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História Semideuses Lendo o Último Olimpiano - Capítulo 5


Escrita por: BiaMBlack

Capítulo 5 - Encontro Alguns Parentes Peixes


— Encontro Alguns Parentes Peixes


Poseidon arqueou a sobrancelha. Será que seu filho ia finalmente visitar seu palácio?


Os sonhos de um meio-sangue são uma droga.


— Disso ninguém discorda.— Leo disse fazendo uma careta.


O negócio é que eles nunca são apenas sonhos. Eles têm que ser visões, presságios, e todas aquelas outras coisas místicas que fazem o meu cérebro doer.

Eu sonhei que estava em um palácio tenebroso no topo de uma montanha. Infelizmente, eu o reconheci: o palácio dos Titãs no topo do monte Ótris, também conhecido como monte Tamalpais, na Califórnia. O pavilhão principal estava aberto para a noite, cercado de escuras colunas gregas e estátuas dos Titãs. A luz de tochas brilhava contra o chão de mármore preto. No centro da sala, um gigante de armadura lutava contra o peso de um turbilhão afunilado de nuvens – Atlas, segurando o céu.

Dois outros homens gigantes estavam perto de um braseiro de bronze, estudando as imagens nas chamas.

— Foi uma explosão considerável.— disse um deles. Ele usava uma armadura negra com pontos prateados, como uma noite estrelada. Seu rosto estava coberto com um elmo de batalha com chifres de carneiro enrolados de cada lado.

— Isso não importa.— o outro respondeu. Esse titã estava vestido com uma túnica dourada, e tinha olhos dourados como Cronos. Todo seu corpo brilhava. Ele me lembrava Apolo, Deus do Sol, exceto que a luz do Titã era mais dura, e sua expressão mais cruel. 


— Não me compare com esse imbecil.— Apolo reclamou.


— Os deuses responderam ao desafio. Logo serão destruídos.

As imagens no fogo eram difíceis de decifrar: tempestades, prédios desintegrando, mortais gritando em terror.


— O que está acontecendo?— Héstia perguntou nervosa. A guerra tinha chegado a ponto de colocar os mortais em risco?


— Eu irei para o leste conduzir nossas forças.— disse o Titã dourado.— Crios, você deve ficar e guardar o Monte Ótris.

O cara com os chifres de carneiro grunhiu. — Eu sempre fico com os trabalhos idiotas. Lorde do Sul. Lorde das Constelações. Agora eu fico de babá do Atlas enquanto você fica com toda a diversão.

Debaixo do turbilhão de nuvens, Atlas berrou em agonia. 

— Deixem-me sair, malditos! Eu sou seu melhor guerreiro. Pegue meu fardo para que eu possa lutar!

— Quieto!— rosnou o Titã dourado.— Você teve sua chance, Atlas. Você fracassou. Cronos quer você onde você está. Quanto a você, Crios, cumpra com a sua obrigação.

— E se você precisar de mais guerreiros?— Crios perguntou.— Nosso traiçoeiro sobrinho de smoking não irá ajudar muito em uma luta.

O Titã dourado gargalhou. 

— Não se preocupe com ele. Além disso, os deuses mal podem aguentar nosso primeiro pequeno desafio. Eles não tem ideia de quantos outros nós temos armazenados. Marque minhas palavras: em poucos dias, o Olimpo estará em ruínas, e nós vamos nos encontrar aqui de novo para celebrar o amanhecer da Sexta Era!


— Não se a gente puder evitar.— Travis disse e os outros campistas concordaram. Se é guerra que esse Titãs querem, é guerra que eles terão.


O Titã dourado irrompeu em chamas e desapareceu.

— Oh, claro.— Crios grunhiu.— Ele pode irromper em chamas. Eu posso usar esses chifres de carneiro idiotas.

A cena mudou. Agora eu estava do lado de fora do pavilhão, escondido nas sombras de uma coluna grega. Um garoto estava perto de mim, bisbilhotando os Titãs. Ele tinha cabelos pretos e sedosos, pele pálida, e roupas negras – meu amigo Nico di Angelo, o filho de Hades.

