História Semente de Perigo - Capítulo 4


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Categorias Hunter x Hunter
Tags Gonkillu, Killugon
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Palavras 5.292
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Lemon, Luta, Magia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura...

Capítulo 4 - Semente de Morte não floresce em nada


Fanfic / Fanfiction Semente de Perigo - Capítulo 4 - Semente de Morte não floresce em nada

O céu continuava escuro. A lua permanecia cheia, criando uma linda paisagem no céu dá cidade. Apesar de não ser possível ver as estrelas ela brilhava intensamente, roubando o brilho do Sol como sempre fazia. Ela não fazia de proposito, mas apesar disso queria ser notada. Afinal, eram poucas almas que paravam para a admirar ou até mesmo conversar com ela, como se soubesse que ela estava ali, escutando, apesar de não poder responder. 

 A madrugada fria criada por ela, não estava muito quieta. Tiros eram ouvidos em alguns cantos dá cidade, alguns pedidos por socorro. Música alta em algumas partes dá cidade. Porem no momento a lua brilhava mais para aquele humano na terra, aquele que sempre parava para a observar e até mesmo conversar com ela. 

 No momento ele arrastava um corpo no chão. A lua estava triste por isso, ele iria fazer um julgamento, ela sabia que aquilo era errado, mas ela também não o podia o julgar, nenhum dos dois são juízes.  

 Na escuridão dá madrugada Gon arrastava Jones pelo calcanhar. A pele do loiro no momento era arrastada no chão, a ralando friamente, causando uma ardência que nunca tinha sentindo antes. Tentava gritar, mas nem isso era possível. Os pedaços usados para amarrar o albino foram enfiados em sua boca até a garganta, lhe causando um incômodo que não poderia aliviar. 

 O dente arrancado pelo soco foi colocado bem fundo no próprio nariz. Uma trilha do pouco sangue que saia de seu corpo foi iniciada no momento que uma parte de suas costas foi cortado por uma pedra, criado um rastro vermelho criado por seu sangue. 

 Não tinha como usar seus braços para se defender, pois seus pulsos foram quebrados. Gon tentou quebrar o braço inteiro de maneira que deixaria o osso exposto, mas não tinha tantas forças no momento e o máximo que conseguiu foi quebrar os pulsos do saco de lixo que carregava. 

 O moreno para no meio dá rua, sentindo um forte cheiro de lixo, lixo que não era aquele que carregava. Virando o corpo totalmente, vê o enorme lixão próximo a onde estava. Era o local perfeito para jogar aquele lixo não reciclável que carregava. 

 Arrastou o corpo até o local, vendo o portão do local, fechado. Não tinha forças para o arrombar no momento. Ficou um pouco decepcionado, era o local perfeito para manter aquilo que carregava. Iria o juntar ao seu coletivo.  

Decepcionado, virou as costas, sentindo um vento gelado batendo em suas costas, o fazendo tremer por estar fraco. 

 O barulho do portão rangendo o fez virar, vendo ele balançando ao ritmo do vento, dando sinal que estava aberto. Deu uma piscada forte, estava começando a ser derrotado pelo sono. Fazia uma semana que não dormia. Não era de ser derrotado tão facilmente, mas no momento realmente não tinha chances contra ele, não iria demorar muito para ser nocauteado pelo próprio sono, suas pálpebras já estavam pesadas. 

 Abriu o portão com o pé, criando um som alto do portão rangendo, acordando a fera que guardava aquele local.  

 Gon entrou, carregando o corpo que delirava vendo a Dona Morte sorrindo para ele. Gon andava lado a lado com ela todos os dias. Até mesmo o nome de seu clã pertencia a ela.  

 SHI: Significa literalmente: Morte, e Gon tem esse nome tatuado em sua nuca junto ao seu, como se fosse um contrato que logo, logo iria se torna de sangue... 

 Gon joga o lixo no resto que tinha ali, o fazendo se juntar ao seu coletivo. Bateu nas próprias mãos ainda não tinha terminado com ele. Porem no momento que iria continuar um latido alto é ouvido atrás de si, o fazendo se virar e ver o cachorro que espumava de raiva ao ver um desconhecido invadindo seu território. 

