História Sempre cabe mais um - Capítulo 2


Escrita por: e Queridinho

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Abo, Busancity, Família, Jikook, Jikooksobrenatural, Zaibru
Visualizações 1.859
Palavras 6.622
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Por essa ninguém esperava não é mesmo?
Mas eis que isto não é uma piada, nem uma brincadeira de mau gosto, é apenas o meu presentinho de dia dos pais pros papais Zaibru.
É claro que um Rolex seria um presente muito melhor, mas quem está contando não é mesmo? O que importa é a intenção.

Capítulo 2 - Bônus: Presente de aniversário


— A gente têm que se separar — Jimin disse firme, jogando os cabelos para trás, como sempre fazia quando estava impaciente.

— M-mas por quê? — certo, eu já estava ficando preocupado, afinal essa era a primeira vez que meu marido sugeria algo do tipo.

— Jungkook… — respirou fundo — só não dá mais? ok?

— Não! Por favor meu amor, não me deixa sozinho e-eu não posso… — praticamente implorei, mas ele estava irredutível.

— Você precisa entender que as coisas não podem continuar desse jeito — explicou e uma sensação ruim já começou a tomar conta de  mim. Eu entendo o lado do meu ômega, entendo que essa situação foi causada por mim, afinal ele já me disse tantas vezes, já me deu tantas chances e eu desperdicei a cada uma delas. Como eu fui burro!

— A gente pode tentar de novo — insisti mais um pouquinho, quem  sabe assim ele teria piedade de mim.

— Não Jungkook, você não vai escapar dessa vez — ele estava decidido  — Você vai limpar o andar de cima e eu limpo o andar de baixo.

— Mas Jimin… Por favor — tive que abandonar todo o meu orgulho e suplicar para o meu ômega não fazer isso comigo, ainda mais sabendo que no andar de cima tem tipo, uns cinco banheiros — eu não consigo.  Você sabe que eu odeio limpar banheiro.

— Engraçado — ele me olhou de cima com as duas mãos na cintura — Devia ter pensado nisso antes de demitir a empregada.

Odeio admitir, mas ele tem toda a razão. Só que foi inevitável fazer isso, quando aquela alfa pretensiosa ficava dando em cima do meu ômega na cara de pau. Hyerim não era nada competente, aliás eu tinha motivos de sobra pra demitir uma empregada que não secava a louça direito porque estava ocupada demais secando o meu marido.

— Só me dá mais um tempo — pedi mais uma vez — Eu vou achar outra empregada.

— É claro que vai — Jimin disse com um sorriso tão ameaçador que eu nem me preocupei em contestar — Enquanto isso não acontece… — Bastou apenas apontar com o olhar para as escadas que eu já sabia o que ele estava pensando.

— Mas…

— Sem “mas”. O meu primo está vindo e eu quero essa casa limpa.

Parece que não existe maneira de fugir do meu trabalho — acredite eu já tentei — então a minha única opção é fazer o que o meu marido mandou. Até pensei em me fingir de morto enquanto subia as escadarias do pesadelo, mas era capaz dele me fazer retornar do inferno só pra me mandar lavar os banheiros.

Park Jimin é assustador às vezes.

Pior ainda é lembrar que Park Chanyeol está vindo para a minha casa. Já não basta ver aquele alfa idiota em todas as reuniões de família, agora ele tem que aparecer aqui. Aposto que é só pra exibir aqueles músculos e jogar na minha cara que ele é melhor que eu em tudo. Até meus filhos preferem o primo Chanyeol. Eu só queria pegar aquelas suas orelhas de burro e enfiar bem no meio do seu...

— Appa! — Somin deu um grito estridente fazendo todos os meus planos de matar um certo alfa irem por água abaixo — Jiwoo pegou meu batom de novo!

— Ela me emprestou appa — a ômega mais nova rebateu com aqueles bracinhos magrelo cruzados, fazendo a mesma careta que o Jimin faz quando está bravo. É impressionante como ela se parece com o pai.

Isso dá medo.

— Mas você acabou com todo o meu batom — a mais velha choramingou e as duas ficaram se olhando com aquelas carinhas irritadas.

Seria estranho se essas duas não brigassem. Jeon Somin e Jeon Jiwoo brigando é a coisa mais normal do mundo. Sério, acho que no dia que elas conseguirem conviver em paz vai ser tipo um marco histórico, ou o juízo final.

— Jiwoo, pede desculpas a sua irmã — expliquei do modo mais simples, porque sinceramente, eu nem sei o que fazer nessas situações. Jimin é o único que consegue lidar com elas.

— Eu não quero desculpas, quero um batom novo — o pior de tudo é que minha filha mais velha estava dificultando as coisas. 

Ou não. Talvez ela só esteja me mostrando uma maneira de tirar vantagem disso… Não me julgue, eu tenho nove filhotes, então sempre é bom tirar vantagem de situações problemáticas. É tipo a lei da selva, sabe? Se eu não aproveitar essa oportunidade, ela não volta nunca mais.

— Somin, querida, o papai vai comprar aquela maleta enorme de maquiagem que nós vimos no shopping, pra você — apontei para a ômega mais velha — e outra pra sua irmã — vi os olhos das duas brilharem — Mas com uma condição.

