História Sem Lei - Capítulo 11


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Notas do Autor


Oi amores <3

Meu deus que vergonha de aparecer aqui depois de tanto tempo sem atualizar, já faz o que, meses? Podem me bater. Mas eu estava de hiatus e com muitos problemas sem contar a falta de tempo então... Peço perdão e que também relevem um pouco. Mas estou de volta, e estou atualizando minhas fanfics regularmente <3

Eu revisei a fanfic inteirinha, então quem quiser reler pode reler porque agora tá tudo bonitinho. E também para recuperar a essência né? Com certeza vocês esqueceram de muitas coisas.

Sem delongas, capítulo grandão para compensar a demora! Espero que gostem e não desistam de mim ainda muahahah 🖤

Capítulo 11 - Noite agitada


Fanfic / Fanfiction Sem Lei - Capítulo 11 - Noite agitada

                               11    


Ouvia-se uma respiração suave das duas pessoas que dormiam profundamente na cama king-size. Ambas formavam a diagonal 'T'. A cabeça do homem estava apoiada na barriga da mulher. Um ventilador agarrado ao teto enviava um rugido de som e vento suave nas duas pessoas. A grossa cortina cobria a janela gigante do cômodo, bloqueando a luz do sol, deixando o casal inconsciente de que a manhã havia chegado e que eles teriam que encarar... a realidade.

As vibrações suaves seguidas pelo ritmo de um toque barulhento de um celular repentinamente ecoaram da mesa de cabeceira e perturbaram a calma da manhã.

Fora a mulher que ouvira primeiro o som irritante. Ela se viu se contorcendo em seu lugar e lutando um pouco para se levantar devido a algo pesado em seu estômago. Seus olhos ainda estavam semicerrados, mas ela estava consciente o suficiente para sentir o baque latejante de sua cabeça. O som do toque de celular apenas fazia piorar.

Gemendo, suas mãos tatearam ao seu lado tentando encontrar o celular barulhento. Assim que o pegou, ela imediatamente pressionou o botão de rejeição sem ver primeiro quem estava ligando.

E foi quando ela percebeu.

Seus olhos lavandas estavam bem abertos enquanto observava o celular em sua mão com cuidado. Embora o tipo de aparelho fosse da mesma marca que o dela, o item não pertencia a ela! O toque era definitivamente diferente!

Então... de quem era?

Ela colocou o iPhone de lado. Não era apenas o celular, a cama também parecia diferente. Quando o leito da primavera se transformou em um colchão d'água?

Ignorando a cabeça latejante, a garota olhou para o resto do cômodo onde estava. Definitivamente, aquele não era seu quarto. O seu não era tão grande e, não possuía um ventilador! Ela usava ar condicionado.

Ela ofegou quando o "algo" que estava pesando em seu estômago se moveu de repente. Sua visão desceu automaticamente para ver o que era. Ela conteve um grito de surpresa quando viu um garoto ruivo adormecido de barriga pra baixo. Sua mente imediatamente se tornou caótica. Coisas ruins sobre o que ela poderia ter feito com esse homem na noite anterior lhe ocorreu.

Em pânico, Hinata sentiu seu coração quase sair pela boca.

Demorou alguns minutos para a garota se acalmar. Ela respirou fundo antes de expirar devagar. Talvez algo ruim não tenha acontecido porque, de acordo com sua visão, o homem ainda estava vestido, enquanto ela próprio ainda usava as roupas da noite anterior.

Então... o que aconteceu?

Ela desistiu de tentar lembrar o que tinha acontecido na noite passada. Forçar seu cérebro apenas fazia sua cabeça doer mais. Por esse motivo, ela deitou a cabeça no travesseiro novamente, encarando o rosto do jovem adormecido de bruços. Se ela não estivesse em uma situação como essa, estaria sorrindo para a boca aberta dele. Não parecia com ele no cotidiano. Dormindo assim, o homem parecia inocente e... adorável.

O rosto da menina de repente esquentou.

– G-Gaara… — Sussurrou suavemente. Ela já havia decidido, se ela própria não sabia o que havia acontecido na noite passada, talvez ele soubesse. – Gaara… — tentou novamente.

O Sabaku permaneceu imóvel. Então a menina resolveu cutucá-lo. Seus dedos finos tocaram a misteriosa tatuagem de kanji do homem, que era uma de suas atrações para as mulheres. – Gaara… — Ela sussurrou novamente. Ela tinha medo de assustá-lo, caso ela levantasse o tom de voz. E por experiência própria, a garota sabia que acordar alguém em um choque poderia deixar a pessoa muito irritada.

Gaara zangado era a última coisa que ela queria naquela manhã.

Depois de vários sussurros e cutucadas, Gaara ainda permanecia dormindo profundamente. Então a garota tentou outra maneira. Ela segurou a cabeça de Gaara, se inclinando sobre ele.

Isso era algo que sua mãe sempre fazia para acordá-la. Ela não sabia se esse método também funcionaria para com outros. Mas ela tentaria.

Hinata colocou os lábios perto da orelha de Gaara. Então, muito gentilmente, ela soprou o orifício do garoto. Ela fez isso muitas vezes. Seu rosto ficou vermelho. Até que finalmente o ruivo rosnou enquanto tapava os ouvidos.

Lentamente, ele acordou. Seus olhos aquamarine olhavam confusos para a garota que estava inclinada sobre ele.

– Hinata? — Ele perguntou confuso. Sua voz estava rouca.

Ela ofereceu a ele um pequeno sorriso enquanto observava a consciência lentamente voltando ao jovem.

– Bom dia. — Hinata disse suavemente.

Gaara não respondeu. Ele se levantou e sentou de frente para a garota. As rugas estavam visíveis em sua testa. 

– Como você se sente?

– Eh? Hã… — Hinata ficou surpresa com a pergunta repentina. – Um pouco… zonza.

– Só um pouco?

– Sim.

Gaara lançou-lhe um olhar de descrença.

– Vou pegar uma aspirina.

– E-Espera! — Hinata segurou a mão de Gaara quando o homem saiu da cama. – Espera um minuto. Eu preciso saber o que está acontecendo… ou melhor, o que aconteceu. — Hinata soltou o aperto de Gaara. Seu rosto parecia envergonhado quando o garoto atendeu ao seu pedido e sentou-se ao lado dela. Bem perto, tão perto que suas coxas se tocavam. – O-Onde estamos agora? E… p-por que você está aqui comigo?

– Estamos no meu quarto. — Ele respondeu simplesmente. Ele deliberadamente ignorou a outra pergunta. Hinata teve um pressentimento de que a resposta para a última questão seria uma longa história. – Qual é a última coisa que você consegue se lembrar?

Hinata fechou os olhos. Sua cabeça latejava ainda mais enquanto tentava se lembrar do que aconteceu ontem à noite. Tudo parecia tão desfocado. 

– Eu não lembro de nada…

Hinata podia sentir a mão de Gaara em seu ombro.  

– Vá devagar. A primeira ressaca é sempre a pior.

Ressaca? Ela estava de ressaca? Durante sua vida, ela apenas assistia as pessoas ao seu redor beberam. Ela própria nunca experimentou uma gota de álcool. Espera, se ela estava de ressaca, isso significava que ontem à noite ela ficou... bêbada?

– O que realmente aconteceu ontem à noite?! — Sua voz era desesperada quando Hinata agarrou o braço de Gaara e olhou para ele de perto, como se estivesse implorando para que ele desse uma explicação.

– Eu não fiz o que você não queria, não se preocupe. — Ele disse antes de ir ao banheiro para pegar a aspirina.

Sim, Hinata ficou realmente preocupada que Gaara tivesse se aproveitado dela quando ela estava inconsciente. Mas havia algo mais preocupante do que isso.  Hinata temia que na noite anterior ela subconscientemente tivesse vazado seu segredo. O segredo da aposta com Sasuke.

