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História Sempre Ao Seu Lado - Capítulo 20


Escrita por: e R31


Notas do Autor


Olá, narnianas e narnianos, estavam com saudades? Bom, nós esperávamos, e esperamos, de todo o coração que gostem! Queríamos que todos acordassem pela manhã com essa atualização, portanto não nos matem se haver mais dúvidas que repostas.
Quando retomarmos a Guerra Terebintia, lá pelo capítulo 31, conforme prometemos, queremos que vocês tenham em mente que havera mais, muito mais!

Guerra, para quem quer guerra.
Romance, para quem quer romance.
Magia, para quem quer magia.
Fogo, para quem só quer ver o circo pegar fogo.
Hot, para quem quer hot.
Amizade, para quem quer diálogos fofinhos e por aí, adiante...

Mas promessa é dívida e no próximo capítulo, voltaremos para o Casamento de Susana em Seattle.

Por hora, esperamos que gostem!!!

As autoras 😄❤💛

Capítulo 20 - A Guerra de Terebíntia: Longe do Fim


Fanfic / Fanfiction Sempre Ao Seu Lado - Capítulo 20 - A Guerra de Terebíntia: Longe do Fim

“Todos os homens sonham, mas não da mesma forma. Os que sonham de noite, nos recessos poeirentos das suas mentes, acordam de manhã para verem que tudo, afinal, não passava de vaidade. Mas os que sonham acordados, esses são homens perigosos, pois realizam os seus sonhos de olhos abertos, tornando-os possíveis"

[T.E. Lawrence, Os Sete Pilares da Sabedoria]

§

 

Os cascos dos cavalos de Pedro, Susana e seus companheiros, arrancavam pequenas quantidades de solo a cada passada, a cada trote. Aquelas veredas pelas quais eles passavam não possuíam as mais simpáticas das aparências, mas felizmente nada de extraordinário ou ruim de pôs na maior parte do caminho deles até a cidade portuária de Blanchester, ao sul de Nárnia.

Para passar o tempo, os três cavaleiros e a rainha trocavam histórias, deixavam os outros a par de acontecimentos das semanas anteriores e, faltando apenas três quilômetros e meio para chegarem ao porto sul, William, o elfo que estivera em Anvar junto de Lúcia, Edmundo e todo a tropa narniana, na semana passada, contava tudo o que ouvira no banquete que ocorreu no dia seguinte a batalha. Relatou sobre o que a moça da Calormânia, Aravis, havia contado, ao rei Luna e seus filhos, os príncipes Cor e Corin, sobre quão baixos os calormanos tinham agido.

Pedro ouvia com atenção. No banquete, Edmundo relatava sobre sua experiência pessoal com um ar de graça e infâmia para aliviar o clima, para divertir Pedro, mas agora, William estava tratando o assunto com seriedade conforme a situação exigia.

— Segundo Aravis, o príncipe Rabadash prosseguiu, dizendo ao pai dele que, abre aspas: “Embora essa mulher (a rainha Susana), por mero capricho, tenha recusado o casamento, o Grande Rei Pedro é homem prudente e judicioso. De modo algum vai querer perder a alta honraria e grande vantagem de ser aliado da nossa casa e de ver o seu sobrinho e o seu sobrinho-neto no trono dos calormanos

— Só se fosse nas insanidades mais viajadas deles, o sol que bate na cuca todos os dias lhes está afetando o raciocínio, só pode! Ora! Que tipo de idiotas eles são para pensar que eu iria ignorar o desejo de Susana de forma insolente?! — Exclamou Pedro, com ironia revoltada evidente em sua voz.

De sua montaria, Susana o olhou de esguelha. Não queria ouvir mais nada que tivesse relação com Rabadash, uma ânsia de vômito serpenteava de seu interior rumo sua garganta toda vez que a rainha pensava no assunto. Mas não poderia negar o relato para Pedro, e de qualquer forma, era bom para ela ver a indignação vindo de Pedro, isso a fazia se sentir um pouco mais vingada.

— Calormanos e terebintianos são da mesma laia, quem diria? Confesso que eu esperava bem mais destes países. — Comentou sr. Tumnus, ainda que estivesse atento para o ambiente ao redor deles.

— Agora você vê a armadilha para a qual você queria me empurrar, Pedro? — Alfinetou a rainha Susana, com um olhar de quem pensa “O que foi que eu te falei antes, maninho? Eis a comprovação”.

Um mal-estar percorreu o interior de Pedro. Seus lábios se franzem numa linha rígida de desgosto. Independentemente do resultado da guerra que eles teriam contra Terebíntia, ao final disso tudo, a primeira coisa que Pedro decidiu fazer, seria chamar o Tisroc para uma séria conversa, pôr os pingos nos “i’s” e etc., mas por hora, era melhor apenas ouvir. Depois ele se preocuparia com questões de diplomacia com a Calormânia.

— Me perdoe Susana, se Rabadash não tivesse enganado a todos nós tão bem, eu jamais permitiria que você ou mesmo Edmundo navegassem até a Calormânia – murmurou o loiro, dividido entre o sentimento de culpa e o rancor. Jamais admitiria em voz alta que só permitiu isso antes para não se expor demais. Em ambos os casos, mandar Edmundo e Susana para a Calormânia foi um ato de egoísmo de sua parte. — Eu realmente sinto muito, por isso.

