História Sempre ao seu lado - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Lemon, Romance, Yaoi
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Palavras 4.089
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oláa, pessoal,
Estou aqui com mais um capítulo! :3
Boa leitura!

Capítulo 2 - Capítulo 2


- Como foi o treino? - Liguei para Denny á noite. Depois de tomar um banho e botar uma calça de pijama e uma camiseta velha, estava sentado no sofá da sala avançando impacientemente os canais. Nenhum estava me agradando.

- Cansativo, você sabe como o treinador é. Ah, e o Jonathan faltou ao treino hoje, o treinador ficou puto com isso! E eu não pude me vingar. - Eu havia adivinhado. Esta era a primeira coisa que ele disse.

- Sem problemas. Eu não pedi para você fazer isso mesmo. - Eu queria muito falar para Denny que Jonathan fora atrás de mim mais cedo. Mas aí ele pediria uma explicação detalhadamente e eu provavelmente acabaria escapando a parte que eu derrubei ele no chão - que ele ficaria feliz em ouvir que ele foi derrubado - e que eu logo caí em cima dele e que nós ficamos perto o suficiente um do outro para nos beijar. E eu fiquei pensando em fazer isso - mas ele me mataria por pensar uma coisa dessas. Eu já tinha explicado, eu gosto de Jonathan e não o odeio, como Denny. Na verdade, eu gosto demais dele que só o fato de ele me dar atenção todos os dias - mesmo que seja para me ofender - já é o bastante. Denny me acharia louco com esse pensamento. - O que você vai fazer agora?

- Hoje é sexta-feira. Não vou fazer absolutamente nada. Só descansar. - Ele suspirou cansado ao telefone.

- Você não quer vir dormir aqui em casa? Minha mãe vai chegar tarde e eu não queria ficar aqui sozinho fazendo nada. 

- Já que está sozinho você podia ligar seu computador e passar um tempo vendo vídeos eróticos. - Ele riu do outro lado da linha.

- Como você é engraçado. Vem ou não? 

- Em uma hora estou aí. - E ele desligou. Fiquei esperando até ele chegar enquanto assistia a um filme que passava na televisão. Eu não prestei muita atenção e então levei minha cabeça para trás e a apoiei no sofá. Comecei a pensar no que fazer quando Denny chegasse aqui. Também não pude deixar de pensar em Jonathan e em como as coisas poderiam ser se ele fosse um pouco mais gentil. Talvez pudéssemos ter sido amigos. Eu, ele e Denny. Ou talvez ele poderia gostar de mim, como eu gosto e talvez a gente pudesse namorar, ou sei lá. Eu sei que é inútil ficar pensando isso mas esses pensamentos me deixam tão felizes, apesar de eu só estar me iludindo. 

Não demorou muito até Denny tocar a campainha de casa. 

- Oi. - Cumprimentei-o e abracei ele. Denny retribuiu, só que mais forte, e me levantou do chão um pouco. A gente sempre fazia isso e ele sabia que eu gostava disto. 

- Você podia estar um pouco mais apresentável, sabe, para receber seu melhor amigo. - Revirei os olhos.

- Fala sério. Você é de casa e já me viu de pijama muitas vezes. Entra. 

- Ok. - Ele entrou e largou a mochila - com suas roupas - na poltrona. Depois se deitou no sofá, ocupando todo o espaço.

- Ahn, tá, valeu, eu estou bem aqui de pé. Posso sentar no chão.

- Não. Vem cá. - Ele se ajoelhou no sofá e esperou até que eu sentasse onde ele tinha estado com a cabeça, quando o fiz, ele deitou sua cabeça no meu colo. - Posso ficar assim?

- É claro. - Nas primeiras vezes que Denny fez isso eu tinha a leve impressão de que ele pudesse gostar de mim e tal. Mas eu acabei descartando essa hipótese. Percebi que ele só gostava de ficar assim. Eu passei a gostar quando ele fazia isso, me deixava feliz que ele fazia isso - sem permissão as vezes e sem dizer nada. Me fazia perceber que ele gostava de ficar perto de mim e que gostava de ficar assim comigo. Coloquei a mão em sua cabeça e fiquei bagunçando sua cabeça.