— Eu topo! — Jiwoo nem contestou e já aceitou logo de cara, o que é bom pra mim — O que eu faço?

— Vocês duas… — eu ia bagunçar o cabelo muito bem penteado das minhas filhas, só que lembrei que da última vez que fiz isso quase fui mordido. Adolescentes! — Vocês vão lavar os banheiros para o papai e em troca cada uma vai ganhar a maquiagem mais cara do shopping!

— Ah não, appa! — agora a mais velha que cruzou os braços — Se for pra lavar os banheiros, eu quero fones de ouvido também.

— E uma capinha nova pro meu celular — a baixinha completou.

Claro, pra me dar facada as duas pestinhas sabem muito bem serem unidas. Parece que esses banheiros vão me custar muito caro afinal, mas ainda vale a pena. Sem contar que, enquanto minhas filhas fazem o meu trabalho, eu posso descansar um pouquinho.

— Fechado! — levantei a mão para fazer um high five, mas fui ignorado. Elas só deram um sorriso depois que levantei o cartão de crédito com a mão livre. Depois disso, até ganhei um abraço, cheio de amor. Falso, mas ainda sim é amor. Prefiro me iludir com a idéia de que meus filhos gostam de mim e não do meu cartão — Mas não podem falar nada pro seu pai.

Imagina se o Jimin descobre que eu deixei nossas filhas fazerem o meu trabalho doméstico!  Acho que ele é capaz de me jogar da escada e dar um jeito de fazer parecer um acidente.

— Se for pra mentir pro appa, eu também quero o novo álbum do Monsta X — me dói admitir isso, mas Somin definitivamente tem futuro como chantagista. Pelo menos nisso ela puxou a mim.

Enquanto as meninas faziam as minhas tarefas, resolvi que precisava do meu descanso. Ser pai não é fácil não, viu? Então eu fui olhando de porta em porta, tentando achar um lugar confortável para o meu precioso soninho.

O quarto que os gêmeos dividem com Hoseok é muito barulhento com o som alto do videogame, não dá pra descansar assim. E eu nem me atrevo a entrar pela porta cor de rosa do quarto da Lisa e Jiwoo, da última vez que fiz isso, saí de lá com as unhas pintadas e todo maquiado. Melhor evitar. O quarto de Somin, nem pensar, eu fui banido de lá. Então, só me restaram duas opções: deitar na caminha do Yoongi ou ir pro quartinho dos gêmeos Dahyun e Kihyun, de 5 meses, — o que não era uma opção muito segura, já que ele fica no andar de baixo, do lado do meu quarto. E se Jimin me ver parado, sei que ele vai conseguir dar um jeito se me fazer ficar literalmente travado pro resto da vida — por isso minha melhor opção é ficar com o bebezão.

— E aí amigão, vamos fazer uns exercícios pra perder essas gordurinhas? — quando entrei no quarto de Yoongi, vi meu bolinho deitadinho com o bumbum para o alto. Ele parecia ter acabado de acordar com aquela carinha amassada e o cabelo espetado pra tudo que é lado — Papai vai ficar aqui um pouquinho com você, tá bom?

É claro que o bebê  não ia dizer um “sim, papai”, mas de alguma forma ele me respondeu com seu sorriso gengival e o queixo todo babado. Eu deitei em sua caminha minúscula, me encolhendo todinho pra caber do lado do gordinho, aproveitando pra pegar o celular do bolso e ligar a tela. Logo o lockscreen com a imagem de toda minha família — incluindo meu marido lindo no nosso casamento — surgiu na tela. Digitei o meu padrão e fui diretamente na caixa de mensagens do KakaoTalk enquanto ouvia Yoongi resmungar algumas palavras na língua do bebês — chama-se bebenês, como diz o meu Hobi — um idioma que eu ainda não sou fluente.

O pequeno engatinhou por toda a cama, rolou como uma bolinha e sorriu para todos vídeos e fotos que eu tirei e gravei durante esses quinze minutinhos. Depois de tanto rolar ele se deitou  sob o meu peito e mordeu meu queixo. Se de alguma forma aquilo deveria me machucar, o pequeno falhou docemente, porque a única coisa que conseguiu foi me deixar todo babado, inclusive na bochecha onde ganhei um “beijo molhado”.

Enquanto eu dava uns tiros no Free fire, avançava algumas fases no Superstar e tentava fazer a minha bolinha não cair naquele maldito jogo, Yoongi saiu de cima de mim e se apoiou na cabeceira da cama cantando e dançando no ritmo de uma musiquinha desconhecida que tocava em um brinquedo babado, no seu próprio idioma, que eu não sabia dizer se era árabe ou bebenês.

Meu celular apitou com uma notificação, abri minha caixa de mensagens reconhecendo a foto do Taehyung bem ali. Fui no nosso chat descobrindo que a mensagem se tratava de meu presente de aniversário que já estava bem perto.


“O Hyung enviou seu presente de aniversário mais cedo, espero que goste!”