No entanto, dada a maneira calma e controlada do homem, ela ainda poderia concluir que na noite passada ela não dissera nada comprometedor.

Hinata olhou para Gaara, que caminhava em direção à porta do banheiro. O ruivo deixou a porta aberta enquanto procurava aspirina no armário. A Hyuuga suspirou e voltou o olhar para suas roupas. Ela ainda estava vestindo como se lembrava pela última vez. Uma blusa vermelha e calça na altura do joelho. Mas, faltava o blazer que também foi usado ontem à noite.

– O blazer que você usou ontem está no meu carro. — Gaara disse de repente como se ele pudesse ler a mente da garota. Ele voltou do banheiro e agora oferecia um copo de água junto com duas aspirinas para Hinata. A garota agradeceu ao pegar o copo e a aspirina das mãos dele.

Depois de engolir, Hinata sentiu vontade de se deitar mais uma vez. Mas ela resistiu ao desejo. Havia muitas coisas que ela precisava descobrir agora.

– Quer trocar de roupa? — Gaara questionou quando notou que Hinata parecia desconfortável em suas vestes. Sem esperar pela resposta da garota, ele imediatamente caminhou até seu armário e pegou uma grande camisa cinza. Jogando a blusa na cama, acertando a cabeça de Hinata.  

– Vista.

Ele próprio, imediatamente tirou a camisa que aparentemente usava desde a noite anterior e a substituiu por uma camisa preta. Mas não acabou aí, porque alguns momentos depois, sem aviso prévio, Gaara de repente baixou o jeans. Hinata rapidamente escondeu o rosto com a camisa que o homem lhe dera. 

Esse cara é realmente sem vergonha, pensou Hinata.

Como ela poderia estar presa a esse homem? A última vez que Hinata se lembrava de estarem juntos, ele a tinha deixado na enfermaria com uma gravata manchada de sangue.

Gravata

Novas memórias de repente inundaram sua mente. Gravata! Sim era isso! A maldita gravata foi o começo de tudo isso. Por conta disso, Hinata inicialmente concordou com o pedido de Ino. Se bem que ela não sabia onde estava essa gravata agora...

– Vai trocar de roupa ou quer que eu faça isso por você?

Hinata ofegou de surpresa, e encontrou Gaara sorrindo para ela.

– N-Não há necessidade. Eu posso fazer isso sozinha.

Ao contrário de Gaara, Hinata ainda tinha vergonha e se recusava a trocar de roupa com a presença do homem.

– Não há necessidade de tirar sua blusa. Apenas tire essa calça. Parece muito apertada. — Gaara estava certo. Essas calças são realmente justas. Até porque elas não lhe pertenciam. – Aqui, use isso. — Ele jogou uma cueca boxer em direção a Hinata. Em seguida, encostou-se ao armário atrás dele, enquanto observava a garota que estava na cama, como se estivesse esperando que ela tirasse a roupa. Quando Hinata não fez nenhum movimento para tirar suas calças estreitas, Gaara estreitou os olhos.

– Então?

– E-Eu... E-Eu… — Ela gaguejou confusa tentando expressar seus desejos sem se envergonhar.

– Você quer ir ao banheiro?

Hinata teve a sensação de que ele sabia desde o início que estava desconfortável sob a supervisão dele. E, ao mesmo tempo, o homem a ajudou para que ela não ficasse com vergonha.

– Sim! — Hinata correu da cama e atravessou o quarto até o banheiro com a camisa e a boxer que Gaara havia lhe dado. Pelo canto de olho, ela podia ver o Sabaku sorrindo para ela.

Isso é estranho.

– Quando terminar, apenas desça. Conversamos lá embaixo! — Gaara gritou do lado de fora do banheiro, ao qual Hinata respondeu com um "Tudo bem!"

A Hyuuga deu um suspiro de alívio quando ouviu a porta do quarto se fechar. Por alguma razão, ela se sentia mais aliviada em saber que o homem estava esperando por ela no andar de baixo, não fora do banheiro. Hinata mordeu o lábio quando viu uma banheira na frente dela. Honestamente, ela estava com inveja daquela linda banheira. E, pelo amor de Deus! Ele ainda tinha seu próprio jacuzzi! Algo que Hinata sempre sonhou por um longo tempo. No entanto, como seu banheiro não era tão grande, o desejo se tornara impossível.

Gaara ficaria com raiva se ela tomasse um banho? Hinata pensou timidamente. Ele não iria ficar com raiva, certo?

Sem pensar, Hinata imediatamente tirou todas as roupas e entrou na banheira.

Quem na terra poderia resistir àquela tentação? Foi assim que a herdeira Hyuuga pensou.

O primeiro jato de água que atingiu sua pele relaxou espontaneamente todo seu corpo.

Ela fechou os olhos e imediatamente sua mente voltou aos eventos do dia anterior…

                              [...]

Naquela tarde, Hinata, Ino e Tenten haviam acabado de sair da detenção, Yukata Kirishima empurrou Hinata deliberadamente até que ela perdeu o equilíbrio e caiu de bunda no chão. Tenten teve que exercer todas as suas forças para segurar Ino, para que a loira não arranhasse o rosto de Yukata que desapareceu com um sorriso de vitória.

Depois que Ino se acalmou e Hinata se levantou novamente, foi quando uma idéia brilhante apareceu na mente da garota.

– O que acham de irmos à festa da Kirishima hoje à noite?

A pergunta foi recebida com a recusa de Hinata e um aceno ansioso de Tenten. 

– Eu nunca estive em uma festa! — Disse a morena. – Deve ser bom dançar a noite toda. — Murmurou com um olhar sonhador.

– Eu não gosto de festas. — Hinata guinchou. – Especialmente se for uma festa da Yukata Kirishima. O Sasuke vai estar lá. Eu não quero vê-lo.

– Ah, vamos lá Hinata! Você não quer se vingar da Kirishima? Temos que nos vingar!

– C-Como?

– Vencendo ela em sua própria festa!

– Vencendo ela...? V-Vamos chamar ela para uma briga?! 

Tenten interrompeu o surto da Hyuuga.

– A intenção de Ino, é aparecermos mais bonitas que a Kirishima e ofuscá-la em sua própria festa.

– Mais bonita? — Hinata exclamou em descrença. – Yukata é definitivamente mais bonita. C-Como é possível alguém como eu derrotá-la?

Ino parou de repente, depois se virou para encarar a amiga, ambas as mãos acariciando as bochechas pálidas da garota. 

– Quem disse que Yukata é mais bonita que você? Você é cem vezes mais bonita que ela, Hinata! Não, mil vezes! Você está apenas sendo modesta e não está demonstrando! — A menina exclamou com veemência.

Hinata sorriu com os elogios de Ino.

– Obrigado, Ino. M-Mas... mas... eu ainda não irei. Podem ir. Não quero arruinar a noite de vocês.

As três então caminharam em silêncio. Por Hinata sempre voltar para casa a pé, e devido à detenção, a mãe de Ino não poderia buscá-la, Tenten então se ofereceu para escoltar as duas amigas em seu carro. Era por isso que no momento as três caminhavam em direção ao estacionamento deserto até um Honda Civic cinza de propriedade da morena de coques.

Quando estavam no carro, Ino disse de repente: 

– De fato, definitivamente o Sasuke vai estar lá, porque ele me convidou. — Hinata franziu a testa com isso. – No começo eu não quis ir também, mas depois do comportamento daquela vadia em relação a você… — Ela olhou para Hinata, que estava sentada no banco de trás. – Acho que deveríamos ir e fazer aquela chorume espumar de raiva e inveja. Afinal, não é só o Sasuke que vai. Os outros entusiastas também. — Ino começou a contar os únicos conhecidos que iriam. – O Suigetsu, Sasori, Sai, Naruto, Karin, Gaara… — As bochechas de Hinata coraram quando ouviu o último nome.