- Posso te contar uma coisa? - Ele perguntou, estava impaciente. - Não queria falar pelo telefone, então esperei até chegar aqui.

- Pode, claro. O que foi?

- Quando eu tava lá treinando, posso parecer convencido, ou posso ter me confundido, mas nas arquibancadas tinha uma garota ruiva muito bonita que não parava de me olhar. 

- E aí?

- E aí que a primeira coisa que eu pensei foi: ''Como ela é gata'' e a segunda: ''Vou chamar ela pra sair". E fiz. 

- Uau, foi do nada. Mas ela aceitou?

- É claro. Você acha que alguém diria não para mim? - Ele falou todo convencido. Dei um tapa na sua cabeça, o que o fez rir. - Enfim, a gente marcou de se encontrar amanhã. Vou levá-la para jantar e talvez depois ao cinema. Aquela coisa clichê. 

- Ah, sim. Bem, boa sorte com isso. - Sorri. - Como é o nome dela?

- Não sei.

- Como assim não sabe? Você chama uma garota pra sair e não sabe o nome dela?

- Eu to brincando. Não seria tão idiota em não perguntar. O nome dela é Jeniffer, mas ela gosta que a chamem de Jane.

- Entendi.

Apesar de querer que Denny vá a esse encontro com Jane, não posso deixar de ficar com um pouco de ciúme. Não porque Denny vai sair com ela, mas sim porque ele têm alguém para sair. Já eu... Tá, eu sei que é meio difícil encontrar uma pessoa que você tenha vontade de sair, principalmente quando essa pessoa tem de ser um garoto. E também eu já estou gostando de alguém, e quero sair com esse alguém. Mas esse alguém só quer avacalhar comigo.

- Mas e você? Ninguém roubou seu coração? – Ah, se você soubesse... – Não tentou mais entrar naqueles aplicativos de encontro?

- Ah, aquilo não foi uma boa ideia. Conversava com algumas pessoas, mas nunca cheguei a sair com alguém.

- Entendo...

Ficamos em silêncio por um tempo.

- Vamos pedir alguma coisa para comer? - Denny sugeriu. - Estava a fim de um hambúrguer. 

- Hm, é mesmo? Não acho que isso seja bom para um atleta. 

- Um jantar. Isso não vai matar ninguém. E não é como se eu fosse perder esse meu corpo por causa de um hambúrguer e batata frita. Vamos, - Ele se levantou - eu faço o pedido.

- Certo.

*

Quando Denny foi embora no outro dia, ouvi minha mãe pedindo para eu acordar e ir ao supermercado comprar algo para comermos. Por que ela mesma não poderia ir? Eu não poderia discutir com ela, e não queria brigar com ela por isso, mas não deixei de me levantar com mau-humor. Eu nem notei Denny indo embora, na verdade. Também não vi minha mãe chegando.

Botei uma calça jeans e um blusão preto com letras brancas. Caminhei vinte minutos e o sono já havia ido embora. O céu estava bem azul e não havia nenhuma nuvem no céu. O sol estava muito forte e tive de atravessar algumas ruas para andar na sombra.

Acabei passando por uma praça para cortar caminho e um garotinho acabou chamando minha atenção. Ele estava sentado em um banco, cabisbaixo. Obviamente não poderia ignorar tal situação. Fui em sua direção e me abaixei a sua frente.

- Oi, por acaso você está perdido?

- S-Sim... – Somente ao me aproximar percebi que ele estava chorando. Ele era bem pequeno, parecia ter entre cinco ou seis anos. Tinha cabelo castanho claro e olhos castanho esverdeados – Eu estava procurando minha mamãe e meu irmãozinho, mas não sei onde posso encontra-los. – Aquela situação me deixou tenso, nunca havia lidado com uma criança perdida.

- Qual o seu nome, pequeno?

- L-Luís.

- Bom, Luís, posso ajudar você a encontrar eles, se quiser. – Infelizmente as compras ficariam para mais tarde.

- Verdade, moço? – Luís parou de chorar e demonstrou uma expressão de alegria. 

- É claro. Onde você os viu pela última vez?

