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História Semideuses Lendo o Último Olimpiano - Capítulo 6


Escrita por: BiaMBlack

Capítulo 6 - Dou Uma Espiada na Minha Morte


— Dou Uma Espiada na Minha Morte


— Vamos finalmente descobrir o que diz a profecia.— Travis disse começando a se animar. Ele estava muito curioso sobre o assunto, embora a parte da morte não fosse muito animadora.


Se você quer ser popular no Acampamento Meio-Sangue, não volte de uma missão com más notícias.

A notícia da minha chegada se espalhou assim que eu saí do oceano. Nossa praia fica no litoral norte de Long Island, e é encantada, então a maior parte das pessoas nem consegue vê-la. Pessoas não aparecem simplesmente na praia a menos que sejam meio-sangues ou deuses ou entregadores de pizza realmente, realmente perdidos. (Isso aconteceu – mas já é outra história.)

De qualquer forma, naquela tarde o vigia que estava em serviço era Connor Stoll do chalé de Hermes. Quando ele me viu, ficou tão excitado que caiu da árvore onde estava. Então ele soprou a trombeta de concha para avisar ao acampamento e correu para me cumprimentar.

Connor tinha um sorriso torto que combinava com seu senso de humor torto. 


— Ei!— Connor reclamou, mas o efeito foi cortado pelo sorriso que brincava em seus lábios.


Ele é um cara bem legal, mas você sempre deve ficar com uma mão na carteira quando ele está por perto, e não dê a ele, sob circunstância nenhuma, acesso a creme de barbear, a menos que queira achar seu saco de dormir cheio dele. Ele tem cabelo castanho encaracolado e é um pouco mais baixo que seu irmão, Travis, e esse é o único jeito que tenho para diferenciá-los. Os dois são tão diferentes do meu antigo inimigo Luke que é difícil acreditar que são todos filhos de Hermes.


Os filhos de Hermes rapidamente fecharam a cara. Luke desviou o olhar, ele sabia que todos os seus irmãos se envergonhavam dele agora.


— Percy!— ele gritou.— O que aconteceu? Onde está Beckendorf?

Então ele viu minha expressão, e seu sorriso derreteu. 

— Oh, não. Pobre Silena. Santo Zeus, quando ela descobrir...


Silena mordeu o lábio inferior, se segurando para não voltar a chorar.


Juntos nós subimos as dunas de areia. Alguns metros à frente, as pessoas já estavam andando em nossa direção. Percy voltou, elas provavelmente estavam pensando. Ele salvou o dia! Talvez tenha trazido lembrancinhas!

Eu parei no pavilhão refeitório e esperei por eles. Não fazia sentido correr até lá para dizer a eles o perdedor que eu era.

Eu olhei através do vale e tentei me lembrar como o Acampamento Meio-Sangue parecia da primeira vez que o vi. Isso parecia ter sido há um zilhão de anos atrás.

Do pavilhão refeitório, você podia ver praticamente tudo. Colinas circulavam o vale. Na mais alta, a Colina meio-sangue, o pinheiro de Thalia continuava com o velocino de ouro pendurado em seus galhos, protegendo magicamente o acampamento de seus inimigos. O dragão guardião, Peleus, estava tão grande agora que eu podia vê-lo daqui – enrolado em torno do tronco da árvore, mandando sinais de fumaça enquanto roncava. À minha direita se espalhava a floresta. À minha esquerda, o lago de canoagem brilhava e a parede de escalada incandescia por causa da lava que caia pela sua lateral. Doze chalés – um para cada deus olimpiano – formavam o padrão de uma ferradura em volta da área comum. Mais ao sul estavam os campos de morango, o arsenal e a Casa Grande de quatro andares com sua pintura azul e sua águia cata-vento de bronze.

De certa forma, o acampamento não tinha mudado. Mas não se pode ver uma guerra olhando para casas ou campos. Você podia vê-la nos rostos dos meio-sangues, sátiros e náiades que subiam a colina.

Não havia tantos no acampamento quanto a quatro verões atrás. Alguns se foram e nunca voltaram. Alguns tinham morrido lutando. Outros – nós tentávamos não falar sobre eles – tinham se juntado ao inimigo.


— O que o acampamento se tornou?— Héstia questionou tristemente. Aquele lugar era uma de suas casas, e agora estava quebrado.


Os que ainda estavam aqui estavam endurecidos pela batalha e cansados. Havia pouco riso no acampamento esses dias. Mesmo o chalé de Hermes não pregava mais tantas peças. É difícil apreciar piadas de mau gosto quando toda sua vida parecia ser uma. Quíron galopou para dentro do pavilhão chegando primeiro, o que era fácil para ele, já que era um garanhão branco da cintura para baixo. Sua barba tinha crescido desordenada durante o verão. Ele usava uma camiseta verde dizendo MEU OUTRO CARRO É UM CENTAURO e um arco pendurado em suas costas.

