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História Sempre estarei com você - Capítulo 1


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Capítulo 1 - One-Shot


Os alunos da turma 1-A da academia U.A. estavam sendo instruídos para uma excursão, onde teriam que viajar em duplas para uma missão de aprendizagem na cidade grande.

 

Professor responsável: Eraser Head.

 

Com a chegada da notícia sobre a viagem, os alunos se agitaram para começar a formar pares. Kirishima Eijirō, o jovem ruivo da turma, que sempre observava o loiro explosivo, não fazia diferente, ele virou o rosto para o colega entediado assim que o professor mencionara a palavra "duplas". Bakugō Katsuki se via desinteressado, ele observava seu colega Midoriya convidando o aluno meio-quente meio-frio da sala, Todoroki Shōto, o qual aceitou de imediato, com uma expressão séria. Para o loiro, nada daquilo fazia sentido, pois seria mais um dia de aula.

 

Eis que uma mão segurou o ombro de Bakugō. Assim que ele verificou a origem, percebeu ser de Kirishima, que estava com seu meigo e grande sorriso cheio de dentes pontudos, prestes a falar gentilmente.

— Seremos uma dupla, certo?

Bakugō o encarou de braços cruzados por alguns instantes, aparentando estar sério, até que acabou soltando uma breve gargalhada contida.

— Mas é claro, idiota. Com quem mais seria?

Chegando ao hotel, cada dupla se dirigiu para o quarto que iriam dividir. Kirishima fora o mais animado, sempre com um simpático sorriso no rosto. O professor Aizawa comentou que esta experiência também serviria para que os alunos aprendessem a dividir o espaço de descanso com outros heróis, fortalecendo os laços com os colegas.

No dormitório, Kirishima deixou sua mala ao lado de sua cama, se dirigindo para a de Bakugō, onde ele estava organizando as suas coisas.

— Eu te ajudo.

— Eu não preciso de ajuda, você tem as suas próprias coisas para organizar.

— Então…, eu vou verificar o quarto e ver se está tudo ok.

Kirishima abriu o frigobar e percebeu que só havia uma garrafa de água. Nisso, ele saiu de fininho do quarto sem que Bakugō percebesse. O loiro terminou e seguiu para o banheiro distraído.

— Eu acho que vou tomar um banho.

Após alguns minutos, Kirishima retornou com alguns lanches e bebidas, os guardando no frigobar. Bakugō finalmente apareceu, enrolado em sua toalha e seus loiros cabelos úmidos a pingar gotas de água em seu corpo.

— Eu esqueci de levar as roupas para o banheiro… 

— Ba... Bakugō.

Kirishima o encarou com o rosto corado e seus grandes olhos abertos, como se estivesse prestando toda a atenção possível. Bakugō o fitou de volta, mas com sua comum expressão de tédio misturado com irritação, esperando que o ruivo continuasse a sua frase.

— Hã?.. 

— Eh… Por que não me avisou, eu pegava para você.

O vermelho do cabelo de Kirishima quase se camuflava com suas bochechas rosadas, mas o garoto tentou não manter contato visual enquanto envergonhado, olhando para qualquer outro lugar e sorrindo nervoso.

— Está tudo bem, não há problema em eu me vestir aqui.

Kirishima pulou em um contido susto ao ouvir a frase, seu coração quase explodiu por bater tão rápido, mas ele manteve uma postura tranquila e sentou-se na cama, tentando controlar suas emoções aparentando estar sério.

— É verdade, você tem razão.

Bakugō, sem entender, apenas se vestiu normalmente, aparentando estar calmo e a vontade. Por fora, Kirishima parecia calmo e com um leve sorriso, mas por dentro, ele na verdade estava gritando de empolgação, questionando-se a possibilidade de ouvir de longe os seus próprios batimentos cardíacos, nervoso em pensar que Bakugō poderia estar ouvindo.

— Hm, pronto.

— Essas roupas ficam muito bem em você, Bakugō.

— Não é nada demais. Será que tem algo para comer?

— Olhe no frigobar.

Bakugō se encantou com os lanches, se deliciando ao experimentar um pouco de cada. Enquanto isso, Kirishima discretamente recolhia os pedaços deixados pelo colega, terminando de comê-los.

— O que terá para fazer?

— Hm, acho que o professor disse para descansarmos agora, pois amanhã vamos ter um treinamento.

Bakugō recordou do aviso, após ouvir Kirishima o dizer.

— Então…, o que fazemos agora?

— Eh… Podemos ver televisão ou, talvez, sair do quarto para dar uma volta e explorar. — Sugeriu Kirishima sorridente.

Bakugō concordou com a segunda opção, assim ambos saíram para explorar o ambiente. Já estava noite, o professor havia aconselhado para que os alunos não saíssem do hotel, então, Kirishima pensou em onde levar o seu colega loiro, precisaria ser um lugar interessante. Eis que o ruivo se lembrou de que havia uma sala de jogos por alí, pois ele tinha pesquisado sobre o hotel antes de chegar.

— Que tal jogarmos? — sugeriu o ruivo sem jeito.

— Parece bom.

Os garotos entraram na sala, acabando por encontrar outros alunos. Kirishima se incomodou um pouco, por não poder estar a sós com seu colega, segurando no ombro do loiro e o arrastando para um canto, onde havia um fliperama.

— Vamos ver quem ganha uma partida de luta no vídeo game. — sugeriu o ruivo abrindo um sorriso.

— Isso parece fácil, vamos ver.

