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História Semideuses Lendo o Último Olimpiano - Capítulo 3


Escrita por: BiaMBlack

Capítulo 3 - A Espada de Hades ~ 2


Quando a luz se dissipou, uma mulher alta com cabelos castanhos e olhos coloridos como uma pintura de flores. Seu vestido era tão colorido que parecia branco.


— O que está acontecendo?— ela voltou a perguntar olhando ao redor e percebendo o de estava.


Os do futuro voltaram seus olhares para Leo em uma sincronia de dar medo.


— Ops.— o latino disse se encolhendo levemente.


— Explica. Agora.— PJ disse com uma autoridade que Leo não era louco de desafiar.


— Escapou. Desculpa!— Leo disse erguendo as mãos em rendição.— Pelo menos sabemos que funciona.


— Vocês vão se explicar ou o que?— a recém-chegada perguntou.— Nico, explica.


— Estamos fazendo uma leitura para… humm… mudar o passado.—. Nico explicou.— E o idiota do Leo te trouxe para cá por engano. Por favor se apresente.


A mulher suspirou, mas concordou.


— Sou Perséfone, e aparentemente sou do futuro.— ela se apresentou, mesmo que não fosse totalmente necessário, e foi se sentar junto de seu marido, para o desgosto de sua mãe.— Por favor, continuem com essa leitura.


KG então assentiu e voltou a ler.


O Mundo Inferior não tinha entrado no espírito natalino. À medida que descíamos pela estrada do palácio até o Campo de Asfódelos, o lugar ficava muito mais parecido com aquele da minha visita anterior: realmente depressivo. Grama amarelada e choupos negros pouco desenvolvidos ondulavam a perder de vista. Sombras vagavam sem rumo pelas colinas, saindo do nada e indo para o nada, conversando entre si e tentando lembrar quem foram em vida. Bem acima de nós, o teto da caverna cintilava ameaçadoramente.

Eu carregava o craveiro, o que me fez sentir bem estúpido. 


— Ah! Estão lendo sobre essa missão. Interessante.— Perséfone disse em compreensão, e Nico, Thalia e PJ confirmaram.


Nico nos guiava, já que sua lâmina podia abrir caminho através de qualquer grupo de mortos-vivos. Thalia basicamente resmungava que ela deveria ter sido mais esperta em vez de sair em uma missão com dois garotos.


— Você nos ama, prima.— PJ lembrou, fazendo Thalia revirar os olhos, mas ela sabia que ele estava certo.


— Perséfone não pareceu meio tensa? — perguntei.

Nico atravessou um bando de fantasmas, afastando-os com a lâmina de ferro estígio.

— Ela sempre age assim quando estou por perto. Ela me odeia.


Perséfone revirou os olhos. Aquilo podia ser verdade naquela época, mas ela tinha aprendido a gostar do garoto.


— Então por que ela o incluiu na missão?

— Provavelmente foi ideia do meu pai.

Pareceu que ele queria que aquilo fosse verdade, mas eu não tinha tanta certeza.

Era estranho para mim o fato de que não fora o próprio Hades quem nos designara a missão. Se essa espada era tão importante para ele, por que deixou que Perséfone explicasse as coisas? 


— Eu não sabia da missão, não é?— Hades perguntou mesmo já sabendo a resposta.


— Não. Não sabia.— Perséfone disse dando de ombros.


Geralmente, Hades gostava de ameaçar semideuses pessoalmente.

Nico seguiu em frente. Não importava quão cheios os campos estivessem — e se você já viu a Times Square na noite de Ano-Novo, sabe do que estou falando —, os espíritos abriam caminho diante dele.

— Ele sabe lidar com multidões de zumbis — admitiu Thalia. — Acho que vou levá-lo comigo da próxima vez que eu for ao shopping.


— Vai ser mais fácil levar ele.— Nico disse apontando para WS.


— Relaxa, Thalia. Posso cuidar das multidões de shopping.— garantiu WS sorrindo para a filha de Zeus, que deu de ombros indiferente, sabia que eles eram um combo de qualquer forma.


Ela segurou firme seu arco, como se estivesse com medo que ele se transformasse em um ramo de madressilvas de novo. Thalia não parecia mais velha que no ano anterior, e de repente me ocorreu que ela nunca envelheceria, agora que era uma caçadora. E isso queria dizer que eu era mais velho que ela. Esquisito.

— Então — comecei —, como a imortalidade está tratando você?

Ela revirou os olhos.

— Não é imortalidade total, Percy. Você sabe disso. Nós ainda podemos morrer em combate. É que... nós nunca envelhecemos ou ficamos doentes, então vivemos para sempre, contanto que nenhum monstro nos faça em pedaços.

— Isso é sempre um perigo. 


Os campistas concordaram. Ser um semideus era viver com um alvo nas costas.


— Sempre.

Ela olhava em volta, percebi que observava atentamente os rostos dos mortos.

— Se você está procurando Bianca — falei rápido para que Nico não me ouvisse —, ela deve estar nos Campos Elíseos. Ela teve uma morte de herói.

— Eu sei — respondeu ela, rispidamente. Então se recompôs. — Não é isso, Percy. Eu só estava... esqueça.


— Estava procurando por ela, né?— Jason perguntou, e sua irmã assentiu tristemente. Nenhum deles tinha boas experiências com a mãe.


Fui tomado por um calafrio. Lembrei que a mãe de Thalia morrera numa batida de carro alguns anos atrás. Elas nunca haviam sido próximas, mas Thalia não teve a chance de se despedir. A sombra de sua mãe poderia estar vagando por ali... Era natural que Thalia parecesse exaltada.

— Desculpe — disse eu. — Não me toquei.

Nossos olhos se encontraram e eu senti que ela compreendeu. Sua expressão suavizou.

— Tudo bem. Vamos acabar logo com isso.

Outra pétala caiu do cravo enquanto caminhávamos. Não fiquei feliz quando a flor nos indicou a direção dos Campos da Punição. 


— Ninguém ficaria.— Hazel disse com uma careta. Ela tinha passado anos olhando para aquele lugar, sabia quão ruim ele era.


Eu tinha esperanças de que pudéssemos ser conduzidos para os Campos Elíseos para estar com pessoas bonitas e festejar, mas não. A flor parecia gostar da parte mais difícil e cruel do Mundo Inferior. Pulamos um córrego de lava e seguimos caminho por entre horríveis cenas de tortura. Não vou descrevê-las porque você perderia completamente o apetite, mas eu gostaria de estar com algodão nos ouvidos para bloquear os gritos e a música dos anos 1980.


— Qual o problema da música dos anos 80?— Apolo perguntou indignado, e todos julgaram, corretamente, melhor nada responder.


O craveiro se inclinou para uma colina à nossa esquerda.

— Lá em cima — disse eu.

Thalia e Nico pararam. Eles estavam cobertos de fuligem por caminhar pelos Campos da Punição. Acho que eu não estava muito melhor.


— Não estava.— os outros dois garantiram.


Um som alto e opressor vinha do outro lado da colina, como se alguém puxasse uma máquina de lavar. Então, a colina foi sacudida por um BOOM! BOOM! BOOM! e um homem xingou.

Thalia olhou para Nico.

— Esse não é quem eu estou pensando que é, é?