— Percy!— ele disse.— Graças aos deuses. Mas onde...

Annabeth entrou correndo logo atrás dele, e vou admitir que meu coração fez uma pequena volta olímpica em meu peito quando a vi. 


AC sorriu e se aconchegou mais ao namorado. Ela sabia que estava um caos naquela época, mas ficava feliz que mesmo assim ela ainda conseguia mexer com ele.


Não é que ela tentasse parecer bonita. Nós estivemos fazendo tantas missões de combate ultimamente que ela mal penteava seu cabelo loiro encaracolado, e ela não ligava para as roupas que estava usando — geralmente a mesma velha camiseta laranja do acampamento meio-sangue e jeans, e de vez em quando sua armadura de bronze. Seus olhos eram de um cinza tempestuoso. Na maior parte do tempo, nós não podíamos conversar sem tentar estrangular um ao outro. Apesar disso, só vê-la me fez sentir tonto. 


— Já mencionei que vocês eram impossíveis nessa época?— GU perguntou, e todos assentiram.— Só checando.


No verão passado, antes de Luke se transformar em Cronos e tudo ter azedado, teve algumas vezes em que eu pensei que talvez... bem, que talvez nós pudéssemos passar da fase de estrangular-um-ao-outro.

— O que aconteceu?— Ela agarrou meu braço.— O Luke está…

— O navio explodiu.— falei.— Ele não foi destruído. Eu não sei onde…

Silena Beauregard empurrou através da multidão. Seus cabelos não estavam penteados e ela nem ao menos estava usando maquiagem, o que não era típico dela.

— Onde está Charlie?— ela exigiu, procurando em volta como se ele pudesse ter se escondido.

Eu olhei desamparado para Quíron.

O velho centauro limpou a garganta. 

— Silena, minha querida, vamos falar sobre isso na Casa Grande…

— Não.— ela murmurou.— Não. Não.

Ela começou a chorar e o resto de nós ficou parado ali, atordoados demais para falar. Nós já havíamos perdido tanta gente no verão, mas isso era pior. Com Beckendorf morto, parecia que alguém tinha roubado o pilar de sustentação de todo o acampamento. 


Podia soar estranho, mas Beckendorf ficou feliz em ouvir aquilo. Era bom saber que seus amigos o consideravam tanto.


Finalmente Clarisse do chalé de Ares deu um passo à frente. Ela colocou seu braço ao redor de Silena. Elas tinham uma das amizades mais estranhas do mundo – uma filha do deus da guerra e uma filha da deusa do amor – mas desde que Silena dera conselhos a Clarisse sobre seu primeiro namorado no último verão, Clarisse decidira que era a guarda-costas pessoal de Silena.


Silena olhou chocada para CLR, que apenas sorriu levemente de canto para ela antes de fechar a cara em sua tradicional carranca novamente.


Clarisse estava vestida em sua armadura de combate cor de sangue, seu cabelo castanho preso em uma bandana. Ela era tão grande e musculosa quanto um jogador de rugby, com uma carranca permanente em seu rosto, mas ela falou gentilmente com Silena. 

— Vamos, garota.— ela disse.— Vamos para a Casa Grande. Eu farei um chocolate quente para você.

Todos se viraram e foram embora em duplas ou trios, voltando para os chalés. Ninguém estava excitado por me ver agora. Ninguém queria ouvir falar sobre o navio explodido. Apenas Annabeth e Quíron ficaram para trás.

Annabeth varreu uma lágrima de sua bochecha. 

— Eu estou feliz que você não esteja morto, Cabeça de Alga.

— Obrigado.— falei.— Eu também.

Quíron pôs uma mão em meu ombro. 

— Tenho certeza que você fez tudo que pode, Percy. Você irá nos contar o que aconteceu?

Eu não queria passar por aquilo de novo, mas eu lhes contei a história, incluindo meu sonho sobre os titãs. Deixei de fora a parte sobre Nico. Nico havia me feito prometer que eu não contaria a ninguém sobre seu plano até que eu tivesse resolvido, e o plano era tão assustador que eu não me importava em mantê-lo em segredo.


— Então ele não me contou por sua culpa!— AC exclamou, lançando um olhar indignado para Nico.


— Foi mal.— o filho de Hades disse, mas não parecia muito arrependido, o que só fez a garota revirar os olhos.


Quíron olhou para o vale. 

— Nós devemos convocar um conselho de guerra imediatamente, para discutirmos sobre esse espião, e outros problemas.