Ele olhou direto para mim, sua expressão severa. 

— Você vê Percy?— ele sussurrou.— Você está ficando sem tempo. Você realmente acha que pode vencê-los sem o meu plano?


AC bufou, mas sabia que Nico estava certo. Eles precisavam daquele plano, por mais idiota e impulsivo que ele fosse.


Suas palavras passaram por mim tão frias quanto o fundo do oceano, e meus sonhos escureceram.

***

— Percy?— disse uma voz profunda.

Parecia que a minha cabeça havia sido colocada no micro-ondas com uma folha de alumínio. Eu abri meus olhos e vi uma figura grande como uma sombra se inclinando sobre mim.

— Beckendorf?— perguntei esperançosamente.


Subitamente todos se lembraram da explosão do capítulo anterior. Beckendorf não tinha conseguido escapar. Tinham sido tantas revelações que eles mal tinham processado esse fato ainda.


Até agora.


Silena voltou a chorar. Nyssa saiu correndo e se jogou nos braços do irmão chorando ali.


Hefesto desviou o olhar, desejando que fosse tão fácil concertar as pessoas como é concertar as máquinas.


Ao redor do anfiteatro muitos choravam. Era da morte do Beckendorf, um amigo deles, que eles estavam falando.


PJ suspirou e escondeu seu rosto na curva do pescoço da namorada, que tinha seus braços ao redor dele. Seus fantasmas podiam não o assombrar mais, mas eles ainda estavam ali.


Beckendorf parecia ser o mais calmo naquele anfiteatro. Sabia que tinha se sacrificado pelo bem maior, e não mudaria isso. Então ele apenas abraçou sua irmã e Silena até que elas se acalmassem.


Depois de um tempo, PJ respirou fundo novamente, sentindo o cheiro do shampoo de limão da namorada e se afastou dela para voltar a ler.


— Não, irmão.

Meus olhos focalizaram. Eu estava olhando para um ciclope – um rosto disforme, cabelo castanho desgrenhado, um grande olho castanho cheio de preocupação. 

— Tyson?

Meu irmão abriu um sorriso largo cheio de dentes. 

— Viva! Seu cérebro funciona!


— Isso é discutível.— Thalia comentou tentando aliviar um pouco a tensão do anfiteatro.


— Ha-ha. Muito engraçado, Cara de Pinheiro.— PJ disse revirando os olhos para a prima antes de voltar a ler.


Eu não tinha tanta certeza. Meu corpo parecia sem peso e gelado. Minha voz soava errada. Eu podia ouvir Tyson, mas era mais como se eu estivesse ouvindo vibrações dentro do meu crânio, não os sons normais.

Eu me sentei, e um lençol fino flutuou para longe. Eu estava em uma cama feita de sedosos tecidos de água marinha, em uma sala com painéis de conchas. Pérolas brilhantes do tamanho de bolas de basquete flutuavam no teto, fornecendo luz. Eu estava debaixo d’água.

Agora, sendo o filho de Poseidon e tudo, eu estava bem com isso. Eu posso respirar perfeitamente debaixo d’água, e minhas roupas nem ao menos ficam molhadas, a menos que eu quisesse. Mas ainda foi meio chocante quando um tubarão cabeça de martelo flutuou pela janela do quarto, cumprimentou-me, e então saiu calmamente pela janela oposta.

— Onde…

— No palácio do papai.— disse Tyson.


Poseidon não pode evitar um leve sorriso. Estava doido para ver qual seria a reação de seu filho.


Sob circunstâncias diferentes, eu estaria excitado. Eu nunca tinha visitado o reino de Poseidon, e estivera sonhando com isso por anos. Mas minha cabeça doía. Minha camisa ainda estava salpicada com marcas de queimaduras da explosão. Os ferimentos do meu braço e da minha perna tinham se curado – só entrar no oceano pode fazer isso por mim, dado tempo suficiente — mas eu ainda sentia como se tivesse sido pisoteado por um time de futebol de Lestrigões com chuteiras.

— Quanto tempo…

— Nós o encontramos ontem a noite,—disse Tyson.— afundando na água.