— Acho que sim — respondeu Nico. — O maior especialista em enganar a morte.


Hades praguejou em grego antigo. Ele odiava aquele cara.


Antes que eu pudesse perguntar o que Nico queria dizer, ele nos levou até o topo da colina.

O cara do outro lado não era bonito, e não estava feliz. Parecia um daqueles bonecos de troll com a pele laranja, barrigão, braços e pernas mirrados e com um tipo de tanga-fralda envolta na cintura. Seus cabelos de rato estavam eriçados para o alto como uma tocha. Ele pulava de um lado para o outro, xingando e chutando uma pedra duas vezes maior que ele.

— Não vou! — berrava. — Não, não, não!

Então, ele lançou uma sequência de pragas em várias línguas diferentes. Se eu tivesse um daqueles potes em que você coloca uma moeda para cada palavrão, teria feito uns quinhentos dólares.

Ele começou a se afastar da pedra, mas, depois de dez passos, deu uma guinada, como se uma força invisível o puxasse. Cambaleou de volta e começou a bater com a cabeça na pedra.

— Tudo bem! — gritou. — Tudo bem, maldito seja. 

Ele coçou a cabeça e resmungou mais alguns palavrões.

— Mas esta é a última vez. Você está me ouvindo? 

Nico olhou para nós.

— Vamos. Enquanto ele não tenta de novo.

Nós descemos a colina.

— Sísifo! — chamou Nico.

O cara de troll levantou os olhos, surpreso. Depois, arrastou-se para trás da pedra.

— Ah, não! Vocês não vão me fazer de idiota com esses disfarces. Eu sei que vocês são as Fúrias! 

— Não somos as Fúrias — retruquei. — Só queremos conversar.

— Vão embora — gritou ele. — Flores não melhoram a situação. É muito tarde para se desculpar!


— Por que alguém se desculparia com você?— Reyna perguntou arqueando a sobrancelha.


— Veja — começou Thalia —, nós queremos apenas...

— Lá, lá, lá! — berrou ele. — Não estou escutando!

Brincamos de pega-pega com ele em torno da pedra até que finalmente Thalia, a mais rápida, agarrou o velho pelos cabelos.

— Parem — choramingou ele. — Eu tenho pedras para empurrar. Pedras para empurrar!

— Eu empurro sua pedra! — ofereceu-se Thalia. 


— Não ouse.— Hades disse em tom ameaçador para Thalia.


— Relaxa. Eu não levaria ela ao topo.— a garota respondeu revirando os olhos.


— Apenas cale-se e fale com meus amigos. 

Sísifo parou de resistir.

— Você vai... vai empurrar minha pedra?

— É melhor que ficar olhando para você. — Thalia me olhou. — Seja rápido com isso. — Então conduziu Sísifo até nós.

Ela apoiou os ombros contra a pedra e começou a empurrá-la bem devagar colina acima.

Sísifo fez cara feia para mim, desconfiado. Ele beliscou meu nariz.

— Ei! — disse eu.

— Então você realmente não é uma Fúria — concluiu, maravilhado. — Para que a flor?

— Procuramos uma pessoa — respondi. — A planta está nos ajudando a encontrá-la.

— Perséfone! — Ele cuspiu na poeira. 


— Eu.— a rainha do submundo disse com deboche.


— Esse é um dos seus artifícios de busca, não é? — Ele se inclinou para a frente e senti um bafo desagradável de velho-que-está-rolando-uma-pedra-por-uma- eternidade. — Eu a fiz de boba uma vez, sabe. Eu fiz todos eles de bobos.

Olhei para Nico.

— Tradução?

— Sísifo enganou a morte — explicou Nico. — Primeiro ele acorrentou Tânatos, o ceifador de almas, para que ninguém pudesse morrer. 


— Odeio quando fazem isso.— resmungou Frank. Ele sabia como aquilo podia ser extremamente irritante.


Então, quando Tânatos se libertou e estava prestes a matá-lo, Sísifo disse à esposa que fizesse um funeral com os rituais errados, para que ele nunca descansasse em paz. Nosso Sissi... posso chamá-lo de Sissi?

— Não!

— Sissi enganou Perséfone, induzindo-a a deixá-lo voltar para o mundo a fim de perseguir a esposa. E ele não retornou para cá.

O velho gargalhou.

— Continuei vivo outros trinta anos antes que eles finalmente viessem atrás de mim!

Thalia estava na metade do caminho agora. Ela cerrava os dentes, empurrando a pedra com as costas. Sua expressão dizia: Apressem-se!

— Então essa foi a sua punição — eu disse a Sísifo. — Rolar uma pedra até o alto da colina para sempre. Valeu a pena?

— Um retrocesso temporário! — gritou ele. — Eu vou sair daqui em breve. E, quando eu sair, todos lamentarão!


— Não vai acontecer.— Hades garantiu, lançando um olhar de alerta para Thalia, que revirou os olhos novamente.


— Como você vai sair do Mundo Inferior? — perguntou Nico. — Está trancado, você sabe disso.

Sísifo forçou um sorriso fraco.

— Isso foi o que o outro perguntou.

Meu estômago revirou.

— Alguém mais pediu sua opinião?

— Um jovem irritado — Sísifo relembrou. — Não muito educado. Colocou uma espada na minha garganta. Não se ofereceu para rolar minha pedra nem nada.

— O que você disse a ele? — quis saber Nico. — Quem ele era?

Sísifo massageou os ombros. Ele olhou de relance para Thalia, que estava quase no topo da colina.

O rosto dela estava vermelho e encharcado de suor.

— Ah... é difícil dizer — Sísifo respondeu. — Nunca o vi antes. Ele carregava um pacote longo todo embrulhado em tecido preto. Esquis, talvez? Uma pá? Quem sabe se vocês esperarem aqui eu possa ir procurá-lo...

— O que você disse a ele? — perguntei.

— Não lembro.

Nico desembainhou sua espada. O ferro estígio era tão frio que produziu vapor no ar quente e seco dos Campos da Punição. 

— Faça um esforço.

O velho estremeceu.

— Mas que tipo de pessoa carrega uma espada como essa?


— Eu carrego.— Nico respondeu com um deboche igual ao de sua madrasta.


— Um filho de Hades — disse Nico. — Agora me responda! 

Sísifo ficou pálido.

— Eu disse a ele que falasse com Melinoe! Ela sempre tem uma saída! 

Nico baixou sua espada. Acho que o nome Melinoe o incomodou.

— Você está maluco? — devolveu ele. — Isso é suicídio! 

O velho deu de ombros.

— Já enganei a morte antes. Posso fazer isso de novo.

— Como era esse semideus?

— Hum... ele tinha um nariz — disse Sísifo. — Uma boca. E um olho e...


— Um olho?— Travis questionou antes de se virar para Ethan, e não foi preciso dizer nada. Todos sabiam que se tratava do filho de Nêmesis.


— Um olho? — interrompi. — Ele usava tapa-olho?

— Ah... talvez — respondeu ele. — Tinha cabelos na cabeça. E... — Ele arfou e olhou por cima do meu ombro. — Lá está ele! Nós caímos nessa.

Assim que nos viramos, Sísifo escapou colina abaixo.

— Estou livre! Estou livre! Estou... ARGH!