— Não tem problema Pedro, eu sei que você decidiu isso porque achava que era o melhor a ser feito... e fico feliz que você tenha nos dado um voto de confiança para que Edmundo e eu  pudéssemos resolver isso sozinhos. Independente do que aconteceu em seguida, foi importante para mim e para Ed também. — Comentou Susana, o que ateou ainda mais fogo à sensação de culpa no peito do rei.

Pedro é quem deveria ter ido para o sul, não Edmundo.

Era o Grande Rei era quem deveria estar em Calormânia defendendo a honra de Susana, Edmundo era melhor no quesito estratégia de guerra, a missão de confronto dos gigantes deveria ser do rei justo. Mas Pedro não conseguia pôr uma pedra sobre seu ciúme por Susana, odiava Rabadash, não queria aceitar que Susana poderia mesmo se casar com o príncipe calormano, e quando viu que Susana se interessava por essa ideia, foi o fim na mente de Pedro. Tomando para si a missão que era de Edmundo, ele ofereceu o navio Esplendor Hialino para que Ed acompanhasse Susan para ida à Calormânia enquanto o grande rei se jogava de cabeça na marcha para o norte, de forma imprudente.

Tudo isso, porque o Pedro Pevensie não queria que ninguém percebesse o quanto ele estava fervendo de ciúmes por dentro, por Susana.

— E o que mais disseram, William? — Perguntou Pedro, dando continuidade ao assunto.

— Bom, segundo Aravis, o Tisroc disse: “Ele (o rei Pedro) não verá isso se eu viver para sempre, como é sem dúvida o seu desejo, filho meu. E isso não é tudo. Pois ainda, depois de um instante de embaraçoso silêncio, falou o príncipe Rabadash: “Além disso, pai-meu-deleite-e-sei-lá-mais-o-que-dos-meus-olhos, forjaremos cartas da rainha, afirmando que me ama e que não sente o menor desejo de regressar a Nárnia. Pois todo mundo sabe que as mulheres mudam mais que cata-ventos. E, mesmo que não acreditem nas cartas, não ousarão entrar com armas em Tashbaan para buscá-la”.

Susana, sem conter seu asco, se enfurece:

— O quê?! Mas que audácia! São uns insolentes desgraçados mesmo! — Rugiu a rainha, cerrando os dentes numa careta pois disso, ela realmente não tinha consciência. — Que pensam eles que sou? Só um rosto bonito? Eu sou uma rainha, tenho meu próprio arco, eu tenho opinião própria, sei me defender sozinha! Se ele acha que eu iria ficar acuada e calada na minha, pois ele está muito enganado! Na primeira oportunidade que eu tivesse, atiraria uma flecha no olho dele!

— Susana – chamou Pedro, tentando a acalmar, mas ela o ignorou.

— Pois eu deveria ter levado meu arco, assim ele veria que não sou nenhuma indefesa! — Prosseguiu a rainha, furiosa. — Pois eu digo que mulher alguma vai se casar com esse jumento real por todas as asneiras que saem por aquela língua mentirosa maltrapilha, nem a mais vil das fofoqueiras insolentes tem tamanho linguajar desprezível!

— Susana! — Pedro tentou novamente, olhando tenso para a trilha ao seu redor. Lentamente, ele abaixou sua mão a bainha de sua espada. — Susan, ao menos fale mais baixo!

—  Cale a boca, Pedro, me deixe prosseguir! Queria eu ter levado a Lúcia comigo! Ai sim aquele torresmo emburricado de meia tigela iria ver se uma mulher não é capaz de ser mais firme que uma rocha!

Tumnus e William prestaram atenção ao ambiente também, a sensação de estarem sendo observados formigava por suas espinhas, de modo que eles se colocaram em alerta de imediato. Pedro sentiu um frio descer em seu interior, aproximou seu cavalo da equina de Susan, alcançou a rédea e a obrigou a parar, tanto o cavalo dela quanto o dele, Tumnus e William pararam seus cavalos logo em seguida.

— Mas o que é desta vez, Pedro?! — Ralhou Susana, antes de Pedro se precipitar sobre a sela dela e tapasse a boca de Susan com a mão, assustando-a. Antes que ela resistisse, Pedro se voltou para ela:

— Silêncio, Susana! Escute! — Murmurou o loiro, com seu rosto perto do dela. — Tem alguém nos seguindo ou estreitando sorrateiramente!


 

§


 

A sala do tesouro do palácio real de Cair Paravel era um amplo local, maior do que pode parecer à primeira vista, iluminado por velas espalhadas por inúmeros castiçais e um belo lustre que se localizava no teto davam um ar dourado e aconchegante a sala, que fora projetada para ser totalmente branca. De um lado, pilhas de ouro, prata e artefatos de bronze se amontoavam pelos cantos, presentes de outros reinos enfeitavam prateleiras, os livros mais importantes e raros do reino preenchiam algumas estantes, um pequeno arsenal de guerra estava destinado para abrigar armaduras, espadas e escudos de reserva, numa caixa havia um estoque considerável de arcos e flechas. Do outro lado da sala, entre colunas de sustentação, o esplendor do poder narniano se completava. Quatro estátuas, brancas, luxuosas e em tamanho real, a imagem dos reis e rainhas de Nárnia, estavam erguidas entre tais colunas, guarnecendo o local.