— O Princesa Andrômeda?

— Fez ca-boom.— Tyson confirmou.

— Beckendorf estava a bordo. Você o encontrou...


Nyssa e Silena ergueram as cabeças imediatamente. Um resquício de esperança ainda brilhando em seus olhos.


O rosto de Tyson escureceu. 

— Nem sinal dele. Sinto muito, irmão.

Eu olhei pela janela para a água azul profunda. Beckendorf deveria ir para a faculdade neste outono. Ele tinha uma namorada, muitos amigos, toda sua vida pela frente. Ele não podia ter partido. Talvez ele tenha conseguido sair do navio assim como eu. Talvez ele tenha pulado pela lateral... e o quê? Ele não podia sobreviver a uma queda de trinta metros até a água como eu podia. Ele não podia ter colocado distância suficiente entre ele e a explosão.

No fundo eu sabia que ele estava morto. Ele tinha se sacrificado para acabar com o Princesa Andrômeda, e eu o havia abandonado.


— Você sobreviveu. É diferente.— garantiu Beckendorf, ainda abraçando Nyssa e segurando a mão de Silena.


PJ apenas sorriu sem mostrar os dentes em resposta. Ele sentia falta do amigo.


Percy pensava que devia tentar se aproximar de Beckendorf. Ele parecia um cara legal.


Eu pensei sobre o meu sonho: os Titãs discutindo sobre a explosão como se ela não importasse, Nico di Angelo me alertando que eu jamais venceria Cronos sem seguir seu plano – uma ideia perigosa que eu estivera evitando por mais de um ano.

Uma explosão distante sacudiu o cômodo. Luz verde resplandecia do lado de fora, tornando todo o oceano tão claro quanto o meio-dia.

— O que foi isso?— perguntei.

Tyson pareceu preocupado. 

— Papai irá explicar. Venha, ele está explodindo monstros.


Poseidon ficou tenso. Isso não tava com cara de que seria bom.


O palácio poderia ter sido a coisa mais impressionante que eu já vira se ele não estivesse a ponto de ser destruído. Nós nadamos até o fim de um longo corredor e disparamos para cima em um géiser. Quando nos erguemos acima dos telhados eu fiquei sem ar – bom, se eu pudesse ficar sem ar debaixo d’água.

O palácio era tão grande quanto a cidade no monte Olimpo, com pátios enormes e abertos, jardins, e pavilhões com colunas. Os jardins eram esculpidos com colônias de coral e plantas do mar brilhantes. Vinte ou trinta construções eram feitas de conchas de haliote brancas, mas reluziam com as cores do arco-íris. Peixes e polvos entravam e saíam pelas janelas. Os caminhos eram traçados com pérolas brilhantes como luzes de natal.

O pátio principal estava cheio de guerreiros – sereianos, com rabos de peixe da cintura para baixo e corpos humanos da cintura para cima, exceto pela pele, que era azul, o que era algo que eu não sabia. Alguns estavam tratando dos feridos. Outros estavam afiando lanças e espadas. Um deles passou por nós, nadando com pressa. Seus olhos eram de um verde brilhante, como aquela coisa que colocam nos glo-sticks, e seus dentes eram como os de um tubarão. 


Poseidon xingou. Seu reino estava com sérios problemas. Ele precisava resistir ao impulso de voltar ao fundo do mar e garantir que estava tudo bem.


Eles não mostram coisas assim na Pequena Sereia.

Fora do pátio principal ficavam fortificações largas – torres, paredes, e armas de anti- cerco – mas a maior parte disso tinha sido transformada em ruínas. Outras estavam ardendo com uma luz verde que eu conhecia bem – fogo grego, que pode queimar mesmo debaixo d’água.

Além disso, o chão do oceano tinha sido engolido pela escuridão. Eu podia ver batalhas raivosas – flashes de energia, explosões, o tremeluzir do choque entre os exércitos. Um humano normal teria achado escuro demais para enxergar. Mas que droga, um humano normal teria sido esmagado pela pressão e congelado pelo frio. Mesmo os meus olhos sensitivos a calor não podiam ver exatamente o que estava acontecendo.

