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História Sem Pudor-sprousehart (segunda temporada de sem vergonha) - Capítulo 6


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Notas do Autor


Boa leitura💙

Capítulo 6 - 6- novos planos


– Eu ainda não entendi quem é esse Herbeck de quem vocês tanto falam.

– Joanie! – Luckas pediu.

– Foi só uma pergunta! – ela se defendeu.

– Eu sei! E Cole e Lili já concordaram que, desta vez, todo mundo vai ficar por dentro dos acontecimentos… Mas a irmã dele já está chegando. Vamos segurar as perguntas por alguns minutos para que ele não precise explicar tudo duas vezes, sim?

– A gente já esperou quase um dia inteiro! Pode ser que ela entenda essa parte bem rápido – Joanie reclamou, torcendo seu nariz afilado e cheio de sardas. – Ele podia ir adiantando, caso eu seja mais lenta.

Quase um dia inteiro de espera e antecipação.

Eu não sabia se estava mais nervosa com a perspectiva de ser apresentada à irmã de Cole, que era uma das minhas autoras eróticas favoritas, ou ao cunhado dele, o presidente da maior empresa pornográfica do planeta e que parecia ser algum tipo de super homem que ele idolatrava.

Luckas ofereceu a Joanie uma careta de desagrado como resposta e Devon inspirou fundo para dizer alguma coisa enquanto Cole se movia como se fosse pedir calma.

Zahner estava sentado por perto, prestes a entrar em ebulição, quando um barulho na porta nos fez calar.

Pela luminosidade na lateral do salão, era de se imaginar que a porta estivesse aberta.

Pude ouvir a voz de Brout cumprimentando alguém, seguida por uma voz masculina intensa e profunda.   

Prendi a respiração.  

Os estalos do salto alto ecoaram pelo salão. 

Ela se aproximou e entrou no meu campo de visão primeiro.

Lexa Sprouse.

Tinha algo imperial no modo como ela se portava e se movia. 

Diante de sua presença forte, que indicava que nada a poderia atingir, era difícil acreditar que ela já tinha passado por um trauma. Os longos cabelos loiros escuros lhe caíam até a cintura. Uma mistura de fios cor de mel com um castanho muito claro em cachos soltos, longos, pesados e invejáveis. 

Sua elegância seria considerada esguia, não fosse pelas curvas angulosas em todos os lugares certos. Sua saia justa descia até os joelhos e perpassava a cintura, delineando o corpo inteiro.

A camisa de seda, metodicamente colocada por dentro da saia, tinha as mangas compridas dobradas em três quartos. Apenas um botão desatacado exibia o pingente delicado de seu colar discreto, um pouco de pele e nada mais. 

Não havia decote a ser exibido, não havia abertura na saia que comprometesse a integridade das coxas.

Ela era o símbolo da pureza com um gosto incompreensível por sacanagem.

Talvez fossem os lábios que se entreabriam em um sorriso peculiar. Ou os olhos.

Um verde azulado que lembraria com segurança o tom dos de Cole, embora os dele estivessem mais próximos do azul enquanto os dela se agarravam ao verde.

Foi então que notei as semelhanças…

  Não fosse pela cor dos cabelos: os dele permeavam um castanho muito escuro e os dela eram uma mescla inusitada de tons de loiro.

Desconsiderando isso, eles seriam perfeitamente reconhecíveis como membros da mesma família. Além da tez semelhante, os traços sugeriam uma mesma ascendência, associados ao sorriso que eu não conseguia exatamente definir.

Ela abriu o sorriso e os braços e Cole se levantou.

– Você deveria ligar com mais frequência. – Colocou o irmão mais novo dentro do seu abraço e lhe ofereceu um beijo na bochecha que ficou registrado pela marca vermelha do seu batom.  

– Não gosto de incomodar.

– Não seja bobo, Co. – Recriminou-o com um olhar que seria condescendente, se não exalasse carinho.

– Ahm, Lex. – Virou-se para mim com um sorriso. – Essa é Lili. Ela é uma fã. – Riu e eu tive certeza que a vermelhidão tinha assumido minhas bochechas para sempre.

Eu me pus de pé com um solavanco e Lexa me estendeu a mão.

– Como vai? – Seu sorriso era deslumbrante. 

Eu retribuí o gesto de simpatia e já tinha a mão estendida no ar quando ele se aproximou. Seria impossível afirmar com certeza, mas acho que senti seu cheiro antes mesmo de vê-lo. Percebi sua presença antes mesmo de saber como era seu rosto ou me certificar de seu nome.

Havia algo na sua mera existência que me fazia tremer. Como se ele fosse capaz de infectar alguém com uma perigosa dose de feromônios por meio do ar que respirava. 

Ele abriu um sorriso e eu esqueci que deveria apertar a mão de Lexa.

Em cima de seus saltos altos e finos, Lexa deveria beirar um metro e noventa. O homem atrás dela era levemente mais alto.

Seu físico era evidente mesmo por baixo de paletó e casaco. Sua barba clara estava rala e por fazer. O maxilar quadrado e a expressão descarada. O loiro de seus cabelos arrepiados era de um tom diferente dos de Lexa. Era um loiro mais claro e evidente. O tom de seus olhos também era diferente… bem diferente…

Um azul-claro que assumia uma profundidade tectônica, provocando em mim um ardor que queimava em locais bastante inapropriados.

Ele se aproximou mais do que eu poderia imaginar e já invadia meu espaço pessoal quando tomou para si a mão que eu mantinha no ar estendida para Lexa.

– Sven – sussurrou, antes de beijar meus dedos. – É um prazer conhecê-la.

Por que ele precisava pronunciar a palavra "prazer" daquele jeito? Seus lábios se foram dos meus dedos, mas ele ainda sustentava o aperto em minha mão, com os olhos fixos nos meus como se para prolongar a hipnose.

E seja lá o que fosse… estava funcionando perfeitamente bem. 

– Sven? – Cole limpou a garganta e eu despertei com um estalo. 

Tomei minha mão de volta com educação, mas meu captor não pareceu se incomodar ou se constranger.

Em vez disso, apenas aproximou o rosto do meu e respirou fundo, como se pudesse me compreender melhor pelo olfato. Nossos hálitos se misturaram e eu assisti à sua testa se enrugar em uma proximidade perigosa.

– Virgem? – Ele estreitou um olho e eu entrei em pânico.

– Delvak! – Lexa estourou um livro contra suas costas e a hipnose se quebrou.

Eu dei um passo para trás e o sorrir antes de tirar o foco de mim e levá-lo a outra pessoa.

Eu não era mais virgem, mas era consideravelmente inexperiente.

Mas como ele sabia? Como era possível saber? Pelo cheiro? Virei o rosto para o lado, aproximando o nariz das minhas roupas na altura do ombro e tentei fungar discretamente… Como era possível?

– Eu estava apenas dizendo "olá" – defendeu-se.

– Vá dizer "olá" para outra pessoa. – Lexa revirou os olhos e ele se foi. 

Lucy estava de pé, o que era extremamente curioso. 

Engoli em seco e recuperei o ar.

– Eu… sinto muito.  