A frente dessas estátuas, estavam quatro baús, todos preenchidos com vestes e outros pertences dos regentes que eles guardavam por segurança, destinados para eventualidades de risco ou de emergência. Atrás deles, escondido das vistas mais desavisadas, havia a entrada para uma segunda antecâmara com seu teto em forma de abóbada ilustrada por imagens da Criação de Nárnia, onde Aslam era a figura chave de todos os desenhos que, com graça, tornavam o local ainda mais simbólico. Nessa pequena antecâmara, a primeira coroa do primeiro rei repousou, guardada — a coroa real destinada ao Grande Rei.

O local era o símbolo central do poder de Nárnia, mais que a sala do trono. Aqui, Cair Paravel foi fundada, partindo daqui que o castelo começou a formar, se ampliando a cada ano e tomando proporções inimagináveis, como por exemplo, a passagem secreta que leva às praias.

Agora, nesta antecâmara, existem quatro pedestais de vidro, cada um destes comportando uma suave e cara almofada de veludo, sob redomas cúpulas transparentes de cristal, quatro coroas repousavam, esbanjando seu esplendor, o símbolo de poder de seus usuários. Os atuais regentes de Nárnia.

No entanto, tais regentes estiveram longe de suas coroas por dias, por semanas e até por meses. Desde o fim das esportividades competitivas do festival de início do outono, a três meses atrás, Pedro não via sua coroa. Havia semanas, que Edmundo nem pensava no prateado de sua coroa. Lúcia passou duas semanas longe das suas flores de prata e Susana a dias não vinha dar uma olhada no dourado das flores que enfeitavam sua fonte de poder. Chegaria parecer negligência da parte dos reis e rainhas, se essa ausência da parte deles não fosse motivada pelo dever de proteger Nárnia e Cair Paravel.

Portanto, parecia ser um grande ato de desrespeito, um casal de amantes se renderem aos seus desejos carnais mais profundos, justamente naquele ambiente. Se o casal em si forem um rei e uma rainha, continuaria sendo um ato de desrespeito? Bom, depende do ponto de vista - Não cabe à nós julgar, pessoalmente.

Embora tivesse plena consciência de que iria se arrepender na manhã seguinte, o fato era que rei Edmundo já estava familiarizado com o sentimento da culpa, que já o corroia de dentro para fora a anos, mesmo que ele não tivesse feito nada de errado até então. Mas uma vez tendo provado daqueles lábios rosados, tendo sentido o calor de um corpo que é tão atraente quanto a mente que o comanda... uma vez provado de Lúcia, constatando que, mesmo sendo totalmente errados, ele percebeu que estava condenado, a química de quando eles estão juntos é notável. Parecia quase certo.

Ao usar sua mão livre para buscar os botões que mantinham o vestido da rainha no lugar, Edmundo era movido por um impulso irracional, se negando a admitir para si mesmo que Lúcia era viciante, que quanto mais ele provasse do que lhe era proibido, mais dependente de tal ato com ela ele ficaria, quase como um vício.

Lúcia, embora tivesse o mesmo pensamento em mente, estava ansiosa para explorar essa área de sua intimidade pessoal, pois até então lhe era algo que ela somente pode imaginar, mas que finalmente pode tornar real. Ela sonhou com esse momento por mais tempo do que poderia admitir, sua inexperiência prática não se comparava aos amplos estudos teóricos que fizera, em segredo absoluto, sobre o assunto. Relatos de outros reis e rainhas foram encontrados por ela numa área da biblioteca que somente uma viciada em leitura como ela poderia se deparar.

Uma vez descoberto que, aquelas estranhas sensações que ela sentia com Edmundo era chamado de "atração", ela soube que estava perdida, porém não totalmente arrependida — Edmundo era quase tudo o que ela,  em particular, julgava ser de melhor. Todavia, ele tinha lá seus defeitos. O maior deles? Ele era a droga de seu segundo irmão mais velho.

Portanto, tanto Edmundo quanto Lúcia tinham esperança de, depois disso, quando essa vontade estiver executada, como fogo em palha, o desejo se extinguisse completamente — seja na manhã seguinte, com o raiar do sol ou depois da guerra, o que seria até melhor, na opinião deles. Pois quando a paz estivesse restabelecida, quando tudo voltasse ao normal, o rei e a rainha desejavam olhar para esse ato como algo isolado, usando como desculpa a tensão de uma guerra para a outra, algo como "sem parceiros conjugais, nós dois precisávamos relaxar de alguma forma, passamos tempo demais juntos e as circunstâncias nos levaram a este ato impensado, mas foi o calor do momento regado ao estresse da guerra e a pressão do reino, mas agora que tudo passou, que tal fingirmos que nada disso, jamais aconteceu?". Ambos planejam essa estratégia... mas logo descobriram que nunca terão chances ou mesmo audácia para a usar, pois tal mentira iria contra seus desejos mais reais.