Mesmo que nosso “relacionamento” tenha acabado, Taehyung sempre me mandava presentes de aniversário, todos os anos e sem falta. Obviamente meu marido não sabia disso, pois se soubesse ele se mostraria ser o alfa da relação e nós não poderíamos reproduzir mais, pois eu não teria mais o meu querido Jeongguk Júnior pra fazer um bom trabalho.

Digitei com muita dificuldade graças ao pequeno Yoongi — que ainda dançava ao ritmo da música fazendo minha cara de cadeira — sentando aquela fralda, que eu descobri estar ensopada de xixi, no meu rosto. Respondi com um “obrigado” e troquei mais algumas palavras com Taehyung, isso inclui contar o meu mirabolante plano de pagar as minhas filhas mais velhas para que fizessem meu trabalho doméstico. Taehyung riu e mandou eu tomar cuidado com o “João irritadinho” pois caso ele descobrisse, não daria certo.

— Chega garotão — Eu disse parando os ataques da fralda fedorenta do bebê — Vamos trocar essa fralda!

larguei o celular sobre a cama e segurei Yoongi pela cintura com as duas mãos e o suspendi começando a brincar de aviãozinho. Ele estava voando pelo quarto enquanto eu fazia um barulho falso de avião — que precisou fazer um pouso de emergência devido a uma explosão no “motor” —.  E quando terminei de trocar sua fraldinha de cocô, ouvi um berro vindo do banheiro.

— Appa! — era Somin. Eu deixei o quarto com Yoongi sobre os ombros babando meus cabelos enquanto estapeava meu pobre couro cabeludo. Parei na porta de um dos banheiros que Somin estava limpando, usando uma roupa velha, um avental e luvas, também estava com um balde e alguns materiais de limpeza nas mãos — Acabei! — disse ela apontando para as paredes branquinhas do banheiro. Adeus salário… — Agora só falta o senhor cumprir sua parte — ela piscou um dos olhos e saiu do banheiro deixando o balde para trás.

— Espero que um dia você não seja tão chantagista quanto sua irmã — falei pro bebê que só sabia se divertir com a minha desgraça.

Uma batida forte e passos pesados no chão de madeira, assustaram não só a mim quanto ao bebê em meu colo, que por pouco não começou a chorar. E em seguida Jimin apareceu no corredor,com olhos ardendo em raiva e eu jurei ter visto fogo sair de suas narinas. Ok, preciso parar de ver desenhos com o Hobi.

— Jeon Jungkook! — Ai não! Ele disse meu nome completo. Isso só quer dizer  uma coisa: assassinato. Por isso eu tratei de pôr Yoongi em frente ao meu corpo pra me defender. Jimin não me machucaria se Yoongi ainda estivesse no meu colo, não é mesmo?

— Amor da minha vida… — Eu disse com um sorriso amarelo tentando prender o bebê ainda mais nos meus braços — Aconteceu alguma coisa?

— Não se faça de desentendido! — Ele esticou os braços — Agora me passe o Yoongi! — eu neguei — Eu tô mandando!

— Mas eu amo tanto ele, me deixa ficar um pouquinho com meu bebezão  — um riso nervoso escapou de meus lábios, Jimin poderia ser perigoso quando queria.

— Você é um covarde, um covarde idiota! — Ele cruzou os braços em frente ao corpo — Uma hora você vai ter que soltar o bebê e quando isso acontecer…

— Papai, se a gente limpar os quartos também, o que vamos ganhar em troca? — Jiwoo apareceu no corredor, com sua roupinha toda molhada e alguns baldes em mãos, ignorando completamente a presença do pai e o possível fato de ficar órfã daqui a alguns minutos.

— Jeon… — ai Deus — Que história é essa?

— Ferrou! — minha filha ingrata fugiu rapidinho assim que viu a onça raivosa. E nem pra ter piedade do seu próprio pai.

— Eu ia perguntar por que você deixou Hoseok brincar na lama de novo, mas agora quero saber o que minha filha está fazendo — Jimin mexeu no cabelo e cerrou os olhos com tanta raiva, que eu juro que consegui ver Deus me recebendo lá no céu com os anjinhos.

Eu fui um bom homem.

— Ah Jiminnie… É que ela já tem 14 anos, já está na hora de ter alguma responsabilidade — tentei argumentar mas acho que não funcionou.

— Acontece que essa era sua responsabilidade — ele pousou uma mão na testa, talvez tentando evitar de jogar essa mesma mão na minha cara — É isso que você ensina pros seus filhos?

— Eu queria plantar um bebê appa! — a lama falante, ou melhor, o meu filhote coberto de terra da cabeça aos pés, surgiu saltitante atrás do meu marido piorando a situação.

— Plantar um bebê? — Jimin questionou curioso, mas sem desfazer o olhar duro na minha direção.

— O appa falou que plantou um bebê na sua barriga — o pequeno passou as mãozinhas sujas na barriga do pai, deixando um rastro de sujeira — Eu também quero um bebê.

— Mas você tem, meu amor — me abaixei na direção do pequeno alfa de oito aninhos — O Yoonie pode ser seu bebê, huh?

— Pode? — ele pulou todo ansioso.

— Sim! — passei o dedo no seu nariz, que era a única parte limpa do seu corpo — Mas só depois do seu banho, ok?