Na ponta do complexo do palácio, um templo com um teto de coral vermelho explodiu, mandando fogo e escombros flutuando em câmera lenta para os jardins mais distantes. Fora da escuridão acima, uma forma enorme apareceu – uma lula maior do que qualquer arranha-céu. Estava cercada por uma nuvem brilhante de poeira – pelo menos eu achei que fosse poeira, até que percebi que era um enxame de sereianos tentando atacar o monstro. A lula desceu sobre o palácio e golpeou com seus tentáculos, esmagando toda uma coluna de guerreiros. Então um arco brilhante de luz azul foi atirado do telhado de um dos prédios mais altos. A luz atingiu a lula gigante, e o monstro se dissolveu como corante na água.

— Papai.— disse Tyson, apontando para o lugar de onde o raio tinha vindo.

— Ele fez isso?— De repente eu me senti mais esperançoso. Meu pai tinha poderes inacreditáveis. Ele era o deus do mar. Ele podia lidar com esse ataque, certo? 


— Não é tão simples assim.— lamentou Poseidon preocupado.


Talvez ele me deixasse ajudar.

— Você esteve na luta?— Perguntei a Tyson com admiração.— Tipo esmagando cabeças com sua impressionante força de ciclope e tudo mais?

Tyson fez uma careta, e imediatamente eu soube que tinha feito uma pergunta ruim. — Eu estive... consertando armas.— ele murmurou.— Venha. Vamos encontrar o papai.

***

Eu sei que isso pode soar estranho para as pessoas com, tipo, pais normais, mas eu só tinha visto meu pai quatro ou cinco vezes na minha vida, e nunca por mais do que alguns minutos. 


— Já é mais que a maioria de nós.— comentou Nia, e os campistas concordaram cabisbaixos.


Os deuses tiveram a decência de parecerem envergonhados.


Os deuses gregos não costumam aparecer para ver os jogos de basquete de seus filhos. Ainda assim, eu pensei que reconheceria Poseidon de cara.

Eu estava errado.

O teto do templo era um deque grande e aberto que tinha sido colocado como centro de comando. Um mosaico no chão mostrava um mapa exato das terras do palácio e do oceano em volta, mas o mosaico se mexia. Azulejos de pedra colorida representando os diferentes exércitos e monstros marinhos mudavam de lugar conforme as forças mudavam de posição. Construções que desmoronavam na vida real também desmoronavam no quadro.

De pé ao lado do mosaico, estudando seriamente a batalha, estava uma estranha seleção de guerreiros, mas nenhum deles parecia com o meu pai. Eu estava procurando por um cara grande com um bronzeado e uma barba preta, usando bermudas e camisa havaiana. Não havia ninguém assim. Um cara era um sereiano com duas caudas ao invés de uma. Sua pele era verde, sua armadura cravejada de pérolas. Seu cabelo preto estava amarrado em um rabo-de-cavalo, e ele parecia ser jovem – apesar de ser difícil dizer com não-humanos. 


— Tritão.— concluiu Poseidon, estranhando a cara que PJ fez.


Eles podiam ter uma centena de anos ou três. A seu lado estava um velho com uma barba branca espessa e cabelos cinza. Sua armadura de batalha parecia pesar sobre ele. Ele tinha olhos verdes e rugas de sorriso ao redor, mas ele não estava sorrindo agora. Estava estudando o mapa e se apoiando em um grande bastão de metal. A sua direita estava uma linda mulher em armadura verde com leves cabelos negros e chifres estranhos como garras de caranguejo. E havia um golfinho – apenas um golfinho normal, mas estava olhando intensamente para o mapa.

— Delfim.— disse o velho.— Mande Palaemon e sua legião de tubarões para a frente ocidental. Nós temos que neutralizar aqueles leviatãs.

O golfinho falou em uma voz estranha, mas pude entender em minha mente: Sim, lorde! Ele foi embora rapidamente.

Eu olhei com receio para Tyson, depois de novo para o velho homem.

Não parecia possível, mas... 

— Pai?— perguntei.

O velho homem olhou para cima. Eu reconheci o brilho em seus olhos, mas seu rosto... ele parecia ter envelhecido quarenta anos.