Nenhum deles quer ferir a si mesmo, abrindo mão do outro. A questão aqui, não é por falta de amor entre eles (isso já está fora de cogitação, ambos são doidos e estão apaixonados um pelo outro, isso é óbvio), mas sim, se trata de uma incapacidade egoísta de fazer o que é certo. Ambos estão conscientes, se deixando levar, por livre e espontânea vontade. Assim que romper a virgindade de sua rainha, Edmundo terá uma ligação com ela será eterna. As implicações vão além do ato carnal em si.

Uma ânsia totalmente nova lhe tomava conta ao sentir o calor da intimidade de seu rei, Lúcia quase recuou ao sentir a firmeza e maciez que o membro dele fato apresentava sob o cós da calça, mas ao ouvir um som de prazer vindo dele, ela permitiu que seus dedos exploram-o mais, pois se ele lhe proporciona prazer, por que seria errado se ela apenas retribuísse?

— O que eu faço agora? — Sussurrou ela, extasiada, porém, um pouco perdida.

— Você vai descobrir, basta tentar... confie em mim, você vai conseguir. — Edmundo a incentivou, cobrindo os lábios dela com os seus novamente, ele a beijou, tomando os lábios de sua amada, com paixão, sentindo como se seu peito pudesse explodir se não a tivesse por inteiro, pois, todo o sentimento reprimido por anos, agora estava exposto. Naquele momento, toda a dor e frustração que ele sentiu, se mesclavam com a sensação enlouquecedora de tê-la finalmente em seus braços. Suas línguas travaram uma batalha excitante, uma batalha que não poderia se nomear um vencedor ou uma vencedora, mas eles tão pouco se importaram.

A rainha estava cada vez mais entregue nas mãos dele, sentindo sua pele mais quente e sua respiração mais pesada, ela ofegava a cada toque dele, que sob sua intimidade, a incendiava. Em troca, ela subiu sua mão livre aos cabelos morenos da nuca de seu rei, os segurou entre seus dedos e os puxou para baixo, fazendo ele soltar um gemido de dor e prazer.

Para retribuir esse gesto, Edmundo desceu seus lábios, urgentes e sedentos pela pele dela, mordiscou-lhe o pescoço, entre seus beijos, até que ela soltasse um pequeno, porém doce, som de prazer. Os dedos dele subiram para os braços dela, sua mão passou pelos ombros de Lúcia, puxando o tecido do vestido dela por trás das omplatas dela, logo expondo mais que os ombros nus, mas também a corrente de prata que circulava seu pescoço e o sutiã que escondia-lhe os seios. Hipnotizado por esta vista, Edmundo recuou um pouco para observá-la.

Sem saber o que fazer ou pensar, Lúcia olhou para o rosto de Edmundo, estava tão perto que podia ver nos olhos escuros dele, o reflexo de seu busto.

— O que você está olhando, Ed?

Nada. — Respondeu ele, em modo automático e descarado. Lúcia arqueou as sobrancelhas, antes de usar sua mão livre para dar um pequeno tabefe na nuca dele. — Ei!

— Nada? — Repetiu Lúcia, Edmundo riu, inclinando sua cabeça levemente para a direita.

— Está bem, eu confesso, estou olhando para o colo dos seus seios. — Lançando a ela um olhar sedutor, ele sorriu: — Me perdoe, mas eles são maravilhosos, não tem como eu não reparar.

— E qual o propósito de ficar encarando apenas, afinal?

O rei sorriu ainda mais.

— Minha rainha, a questão não é alcançar diretamente ao objetivo, mas sim aproveitar o caminho para chegar até ele.

— Você não existe, Ed... — a rainha riu, Edmundo ergueu seus olhos para a face dela, achando-a, novamente, a mulher mais fascinante que já vira na vida.

— Existo sim — ele murmurou, se inclinando para a beijar nos lábios — e eu posso provar.

Com isso, dois dos dedos dele, que antes massageavam o clitóris dela, encontram a entrada para o ventre da rainha e ali, eles se aprofundam. Sobressaltada, Lúcia tenta escapar desse toque, por impulsividade, se afastou. Tendo um leve distanciamento, a rainha pode observar como Edmundo ficara: com a face levemente avermelhada, os cabelos negros bagunçados. Ofegante, o peito dele subia e descia rapidamente, era quase engraçado, se não fosse absurdamente sexy vê-lo afetado assim, enquanto ele estendia a mão, buscando por ela, outra mão estava pousada sobre a própria virilha.

Não que ela estivesse em estado muito diferente, mas Lú se deu conta novamente do homem que estava a sua frente, a ponto dela o olhar desejosa, um salivar de luxúria se agitou em seu âmago.

— Acaso você mudou de ideia? — Ofegou Edmundo, sentindo seus lábios um pouco mais secos do que está acostumado, e encostando suas costas contra a pilastra, buscou apoio ao sentir suas pernas se contraírem pela ausência súbita do toque dela.

— Não, não mesmo — Lúcia riu baixinho, mas permaneceu onde estava, adorando o observar — é que apenas não estou acostumada com isso.

