar para voltar a fazer.

Sempre soube que queria ser advogada. Enquanto crescia, eu assistia a programas como L. A. Law, nos quais mulheres litigantes contavam com uma sagacidade espetacular, usavam roupas cheias de estilo e penteados impecáveis, trabalhavam em escritórios de vidro e cromo quase tão altos quanto os céus.

Para meus pais, a educação sempre foi a maior prioridade, afinal, eles mesmos tiveram pouquíssimo acesso a ela. Minha mãe deixou a pobreza de seu vilarejo no Pará em troca da relativa opulência do Rio de Janeiro quando ainda era bem nova. Mas escapou do analfabetismo somente depois que conheceu meu pai, que a ensinou a ler quando ela tinha dezesseis anos. Juntos, eles emigraram para os Estados Unidos e se tornaram a definição do Sonho Americano – criaram uma empresa próspera, passaram pela classe média e conquistaram riqueza considerável. Muito conscientes das oportunidades que seu trabalho gerava aos filhos, eles imprimiram em todos nós, em mim e em meus três irmãos mais velhos. A ideia de que a educação era a chave que abria todas as portas. Era um tesouro que jamais poderia ser roubado de nós, o nosso porto mais seguro. Não por acidente, todos fomos atrás de uma carreira: meu irmão mais velho, Carlos, formou-se em medicina; o outro, Lucas, é contador; e Kevin, apenas um ano mais velho do que  é engenheiro.

– Senhora presidente dos jurados, já chegou a um veredito?

A atenção fervilhante de Pierce Montgomery, nosso cliente, não está voltada para a mulher prestes a anunciar seu julgamento. Em vez disso, ele está totalmente concentrado em meus seios. Isso me faz sentir sacana de um jeito delicioso.

Prevejo um banho quente e agradável no meu futuro para limpar essa coisa sórdida.

– Temos, Excelência.

Quando optei por Direito Criminal, eu sabia que havia uma alta probabilidade de ter que trabalhar com vermes como Montgomery, mas isso não me deteve. Como eu era a mais nova da família e a única filha, todos me protegiam muito. 

Mas, em vez de me restringir, esse instinto protetor fez meus pais me convencerem de que eu era capaz e estava preparada para enfrentar o que quer que a vida lançasse na minha direção.

“Oportunidades”, dizia meu pai, “precisam ser agarradas com as duas mãos. Porque a gente nunca sabe se elas vão aparecer outra vez.”

Foi ele quem me ensinou a ser destemida.

Oportunidades. Oportunidades era o que ele queria para mim. Mais do que um marido ou filhos, meu pai queria que eu tivesse a chance de chegar onde quer que fosse. De fazer qualquer coisa.

Ter crescido em Chicago me desafiou ainda mais. É uma bela cidade, mas, como acontece em qualquer área urbana, tem lá seus perigos. Aprendi cedo a ser rápida, me defender, estar alerta e desconfiar de pessoas desconhecidas até que elas provassem o contrário.

Em suma, um olhar malicioso do filho de um senador, como o de Pierce Montgomery, não me intimida.

Se ele tentasse me tocar com mais do que os olhos, eu o deixaria de joelhos com apenas um movimento do meu punho.

Simples assim.

– E qual é?

Aqui vamos nós. A hora da verdade.

De canto de olho, posso ver os ombros largos de Shawn subirem lentamente enquanto ele inspira… e prende a respiração.

Exatamente como eu faço. 

A presidente recita o número do caso e as acusações. Depois, murmura a palavrinha mágica:

Inocente.

Porra, demais! Caralho, que foda! Meus pensamentos estão socando o ar de tanta emoção!

Exatamente como acontece no futebol americano, celebração excessiva não é bem-vista no tribunal.

Então, Shawn e eu nos limitamos a trocar um sorriso congratulatório. Nós dois sabemos que essa vitória é grandiosa, é um trampolim para se chegar ao tipo de notoriedade desfrutada por Cochran, Allred, Geragos, Abramson e Dershowitz – a Liga do Todos Conhecem o Seu Nome.