De uma coisa eu aprendi ao longo desses dezoito anos juntos: Jimin tem um fraco por fofura. Durante todo tempo em que eu falei com meu filhote, ele me olhava todo derretidinho. Sem contar que ele adora quando eu mostro ser o alfa da relação. 

Então, ponto pra mim.

— Você está certo meu amor, eu errei — assumir os erros também é a melhor forma de deixar meu ômega sem palavras — pode me perdoar?

— Seu… Seu… — e não havia mais argumentos, sua raiva já era.

Jeon Jungkook venceu a ira de Park Jimin.

— Eu te amo — pra comemorar a minha vitória, deixei um beijinho estalado naquela boca gostosa do meu marido, que acabou tendo participação especial do bebê Yoongi, com seu beijo babado na bochecha do pai.

— Mas você ainda vai dormir no sofá.

É, parece que infelizmente não tem como vencer Park Jimin.

[...]

— Então lobo mau soprou e soprou... — assoprei de leve os olhinhos pesados de Dahyun no meu colo — E a bebê dormiu!

Fui andando bem devagarzinho até o berço da pequena beta e deixei a recém-nascida deitada lá. Era sempre a mesma rotina para fazer os gêmeos dormirem. Kihyun é o primeiro a pegar no sono, aquele ômega loirinho adora dormir, se deixar ele dorme até tomando banho, então basta alimentar e deixar sua fralda limpinha que o bebê pode dormir a noite inteira. Já Dahyun é mais agitada, ela só dorme depois de ouvir uma música, ou uma historinha, como se escutar a voz dos pais a acalmasse.

— Ela dormiu? — Jimin sussurrou enquanto enrolava Kihyun com a manta. Mesmo fazendo calor, estava ventando bastante e eles são pequenos demais para ficarem expostos ao vento.

— Dahyun já está no berço — respondi, abraçando o meu marido pela cintura depois que terminou de empacotar o bebê.

— Ele tem os seus olhos.

— E a sua boca — completou — Já reparou que ele se parece muito com o Yoonie?

— Sim, eles se parecem — deixei uns beijinhos no pescoço do meu ômega, sentindo o seu cheiro um pouco diferente. Ele não tinha o meu cheiro — Jimin onde está a sua marca?

— Ah… — passou a mão pelo pescoço e clavícula — ela some com o tempo.

— Então vamos aproveitar que os bebês estão dormindo pra fazer outra… — continuei beijando o pescoço do ômega com um pouquinho mais de vontade, porque já sei onde aquilo vai dar.

Deixar minha marca em Jimin era sempre uma ocasião especial. É claro que só aconteceu umas três vezes ao longo desses anos, mas a cada vez parecia melhor. Sempre parecia uma primeira vez pra mim e todas as vezes que o fazia, era como se me reafirmasse o tamanho do meu amor por esse ômega.

— Não podemos — ele suspirou, se virando de frente pra mim — Chanyeol vai chegar a qualquer momento.

— Mas ele pode esperar um pouquinho — meus beijos foram subindo lentamente até chegar na sua boca.

Eu já disse que amava aqueles lábios? Não importa o quanto eu provasse, os lábios de Jimin ainda sim tinham o melhor sabor do mundo. Eram úmidos e macios na quantidade certa e é claro, pertenciam ao homem que eu estou apaixonado a quase vinte anos. Acho que isso faz toda a diferença.  

— Kookie… Eu preciso arrumar o quarto da Somin pro meu primo ficar essa noite. Depois nós podemos…

— Espera. Ele vai ficar no quarto da Somin?

— Sim, meu amor. Essa noite ela dorme com Lisa e Jiwoo — respondeu antes de me dar mais um beijo.

Mas eu ignorei. Por que? Porque eu estava incrédulo com isso. Meu coração doeu e meu orgulho de alfa também. O primo bombado do meu marido vai ficar hospedado no quarto da minha filha adolescente, o mesmo quarto que ela me proibiu de entrar. Sabe quando você se sente traído pela sua própria família? Bom, é pior que isso.

— Quer saber, pede pra ele ficar no seu quarto também. Ou melhor, fica com seu primo fodão, ele é melhor que eu mesmo.

Eu sei que pode parecer exagero e até infantil, mas isso machuca, sabe? Pensar que minha família gosta mais desse primo que de mim é muito triste. Quando percebi, já estava saindo porta afora com uma carranca de raiva, ignorando completamente os chamados sussurrados do meu marido.

Acho que tudo que eu precisava ir atrás do único filhote que ainda me dá amor naquela casa: Yoongi. Mas quando encontrei meu bolinho de açúcar, minha tristeza aumentou ainda mais.

— Como vai garotão! — eu não posso acreditar nisso — Nossa, como você cresceu!

O que eu não esperava era ver aquele alfa imbecil, segurando o meu bebê no colo. Chanyeol estava na minha sala, sendo abraçado pelo meu filhote enquanto brincava com o meu Yoongi no seu colo. Até Hoseok estava me traindo com aquele alfa!

Eu nunca fui tão magoado em toda a minha vida.

— Ah, oi Jungkook-ssi! — até aquele sorriso perfeito e alinhado era melhor que o meu. Não dá pra competir com isso.