 As patas traseiras permaneciam separadas, assim como as dá frente. Sua cabeça permanecia próxima ao chão. Se preparava para atacar aquele intruso. A espuma criada em sua boca não só demostrava sua raiva como também sua arma biológica que poderia infectar aquele que tinha feridas abertas. Seu pelo estava enrijecido para o alto como um gato, assim como seu rabo que pouco balançava. Uma de suas patas estava com uma ferida exposta, pelo tamanho que tinha demostrava que não se alimentava muito bem a um tempo. Estava muito magro para seu tamanho, era até mesmo possível ver suas costelas se contraindo com a pele. Estava cheio de arranhões e machucados criados por humanos pequenos que lhe atiravam coisas, lhe criando um ódio tremendo por essa raça. 

 Aquele humano desconhecido não parecia o temer assim como os outros. Porem tinha que seguir seus extintos e proteger seu território, iria lutar por ele e o defender, não iria entregar a outro assim tão fácil. Com um latido, ele dá um aviso, mandando se retirar ou então lutar. O Humano se aproxima, o fazendo dar outro latido como aviso para não se aproximar de mais. A palma de sua mão era aberta em sua direção, estava perto demais. 

 Em um pulo ele avança com a boca aberta em direção a Gon, o mesmo com facilidade desvia jogando o corpo para o lado. O cachorro escorrega no chão, se levantando com um latido choroso ao ralar a ferida na perna.  

 O animal de quatro patas volta a encarar o intruso, vendo ele mais assustador que estava antes. A aura negra que demostrava agressividade era totalmente visível aos olhos daquele animal, o cheiro de perigo era nítido. Agora suas patas estavam próximas, a parte de baixo de seu focinho agora estava encostado no chão, junto ao resto de seu corpo. Aquele humano demostrou ser superior a ele somente com um olhar, não tinha o que fazer. 

 Gon aos poucos se aproximava, revelando o verdadeiro lado do cachorro selvagem que tentou lutar. No momento ele se encolhia feito um filhotinho assustado. 

 Com a mão agora em seu pelo escuro, o cachorro começa a latir por socorro, não queria voltar a ser machucado por aqueles seres de pernas compridas, tudo que queria era ficar quieto em seu canto. Nunca machucou ninguém por que queria, tudo que fazia era se defender e defender o espaço que não conseguia fugir, espaço que sempre julgou ser seu, por viver ali e não conseguir sair. Sempre apareciam aqueles seres cruéis que temia, sempre lutando para sobreviver. Foi jogado naquele local desde filhotinho e aprendeu a sobreviver com o pouco de comida que encontrava nos sacos com odor ruim. 

 Porem era diferente, não sentia dor ao ser tocado por aquele humano em especifico, a aura negra ainda era emanada, mas os toques eram suaves e delicados. 

 — Não se preocupe, eu não sou do tipo que machuca aqueles que não podem se defender, bem isso não vale para outras pessoas... Eu sei muito bem o que estava fazendo, estava lutando por seu espaço. Aposto que está doido para sair daqui, não é? eu sei muito bem como é, apesar de ser a única coisa que tem, você quer algo melhor não é mesmo? — O humano se comunicava com ele, e ele escutava, porém não fazia ideia do que ele falava, mas estranhamente sentia, como se estivessem falando a mesma língua através dos toques delicados que ele dava. Ele o entendia, sentia isso no ar.  

 Com um latido baixo ele também transmite o que sentia com aquele que o tocava de modo como nunca foi tocado antes, era bom, gostou daquele humano, ele não era só confiável como o fazia se sentir seguro, como nunca sentiu antes.  

 — Sabe, nem todos os humanos são ruins, mas a melhor coisa e agir como se todos fossem, isso lhe ajudara a sobreviver por mais tempo. — Gon diz sorrindo. Passando com delicadeza nas orelhas do cachorro as levando para trás. — Droga eu estou ficando tempo demais com o Leorio e ficando mole ... — Diz tombando a cabeça para trás, vendo a lua que sempre o acompanhava. 