Meu rosto explodia em um vermelho que me fazia arder de vergonha.

Eu tinha encarado libidinosamente o namorado da Dama Imperial do Erótico, que, por sinal, era minha cunhada, e tinha feito isso na frente do meu namorado.

Ter Cole nu era uma coisa boa, mas vou te contar… Fora isso, ser eu era uma merda.

– Não se preocupe, querida. – O modo descontraído com o qual ela sorriu me fez crer que tudo estava realmente bem. – Ele faz isso.

– E você não se incomoda? Oh, desculpe! – Levei a mão à boca quando percebi que a pergunta indevida tinha escapado rápido demais. – Não é da minha conta.  

– Por que me incomodaria? – ela se limitou a responder. 

Meu queixo caiu enquanto eu tentava encontrar o sentido. 

– Vocês… ahm… Cole disse que você e ele…

– Não estamos juntos. – Ela puxou a orelha do irmão e Col chiou, irritado. 

– Co tem essa alucinação de que eu e Sven namoramos, mas não é verdade.

– Não tenho alucinação nenhuma. Vocês dois só tem problemas para assumir.

Ela poderia ter respondido.

Poderia ter revidado e refutado.

Usado argumentos que pessoas normais usariam.

Ou poderia ter ficado com vergonha e fugido do assunto.

Porém, em vez disso, ela apenas o segurou pelo queixo e sorriu, encarando seus olhos com cuidado.  Sorriu como se ele fosse uma criança muito pequena que não entende absolutamente nada de sexo ou relacionamentos.

Como se a opinião dele sobre os dois temas servisse tanto quanto a opinião de uma criança de dois anos sobre física espacial. 

Nunca tinha visto alguém tratar Cole assim. Ele sempre tinha sido o deus de todo o conhecimento, até onde eu sabia, e ver que havia alguém no mundo que não apenas ficava mais à vontade com o assunto do que ele, mas também era incapaz de se constranger com algo dito por ele foi realmente uma boa dose de ar fresco. 

Eu me virei de volta para o grupo, tomando o cuidado de não fazer contato visual direto com o senhor Delvak. Ele tinha acabado de cumprimentar todos ao nosso redor, de modo que só faltava Zahner.

– Gareth Zahner. – Eles apertaram as mãos com cordialidade. – Interpol.

– Ah, então você é o incompetente?

– Como é? – rosnou.

– O incompetente – Delvak repetiu, sem problemas. – É você?

– Não me conhece o suficiente para fazer esse tipo de ofensa. – Mordeu o lábio.

Ele estava tentando ser educado, mas estava exigindo tudo de si.

–Conhece a definição de incompetência, senhor Zahner? Significa inabilidade. Inaptidão. Incapacidade de realizar algo.

– Depende do contexto – Lexa assoviou baixinho, fazendo Delvak interromper seu discurso, controlando uma careta de irritação.

Expirou fundo e lhe ofereceu um sorriso de desagrado.

– Você quer falar por mim? – convidou.

– Acho que eu faria um trabalho melhor do que o seu na maior parte das vezes. – Sorriu, absoluta, passando um braço pelos ombros de um Cole que claramente se divertia com a dinâmica entre os dois. – Mas ainda estou matando as saudades do meu irmão. Pode continuar.

– Obrigada. – Delvak abriu um sorriso mais amplo de quem estava lutando para ser agradável e se voltou para Zahner. – Até onde sei, você era responsável por cumprir um acordo, que era manter aqueles dois a salvo. E, até onde sei, você foi incapaz de realizá-lo. Estou errado? – continuou.

– Não gosto de você. – Gary decidiu em alto e bom tom.

– Homens geralmente não gostam – sorriu. – A não ser que eles sejam homossexuais. Neste caso, não conseguem se distanciar. – Ele piscou um olho para Lucy e tenho certeza que a fez corar, o que não fazia qualquer sentido.

Delvak despiu o casaco e, quando ele desatou os botões do paletó para se sentar em uma das cadeiras perto de Luckas, eu soube que ele era o tipo de pessoa impossível de descrever. 

O homem era sexo em um terno caro.  Sexo muito bom, por sinal.

– Então, moleque! – Riu para Cole e ele foi se sentar ao seu lado.

Puxou-me pela mão quando passou por mim. Sentei perto do meu namorado e respirei fundo.

– O que houve? A parte de ter visto o Kulik matar alguém eu já entendi. Explique o resto.

Cole falou rápido e suave, poupando apenas os detalhes que pertenciam apenas a nós dois e seriam irrelevantes a terceiros.

Começou repassando os eventos da primeira noite em Paris, ignorando o motivo que nos unira naquela noite e eu lhe fui profundamente grata por isso.

Delvak e Lexa se entreolhavam em breves espaços de tempo, aguardando a conclusão da narrativa que seguia com seriedade, mas sem maiores problemas.

Pelo menos, a cena se desenvolveu assim até Cole chegar na parte da ligação que recebeu na Itália. 

Ele fez uma pausa para respirar fundo e algo na sua postura deve ter indicado a Lexa e a Delvak que as más notícias se aproximavam.

A explicação daquela parte da história fez o clima no salão mudar.

Col murmurou, em meio a doses precisas de nojo e fúria, a participação de Simak no nosso reencontro com os russos, a morte de Spider e o motivo de estarmos fora do programa. 

A menção ao nome do pai de Cole fez Delvak cerrar as mãos em punhos. Seu semblante alterou-se e o safado brincalhão tinha desaparecido.

Ele estava sério como o dia depois do Apocalipse e Lexa apoiou a mão em seu ombro, apertando-o em uma carícia de conforto. Sven esfregou os olhos por dois segundos.

– Não vou te enganar, moleque. Você se meteu em um problema bem sério.

– Eu sei. E detesto envolver vocês, mas…

– Deveria ter nos envolvido antes – Lexa falou com intensidade. – No entanto, estamos aqui agora e vamos resolver.

– Ela está certa – Delvak falou. – Não acontece com frequência. – Sorriu e Lexa ofereceu-lhe a língua em resposta, suavizando o clima de tensão ao nosso redor.

– Sven… – Cole pediu devagar. – Não conhece algum policial por aqui?

Delvak expirou sem pressa, antes de se recostar na cadeira.

– Conheço muitos policiais, garoto, mas os conheci quando eles estavam me prendendo. Esse tipo de coisa não é uma boa fundação para uma relação de confiança.

– Prendendo? – murmurei. – Você já foi preso?

– Atentado ao pudor mais do que qualquer outra coisa – explicou, gesticulando, como se não fosse nada. – Mas isso não importa. Não é com a polícia que vamos resolver o problema desta vez.

Cole fechou e abriu a boca como se não soubesse qual era a intenção de Delvak.

– Nosso problema não é recuperar a reputação do agente Zahner nem transformar vocês em testemunhas protegidas – suspirou. – O verdadeiro problema ainda é o fato de vocês dois terem testemunhado um chefe da máfia russa cometer um assassinato. Esse é o seu problema que nunca foi devidamente resolvido. Esqueça o resto! Esqueça o Herbeck e Simak – cuspiu o último nome. – Esqueça o programa de proteção à testemunha ou as politicagens da Interpol. Esqueça tudo. Seu problema é que a máfia russa quer vocês dois mortos. Suas opções, de acordo com a polícia, sempre vão ser: morrer ou passar o resto da vida escondidos, mas a polícia nunca vai lhes contar que existe uma terceira porta. 