- E-Eu não sei como explicar. Minha mamãe e meu papai não estavam se entendendo nos últimos dias, e então ele simplesmente falou que íamos viajar e desde então não vi mais minha mãe e meu irmãozinho. Eu nem consegui me despedir dele... O papai me levou para longe deles!

Achei aquela história estranhamente parecida com a minha, e senti um calafrio percorrendo minha espinha.

- Qual é o nome da sua mãe e do seu irmão? – Perguntei receoso, não poderia ser...

Ele limpou o restante das lágrimas de seu rosto.

- Minha mamãe se chama Emily, e meu irmãozinho se chama Noah. – Ele respondeu alegra, demonstrando em seu olhar triste o quanto sentia saudades. Aquilo só poderia ser brincadeira. Aquela criança estava procurando por minha mãe e por mim? Ele não poderia ser...

- Moço, você parece muito com o meu irmãozinho, mas você não pode ser ele, meu irmão tem cinco anos.

Eu não sabia como isso era possível, mas tinha certeza de que aquela criança era estranhamente familiar. Não restava dúvidas, ele era meu irmão mais velho!

De repente eu o abracei, e de certa forma ele pareceu perceber o mesmo que eu e agiu da mesma forma. Ele começou a chorar novamente, e eu fiz o mesmo.  Não acredito que depois de tanto tempo finalmente consegui revê-lo, meu irmão mais velho!

Acabei ouvindo um barulho atrás de mim e desviei meus olhos por um segundo. E, quando direciono novamente minha atenção ao Luís, ele havia desaparecido. A seguir, tudo ficou escuro.

*

Acordei no chão do meu quarto, ao lado de Denny. Percebi que tinha caído da minha cama e rolado até aqui. O que me surpreendeu foi eu não o ter acordado no processo. Denny dormia e respirava calmamente, e não parecia ter percebido que eu estava aqui. Olhei para o relógio e eram duas horas e meia da madrugada. Minha mãe já deveria ter chegado em casa. Demorei um pouco até me lembrar do meu sonho e ficar decepcionado. Não havia como negar, toda a situação que aconteceu no passado acabou me deixando com traumas. Quando criança, me senti abandonado quando meu pai e meu irmão foram embora, e até hoje não consigo lidar com questões de abandono. Tenho medo de ser abandonado pelas pessoas que amo.

Mas com meu sonho de agora eu pude me lembrar do quanto meu irmão mais velho fazia falta em minha vida. Treze anos (isso mesmo?) haviam se passado desde a última vez que o vira. Eu não sentia o mesmo por meu pai, tendo em vista ele ter sido o causador de tudo.

E o pior é que não faço ideia se atualmente conseguiria reconhecer meu irmão, afinal, só tenho lembranças de quando ele tinha seis anos... Não sei se ele está alto ou baixo, se mudou seu cabelo, se está magro ou acima do peso. Aquilo era angustiante.

Percebi uma lágrima solitária escorrendo pelo meu rosto, e tratei de secá-la rapidamente. Não poderia deixar a tristeza me consumir, afinal, eu tenho certeza que um dia reencontrarei meu irmão!

Voltei para a minha cama e esperei o sono voltar. Olhei para o chão e avistei Denny dormindo tranquilamente no colchão. De repente, ouvi que ele resmungava enquanto dormia.

- Só mais cinco minutos, mãe. Não me acorde agora. - Deixei escapar um sorriso por causa disso. Fechei os olhos e tentei pegar no sono, demorou um pouco, mas eu queria que dessa vez eu sonhasse com qualquer coisa, menos com meu pai e meu irmão.

...:...

Acordei mais uma vez, só que agora foi porque Denny estava me chamando.

- Noah. Acorda, vai. - Abri os olhos e os fechei mais uma vez. O quarto estava muito iluminado por causa do sol que entrava pela janela. Pisquei várias vezes até me acostumar com a visão e ver Denny em pé ao meu lado.

- Que foi? - Falei com a voz rouca por ter recém acordado. 

- Sua mãe bateu aqui e pediu para tomarmos o café da manhã. - Ele levou sua mão e boca e bocejou.

- Ah, não, ainda estou com sono. Quero dormir. – Reclamei enquanto colocava minha cabeça embaixo do travesseiro.