— Chany, você chegou! — Jimin apareceu na sala sorrindo e não demorou muito para o alfa ir até lá suspendê-lo no ar em um abraço apertado.

— Jiminnie! — eu juro que poderia explodir a qualquer momento. Meu rosto devia estar pegando fogo a essa altura, de tanta raiva que eu sentia daquele alfa.

Na primeira oportunidade que apareceu, toda minha família me trocou por ele. Eu simplesmente não conseguia ficar em casa vendo aquilo. Só queria fugir pra bem longe de todos esses traidores, mas  parece que alguém teve a mesma ideia que eu, porque assim que eu saí pela porta da frente, minha filha do meio estava sentada nos degraus da frente da nossa casa, com uma carinha que conseguia ser mais triste que a minha.

— O que está fazendo sozinha aqui, Lisa? — perguntei pra baixinha, que até então estava com o rostinho escondido com as mãos.

— Não importa — ela respondeu com a voz embargada de quem estava chorando a um tempo.

— Pra mim importa — afastei aquelas mãos da sua carinha vermelha e peguei a minha filha no colo — Me conta o que está acontecendo.

Quando você tem filhos, às vezes é necessário guardar sua tristeza lá no fundo do bolso pra secar as lágrimas desses pequenos, só porque não existe nada mais importante nesse mundo que esses pedacinhos de gente. E ver eles tristes, dói mais do que mil facadas.

— Jiwoo falou que eu sou um erro. Que você e o appa só queriam duas bebês — a pequena mal conseguiu dizer essas palavras, de tanto que chorava e meu coração apertou.

— Isso não é verdade — expliquei, apertando minha filhinha ainda mais no meu abraço — Eu e o appa no começo só planejamos ter duas bebês, mas você sabe, nosso coração é grandão e sempre cabe mais um. Por isso, dois filhotinhos era pouco pra tanto amor que a gente tem — limpei o seu rostinho molhado — Nós amamos todos vocês do mesmo jeito, meu anjinho. Vocês são os meus presentes.

— Eu te amo appa — isso era tudo o que eu precisava ouvir, porque no momento em que Lisa demonstrou o que me ama, eu percebi o quanto eu sou grato por tudo o que tenho. E não vai ser esse alfa metido que vai estragar minha felicidade, afinal essa é a minha família e ele não pode tirar isso de mim.

— Eu também te amo minha batatinha!

[...]

— Mas é tão duro, Chany — ouvi a voz manhosa de Jimin ecoando da cozinha e acordei, se é que estava conseguindo dormir quando percebi que meu marido não estava na cama.

— É porque você não tá sentando direito primo — sentando? O que esse cara tá fazendo com meu marido a essa hora da madrugada? — sua bunda é muito grande!

— Não diga isso… — ouvi um risinho e no mesmo instante me levantei do sofá — Bom, até que é confortável. Posso quicar?

— É claro, ele aguenta! — Minha vontade era de ir até a cozinha saber o que estava acontecendo, só que eu não conseguia — mas senta devagar primo, pra não se machucar.

Meu rosto fervia de raiva e minha única vontade era de ir lá estapear aquele alfa ridículo. Mas acredite, por dentro eu chorava igual um bebêzinho. Dahyun e Kihyun teriam inveja do pai bobão.

— Isso é tão legal — Jimin soltou um sorriso ofegante e eu já estava prestes a chorar de verdade — Parece que vai quebrar… desculpa Chany, eu sou pesado.

— Não se preocupa Chim, esse pau é do bom! Eu só vou apertar mais um pouquinho...

Eu já não conseguia ficar parado ouvindo aquelas coisas. O que quer que esse projeto de dumbo está fazendo com o meu marido, vai acabar agora mesmo! Tá, não agora, mas talvez depois que minhas pernas pararem de tremer. Só que não dava pra ficar vendo, ou melhor, ouvindo aquilo sem fazer nada. Meu marido e aquele primo folgado estavam… Deus, eu não quero nem imaginar!

Mesmo sem coragem eu caminhei — me arrastei — até a cozinha para acabar com a brincadeira deles.

— Posso saber o que está acontecendo aqui? — entrei de olhos fechados porque realmente não estava conseguindo ver aquilo.

— Chanyeol consertou a cadeira — meu marido respondeu — Sabe, aquela que eu pedi pra você consertar a seis meses atrás.

Cadeira? Como assim cadeira? Ah… Então era isso.

Quando abri os olhos eu vi meu marido sentadinho na cadeira enquanto o alfa apertava um parafuso. Um parafuso! Com uma chave de fenda! Aigoo, eu sou tão idiota.

— Jungkook por que você… — meu marido se aproximou de mim me olhando com aquela cara. A mesma carinha que ele faz quando um dos filhotes se machucam — Por que você tá chorando?

— Chorando? E-EU? — e o restinho do meu orgulho alfa foi pro ralo quando eu passei a mão  o rosto e percebi que estava molhado. E pra piorar minha situação, Chanyeol estava rindo da minha cara. Eu sou uma piada mesmo, é isso.

Aliás, eu sempre fui uma piada pra esse alfa desde a faculdade.