Montgomery agradece Shawn com um aperto de mão, mas consegue fazer até essa atitude parecer arrogante. Vira-se para mim com os braços abertos, esperando um abraço, obviamente.

Porque eu tenho uma vagina.

E, como tantos outros, ele funciona com a convicção de que pênis trocam apertos de mão, vaginas abraçam.

Esta aqui não, cara.

Estendo firmemente o braço, deixando clara a minha posição e mantendo-o longe do meu espaço pessoal. Ele aceita o aperto de mãos, mas não deixa passar a chance de dar uma piscadela.

E a necessidade de um banho quente se torna mais forte.

Quando saímos do tribunal, os repórteres já estão esperando. Das redes locais, não das nacionais.

Ainda não. Como eu disse, é um trampolim.

Shawn, o grande nome do dia, responde às perguntas com uma mistura bem treinada de charme e egoísmo. Advogados não são modestos. Mas ele me dá os meus créditos, fala em “nossa” defesa, comenta que “nós” estávamos confiantes no resultado desde o início. Como um bom soldadinho, cita o nome de nossa empresa, destacando que todos os clientes da Adams & Williamson recebem o mesmo tipo de representação estelar.

Enquanto Shawn fala, reservo um momento para admirá-lo – afinal, é fácil admirá-lo. Seus olhos brilham de animação e com o sol da tarde, emoldurados por cílios densos, surpreendentemente escuros, que qualquer mulher mataria para ter. Alguns fios fios rebeldes de cabelos castanhos e espessos – o tipo de cabelo de Robert Redford em Perigosamente Juntos – caem sobre sua testa. Um nariz romano e maçãs do rosto altas dão a ele uma aparência forte e nobre, mas Shawn Mendes é todo homem, não há nada de menininho ali. Acho que minha parte preferida é seu maxilar. Chega a ser pornográfico. Áspero e quadrado, com a quantidade perfeita de fios de barba por fazer, ele me leva  a pensar em sexo matinal e em uma cama quente.

Stanton tem 1,87 m de altura e suas pernas longas e torso torneado são o sonho de qualquer alfaiate. É o tipo de corpo que foi feito para usar terno. Sua voz é profunda, um barítono melódico com uma levíssima cadência do sul que, durante um interrogatório, é capaz de cortar como um bisturi ou reconfortar como alguém que conta histórias para outra pessoa dormir. Mas é o sorriso de Shawn que atrai e desarma qualquer mulher. Lábios que a fazem querer rir quando eles riem ou que provocam os segredos mais sacanas quando deslizam de modo a formar aquele sorrisinho preguiçoso.

Esse sorriso e eu nos conhecemos bem.

– Não é verdade, doutora Cabello? – ele pergunta.

E, de repente, os olhos dos repórteres estão voltados para mim.

Cacete. Eu não tenho a menor ideia do que ele está perguntando. Estava ocupada demais olhando aquele maxilar – maldito maxilar! –, lembrando-me daquela língua se esfregando na parte interna da minha coxa, me fazendo ronronar com a satisfação de uma felina desfrutando de carinho em sua parte preferida do corpo.

Mas me recupero discretamente:

– Sem dúvida. Estou totalmente de acordo.

Os repórteres nos agradecem e, enquanto nosso cliente entra em seu carro com motorista, Shawn e eu decidimos ir caminhando até o escritório, que fica a poucos quarteirões.

– O que você estava fazendo ali? Parecia distraída – ele questiona com um tom de quem está se divertindo, de quem já conhece a resposta. 

– Mais tarde explico direitinho – respondo enquanto Shawn abre a porta de nosso prédio para mim.

A Adams & Williamson é um dos mais antigos escritórios de advocacia em Washington. O prédio tem somente dez andares, pois respeita o Height of Buildings Act, uma lei de 1910 que proíbe a construção de estruturas mais altas do que a abóbada do Capitólio, com pouquíssimas exceções. No entanto, a falta de altura é recompensada pela grandeza histórica. O mogno polido brilha no chão, projetado para destacar os detalhes feitos a mão que decoram cada parede. Uma lareira de mármore reformada dá as boas-vindas aos visitantes quando eles se aproximam da grande mesa de nogueira da recepção.

