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História Semelhantes Opostos - Capítulo 1


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Capítulo 1 - O tigre e o beija-flor


Amanhecia calmamente, alguns raios solares passavam pela janela do quarto no décimo primeiro andar. Ela abria levemente os olhos, preguiçosos que nem seu estado de espírito naquele momento; passou a mão direita pelo lado dele no colchão, sentindo-o na ponta da cama, sentado. Levantou levemente a cabeça para olhar o relógio na estante do cômodo, 06:21.

—Ainda é cedo. — Ela disse com a voz sonolenta. Sequer havia acordado direito, mas o queria perto. Sentou-se e passou os braços por seu abdômen, abraçando-o. —Fica… — Pediu sinceramente. Seus longos cabelos castanhos escuros cobriam parte das costas do outro. O calor de seus corpos era aconchegante.

Ele nada disse; virou-se para sua amada, encarando seu rosto sonolento e soltando um leve riso nasal por causa da cara amassada dela. Não sabia quando havia se tornado amante de seu sorriso com os caninos levemente tortos, de seus cabelos elegantes, de sua pequena cicatriz no canto do olho, de seu cheiro único de creme corporal, não sabia, mas estava ali agora. Com pequenas inseguranças sobre si mesmo, carregando-as todo dia, não queria que ela se sentisse encarregada de fazê-lo se sentir melhor consigo mesmo, estavam num relacionamento amoroso, ela não era sua psicóloga. Mesmo assim, ela ajudava-o como podia, enfrentavam seus obstáculos juntos. Eram tão opostos mas, ao mesmo tempo, tão semelhantes. Ela extrovertida e bastante comunicativa, raramente deixou de expressar sua opinião quando necessário ao longo de sua vida. Já ele, quieto e tímido, apenas falava quando fosse preciso. O começo dos dois não chegou a ser muito nítido, apenas sabiam que não queriam perder um ao outro agora.

Ele deixou um demorado selar em sua testa, arrancando um sorriso imediato dela, extremamente bobos um pelo outro. Ele deitou-se novamente na cama e ela repousou sua cabeça nos seios dele.

—Me conte uma história. — Ela pediu. Gostava da criatividade de seu amor e de sua voz, principalmente quando fazia o que gostava, então pedia em momentos assim, coisas simples as quais tornavam seus dias especiais. Ele pensou alguns segundos antes de começar a falar.

—Um dia, um tigre estava descansando na beira de um rio. Estava quente e ele estava se refrescando; de repente, um pequeno beija-flor pousou em sua pata, que estava no começo do rio, para beber água. De primeira, o tigre achou que ele não havia percebido o que acabou de fazer, do perigo que estava correndo, afinal, não tinha como o beija-flor saber que aquele tigre era diferente. — Deu uma pausa para olhar para os olhos ansiosos de sua amada enquanto acariciava seus cabelos.

—Por que o tigre era diferente? — Ela perguntou e ele sorriu, simplório.

—O tigre havia sido perseguido há algum tempo por desobedecer as leis da selva, ele pensava diferente dos demais e sua comunidade não o queria ver nem pintado de ouro. Foi exilado. O beija-flor continuava bebendo, até que parou e virou-se para o tigre. "Olá!" disse o pequeno beija-flor, sorridente. O tigre estava incrédulo; como podia aquela criaturinha ainda estar ali, na sua frente, e ainda mais sorrindo? "Você não tem medo de mim, beija-flor?" ele perguntou. "Não, eu só senti que você não me faria mal. Não sei, minha intuição fala coisas estranhas, mas ela quase nunca falha, então eu a sigo." o beija-flor disse, ainda sorrindo. O tigre achou o pássaro um tanto quanto esquisito, mas não de um jeito ruim. "Você não parece perigoso. Bom… talvez pareça para quem apenas vê com os olhos." disse o beija-flor. O tigre entendeu o que o pequeno voador queria dizer, e estava surpreso por achar alguém daquela forma na floresta, já que isso nunca havia acontecido consigo. "Você é especial, beija-flor." disse o tigre. "E não somos todos?" o beija-flor retrucou, ainda sorridente. "Suba." o tigre disse, abaixando sua cabeça para que o beija-flor voasse até lá, esse que nem questionou. — Ele deu uma breve pausa.

—O que aconteceu com eles? — Ela perguntou.

—Eles caminharam, juntos, pelo resto de suas vidas. — Ela apoiou sua cabeça em seu braço esquerdo, que estava apoiado no colchão da cama, para encará-lo.

—Eles viveram felizes para sempre? — Indagou ela. Ele, pensativo, levou alguns segundos para responder. Negou com a cabeça.

—Eles viveram.



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