— Olá, Percy.

— O que… o que aconteceu com você?


— Muito delicado.— Hazel disse revirando os olhos para o primo, que sorriu para ela.


Tyson me cutucou. Ele estava sacudindo a cabeça com tanta força que eu tive medo que ela fosse cair, mas Poseidon não pareceu ofendido.

— Está tudo bem, Tyson.— ele disse.— Percy, desculpe a minha aparência. A guerra tem sido dura para mim.

— Mas você é imortal.— eu disse em voz baixa.— Você pode aparentar... da forma que você quiser.


— Não é tão simples. Ainda estamos conectados a nossos reinos e refletimos eles.— Hades explica dando de ombros.


— Eu retrato o estado do meu reino.— ele disse.— E neste momento esse estado é bem severo. Percy, eu deveria apresentá-lo – receio que tenha acabado de perder meu tenente Delfim, Deus dos Golfinhos. Esta é minha, hã, esposa, Anfitrite. Minha querida…

A mulher na armadura verde olhou friamente para mim, depois cruzou os braços e disse:

— Com licença, meu lorde. Eu sou necessária na batalha.

Ela nadou para longe.


Poseidon suspirou negando com a cabeça. Anfitrite podia ser difícil de lidar quando se tratava de suas… crias meio-sangue.


Eu me senti bem estranho, mas acho que não podia culpá-la. Eu nunca tinha pensado muito nisso, mas meu pai tinha uma esposa imortal. Todos os seus romances com mortais, incluindo a minha mãe... bem, Anfitrite provavelmente não gostava muito disso.


— Ninguém gosta.— Perséfone disse soltando sua indireta.


— Você fala como se não tivesse seus próprios casos.— Hades resmungou em resposta.


Nico disfarçou a risada em uma tosse, recebendo um olhar de sua madrasta, embora ela segurasse um sorriso.


— Você não se meta, mocinho.


— Eu nem sonharia nisso.— garantiu Nico sorrindo levemente para a madrasta.


Poseidon limpou a garganta. 

— Sim, bem... e este é meu filho Tritão. Hã, meu outro filho.

— Seu filho e herdeiro.— o cara verde corrigiu. Sua calda de peixe dupla açoitava para frente e para trás. Ele sorriu para mim, mas não havia amizade em seus olhos.— Olá, Perseu Jackson. Veio ajudar, finalmente?

Ele agiu como se eu estivesse atrasado ou fosse preguiçoso. Se fosse possível corar debaixo d’água, eu provavelmente teria feito.

— Me diga o que fazer.— falei.


— Volte para a superfície e lute aqui.— Poseidon respondeu. Por mais que quisesse seu filho lutando ao seu lado, sabia que ele era mais necessário na superfície.


Tritão sorriu como se essa fosse uma sugestão fofa – como se eu fosse um cachorro ligeiramente divertido que havia latido pra ele ou algo assim. Ele se voltou para Poseidon. 

— Eu irei para a linha de frente, Pai. Não se preocupe. Eu não falharei.

Ele assentiu educadamente para Tyson. Por que eu não ganhava esse tipo de respeito? Então ele disparou pela água.


— É. Tritão pode ser meio… ciumento.— Poseidon disse meio constrangido.


— Não me diga.— PJ resmungou revirando os olhos antes de voltar a ler.


Poseidon suspirou. Ele ergueu seu bastão, e ele se transformou em sua arma usual – um enorme tridente. As pontas brilhavam com uma luz azul, e a água a seu redor fervia com a energia.

— Eu sinto muito por isso.— ele me disse.

Uma gigantesca serpente do mar apareceu acima de nós e começou a descer em espirais até o telhado. Era laranja brilhante, com uma boca com presas grande o suficiente para engolir um ginásio.

Mal olhando para cima, Poseidon apontou seu tridente para a fera e atirou energia azul. Ca-boom! O monstro explodiu em um milhão de peixes dourados, os quais nadaram todos para longe aterrorizados.

— Minha família está ansiosa.— Poseidon continuou como se nada tivesse acontecido.— A batalha contra Oceanus está indo mal.