Vivian, a recepcionista que trabalha aqui há muito tempo, está com pouco mais de cinquenta anos. Seu traje branco impecável e cabelos loiros bem-arrumados transmitem a primeira impressão perfeita, uma mistura de experiência e elegância, a todos que aqui entram.

Ela abre um sorriso caloroso.

– Parabéns aos dois. O senhor Adams quer vê-los no escritório dele.

As notícias se espalham rapidamente em Washington, fazendo com que as redes de fofoca escolar pareçam movidas a internet discada. Então, não é de se surpreender que a notícia de nossa vitória já tenha chegado à mesa de nosso chefe. Porém, independentemente de qualquer vitória impressionante, Jonas Adams, um dos fundadores de nossa empresa e descendente direto segundo presidente, jamais sairia de seu poleiro no último piso para parabenizar ninguém.

Adams nos chama até ele.

Enquanto estamos no elevador, a mesma excitação ansiosa que borbulha dentro de mim emana de meu colega. Somos imediatamente levados ao escritório de Jonas, onde ele está parado atrás da mesa, colocando pastas em uma maleta de couro surrada. Suas semelhanças com o pai não deixam de ser inquietantes, uma barriga saliente decorada com a corrente de ouro de um antigo relógio de pulso, óculos redondos equilibrados em um nariz pontudo e tufos de cabelos brancos penteados em uma tentativa de cobrir a coroa calva da cabeça, que brilha tanto quanto o chão de mogno sobre o qual estamos.

Se ele vier a se aposentar, as empresas de reconstituição histórica vão entrar em guerra para tê-lo ao seu lado.

Jonas deu aula nas melhores instituições e é considerado uma das mentes mais brilhantes da nossa área. Mas, assim como muitos outros intelectuais talentosos, ele possui um temperamento agitado e ansioso que faz qualquer um desconfiar de que ele está o tempo todo perdendo a chave do carro.

– Entrem, entrem – convida enquanto bate as mãos nos bolsos, aliviado ao perceber que o que estava procurando continua ali. – Vou passar alguns dias fora para participar de uma conferência no Havaí, mas queria parabenizá-los pelo sucesso no caso Montgomery.

Ele sai de trás da mesa e oferece um aperto de mão.

– Um excelente trabalho! – continua. – Não foi uma vitória fácil. E o senador Montgomery com certeza está grato.

– Obrigado, doutor – responde Shawn.

– Qual é o seu saldo agora, doutor Mendes? Oito vitórias no total?

Sem demonstrar qualquer modéstia, Shawn encolhe os ombros.

– Na verdade, são nove.

Jonas assente enquanto tira os óculos e os limpa com um lenço monogramado.

– Impressionante.

– Tudo depende do júri, doutor Adams – afirma Shawn. – Nunca me deparei com um júri que não gostasse de mim. 

– Sim, muito bom. Muito bom. E a senhora, doutora Santos? Segue sem derrotas, não é?

Com um sorriso, ergo orgulhosamente o queixo.

– Sim, doutor… Seis participações, seis vitórias.

No mundo profissional, as mulheres conquistaram muito espaço – agora nossos pés estão firmes na porta do clubinho que antes pertencia somente aos homens, ou seja, nos campos político, legal e empresarial. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer. O fato é que, com grande frequência, quando chega a hora das promoções e oportunidades profissionais, somos deixadas em segundo plano.

Não somos as primeiras que vêm à mente. Para sermos as primeiras a serem notadas por nossos chefes, não basta sermos tão competentes quanto nossos colegas homens. Precisamos ser melhores. Precisamos nos destacar.

É uma verdade injusta, mas, mesmo assim, é a verdade.

E é por isso que, quando o motorista de Jonas entra na sala para recolher as bagagens e pega uma bolsa de golfe de uma grife de luxo, cujo conteúdo vale mais do que o Porsche de Shawn, comento:

– Não sabia que o senhor jogava golfe, doutor Adams.