Era realmente inevitável. O que quer que estivesse relacionado a Gaara parecia ser o gatilho para fazer as bochechas da garota corarem.

– A propósito, o que há entre você e o Gaara? — Perguntou Ino. Seus olhos azuis se arregalaram curiosamente. – Foi a primeira vez que eu vi ele segurar uma garota na frente de outras pessoas.

– Hã… — Hinata desviou o olhar de Ino. Suas mãos em seu colo de repente pareciam interessantes. – N-Nada. T-Talvez ele tenha se sentido… culpado?

– Mas quem chutou a bola foi o Naruto

Tenten, que apenas ouvia a conversa de suas amigas, falou subitamente: 

– Para de mentir, Hinata. Eu sei que tem algo rolando entre você e o Sabaku. — A morena deu a Hinata um olhar irônico através do espelho retrovisor.

– O-o que?

– Eu vi você entrando no carro dele outro dia. — Ela sorriu maliciosamente para Hinata. Seu sorriso aumentou quando viu o rosto dela empalidecer. – Vocês mataram aula, certo?

– CARALHO! SÉRIO? — Gritou Ino animadamente. – LOGO VOCÊ, HINATA? — Ela olhou para trás.

– E-E-Eu fui forçada a ir junto! — Hinata não se atreveu a olhar para frente. Envergonhada, ela pressionou o rosto nos joelhos.

– Como você sabe disso, Tenten? – Perguntou Ino.

– Eu fui ao banheiro e os peguei indo em direção ao estacionamento. Por curiosidade, eu segui. Não que eu seja intrometida ou algo assim. Mas vamos lá! Hinata e Gaara? Juntos? Quem não suspeitaria? — Ela riu. – E aí? O que 'tá rolando? É tipo um... relacionamento secreto como nos filmes clichês? Porque Gaara é popular e amigo do Sasuke que não gosta de você, então vocês dois decidiram manter a relação em segredo dos outros?

A análise de Tenten, soava como uma detetive, fazendo Hinata quase engasgar com a própria saliva. Antes que a garota pudesse negar, Ino se intrometeu: 

– Ah, então essa é a razão pela qual Gaara pegou ela no colo! Ele lhe deu até uma gravata! Uau! — Então ela franziu a testa. – Oh... meu... Deus! Acabei de me lembrar! — Ino exclamou enquanto acariciava sua testa. Rápido como um raio, ela pegou o celular. Hinata aproveitou a oportunidade para explicar o mal entendido para as duas. Mas Ino levantou a mão. – Espere, espere. Espere um minuto! Guardei o endereço em… — Ela tocava a tela do iPhone rosa com ansiedade. – …Aqui! Deixe-me adivinhar o seu endereço, Hinata! – Ela levantou o dedo indicador. – Você mora no bloco 5, número 2, perto da casa de Gaara, certo?

Hinata não tinha idéia de como seu endereço residencial chegou ao celular de Ino.  

– S-Sim...

– Eu sabia! Gaara ordenou que as flores da minha loja fossem entregues no seu endereço! Naquela época, ele não mencionou o nome da pessoa. Apenas disse que as flores eram para uma garota. Eu nunca pensei que fossem para você! Você gostou das flores, Hinata? Eu que fiz o arranjo com muito carinho. — Disse ela rapidamente, dando um joinha.

– Bem, parece que não tem mais como você esconder isso da gente. — Disse Tenten. – Apenas admita, Hinata. Seu segredo estará seguro conosco, de verdade. — Ela piscou para Ino. – Matando aula juntos, sendo carregada, recebendo flores, vocês estão realmente... namorando, certo?

– P-Parem! — Hinata exclamou em tom alto. – Eu não estou namorando o Gaara.

Ino ergueu as sobrancelhas, esperando por mais explicações.

– Tudo o que você disse é verdade, exceto por uma coisa. Eu não n-namoro com ele. Além disso, alguém como Gaara não iria querer alguém como eu. — A última frase ela disse em um sussurro. – Há uma razão pela qual tudo isso vem acontecendo...

Pela segunda vez naquela tarde, Ino e Tenten se calaram com as palavras de Hinata.

– Bem… — Ino começou, quebrando o silêncio. – Estou realmente curiosa e disposta a ouvir sua história. Você vai na festa, certo? O Gaara vai estar lá, hein… — As sobrancelhas de Ino se moveram sugestivamente. – Você não quer devolver a gravata pra ele?

Ino sabia que a gravata vermelha estava na bolsa de Hinata.

– Eu não lavei ainda.

– Ora, apenas devolva a ele. Afinal, ninguém sabe que a gravata está suja de sangue. Vamos Hinata!

Hinata suspirou e relutantemente assentiu. Ela podia sentir seu corpo sendo empurrado para trás devido à inércia quando Tenten aumentou a velocidade do seu carro.  

– Temos que nos apressar. Ouvi dizer que leva muito tempo para se arrumar para festas, né?

                              [...]

Hinata olhou para seu reflexo no grande espelho diante dela. Ela tinha de admitir que, depois da maquiagem, do cabelo, das roupas e toda a produção feita por Ino ela parecia… diferente. Bonita. Seu longo cabelo agora estava levemente ondulado na parte inferior. Uma mudança agradável. No geral, Hinata gostou da sua aparência. Exceto por uma coisa.

Sua testa estremeceu ao tocar a ponta da saia preta, que só chegava ao meio de suas coxas.

– I-Ino... eu não tenho certeza se quero usar isso…

A garota de cabelos castanhos apareceu de repente atrás de Hinata. Seu rosto parecia surpreso ao ouvir a frase proferida pela amiga.

– O que você disse? Essa saia ficou incrível em você, Hinata!

Hinata de repente se virou.

– T-Tenten? — Ela perguntou, incrédula. Os cabelos de Tenten, geralmente presos em dois coques, caíam graciosamente até o meio de suas costas. Os olhos de Hinata se arregalaram com a diferença na aparência da Mitsashi. – Seu cabelo está lindo...

Ouvindo o elogio, o rosto de Tenten ficou vermelho. 

– Sério? – O olhar dela caiu. – Ino quem sugeriu.

Como as duas não tinham experiência no campo de roupas e maquiagens, ambas dependiam inteiramente das sugestões dadas pela modelo loira, que atualmente usava sua chapinha para enrolar a ponta de seus longos cabelos.

O armário de Hinata, que só continha longos vestidos, camisetas e quimonos, não poderia ser usado para competir com Yukata Kirishima. O mesmo com Tenten, cujo armário era cheio de moletons, camisetas e várias outras roupas tradicionais. Por esse motivo, elas estavam se arrumando no quarto de Ino Yamanaka, o número de coleções em seu armário de roupas luxuosas poderia rivalizar com a de uma boutique chique.

– Minha tia é designer. Ela sempre me presenteia com roupas novas. — Disse Ino enquanto Hinata e Tenten admiravam silenciosamente sua coleção de roupas. – Meus pais não poderiam me dar tudo isso.

Hinata e Tenten ficaram surpresas quando chegaram à casa da família Yamanaka. Ao longo de suas vidas, Tenten e Hinata sempre viveram em um bairro residencial de alta classe. Elas não tinham idéia que Ino morava em um bairro residencial de classe média. No entanto, mesmo que o tamanho de sua casa não fosse nada comparado à casa da família Hyuuga, Ino não parecia nem um pouco inferior. Não, pelo contrário, foi Hinata que se tornou inferior quando a mãe de Ino as recebeu gentilmente. Ela ficou com ciúmes da atmosfera da casa de Ino, que era como uma... casa. Uma família de verdade.