Eu não tinha entendido.

Contudo, pelas testas enrugadas, olhares estreitos e narizes torcidos ao meu redor, tinha certeza que não era a única.

– Sven… – Lexa pediu baixinho. Ao contrário do resto de nós, ela tinha entendido perfeitamente bem.  

– Vocês estão tentando encontrar a solução na lei. – Ele pegou a mão que Lexa posicionara em seu ombro e a segurou nas suas, numa tentativa de acalmá-la. – Mas as soluções da lei são uma merda! Agora, nós precisamos procurar uma solução no crime.

Dizer que todo mundo começou a falar ao mesmo tempo seria uma gentileza. As pessoas estavam gritando. A começar por Zahner, que transformou sua gargalhada de escárnio em uma interminável sequência de ofensas dirigidas a Delvak. 

O baque alto fez todos se calarem mais uma vez. Lexa Sprouse tinha dado um murro ruidoso em uma das mesas com tanta força que foi difícil imaginar que ela não teria se machucado.

– Calem-se todos! – ralhou. – Vocês estão aqui há meses tentando resolver esse problema e não tiveram sucesso. 

– Bem, alguns de nós… – Höfler começou.

– Silêncio! – ela rosnou e ele se calou de imediato. – Errar é compreensível, só que persistir no erro é estupidez. O modo como lidaram com tudo até agora foi ineficiente.

– Ou incompetente. – Sven acrescentou.

– Cale-se você também! – rugiu, e ele levantou as mãos em um pedido de desculpas. – Nós vamos experimentar algo novo agora e eu não quero ouvir reclamações. Todos sabemos a gravidade da situação. Não é brincadeira, não é festa. O que vai acontecer a partir de agora vai ser ainda mais grave e só por optarem estar aqui, aqueles de vocês que ainda não estão envolvidos, estão arriscando as próprias vidas também. E eu não vou permitir que essa situação piore ainda mais por causa de baderna e infantilidades. Sven tem um plano, vamos ouvi-lo sem interromper, a não ser que tenhamos algo produtivo a acrescentar ou uma crítica construtiva pertinente. Fui clara?

O modo assustador como ela se impôs deixou todos nós aflitos e ávidos para concordar.

Delvak esperou alguns segundos antes de ter certeza que era seguro continuar.

– O plano é tornar Yuri Kulik irrelevante. Dessa forma, mesmo que ele queira matar vocês, não poderia fazer isso.

– E como você pretende fazer isso? – Zahner interrompeu e Lexa ficou lívida. – Porque nós temos tentado há anos e…

– Vocês têm tentando dentro das leis – Delvak lembrou. – Não preciso fazer isso e posso ser mais criativo.

– Criativo? É outra palavra para "ilegal"? – Zahner não parecia confortável com a ideia e eu não o culparia por isso. 

Pelo contrário, senti-me aflita por ele. Não poderia ser fácil estar naquela situação: ele era apenas um cara honesto que tentou nos ajudar e que agora estava pagando por isso de todas as formas possíveis.

Ele queria nos manter a salvo e acabar com Kulik, certamente, mas havia muito mais em risco.

Sua carreira, sua reputação.

Sua vida...

Sven inspirou fundo como se Gary o deixasse exausto, mas Lexa tocou seu ombro e falou por ele, talvez sentindo por Zahner a mesma empatia que eu.

– Senhor Zahner? – ela chamou. – Qual solução o senhor vê? – convidou, mais polida desta vez. – Procurar ajuda da polícia? Por que eles acreditariam em qualquer um de nós? Colocar tudo na internet e correr o risco de sermos todos assassinados ainda assim? Conseguir um empréstimo e fugir para Bali pelo resto de suas vidas? Qual é o seu plano? 

Gary a encarou em silêncio. Eu vi sua postura mudar. Não era mais defensiva e estressada. Ele estava considerando…

– Eu não sei – admitiu, finalmente. – Não sei. – Enfiou a mão nos cabelos e eu senti por ele… 

O homem que sempre tinha um plano estava completamente perdido e isso deveria ser mais difícil para ele do que nós poderíamos compreender. Uma parte de mim desejou ter sido mais paciente com ele nos últimos dias. 

– Eu queria poder consertar a situação – admitiu para si mesmo. – Mas não sei como. – Largou-se na cadeira e apoiou a testa no punho. 

Foi aí que percebi que ele estava disposto a escutar.  

– Eu tenho um amigo. – Lexa se sentou ao lado do agente com um sorriso simpático. – Ele dizia uma coisa muito interessante, senhor Zahner… 

– Gary – pediu. – Pode me chamar de Gary.

– Gary – ela concordou com uma reverência breve. – Ele dizia que, ao se deparar com um problema, a melhor coisa que se pode fazer é a coisa certa. A segunda melhor coisa que se pode fazer é a coisa errada. E a pior coisa que se pode fazer é não fazer nada.

– Não tenho certeza se estou entendendo aonde quer chegar. – Gary expirou, cansado.

– Ela está dizendo que vocês já tentaram fazer a coisa certa. – Sven sorriu com simplicidade. – Porém, agora, está na hora de fazer a coisa errada.

                     §§§§§§§§§§

  As pizzas demoraram a chegar, mas se foram em uma velocidade impressionante. 

Espalhamos folhas de papel-ofício pelo chão de modo a facilitar a visualização da parte da estrutura da máfia russa que Zahner conhecia.

– Trabalhei nisso durante um bom tempo Delvak e é bom que sua criatividade seja farta mesmo, porque não vejo nenhuma alternativa.

– Não preciso de alternativas, Zahner. – Ele tinha despido o paletó e a gravata. Arregaçou as mangas e, mesmo que eu me amaldiçoasse para sempre, uma parte de mim desejou que ele viesse me cheirar de novo.

– Na verdade, nem precisava desse seu resumo. Isso foi insistência da Lexa, pois é escritora e tem essa mania de roteiros, mas eu já sei o que precisa ser feito.

– Quer dizer que esse trabalho todo foi pra nada? – Lucy reclamou, indicando as folhas no chão.

– Não importa quanto poder Kulik tenha. Sua influência, seus conhecimentos, sua força bruta...

– Força bruta? – Devon se interessou.

– Homens e mulheres que trabalham para ele – Delvak esclareceu antes de continuar. – Nada disso importa porque tudo isso é sustentado por uma mesma fragilidade absoluta: dinheiro. – Sorriu ao atingir o clímax de sua explicação. Ao seu redor, o resto de nós permanecia em silêncio e seu sorriso de conquista se transformou em uma careta de frustração. – Sinceramente! Vocês não estão prestando atenção? Sem dinheiro, as influências dele acabam; ele não tem mais como pagar o pessoal. Mesmo seus conhecimentos e contatos seriam insignificantes por si só. Tudo o que precisamos fazer é tirar o dinheiro de Kulik e ele se tornará irrelevante.