— Poseidon mencionou outra ameaça.— falei.— Alguma coisa ainda maior do que o Princesa Andrômeda. Eu pensei que poderia ser o desafio que o Titã mencionou em meu sonho.

Quíron e Annabeth trocaram olhares, como se soubessem alguma coisa que eu não sabia. Eu odiava quando eles faziam isso.

— Nós também vamos discutir isso.— Quíron prometeu.

— Mais uma coisa.— Respirei fundo.— Quando conversei com meu pai, ele me falou para dizer a você que está na hora. Eu preciso saber a profecia completa.

Os ombros de Quíron se arquearam, mas ele não pareceu surpreso. 

— Eu temi esse dia. Muito bem. Annabeth, nós vamos mostrar a Percy a verdade – toda ela. Vamos ao sótão.


Todos se ajeitaram nos lugares. Eles estavam esperando para ouvir aquela profecia completa a muito tempo.


Eu estive no sótão da Casa Grande três vezes antes, o que era três vezes mais do que eu desejava ter ido.

Uma escada levava até lá o topo. Eu me perguntei como Quíron iria até lá, sendo meio cavalo e tudo, mas ele não tentou.

— Você sabe onde está.— ele disse a Annabeth.— Traga para baixo, por favor.

Annabeth assentiu. 

— Venha, Percy.

O sol estava se pondo do lado de fora, então o sótão estava ainda mais escuro e arrepiante do que o normal. Antigos troféus de heróis estavam empilhados em todos os lugares – escudos dentados, cabeças decepadas de vários monstros em jarros, um par de dados felpudos em uma placa de bronze que dizia: ROUBADO DO HONDA CIVIC DE CHRYSAOR, POR GUS, FILHO DE HERMES, 1998.

Eu apanhei uma espada de bronze tão torta que parecia com a letra M. Eu ainda podia ver no metal manchas verdes do veneno mágico que costumava cobri-la. A etiqueta estava datada do verão passado. Ela dizia: Cimitarra de Kampê, destruída na Batalha do Labirinto.

— Você se lembra de Briares jogando aquelas rochas?— perguntei.

Annabeth me lançou um sorriso relutante. — E Grover causando Pânico?

Nossos olhares se encontraram. Eu pensei em uma época diferente do verão passado, debaixo do monte Sta. Helena, quando Annabeth pensou que eu ia morrer e me beijou. 


— Deuses!— Piper exclamou. Ela não fazia ideia que seus amigos tiveram um relacionamento tão complicado antes de serem o exemplo de casal que eram hoje.


Ela limpou a garganta e desviou o olhar. 

— Profecia.

— Certo.— Eu larguei a cimitarra.— Profecia.

Nós andamos até a janela. Em um banquinho de três pernas estava o Oráculo – uma múmia seca em um vestido colorido. Tufos de cabelo preto estavam agarrados em seu crânio. Olhos vidrados encaravam em sua face curtida. Só olhar para ela fez minha pele se arrepiar.

Se você quisesse deixar o acampamento durante o verão, você costumava ter que vir aqui para conseguir uma missão. Este verão, a regra tinha sido deixada de lado. Campistas saíam o tempo todo em missões de combate. Nós não tínhamos escolha se quiséssemos parar Cronos.

Ainda assim eu me lembrava bem demais da névoa verde estranha – o espírito do Oráculo – que vivia dentro da múmia. Ela parecia sem vida agora, mas sempre que falava uma profecia, ela se mexia. Às vezes névoa saía de sua boca e criava formas estranhas. Uma vez ela havia até deixado o sótão e dado uma voltinha como zumbi na floresta para entregar uma mensagem. Eu não tinha certeza do que ela ia fazer em relação a “Grande Profecia”. Eu meio que esperava que ela começasse a sapatear ou algo assim.

Mas ela apenas estava lá sentada como se estivesse morta – o que ela estava. 

— Eu nunca entendi isso.— sussurrei

— O quê?— perguntou Annabeth.

— Por que é uma múmia.


— Porque decidiram descontar a raiva no meu oráculo que não tinha nada a ver com a história.— Apolo resmungou soltando a indireta.


Hades se fingiu de surdo enquanto Hermes suspirou tristemente.


— Percy, ela não costumava ser uma múmia. Por centenas de anos o espírito do Oráculo viveu dentro de uma bela donzela. O espírito passava de geração em geração. Quíron me disse que ela era assim há cinquenta anos.— Annabeth apontou para a múmia.— Mas ela foi a última.

— O que aconteceu?


Apolo resmungou mais um monte de coisas que ninguém entendeu enquanto Hades revirava os olhos.


Annabeth começou a dizer alguma coisa, mas aparentemente depois mudou de ideia.