Ele apontou para a borda do mosaico. Com a ponta de seu tridente ele tocou a imagem de um sereiano maior do que os outros, com chifres de touro. Ele parecia estar dirigindo uma carruagem puxada por lagostas, e ao invés de uma espada ele bradava uma serpente viva.

— Oceanus.— eu disse, tentando me lembrar.— O titã do mar?


— Ele decidiu tomar partido então.— o deus do mar lamentou. As coisas não estavam nada boas.


Poseidon assentiu. 

— Ele ficou neutro na primeira guerra entre deuses e titãs. Mas Cronos o convenceu a lutar. Isso é... bem, não é um bom sinal. Oceanus não se comprometeria a menos que tivesse certeza de que poderia escolher o lado vencedor.

— Ele parece ser estúpido.— eu disse, tentando soar otimista.— Quero dizer, quem luta com uma cobra?


— Não o subestime, garoto.— alertou Ártemis, e as duas versões de Percy assentiram.


— Papai vai dar nós nela.— disse Tyson firmemente.

Poseidon sorriu, mas ele parecia fatigado. — Eu aprecio sua fé. Nós estamos em guerra há quase um ano agora. Meus poderes estão sobrecarregados. E ele ainda consegue novas forças para jogar contra mim – monstros marinhos tão antigos que eu tinha me esquecido deles.

Eu ouvi uma explosão à distância. A mais ou menos oitocentos metros, uma montanha de coral se desintegrou debaixo do peso de duas criaturas gigantes. Eu podia ver suas formas vagamente. Um era uma lagosta. O outro era um humanóide gigante como os ciclopes, mas ele estava cercado por uma agitação de membros. A princípio pensei que ele estivesse usando um monte de polvos gigantes, mas então percebi que eram seus próprios braços – uma centena de braços trabalhando, lutando.

— Briares!— falei.

Eu estava feliz em vê-lo, mas ele parecia estar lutando pela própria vida. Ele era o último do seu tipo – O de Cem-Mãos, primo dos ciclopes. Nós o tínhamos salvado da prisão de Cronos no último verão, e eu sabia que ele tinha vindo ajudar Poseidon, mas não ouvira falar dele desde então.

— Ele luta bem.— disse Poseidon.— Eu queria ter todo um exército como ele, mas ele é o único.

Eu observei enquanto Briares rugia com raiva e apanhava a lagosta, que lutava e batia suas pinças. Ele a jogou da montanha de coral, e a lagosta desapareceu na escuridão. Briares nadou atrás dela, seus cem braços girando como as pás de um barco a motor. 

— Percy, nós não temos muito tempo.— meu pai disse.— Conte-me sobre a sua missão. Você viu Cronos?

Eu contei tudo a ele, apesar da minha voz ter tremido quando expliquei sobre Beckendorf. Eu olhei para os pátios abaixo e vi centenas de sereianos feridos deitados em leitos improvisados. Eu vi filas de corais que tinham virado sepulturas de forma apressada. Eu percebi que Beckendorf não era a primeira morte. Ele era apenas um de centenas, talvez milhares. Eu jamais havia me sentido tão zangado e desamparado antes. 


AC apoiou a cabeça no ombro do namorado, observando o livro junto com ele. Podia parecer algo simples, mas PJ achava mais fácil continuar lendo, sabendo que ela estava ali com ele.


Poseidon mexeu em sua barba. 

— Percy, Beckendorf escolheu uma morte heróica. Você não tem culpa disso. O exército de Cronos ficará em desordem. Muitos foram destruídos.

— Mas nós não o matamos, matamos?

Enquanto dizia isso, eu sabia que era uma esperança ingênua. Nós podíamos explodir seu navio e desintegrar seus monstros, mas um Lorde Titã não seria tão fácil de matar. 

— Não.— Poseidon admitiu.— Mas você conseguiu algum tempo para o nosso lado.