– Então a gente vai roubar um mafioso? Em vez de matá-lo? – Tim quis saber.  

– Acho uma péssima ideia – Devon começou e logo Roy estava concordando.

– Com certeza! 

– A gente não pode votar? Porque, se for para escolher entre roubar um chefão da máfia ou matá-lo, acho que matar é mais seguro.

– Vocês ficaram loucos? – Tonya levou a mão ao peito. – Não vamos matar ninguém! É uma vida humana!

– O pobre coitado que Lili e Cole viram ser assassinado também era uma vida humana! – Roy lembrou.

– E ele matou a Spider!

– Foi ele quem matou a Spider? – Tonya arregalou os olhos e Lucy travou os lábios, em fúria.

– Tonya, sinceramente, você precisa parar de ficar lendo TMZ no celular e começar a prestar atenção.

– Shh, shh! – Sven pediu. – O plano é tirar o dinheiro dele.

– Pensei que a gente ia votar. – Joanie olhou ao redor à procura de apoio.

– É, eu voto por matarmos ele! – Roy levantou a mão e a concordância se espalhou pelo salão. 

Delvak estava escondendo os olhos atrás da mão e Zahner continuava com sua risada de desespero como se tivesse certeza desde o início que aquilo não ia dar certo.

– Eu ainda acho que toda essa gente não deveria estar aqui. – Gary virou-se para nós.

– É bom que estejam. Vamos precisar de ajuda – Delvak decidiu.  

– Gente, por favor! – levantei a voz. – Sei que todo mundo quer ajudar e somos gratos pela preocupação. Já entendi que uma questão de honra para o clube por causa de… – respirei fundo – ... Spider, mas a gente precisa ser inteligente. O senhor Delvak parece ter um entendimento melhor do que está acontecendo, então… vamos tentar… só por um segundo… ouvir? 

Menos de um segundo depois do meu discurso, todos estavam falando ao mesmo tempo novamente e percebi que minha razão não ia alcançar ninguém.

Delvak e Zahner pareciam se encontrar nas imediações de uma desistência, enquanto Lexa tentava atrair a atenção de todos.

Entretanto, eu sabia o que ia funcionar.

Peguei a garrafa de vodca mais próxima e arremessei-a com força no chão.

O vidro se espalhou junto ao líquido transparente e todas as pessoas se calaram.

– Calem a boca! Ou ficam e escutam ou saem.

– Poxa, Lili – Roy chiou. – Precisava ter estragado uma garrafa de vodca?

– E se derem mais um pio eu começo a quebrar as de tequila! – esbravejei.

Meus colegas não pareciam felizes, mas estavam resignados e, mais importante, calados.

– Tudo bem – Lucy aceitou. – Então, a gente vai roubar o chefão do crime?  

– Precisamente. – Delvak cruzou os braços.

– Isso não parece nem um pouco simples. – Cole coçou a cabeça olhando para a irmã.

Lexa tocava o lábio inferior com o indicador como se considerasse uma possibilidade particularmente interessante.

O grupo tinha dúvidas quanto à estrutura representada nas folhas de papel ofício e Zahner se ocupou de explicar.

– Delvak? – Lexa chamou baixinho, fazendo-o parar de rabiscar alguma coisa em uma folha de papel para voltar sua atenção a ela. – Por que não chamamos Lola?

Ele se apoiou sobre um cotovelo e, embora fingisse considerar, estava claro que já tinha resolvido.

– Acho melhor a gente cuidar de tudo dessa vez.

– Por quê? – perguntou, incisiva.

– Vamos chamar a Lola! – Sorriu. – É a ideia perfeita!

– Quem é Lola? – perguntei, observando Cole que não aparentava saber mais do que eu.

– Lola é uma pessoa... de conduta questionável. No entanto, é muito boa no que faz. Sven já a contratou algumas vezes quando precisou que algo delicado fosse feito.

– Tipo um assalto?

– Mais investigações. Eu espero – acrescentou, demonstrando seu desejo de que seu amigo não tivesse cometido alguma ilegalidade. – Por que não chamamos Lola? – repetiu, empolgada.

– Ahm… – Ele encarou o chão como se a resposta estivesse anotada em um dos papéis aos seus pés. – Sven… – Lexa murmurou com um tom de poucos amigos.

– Digamos que… – bagunçou os cabelos loiros com as mãos – ...talvez eu tenha transado com ela e, por um motivo que não foi culpa minha – enfatizou, abanando as mãos com os olhos arregalados –, tenha, talvez, esquecido de ligar para ela depois.

Lexa levou as mãos às têmporas e respirou fundo.

Eu achei que ela ia superar e seguir em frente, como fez com Cole. Todavia, desta vez, Delvak deve ter ido longe demais e os tapas fortes que ela deu em seu torso, costas e braços chamou a atenção de todos.

– SÓ VOCÊ! – bradou. – Para transar com uma espiã mercenária e não ligar no dia seguinte! VOCÊ… – Lexa parecia pronta para espumar e então se calou. Respirou fundo como se transcendesse e levantou um indicador ameaçador para um Sven verdadeiramente assustado. – Você vai ligar para Lola e vai pedir desculpas.

– Não foi culpa minha…

– Nunca é culpa sua! – exclamou, sarcástica. – A vida é linda pra você, não é mesmo, raio de sol? Nunca faz nada de errado! E ainda assim o universo explode para todos os lados. Vai ligar para ela, sim! – repetiu. – Vai pedir desculpas. Vai se colocar à disposição dela para quantos orgasmos ela achar conveniente – exagerou. – E vai pagar o que ela solicitar pelo nosso serviço.

– Lexie, você sabe como ela é. – Levantou os ombros.– Teimosa como uma porta. E se ela resolver se vingar?

O lábio inferior de Lexa tremia de fúria.

– Um dia seu pinto vai apodrecer e cair! – amaldiçoou e ele levou as mãos a virilha como um reflexo irracional. – Eu vou rir e dizer que foi bem feito. E nada disso vai funcionar! – Apontou para os papéis no chão. – Precisamos de mais informações sobre as finanças de Kulik antes de sequer pensar em montar um plano.

O silêncio se espalhou pelo salão, com risadas baixas direcionadas a um Delvak que só parecia ser capaz de calar a boca se por uma ordem de Lexa, mas eu não estava pensando na interação dos dois… Estava pensando em um modo de obter mais informações.

Quem pode saber o que precisamos sobre Kulik? Somente uma pessoa de dentro.Alguém da equipe dele. Mas como poderíamos saber quem é da equipe dele? E como poderíamos submetê-las a um cenário sob nosso controle? Uma imagem me vinha à mente. Uma memória, na verdade. Nebulosa e distante a princípio, foi ficando progressivamente mais palpável e definida. Eu sabia! Eu sabia como prosseguir a partir dali.

– Precisamos de alguém da equipe do Kulik. Alguém que possa nos dar informações.

– Sim – Delvak sorriu. – Essa é a ideia. Tem algum plano em mente, meu amor?