 Do bolso tira um pequeno frasco de vidro, onde tinha um liquido vermelho considerado milagroso por seu clã. Suspirou pesado, não acreditando que iria fazer aquilo, se alguém descobrisse seria motivo de piada em todos os locais com a bandeira com o Kanji dá morte. 

 — Eu realmente queria fazer esse buraco de bala se curar logo, mas acho que vai demorar mais um pouco. — Abriu o pequeno frasco, pegando o cachorro pelo pescoço com delicadeza, segurando sua boca dando sinal para abrir. — Vamos, abra isso vai lhe ajudar, seu corpo é pequeno então você irá ficar melhor em algumas horas. — Diz fazendo o cachorro abrir a boca, pingando metade do liquido vermelho em sua língua. 

 Com as orelhas agora abaixadas ele se senta, encarando o humano que transmitia confiança, agora em pé. Nunca teve um líder de matilha para o guiar, agora não tem só um líder como também um mestre. 

 — Hey, não me olhe assim, eu não pretendo ficar com você. — Gon diz olhando para ele, vendo ele com a língua de fora, arfando em cansaço.  

 O cachorro tomba a cabeça para o lado, ainda não entendia aqueles latidos estranhos que seu mestre dava. 

 Gon abre completamente o portão, ainda com o cachorro lhe observando. 

 — Vamos, está livre, saia. — Gon diz dando sinal para ele ir para fora. E o mesmo faz, com o focinho no chão, mapeando o local pelo cheiro. Ao sair Gon se afasta, fazendo o portão se fechar por não estar mais sendo segurado por ele. O de quatro patas fica lá fora, vendo seu novo mestre de costas se distanciando, não entendeu o porquê de ter ficado ali fora, mas gostou, era um local diferente, nunca pisou ali depois de meses. Sempre ficava no portão, vendo os seres de pernas compridas se afastarem quando latia, as vezes aparecia um ser estranho, ele era enorme e sempre colocava mais sacos com cheiro ruim ali, tinha medo dos sons estranhos que ele fazia e sempre se escondia quando ele aparecia. 

 Agora em liberdade o mesmo corre em direção a um cheiro bom que sentiu, sumindo no meio a escuridão. Agora tinha um espaço muito maior para o chamar de seu, só tinha que tomar cuidado com os seres de pernas compridas e aqueles que faziam barulho de mais. 

 Jones observava a Lua como nunca observou, queria pedir por socorro, mas cada vez que tentava gritar, fazia os panos afundarem ainda mais em sua garganta. A mesma tentava expulsar se contraindo, porém, sem sucesso. Seus olhos lacrimejavam, como se colocou naquela situação? já fez aquilo tantas vezes, foi falta de sorte ou o destino finalmente iniciando um julgamento antes de ir para o inferno? não que Jones acreditasse nisso, mas no momento estava tão perto, que até mesmo escutava almas gritando em agonia, sabendo que logo estaria lá gritando também. 

 Uma enorme sombra cobre a luz refletida pela lua. Já nem enxergava mais como antes, as lagrimas nos olhos embaçava tudo. Recebeu um golpe, outro, um terceiro. Sentia na pele chutes e pisoes, como se fosse um inseto. Sua perna é puxada o fazendo rolar e ficar de barriga virada para o chão. 

 Observava agora os pés do demônio que o julgava. Gon levanta a barra dá calça, tirando uma faca borboleta dá meia. Jones arregala os olhos não entendo o que ele pretendia fazer. 

 — Sabe, eu te conheço. Já fez muitos estupros e assassinatos, ainda é um amador e sempre comete descuidos. — Escuta o barulho dá faca cortando algo, junto com pedaços de alguma coisa que caia em frente aos pés dele. — Sabe, eu não me importo, não ligo para as pessoas que já matou, eu seria hipócrita em dizer que o contrário. Porem estupro é algo que nem mesmo os mais podres daqueles a minha volta ousariam fazer. Isso é realmente nojento. — Diz com a voz rouca, aumentando o ritmo daquilo que cortava com a faca. 

 Sua boca agora estava seca, respirava com dificuldade somente por uma narina. O dente colocado em seu nariz já começa a fazer o local inchar, ardia tanto que mal sentia as pernas. 