— Relaxe, Lú, eu não farei nada que você não queira. — Ele diz, com sua mão ainda estendida à ela, sentindo seu corpo tenso pela falta dela, ansioso pelo calor dela. As chamas em seu interior se alastrou com mais força, quando ele notou o olhar de sua rainha sobre si. Ela estava brincando com ele, como soubesse exatamente o que fazer para o enlouquecer.

— Eu sei, mas é que... droga! — Ela riu consigo mesma. — É que nunca imaginei que seria assim que as coisas aconteceriam.

— Então você já cogitou isso? Comigo? — Edmundo arqueou as sobrancelhas.

— Sim... por mais vezes do que eu gostaria de admitir.

— Você quer que eu, hum, pare?

Lúcia sorriu ainda mais, ao balançar a cabeça em negação maliciosa:

— De forma alguma. Eu não quero que pare. — Ela então se segura a mão dele e se coloca a frente dele, decidida: — Mas antes, ficaremos ao pé da igualdade.

Soltando a mão dele, ela se concentra em abrir a camisa das vestes reais dele, enquanto seus lábios cobria aos dele, cada beijo era uma linha de escrúpulos da parte deles em dissolução e Edmundo não se permitiu ficar parado. Quando o tecido de sua camisa real passou pelos ombros, se embolando nos cotovelos de Edmundo, ele a segura-a pela cintura, gira-a no ar e de repente, é Lúcia quem estava com suas costas colada contra a pilastra. Edmundo colou seu corpo contra o dela, o coração batia cada vez mais forte no peito de ambos. Ocupado em tirar totalmente a camisa real, ele sentiu os lábios de Lúcia descer pelo seu pescoço, as mãos dela estavam tão quentes quanto o próprio corpo do rei.

Inebriado pelo desejo, um leve ofegar escapou pelos lábios secos de Ed, ao mesmo tempo que sua cabeça pender para trás quando sentiu um arrepio pelo leve arranhar das unhas dela sobre suas costelas.

Lúcia riu, de nervoso, ao se pôr nas pontas dos pés para o beijar, o corpo de Edmundo era mais que atraente.  Por ser alto, a definição do tronco dele era ainda mais evidente, esta era uma das melhores coisas que a rainha já viu ou sentiu na vida, de uma forma ou de outra, esta memória certamente seria relembrada para sempre na mente de Lúcia.

Assim que a  camisa real de Edmundo caiu no piso sob seus pés, os braços dele voltaram a se enlaçar ao corpo de sua rainha, sem conter-se mais, as mãos dele seguraram a saia do vestido de Lúcia e o puxou a peça para baixo, surpreendendo Lúcia. Num segundo, o vestido dela se juntou a camisa dele no chão.

— Caramba! — A rainha exclamou, ainda que baixinho. O sorriso na face dela sequer oscilou. Embora um arrepio percorreu todo o corpo dela, ao estar na frente de Edmundo de repente somente de calcinha, sutiã e saltos, Lúcia não se sentiu tão constrangida quanto pensou que ficaria.

Dando um pequeno espaço para si mesmo, Edmundo olhou para Lúcia, fascinado.

— Vejo diante de mim, a  maior obra desse universo, a estrela mais brilhante — murmurou o rei para si mesmo — a mulher mais fascinante. Sinto que esse momento ficará marcado para sempre em minha memória, a personificação do meu mais íntimo segredo... Lúcia, uma vez provado do seu sabor, eu sinto que jamais poderei viver longe dele. Você tem certeza, certeza absoluta de quer ir adiante com isso?

"Sim, droga! É claro que eu quero!", gritou a mente dela, mas como a rainha que era, Lúcia se conteve e aproveitou disso para colocar suas mãos na cintura dele, trazendo-o para si. Sem dizer uma única palavra, ela novamente se pôs na ponta dos pés, beijando calmamente o queixo dele, enquanto uma de suas mãos descia seu toque pela pele quente e nua do tronco para o cós dele, por sobre a calça ela segurou o membro dele, calando-o completamente.

— Se isso não for a resposta mais direta que eu possa lhe oferecer, não sei o que mais seria, caro rei. — Soprou ela, sentindo o perfume da pele dele lhe invadir os sentidos a ponto dela não se conter mais de ansiedade.

— Como minha rainha desejar... — ele murmurou.

Se isso fosse um filme, algo me diz que provavelmente seria aqui que uma música pesada de rock começaria a tocar... Bom, brincadeiras a parte, o fato é que, quando Edmundo decidiu abrir mão da racionalidade e se entregar aos seus anseios carnais, quase nada o parava e o consentimento de Lúcia era a única coisa que lhe faltava para se jogar de cabeça naquele momento.

Subitamente, Edmundo segurou as pernas nuas de Lúcia, colocando ao redor de sua  cintura, um momento antes de ele a grudar contra a parede, pressionando sua cintura contra dela. Uma força quase primitiva o fez a beijar com ardor, seu membro estava pulsando de ansiedade teve um leve alívio quando pressionado contra o corpo dela. Lúcia ofegou, se segurando nos ombros largos e nus dele, quase não percebia o contraste do frio da pilastra contra o calor de sua pele quente, tudo o que era registrado em sua mente era Ed.