A três metros da colina, sua corrente invisível estendeu-se ao máximo e ele caiu de costas. Eu e Nico agarramos seus braços e o rebocamos de volta.

— Malditos sejam! — Ele soltou xingamentos em grego antigo, latim, inglês, francês e muitas outras línguas que eu não reconheci. — Nunca vou ajudá-los! Vão para o Hades!

— Já estamos nele — resmungou Nico.


— Verdade.— Rachel teve que reconhecer, e todos concordaram.


— Chegando! — Thalia berrou.

Levantei os olhos e devo ter falado alguns palavrões. A pedra descia a encosta, bem na nossa direção. Nico pulou para um lado. Eu pulei para outro. Sísifo gritou NÃÃÃÃÃÃÃO! enquanto a coisa fazia o caminho até ele. De alguma forma, tomou coragem e parou a pedra antes que ela passasse por cima dele. Acho que tinha bastante prática.

— Pegue-a de novo — bradou ele. — Por favor. Não posso aguentar isso.

— De novo não — ofegou Thalia. — Agora é com você.

Ele nos tratou com uma linguagem bem pior. Estava claro que não ia nos ajudar mais, então o deixamos com sua punição.

— A caverna de Melinoe é por aqui — disse Nico.

— Se esse tal ladrão realmente tem um olho só — ponderei —, pode ser Ethan Nakamura, filho de Nêmesis. Foi ele quem libertou Cronos.


Ethan se encolheu diante dos olhares que foram lançados a ele.


— Eu lembro — disse Nico, sombrio. — Mas se vamos lidar com Melinoe, temos grandes problemas. Vamos.

Enquanto nos afastávamos, Sísifo gritava.

— Tudo bem, mas essa é a última vez. Estão me ouvindo? A última vez!

Thalia tremeu.

— Você está bem? — perguntei a ela.

— Acho que... — hesitou ela. — Percy, o assustador é que, quando cheguei ao topo, achei que tinha acabado. Pensei: “Isso não é tão difícil. Posso fazer a pedra ficar.” E quando ela rolou de volta, eu quase me entusiasmei a tentar de novo. Achei que pudesse conseguir numa segunda vez.


— Não. Não conseguiria.— Hades garantiu, ainda irritado por Thalia ter tentado interferir em sua punição.


Ela olhou para trás melancolicamente.

— Vamos — disse eu. — Quanto mais cedo sairmos daqui, melhor.

Caminhamos pelo que pareceu uma eternidade. Mais três pétalas do cravo murcharam, o que significava que metade dele estava oficialmente morta. A flor nos conduziu para uma extensão de colinas cinza e irregulares, semelhantes a dentes. Então caminhamos naquela direção, por uma planície de rochas vulcânicas.

— Belo dia para ficar à toa — resmungou Thalia. — Provavelmente, as Caçadoras estão se banqueteando em alguma clareira numa floresta exatamente neste instante.

Imaginei o que minha família estaria fazendo. Minha mãe e meu padrasto, Paul, ficariam preocupados quando eu não chegasse da escola, mas não era a primeira vez que isso acontecia. Eles concluiriam rapidamente que eu estaria em alguma missão. Minha mãe andaria de um lado para o outro na sala, pensando se eu conseguiria voltar para abrir meus presentes.

— Então, quem é essa Melinoe? — perguntei, tentando desviar meu pensamento de casa. 

— Longa história — respondeu Nico. — Longa e muito assustadora história.

Eu quase perguntei o que ele queria dizer quando Thalia se agachou.

— Armas!

Desembainhei Contracorrente. Tenho certeza de que eu parecia aterrorizante com um vaso de cravo na outra mão, então o coloquei no chão. Nico desembainhou a espada.

Ficamos de costas um para o outro. Thalia preparou uma flecha.

— O que foi? — sussurrei.

Ela parecia estar ouvindo algo. Então seus olhos se arregalaram. Um círculo de uma dúzia de daímones materializou-se em torno de nós.

Tinham o corpo parte de mulher, parte de morcego. Suas caras eram achatadas e raivosas, possuíam caninos e olhos salientes. Pelo cinza desbotado e uma armadura fragmentada cobriam seus corpos. Tinham braços encolhidos com garras em vez de mãos, asas de couro cresciam das costas e as pernas eram curtas, grossas e arqueadas. Elas seriam engraçadas, não fosse o brilho assassino dos olhos.

— Queres — informou Nico.

— O quê? — perguntei.

— Espíritos do campo de batalha. Elas se alimentam da morte violenta. 


— Que divertido.— Katie disse, sua voz uma oitava acima do normal.


— Ah, maravilha — disse Thalia.

— Afastem-se! — ordenou Nico às daímones. — O filho de Hades está mandando.

As Queres sibilaram. As bocas espumavam. Elas olharam para nossas armas, apreensivas, mas senti que não ficaram muito impressionadas com a ordem de Nico.

— Em breve Hades será derrotado — uma delas rangeu os dentes. — Nosso novo mestre nos dará um reino livre!


Hades massageou suas têmporas pensando na dor de cabeça que isso daria.


Nico piscou.

— Novo mestre?

A daímon líder deu o bote. Nico estava tão surpreso que ela poderia tê-lo feito em pedaços, mas Thalia atirou uma flecha à queima-roupa na cara feia de morcego da criatura, e ela se desintegrou.

O restante delas avançou. Thalia deixou o arco de lado e desembainhou as facas. Eu me esquivei enquanto a espada de Nico zuniu por cima da minha cabeça, cortando uma das criaturas pela metade. Eu cortava e golpeava e três ou quatro delas explodiram à minha volta, mas outras continuavam a aparecer.

— Jápeto vai amaldiçoá-los! — uma gritou.

— Quem? — perguntei, mas então eu a atravessei com minha espada.


— Um titã.— Malcom disse simplesmente como se aquele fosse um fato óbvio, e na verdade deveria mesmo ser.


Anote aí: se você acabar com um monstro, ele não poderá responder a suas perguntas.

Nico também desenhava arcos com sua espada, golpeando as Queres. A lâmina absorvia a essência delas como um aspirador a vácuo, e quanto mais ele as destruía, mais frio o ar ficava ao redor. Thalia golpeou as costas de uma daímon, atravessando-a com uma de suas facas, e com a outra espetou um segundo monstro sem ao menos virar-se para trás. 

— Morra sofrendo, mortal!

Antes que eu pudesse levantar minha espada para me defender, as garras de uma daímon rasparam em meu ombro. Se eu estivesse usando uma armadura, tudo bem, mas ainda estava com meu uniforme da escola. As garras da coisa abriram um corte na minha camisa e rasgaram minha pele. Todo o meu lado esquerdo pareceu explodir em dor.

Nico chutou o monstro para longe e o apunhalou. Tudo o que pude fazer foi cair e me encolher, tentado resistir à terrível queimação.

O som de batalha se extinguiu. Thalia e Nico correram para o meu lado.

— Aguente firme, Percy — Thalia pediu. — Você vai ficar bem.

Mas a falha em sua voz me dizia que o ferimento era grave. Nico o tocou e eu berrei de dor.

— Néctar — disse ele. — Estou colocando néctar sobre a ferida.