 — Mas eu também não ligo. Não estou nem aí para as pessoas que você fez isso. Mas lamento por elas, muitos eram pessoas inocentes, tenho certeza disso. — O som cortante ficou mais intenso ainda. — Mas tentar fazer isso com o Killua foi seu maior erro, por que com ele eu me importo. — Terminou com um grunhido, ficando em silencio, causando medo e calafrios naquele no chão. Até ver o pé sendo levantado, junto de um pisão que afunda seu rosto no meio dos sacos de lixo. 

 Um pedaço de vidro brilha na sua frente, o fazendo dar foco em um dos olhos. Vendo o garoto com um pedaço de madeira na mão, um pedaço quebrado de uma vassoura. Cortava a ponta, fazendo a mesma ficar aos poucos afiadas. Seus olhos não eram visíveis, e um pouco de sangue escorria do canto de sua boca. Gon havia abafado um grito de raiva mordendo a língua, acabou a cortando com os dentes. 

 Jones passou a sentir frio, um frio diferente daquele que já sentiu antes. Sentia um peso em cima de seu corpo, apesar de não ter nada em cima dele. Sentiu seu rosto ser delicadamente tocado por uma mão fria, suavemente e com delicadeza. Abriu os olhos, vendo uma caveira com um manto cobrindo o seu corpo lhe acariciando com um sorriso. De olhos arregalados, vê aquilo se afastando, tirando uma foice atrás de si e a direcionando em sua direção junto com uma balança de ouro na outra mão. Até um corte o fazer se encolher e gemer de dor, fazendo os olhos serem fortemente apertando. 

 Porem continuou intacto, não sabia o que foi aquilo, mas sabia muito bem o que representava. 

 Gon pisa novamente em sua cabeça, afundando sua cabeça no lixão mais uma vez. Com o pé, Gon empurra ele ainda mais para frente, arrastando seu peito no chão. Também com o pé, separa as pernas de Jones uma dá outra, lhe dando uma visão do inferno.  

 — Agora você irá sentir aquilo que suas vítimas sentiram... você sempre teve preferência por garotos não é mesmo? — Com a lança recém feita, Gon mira certinho no local. Jones entendeu, ligando os pontos e começando a respirar freneticamente. — Own, não se preocupe eu serei gentil — Gon diz sorrindo de modo até mesmo sádico, fazendo questão de o puxar pelos cabelos e tirar o pano de sua boca, fazendo ele cuspir uma grande quantidade de saliva e sangue que estava preso na garganta. — Você gostava de gritos né? Mostra para aqueles que você matou, como se grita de verdade, tenho certeza que eles estão vendo seu julgamento. 

 Se afastou, mirando com a lança no alvo, não pretendia se aproximar, poderia se sujar e seria nojento. Era bom de mira, naquela distância o alvo era fácil, então impulsionando para trás ele a jogar com raiva a fazendo cortar o vento e ir centinho no alvo. 

 Tudo que foi ouvido depois foi um grito. 

 [...] 

 — Ele nem gritou o bastante. — Gon diz decepcionando, agora tendo novamente as mãos manchadas de sangue.  Não literalmente.  Primeira vez que matou um monstro, deveria se chamar de mocinho depois disso? 

 Com dois espelhos quebrados, Gon olhava para a própria nunca vendo o reflexo do espelho no reflexo do outro espelho. Tendo visão própria tatuagem com o nome de sua família junto do seu. 

 Usando a faca borboleta com armação verde, ele passa o metal gelado suavemente na nuca, cortando o risco vermelho que tinha entre seu nome e o nome de seu clã. Matou em nome de seu clã cedo demais e seu pai irá ficar orgulhoso por isso, imaginava que iria demorar. 

 Não gostava de seguir as regras do clã, porém ainda tinha toda a questão do orgulho que foi semeado em sua cabeça desde criança e no momento o orgulho por ser clã já floresceu de forma saudável. Atualmente isso oscilava, pois esse mesmo orgulho murchava quando estava com Killua... 