Depois de passar a maquiagem em suas duas amigas, Ino deixou Tenten e Hinata escolherem as roupas que elas queriam em seu armário. Tenten escolheu um vestido preto que alcançava o meio de suas coxas. Combinando com um par de botas de tornozelo. Os cabelos agora soltos lhe davam uma impressão confiante.

Yukata Kirishima está caindo, caindo, caindo… — Ino cantarolou quando viu Tenten pronta.

Por Hinata ter um corpo mais voluptuoso, ela teve dificuldade em escolher roupas que se encaixassem nela.

No final, Ino a ajudou escolhendo uma blusa vermelha e a minissaia preta para a Hyuuga. No entanto, depois de colocá-lo e passar cinco minutos olhando seu reflexo no espelho, Hinata não tinha certeza se iria à festa vestida assim. Ela fez uma careta, quando voltasse casa poderia até pegar um resfriado. Afinal, a parte superior fazia seus seios parecerem duas vezes maiores e a saia era muito curta e justa para seu gosto. Se seu pai a visse agora, ele com certeza explodiria de raiva.

– O que houve, meninas? — Ino aproximou-se de suas amigas com os cachos perfeitos. – Puta que pariu, Hinata do céu! Você está tão linda! — Ele gritou para sua amiga tímida.

Ao ouvir os elogios de Ino, a confiança de Hinata aumentou um pouco. Embora suas duas mãos não parassem de puxar a minissaia que ela usava para baixo.

– O-Obrigada, Ino. Você também está encantadora. — Hinata comentou observando o vestido floral usado por Ino. – Mas… hã, você não tem nada mais confortável... para mim?

O sorriso de Ino desapareceu um pouco, ela franziu o cenho enquanto tentava se lembrar de peças de roupas específicas. Ela voltou a olhar no armário. Depois de alguns minutos, ele voltou com uma calça jeans na altura do joelho.  

– Que tal isso? Sua bunda ficará super sexy. Gaara vai amar e não irá conseguir tirar os olhos de você.

O rosto de Hinata corou enquanto ela tentava colocar os jeans. Metade por causa das palavras de Ino, metade por sentir vergonha. Foi um sacrifício abotoar a calça por conta de seu quadril largo. Mas no final, ela conseguiu vestir o jeans. Embora não fosse muito confortável.

Antes das três garotas partirem, Ino deu a Hinata um blazer preto.

– Vista isso. Assim você não pega um resfriado. — Ela piscou.

Hinata Hyuuga não poderia estar mais agradecida.

Mais uma vez, ela verificou o conteúdo de sua bolsa; celular, carteira, lenços, gravata do Gaara, tudo checado. Certo, ela estava pronta para ir à casa de Yukata. Não para a festa. Mas como Ino disse, era tudo só para mostrar à garota arrogante que ela também poderia se vestir tão bem quanto ela. E, claro, devolver a gravata ao seu dono.

Depois de deixar a casa da Yamanaka, naquela noite, Hinata, Ino e Tenten não foram imediatamente para a residência da família Kirishima. A razão era por Tenten estar desejando comer vongole bianco no Bistro Garden, então as três meninas pararam no restaurante por uma hora.

Naquela noite, Hinata ligou para o pai que — felizmente — estava na China a negócios e disse que naquela noite ela chegaria em casa um pouco tarde. Seu pai não perguntou a que horas ela iria para casa, então Hinata não contou a ele. Mas seu pai a aconselhou a sempre ter cuidado e evitar que a bateria de seu celular acabasse. Segundo Hiashi, em qualquer emergência, o celular era a principal coisa que deveria estar com você. Além disso, Hiashi alertou Hinata para sempre atender o celular para que ele pudesse verificar o estado da filha a qualquer momento.

Quando chegaram à casa da família Kirishima por volta das nove e meia, o local aparentemente já estava cheio de adolescentes hormonais no clima de festa. A sala da família Kirishima, que havia sido transformada em uma pista de dança, estava cheia de casais praticamente esfregando seus corpos suados um no outro. A música era agitada e parecia seguir o ritmo do coração dos ali presentes.

Hinata olhava horrorizado a vista diante dela.

A batida alta deixou Tenten tão empolgada que ela imediatamente pulou na pista de dança. Quando Hinata estava prestes a chamar a amiga, um homem que ela não sabia o nome convidou Tenten para dançar.

Alguém de repente puxou o pulso de Hinata. Quando ela virou a cabeça, viu que Ino era quem a arrastava para um dos sofás.

– Vamos sentar aqui! — Ino exclamou contra a música alta. – Vou pegar uma bebida pra gente, espera aqui!

Hinata obedeceu suas palavras e sentou-se docemente no sofá. Suas mãos cruzaram na frente do peito. Seus olhos examinaram o ambiente, tentando reconhecer os rostos de todos os presentes no local. Até agora, ela não encontrou Yukata Kirishima.

Quando seu olhar caiu na entrada, Hinata ofegou. Elas não foram as últimas a chegar. Ainda existiam outros mais lentos que elas.

Gaara e Karin.

Hinata pôde sentir seus sentimentos confusos quando viu Karin agarrada ao braço de Gaara possessivamente. Ela não sabia o que pensar. Várias perguntas surgiam em sua mente. O que Karin fazia com Gaara? Estavam juntos? Mas Naruto era quem estava com Karin! E Naruto era amigo de Gaara, ele deveria saber disso e não pegar a garota que ele gosta!

Tudo é justo no amor e na guerra. Por que a citação apareceu repentinamente em sua cabeça? Hinata pensou irritada.

Hinata de repente se sentiu muito boba. O que exatamente ela fazia aqui? Apenas para devolver a gravata dele?

Ah, ele com certeza riria da cara dela.

Para alguém tão rico quanto Gaara, qual era o significado de uma gravata? Não importava, ele poderia comprar uma fábrica de gravatas se quisesse.

Hinata fechou os olhos e suspirou. Não fazia sentido estar ali. Era idiotice tentar superar Yukata Kirishima. Enquanto Hinata mantivesse distância da garota o máximo possível, ela tinha certeza de que estaria segura. Afinal, ela estava acostumada a ser intimidada por Sasuke, a pessoa mais cruel de toda Konoha Gakuen. Não tem como a Kirishima ser pior que o Uchiha, certo?

Hinata se levantou de seu lugar, depois caminhou o mais rápido possível até a saída, evitando o impacto das pessoas. Ela poderia chamar um táxi e depois enviar uma mensagem para Ino, dizendo que não estava se sentindo bem e que teve que ir para casa. Ela estava quase na porta quando uma voz aguda e familiar a deteve.

– Por que a pressa, Hyuuga?

Ao ouvir o nome dela, Hinata virou a cabeça e encontrou ninguém menos que a dona da casa em pé, não muito longe dela. Na mão dela havia dois copos de cristal cheios de líquido cor de mel.

– O-Oi… — Hinata disse, nervosamente.

– O-Oi. — Ela imitou a gagueira de Hinata para zombar da garota. – Aprende a falar. Sua retardada. — Ela riu.

Hinata engoliu em seco com os insultos da garota. Ela olhou em volta, procurando por cabelos loiros ou castanhos familiares. Mas não encontrou nada. Ela sentia que teria que enfrentar Yukata sozinha. E ela não tinha certeza de que poderia vencer. Porque ela estava no território da garota.

– P-Por quê? Por que... você me odeia? Eu nunca fiz nada para você.

Ela riu de Hinata.  

– Só porque eu te chamei de retardada não significa que eu te odeio, querida. — Ela disse com uma voz docemente artificial. Hinata se viu encolhida ao ouvir Yukata chamando-a de "querida", ela deu um passo involuntário para trás enquanto a menina se aproximava dela. – Olha, eu sou realmente esse tipo de pessoa. Eu sempre digo o que penso. Então não se ofenda rapidamente se você estiver perto de mim, entendeu?

Hinata ficou sem palavras, incapaz de responder. Ela também percebeu que não conseguia mover suas pernas. Estava parada enquanto Yukata se aproximava dela como um predador rondando sua presa.