A temperatura parecia subir cada vez mais, com as costas da rainha apoiadas contra a pilastra e as pernas torneadas dela estavam firmes ao redor da cintura dele, Edmundo pode beijar o colo dos seios de sua rainha e ainda desceu suas mãos pela cintura de Lú, sentindo a maciez da pele dela, sentindo o perfume de frutas vermelhas lhe invadir os sentidos, os dedos dele se agarram a ela com uma urgência cada vez maior. Tudo o que ele queria era a sentir por dentro.

Ignorando tudo o que aconteceu, se recusando a pensar no depois, tanto a mente de Lúcia quanto a de Edmundo somente pensavam no aqui e no agora, caso contrário, provavelmente, voltariam  atrás. 

— Eu não vou conseguir segurar por muito mais tempo — admitiu o rei alguns minutos depois de Lúcia descobrir o que o ato de se remexer sobre a virilha dele causa em Ed. Lúcia não pode responder de imediato, por ele ter mordiscando a pele do pescoço dela logo abaixo da corrente de prata que ele dera a ela anos atrás. Mas quando pode dizer algo, foi para dizer "vá em frente", ela mal pensava nas consequências.

E pode se ter certeza: eles foram em frente. Embora, lá no fundo, houvesse um ditado aquelano, muito conhecido, que martelava em suas mentes:

“Cuidado com quem tu te entregas.

Cuidado com quem tu amas.

Se desejares amar, cuidado terás, pois a tua vida eternamente entrelaçado à dele estarás"


 

§


 

Seus passos eram leves sobre o piso de mármore, silencioso como um gato, ele avançou pelo corredor, ajeitando as luvas de couro em suas mãos, seus olhos percorrem seus braços e corpo, para se certificar que tudo em suas vestes estavam devidamente no lugar. O lorde prosseguiu seu caminho em direção ao subsolo. Não tinha um minuto de paz nesse lugar, ele pensou.

Chegara exausto da guerra de Anvar, da qual havia participado ativamente ao lado do rei justo e da rainha destemida, mas mal dormira oito horas em paz, para repor todas as noites anteriores mal dormidas, que novos problemas, ainda mais graves chegaram até ele apenas para o privar de seu sono tão estimado. Lúcia havia quase se afogado, Edmundo quase se perde no mar para a achar, Pedro chegou semimorto ao palácio e precisou do elixir de cura para ser salvo e voltar à ativa, Susana deu um banquete quando toda a Cair Paravel já deveria estar se preparando para uma guerra em dois possíveis fronts de batalha, talvez mais. O lorde era bom em arrumar encrencas, mas os reis e rainhas de Nárnia o superam de uma forma inacreditável. Saber, mesmo em segredo, que dois deles eram seus filhos chegava a ser um motivo de orgulho para ele. Enquanto Susana e Edmundo cuidarem de Nárnia ao lado de Pedro e Lúcia, era dever dele cuidar da segurança desses jovens reis e rainhas, e por isso ele era grato, por Aslam permitir que o lorde fizesse em Nárnia o que ele não pôde fazer na Inglaterra.

Naquela noite, em particular, ele jurava para si mesmo que nada de mais iria acontecer, por isso dormiu em seus aposentos, desde a hora que chegou, mas foi acordado no meio da noite pelo som de música alta vindo do salão do trono. Mal se levantou, com os olhos ardendo de sono, que o senhor Castor apareceu, dizendo que precisavam de ajuda. Lúcia e Edmundo acabaram de interrogar uma mulher louca e mandaram que ela fosse levada de escolta até a fronteira oeste de Nárnia e precisava que alguém, cuja opinião fosse levada realmente a sério, fosse falar com eles.

— E por que não o senhor? — o lorde perguntou, confuso.

— Meu amigo, já sou velho — sorriu o Castor —, se eles já me ignoravam antes e faziam o que bem entendiam, imagine agora?

— Eles não o ignoram, senhor Castor, eles não são malcriados. Mas concordo que, em alguns momentos, suas sugestões são muito radicais, é difícil concordar com algumas coisas.

— Bom, isso não vem ao caso agora, vem, Gerard? — Retrucou o Castor, ainda mal-humorado. — Mas é unânime, todos os reis e rainhas o ouvem como se você fosse pai deles... se bem que, até que você parece mesmo com vossa majestade, o rei justo. — O lorde sorriu, mas sentiu como se suas entranhas se revirassem em seu interior.

— Talvez em meu mundo, eu tivesse idade para tal... — Gerard tentou soar modesto, porém, quase fracassou.

Então! — Exclamou sr. Castor, pois era a primeira vez que Gerard concordava com tal possibilidade. — Por favor, vá lá e coloque juízo na cabeça desses jovens. Temos um salão cheio de convidados e nenhum rei ou rainha interagir pessoalmente com eles. Todos estão preocupados, em breve, podemos não ter mais condições de controlar a situação se o pânico se instalar.

— Tudo bem, eu vou... hum, falar com eles e ver o que posso fazer.

— Obrigado, Gerard. Que bom tê-lo de volta, meu amigo, sua sabedoria fez falta nas últimas semanas, principalmente para a rainha Susana.