 Com o contrato com a morte finalmente finalizado, ele estava livre. Até o momento que ela vinhesse a sua visita. Era estranho de ser pensar, mas foi bom andar com ela todo esse tempo, sempre que matava alguém a via ceifando aqueles que não tiveram sorte de cruzar seu caminho. Imaginava se suas vítimas também a viam.  

 Não pretendia a ver tão cedo. Já que agora seria para vir lhe buscar e nunca foi de ser derrotado facilmente, ele iria dar um bom trabalho para ela, assim como todos aqueles que carregavam seu nome. 

 Sua nuca agora ardia. O fazendo se lembrar do frasco que tinha no bolso. Tomou todo o liquido vermelho que tinha sobrado. Talvez não tenha sido uma boa ideia dar o que tinha para o cachorro. Assim todas suas feridas poderiam ser curadas até mesmo quando acordasse, mas realmente tem ficado mole, assim como Leorio. 

 — Então, vamos nos encontrar com o Killua? — Gon pergunta com a cabeça tombada, encarando a lua no céu que dava sinal que não iria ficar muito tempo ali. Um vento gelado sopra em sua direção, fazendo seus fios se arrepiaram. — Você sabe muito bem que eu sou ciumento... — diz dando um sorriso puro depois de longos três meses.  

 [...] 

 Em um armazém um pouco afastado dá cidade. Um homem que também carregava a mesma tatuagem que Gon, praticava medicina "alternativa." 

 Risadas ecoavam no local com pouca higiene e iluminação. Um corpo estava em cima de uma maca improvisada. O homem que usava um avental branco estava completamente sujo de sangue. Estava um pouco entediado, mexia nos órgãos de seu "paciente" os jogados de um lado para o outro como se fosse gelatina. 

 Com dificuldade empurrou um dos órgãos dele para o fundo, aquilo estava dificuldade seu trabalho. 

 — Eu deveria estar acordado para isso? — O paciente pergunta depois de uma longa risada de uma piada que "doutor" fez. Levantando um pouco a cabeça ele vê o mesmo fazendo seja lá aquilo que estava fazendo em sua barriga que no momento estava completamente aberta, tendo visão de seus próprios órgãos se mexendo, fazendo uma careta de nojo em seguida. 

 — Mas é claro que não. — O de branco diz em tom obvio fazendo o deitado na cama cerrar o cenho. — Eu só preciso empurrar isso, um pouco. — Colocou força fazendo o mesmo gritar de dor. — Own não seja fracote, é só uma dorzinha de nada. — O moreno diz dando risada, sempre se divertindo com aquilo que fazia.  

 Cirurgia completa, agora como que iria fazer para fechar ele mesmo? 

 No meio do dilema. Seu celular toca, o pegando usando uma pinça para não sujar de sangue. Na tela o nome de seu maninho piscava. 

 — Gon, quanto tempo. — O mesmo diz sorrindo escutando a voz do mesmo depois de três meses. — Já está de volta na cidade? Hmm, entendi. Estou no meio de uma cirurgia. Sim, sim é estou brincando de novo. Aff, não seja chato. Hisoka? não, não o vi. — O mesmo diz sorrindo. — Hey, me responda uma coisa... costelas não crescem de novo né? — Diz baixinho, abafando a voz no celular, recebendo uma resposta óbvia. — Era só uma piada não precisa falar assim comigo, magoa sabia? — Diz fazendo um bico. Olhava para umas das costelas do paciente que acabou quebrando sem querer a girando no dedo. — Okay, no mesmo local? tudo bem. Sim eu ainda estou naquele teatrinho... Não diga isso. — Revirou os olhos. — Bem, eu preciso terminar aqui, está saindo muito sangue e acho que ele desmaio. — Diz dando uma tapa na cara do homem na maca, vendo que ele não estava mais acordado. — Okay até mais. — Desligo o celular voltando para a cirurgia. — Então grandão, como eu irei fazer para fechar isso mesmo? Droga, eu não deveria fazer cirurgia bêbado. — Deu um tapa na própria testa, a sujando de sangue. — Argh que nojo. — Limpou com um pano seco, o jogando na bancada improvisada que tinha ali.  