WS sorriu orgulhoso, mesmo que naquela época ele e Nico nem se conhecessem direito.


Nico tirou a rolha do frasco com a bebida dos deuses e pingou um pouco pelo meu ombro. Isso era perigoso, pois apenas um gole do líquido é quase tudo o que um semideus pode suportar. Mas, imediatamente, a dor aliviou. Juntos, Nico e Thalia fizeram um curativo na ferida, e eu desmaiei somente algumas vezes.

Eu não podia saber quanto tempo se passara, mas a última coisa de que me lembro é de estar apoiado com as costas em uma rocha. Meu ombro estava enfaixado. Thalia me alimentava com pequeninos pedaços de ambrosia sabor chocolate.

— As Queres? — murmurei.

— Foram embora, por enquanto — respondeu ela. — Por um instante, você me deixou preocupada, Percy, mas acho que vai resistir.


— Que fofa.— PJ disse zoando com a prima, que deu um soco não muito forte no braço em resposta.


Nico se agachou perto de nós. Ele segurava o craveiro. A flor só tinha mais cinco pétalas.

— As Queres vão voltar — alertou. Ele olhava para o meu ombro com preocupação. — Esse ferimento... as Queres são espíritos da doença e da peste, assim como da violência. Nós podemos retardar a infecção, mas em algum momento você precisará de sérios cuidados. Quer dizer, do poder divino. Ou então...

Ele não completou o pensamento.

— Eu vou ficar bem.

Tentei me sentar e imediatamente me senti enjoado.

— Devagar — disse Thalia. — Você precisa descansar para poder se mexer depois.

— Não há tempo. — Olhei para o craveiro. — Uma das daímones mencionou Jápeto. É isso mesmo ou minha memória está falhando? Ele é um titã?

Thalia assentiu, desconfortável.

— O irmão de Cronos, pai de Atlas. Ele era conhecido como o titã do oeste. Seu nome significa “o Perfurador”, porque é isso que ele gosta de fazer com seus inimigos. Foi lançado ao Tártaro com os irmãos. Ainda deveria estar lá.


— Não. Não deveria.— PJ murmurou em tom melancólico e AC o abraçou. Ela sabia como deixar Bob e Damasen lá embaixo tinha afetado seu namorado.


— Mas e se a espada de Hades puder destrancar morte? — perguntei.

— Então talvez — continuou Nico — ela também possa evocar os condenados para fora do Tártaro. Nós não podemos deixá-los tentar isso.

— Ainda não sabemos quem eles são — lembrou Thalia.

— O meio-sangue que trabalha para Cronos — disse eu. — Possivelmente, Ethan Nakamura. E ele está começando a recrutar alguns aliados de Hades para o seu lado, como as Queres. As daímones acham que, se Cronos vencer a guerra, eles terão caos e maldade além do combinado.

— E provavelmente estão certos — disse Nico. — Meu pai tenta manter o equilíbrio. Ele reina sobre os espíritos mais violentos. Se Cronos escalar um de seus irmãos para ser o senhor do Mundo Inferior...


— Isso não seria bom. Nada bom.— Hades disse pensando no futuro de seu reino.


— Como esse Jápeto — completei.

— ...então o Mundo Inferior vai ficar bem pior — continuou Nico. — As Queres gostariam disso. E Melinoe também.

— Você ainda não nos disse quem é Melinoe.

Nico mordeu o lábio.

— É a deusa dos fantasmas... uma das servas do meu pai. Ela controla os mortos que vagam sem descanso pela Terra. Todas as noites ela ascende do Mundo Inferior para aterrorizar mortais.

— Ela tem seu próprio caminho para o mundo, lá em cima?

Nico assentiu.

— Duvido que possa ter sido bloqueado. Normalmente, ninguém nunca pensaria em atravessar sua caverna. Mas se esse semideus for corajoso o suficiente para fazer um acordo com ela...


Todos olharam para Ethan, que quase se encolheu no lugar, mas conseguiu manter-se firme.


— Ele poderá voltar ao mundo — emendou Thalia — e levar a espada a Cronos.

— Que a usaria para tirar seus irmãos do Tártaro. E nós teríamos um grande problema — concluí.

Tentei ficar em pé. Uma onda de enjoo quase me fez desmaiar, mas Thalia me amparou.

— Percy — começou ela —, você não está em condições...


— Não adianta.— AC declarou.— Ele vai de qualquer jeito.


PJ sorriu para sua namorada e deu um beijo no topo da cabeça dela.


— Tenho de estar. — Observei enquanto mais uma pétala murchava e caía do cravo. Faltavam quatro para o fim dos dias. — Me dê a planta. Temos de encontrar a caverna de Melinoe.

Enquanto caminhávamos tentei pensar em coisas positivas: meus jogadores de basquete favoritos, minha última conversa com Annabeth, 


Sorrisos, principalmente por parte de Afrodite e seus filhos, rodaram o anfiteatro enquanto Percy e Annabeth coravam e PJ e AC nem sequer se importaram.


o que minha mãe faria para o jantar de Natal — qualquer coisa menos a dor. Mesmo assim, eu sentia como se um tigre-dentes-de-sabre estivesse mastigando meu ombro. Eu não ia ser muito útil numa luta, e me amaldiçoava por ter baixado a guarda. Nunca deveria ter sido ferido. Agora Thalia e Nico teriam de rebocar meu traseiro inútil pelo restante da missão.

Eu estava tão ocupado me lamentando que não notei o som de água em movimento até Nico dizer “Oh-oh”.

Cerca de quinze metros à nossa frente, um rio escuro corria com violência por uma garganta de rocha vulcânica. Eu já tinha visto o Estige, e este não parecia o mesmo rio. Era estreito, a correnteza, veloz. A água era negra como nanquim. Até a fumaça produzida era negra. A margem oposta mais distante estava apenas a nove metros, muito longe para saltarmos, e não havia ponte.

— O Rio Lete — Nico amaldiçoou em grego antigo. — Nunca vamos atravessá-lo.


— Tem um jeito. Não vai ser fácil, mas vai funcionar.— Poseidon comentou. Sabia que seu filho poderia controlar aquele rio, mas ele não lhe daria forças, apenas retiraria.


A flor apontava para o outro lado: na direção de uma montanha obscura e de um caminho para a caverna. Além da montanha, os muros do Mundo Inferior assomavam como um céu de granito negro. Eu não imaginara que o Mundo Inferior pudesse ter uma fronteira, mas era o que aqueles muros pareciam ser.

— Tem de haver um meio de atravessá-lo — falei.

Thalia se ajoelhou próximo à margem.

— Cuidado! — alertou Nico. — Esse é o Rio do Esquecimento. Se uma gota da água respingar, você começará a esquecer quem é.

Thalia recuou.

— Conheço esse lugar. Luke me falou dele uma vez. As almas vêm aqui quando escolhem renascer, para esquecer totalmente suas vidas anteriores.

Nico assentiu.

— Nade nessa água e sua mente será apagada. Você será como um bebê recém-nascido.

Thalia estudou a margem oposta.

— Eu poderia atirar uma flecha para o outro lado, talvez ancorar uma corda em uma daquelas pedras.

— Você quer confiar seu peso a uma corda que não está amarrada? — perguntou Nico.