— Vamos apenas fazer nosso trabalho e sair daqui.

Eu olhei nervosamente para o rosto murcho do oráculo. 

— Então o que agora?

Annabeth se aproximou da múmia e estendeu as palmas. 

— Ó, Oráculo, é chegada a hora. Eu peço pela Grande Profecia.

Eu me abracei, mas a múmia não se mexeu. Ao invés disso, Annabeth se aproximou e desabotoou um de seus colares. Eu nunca tinha prestado muita atenção em suas jóias antes. Eu imaginei que eram apenas contas de amor hippie e tal. Mas quando Annabeth se voltou para mim, ela estava segurando uma bolsa de couro – como uma bolsa nativo- americana de remédios em um cordão entrelaçado com penas. Ela abriu a bolsa e tirou um rolo de pergaminho que não era maior do que seu dedo mindinho.


— É sacanagem.— Percy disse indignado.— Não pode ser tão fácil assim.


— Não precisa ser complicado. A profecia já tinha sido feita.— Annabeth respondeu dando de ombros.


— Mas ela está lá. Acessível. Simples assim?— Percy disse. Aquela era a grande profecia da sua vida, e tudo que ele tinha que fazer era pegar ela no colar de uma múmia?


— Você não sabia onde estava. Então não era acessível para você.— a garota respondeu.


— Sem essa.— eu disse.— Você quer dizer que todos esses anos, eu estive perguntando sobre essa profecia estúpida, e estava bem aqui em volta do pescoço dela?

— Ainda não era a hora certa.— disse Annabeth.— Acredite em mim, Percy, eu li isso quando tinha 10 anos de idade, e ainda tenho pesadelos sobre isso.

— Ótimo.— falei.— Posso ler agora?

— Lá embaixo no conselho de guerra.— disse Annabeth.— Não na frente da... você sabe.

Eu olhei para os olhos vidrados do oráculo, e decidi não discutir. Nós descemos as escadas para nos juntarmos aos outros. Eu não sabia disso naquela época, mas essa seria a última vez que eu visitaria o sótão.


— Nunca mais voltei lá.— PJ se deu conta.— Ainda bem.


— E onde ela fica?— Clarisse perguntou apontando para Rachel.


— Com certeza não no sótão.— garantiu a ruiva franzindo o nariz.


Os conselheiros seniores tinham se reunido em volta da mesa de pingue-pongue. Não me pergunte por qual razão, mas a sala de recreação tinha se tornado o quartel-general não oficial para conselhos de guerra. Quando Annabeth, Quíron e eu entramos, entretanto, parecia mais com uma competição de gritos.

Clarisse ainda estava vestindo armadura completa. Sua lança elétrica estava presa em suas costas. (Na verdade, sua segunda lança elétrica, já que eu tinha quebrado a primeira. Ela chamava a lança de “Mutiladora.” Pelas suas costas, todos os outros a chamavam de “Perdedora”). 


— Como é que é?— CLR perguntou rangendo os dentes e se virando para a pessoa mais próxima, que acabou sendo CS.


O garoto foi salvo de uma morte dolorosa por pouco quando CR conseguiu acalmar a namorada.


Ela tinha seu elmo em forma de javali debaixo do braço e uma faca em seu cinto.

Ela estava no meio de uma gritaria com Michael Yew, o novo conselheiro de Apolo, o que era meio engraçado já que Clarisse era quase trinta centímetros mais alta. Michael tinha assumido o chalé de Apolo depois que Lee Fletcher morrera em batalha verão passado. 


Lee sorriu para o irmão. Achava que ele seria um bom sucessor.


Michael tinha um metro e meio, com mais cinquenta centímetros de atitude. Ele me lembrava um furão, com um nariz pontudo e feições marcadas – ou porque ele fazia muita carranca ou porque passava muito tempo olhando para a flecha em um arco. 


— Obrigada?— Michael disse incerto se levava aquilo no elogio ou não, e acabou recebendo um sorriso indecifrável de PJ como resposta.


— É nossa pilhagem!— ele gritava, ficando na ponta dos pés para que pudesse encarar Clarisse.— Se você não gosta disso, você pode beijar minha aljava!

Ao redor da mesa, as pessoas estavam tentando não rir – os irmãos Stool, Pollux, do chalé de Dioniso, Katie Gardner de Deméter. Até Jake Mason, o novo conselheiro de Hefesto escolhido às pressas, abriu um pequeno sorriso. Apenas Silena Beauregard não prestava qualquer atenção. Ela se sentou ao lado de Clarisse e encarava com um olhar vago a rede de pingue-pongue.