 Abriu outra garrafa da bebida que tomava, fazendo a tampinha pular e cair dentro do paciente. Deu de ombros, se preparando para fechar aquilo de alguma forma...   

 [...] 

 Killua olhava para a janela de seu quarto, com um olhar vazio, parecia que aquela noite não iria passar nunca. Estava se sentindo horrível, nunca se sentiu tão humilhado em toda sua vida, estava vulnerável, se sentia um pedaço de lixo descartável, em que era usado e jogado na lixeira em seguida.  

 Fitou a própria cama, revivendo aquele momento de fraqueza que nunca imaginou que passaria um dia. Encolheu as pernas, apertando o coberto contra o peito. Única coisa que mantinha fora era seu rosto. Se cobriu até a cabeça. Ainda se sentia um gatinho assustado, mal conseguiu levantar para colocar uma calça, se sentia sujo de um jeito que não saberia se seria limpo outra vez. 

 Queria que o Gon chegasse logo. Ele não precisa o confortar, só queria que ele estivesse ali, nem que fosse para não fazer nada. Se tivesse ele ali, iria se sentir seguro novamente, nem que estivessem separados por um cômodo.  

 Como se os céus tivessem escutado seu pedido interno, vê o moreno fechando o portão indo em direção a porta, ele não parecia muito bem também.  

 Queria correr em sua direção e pular em cima dele, mas não tinha coragem, na verdade nem sabia o que fazer. Eles ainda eram um casal? ficou três meses sofrendo com ele fora e quando volta, o pega em uma situação humilhante como aquela.  

 Gon pulava o máximo de degraus que podia, parando em frente a porta do quarto. Ficou parado, respirando fundo, deveria abrir a porta e ir ao encontro dele? claro que deveria, mas e a coragem? 

 Abriu a porta travando em sequência ao encarar os olhos azuis a sua frente, estavam literalmente como um oceano azul, as lagrimas presas por ele brilhavam refletindo si mesmo. 

 Abaixou o olhar vendo o pescoço do mesmo todo marcado, alguns chupões vermelhos, alguns em uma situação pior e quase que negros de tão roxos.  

 Quando deu por si, estava com a mão em seu pescoço, levantando o queixo do albino com o dedão, tendo mais visão dá pele que lhe pertencia que fora marcado por outros. Isso, sabia que não foi somente aquele ser que o marcou, estava obvio isso. 

 Subiu o olhar, vendo o mesmo assustado. Talvez por conta do terrível olhar que brotou em seu rosto. Os olhos arregalados refletiam seu rosto, o fazendo se lembrar que não era a primeira vez que se viu nos olhos de outro. 

 — Mas que porra é essa Gon? Você tem... — Seu pai apertava seu pescoço com raiva, segurando seu pescoço do mesmo modo que estava segurando os do Killua nesse momento, porém com mais força, o enforcando. Os olhos furiosos de seu pai, refletiam ele dá mesma forma, porem era diferente, naquela vez quem estava assustado era ele, se via feito um gatinho assustado nos olhos furiosos de seu pai. O fazendo se ver no lugar do Killua no momento.  

 Gon relaxou a mão em seu pescoço, os levando em seu ombro o apertando firmemente.  

 — Killua... — Mordeu o lábio inferior, não sabia o que dizer, nem o que fazer. Killua ainda estava assustado, o fitando com o olhar mais morto que jamais viu. Era como se só estivesse o corpo dele no momento. 

 Conhecia aquele olhar, geralmente quando tinha que torturar uma pessoa e essa pessoa já tinha desistido dá própria vida, se entregando completamente a morte, ela ficava com o olhar daquele jeito. Ela não estava mais aí para mais nada, nem mesmo para sua própria vida.  

 Gon não diz nada, puxa o abraçando como queria fazer desde o momento que seu pai o mandou voltar para casa a três meses atrás. Naquele dia queria continuar com ele ali, no chão, ou em qualquer lugar. Só queria ficar ao lado dele, assim como sempre fez. Nunca foi de dialogar, mas sempre esteve quieto, ao seu lado. 