Pisquei diante do tratamento carinhoso e do mel que escorria de suas palavras. Senti-me gaguejar por um segundo ou dois, piscando os olhos, tentando recuperar o foco.

– Lili?  – Cole me segurou pelo cotovelo e consegui sentir o solo firme sob meus pés de novo. Ele sorriu, amoroso. – Pare com isso, Sven – pediu. – Ela se envergonha com facilidade. – Piscou um olho protetor para mim e sorri com gratidão.

– Nós já recebemos homens do Kulik aqui antes! – afirmei.

– Quando eles mataram a Spider e levaram o Cole? – Lucy levantou uma sobrancelha. – Lili, não sei…

– Não só dessa vez! Teve outra ocasião. – Olhei para Tim, sugestiva, e ele entendeu.

– Eu os trouxe! – lembrou. – Eles queriam ver a Tímida.

– Mais do que isso! – continuei. – Dessa vez, eles estão procurando por nós. Eles já conhecem esse lugar, foi daqui que nos tiraram antes! Claro que eles devem pensar que seria estupidez buscar esconderijo em um lugar que seu inimigo já conhece e não devem imaginar que a gente estaria aqui… mas seria uma estupidez maior ainda não verificar esse lugar, só por segurança.

– Eles vão mandar homens para comprovar se estamos aqui. – Cole me seguiu.

– Mas não podem fazer isso abertamente. Não podem mais mandar um monte de russos invadir o lugar porque agora esse problema envolve muito mais que uns capangas do Kulik. Agora, envolve a Interpol, um senador, toda a máfia russa e sabe-se lá quantas polícias locais.

– Precisam ser discretos. – Cole já tinha entendido tudo. – Vai ser arriscado – murmurou.

– Mas é o melhor plano. Além da necessidade de averiguar a boate de um modo discreto, será necessário um motivo.

– E eu posso lhes oferecer um motivo. – Tim espremeu as mãos. – Posso perder dinheiro no jogo e lhes convidar para ver a Tímida como pagamento da minha dívida, como da última vez.

– Tim vive se metendo nessas. – Ryker bateu uma mão na outra. – Com todo o respeito – acrescentou para o amigo. – Eles não vão suspeitar.

– E quando eles chegarem aqui – eu ri – nós estaremos à sua espera.

– Eu não faço a menor ideia do que seja a Tímida. – Sven balançou a cabeça. – Mas estou adorando tudo.

– Só tem um problema nesse plano. – Cole se virou para mim, enquanto o resto da gangue comemorava nosso primeiro avanço. – Para que eles venham até aqui, precisam estar bem interessados. Precisa ser algo que valha a pena para eles, para que aceitem como pagamento do Tim. Vamos precisar gerar curiosidade sobre o show. Tudo de novo.

– Eu sei. – Engoli em seco e levantei meu queixo com o máximo de resolução que consegui reunir. – Parece que vou precisar ficar nua no palco de novo. 

                     §§§§§§§§§§§

    O lugar estava consideravelmente cheio. 

Seja lá quem fosse o contato de Lexa em Amsterdã para divulgação de eventos, deveria ser um excelente profissional.

O fato de que seu encontro deveria ter terminado na metade da tarde e ela ainda não tinha voltado me fez imaginar como ela poderia ter retribuído a ajuda de seu contato com uma prolongada sessão de sexo sujo e suado.

O que seria uma bela merda levando em consideração que eu passei horas em um avião para acompanhá-la em uma jornada através da criminalidade da máfia para ajudar seu único irmão. 

Para piorar, eu não tinha recebido nem um boquete pelo meu trabalho. Todavia, lá estávamos nós.

A boate estava lotada, os avisos sobre o show da Tímida tinham sido devidamente espalhados e o stripper viciado em jogo já havia sido enviado em sua missão há mais de uma hora.

Gareth Zahner estava parado em um dos cantos do salão principal e parecia mais um segurança do que os próprios seguranças. Era bom que ele nunca tivesse trabalhado disfarçado. Seria sumariamente identificado e assassinado em questão de segundos. 

Eu ia recriminá-lo pelo seu comportamento, mas a baderna contida perto da porta dos fundos chamou minha atenção.

– Não é bom você ficar por aqui, Nila. Você precisa ir!

– Sei que eles estão aqui, Luckas! Eu falei com a Joanie!

– Joanie não deveria ter te contado nada. Menina, por favor, me escute…

– Era minha irmã! Eles mataram minha…

– Shhh! – O dono do estabelecimento puxou a bela jovem negra pelo braço e se enfiou em seu escritório. Ia fechar a porta atrás de si, mas eu a barrei com o pé e entrei com ele.

– O que está havendo aqui?

– Senhor Delvak. – Luckas encarou o chão, coçando a testa. – Nada, Nila apenas…  

– Não é da sua conta. – Virou seus imensos olhos negros, me expulsando da discussão.

– Por que não me diz qual é o assunto e eu mesmo decido se é da minha conta? – convidei.

– O assunto é o novo creme vaginal que eu quero usar para controlar a infecção na minha boceta. É da sua conta? – rosnou.

Lambi meu sorriso, discreto. Gostei de você, garota.

– Tem um novo chamado Ingensy que é muito bom. Ainda está na fase de teste, mas posso te conseguir uns tubos, se quiser.

Enfiei as mãos nos bolsos e esperei sua reação. Ela apenas focou o olhar em meu rosto com uma boca entreaberta de dúvida, acho que ela não deveria conhecer ninguém mais inapropriado que ela mesma. Mas agora eu estava ali e isso ia mudar.

– Nila, o senhor Delvak é amigo de Cole. Está aqui para nos ajudar com… bem, com tudo.

– Qual é o plano? – ela sequer hesitou.

– O plano é você sair daqui e não se meter – decidi.

– Eu já pedi a ela, mas…

– Não vou embora. E, se não me deixarem participar, eu vou gritar na porta que a máfia russa deveria vir até aqui. Vou até o jornal, se precisar!

Esfreguei minhas têmporas enquanto ela terminava a frase. Acho que Zahner estava certo: Cole deveria ter sido mais cuidadoso. A quantidade de pessoas que sabia sobre aquele assunto, que deveria ser secreto, era cada vez maior.

– E posso perguntar por quê?

– Era minha irmã! – sibilou.

– Sua irmã?

– Ela trabalhava aqui – Luckas explicou.

– Os russos a assassinaram... – murmurou, como se as palavras doessem quando estalavam em sua língua.

– Entendo… 

– Nila, você está muito envolvida com isso. Emocionalmente…

– Estamos todos envolvidos, Lucky! Não venha com esse papo para cima de mim! Spider era minha irmã. Ela morreu nesse buraco, assassinada por aqueles putos de merda e se vocês tem um plano para vingá-la, eu tenho o direito de participar! 

Luckas estava à beira de ser razoável mais uma vez. Eu o interrompi, porém.

– Vai ser feio – avisei.

– Não me importa. – Seus olhos brilharam de esperança.

– Vai ser ilegal.

– Meu jeito favorito!

Mordi o canto do lábio enquanto considerava. Se ela já sabia de detalhes, era melhor mantê-la por perto, de qualquer modo.