— Não seria uma boa ideia.— Frank comentou, tentando pensar em como eles poderiam atravessar.


Thalia levantou as sobrancelhas.

— Tem razão. Funciona nos filmes, mas... não. Você pode evocar alguns mortos para nos ajudarem?

— Eu poderia, mas eles só apareceriam no meu lado do rio. Água corrente age como uma barreira para os mortos. Eles não podem atravessá-la. 

Eu me encolhi.

— Que tipo de regra idiota é essa?

— Ei, eu não inventei isso. — Ele estudou meu rosto. — Você está horrível, Percy. Deveria se sentar.

— Não posso. Vocês precisam de mim para isso.

— Para quê? — perguntou Thalia. — Você mal consegue ficar em pé.

— É água, não é? Vou ter de controlá-la. Talvez eu possa mudar seu curso tempo suficiente para

que a gente consiga atravessar.

— Nas suas condições? — disse Nico. — De jeito nenhum. Eu me sentiria mais seguro com a ideia da flecha.


— Valeu pela confiança.— Percy e PJ resmungaram ao mesmo tempo.


Nico apenas deu de ombros em resposta. Ele dizia apenas verdades.


Cambaleei até a beira do rio.

Eu não sabia se conseguiria fazer aquilo. Eu era filho de Poseidon, então controlar água salgada não era problema. Rios comuns... talvez, se os espíritos do rio quisessem cooperar. Mas rios mágicos do Mundo Inferior? Eu não tinha ideia.


— Você pode controlá-los também.— AC disse em tom melancólico. Ela se lembrava bem de como ele podia controlar aqueles rios.


— Afastem-se — pedi.

Eu me concentrei na correnteza: a barulhenta água negra que passava com velocidade. Eu a imaginei como parte do meu corpo. Poderia controlar o fluxo, fazê-lo atender à minha vontade.

Não tinha certeza, mas achei que a água batia e borbulhava com mais violência, como se pudesse sentir minha presença. Eu sabia que não conseguiria parar todo o rio de uma só vez. A água represada inundaria o vale todo, explodindo em nossa direção assim que eu a liberasse. Mas havia outra solução.

— Isso não vai ser fácil — murmurei.

Ergui meus braços como se levantasse alguma coisa acima da minha cabeça. Meu ombro ferido queimou como lava, mas tentei ignorá-lo.

O rio se ergueu. A correnteza elevando-se das margens formava um grande arco. Era um barulhento arco de água negra de seis metros de altura. O leito do rio à nossa frente se tornou lodo seco, um túnel no meio da água apenas largo o suficiente para duas pessoas caminharem lado a lado.

Thalia e Nico me encararam maravilhados.

— Vão. Não vou conseguir sustentar isso por muito tempo.

Pontos amarelos dançavam em frente aos meus olhos. Meu ombro ferido quase gritava de dor. Thalia e Nico caminharam com dificuldade para o leito do rio e seguiram em frente pelo lodo pegajoso.

Nem uma única gota. Não posso deixar que nem uma única gota d’água respingue neles.

O Rio Lete lutou comigo. Ele não queria ser arrancado de suas margens. Queria despencar sobre meus amigos, apagar suas mentes e afogá-los. Mas sustentei o arco.

Thalia, do outro lado, subiu para a margem e se voltou para ajudar Nico.

— Venha, Percy! — chamou ela. — Ande!

Meus joelhos vibravam. Meus braços tremiam. Dei um passo à frente e quase caí. O arco de água estremeceu.

— Não posso! — gritei de volta.

— Sim, você pode! — retrucou ela. — Nós precisamos de você!

De alguma forma, consegui descer para o leito do rio. Um passo, depois outro. Acima, a água.

Minhas botas chapinhavam no lodo.

Na metade do caminho, eu tropecei. Ouvi Thalia gritar “Não!”. E perdi minha concentração. Enquanto o Rio Lete desabava sobre mim, tive tempo para um último e desesperado pensamento:

Seco.

Ouvi o bramido e senti o impacto de toneladas de água à medida que o rio retomava seu curso natural. Mas...

Abri os olhos. Eu estava envolto em escuridão, mas continuava completamente seco. 


— Você não perdeu sua memória por muito pouco.— Perséfone comentou.— Não que tenha durado por muito tempo.


— Nem me lembre.— PJ respondeu fazendo uma careta, e deixando os do passado muito confusos.


Uma camada de ar me cobria como uma segunda pele, protegendo-me da água. Eu me esforcei para ficar de pé. Mesmo esse pequeno esforço para ficar seco — algo que já fiz muitas vezes em águas normais — foi quase mais do que eu podia aguentar. Avancei com dificuldade pela correnteza negra, cego e duas vezes mais dolorido.

Subi para a margem do Lete, surpreendendo Thalia e Nico, que pularam um bom metro para trás. Cambaleei para a frente, caí diante de meus amigos e desmaiei, gelado.

O gosto do néctar me fez despertar. Meu ombro parecia melhor, mas havia um zumbido desconfortável em meus ouvidos. Meus olhos ardiam como se eu estivesse com febre.

— Não podemos arriscar com mais néctar — Thalia dizia. — Ele vai explodir em chamas.

— Percy — chamou Nico. — Você pode me ouvir?

— Chamas — murmurei. — Entendi.

Eu me sentei devagar. Meu ombro tinha novas bandagens. Ainda doía, mas eu podia ficar de pé. 

— Estamos perto — disse Nico. — Você consegue andar?

A montanha assomava acima de nós. Uma trilha de poeira se insinuava por uns trinta metros até a entrada de uma caverna. O caminho era pavimentado com ossos humanos, para dar um clima aconchegante.

— Estou pronto — disse eu.

— Não gosto disso — resmungou Thalia.


— Ninguém gosta.— Nia declarou nervosa, temendo onde tudo aquilo daria.


Ela segurava com cuidado o craveiro, que apontava na direção da caverna. A flor tinha agora duas pétalas, como se fossem duas tristes orelhas de coelho.

— Uma caverna assustadora — comentei. — A deusa dos fantasmas. Dá para piorar?


— Sempre.— os do futuro disseram sem emoção alguma em suas vozes.


Em uma espécie de resposta, o som de um assobio ecoou da montanha. Uma névoa branca veio da caverna, como se alguém tivesse ligado uma máquina de gelo seco.

Na neblina, uma imagem apareceu: uma mulher alta com cabelos louros e desgrenhados. Ela vestia um roupão de banho e tinha uma taça de vinho na mão. Seu rosto era severo e desaprovador. Eu podia enxergar através dela, então sabia que era algum tipo de espírito, mas sua voz soava bastante real.


— Melione.— Hades e Perséfone resmungaram.


— Agora você volta — rosnou ela. — Bom, é tarde demais! 

Olhei para Nico.

— Melinoe? — sussurrei.

Ele não respondeu. Estava estático, encarando o espírito. Thalia baixou o arco.

— Mãe? — Seus olhos se encheram de água. De repente, ela parecia ter uns sete anos.

O espírito jogou no chão a taça de vinho, que se estilhaçou e desapareceu na neblina.

— Isso mesmo, menina. Condenada a vagar pela Terra, e isso é culpa sua! Onde você estava quando eu morri? Por que fugiu quando precisei de você? 

— Eu... eu...