Pois é, na minha época de universitário eu era aquilo que devemos chamar de fracassado, ou seja, um nerd viciado em jogos e um grande trouxa por Park Jimin.

Jimin era o ômega mais cobiçado de toda a faculdade, por onde passava as pessoas babavam em seu corpinho pequeno e escultural. E eu não era diferente, babava não apenas naquele corpo sensual como em sua personalidade gentil, no seu sorriso em exatamente cada partícula naquele ômega.

Desde que meus olhos bateram no seu rostinho bochechudo, onde a franja aloirada caía sobre os olhos, não consegui pensar em outra coisa que não fosse relacionado ao ômega ou em suas perfeições. Eu queria me aproximar dele mas algo me impedia e esse algo tinha um nome e sobrenome: Park Chanyeol.

O maldito alfa tão alto quanto um poste e tão bonito quanto qualquer outro alfa daquele lugar, que era a companhia de sempre do meu ômega. Eles viviam andando juntos pelos extensos corredores da universidade, juntinhos como um verdadeiro casalzinho clichê de filme americano e sorriam mais que família em comercial de margarina, dava até raiva!

O pior de tudo era me sentir inferior ao alfa. Chanyeol era mais alto, mais habilidoso, mais bonito e tinha a amizade de Jimin. Ele tinha aquele sorriso de olhinhos meia-lua todos os dias de sua vida, e eu tinha tanta inveja que chegava a doer.

E foi aí que eu tive a melhor ideia que poderia ter em minha vida. Eu iria me aproximar daquele ômega de qualquer maneira, mesmo que tivesse de mudar completamente.

Eu conhecia Taehyung, um ômega bonito que cursava arquitetura na mesma faculdade que nós. Ele era próximo de Jimin — muito amigos mesmo, e eu até arriscaria dizer melhores amigos — pois os mesmos não desgrudaram um segundo sequer, eram quase piores que Jimin e Chanyeol.

Chanyeol foi minha maior arma para conseguir Jimin, como? Simples, Taehyung era completamente apaixonado pelo alfa e bom, eu vi ali a minha chance não apenas de ajudar um amigo como de me aproximar de Jimin. Eu propus a Taehyung que se juntasse a mim numa missão de conseguir os nossos crushes nos notarem. Para isso Taehyung fingiu ser meu namorado — mas apenas fingiu mesmo — pois namorar aquela criatura é a tarefa mais difícil do mundo.

Uma vez eu estava em sua casa, tínhamos acabado de fazer nosso acordo, mas Taehyung fez questão de me ajudar a mudar meu visual. Quase chorei quando tive de me desfazer de minhas camisetas personalizadas, dos meus óculos e dos meus jeans folgados. Mas se era para conseguir pescar meu peixe, eu mudaria até a cor dos meus olhos para isso.

— Uau, e não é que você fica gostoso quando está vestido adequadamente — disse Taehyung na primeira vez que nos vimos na porta da Universidade após a minha extrema mudança,  isso inclui um novo corte de cabelo, um look mais formal e um pouco de maquiagem na minha cara meio esburacada de espinhas.

— Cala a boca e pega minha mão — eu falei demonstrando impaciência, mas na verdade estava envergonhado, não costumava receber elogios assim — O que planeja fazer?

— Vou te apresentar ao Jimin e ao Chanyeol como meu namorado novo — Ele disse — Porte-se bem, eles sabem o quanto sou exigente com meus namorados.

— E eu achando que você era virgem — Murmurei apenas pra mim, mas o Kim pareceu escutar e como a pessoa gentil que ele é ele apertou minha mão com aquela mão exageradamente grande e forte — Desculpa, desculpa, desculpa.

— Pensei tê-lo ouvido falar alguma coisa importante, querido — respondeu com cinismo, um dos motivos para eu considerar esse namoro falso uma grande merda.

Eu estava muito, mas muito nervoso, só de pensar em finalmente trocar uma palavra com o ômega que eu tanto gostava. A cada passo que eu dava, apertava ainda mais a mão de Taehyung. Céus em pouco tempo eu estaria em frente aquele garoto tão… Jimin!

— Bom dia! — Taehyung cumprimentou esbaforido enquanto me puxava pela mão — Tenho uma notícia. Arrumei um namorado! — Então ele me puxou para perto de si deixando-me ainda mais próximo do ômega — Esse daqui é o Jungkook, ele não é fofo?

— Bom dia Jungkook-ssi! Eu sou o Jimin — O meu príncipe encantado falou com seu tom doce, levantando uma das mãos em forma de cumprimento. Nem percebi quanto tempo fiquei o observando, apenas saí da minha bolha romântica, onde Jimin sorria para mim e borboletas voavam ao seu redor, quando Taehyung me deu uma cotovelada.

— Desculpa, ele é meio tímido — Disse o Kim — Fala um oi, Jungkook — Ele sussurrou — encena direito, seu retardado.

— B-Bom dia Jimin-ssi!

— Bom dia para você também, Jungkook. Sou o Chanyeol — O alfa me cumprimentou com um olhar mortal e eu sabia bem o que era aquilo: ciúmes.

— Bom dia Chanyeol — eu disse nervoso. Mas a atmosfera antes tensa, mudou completamente quando a risada doce e meiga do meu ômega reverberou por todo o corredor.