– Ela fica – resolvi e a vi sorrir pela vitória.

– Nós temos um problema. – Zahner abriu a porta e avistei Tim logo atrás dele.

– Timothy! – exclamei quando eles entraram. – Mas que merda! Não deveria estar perdendo muito dinheiro em um jogo?

– Eles não foram! – alertou, apressado. – Os russos não estavam lá.

– Como não?

– Eles estão aqui. – Zahner apontou o polegar para o salão. – Estão sentados em uma das mesas na esquerda há um tempo. Tim acabou de identificá-los.

– São os putos de merda que mataram Adrill?

– Quem é Adrill? – Tim estreitou os olhos.

– Spider. – Nila revirou os olhos antes de puxá-lo pela gola. – Foram eles?

– Não sei.

– A gente precisa sair daqui. Pegar Cole e Lili… – Luckas estava concentrado em sua pequena crise de pânico enquanto Zahner parecia se resumir a um pequeno ponto geométrico cheio de ansiedade.

– Shhh, shhh! – pedi, gesticulando com firmeza. – Vocês estão enxergando a situação pelo lado errado. São boas notícias. – Ri. 

– É melhor você se esconder, Gareth. – Luckas pediu. – Se eles te virem, vão saber quem é.  

– Ei, ei! Calma – avisei. – Nós queremos que eles vejam o Zahner.

– Mas o que diabos, Delvak?

– Vamos fazer o seguinte – coordenei. – Está armado, Zahner?

– Claro.

– Esconda a arma direito, não os deixe perceber que está armado. Quero que se sente no bar, peça uma bebida e se comporte como se estivesse desolado e embriagado. Pode fazer isso?

– Posso, mas como vou ajudar assim?

– Só obedeça. – Tirei o celular do bolso. Achara que ia ter mais tempo antes de precisar fazer essa ligação, mas estava errado.

– Agora… – Examinei ao redor, quando coloquei o aparelho no ouvido. – Qual de vocês sabe usar uma arma? 

                 §§§§§§§§§§§

Eu não estava com vergonha. 

Isso era um problema. 

Um problema muito sério.

Ficou decidido que Cole ia me despir sozinho, já que a combinação com Devon da vez anterior não tinha dado certo.

Quando Tim saiu para uma noite de jogo com seus colegas russos e eu me vi vestida no camarim por trás do palco sob a perspectiva de ficar nua em público mais uma vez, a sensação que se apoderou de mim foi de confiança.

Tínhamos um plano dessa vez. Não éramos cegos desesperados. Ter um foco e um objetivo tinha me preenchido com a sensação de que podíamos concluir a missão com sucesso.

Podíamos aplicar um golpe, como nos filmes antigos, e podíamos roubar um chefão da máfia e sair ilesos. 
Contávamos com o elemento surpresa a nosso favor e depois dos últimos meses e de todos os eventos que marcaram presença na minha vida, eu não estava mais com medo.

Eu tinha me deparado com o corpo ensanguentado de uma amiga.

Tinha sobrevivido ao pânico da notícia sobre o sequestro de Cole.

Encarei minha velha vida como uma pessoa nova e recebi de braços abertos os preconceitos e julgamentos que vieram com a mentira que eu contei para me proteger.

Então, agora eu não tinha mais medo. Não tinha medo de fazer algo ilegal para me vingar de um criminoso que roubara minha vida, nem de um político corrupto e pedófilo.

Não tinha medo de contar com amigos inusitados, não tinha medo de homens grandes, nem de armas barulhentas. 

Em menos de um ano, eu tinha sobrevivido a mais problemas do que muitas outras pessoas encontram em uma vida inteira, e essa percepção me injetou com uma dose incalculável de confiança.

O que seria ótimo em qualquer noite do ano. Exceto em uma noite na qual eu teria que apresentar um show chamado "Tímida".

  – Tudo bem com você? – Cole beijou minha bochecha.

– Tudo está bem até demais – murmurei. – Acho que esse é o problema, Col… Não sei se vou ficar com vergonha.

– Acho que posso resolver isso – sorriu, passando a língua pelos lábios. 

Eu gostaria de dizer que fiquei receosa diante de seus planos, mas não fiquei. Não conseguia imaginar uma frase dita por ele que pudesse transformar minha confiança em vergonha.

– Não sei não – constatei, nervosa.

– Olha só para você, duvidando das minhas capacidades! – cantarolou. – Vou ter que fazer o possível para te mostrar que está errada – prometeu. – Talvez eu te deixe completamente nua.

– Pro Höfler me ver? – Ri de suas ameaças vazias.

– Ou eu te como no palco.

– Sem camisinha?

– Eu fiz uma bateria de exames na Itália e você nunca ficou com outro cara, ficou? – Ergueu uma sobrancelha.

– Sprouse, se quer saber se fiquei com alguém depois de você, esse não é o jeito certo de perguntar.

– E qual é o jeito certo de perguntar? – quis saber.

– Boa sorte! – Lucy se aproximou com um sorriso, mas eu enxerguei através de seu nervosismo antes que ela explicasse qualquer coisa.

– O que houve? – Cole se adiantou, deixando claro que notou o mesmo que eu.

– Os russos já estão aqui – murmurou.

– O quê? Como? – indaguei. 

Cole deu um passo adiante e me tomou em um abraço protetor.

– O plano já era, Lili. Vamos só seguir com o combinado e deixar os capangas do Kulik bem à vontade. Vamos fazê-los acreditar que venceram.

Eu sabia que era tudo parte do plano. Mesmo assim, ele tinha caminhado mais rápido do que eu pude me preparar.

Cole segurou minha mão daquele modo carinhoso que lhe era típico, sempre me suscitando a dúvida se ele queria me reconfortar ou se queria ser reconfortado. Talvez um pouco dos dois. Apertei sua mão de volta.

– Como está sua confiança agora? – murmurou quando a música mudou, anunciando que deveríamos subir ao palco. – Um pouco abalada? – Sorriu, gentil. Eu acenei confirmando, mas "pouco abalada" era realmente uma gentileza. Duas frases de Lucy e minha confiança estava completamente destruída. – Olhe pelo lado bom – sugeriu. – O show não precisa mais ser bom e chamar atenção. Pode ser sem vergonha o tanto que quiser.

Ele estava certo.

Pisquei um olho para ele apesar do nervosismo e senti seus lábios nos nós dos meus dedos. A boate ficou escura do outro lado da cortina e a luz clara do holofote iluminou o lugar por onde entraríamos. Não queríamos penumbra dessa vez. Queríamos ter certeza que qualquer um poderia nos identificar.

– Pronta? – Cole me perguntou antes de entrar no palco.

Mas eu não respondi, apenas respirei fundo. Se eu estava pronta? Não fazia diferença.  

                   §§§§§§§§§§§

  A cadeira esperava por nós no centro do palco. Eu deveria me sentar nela e assistir enquanto Lili dançava, resistir alguns segundos e depois começar a passar a mão em seu corpo macio enquanto a despia.

A música tocava sedutora e, depois de bons anos trabalhando com striptease, apesar de meu corpo estar acostumado a seguir seu ritmo de forma involuntária, eu me percebi calmo e firme.