– Estou feliz que você teve tempo para vir à minha festa. Acho que uma pessoa maluca como você prefere assistir TV a cabo do que vir à uma festa como essa. —  De perto, Hinata percebeu que Yukata era um pouco mais alta que ela, talvez por conta dos saltos. Mas claramente, Hinata tinha que olhar um pouco para cima para. — Por favor. — Ela ofereceu um dos copos de cristal que estava segurando em direção a Hinata. – Agradeço seus esforços para vir hoje à noite. — Ela olhou para Hinata de cima para baixo. – Toda essa produção definitivamente levou tempo.

De repente uma voz falou em sua cabeça. Talvez Yukata não seja má. Talvez ela tenha entendido mal ou tenha sido influenciada por Sasuke. Embora ainda parecesse cínica e desrespeitosa, talvez essa fosse a maneira da garota de se desculpar. Tal era a voz na cabeça de Hinata que, por algum motivo, de repente estava do lado de Kirishima. O sensor de perigo em sua cabeça também não disse nada.

Talvez... Yukata não quis realmente ser má.

Como uma pessoa hipnotizada, Hinata pegou o copo que a mulher lhe oferecia. A garota de olhos castanhos sorriu astuciosamente para ela. Ela então tocou o copo de Hinata usando o copo dela, em um brinde. A Hyuuga sorriu quando ouviu o barulho antes de engolir qualquer coisa que estivesse no copo sem a menor suspeita.

Essa era a última coisa que ela conseguia se lembrar antes que sua mente subitamente ficasse como névoa.

                                [...]

Hinata saiu da banheira antes de tirar uma toalha da prateleira. Ela sabia que tinha agido desrespeitosamente tomando banho sem permissão no quarto de outra pessoa. Ela deveria se desculpar com Gaara mais tarde. Depois de secar o corpo e usar as roupas que Gaara deu anteriormente, Hinata saiu do quarto carregando todos os seus pertences.

No andar de baixo, uma empregada disse educadamente a Hinata que Gaara estava a esperando na sala de jogos. A criada também se ofereceu para trazer os pertences de Hinata, que a Hyuuga educadamente recusou.

Assim que chegou à sala de jogos, Hinata descobriu que Gaara estava jogando sentado no sofá com as pernas esticadas na mesa de café em frente a ele.  

– Eu pensei que você tivesse dormido de novo. — Ele disse sem tirar os olhos da tela.

– E-Eu… bem...

– Tomou banho, né?

Hinata imediatamente corou com isso. Às vezes, ela se surpreendia em como ele poderia adivinhar as coisas tão facilmente.

– S-Sim... desculpe... eu precisava disso.

– Está tudo bem. Até quando você vai ficar parada aí? Sente-se.

Hinata sentou-se em outro sofá ao lado de Gaara depois de guardar todos os seus pertences.

– Conseguiu se lembrar de algo?

– Sim… mas bem pouco.

Gaara franziu a testa. Ele pausou o jogo antes de olhar para Hinata.  

– Me fale sobre esse pouco.

– S-Somente até quando eu bebi com a Yukata. — Hinata respondeu honestamente.

Dessa vez, Gaara largou o controle do PS4 e concentrou sua atenção inteiramente em Hinata. 

– Beberam o que?

– Hã... eu também não sei o que era. Mas era cor de mel... e tinha um sabor doce.

– Talvez seja um cocktail.

– Eu não sei.

Gaara pareceu pensar por um momento.  

– Não importa o quão forte uma bebida possa ser, não tem como ela fazer você esquecer completamente sua memória. Certamente essa 'mina colocou algo em sua bebida.

Hinata ofegou. 

– O-O quê?

– Medicamentos. Drogas. Você é inteligente. Basta pesquisar no Google quais medicamentos podem fazer as pessoas esquecerem suas memórias. — Ele respondeu levemente. – O mais importante é que você está segura agora. E, felizmente, ontem à noite você veio a mim.

– F-Fui até você? 

Gaara não disse nada por alguns momentos, apenas olhava para ela, antes de dizer: 

– Você realmente não se lembra, lembra? — Ele pegou seu controle e voltou ao jogo que estava jogando anteriormente.

– P-Por favor, me diga o que aconteceu ontem à noite. E o que aconteceu com Ino e Tenten?

– Eu não sei quem é Tenten. E acredite, se eu tivesse encontrado a Ino na noite passada, você certamente não acordaria na minha casa hoje.

Hinata estava ficando preocupada agora.

– Eu.. te incomodei ontem à noite?

Gaara olhou brevemente para Hinata.

– Mais ou menos.

O lábio inferior de Hinata tremeu com a resposta do homem. 

– M-Me desculpe…

Antes que Hinata pudesse continuar seu discurso de remorso, Gaara interrompeu.

– Não se preocupe com isso. Você está com fome?

Sem precisar abrir a boca, seu estômago assumiu a resposta para a pergunta. O som aparentemente soou tão alto que chegou aos ouvidos de Gaara. E inesperadamente, o homem riu.

– Com fome, hein? Eu pedi uns sanduíches.

Hinata assentiu antes de dar um olhar zangado para o estômago. Como seu próprio corpo poderia traí-la e humilhá-la?

– Espere um minuto… — Gaara disse de repente, ele parou o jogo novamente, depois se levantou e deixou Hinata na sala sozinha. A Hyuuga que não sabia o que fazer, de repente decidiu fazer uma turnê sozinha pelo ambiente.

A sala era bastante grande e parecia ser usada com frequência. Grandes janelas típicas no lado da sala, enquanto no outro lado havia uma lareira, forrada com fotografias. Hinata caminhou até a lareira, depois se divertiu olhando as fotos. Havia muitas fotos de Gaara com seus dois irmãos. Hinata podia imaginar que a maioria das fotos foram tiradas na Inglaterra. Ela também concluiu imediatamente que Gaara havia crescido lá. Mas ela de repente se lembrou. Gaara dissera uma vez que ele era de uma pequena cidade no deserto australiano. Então, porque só havia fotos na Inglaterra?

– Viu algo interessante?

Hinata pulou ao ouvir a voz repentina que apareceu atrás dela. Ela se virou e encontrou Gaara parado com um blazer na mão.

– Aqui. — Ele entregou o blazer. Como ela se separou da blusa ainda era um mistério. E ela estava determinada a descobrir. – E este é o seu celular. Encontrei no banco do carro.

Hinata rapidamente pegou seu celular e o verificou. Seu rosto empalideceu quando percebeu que a bateria havia descarregado. Ela podia imaginar seu pai tentando ligar para ela a noite toda. Ele deveria estar com raiva porque não conseguiu entrar em contato com sua filha.

Gaara, que ainda estava em seu lugar, observou o rosto de Hinata enquanto várias emoções apareciam no rosto da garota. Não foi preciso ser um gênio para adivinhar o que ela estava pensando.

– Você quer ligar para alguém? — Hinata olhou para o homem na frente dela. Hesitou um pouco, depois balançou a cabeça.

– N-Não precisa. Eu… só preciso ir para casa. Então... agora você pode me contar o que aconteceu ontem à noite?

Gaara ficou em silêncio e só a encarou por alguns momentos, antes de se virar e voltar a sentar no sofá. Ele deu um tapinha no lugar ao seu lado, dando um sinal para Hinata se sentar lá. A Hyuuga obedeceu sem protestar. A garota queria saber a verdade o mais rápido possível para poder ir para casa em paz.

– Você tem certeza que quer saber?

Hinata assentiu esperando o pior.

Gaara viu fé em seus olhos. Ele suspirou, antes de finalmente começar a contar os eventos que aconteceram pelo resto da noite anterior.

                             [...]