Não é verdade. Eu sabia, sim.

– Sim, sou um entusiasta. É relaxante, sabia? Ajuda a diminuir o estresse. Espero poder participar de algumas partidas nos dias de conferência. Você joga? 

Sorrio o gato da Alice do país das maravilhas.

– Sim, jogo. Recentemente joguei no East Potomac.

Ele ajeita os óculos sobre olhos arregalados:

– Isso sim é impressionante! – Ele ergue o dedo. – Quando eu voltar do Havaí, vou convidá-la para ir ao meu clube, o Trump National, jogar algumas partidas.

– Seria um prazer. Obrigada.

O queixo de Jonas se movimenta hipnoticamente quando ele assente com a cabeça.

– Vou pedir para minha secretária conversar com sua assistente para adicionar esse evento ao calendário. – Nesse momento, ele se vira para Shawn. – Você joga, Mendes?

Percebo o nanossegundo de hesitação, mas só porque conheço Shawn muito bem. Todavia, seu rosto logo é tomado por um enorme sorriso.

– Claro. Golfe é a minha vida.

Jonas bate palmas.

– Excelente. Então você vai jogar com a gente.

Shawn engole em seco.

– Maravilha.

Depois que Jonas sai, Shawn e eu nos vemos outra vez no elevador, seguindo para nossos escritórios no quarto andar.

– “Golfe é a minha vida?” – repito, olhando para os números em contagem decrescente.

Seu olhar bem-humorado se volta para mim.

– Que diabos você esperava que eu dissesse?

– Ah, você poderia ter dito o que me disse há três meses: “Golfe não é um esporte de verdade”.

– E não é – ele insiste. – Se você não suar, não é esporte.

A isso, respondo:

– Jogar golfe requer uma quantidade enorme de habilidades…

– Pingue-pongue também. E continua não sendo um esporte.

A perspectiva teimosa dos homens… Como tenho irmãos mais velhos, estou familiarizada com isso.

Mesmo assim, até hoje dou risada dos absurdos.

– E então, o que você vai fazer? Jonas volta do Havaí em duas semanas.

– Temos bastante tempo para você me ensinar a jogar – ele responde, cutucando-me suavemente com o cotovelo.

– Eu? – quase gaguejo.

– É claro, senhorita East Potomac. Quem melhor do que você?

Nego com a cabeça. É exatamente assim que Shawn funciona. Assim como minha sobrinha usa o beicinho para conseguir o que quer com meu irmão mais velho, Shawn usa seu maldito charme comigo.

É impossível resistir. Especialmente quando você não quer resistir.

– Duas semanas não são muito tempo.

Ele coloca a mão em meu ombro, esfrega o polegar contra a pele nua de minha nuca. A ação faz toda a minha espinha arder, faz todos os músculos abaixo da cintura se repuxarem.

– Começaremos neste fim de semana.Tenho total confiança em você, Mila. Além disso… – ele oferece uma piscadela. – Eu aprendo rápido.

Quando a porta do elevador se abre, ele afasta a mão e, por um breve momento, sinto falta daquele calor.

– Será o momento perfeito para resolvermos a nossa aposta. Seu carro me deve uma voltinha.

– Acho que eu não deveria ser considerado responsável por apostas que faço sob coação.

Meus saltos batem no chão de madeira enquanto bufo:

– Sob que tipo de coação você estava?

Shawn para a poucos centímetros da porta de nosso escritório, baixa a voz e se inclina para a frente para sussurrar ao meu ouvido: 

– Você subestima o poder dos seus seios milagrosos. Eles estavam bem no meu rosto. Era impossível pensar com clareza.

Cruzo os braços, cética.

– Milagrosos?

Ele ergue as mãos como quem se rende, mantendo as palmas para a frente.

– Eles me fizeram querer levantar e gritar “amém”… Ou cair de joelhos e fazer outras coisas.

Um risinho me escapa.

– Se todos os seios o distraem com tanta facilidade, então você tem problemas maiores do que me deixar dirigir o seu carro.