Meu quadril não se moveu. Minhas pernas não acompanharam a batida sensual com um rebolado que eu sabia fazer, e que motivava as mulheres a travarem os dentes nos lábios. Eu apenas atravessei o palco, puxando Lili atrás de mim, impelindo-a a me seguir.

Andei devagar o suficiente para que o público pudesse demorar o seu olhar nela. Me virei quando chegamos à cadeira e eu vi suas bochechas enrubescidas. 

Não vai ficar com vergonha, não é? Até parece…

Puxei sua cintura esguia e lambi seu lóbulo antes de sussurrar.

– Você disse que não estava mais com vergonha, não é? – provoquei.

Sentei, permitindo que meus dedos escorregassem pelo seu quadril, seguindo meu movimento, delineando a barra de sua saia como um moleque levado. Brincando com meu indicador em uma das pontas, fingindo indecisão quanto a levantar ou não o pano que a cobria.

– Dança pra mim – pedi, dengoso. 

Ela levou as mãos à barriga e tentou assumir um gingado delicado, mas não era isso que eu queria.

Puxei seu quadril com violência, forçando-a a montar em uma de minhas pernas. De frente para mim, contemplei suas bochechas vermelhas e seu ofegar nervoso.

– Não quero essa merda que você dá pra eles todas as noites – murmurei em seu ouvido, indicando a plateia com um movimento do meu queixo. – Quero algo especial. Algo só pra mim.

A luz iluminou seu rosto quando ela se virou de lado observando seus espectadores e sua vergonha ficou ainda mais avassaladora sob os tons azuis e vermelhos dos holofotes.

– Cole… – pediu baixinho. – Não tem como ser só pra você. – suspirou, ainda nervosa.

– Esquece que eles estão aqui. 

Enfiei meus dedos por baixo de sua saia, agarrando a popa de sua bunda.

Apoiada em meus ombros, ela se ergueu por um segundo, sobressaltada diante do meu toque.

Seu olhar voltou-se para o mesmo ponto na plateia e eu o segui. Delvak estava em uma das mesas na primeira fila. Tinha um copo de bebida à sua frente, o cotovelo na mesa e o queixo apoiado na mão. Observava nossa apresentação com zelo.

– Quer dar um show pra ele? – Mordi seu queixo. – Deixa eu te ajudar. – Belisquei sua coxa e ela rebolou no meu colo. – Quero mostrar pra ele o que a minha virgem sabe fazer. 

– Sua virgem não sabe fazer nada! – sussurrou em seu típico desespero e eu tive que lembrar que, embora risadas fossem uma parte constante dos nossos encontros sexuais, elas provavelmente não agradariam ao público.

Mordi a língua e o lábio e empurrei seu quadril. Guiei-a para que se levantasse. Ela obedeceu.

– Rebola pra mim. – Lili olhou ao redor, hiperconsciente. – Ei! – chamei alto e ela estalou de volta. – Rebola – sibilei, rude. – Devagar.

Apoiei o cotovelo em um dos meus joelhos e assisti Lili rebolar aquela bundinha linda.

Girou devagar fazendo o tecido leve saltar exibindo um pouco mais de pele. Raspei meus dedos aqui e ali, sentindo-a se arrepiar.

Olhei para cima, assistindo ao movimento de seu corpo sob a luz da boate, deixando minha mão se perder em sua pele.

Aquele calor maldito. 

As mulheres têm um calor bem no meio das pernas, antes da boceta…

Quando você sobe a mão pelo meio de suas coxas, direto ao ponto especial entre suas pernas… antes de atingir o seu destino, sua mão capta um calor exalado pela virilha.

Um ardor febril que se apodera de sua mão como se estivesse próxima ao fogo, num prenúncio do que está por vir. Aquele maldito calor que você sente na mão quando a coloca entre as pernas de uma mulher e sabe que a bocetinha está logo ali. Poucos centímetros mais acima e você atinge o objetivo. 

Lili rebolou no meio de uma plateia inteira, mas não era para eles que ela rebolava.

Era para mim.

E, quando aquele calor da minha mulher atingiu minha mão, foi impossível não ficar imediatamente duro.

Aproximei o nariz do seu joelho e estirei a língua para atingir sua pele. Lambidas leves de saliva e desejo.

Ela terminou sua volta e ficou de frente para mim. Aquela postura rígida e ávida por novas instruções.

– Já fez uma dança no colo de alguém? – murmurei e ela balançou a cabeça em uma negativa. – Então venha aqui porque eu quero uma.

Coloquei-a de costas para mim. De pé, com uma de minhas pernas entre as suas.

– Rebola de novo, amor. Só que dessa vez, até sentar na minha perna. – Mordi a bochecha da sua bunda e ela emitiu um grito rápido que quase me fez esporrar nas calças. – E depois sobe de novo.

Ela obedeceu. Desceu devagar e, quando sua bunda tocou minha perna, fui eu quem rebolei. Esfregando parte da minha ereção nela. Qualquer parte. Raspei os dentes em seus ombros quando ela se ergueu novamente e forcei o movimento para que ela ficasse de frente para mim.

– Aqui. Assim. 

Puxei um de seus joelhos e coloquei seu pé apoiado na cadeira ao meu lado. Sentei na ponta do assento, enfiando as mãos por baixo de suas coxas, puxei-a para mim pela bunda.

Lili vestia uma calcinha, mas não me importava. Enfiei o nariz e boca entre suas pernas e me esbaldei em seu calor delicioso.

Lambi, mordisquei e rosnei. Senti suas mãos nos meus cabelos, embora não soubesse determinar se foi porque ela buscava mais equilíbrio ou mais prazer. Mordi seu clitóris e suas unhas se enterraram no meu couro cabeludo. Mais prazer. Puxei o pano da calcinha para fora do caminho da minha língua, usando os dentes desajeitados.

Respirei fundo e comecei a sentir meu corpo tremer e falhar.

Eu tinha gozado naquelas pernas gostosas não fazia muito mais de dois dias, mas naquela bocetinha… naquela bocetinha rosada, depilada e suculenta… Fazia muito tempo que eu não gozava ali.

A sensação provocada pela lembrança tomou o controle do meu corpo como um ataque de pânico.

Um frenesi de fúria. Um descontrole irremediável.

Meus dedos agarrados nas bandas de sua bunda puxando-a mais para dentro de minha boca. Eu sentia a perna ao meu lado, apoiada na cadeira, tremendo involuntariamente. Ela começou a gemer e eu soube que queria engoli-la ali mesmo. 

Enfiei a pontinha da língua dentro dela, só para provocá-la. Desferi uma lambida longa e a empurrei para trás, com cuidado para que ela não perdesse o equilíbrio.

– Fique nua – pedi. Agora era eu quem ofegava em desespero.

– Cole – gemeu, miúda. – Você tem que tirar. – Tentou recuperar o controle me lembrando dos tópicos do show.