Gaara olhava entediado para o cenário diante dele. A festa não era diferente das anteriores. Ninguém chamava sua atenção. A mesma bebida, as mesmas pessoas, as mesmas mulheres. Realmente chato.

Além dele, Karin também estava sem palavras em mil idiomas. Parecia que a garota estava tão entediada quanto ele. Ou ela não conseguia encontrar um motivo para se juntar a esta festa. Karin veio até ele naquela tarde e disse que Yukata Kirishima iria dar uma festa em sua casa. Gaara não sabia disso. Ele não foi convidado. Mas, porque Karin foi convidada, e a garota pediu que ele a levasse porque ela não tinha acompanhante, Gaara finalmente aceitou.

Ele se juntou a esta festa apenas porque queria ver Sasuke e terminar o que não havia sido resolvido entre eles naquela tarde. No entanto, mesmo depois de circular pela casa, ele ainda não conseguiu encontrar o Uchiha em lugar nenhum.

– Gaara, você quer dançar? — Karin perguntou de repente, tentando quebrar o silêncio entre eles.

– Tanto faz. — Gaara imediatamente se levantou, então com Karin foi para a pista de dança.

Foi quando ele viu uma garota.

A última garota na terra que Gaara pensou que encontraria na pista de dança na festa de Yukata Kirishima.

Hinata Hyuuga.

– GAARA! — A menina gritou. Sim, ela gritou. A garota que Gaara sempre via falando baixinho e gaguejando, gritando seu nome do outro lado da pista de dança. – GAARA! — A menina gritou mais uma vez enquanto agitava os braços ansiosamente.

Gaara notou o olhar estranho que Karin deu a ela. Primeiro, a garota olhou para  a Hyuuga, que ainda agia como uma louca chamando seu nome, depois para Gaara. Seu rosto estava cheio de confusão. 

– Gaara, você conhece essa menina? — Ela perguntou devagar.

– Sim, mesmo que pareça alguém que acabou de sair de um hospital psiquiátrico.

Por ainda estar muito confuso com o novo comportamento de Hinata Hyuuga, Gaara não fez nenhum movimento para se aproximar dela. O que fez a garota se mover em direção a ele.

– GAARA! EU ESTAVA PROCURANDO POR VOCÊ! — Mesmo de perto, a garota ainda gritava, e para confundir Gaara ainda mais, a menina passou os braços em volta de si, depois esfregou descaradamente as costas dele.

Karin assistia a cena com os olhos arregalados. Ela não acreditava no que via. Uma garota que ela não conhecia apareceu de repente do nada, em seguida, abraçou seu parceiro de dança e esfregava seu corpo como um gato.

– QUE MERDA É ESSA? — Karin gritou ultrajada.

Hinata, que parecia ter acabado de perceber a presença de Karin, agora olhava para a garota. Sua testa estremeceu com a irritada mulher de cabelo vermelho. 

– O que você está fazendo aqui, Karin Uzumaki?

Karin não sabia como aquela garota de olhos estranhos sabia seu nome. Mas ela claramente não gostou da maneira como a garota interrompeu sua dança com Gaara e depois olhou para ela como se ela fosse alguém irrelevante.

– Não, a questão é o que você está fazendo aqui? — Karin cutucou o ombro de Hinata com o dedo indicador.

– FALANDO COM O GAARA! — A Hyuuga gritou mais uma vez.

– Ela é o motivo de você ter vindo aqui, Gaara? — Karin perguntou ferozmente.

– Não. Eu nem sei o que ela está fazendo aqui. — Gaara respondeu devagar. Os três atraíram a atenção das pessoas ao seu redor. Gaara também tentou liberar o aperto de Hinata.

– Mas você a conhece, certo?

– É assim que as coisas são.

– O QUE VOCÊ AINDA ESTÁ FAZENDO AQUI, KARIN? — Hinata, que largou seu aperto sobre Gaara, agora estava diante de Karin. Suas mãos estavam em sua cintura como se tentasse desafiar a garota ruiva.

Karin não queria perder e também tinha as mãos nos quadris.  

– EU TROUXE GAARA AQUI. ELE É O MEU ACOMPANHANTE! E VOCÊ... — Karin cutucou o ombro de Hinata mais uma vez, fazendo a Hyuuga dar um passo para trás. – GAROTA DE ORIGEM DESCONHECIDA SURGIU DE REPENTE E DEU UMA DE INTROMETIDA. VAZA! XÔ! XÔ!

Talvez fosse por causa do rosto de Karin que irradiava antipatia por ela, ou talvez a voz severa da garota tenha feito Hinata ter a impressão de que estava sendo ameaçada. Então a primeira coisa que veio à mente da Hyuuga foi eliminar a ameaça.

De repente, Hinata se lançou sobre Karin e começou a bater com força no rosto da garota de cabelos vermelhos. No começo, Karin não estava preparada para o ataque repentino de Hinata então ela caiu para trás. Mas uma vez que ela percebeu o que a garota maluca estava fazendo, ela imediatamente agarrou os cabelos escuros da menina.

Se antes elas tiveram atraído a atenção de algumas pessoas ao seu redor, agora chamaram a atenção de todos que estavam na festa. As pessoas começaram a se aglomerar e aplaudir observando as duas garotas brigando daquela maneira.

Gaara que não gostou de ver a direção desse incidente imediatamente interrompeu. Sua mão agarrou o pulso de Hinata antes que ela pudesse dar outro soco em Karin, então ele facilmente levantou a garota e, pela segunda vez naquele dia, a colocou no ombro.

Chocada pelo seu corpo ter sido levantado de repente, Hinata começou a golpear as costas de Gaara. O homem apenas rosnou, seus olhos procurando a figura de um homem loiro no meio da multidão. Quando ele encontrou, ele imediatamente empurrou as pessoas para se aproximar dele. Em seu ombro, Hinata agora começava a morder suas costas, fazendo-o estremecer.

– NARUTO!

– Gaara! O que diabos está acontecendo? Quem é essa garota? Eh? HINATA?! — Ele olhava confuso para a garota que estava lutando nas costas de Gaara.

Aparentemente Naruto estava na fila de trás quando a briga de Karin e Hinata aconteceu. Gaara suspirou. 

– Te explico depois e... porra! — Ele exclamou quando Hinata mais uma vez conseguiu mordê-lo. – Karin ainda está caída lá. Ajude ela, entendeu?

O rosto de Naruto imediatamente entrou em pânico.  

– KARIN?! — Ele gritou.

– Sim, leve-a para casa. Ela veio comigo, mas... — Gaara passou as mãos nas costas de Hinata. – Não posso deixá-la aqui, neste estado. Como ela chegou aqui, eu não sei.

Mas Naruto não ouviu mais porque o loiro já havia atravessado a multidão para salvar a garota de cabelos vermelhos que ainda estava para trás.

Gaara exalou irritado.  

– Agora, o que devo fazer com você hein? — Gaara perguntou a Hinata. Mas a garota não respondeu. Ela parou de morder as costas de Gaara e agora estava gritando irada.

– ME COLOQUE NO CHÃO GAARA! O QUE VOCÊ VAI FAZER? ME LEVAR PARA A ENFERMARIA NOVAMENTE? — Então ela riu alto por causa de suas próprias palavras como se fosse a coisa mais engraçada do mundo.

Gaara DEVERIA tirar a garota desse lugar o mais rápido possível. Com sua língua ela envergonharia a ambos ainda mais. Na saída, Gaara viu Yukata Kirishima mandando um beijo para ele. Por algum motivo, ele tinha a sensação de que ela estava envolvida com a razão pela qual a Hyuuga estava agindo dessa maneira estranha.

Depois de sair, Gaara imediatamente colocou Hinata em seu carro. Ele sentou a garota no banco da frente colocando o cinto, depois ele próprio sentou no banco do motorista. Gaara ainda não queria dar partida no motor. Ele ainda estava muito confuso com tudo o que aconteceu.