Seus olhos estavam vermelhos e inchados. Uma xícara de chocolate quente jazia intocada na sua frente. Parecia injusto que ela tivesse que estar aqui. Eu não podia acreditar que Clarisse e Michael estavam de pé na frente dela, discutindo sobre alguma coisa tão estúpida como uma pilhagem, quando ela tinha acabado de perder Beckendorf.


— Não era meu melhor momento.— CLR admitiu. Sabia que tinha cometido muitos erros naquele verão.


— PAREM COM ISSO!— gritei.— O que vocês estão fazendo?

Clarisse me lançou um olhar ameaçador. — Diga ao Michael para não ser um idiota egoísta.

— Oh, isso é perfeito, vindo de você.— disse Michael.

— A única razão para eu estar aqui é para apoiar Silena!— gritou Clarisse.— De outra forma eu estaria de volta ao meu chalé.

— Do que vocês estão falando?— eu demandei.

Pollux pigarreou. 

— Clarrise tem se recusado a falar com qualquer um de nós até que seu, hum, problema seja resolvido. Ela não fala nada há três dias.

— Tem sido ótimo.— disse Travis Stool pensativo.


TS recebeu um soco bem dando no braço, e precisou morder o lábio para não soltar uma exclamação de dor.


— Que problema?— perguntei.

Clarisse se virou para Quíron. 

— Você está no comando, certo? O meu chalé ganha o que queremos ou não?

Quíron bateu seus cascos. 

— Minha querida, como eu já expliquei, Michael está certo. O chalé de Apolo tem a melhor pretensão. Além disso, nós temos problemas mais importantes…

— Claro.— Clarisse rebateu.— Sempre há problemas mais importantes do que o que Ares precisa. Nós só devemos aparecer e lutar quando vocês precisam de nós, e sem reclamar!


— Nesse caso específico, quando estamos no meio de uma guerra. Sim. É isso que todos nós deveríamos fazer.— Malcom comentou, recebendo olhares irritados dos filhos de Ares.


— Isso seria legal.— murmurou Connor Stoll.

Clarisse pegou sua faca. 

— Talvez eu devesse perguntar ao sr.D…

— Como você sabe,— Quíron interrompeu, seu tom ligeiramente zangado agora.— nosso diretor, Dioniso, está atarefado com a guerra. Ele não pode ser incomodado com isso.

— Entendo.— disse Clarisse.— E os conselheiros seniores? Algum de vocês ficará do meu lado?

Ninguém estava sorrindo agora. Nenhum deles encontrou o olhar de Clarisse.

— Ótimo.— Clarisse se virou para Silena.— Eu sinto muito. Eu não pretendia entrar nisso quando você acabou de perder... De qualquer forma, eu peço desculpas. A você. Ninguém mais.

Silena não pareceu registrar suas palavras.

Clarisse atirou sua faca na mesa de pingue-pongue. 

— Todos vocês podem lutar essa guerra sem Ares. Até eu ter minha satisfação, ninguém do meu chalé vai erguer um dedo para ajudar. Se divirtam morrendo.


— Seu ego é tão grande a ponto de você não perceber que isso ia acabar te matando também?— Atena questionou, e as duas versões de Clarisse tiveram a decência de parecerem envergonhadas.


Os conselheiros estavam chocados demais para dizer qualquer coisa enquanto Clarisse saía tempestuosamente da sala.

Finalmente Michael Yew disse:

— Já vai tarde.

— Você está brincando?— protestou Katie Gardner.— Isto é um desastre!

— Ela não pode estar falando sério.— disse Travis.— Pode?

Quíron suspirou. 

— Seu orgulho foi ferido. Ela vai se acalmar eventualmente.

Mas ele não pareceu convencido.

Eu queria perguntar por que raios Clarisse estava com tanta raiva, mas eu olhei para Annabeth e ela falou sem emitir som um “Te conto mais tarde.”

— Agora,— Quíron continuou.— se vocês permitirem, conselheiros. Percy trouxe algo que acho que todos devem escutar. Percy – a Grande Profecia.

Annabeth me entregou o pergaminho. Eu o senti seco e velho, e meus dedos se atrapalharam com o cordão. Eu desenrolei o papel, tentando não rasgá-lo, e comecei a ler:

— Um meio-sangue de um dos três dandes...

— Er... Percy?— Annabeth interrompeu.— Isso é grandes, não dandes.


— Dislexia é uma droga.— declarou Leo, e todos concordaram.


— Ah, certo.— falei. Ser disléxico é uma marca de um meio-sangue, mas às vezes eu realmente odeio isso. Quanto mais nervoso estou, pior minha leitura fica.— Um meio- sangue dos três grandes filho... chegará aos dezesseis apesar de empecilhos...

Eu hesitei, encarando as próximas linhas. Uma sensação gelada começou em meus dedos como se o papel estivesse congelando.