- Deixa de ser preguiçoso.

- Eu não consegui dormir direito à noite, tive um sonho que me abalou.

- Sonhou com o Bicho papão? – Ele riu - Ou será que foi com o Jason com aquele facão enorme? - Brincou. 

- Não foi nada disso. - Eu queria falar do sonho, o quanto ele me deixara triste. Denny sabia do meu passado, havia contado para ele no mesmo ano em que nos tornamos próximos. Sabia que ele poderia me ajudar e me sentir melhor - Posso te contar uma coisa?

- Pode. O que é? - Ele se sentou na borda da minha cama e depois se espreguiçou. 

- Noite passada eu sonhei que estava passando por uma praça, e então avistei uma criança em um banco, chorando. Ela me parecia familiar, então me aproximei. O garoto disse que estava chorando pois havia se perdido de sua mãe e de seu irmão, que seu pai o levara para longe deles. Perguntei ao menino quais seriam os nomes deles, e o mesmo respondeu que o nome de sua mãe era Emily, e de seu irmão era Noah... Enfim, naquela hora eu soube que estava diante do meu irmão, e aquilo me deixou arrasado. Logo depois eu acordei e me senti péssimo. Eu sinto muita falta do meu irmão, não o vejo há mais de dez anos. Não posso simplesmente comentar isso com minha mãe, ela ficaria triste, então acho que só posso contar com você para esse tipo de situação... – Fui interrompido ao sentir ele se aproximando mais de mim e me abraçando apertado. – O-O que foi?

- Sinto muito, Noah. Eu sou filho único, então não entende o que é sentir falta de um irmão. No entanto, saiba que eu sempre vou estar ao seu lado quando você precisar, e sei que você ainda reencontrará seu irmão. Eu acredito e torço por isso! Imagine só, ele pode estar mais perto do que você imagina...

- Eu queria que isso fosse verdade. E de qualquer forma, sinto medo de não reconhece-lo quando o encontrar.

- Com certeza ele estará diferente. Afinal, treze anos se passaram. Mas, acredite, quando você o encontrar, saberá. Eu nunca erro quando dou conselhos.

Eu sorri.

- Eu espero mesmo que isso aconteça, ele me faz muita falta. Há tantas coisas que gostaria de ter contado a ele. Ele não compareceu aos meus aniversários, não viu em me formar no colégio e começar o curso de Direito e nem mesmo pude contar a ele o primeiro garoto que eu fiquei.

- Infelizmente, tais momentos não poderão ser recuperados, mas ainda há muito para acontecer. Várias conquistas e alegrias acontecerão em sua vida, e até lá espero que seu irmão esteja de volta para presenciar elas.

- Obrigado, Denny. Você com certeza sempre faz eu me sentir melhor.

- É pra isso que servem os melhores amigos. Sempre estarei disponível para você. Aliás, acho que deveria repensar de Direito é realmente o meu curso, estou mais para Psicologia, não é mesmo? – Rimos juntos.

- Eu acho que ambos combinam com você. – Nossas risadas foram interrompidas pela minha barriga roncando. – O que acha de descermos?

- Você leu minha mente!

***

Na Segunda-Feira de manhã, quando cheguei à faculdade, não encontrei Denny. Espero que ele não chegue atrasado. Quero saber como foi o encontro com a Jane. Ele parecia bastante animado por sair com ela. Denny tinha ficado um pouco mais depois do café da manhã e depois foi para casa. Na hora do café, percebi que minha mãe estava radiante, o que é algo raro. Ela era muito bonita - com cabelos castanhos escuros, como os meus, porém, o dela é encaracolado nas pontas. E olhos verdes - e poderia muito bem arranjar alguém se estivesse disposta. Ela tinha que esquecer o papai logo. Bem, eu já esqueci.

Fui para a minha sala, sentei no meu lugar e resolvi ouvir música. Peguei meu celular e fones de ouvido, e coloquei meus braços na mesa e deitei minha cabeça. Fechei os olhos. 

Estava em um minuto de música já. O refrão - a parte que eu mais gostava - estava chegando. E, enquanto eu ia ouvindo, ia cantando a música junto, mas o som não saía, só a minha boca mexia. Eu também ficava balançando a perna embaixo da classe, uma mania que eu tinha e que minha mãe não gostava.