 Envolvendo os braços em sua cintura, Killua novamente volta, apertando com toda a força que tinha o moreno para um abraço o mantendo o mais próximo possível. Afundou seu rosto em seu peito dificultando sua própria respiração. Gon entendeu muito bem o que ele lhe dizia com aquilo, não queria que ele o soltasse ou fosse embora. Ele não precisa falar nada para o confortar, ele já sabia o que ele sentia. Só queria ter ele ali para ele. Não precisa de palavras, só dele e mais nada. 

 Killua chorava baixinho. Gon  o aperta firmemente, se estivesse com ele durante todo esse tempo eles não estariam assim. Sabia que seu relacionamento com ele não era saudável por toda a questão de viver mais tempo longe que perto, mas já tinha se decidido que iria arrumar isso. Nem que tivesse que pisar nas regras impostas por seu pai e ter que lutar com ele por isso.  

 Afinal, o orgulho que tinha por sua família já tinha sido pisado e enterrado no momento que viu os olhos azuis de um Zoldyck.  

Não qualquer Zoldyck, era os olhos de Killua Zoldyck... 

 [...] 

 A água quente batia em sua pele, relaxando todos seus músculos. Depois de meses, finalmente pode tomar um banho quente. A água escorria levando todo o suor que grudava sua roupa a sua pele. O sangue que não sabia se era seu era levado com a água pelo ralo. Sua alma era rejuvenescida o fazendo renascer como outro homem. 

 Sua mão com um sabão de cor verde, passava pela pele exageradamente branca que apesar de não ser a sua, lhe pertencia. 

 Sabia que aquelas marcas no pescoço de Killua não iria sair daquela forma, mas não ligava. Já estava a quase dez minutos ali de baixo do chuveiro com ele, esfregando o sabonete de forma que já estava quase sumindo. O mesmo não dizia nada, apenas aproveitava aquele momento de intimidade que os dois estavam tendo, que era poder tomar banho juntos. Nenhum dos dois pretendia passar daquele ponto, pelo menos no momento. 

 Killua ainda estava abalado com o que aconteceu e passar disso era a última coisa que queria no momento. Só queria aproveitar os toques suaves que Gon dava em seu corpo. Toques que tanto sentia falta.  

 Killua fez questão de pegar outro sabonete, de cor verde só para o moreno. Era engraçado como dava para o agradar somente com algo simples como uma cor.  

 Já não aguentava mais de tanto que ele esfregava seu pescoço, então se virando impaciente, encara o maior agora de frente. Revirando os olhos, o albino aperta seu pulso, arrancando o sabão de sua mão.  

 — Isso não sai desse jeito, você sabe disso. — Quebrou o silêncio desde o momento que chegaram ali, criando um clima bem mais leve que estava antes. Não tinha como manter o clima agradável depois de um quase estupro.  

 Gon não diz nada, apenas dá um sorriso de canto. Segurando seu queixo com a mão, o olhava nos olhos, conhecia aquele olhar. Era um pedido de desculpas, não precisa de palavras para entender aquilo, era como se conhecesse todos os gestos dele. Killua novamente o abraça, sentindo a água correndo entre o corpo dos dois, começou a chorar baixinho novamente se lembrando do o que passou, não conseguia deixar de pensar no que aconteceria caso Gon não tivesse aparecido. Com batidas fracas em suas costas, ele bota para fora tudo aquilo que segurava, aos poucos ficando melhor, se esvaziando de toda a dor que sentiu, do terrível estresse psicológico que passava.  

 Continuou ali, abraçado ao moreno, mesmo já tendo terminado de chorar, continuaram abraçados, não se separam em nenhum momento. Agora mais relaxado ele se afasta, dando um sorriso fraco para o mesmo, dando sinal que já estava melhor. 

 Abaixa o olhar, não querendo mostrar que estava com vergonha por estar chorando novamente. Fitando seus próprios pés, sente algo em sua cabeça, o fazendo se afastar e ver Gon jogando shampoo nos cabelos brancos os bagunçando e criando um monte de espuma. 

 Deu uma risada nasal, ficando mais descontraído sobre o que acabou de passar.  

Killua fez o mesmo, enchendo a cabeça do Gon de shampoo criando uma quantidade exagerada da espuma que se mistura ao seu cabelo aos poucos sendo levada pela água. 