— Em um sono sem fim o mundo estará,

A alma do herói, lâmina maldita ceifará


— Isso não soa bem.— Katie disse com um fio de voz em meio ao silêncio que se formara no anfiteatro.


De repente Contracorrente pareceu pesar no meu bolso. Uma lâmina maldita? Quíron uma vez me disse que Contracorrente trouxera tristeza a muitas pessoas. Seria possível que minha própria espada me mataria? E como o mundo entraria em um sono sem fim, a menos que isso significasse morte?

— Percy.— estimulou Quíron.—!Leia o resto.

Minha boca parecia cheia de areia, mas eu falei as últimas duas linhas.

— Uma escolha seus dias vai encerrar… O olimpo pre… perseguir…

— Preservar.— disse Annabeth gentilmente.— Significa salvar.

— Eu sei o que significa.— resmunguei.— O Olimpo preservar ou arrasar.


Os deuses ficaram tensos. Aquela era a profecia que estavam tentando evitar a anos, e agora ela se cumpriria.


A sala estava silenciosa. Finalmente Connor Stoll disse:

— Arrasar é bom, não é?

— Não arrasar.— disse Silena. Sua voz estava baixa, mas eu estava surpreso por ouvi-la falar qualquer coisa.— Significa destruir.

— Obliterar.— disse Annabeth.— Exterminar. Reduzir a pó.

— Entendi.— Meu coração parecia de chumbo.— Obrigado.

Todos estavam olhando pra mim – com preocupação, ou pena, ou talvez com um pouco de medo.

Quíron fechou os olhos como se estivesse fazendo uma oração. Em forma de cavalo, sua cabeça quase tocava as luzes da sala de recreação. 

— Você vê agora, Percy, o porquê de termos achado que seria melhor não contar a você a profecia completa. Você já tinha peso demais em seus ombros…

— Sem perceber que eu morreria no final de qualquer jeito?— falei.— É, entendi.


— Essa não pode ser a interpretação da profecia, pode?— Nia perguntou ficando confusa. Como ele poderia estar vivo então?


Quíron me olhou tristemente. O cara tinha três mil anos de idade. Ele vira centenas de heróis morrerem. Ele podia não gostar, mas estava acostumado com isso. Ele provavelmente sabia melhor do que tentar me tranquilizar.

— Percy.— disse Annabeth.— Você sabe que as profecias sempre têm duplo significado. Pode não significar literalmente a sua morte.

— Com certeza.— falei.— Uma escolha seus dias vai encerrar tem toneladas de significados, certo?

— Talvez nós possamos impedir isso.— propôs Jake Mason.— A alma do herói, lâmina amaldiçoada ceifará. Talvez nós possamos achar essa lâmina amaldiçoada e destruí-la. Soa como a foice de Cronos, certo?


— Tem muitas possibilidades.— Ártemis disse. Não gostava da ideia, mas estava tentada a concordar com a ideia de Contracorrente ser a lâmina, mesmo que não quisesse aquele destino para seu protegido.


Eu não tinha pensado nisso, mas não importava se a lâmina amaldiçoada era Contracorrente ou a foice de Cronos. De qualquer forma, eu duvidava que pudéssemos impedir a profecia. Uma lâmina estava destinada a ceifar minha alma. Como regra geral, eu preferia não ter minha alma ceifada.

— Talvez nós devêssemos deixar Percy pensar sobre essas linhas.— disse Quíron.— Ele precisa de tempo…

— Não.— Eu dobrei a profecia e a meti em meu bolso. Eu me senti desafiador e com raiva, apesar de não saber de quem eu estava com raiva.— Eu não preciso de tempo. Se eu morrer, morri. Não posso me preocupar com isso, certo?

As mãos de Annabeth estavam tremendo um pouco. Ela não me olhava nos olhos. 


— Teimoso.— AC resmungou revirando os olhos antes de voltar a ler.


— Vamos continuar.— eu disse.— Nós temos outros problemas. Nós temos um espião.

Michael Yew fez uma carranca. 

— Um espião?

Eu contei a eles o que acontecera no Princesa Andrômeda – como Cronos sabia que viríamos, como ele tinha me mostrado o pingente de prata em forma de foice que ele usara para se comunicar com alguém no acampamento.

Silena começou a chorar novamente, e Annabeth colocou um braço em seus ombros. 


Silena desviou o olhar, e Beckendorf pegou sua mão, tentando consola-la.


— Bem,— disse Connor Stoll desconfortavelmente.— nós suspeitávamos que houvesse um espião há anos, certo? Alguém continuou a passar informação para Luke – como a localização do Velocino de Ouro a uns anos atrás. Deve ser alguém que o conhecia bem.