Depois desse dia eu passei a fazer parte do pequeno grupinho de Jimin. Até passava os intervalos com eles, quer dizer, eu costumava conversar bem mais com Jimin, já que ele gostava de puxar assunto comigo. Também descobri que o loirinho não tinha nada com Chanyeol, mas isso não diminuiu meus ciúmes até que eu descobrisse que aqueles dois são primos e por isso andam sempre juntos.

Minha relação com Jimin também melhorou bastante, pois com o tempo, ele passou a me olhar de maneira diferente e sua expressão sempre mudava quando Taehyung se aproximava, seu  ciúme começava a mostrar-se presente.

Até que um dia ele resolveu que seria legal me provocar, e eu não digo isso por mim mesmo. Aquela calça apertada e a camisa social com os três primeiros botões abertos me tiraram de órbita e eu enlouqueci.  Enlouqueci a ponto de agarrar o ômega no meio do corredor, na presença de Taehyung e Chanyeol — esse último me olhava boquiaberto — Até pude escutar Taehyung falar alguma coisa para o alfa.

— Só falta nós dois…

A faculdade inteira ficou sabendo da minha “traição”. Jimin fez questão de espalhar para todos que ele roubou o namorado de Kim Taehyung, o que resultou em um pequeno ódio por parte do loirinho. Pois é, uma regra que nunca muda: o ódio pelo ex sempre existirá — mesmo que não exista um ex. Que na verdade era um ex de mentirinha —, mas nada que eu não pudesse dar conta.

O que eu nunca consegui superar foi o seu primo, Chanyeol. Que neste momento não parava de rir de mim como se eu fosse a piada mais engraçada do mundo.

— Eu acho tão fofo esse seu ciúme da sua família primo. Será que eu vou ser assim depois que tiver meus filhotes? — Não consegui controlar minha confusão, filhotes? De que filhote ele estava falando?

— Filhotes, Chany? Você pensa em ter algum? — Jimin questionou.

— Na verdade isso vai acontecer com o tempo… aliás eu vim até aqui com uma razão. Quero dar uma notícia pra vocês — ele lançou aquele sorriso perfeito de novo, mas dessa vez eu não quis socar — Eu e Taehyung vamos nos casar!

— Taehyung? — dissemos ao mesmo tempo, olhando um para o outro. Realmente, por essa eu não esperava.

[...]

Naquela noite nós fizemos as pazes do jeitinho que eu gosto: na cama. E é claro que eu não deixei de renovar a marca do meu ômega para deixar bem claro que Jimin é meu e vai ser meu para sempre.

Algumas semanas depois, minha família inteira estava presente no casamento de Chanyeol e Taehyung. Bom, Jimin estava meio irritado com um dos noivos porque descobriu que o Kim me mandava presentes de aniversário todo ano. Mas devo confessar que apesar disso, a festa foi bem agitada.

Os gêmeos Jin e Bin, literalmente se jogaram em cima da mesa por causa de uma briga boba pelo bonequinho de noivo no topo do bolo. Por sorte, não destruíram o bolo de casamento, mas toda a decoração foi pro espaço.

Isso até Hoseok resolver roubar o buquê de Taehyung e “plantar” as flores no bolo. Meu filhote leva jeito para ser confeiteiro, porque até que sua obra ficou bonita, é o que nós podemos chamar de “rústico”. Isso sem falar na crise de ciúmes de Jimin — e da sua crise de choro quando descobriu que seu ciúme não tem fundamento — e os dois ômegas fazendo as pazes depois de se jogar na piscina.

Yoongi engoliu o anel de Chanyeol e a lua de mel do casal foi realmente muito romântica — aguardando meu filho evacuar a sua aliança no hospital pediátrico — eu disse que seria uma péssima ideia dar as alianças para um bebê de dois anos carregar, mas ninguém me ouviu e mesmo assim resolveram arriscar, achando que iria valer a pena só porque o bebê é fofo demais. Iludidos.

Definitivamente nós somos os centros das atenções em todas as festas.

Acordar em um sábado de manhã com uma bagunça no meu quarto é quase uma rotina. Então dá pra imaginar o meu nível de desespero quando acordei e minha casa estava um completo silêncio. Por um momento eu cogitei a possibilidade de ter sido o único sobrevivente de um apocalipse zumbi, ou que minha família simplesmente resolveu me abandonar. Mas foi quando eu ouvi a risada contida de Hoseok, seguida de um “fica quieto” que eu tratei logo de levantar, tirar as remelas da cara e o bafão da boca — até troquei de roupa se quer saber — e fui correndo até a cozinha.

— Surpresa! — fui surpreendido por uma avalanche de crianças que literalmente voaram em cima de mim e me jogaram no chão.

Só sei que provavelmente meus seis filhotes estavam me esmagando, tirando Yoongi, que literalmente sentou na minha cara. E quando o pequeno finalmente se cansou de me fazer de cadeira, eu vi meus pais segurando os gêmeos no colo — Kai segurava Dahyun meio sem jeito, porque a bebê não parava de pular no seu colo e Kyungsoo ninava Kihyun, que dormia apesar da barulheira na cozinha.