— Thalia — chamei —, ela é apenas um fantasma. Não pode machucar você. 

— Sou mais que isso — rosnou o espírito. — Thalia sabe.

— Mas... você me abandonou — Thalia argumentou.

— Menina desprezível! Fugitiva ingrata!

— Pare! — Nico deu um passo à frente com a espada desembainhada, mas o espírito mudou de forma e o encarou.

Este fantasma era mais difícil de enxergar. Era uma mulher em um vestido de veludo negro fora de moda, com um chapéu combinando. Usava colar de pérolas e luvas brancas, e seus cabelos escuros estavam presos para trás.

Nico parou onde estava.

— Não...

— Meu filho — disse o fantasma. — Morri quando você era tão pequeno. Eu assombro o mundo com pesar, pensando em você e em sua irmã. 


Hades lançou um olhar irritado para Zeus, mesmo sabendo que aquela não era Maria Di Ângelo. E Perséfone revirou os olhos.


— Mamãe?

— Não, é minha mãe — murmurou Thalia, como se ela ainda visse a primeira imagem.

Meus amigos estavam indefesos. A neblina começou a ficar espessa em volta de seus pés, enrolando-se em suas pernas como se fosse uma videira. As cores pareciam sumir de suas roupas e do rosto, como se eles também virassem sombras.

— Chega — disse eu, mas minha voz mal saiu. Apesar da dor, levantei minha espada e andei em direção ao fantasma. — Você não é mãe de ninguém!

O fantasma se virou para mim. A imagem tremeluziu e eu vi a deusa em sua verdadeira forma.

Você poderia pensar que depois de algum tempo eu não fosse mais me apavorar com a aparência dos monstros gregos, mas Melinoe me pegou de surpresa. Sua metade direita era pálida, da cor do giz branco, como se tivessem drenado todo o seu sangue. A metade esquerda era negra como piche e sem vida, parecia uma pele de múmia. Ela usava vestido e véu dourados. Seus olhos eram órbitas negras, vazias, e quando eu olhei lá dentro tive a sensação de ver minha própria morte. 

— Onde estão seus fantasmas? — quis saber ela, irritada.

— Meus... eu não sei. Não tenho nenhum.

Ela reclamou.

— Todo o mundo tem fantasmas... Mortes que você lamenta. Culpa. Medo. Por que não consigo ver os seus?

Thalia e Nico ainda estavam hipnotizados, encarando a deusa como se ela fosse a mãe que há muito eles perderam. Pensei em outros amigos que eu tinha visto morrer: Bianca di Angelo, Zoë Doce- Amarga, Lee Fletcher, para citar alguns.

— Estou em paz com eles — respondi. — Fizeram a passagem. Não são fantasmas. Agora, liberte meus amigos!


— Impressionante. É preciso muito para ficar em paz com seus fantasmas.— Hades comentou.— Mas sinto que talvez isso tenha mudado.


PJ assumiu um olhar sombrio. Sim, ele tinha novos fantasmas depois da guerra. Ele sentia culpa por ter deixado tantos morrerem, mas não era isso. Ele sentia-se culpado por aqueles que ele abandonou, Bob, Damasen… eles não mereciam o destino que tiveram. PJ sentia-se culpado por ter deixado as coisas chegarem ao ponto de Annabeth começar a cair naquele abismo para começo de conversa. Sentia medo do poder que tinha dentro de si, que fora capaz de assustar sua própria namorada.


PJ tinha muitos fantasmas, mas como ele estava em relação a eles? Talvez não em paz, mas ele conseguia seguir em frente, na medida do possível.


— Eu aprendo com meus fantasmas.— foi a resposta que ele deu a Hades.


Ataquei Melinoe com minha espada. Ela se afastou rápido, rosnando de frustração. A neblina ao redor de Thalia e Nico se dissipou. Eles olhavam para a deusa e piscavam como se só agora vissem quanto ela era medonha.

— O que é isso? — Thalia quis saber. — Onde...

— Era um truque — Nico respondeu. — Ela nos enganou.

— Vocês estão muito atrasados, semideuses — informou Melinoe. Outra pétala caiu do craveiro, restando apenas uma. — O acordo foi feito.

— Que acordo? — perguntei.

Melinoe sibilou e eu entendi que essa era a sua maneira de rir.

— São tantos fantasmas, meu jovem semideus. Eles desejam ser livres. Quando Cronos comandar o mundo, estarei livre para andar entre os mortais durante o dia e a noite, semeando o terror como eles merecem.

— Onde está a espada de Hades? — insisti. — Onde está Ethan?

— Perto daqui — assegurou ela. — Não deterei vocês. Não será preciso. Em breve, Percy Jackson, você terá muitos fantasmas. E se lembrará de mim.

Thalia armou uma flecha e mirou na deusa.

— Se você abrir uma passagem para o mundo, acha mesmo que Cronos vai recompensá-la? Ele vai lançá-la no Tártaro com o restante dos servos de Hades.

Melinoe mostrou os dentes.

— Sua mãe estava certa, Thalia. Você é uma menina cheia de raiva. Boa em fugir. Nada além disso.

A flecha voou, mas, assim que tocou em Melinoe, dissolveu-se em neblina, deixando para trás apenas o silvo de sua risada. A flecha atingiu as rochas e se partiu, inofensiva.

— Fantasma idiota — resmungou Thalia.

Eu podia jurar que ela estava realmente abalada. Os olhos pareciam avermelhados. As mãos tremiam. Nico também estava impressionado, como se tivesse sofrido uma grande desilusão.

— O ladrão... — ele conseguiu dizer. — Provavelmente está na caverna. Precisamos detê-lo antes que...

Naquele instante, a última pétala do cravo caiu. A flor ficou preta e murcha. 

— Tarde demais — disse eu.

Uma gargalhada masculina ecoou da montanha.

— Está certo quanto a isso — rugiu a voz.

Na boca da caverna estavam duas pessoas: um garoto com tapa-olho e um homem de três metros vestido com um esfarrapado macacão de prisioneiro. O garoto eu reconheci: era Ethan Nakamura, filho de Nêmesis. Tinha nas mãos uma espada inacabada, uma lâmina dupla de ferro estígio negro com desenhos de esqueletos gravados em prata. Ela não tinha guarda, mas na base da lâmina havia uma chave dourada, exatamente como a que eu vira na imagem de Perséfone.

O homem gigante ao lado dele tinha olhos inteiramente prateados. Seu rosto era coberto por uma barba falhada e seus cabelos grisalhos eram completamente bagunçados. Ele parecia magro e cansado em suas roupas rasgadas, como se tivesse passado os últimos milênios no fundo de um abismo, e mesmo nesse estado debilitado parecia bastante assustador. Ele estendeu a mão e uma lança gigante apareceu.


PJ e AC não puderam deixar de sorrir tristemente. Sentiam falta de Bob.


Lembrei o que Thalia dissera sobre Jápeto: Seu nome significa “o Perfurador” porque é isso que ele gosta de fazer com os inimigos.

O titã sorriu cruelmente.

— E agora vou destruir vocês.

— Mestre! — interrompeu Ethan. Ele estava vestido com uniforme de combate e tinha uma mochila pendurada nas costas. Seu tapa-olho estava torto, e o rosto, sujo de ferrugem e suor. — Nós temos a espada. Devíamos...