Senti alguém bagunçando meus cabelos, e sorri. Eu sabia que era Denny, ele sempre fazia isso e sabia que eu gostava. Levantei minha cabeça, a fim de cumprimentá-lo, e tive o desprazer de dar de cara com Gabriel. O meu sorriso foi desaparecendo aos poucos.

- E aí, carinha? - Ele cumprimentou. Não dava para soar mais forçado, não? E que intimidade toda é essa de afagar a minha cabeça? 

- O que você quer? - Tirei meus fones de ouvido. 

- O que foi? Não posso conversar com você? Como você está? - Ele sorriu. Que cara idiota. Primeiro, ele estava sempre enchendo meu saco, e agora ele queria conversar normalmente comigo. Ele era igual ao Jonathan. 

- Eu estou bem, obrigado. - Respondi desconfiado.

Gabriel, o melhor amigo de Jonathan. Garoto insuportável. Ele vivia me tratando como uma criança, além de, claro, ficar me perseguindo. Gabriel tinha cabelo preto e olhos castanho esverdeados. Ele não era tão musculoso, porém era bonito. Só que sua idiotice conseguia ser maior que sua beleza.

- O que está ouvindo?

- The Ni... Espera, o que você quer? 

- Não posso apenas falar com você?

- Bom, poder, pode. Mas eu sei que não é isso que você quer. 

- Eu só vim aqui para lhe contar uma coisa. É melhor tomar cuidado. Há várias pessoas ruins nesse mundo e...

- Ah, eu concordo. Conheço várias pessoas ruins. Devo começar a lista? - Falei, sendo sarcástico - Você... Jonathan... Vitor...

Gabriel riu.

- Você é engraçado, carinha.

- Não me chame de "carinha". Na verdade, nem fale comigo. Você não gosta de mim, eu não gosto de você. Tudo certo. Agora, se me der licença, gostaria de voltar a ouvir minha música...

- Eu odeio essa sua falsa coragem, você acha que pode comigo. - Bufei ao ouvir aquilo. - Você acha que pode me afrontar...

Nessa hora, Jonathan entra na sala.

Fodeu.

- Ah, mais isso ainda. - Falei, me referindo a Jonathan, enquanto levantava minhas mãos para o alto.

Jonathan arqueou a sobrancelha.

- O que está acontecendo aqui?

- Nada - Gabriel disse - Eu só estava alertando esse carinha aqui. 

- O que falou para ele?

- Eu mandei ele tomar cuidado com essa língua, antes que se arrependa. 

Ui, que medo do Gabriel!

No inferno só se for.

- Vão se ferrar, os dois. - Xinguei. 

- Cala a boca, Noah. - Jonathan disse.

- Ou o quê? Vão me bater?

- Eu topo! - Gabriel exclamou de forma exagerada, olhando para o amigo.

- É uma boa, não acha? - Jonathan respondeu.

- Meu rosto não acha isso.

Ele riu.

- Se vai fazer alguma coisa... - Comecei, mas ele me interrompeu.

- Ah... Eu vou, sim. - Ele se aproximou de mim. Quanto mais ele se aproximava, mais eu me afastava. Acabei encostando minhas pernas na frente de uma mesa e não tinha mais para onde ir. Jonathan se aproximou e levou uma de suas mãos até minha nuca. Ele segurou meus cabelos, apesar de não estar segurando com força. Minha cabeça foi para trás. Ele foi chegando mais perto de mim... E que merda ia acontecer agora? E porque meu coração insistia em pular pela boca?

Ouvi um barulho e tomei um susto. Os garotos olharam em direção a porta de entrada da sala - e segui seus olhares. Havia um garoto na porta. Um homem, na verdade. Mas ele não era um professor, e tinha certeza de que ele não trabalhava aqui. Devia ser algum estudante mais velho, o que era normal de se ver em faculdades. Vi Jonathan se afastando de mim e, o que ele iria falar ou fazer, eu tinha uma mera impressão de que nunca mais poderia saber. Eu vi quando ele fechou suas mãos em punhos ao lado do corpo e depois percebi seu rosto enrugando de raiva. Mas ele continuava bonito, como sempre.