Ao lado dele, Hinata agora estava rindo sozinha. Gaara olhou para ela. A garota inclinou a cabeça no assento enquanto fechava os olhos. E quando Gaara olhou mais de perto, ele percebeu que o rosto da garota, geralmente pálido, agora estava vermelho. Vermelho como se estivesse fervendo em febre.

Gaara entendeu imediatamente que ela estava bêbada. Fora de si.

Mas, pelo que sabia, ele tinha certeza de que essa menina não era do tipo que saía em festas na sexta-feira à noite e depois ficava bêbada sem pudor algum. Deveria haver uma razão pela qual ela veio aqui, ou alguém a convidou, ou... alguém lhe ofereceu uma bebida que poderia ter sido batizada.

Gaara soltou um suspiro irritado enquanto bagunçava seus cabelos.

Por que ele fez da garota o problema dele? Por que ele não pediu a alguém de confiança para cuidar dela? Talvez até mesmo a Kirishima não se importasse em emprestar um de seus quartos para a garota se recuperar.

Foi quando ele se lembrou do rosto de Yukata perto da porta. Se Gaara pedisse ajuda, ela definitivamente pediria algo em troca. E Gaara poderia lidar melhor com a Hyuuga bêbada do que com a Kirishima.

– Hinata. — Gaara tentou chamar seu nome, mas a garota ainda ria para si mesma. – Hinata. — Gaara levantou um pouco a voz e conseguiu atrair a atenção da garota.

Ela olhou para Gaara através dos cílios grossos. Seu sorriso era torto e seu olhar era murcho como toda pessoa bêbada.

– Sim, Gaara?

Só então ele percebeu que ela estava maquiada, e o cabelo normalmente liso estava de alguma forma ondulado. Gaara se viu carrancudo com tudo isso. Por alguma razão, ele preferiria a Hinata de rosto pálido e inocente.

– Quem te trouxe aqui?

– Tenten.

Tudo bem, essa pergunta não ajudou em nada. Quem caralhos era Tenten?

– O que você estava fazendo na festa da Kirishima? — Ele tentou mais uma vez.

– Eu queria… te ver. —  Ela respondeu devagar. Com a mão direita, ela acariciou a bochecha de Gaara. Mas o homem não foi afetado, sua testa estremeceu.

– Tudo bem, você já me encontrou agora. Tem algo a dizer?

Hinata abaixou a mão. Ela também olhou para baixo. No entanto, embora a garota tentasse esconder o rosto, Gaara ainda podia ver seus lábios contraídos.

– Eu não gostei de ver você com a Karin. — Ela sussurrou lentamente.

Ele franziu a testa com isso. Será que ouviu mal? Essa garota estava realmente com ciúmes de vê-lo com outra garota?

– Você está… com ciúmes?

Hinata olhou para ele. Ela sorriu, o sorriso gentil que Gaara costumava ver em seus lábios. Ele ficou quase aliviado ao vê-lo. Mas ele não estava pronto quando, de repente, ela se aproximou demais. Então, sem aviso prévio, a Hyuuga imediatamente o beijou.

Mas Gaara não perdeu tempo raciocinando o que aconteceu, porque no segundo seguinte ele imediatamente esmagou os lábios de Hinata ferozmente. Mesmo que ela estivesse bêbada, em seu subconsciente ele tinha certeza de que ela fazia isso porque queria.

Hinata colocou o braço em volta do pescoço de Gaara e depois se moveu do assento para sentar no colo do homem. O próprio Gaara colocou as mãos atrás da cabeça de Hinata para aproximá-la e aprofundar seus beijos. Ele pode provar o gosto do álcool na boca dela.

Gaara se assustou quando o assento em que estava encostado caiu de repente para trás, fazendo seu corpo se deitar com Hinata sobre ele. A garota sorriu provocativamente, depois esfregou o corpo contra Gaara, deixando-o sentir seus seios macios, os dedos finos acariciando os músculos do braço dele. Gaara olhou no fundo das lavandas de Hinata e sorriu quando notou a paixão ardente.

Talvez ele pudesse usar um pouco de seu lado selvagem que Hinata conhecia bem.

Gaara segurou a cabeça da garota e depois beijou seus lábios macios. Hinata gemeu. Gaara não perdeu tempo e imediatamente colocou a língua. Ambas as mãos lutavam para remover o blazer dela. Depois de concluído, Gaara jogou-o descuidadamente no banco de trás e depois levantou a blusa de Hinata.

Mesmo estando pouco iluminado no carro, Gaara ainda podia ver Hinata usando apenas um sutiã sem alças. Os fartos seios pareciam apertados atrás do tecido. Gaara não pôde resistir ao desejo de lamber a pele da garota.

Hinata engasgou quando sentiu a língua quente e úmida de Gaara explorando sua pele. O homem não perdeu tempo e imediatamente retirou o gancho do sutiã, depois apertou os seios macios nas mãos. Hinata gemeu ao sentir a boca de Gaara beijando sua pele, depois usando sua língua para sugar seus mamilos.

– Oh Deus… — Hinata gemeu novamente. – Eu me sinto estranha...

– Estranha como? — Gaara começou a perigosamente descer as mãos para o jeans apertado.

– Parece que... algo está subindo pelo meu estômago.

Gaara imediatamente interrompeu todas as suas ações quando percebeu o que ela queria dizer.

– Puta merda. — Ele sussurrou e tão rápido quanto um raio subiu para sentar e abrir a porta do seu carro. Ainda no colo, Hinata franziu a testa enquanto cobria a boca com a mão.

Gaara pensou em levar Hinata para fora, mas antes que ele pudesse fazer isso, Hinata dobrou o corpo enquanto segurava o estômago. Ela não aguentou mais e as costas da garota se curvaram mais profundamente enquanto esvaziava seu estômago.

Gaara ficou aliviado por ter aberto a porta do carro a tempo.

Ele então com uma mão segurou os cabelos de Hinata, enquanto a outra estava nas costas da menina em forma de apoio. Ele podia ouvir seus gemidos depois de jogar pra fora o que havia comido e bebido naquela noite.

– Você está bem? — Perguntou Gaara. Hinata respondeu com um aceno fraco, antes que Gaara sentisse o peso do corpo da garota em suas mãos. Hinata se curvou novamente. E logo, ela passou pela segunda rodada de vômito. Desta vez, não foi tão ruim quanto o primeiro, mas ainda era muito.

Gaara olhou ao redor do estacionamento. Esperando que ninguém tivesse percebido a visão estranha de uma garota seminua vomitando de um carro. Ele respirou aliviado quando não viu ninguém por perto.

Então Gaara novamente ouviu os gemidos de Hinata.  

– Melhor? — Ele perguntou enquanto esfregava suas costas nuas.

– Mmm... sim eu acho…

Gaara pegou vários tecidos da caixa de tecidos no painel do carro e depois o entregou a Hinata. 

– Use isso para se limpar.

A garota assentiu e fez de acordo com as palavras de Gaara. Quando ela terminou, suspirou e apoiou a cabeça no peito do homem.

– É melhor você vestir suas roupas novamente. Você pode pegar um resfriado assim. — Disse Gaara, depois fechou a porta do carro.

Ele ligou o motor enquanto Hinata tentava desajeitadamente colocar o sutiã de volta. Gaara suspirou e ajudou a garota a vestir suas roupas. Depois de terminar, ele voltou Hinata para o assento ao lado dele. Quando desceram a avenida que os levaria diretamente ao quarteirão 5, Gaara olhou para Hinata e percebeu que a garota havia adormecido.

                              [...]

Gaara não contou a história com todos os detalhes. Ele tinha certeza de que a garota definitivamente iria surtar se soubesse toda a verdade. Algumas coisas eram melhores sendo mantidas de fora.