Ele me encara por um instante e seus olhos parecem aquecidos. Quase afetuosos.

– Não são todos os seios, Mila.São só os seus.

Já ouvi a expressão “meu coração deixou de bater por um segundo”, mas não sabia que isso podia acontecer literalmente. Até agora.

De qualquer forma, finjo indiferença.

– Boa tentativa. Mesmo assim, pedido negado. Não dou aulas de golfe a cafajestes.

– Não podemos culpar um homem por tentar.

Ansel sai de seu escritório, a caminho da sala de Shawn. Faz uma pausa ao nos ver e ergue o braço em saudação.

– Ah, os vitoriosos já voltaram. Exatamente as duas pessoas que eu queria ver.

Nós o acompanhamos até o escritório de Shawn, o qual ele divide com Jake Becker, que está reclinado em sua cadeira, analisando um arquivo aberto em seu colo. Mal olhando em nossa direção, Jake lança:

– Ouvi dizer que é para dar os parabéns. Meus cumprimentos por terem provado que, além de cega, a justiça é muito burra.

Shawn e Jake se conhecem desde a faculdade, quando Shawn precisava desesperadamente de um colega para dividir o aluguel e Jake precisava de um lugar para dormir (e que não fosse o sofá da sala de sua mãe). Jake Becker não parece um advogado. Ele me lembra um boxeador peso-pesado ou um cara musculoso saído de um filme da Máfia. Cabelos escuros, olhos da cor do aço frio, lábios cheios que raramente sorriem e observações extremamente sarcásticas. Seu corpo é enorme e perigosamente forte, com mãos que engolem as minhas quando nos cumprimentamos. Mãos que mais parecem feitas de alvenaria, que dariam pena de um oponente em uma briga.

Apesar de sua aparência intimidadora, Jake é um perfeito cavalheiro. Tem um senso de humor sagaz e é um defensor incansável daqueles que considera seus amigos. Tenho a sorte de poder dizer que sou um deles. Nunca o vi perder a cabeça ou levantar a voz, mas suspeito que a raiva dele seja do tipo que ataca com vingança letal – e sem qualquer aviso.

Shawnn coloca a pasta na mesa e se senta.

– Não se ajeite muito, não – Ansel avisa. – Não vamos ficar muito tempo aqui. É sexta-feira e sua vitória nos dá a justificativa perfeita para terminarmos o expediente mais cedo.

Não conheci Ansel quando era mais jovem, mas ele tem todas as características de quem era o palhaço da turma… ou uma criança precisando desesperadamente de Ritalina. Sempre agitado, com uma piada na manga e uma reserva infinita de energia. Raramente consegue ficar parado; mesmo quando está lendo, fica de pé caminhando ou se balançando na beirada da mesa, segurando um arquivo com uma mão e agarrando outro arquivo na outra.

Ah, e o cara nem toma café! Normalmente quero estrangular Ansel nas manhãs de segunda-feira.

– Preciso terminar o arquivo da Rivello – explico, mas o balançar sua cabeça me interrompe.

– Você pode terminar amanhã, doutora Cumpridora de Metas. Já virou a menina dos olhos de Adams, não precisa mais trabalhar tanto quanto a gente. Além do mais, temos um motivo para celebrar. E tenho como regra nunca deixar esses motivos passarem em branco. O happy hour já nos aguarda.

Olho para o relógio.

– Ainda são três horas.

– O que significa que são cinco horas em algum lugar. – Ele aponta com o polegar na direção da porta.

– Vamos, pessoal, encontrem seus parceiros. A primeira rodada é por conta de Jake.

Jake já está em pé, arrumando a pasta para levar trabalho para casa. Gira o dedo no ar e diz com apatia: 

– Claro, água para todo mundo.

Rindo, Shawn alonga os braços:

– Vamos, Mila. Tem uma Tequila Sunrise reservada com o seu nome. A gente ganhou.

Tenho uma forte relação de amor e ódio com Tequila Sunrise. Amo no happy hour, odeio na manhã seguinte.

Com um suspiro, acabo cedendo:

– Claro… Por que não?



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