 Killua o virar de costas, passando o sabonete agora em suas costas. Notou o cabelo do moreno que estava grande. Viu um pouco de sangue escorrendo de sua nuca, o assustando. Killua afasta os cabelos do mesmo, preferia do outro jeito, não gostou muito dele com o cabelo comprido assim. Passou os dedos pela tatuagem que ele agora tinha. Vendo sangue escorrendo dali de maneira fraca, mas a cor vermelha ainda era notável. Não iria perguntar sobre isso por enquanto. 

 Killua novamente o vira, ficando novamente um de frente para o outro. Já estavam um bom tempo ali, mas só agora que Killua nota os machucados novos que Gon carregava. Com o dedo, passa suavemente por cima deles, os contornando suavemente, tomando cuidado para não pressionar de mais. Todo machucado novo que passava, ele subia o olhar encarando os olhos do maior, perguntando telepaticamente como que ele os fez. Era estranho, ele aparecia com cicatrizes novas e as velhas sempre sumiam, algumas pareciam que seriam permanentes, mas sumiam como mágica.  

 O ferimento que parecia ser sério no momento que ele chegou, não parecia ser grande coisa no momento, o que era estranho. Tinha certeza que ele tinha um machucado profundo.  

Rindo sozinho, Killua mostra suas mãos para Gon, as balançando em sua frente, mostrando com os dedos estavam enrugados por estar tanto tempo ali. Gon faz o mesmo, mostrando que as suas estavam dá mesma formas, as juntando e entrelaçando seus dedos agora enrugados. 

 Os dois se aproximam, colando suas testas e dando um selo demorado. Agora com um sorriso nos rostos os dois saem, esquecendo por enquanto a noite difícil que tiveram. Secarão um ao outro, com uma toalha, se vestindo com roupas limpas que Killua tinha preparado para ele.  

 Finalmente vestido, pode agora dormi em uma cama, apesar de não querer, por saber que Killua estava deitado ali com outro cara, não aquele monstro e sim o outro que tinha certeza que estava ali. Mas estava tão desesperado para dormi em um lugar como aquele, que tacou o foda-se. 

Gon fica em pé na frente daquele simples pedaço do paraíso, vendo Killua trocar os lençóis, ao finalmente ter passe verde, ele se jogar de braços abertos na mesma. Killua levava aquele lençol ao lixo, não queria nada que o lembrasse daquela experiencia horrível. 

 Gon sente o peso do albino deitando ao seu lado, o mesmo brincava agora mais descontraído com os fios verde que no momento estavam longos, não pareciam tão ruins quanto pensou. 

 O albino o encarava no escuro e o moreno apesar de não ver, sentia isso. 

 — Quando eu acordar você vai estar aqui? — Killua pergunta, quebrando novamente o silêncio. Se aproximou do mesmo, deitando colado a ele, entrelaçou suas pernas as deles, tendo os braços do mesmo em volta de seu pescoço o aproximando ao seu peito.  

 Sempre fazia essa pergunta quando deitavam juntos como agora, nunca tinha respostas. Pois nem o Gon sabia responder. Ao ouvir o silêncio do mesmo, o albino suspira. Já esperava por isso. 

 — Vou. — Respondeu deixando o albino surpreso e esperançoso, mas no fundo, preferia não acreditar, assim no dia seguinte não se decepcionava tanto. Mas dessa vez realmente parecia ser verdade e era difícil, mas não queria acreditar, mas não conseguia... Sempre se iludia e queria muito que fosse verdade. 

 Não demorou muito para Gon finalmente dormi, parecia uma pedra no momento. Killua permanecia firme em seus braços, não iria o largar por um bom tempo. Não que ele se importasse, agora queria que aquela noite demorasse o máximo para passar, queria ficar ali para sempre. 

Sabia que ali estava seguro.


Notas Finais


Quando eu falo "família." pode também se interpretar como "clã" e visse versa.
Sei não, mas acho que o Gon trai o Killua com a Lua... Gon tem um gosto exótico pelo que parece.
Sim, aquele "doutor" era o Leorio.


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