– Depois disso, eu ia te levar para sua casa. Mas, vendo sua condição e a minha, seus pais poderiam ter interpretado mal. Foi por isso que te trouxe aqui. — Gaara terminou a história.

Mesmo que ele tivesse deliberadamente deixado de fora detalhes que poderiam deixar a garota mais envergonhada. Mas de fato a Hyuuga era muito tímida, ela deu a Gaara um olhar de horror depois de ouvir que eles se beijaram.

– C-C-COMO?!

– Não vou repetir tudo.

Hinata estava chocada.

Bem, quem não ficaria chocado depois de descobrir que na noite anterior estava bêbada, brigou com alguém da própria escola, depois beijou Gaara Sabaku e vomitou na frente dele.

Hinata sentia que ela poderia desmaiar a qualquer momento.

– V-Você está brincando, certo?

Gaara fez uma careta.

– E por que eu faria isso? 

Durante a narração de Gaara, os dois haviam trocado de lugar. Gaara sentiu que não poderia contar uma boa história se se estabelecesse no mesmo lugar. Por isso agora os dois estavam sentados um de frente para o outro na borda de uma das janelas gigantes da sala.

Hinata abraçou as pernas. O rosto dela afundou nos joelhos. Ela deveria ter adivinhado que algo assim poderia acontecer. Yukata não a deixaria simplesmente se divertir em sua festa. Essa mulher definitivamente faria algo para humilhá-la. 

E ela conseguiu.

Mesmo assim, Hinata estava agradecida por Gaara estar lá também e mesmo que eles não se conhecessem direito, o homem ainda quis ajudá-la.

– S-Sinto muito... sério. Eu não sei mais o que dizer… — Hinata disse pela enésima vez pela manhã.

– Não importa. — Gaara disse pela enésima vez também. – Afinal, acabou. Como eu disse, o importante é que você esteja bem agora.

A porta do quarto se abriu de repente revelando a mesma mulher que havia encontrado Hinata perto da escada. Nas mãos da empregada, havia uma bandeja grande que certamente continha o café da manhã.

– Coloque na mesa. — Gaara disse ao ver sua empregada confusa.

– Sim senhor.

Assim que a mulher saiu, Gaara se levantou. 

– Vou pegar.

– E-Espera! — Hinata puxou o pulso do homem, parando seu movimento. – Eu pego. Fique aqui. — Ela já causou muitos problemas. Trazer a bandeja era provavelmente a coisa mais fácil que ela poderia fazer depois do que Gaara havia feito por ela.

Gaara apenas deu de ombros levemente, depois sentou-se enquanto Hinata se levantava. Ela então voltou para onde ela e Gaara estavam sentados, na beira da janela que era aquecida pela luz do sol. A borda da janela era grande o suficiente para que os dois sentassem entre a bandeja com o café da manhã.

Desde a infância, Hinata gostava de ajudar. Ela costumava levar uma bandeja de café da manhã como essa para o quarto de Hanabi todos os dias. Portanto, não era um problema para ela fazer isso de novo.

Só que, quando Hinata caminhou em direção à janela, o que, neste caso, também significava se aproximar de Gaara, o homem de olhos aquamarine teve que escolher logo aquele momento para observar suas pernas. Seu olhar intenso foi naturalmente notado por Hinata. E como era nervosa, suas pernas começaram a tremer e mesmo assim Gaara não desviou o olhar.

Hinata nem percebeu quando pisou em seus próprios pés de tanto nervoso.

Ela então perdeu o equilíbrio imediatamente.

Mesmo que assim, Hinata ainda foi capaz de se impedir de cair. Ainda com a bandeja na mão, ela tentou pegar todos os pratos e xícaras cheios de líquido fervente antes de atingirem o chão.

No entanto, lamentavelmente para ela, uma xícara de chá quente saltou e caiu mais a frente. Seu conteúdo derramou e atingiu o corpo de Gaara.

– Oh não…

A xícara de chá caiu e quebrou no chão.

Gaara imediatamente se levantou com um rosto contorcido em dor.

– Quente. Quente. Quente. Quente. QUENTE! —  Ele imediatamente tentou tirar a camisa molhada e fervendo.

– M-Me perdoe! — Gritou Hinata que rapidamente colocou a bandeja perto da janela antes de puxar a camisa de Gaara para ajudar o homem a tirá-la.

Hinata não sabia quantas vezes ela pediu desculpas a Gaara. Sem mencionar a culpa causada pela noite passada, ela novamente fez algo errado com o homem.

Hinata não teve tempo para pensar no número de erros que cometeu.

Ela sempre via nos filmes cenas em que o personagem principal fazia algo que seria um mal-entendido se visto por outros. Ela sempre pensou que essa situação nunca iria acontecer com ela — até que Kankuro Sabaku entrou de repente na sala, enquanto Hinata estava ajudando Gaara a tirar a blusa.

A porta da sala estava destrancada. E como era um dos donos da casa, era claro que Kankurou não se incomodaria em bater na porta se quisesse entrar em uma sala — exceto em uma sala privada. O homem de cabelos castanhos apenas permaneceu ali piscando algumas vezes quando viu uma garota de cabelos longos, que ele não reconheceu, tentando tirar a roupa de um garoto que mais tarde ele percebeu que era seu irmão mais novo.

Ele havia acabado de voltar de uma viagem de negócios e decidiu fazer uma visita ao seu irmãozinho, e também tomar um café da manhã com ele. Entrou na sala onde seu irmão costumava passar o tempo jogando e depois entrou sem aviso, esperando surpreendê-lo com sua chegada repentina.

Mas parece que o jogo virou, não é mesmo?  

Kankuro sabia que seu irmão gostava de trocar de ficantes. Mas ele não tinha idéia de que ele seria tão corajoso em fazer aquilo na parte da manhã, em uma sala destrancada onde qualquer um poderia entrar. O que teria acontecido se não fosse ele ali e sim, digamos... o pai deles?

– ...Será que eu estou atrapalhando o casalsinho aí? — Das muitas coisas que ele queria dizer, essa foi a primeira coisa que saiu de sua boca.

O rosto de Hinata ficou vermelho como um tomate. O suor frio começou a escorrer por sua têmpora. Ela usou a camiseta de Gaara em suas mãos para esconder seu rosto da vista sondadora de Kankuro.

– Não é o que você está pensando. — Gaara começou. Totalmente ciente de que seu irmão deveria estar pensando em besteiras.

– Sério? — Ele se moveu em direção ao centro da sala. – Porque tudo se parece com o que eu estou pensando.

Gaara suspirou. 

– Estou falando sério. Essa é Hinata. Hinata, esse é o meu irmão, Kankuro.

Hinata realmente queria cavar um buraco para se esconder depois de descobrir que esse cara era o irmão de Gaara. Hinata sentia que os deuses não estavam do seu lado ultimamente, porque os problemas continuavam chegando e chegando.

A última coisa que ela queria naquele momento era que Temari, a irmã mais velha de Gaara, também aparecesse na sala.

O coração de Hinata quase se desmoronou quando a pessoa em que ela acabara de pensar entrou de repente pela porta pela qual Kankuro havia passado. Ela ainda estava vestindo uma camisola e seu cabelo loiro estava solto. Seus olhos se arregalaram ao ver a sala de jogos já lotada pela manhã.

– Kankuro! Quando diabos você chegou? — Então seus olhos caíram sobre a garota de olhos lavandas. – Oxi? Hinata? O que você está fazendo aqui?

Sim, agora sim nada poderia piorar.


Notas Finais


Quanta treta né, sentiram falta de alguém na festa hihi? @thaynatielly amiga do céu, aqui está seu presente de aniversário mega atrasado. Mas saiba que eu te amo ok?

O banner foi feito pela @kim_luuh do blog fuck designs, talentosíssima obrigada 🖤

Até mais xuxus 🥰🖤


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