— Por quê? Aconteceu algo a ela?

— Na realidade, foi mais pelo que não aconteceu. Como Pedro não mandava notícias do norte, ela estava muito aflita, pobrezinha, passou muito tempo isolada. Nada do que nós fazíamos ou dizíamos a ajudava. — Prosseguiu o Castor, sem notar o quão pálido a face de Gerard ficou. Um sentimento de culpa o tomou, de repente ele sentiu que deveria ter confiado totalmente em Edmundo a batalha em Anvar e ao invés disso, deveria ter ficado em Nárnia, cuidado de Susana. Mas nem mesmo ele, que conhecia e decifrava os reis e rainhas tão bem, não imaginou que Susana sofreria tanto a ponto de se isolar, logo ela, que adora companhia e atenção.

— Mas como ela está agora? Está se sentindo melhor?

— Sim, agora que os reis e a rainha, irmãos dela, retornaram, ela está consideravelmente melhor. Mas nosso foco agora é Edmundo e Lúcia. Eles devem estar na sala do tesouro ainda.

— Está bem, desço lá em um minuto. — Gerard disse, coçando o olho, tentando afastar o sono.

— Obrigado Gerard. – Sorriu o sr. Castor, grato. – Agora, me dê licença, preciso voltar para a sala do trono e impedir que aquilo vire uma anarquia.

Um leve riso surge nos lábios de Gerard, antes que ele se desse conta, de que aquilo que o sr. Castor disse não era para ser engraçado. Felizmente, o Castor havia lhe dado as costas e saído do aposento antes de ver o sorriso que poderia ter sido considerado erroneamente insolente na face de lorde Kirke. Com um suspiro, Gerard se levantou e se pôs a se aprontar para ir se encontrar com Edmundo e Lúcia.

Dez minutos depois, Gerard estava avançando pelo corredor, bocejando de sono, ajeitando as luvas de couro em suas mãos, com seus olhos percorrendo seus braços e corpo, para se certificar que tudo em suas vestes estavam devidamente no lugar. O lorde prosseguiu seu caminho em direção ao subsolo, já prevendo problemas.

Quando se aproximou da sala do trono e os guardas ali parados o viram, não hesitaram em se prontificar em prestar contingências, numa saudação respeitosa.

— Boa noite senhor. — Um dos guardas ali se adiantou, dando um passo à frente.

— Boa noite senhores, poderiam me informar se Edmundo e Lúcia ainda se encontram na sala dos tesouros? Pediram que eu falasse com eles. — A voz de Gerard, que já era naturalmente forte e levemente rouca, obteve uma tonalidade de domínio e competência ainda mais evidentes.

Para um homem que nunca mandou em nada até pôr os pés em Cair Paravel, pela graça de Aslam, e em menos de três anos se demonstrar capaz e confiável o bastante para se tornar um lorde e almirante no comando da força militar narniano (nomeado por seus próprios filhos poderosos) era algo que antes nem cabia no imaginário de Gerard Kirke, mas agora, era uma rotina.

E embora alguns dias fossem mais difíceis do que outros, para guardar seu segredo dos reis e rainhas, Gerard não tinha do que reclamar.

— Sim, senhor. — Prontamente, o guarda respondeu.

— Obrigado. — Gerard não precisou de mais nada para avançar. Os guardas abriram caminho e Gerard adentrou na sala dos tesouros, tendo o cuidado de manter firme sua postura, desceu as escadas normalmente e ao final dela, ele viu as peças de uma armadura desmontada espalhadas pelo chão, antes de ouvir ruídos estranhos vindos de algum ponto da sala, sussurros e suspiros. Compreendendo perfeitamente o que estava acontecendo, Gerard não conseguiu conter o riso malicioso. A sala do tesouro ficou subitamente em silêncio.

— Ai meu Deus, tem alguém aqui! – Um sussurro veio de trás das pilastras, Gerard reconheceu a voz de Lúcia Pevensie.

Edmundo e Lúcia, é? Gerard entendeu o que estava acontecendo e recuou um passo, ao limpar sua garganta ruidosamente.

— Her, sinto interromper majestades — pigarreou Gerard, lutando para não demonstrar que estava a segurar um riso. — Mas pediram que eu viesse avisar que os ânimos na sala do trono não estão muito favoráveis. Acham eles que seria mais apropriado que vossas majestades se divirtam em público, para que todos saibam que está tudo bem.

Um silêncio constrangedor se seguiu, não houve resposta. Gerard, que é o único que sabia coisas que ninguém mais sabe, além do próprio Aslam, lutava para não demonstrar seu riso, pois temia que isso fosse considerado desrespeito para com Lúcia, a filha caçula de John.

— Mas não precisam se apressar, terminem o que estavam fazendo, eu juro por Aslam que não contarei a ninguém. Aliás, nem eu deveria saber disso, por isso, eu, hã, vou indo nessa. — Gerard hesitou, antes de dar meia-volta e subir novamente as escadas do local, deixando-os novamente a sós. Se Edmundo tiver a mesma libido que seus pais, Gerard poderia apostar todas as fichas na hipótese de que Edmundo vai acalmar sua rainha para poderem continuar de onde pararam. Se Gerard e Elizabeth (que Deus a tenha) eram assim, porque seu filho seria diferente?