Preciso controlar meus pensamentos!

- Está perdido, senhor? - Além de ser grosseiro com o cara, ainda era impaciente. Eu não entendi porque ele estava desse jeito, bravo. E nem queria entender, Jonathan podia ser meio complicado às vezes.

- Na verdade, sim. Poderiam me ajudar? - O senhor - fortão e de cabelos e olhos pretos, vestindo um terno - me tirou de meus pensamentos idiotas. 

- Onde você quer ir? - Perguntei antes que Jonathan fosse grosso outra vez. 

- Queria saber onde fica a sala de informática. Cheguei em minha sala e notei um aviso no quadro, em que dizia que nossa aula seria na informática. O problema é que nunca fui nesse lugar. – No fim, era apenas mais um aluno perdido.

- Ah, certo. Eu sei onde fica. - Ouvi o cara sorrindo e respondendo um “Que ótimo”. Continuei: - Então eu posso levá-lo até lá.

- Não. - Jonathan falou logo depois que terminei. - Eu vou.

- Porque? Eu já disse que ia. 

- Eu só não quero mais ficar aqui. - Ele disse, com raiva ainda. 

- Claro. - Revirei os olhos. - Vá em frente. 

Ele se afastou e foi em direção ao homem na porta, que não tinha entrado na sala. Ele estava no meio do caminho e deixei escapar um “idiota”, só para provocar. Infelizmente, ele acabou ouvindo e parou de andar. Virou e olhou enfurecido para mim. A última coisa que ouvi foi ele falar ''O que você disse?'', antes de levar um soco no rosto. Eu caí no chão e fiquei olhando com os olhos arregalados para ele. Ouvi Gabriel repreender Jonathan, estava bravo com alguma coisa. Provavelmente porque era ele quem queria ter batido em mim. Porém, Jonathan só se virou e foi acompanhar o senhor - que agora estava com a mesma reação que eu.

Eu senti dor onde havia levado o soco, mas o que me surpreendeu foi que eu achava que poderia ter sido mais forte. Bom, não foi forte o suficiente para se tornar insuportável e eu começar a lacrimejar. Foi na minha bochecha e senti ela latejando. Senti também gosto de sangue na boca. Provavelmente ela incharia, eu não sei direito. Nunca tinha levado um soco no rosto. Mas o que mais me deixou arrasado foi que Jonathan havia me batido, pela primeira vez. Senti vontade de chorar. Bem, a culpa foi minha também. Eu não devia tê-lo provocado e o chamado de idiota. Acho que eu estava mesmo convencido demais de que ele fosse incapaz de me bater. E pior, porque eu achava que ele poderia gostar um pouquinho de mim. As vezes eu ria dos meus pensamentos babacas. 

Me levantei do chão e fui até o banheiro. O corredor estava começando e encher de alunos, mas nem sinal de Denny ainda. E era nesse momento que eu mais o queria por perto. Mas eu sabia que estaria sendo um fracote se fosse depender dele toda a hora. E eu também não queria que ele odiasse a Jonathan mais do que já odeia.

Entrei no banheiro e me olhei no espelho. Estava com uma cara feia. Eu tinha mordido a minha boca e ela estava sangrando. Também tinha sangue escorrendo pelo canto dela. E minha bochecha ainda latejava um pouco. Liguei a torneira e tirei o sangue do meu rosto. Depois sequei meu rosto. 

Abri e porta e saí do banheiro. Voltei para a sala e está já estava cheia de alunos. Denny estava lá, Jonathan, não. A primeira coisa que pensei foi que Denny iria querer saber o que tinha acontecido com o meu rosto, mas eu rezava para que não estivesse tão visível. Me dirigi até minha classe e guardei meu celular na mochila. O professor logo, logo estaria chegando. Senti alguém me cutucando, e eu não precisava pensar muito para saber quem era.

- O que aconteceu com o seu rosto?

É, eu teria que explicar para o Denny.


Notas Finais


Comentem o que acharam! Sua opinião é muito importante para mim. :)
Espero que estejam gostando, ainda tem muuito para acontecer.
Até o próximo capítuloo! o/
Bjinhooos


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