— Havia meio-sangues naquele navio.— eu disse, pensando no garoto que eu vira nas escadas. De alguma forma eu tinha conseguido me concentrar só nos monstros e em Cronos. Eu me convenci que não tinha problema em destruir aquele navio porque eles eram maus, eles estavam navegando para atacar minha cidade e, além do mais, eles não poderiam ser mortos permanentemente. Monstros só eram vaporizados e se reformavam eventualmente. Mas meio-sangues...

Poseidon colocou sua mão em meu ombro. 

— Percy, só havia alguns poucos guerreiros meio-sangues naquele navio, e todos eles escolheram lutar por Cronos. Talvez alguns tenham escutado seu aviso e escaparam. Se não fizeram isso... escolheram seu próprio caminho.

— Eles sofreram lavagem cerebral!— falei.— Agora eles estão mortos e Cronos ainda está vivo. Isso deveria fazer com que eu me sentisse melhor?


Luke engoliu em seco. Sabia que aquelas mortes não estavam nas mãos de Percy, e sim nas suas.


Eu encarei o mosaico – pequenas explosões de azulejo destruindo monstros de azulejo. Parecia tão fácil quando era só uma figura.

Tyson pôs seu braço a minha volta. Se qualquer outra pessoa tivesse tentado isso, eu a teria empurrado, mas Tyson era grande e teimoso demais. Ele me abraçava quer eu quisesse, quer não. 


— Me afastaria também?— AC perguntou baixinho para o namorado.


— Não.— PJ respondeu no mesmo tom.— Nunca.


— Não foi sua culpa, irmão. Cronos não explode bem. Da próxima vez vamos usar um bastão grande.

— Percy.— meu pai disse.— O sacrifício de Beckendorf não foi em vão. Você dispersou a força de invasão. Nova York ficará segura por um tempo, o que libera os outros olimpianos para lidarem com a ameaça maior.

— Ameaça maior?— pensei no que o Titã dourado dissera em meu sonho: Os deuses responderam ao desafio. Logo eles serão destruídos.

Uma sombra passou pelo rosto do meu pai. 

— Você teve tristeza suficiente por um dia. Pergunte a Quíron quando voltar ao acampamento.

— Voltar ao acampamento? Mas você está com problemas aqui. Eu quero ajudar!

— Você não pode, Percy. Seu trabalho é em outro lugar.

Eu não pude acreditar que estava ouvindo isso. Eu olhei para Tyson por apoio.

Meu irmão mordeu o lábio. 

— Papai... Percy pode lutar com uma espada. Ele é bom.

— Eu sei disso.— disse Poseidon gentilmente.

— Pai, eu posso ajudar.— falei.— Eu sei que posso. Você não vai aguentar por muito mais tempo.

Uma bola de fogo foi lançada pelo céu por trás das linhas inimigas. Eu pensei que Poseidon iria desviá-la ou algo assim, mas ela pousou no canto mais afastado do jardim e explodiu, mandando sereianos dando cambalhotas pela água. Poseidon estremeceu como se tivesse acabado de ser esfaqueado.

— Volte ao acampamento.— ele insistiu.— E diga a Quíron que está na hora.


Quíron suspirou. Estava na hora de contar a outro de seus alunos uma profecia terrível. Uma das piores partes de seu emprego.


— De quê?

— Você deve ouvir a profecia. A profecia completa.

Eu não precisava perguntar a ele qual profecia. Eu estivera ouvindo sobre a “Grande Profecia” por anos, mas ninguém nunca me contava a coisa toda. Tudo que eu sabia era que eu deveria tomar uma decisão que decidiria o destino do mundo – mas sem pressão. 

— E se essa for a decisão?— eu disse.— Ficar aqui para lutar, ou ir embora? E se eu partir e você...

Eu não podia dizer morrer. Deuses não deveriam morrer, mas eu já vira isso acontecer. Mesmo se eles não morressem, eles podiam ser reduzidos a quase nada, exilados, aprisionados nas profundezas do Tártaro como Cronos tinha sido.

— Percy, você deve ir.— Poseidon insistiu.— Eu não sei qual será sua decisão final, mas sua luta está no mundo acima. Se por nada mais, você deve ao menos alertar seus amigos no acampamento. Cronos conhecia seus planos. Vocês têm um espião. Nós vamos aguentar aqui. Não tempos opção.