Às vezes, Gerard esquecia que Edmundo e Lúcia cresceram sem saber que, em suas veias, corriam sangues familiares totalmente diferentes, que eram somente irmãos de criação. Portanto, era difícil para ele ver essa relação deles como algo errado. Mesmo assim, ele se sentiu culpado de ter pisado ali e interrompido um momento tão importante e íntimo deles.

Quando Gerard saiu do local, o guarda que havia o cumprimentado antes, franze o cenho, sem contar sua curiosidade, questionou:

— Senhor? Está tudo bem?

— Está, está sim, creio que eles só precisam de um tempo a sós, suas majestades estão tendo uma conversa particular séria, na qual eles necessitam de privacidade. Já já eles terminam, podem acreditar. — Não havia o menor resquício de malícia ou brincadeira na voz de Gerard, pois ele estava determinado a proteger o segredo de seu filho e sua amada.

Então, o lorde se virou e se afastou novamente, agindo como se nada estivesse acontecendo, indo para a sala do trono. Os banquetes de Cair Paravel eram os melhores deste mundo. E Gerard Kirke estava faminto.

 

§

 

— Tem alguém nos seguindo ou estreitando sorrateiramente! — Pedro murmurou, com sua mão sobre a boca de Susana, calando-a. A rainha franze o cenho e tira a mão do grande rei de sua face, prestes brigar com ele, mas no momento em que ficara em silêncio, até mesmo ela ouvira o som de cascos de cavalo se aproximando muito ao longe. Trocando um olhar tenso com Pedro, por ele ainda estar inclinado entre sua própria montaria sobre a dele, os dois ficaram em silêncio, Tumnus e William, cuja as audições sobre humanas tinham uma captação sonora muito mais elevada, ouviram atentamente.

— Se trata de uma tropa — anunciou William, rompendo o silêncio que se seguiu — algo em torno de 250 a 300 homens, em montarias, embora estejam vindo em nossa direção, não parecem estar nos perseguindo, na verdade, parecem perdidos.

— Devemos nos esconder na mata fechada e aguardar para ver quem é? — Questionou Susana. O rei olhou para Susana, com um pontada de pavor que ele precisou lutar para controlar. — Pedro? Pedro, o que foi?

De repente o loiro agarrou a mão de Susana, memórias terríveis vieram a sua mente, flashes de uma emboscada vieram a tona, o tirando o fôlego. Pedro viu em sua mente, seu cavalo de guerra ser assassinado, viu um pegasus perder suas asas, faunos sendo mortos por golpes de espadas, elfos caindo no chão com suas cabeças decapitadas sendo jogadas para longe de seus corpos.

— Pedro? — Assustada, Susana se inclinou sobre ele, retribuindo-lhe o aperto de mão.

— Eu não posso... não posso deixar que aconteça de novo! Não posso deixar que isso se repita sendo que você está comigo agora! Não posso deixar que aconteça de novo!— Pedro respondeu, arfando. Assustada, a rainha gentil solta suas rédeas e segura o rosto de Pedro.

— Do que você está falando? — Ela praticamente exclamou, ao obrigar Pedro a olhá-la. William e Tumnus inquietos, sacaram suas espadas e se colocaram de prontidão, aguardando ordens.

— Da emboscada! A emboscada que Carlos arquitetou para nossas tropas no norte!

Susana pode sentir o medo na voz do mais velho, percebeu que ele estava apresentando sinais de estresse pós-traumático e finalmente entendeu que trazê-lo consigo, sabendo que fazia apenas poucas horas que ele voltara do norte, foi uma terrível ideia.

— Pedro, escute-me, nada vai acontecer, eu tenho a promessa de Aslam que nada vai acontecer essa noite, do próprio Aslam, por isso respire fundo! — ela segurou a face de Pedro com ambas as mãos, até que ele estivesse de fato a ouvindo. —  Você está me ouvindo? Pedro? Está me ouvindo? Aslam me disse que essa é uma noite de paz, se acalme, respire fundo! Está me ouvindo? — Susana insistiu, com completa calma e firmeza. Os olhos dele se encontraram com os dela, ele estava lutando para se acalmar.

— Mas e se forem inimigos que se aproximam? — Pedro insistiu, com sua voz trêmula, ainda aterrorizado, ele abaixou o tom de sua voz a um sussurro desesperado. — Susana, eu não posso perder você, não posso perder nossos amigos! Eu não aguento mais ver ninguém que eu amo morrer! Eu não aguento mais perder ninguém!

Susana entreabriu seus lábios, mas não conseguiu pensar nada bom o bastante para dizer para Pedro, nada que o acalmasse realmente.

— Majestades, eles estão cada vez mais próximos!


Notas Finais


Esperamos que tenham gostado, que não queiram nos matar, e que continuem com a gente para ver o circo pegar fogo em Seattle (SPOILER: Pedro vai tomar atitudes que vingaram toda a vergonha alheia que ele causou laaa no início, achamos que é mais que justo dar um up no rapaz, nosso pobre injustiçado, ele merece, né?)

Até o próximo capítulo! 😄❤💛


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