– Hoje não – rosnei. – Hoje você tira. Você tira pra mim. – Eu não consegui controlar minha mão e só percebi que tinha estapeado sua nádega quando o golpe estalou alto, assustando Lili e fazendo-a arregalar os olhos. – E vai tirar tudo – gemi.

Eu não tirei os olhos dela. Não perdi um segundo. Não deixei que ela esquecesse que só ela conseguia aliviar aquela minha fome.

E ela se despiu. A puta da minha virgenzinha se despiu toda como um presente pra mim. Tirou cada uma das peças sem qualquer sensualidade.

Despindo-as com tensão, como se fizesse isso dentro do banheiro de sua casa quando estava com pressa para ir para algum outro lugar, mas eu estava duro.

Eu estava irreparavelmente duro. Latejando dentro das calças, meu coração explodia enquanto bombeava cada gota de sangue exatamente para o lugar certo.

Lili tirou tudo menos a calcinha e o sutiã. Pretos. Dei dois tapinhas no meu colo e ela obedeceu.

Montando sobre minhas pernas, envolvendo-me com suas coxas. Seus braços passaram pelos meus ombros e eu senti o cheiro do seu hálito.

– Desabotoe a minha blusa – decidi.  Seus dedos frágeis e vacilantes assumiram minha camisa e eu enfiei o nariz na curva do seu pescoço.

Apertando sua bunda, sua cintura, o topo de suas pernas… Lembrando da geleia que comi de seus seios. Lembrando do sabonete que passei em sua entrada. 

Enfiei a mão pela parte de trás de sua calcinha e escorreguei meu dedo entre suas bandas, provocando a entrada de seu cu. Lili arfou e rebolou. Eu não saberia precisar quando comecei a mover o quadril como se a estivesse fodendo, mas aí estava… 

Seus dedos tocaram meu tórax quando minha camisa estava aberta. Enfiando-se pelas mangas e expulsando o tecido do meu torso.

– Minha calça – gemi. 

Mas Lili parecia estar envolvida exatamente pela mesma sinfonia que eu e, mal eu tinha terminado meu pedido e suas mãos já estavam em meus botões, libertando meu pau ereto e faminto.

– Onde você quer que eu coloque?

Eu fechei os olhos. É incrível como aquela frase podia ser ridícula ao ponto de ser anticlímax quando suspirada por uma atriz pornô ruim, logo depois de gemer que aquele era o pau mais delicioso que ela já tinha chupado, mas quando Lili as dizia…

Ela piscava seus olhos doces para mim, ficava vermelha e perguntava apenas porque ela realmente queria saber. Não era falso. Era o exato oposto. Não havia nada mais verdadeiro do que as dúvidas de Lili e uma coisa ficou muito clara para mim: eu não ia conseguir ver minha virgem tirar a roupa na minha frente, rebolar sua bundinha exclusivamente para mim, me perguntar onde eu queria que ela colocasse meu pau e, depois disso tudo, não comê-la. 

Seria impossível.  

Pus-me de pé rápido demais e o passo para trás que Lili deu me avisou que ela tinha se assustado, mas eu não parei. Eu não conseguia parar.

Avancei com brutalidade, enfiando minhas mãos por baixo de seus joelhos, apoiei suas costas contra o pole dance à minha frente e a mantive colada comigo, alinhando nossas virilhas.

– Quero que você coloque aqui dentro.

– Cole… – Um sorriso, seus olhos fechavam como se suas pálpebras fossem pesadas demais para que ela os mantivesse abertos. – Coloca... – pediu.

Lambi seus lábios e Lili abriu a boca me deixando entrar com a minha língua.  

Bebi sua saliva, gemendo com seu sabor. Puxei sua calcinha para o lado.

Lili forçou as costas contra o pole e me encarou com a boca entreaberta para facilitar a respiração vacilante.

Raspei a cabeça do meu pau em seu suco, mordendo minha boca em um pedido mudo. Eu queria ter certeza que ela queria. O gesto de permissão que ela fez foi simples, mas claro.

Então, ela segurou o pole atrás de sua cabeça com uma das mãos e fechou os olhos, levantando o queixo rumo ao teto.

Um movimento. 

Apenas um.

Meu quadril se jogou inteiro na direção dela e eu a penetrei.  

Eu a penetrei em cima do palco.

No meio daquela gente.

Sob os olhares dos russos, do Delvak e do Höfler.

Lili manteve os olhos fechados e eu travei os dentes em seu queixo.

Ela me absorveu exatamente como eu tinha antecipado: quente e suculenta. Muito quente. Muito suculenta.

Daquele jeito que faz o homem amaldiçoar a mais fina das camisinhas por jamais ser capaz de oferecer prazer remotamente próximo àquele. 

Pressionei meu rosto contra o vale dos seus seios por dois segundos. Deixando a sensação se firmar e aquietar. Tomando maior segurança nos impactos e no meu movimento. Tudo aquilo não me serviria de nada se minhas pernas falhassem e eu não conseguisse mais foder Lili porque estávamos os dois caindo pelo palco. No entanto, verdade seja dita, era preciso que a queda me deixasse paralisado da cintura para baixo para que me impedisse de continuar fodendo a Lili. Principalmente depois de tanto tempo. Principalmente depois de tanta coisa.

Ela era minha agora. Toda minha.

E um ataque nuclear me mataria com impacto ou radiação, mas eu não pararia o que estava fazendo para me proteger.

Seus dentes prendiam o lábio inferior com força suficiente para arrancar carne e, mesmo assim, não eram suficientes para deter os gemidos que ainda escapavam com sua respiração e quando coloquei a mão entre nossos corpos para estimular seu grelinho, girando-o como uma azeitona carnuda entre meu indicador e polegar, Lili me deu um soco no ombro com força e exclamou um palavrão delicioso.

Agarrou-me pelo pescoço com força e escondeu o rosto no meu corpo. Ela me embalou e eu a comi.

Levantando suas pernas, espremida contra o pole. Não sei se por vergonha, tensão ou prazer… mas Lili tinha um jeito de contrair os músculos vaginais de uma maneira que me enlouquecia.

Eu não tinha esquecido daquilo… A cada vez que, nos últimos meses, eu tinha tentando levar uma mulher para a cama, tinha lembrado desse apertão perfeito no meu pau e no modo involuntário como ela conseguia causar tamanho efeito.

E agora, sem camisinha. Sentindo a carne dela na minha carne… Tudo que eu conseguia fazer era urrar e gemer.

Lambendo seu suor frio, sussurrando minhas juras ao seu ouvido, me derretendo. 

Seu.

Havia passado meses sem ela.

Lili gritou meu nome alto e eu soube que ela tinha atingindo o clímax.

Senti meu orgasmo se aproximando em uma retrospectiva de todo o tempo que passara sem ela e de todo o tempo que passei tentando tê-la.  

Meu esporro foi libertado com violência, me levando a um dos maiores êxtases que eu já tinha experimentado na vida, apenas para me fazer perceber que Lili dava um trabalho do cacete, mas que, assim como daquela vez na estufa de Bessie, nos cobertores no chão e entre as flores mal arranjadas… para mim, ela sempre seria a mulher pela qual valia a pena esperar.  


Notas Finais


Que Deus vós abençoe


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