— Sim, sim — o titã retrucou, impaciente. — Você se saiu bem, Nawaka.

— É Nakamura, mestre.

— Que seja. Tenho certeza de que meu irmão Cronos vai recompensá-lo. Mas agora temos uma matança para cumprir.

— Meu senhor — insistiu Ethan. — Seu poder não está completamente restabelecido. Devemos subir e convocar seus irmãos do mundo lá em cima. As ordens eram para fugirmos.

O titã virou-se para ele.

— FUGIR? Você disse FUGIR?

O chão retumbou. Ethan despencou sentado e arrastou-se para trás. A espada inacabada de Hades caiu sobre as pedras.

— M-m-mestre, por favor...

— JÁPETO NÃO FOGE! Esperei três eras para ser evocado do abismo. Eu quero vingança, e vou começar matando esses fracotes.

Ele apontou a lança para mim e atacou.

Se estivesse no auge da força, não tenho dúvidas de que teria me perfurado em cheio. Mesmo fraco e tendo acabado de sair do abismo, o cara era rápido. Ele se moveu como um tornado e atacou tão rapidamente que mal tive tempo de me esquivar antes que a lança se cravasse na pedra onde eu estava.

Eu me sentia muito tonto e mal podia segurar minha espada. Jápeto arrancou a lança do chão, mas quando se virou para mim, Thalia encheu seu flanco de flechas, do ombro ao joelho. Ele rugiu e se virou para ela, parecia mais irado que machucado. Ethan Nakamura tentou desembainhar sua espada, mas Nico gritou: “Melhor não.”

O chão se abriu diante de Ethan. Três esqueletos em armaduras emergiram e o atacaram, empurrando-o para trás. A espada de Hades continuava repousada nas pedras. Se eu pudesse só chegar até ela...

Jápeto golpeou com sua lança e Thalia se esquivou. Ela deixou cair o arco para desembainhar suas facas, mas não resistiria muito no combate corpo a corpo.

Nico deixou Ethan para os esqueletos e avançou na direção de Jápeto. Eu já estava à frente dele. Parecia que meu ombro ia explodir, mas me lancei contra o titã e, com um golpe de cima para baixo, cravei a lâmina de Contracorrente em sua panturrilha.

— AHHHHRRRR!

Icor dourado jorrou da ferida. Jápeto girou e o cabo de sua lança me atingiu, me atirando longe. Eu bati contra as pedras, bem ao lado do Rio Lete.


— Use o rio.— Poseidon aconselhou com uma ideia surgindo em sua mente.


— VOCÊ MORRE PRIMEIRO! — Jápeto berrou enquanto mancava na minha direção. Thalia tentou chamar a atenção dele atingindo-o com um arco elétrico produzido por suas facas, mas isso também deve ter surtido o efeito de uma picada de mosquito. Nico desferiu um golpe com sua espada, mas Jápeto o atirou para o lado sem nem olhar. — Vou matar vocês todos! Depois lançarei suas almas na escuridão eterna do Tártaro!

Eu estava vendo estrelas. Mal conseguia me mexer. Dois centímetros mais, e teria mergulhado de cabeça no rio.

O rio.


Poseidon sorriu. Seu filho estava indo pelo caminho certo.


Engoli em seco, torcendo para que minha voz ainda tivesse força.

— Você é... você é ainda mais feio que seu filho — provoquei o titã. — Posso ver de quem Atlas herdou sua estupidez.

Jápeto rangeu os dentes. Ele avançou mancando, sua lança erguida.

Eu não sabia se teria forças, mas precisava tentar. Jápeto baixou a lança e esquivei-me para o lado. A ponta fincou-se no chão, bem próximo a mim. Eu me estiquei e agarrei a gola de sua camisa, contando com o fato de que ele estava ferido e sem equilíbrio. Ele tentou manter-se de pé, mas eu o puxei para a frente com todo o peso do meu corpo. Ele cambaleou e caiu, agarrado a meus braços, em pânico, e juntos mergulhamos no Lete.

BLOOOOOM! Eu estava imerso em água negra.

Rezei a Poseidon que minha proteção não se desfizesse, e, enquanto afundava, percebi que ainda estava seco. Eu sabia meu nome. E ainda segurava o titã pela gola da camisa.

A corrente deveria tê-lo feito escapar de minhas mãos, mas, de algum modo, o rio formava um canal à minha volta, deixando-nos em paz.

Com o pouco de força que me restava, subi para a beira do rio, puxando Jápeto com meu braço bom. Nós tombamos na margem — eu perfeitamente seco e o titã pingando. Seus olhos inteiramente prateados estavam grandes feito a lua.

Thalia e Nico me observavam maravilhados. Lá na caverna, Ethan Nakamura derrubava o último esqueleto. Ele se virou e ficou paralisado ao ver seu aliado titã caído de braços abertos no chão.

— Meu... meu senhor? — chamou ele.

Jápeto se sentou e fixou o olhar em Ethan. Então, olhou para mim e sorriu. 

— Oi — disse ele. — Quem sou eu?

— Você é meu amigo — soltei. — Você é o... Bob.


— Bob? Sério?— Connor perguntou rindo e aliviando o clima tenso do anfiteatro.


— É. Bob.— PJ respondeu sorrindo tristemente.


Isso pareceu agradá-lo bastante.

— Eu sou o seu amigo Bob!

Claramente, Ethan podia ver que as coisas não estavam boas para o seu lado. Ele deu uma olhada para a espada de Hades repousada na poeira. Mas, antes que pudesse dar o bote, uma flecha de prata fincou-se no chão a seus pés.

— Nem pensar, garoto — Thalia o alertou. — Mais um passo, e eu prego seus pés nas rochas. 

Ethan correu... direto para a caverna de Melinoe. Thalia mirou suas costas, mas eu disse:

— Não. Deixe ele ir.

Ela franziu as sobrancelhas, mas baixou seu arco.

Eu não sabia por que quis poupar Ethan. Acho que já tínhamos lutado o bastante para um dia, e, na verdade, eu sentia pena dele. Ele estaria numa grande encrenca quando voltasse para falar com Cronos.


Ethan engoliu em seco, pensando nos problemas que ele teria.


Nico recolheu a espada de Hades respeitosamente. 

— Conseguimos. Nós realmente conseguimos.

— Conseguimos? — perguntou Jápeto. — Eu ajudei? 

Forcei um sorriso.

— Sim, Bob. Você se saiu muito bem.

Conseguimos uma viagem expressa para o palácio de Hades. Nico mandou um aviso, graças a alguns fantasmas que ele evocou de debaixo da terra. E em poucos minutos as Três Fúrias em pessoa chegaram para nos transportar de volta. Elas não estavam muito animadas em carregar também Bob, o titã, mas não tive coragem de deixá-lo para trás, especialmente depois que ele notou o ferimento no meu ombro, disse “Awn” e curou-o com um toque.


PJ e AC se entreolharam, lágrimas começavam a se acumular nos olhos de ambos. Eram tantas lembranças.


O garoto então passou o braço ao redor dos ombros da namorada e a puxou mais para perto.