Talvez inconscientemente, ele olhou para Annabeth. Ela conhecera Luke melhor do que qualquer um, é claro, mas Connor desviou o olhar rapidamente. 

— Hum, quero dizer, poderia ser qualquer um.

— Sim.— Katie Gardner olhou severamente para os irmãos Stoll. Ela antipatizava com eles desde que eles decoraram o telhado de grama do chalé de Deméter com coelhinhos da páscoa de chocolate. 


— Você ficou muito brava com a gente naquela época.— TS disse nostálgico, fazendo a namorada revirar os olhos.


— Como um dos irmãos de Luke.

Travis e Connor começaram a discutir com ela.

— Parem!— Silena bateu na mesa com tanta força que seu chocolate quente derramou.— Charlie está morto e... vocês estão todos discutindo como criancinhas!

Ela abaixou a cabeça e começou a soluçar.

Chocolate quente pingava da mesa de pingue-pongue. Todos pareciam envergonhados. 

— Ela está certa.— disse Pollux finalmente.— Acusar um ao outro não ajuda. Nós precisamos manter os olhos abertos para um colar prata com pingente de foice. Se Cronos tinha um, o espião provavelmente tem também.

Michael Yew grunhiu. 

— Nós temos que achar esse espião antes de planejarmos nossa próxima operação. Explodir o Princesa Andrômeda não vai deter Cronos para sempre.

— Realmente.— disse Quíron.— De fato seu próximo ataque já está a caminho.

Eu franzi as sobrancelhas. 

— Você quer dizer a ‘ameaça maior’ que Poseidon mencionou?

Ele e Annabeth trocaram um olhar como, Está na hora. Eu já mencionei que odeio quando eles fazem isso?


— Todos odeiam.— garantiu Thalia.— Mas vocês dois fazem a mesma coisa.


E como que para provar o ponto dela, PJ e AC se entreolharam, parecendo ter uma conversa apenas por olhar.


— Percy,— disse Quíron.— nós não queríamos lhe dizer até você voltar para o acampamento. Você precisava de umas férias com... seus amigos mortais.

Annabeth corou. Eu entendi que ela sabia que eu estivera saindo com Rachel, e me senti culpado. Então me senti com raiva por estar me sentindo culpado. Eu tinha permissão para ter amigos fora do acampemento, certo? Não era como se...

— Me conte o que aconteceu.— falei.

Quíron pegou um cálice de bronze da mesa de lanches. Ele jogou água dentro do prato quente onde geralmente derretíamos queijo nacho. Vapor subiu, fazendo um arco-íris de cores fluorescentes. Quíron pescou um dracma de ouro de sua algibeira, jogou na névoa, e murmurou:

— Ó Íris, Deusa do Arco-Íris, mostre-nos a ameaça.

A névoa estremeceu. Eu vi a imagem familiar de um vulcão latente – o monte Sta. Helena. Enquanto eu olhava, o lado da montanha explodiu. Fogo, cinza e lava saíram. Uma voz de apresentador de telejornal estava dizendo:

— …ainda maior do que a erupção do ano passado, e os geólogos avisam que a montanha pode não ter terminado.

Eu sabia tudo sobre a erupção do ano passado. Eu a causara. Mas esta explosão era muito pior. A montanha estava destruindo a si mesma, ruindo pelo lado de dentro, e uma forma enorme emergiu da fumaça e da lava como se estivesse saindo de um bueiro. 


— É ele.— reconheceu Zeus, empalidecendo junto com os outros deuses.


Eu esperava que a Névoa impedisse os humanos de ver claramente, porque o que eu vi teria causado pânico e tumulto por todo o país.

O gigante era maior do que qualquer coisa que eu já havia encontrado. Mesmo meus olhos de semideus não podiam ver sua forma exata através das cinzas e do fogo, mas era vagamente humanóide e tão grande que podia ter usado o prédio Chrysler como bastão de beisebol. A montanha tremeu com um som horrível, como se o monstro estivesse rindo.

— É ele.— eu disse.— Tífon.

Eu estava realmente esperando que Quíron fosse dizer alguma coisa boa, tipo Não, aquele é o nosso amigo gigante Leroy! Ele irá nos ajudar! Mas estava sem essa sorte. Ele simplesmente assentiu. 

— O monstro mais horrível de todos, a maior ameaça que os deuses já enfrentaram. Ele foi libertado de dentro da montanha enfim. Mas essa cena é de dois dias atrás. Isso é o que está acontecendo hoje.

Quíron balançou sua mão e a imagem mudou. Eu vi um monte de nuvens de tempestade rolando através das planícies do meio-oeste. Raios tremeluziam. Linhas de tornados destruíam tudo em seu caminho – arrancando casas e trailers, arremessando carros como se fossem de brinquedo.