— Meus pais estão aqui! — falei pro meu marido que veio tirar Yoongi da minha cara. Só agora percebi que o gordinho estava usando a chupeta de bigode que eu comprei. Tão fofo, parecia um mini adulto.

— Você acha que eu ia perder o aniversário do meu bebê? — meu pai Jongin me ajudou a levantar.

— Não tão bebê assim — respondi ao ver Kyungsoo me condenando com o olhar.

— Pra mim você sempre será nosso bebê — E o ômega grisalho apertou minha bochecha como sempre fazia.

Acho que tudo que sei sobre ser pai, eu aprendi com aqueles dois. Meus pais foram os melhores exemplos que já tive e se não fosse por eles, acho que eu e Jimin estaríamos perdidos sem saber como se troca uma fralda, ou distinguir um choro de bebê. Por isso, devo tudo a eles.

— Por que vocês dois não saem pra beber? Nós ficamos com os pestinhas — Kai sugeriu.

— Ah… É que… melhor não — Jimin negou um pouquinho estranho, mas eu não liguei, afinal da última vez que a gente bebeu, os gêmeos nasceram nove meses depois.

Aproveitei para abrir os meus presentes de aniversário, que foram melhores que os do ano passado. Ganhei um par de chinelos de macarrão dos gêmeos, um desenho de onze bolinhas com olhos que a Lisa fez pra mim, uma chupeta babada que Yoongi esfregou no meu nariz, um buquê de flores amarelas e morangos que provavelmente Hoseok roubou do jardim dos Wang — o meu favorito — e um perfume caro comprado com o meu próprio dinheiro, que Jiwoo me deu.

De todos os presentes, o que eu mais gostei foi o cachecol vermelho e preto que Somin fez pra mim. A ômega mais velha disse que levou seis meses para tricotar a peça e meu coração ficou quentinho por saber que essa era a razão dela não deixar eu entrar em seu quarto.

E então eu e meu marido decidimos passar o dia na cama — dormindo — enquanto os vovôs davam conta dos filhotes. Até conseguimos assistir um filme na Netflix, acredita? Um filme inteirinho! Sem choro, sem interrupção. Só eu Jimin.

Mas é claro que meus filhos tiveram que aparecer e acabou virando uma sessão de cinema assistindo Frozen pela centésima vez com nove filhotes e meus pais — que pareciam mais encantados com a aventura congelante que as crianças —.  Esse realmente foi o melhor aniversário que eu já tive na minha vida.

Naquela madrugada eu despertei com o barulho alto do choro de um bebê no andar de cima. Yoongi vezes acordava no meio da noite depois de ter um pesadelo ou simplesmente porque estava irritado. Então Jimin vai até lá e consegue fazer ele voltar dormir. Só que dessa vez havia algo errado. Meu marido ainda estava dormindo e de repente o choro do bebê cessou. Meu bolinho não era assim, tinha alguma coisa estranha.

Jimin também percebeu isso, pois na mesma hora levantou da cama apressado e subiu as escadas comigo indo logo atrás. E quando abrimos a porta do quarto do bebê, meu coração deu um pulo no peito e eu jurava que poderia chorar a qualquer momento.

Hoseok estava sentado no chão com um bebê dorminhoco no seu colo. Yoongi chupava o dedão enquanto era balançado de um lado para o outro pelo irmão mais velho, com seu cabelinho todo espetado para o alto e as dobrinhas aparecendo.

— O que está fazendo Hobi? — meu marido perguntou todo choroso, parando ao lado deles.

— O appa disse que o Yoonie é meu bebê — o pequeno alfa respondeu me arrancando a primeira lágrima.

Talvez eu também tenha um fraco por fofura.

Nem sei como ele ainda se lembrava disso, mas eu não conseguia ver aquilo sem conseguir apertar meus dois filhotes em um abraço apertado e não soltar nunca mais. Jimin também me apertava e aquilo acabou virando um grande sanduíche de amor.

Até que decidimos que os pestinhas precisavam dormir — Hoseok acabou dormindo na mini caminha do irmãozinho, ou melhor, do seu bebê — e nós ficamos olhando os pequenos dormirem como os dois pais babões que éramos. E assim que voltamos para o nosso quarto, antes de apagar a luz e voltar a dormir, meu marido segurou a minha mão, me impedindo de deitar.

— Eu ainda não te dei o seu presente — ele falou sorrindo e eu sorri também, ansioso pelo que Jimin iria me dar.

Mas em vez de tirar uma caixinha de uma das gavetas, ou me dar um envelope ou algo do tipo, ele simplesmente segurou minha mão e levou até a sua barriga.

— Parabéns papai, nós vamos ter outro bebê!


Notas Finais


(Fortes referências ao primo Chanyeol)

Hobi ninando seu "bebê" https://www.instagram.com/p/BdfUBZvHEiz/?utm_source=ig_share_sheet&igshid=k7a2ss08w2nr
Uma fofura né? *-*
Muito obrigada Dudinha @Perrywinkle pela sua ajuda, como sempre. E @daengukmin pelas ideias! Nem sei mais como te agradecer...

E para todos, um feliz dia do: "pede pra sua mãe"
♡♡♡♡♡


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