Tyson agarrou minha mão desesperadamente. 

— Sentirei sua falta, irmão!

Olhando para nós, nosso pai pareceu envelhecer outros dez anos. 

— Tyson, você também tem trabalho a fazer, meu filho. Eles precisam de você no arsenal.

Tyson fez outra careta.

— Eu vou.— ele fungou. Ele me abraçou com tanta força que quase quebrou minhas costelas.— Percy, tome cuidado! Não deixe que os monstros te matem e deixem você morto!

Eu tentei assentir confiante, mas isso era demais para o grandão. Ele soluçou e nadou para longe em direção ao arsenal, onde seus primos estavam consertando lanças e espadas.

— Você deveria deixá-lo lutar.— eu disse a meu pai. 


— Deveria mesmo. Aquele ciclope é incrível.— CLR garantiu com a autoridade de quem sabe do que está falando.


— Ele odeia ficar preso no arsenal. Você não percebe?

Poseidon sacudiu a cabeça. 

— Já é ruim o suficiente eu ter que mandar você para o perigo. Tyson é jovem demais. Eu devo protegê-lo.

— Você deveria confiar nele.— falei.— Não tentar protegê-lo.

Os olhos de Poseidon chamejaram. Pensei que tinha ido longe demais, mas então ele olhou para o mosaico e seus ombros caíram. Nos azulejos, o cara sereiano na carruagem de lagosta estava se aproximando do palácio.

— Oceanus se aproxima...— meu pai disse.— Eu devo encontrá-lo em batalha.

Eu nunca tive medo por um deus antes, mas eu não podia ver como meu pai poderia enfrentar esse Titã e vencer.

— Eu aguentarei.— Poseidon prometeu.— Não desistirei de meu reino. Apenas me diga, Percy, você ainda tem o presente de aniversário que lhe dei no verão passado?

Eu assenti e puxei meu colar do acampamento. Ele tinha uma conta para cada verão em que estive no acampamento meio-sangue, mas desde o verão passado eu também mantinha um dólar de areia no cordão. Meu pai me dera de presente de aniversário de quinze anos. Ele me disse que eu saberia quando “gastá-lo”, mas até agora eu não tinha entendido o que ele quis dizer. Tudo o que eu sabia é que não entrava nas máquinas da cantina da escola.


— Eu prefiro nem perguntar.— Rachel disse negando com a cabeça, e PJ apenas deu de ombros em resposta.


— A hora está chegando.— ele prometeu.— Com alguma sorte, eu o verei no seu aniversário semana que vem, e nós faremos uma celebração apropriada.

Ele sorriu, e por um momento eu vi a antiga luz em seus olhos.

Então o mar inteiro ficou escuro a nossa frente, como se uma tempestade de tinta estivesse passando. Um trovão crepitou, o que deveria ser impossível debaixo d’água. Uma enorme presença fria estava se aproximando. Eu senti uma onda de medo passar pelos exércitos abaixo de nós.

— Eu devo assumir minha forma real de deus.— disse Poseidon.— Vá… e boa sorte, meu filho.

Eu queria encorajá-lo, abraçá-lo ou algo assim, mas eu sabia que era melhor não ficar por perto. Quando um deus assume sua forma verdadeira, o poder é tão grande que qualquer mortal que olhar para ele se desintegrará.

— Adeus, Pai.— eu consegui dizer.

Então me virei. Eu pedi para as correntes marinhas me ajudarem. A água rodopiava a minha volta, e eu disparei em direção a superfície a uma velocidade que faria um humano normal explodir como um balão.

Quando eu olhei para trás, tudo o que pude ver foram flashes de azul e verde enquanto meu pai lutava com o Titã, e o próprio mar era rasgado ao meio pelos dois exércitos.


— Acabou.— PJ anunciou, passando o livro para sua namorada ler o próximo.


Notas Finais


Oi meio-sangues! Eu sei que atrasei, mas eu tive uns probleminhas na última semana.
Enfim, aqui está o capítulo. O que estão achando?
Comentem e favoritem por favor!!!
Até a próxima!


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