Enfim, na hora em que chegamos à sala do trono de Hades, eu me sentia ótimo. O senhor dos mortos sentou-se em seu trono de ossos, com o olhar fixado em nós e acariciando a barba negra como se estivesse imaginando a melhor maneira de nos torturar. Perséfone sentou-se a seu lado, sem falar nada, enquanto Nico explicava nossa aventura.

Antes que lhe entregássemos a espada, insisti para que Hades fizesse o juramento de não usá-la contra os deuses. Seus olhos chamejaram como se ele quisesse me incinerar, mas finalmente ele fez a promessa, com os dentes cerrados.

Nico repousou a espada aos pés do pai e fez uma reverência, esperando por uma reação.

Hades olhou para a esposa.

— Você desafiou minhas ordens diretas.

Eu não sabia sobre o que ele estava falando, mas Perséfone não reagiu, mesmo sob seu olhar fulminante.

Hades se voltou para Nico. Seu olhar abrandou só um pouco, como se pedra fosse mais macia que aço.

— Você não vai falar sobre isso com ninguém.

— Sim, senhor — Nico concordou.

O deus lançou-me um olhar penetrante.

— E se os seus amigos não segurarem as línguas, eu vou cortá-las fora.


Zeus e Poseidon lançaram olhares cortantes a Hades, mas o deus dos mortos não reagiu.


— Como queira — falei.

Hades fixou-se na espada. Seus olhos estavam cheios de raiva e de algo mais... algo como apetite. Ele estalou os dedos. As Fúrias desceram voando do topo do seu trono.

— Devolvam a lâmina às forjas — ele disse. — Fiquem com os ferreiros até que ela esteja pronta, e então tragam-na de volta a mim.

As Fúrias subiram em círculos com a arma, e fiquei pensando quanto tempo ia levar até que eu me arrependesse daquele dia. Havia brechas em juramentos, e calculei que Hades procuraria por uma.

— Você é sábio, meu senhor — disse Perséfone.

— Se fosse sábio — rosnou ele —, eu a trancaria nos seus aposentos. Se você me desobedecer de novo...


Deméter abriu a boca para gritar com Hades por ameaçar sua filha, mas Perséfone lançou a ela um olhar que dizia claramente “não começa”.


Ele deixou a ameaça pairando no ar. Depois estalou os dedos e sumiu na escuridão.

Perséfone parecia ainda mais pálida que o normal. Levou um tempo arrumando o vestido e depois se virou para nós.

— Vocês se saíram bem, semideuses. — Ela acenou e três rosas vermelhas apareceram aos nossos pés. — Esmaguem-nas e elas os levarão de volta ao mundo dos vivos. Vocês têm a gratidão do meu senhor.

— Imagino — resmungou Thalia.

— Forjar a espada foi ideia sua — percebi. — Por isso Hades não estava lá quando você nos deu a missão. Hades não sabia que a espada tinha sumido. Ele nem sabia que ela existia.

— Absurdo — retrucou a deusa.

Nico cerrou os punhos.

— Percy está certo. Você queria que Hades forjasse uma espada. Ele disse que não. Ele sabia que era muito perigoso. Os outros deuses nunca confiariam nele. Isso afetaria o equilíbrio de poder.


Dessa vez os olhares indignados e irritados se dirigiam a Perséfone.


— Ah, me poupem.— a deusa pediu.— Vocês desprezam meu marido e o Mundo Inferior. Vocês tem armas, meu marido tem um chapéu! Por que me culpam por buscar equilíbrio?


Os deuses ficaram sem reação por um momento, e Héstia sorriu para a sobrinha.


— Ela está certa.— a deusa do lar declarou, e ninguém iria contra ela naquele momento.


— Conversaremos sobre isso depois.— Zeus disse, ou praticamente rosnou, e KG achou melhor voltar a ler antes que ele reconsiderasse.


— E aí ela foi roubada — completou Thalia. — Você trancou o Mundo Inferior, não Hades. Você não podia contar a ele o que havia acontecido. E precisava de nós para recuperar a espada antes que Hades descobrisse. Você nos usou.

Perséfone umedeceu os lábios.

— O importante é que agora Hades aceitou a espada. Ela ficará pronta e meu marido se tornará tão poderoso quanto Zeus ou Poseidon. Nosso reino estará protegido contra Cronos... ou contra qualquer outro que tente nos ameaçar.

— E nós somos responsáveis por isso — concluí, infeliz.

— Vocês foram muito úteis — Perséfone concordou. — Talvez uma recompensa pelo seu silêncio...

— Deixe a gente em paz, antes que eu a leve para o Lete e a jogue lá dentro. Bob vai me ajudar. Não é, Bob?

— Bob vai ajudar você! — concordou Jápeto alegremente.

Os olhos de Perséfone se arregalaram, e ela desapareceu em uma chuva de margaridas.

Nico, Thalia e eu nos despedimos numa sacada com vista para os Asfódelos. Bob, o titã, ficou sentado lá dentro, construindo uma casinha com ossos e rindo cada vez que ela desmoronava.

— Cuidarei dele — disse Nico. — Ele é inofensivo agora. Talvez... não sei. Talvez possamos transformá-lo em alguma coisa boa.

— Tem certeza de que quer ficar aqui? — perguntei. — Perséfone fará da sua vida um inferno. 


— Não é verdade!— Perséfone exclamou indignada, e Nico quase riu com isso. Eles tinham percorrido um longo caminho desde aquela época.


— Eu preciso — insistiu ele. — Tenho que me aproximar do meu pai. Ele precisa de um conselheiro melhor.

Não pude argumentar contra isso.

— Bom, se você precisar de alguma coisa...

— Eu chamo — prometeu ele. 

Ele apertou a mão de Thalia e a minha. Virou-se para ir embora, mas me olhou mais uma vez. 

— Percy, você esqueceu minha oferta? 


— A oferta que você convenientemente esqueceu de me contar?— AC perguntou para o namorado arqueando a sobrancelha.


— É. Basicamente.— PJ disse rápido.— Katie!


KG riu antes de voltar a ler.


Um calafrio desceu pela minha espinha.

— Ainda estou pensando no assunto.

Nico assentiu.

— Bem, quando você estiver pronto.

Depois que ele saiu, Thalia perguntou:

— Que oferta?

— Uma coisa que ele me disse no verão passado — respondi. — Uma possível maneira de enfrentar Cronos. É perigoso. E eu já vivi perigo demais num único dia. 

Thalia concordou.

— Nesse caso, ainda há tempo para o jantar? 

Não pude fazer nada além de sorrir.

— Depois de tudo isso, você está com fome?

— Ei, até os imortais precisam comer. Estou pensando em cheeseburgers na McHall’s. 

E juntos pisamos as rosas que nos levariam de volta para o mundo.


— Acabou.— KG anunciou.


— Ótimo. Agora sim vamos começar o quinto livro.— PJ anunciou, e o livro foi passado para que Perséfone lesse o primeiro capítulo.


— O Último Olimpiano


Notas Finais


Oi meio-sangues! Eu sei que o capítulo tá atrasado, mas é o seguinte: Domingo não é mais um dia de postagem que esteja funcionando para mim. Então, as postagens passaram a acontecer na SEGUNDA até segunda ordem, ok?
Comentem e favoritem por favor!!!
Até a próxima!


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