— Inundações monumentais.— um locutor estava dizendo.— Cinco estados declararam áreas de risco enquanto a tempestade anormal prossegue indo para o leste, continuando seu caminho de destruição.

As câmeras deram zoom em uma coluna de tempestade arrasando alguma cidade do meio-oeste. Eu não podia dizer qual era. Dentro da tempestade eu podia ver o gigante – apenas relances de sua forma verdadeira: um braço esfumaçado, uma mão escura do tamanho de um quarteirão com unhas afiadas. Seu rosnar zangado passou pelas planícies como uma explosão nuclear. Outras formas menores se lançavam através das nuvens, circulando o monstro. Eu vi flashes de luz, e percebi que o gigante estava tentando esmagá-las. Estreitei os olhos e pensei ter visto uma biga dourada voando para dentro da escuridão. Então algum tipo de ave enorme – uma coruja monstruosa – mergulhou para atacar o gigante.

— Esses são... os deuses?— falei.

— Sim, Percy.— disse Quíron.— Eles estiveram lutando contra ele por dias agora, tentando diminuir seu ritmo. Mas Tífon continua seguindo em frente – em direção a Nova York. Na direção do Olimpo.


— Temos um grande problema.— anunciou Atena, tentando desesperadamente pensar em um plano.


Eu deixei isso afundar. 

— Quanto tempo até que ele chegue aqui?

— A menos que os deuses consigam impedi-lo? Talvez cinco dias. A maior parte dos olimpianos está lá... exceto seu pai, que tem uma guerra própria para lutar.

— Mas então quem está guardando o Olimpo?

Connor Stoll balançou a cabeça. 

— Se Tífon chegar a Nova York, não importará quem está guardando o Olimpo.

Eu pensei sobre as palavras de Cronos no navio: Eu adoraria ver o terror em seus olhos quando você perceber como eu vou destruir o Olimpo.

Era disso que ele estava falando: um ataque de Tífon? Com certeza era aterrorrizante o suficiente. Mas Cronos estava sempre nos enganando, guiando nossa atenção para o lugar errado. Isto parecia ser óbvio demais para ele. E em meu sonho, o titã dourado tinha falado sobre vários outros desafios que estavam por vir, como se Tífon fosse apenas o primeiro.

— É um truque.— eu disse.— Nós temos que alertar os deuses. Algo mais vai acontecer.

Quíron me olhou gravemente. 

— Alguma coisa pior do que Tífon? Eu espero que não.


— Não necessariamente pior. Talvez mais eficaz.— PJ disse dando de ombros.


— Nós temos que defender o Olimpo.— insisti.— Cronos tem outro ataque planejado.

— Ele tinha.— Travil Stoll me lembrou.— Mas você afundou o navio dele.

Todos estavam olhando para mim. Eles queriam algumas boas notícias. Eles queriam acreditar que pelo menos eu dera a eles alguma esperança.

Olhei para Annabeth. Eu podia dizer que estávamos pensando a mesma coisa: E se o Princesa Andrômeda foi um truque? E se Cronos nos deixou afundar o navio para que baixássemos nossa guarda?

Mas eu não ia dizer isso na frente de Silena. O namorado dela tinha se sacrificado por aquela missão.

— Talvez você esteja certo.— eu disse, apesar de não acreditar naquilo.

Tentei imaginar como as coisas poderiam piorar muito. Os deuses estavam no meio- oeste lutando contra um monstro gigante que quase os derrotara antes. Poseidon estava cercado e perdendo uma guerra contra o titã do mar, Oceanus. Cronos ainda estava lá fora em algum lugar. O Olimpo estava virtualmente desprotegido. Os semideuses do acampamento meio-sangue estavam por conta própria com um espião em nosso meio. Ah, e de acordo com a profecia antiga, eu iria morrer quando eu fizesse dezesseis anos – o que aconteceria em cinco dias, exatamente ao mesmo tempo em que Tífon supostamente atingiria Nova York. Quase tinha me esquecido disso.


— Não pode ser coincidência.— Poseidon murmurou pensativo.


— Bem,— disse Quíron.— eu acho que isso é suficiente por uma noite.

Ele acenou com a mão e o vapor se dissipou. A batalha tempestuosa entre Tífon e os deuses desapareceu.

— Isso é atenuar a situação.— murmurei.

E o concílio de guerra foi suspenso.


— Acabou.— anunciou AC, e Hades se ofereceu para ler o próximo capítulo.


Notas Finais


Oi meio-sangues! Capítulo novo.
Comentem e favoritem por favor!!!
Até a próxima!


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