No final da batalha, Bakugō vencera, soltando um orgulhoso e contido sorriso. Kirishima o encarou admirado, deixando de lado o fato de ter perdido, ele apenas observava a tímida e feliz expressão do loiro.

— Ei, por que está sorrindo? Você perdeu. — comentou Bakugō ao notar a expressão do colega.

— Mas isso já era esperado, afinal, você é o melhor.

Bakugō se surpreendeu com a resposta do ruivo, não sabendo o que dizer, até mesmo desviando o seu olhar, talvez por vergonha ou por estar contente e não querer que o vissem assim.

— Kacchan, o que está jogando? — Midoriya se aproximou com um sorriso amigável, acompanhado de Todoroki, que o seguia de forma bem próxima.

— Não é da sua conta, Deku. — Bakugō sentiu um desconforto ao ver o colega de cabelo verde, pegando na mão de Kirishima sem notar, com o intuito de arrastá-lo para longe. — Kirishima ia me mostrar algo, então estamos indo.

— Oh, está bem então. — comentou Midoriya acenando.

Bakugō levou Kirishima para o lado de fora do hotel, sem nem mesmo perceber aonde estava indo. Ambos ficaram parados na entrada de forma confusa, até que o ruivo suspirou para falar algo, mas fora interrompido pela frase do loiro.

— Foi mal te puxar assim...

— Ah, tudo bem, não foi nada.

— Bem, vamos voltar para o quarto, acho que será mais tranquilo apenas ver um filme e dormir.

O coração do ruivo não sabia mais se disparava ou se explodia de uma vez, ele apenas sorriu e concordou.

Um ruído disparou vindo da esquina, chamando a atenção dos garotos, que se atentaram e encararam a escuridão predominante. Gradativamente, o estranho barulho aumentou, se aproximando sem se apresentar.

Uma figura humana e sombria surgira os encarando, quando gelados pingos de chuva começaram a cair. Kirishima se posicionou em frente de Bakugō, levemente o empurrando para trás. O sujeito permaneceu imóvel, fazendo os garotos ficarem confusos se aquilo era maligno ou não. Kirishima coçou a cabeça e tentou dialogar com o sujeito.

— Eh, precisa de alguma ajuda?

O sujeito não emitia som algum, apenas aproximou seus passos em direção à  eles. Kirishima nunca abandonava a frente de Bakugō, que irritado com a situação começou a intimidar o sujeito.

— Se não dizer nada, eu vou explodir você. — disse impaciente, gerando pequenas explosões em suas mãos, abandonando as costas do colega e dando apressados passos em direção ao sujeito.

— Bakugō, espera. — Kirishima sentiu uma energia pesada vindo do sujeito, o que gerou nele uma preocupação ainda maior em relação ao loiro, o fazendo se atirar em direção ao mesmo na tentativa de protegê-lo.

A misteriosa pessoa levantou os braços e uma nuvem negra se dissipou, dificultando a visão dos garotos, que se agitaram instintivamente. O ruivo entrou em desespero procurando por Bakugō, até que encontrou um cabelo espetado em meio a fumaça, correndo nessa direção.

— Bakugō.

Kirishima percebeu que a imagem do cabelo havia se dissipado, ele olhou em volta, mas nada encontrava. Seu coração entrou em pânico e sua respiração começou a ficar pesada, tudo o que ele desejava era que Bakugō estivesse bem.

O ruivo finalmente percebeu que o cenário mudara, aparentemente, eles não estavam mais na frente do hotel. Uma voz irritada surgiu em seu ouvido, chamando pelo seu nome. Ao se sentir frustrado pela situação, Kirishima acionou a sua individualidade, endurecendo sua pele, mesmo que não tivesse um plano de como a utilizar.

O rosto de Bakugō era formado entre a escuridão em sua volta, o deixando confuso e preocupado. Aquilo parecia apenas uma ilusão, mas seu corpo estremecia e cada vez mais ele pensava em seu colega. A imagem sumia e aparecia como se estivesse piscando em sua cara.

— Minha individualidade faz o coração das pessoas serem expostos, desta forma, eu consigo ver as suas fraquezas. — disse uma grave voz em algum lugar naquele ambiente escuro, onde aos poucos se revelava sendo como uma grande caverna em chamas.

— Onde está Bakugō? — o ruivo gritou sem dar atenção.

O eco soltou breves gargalhadas, até que a voz de Bakugō começou a surgir, como se ele estivesse gritando em agonia. O ruivo sentiu um grande aperto em seu peito e começou a correr em volta, em busca do loiro.

— Foi muito simples ler o seu coração, jovem. — A grave voz retornou em um tom convencido.

— Tch, pare com brincadeiras e devolva o Bakugō. — gritou em desespero. 

— Kirishima. — A voz do loiro chamava em um tom distante.

O ruivo sentiu seu corpo pesar, a sua individualidade já o abandonara e sua energia quase se esgotara, o fazendo cair de joelhos.

— Eu também posso drenar os bons sentimentos das pessoas, o que me deixa mais jovem. — comentou a grave voz.

— Heheh, eu não ligo para isso… Eu não ligo para nada que você diga, eu só quero que Bakugō esteja bem… 

Kirishima surpreendentemente se levantou, mas com dificuldades, rugindo como um leão selvagem, endurecendo sua pele como nunca feito antes. Sua aparência se transformara em algo como um animal feroz e seus sentidos ficaram abafados. Ele não conseguia mais pensar, apenas rugir e atacar o que estivesse em sua frente.

— O despertar da fera interior, neste estágio eu já consumi toda a parte pura de seu coração. — a voz parecia estar satisfeita e caindo na gargalhada.

Bakugō se viu em outro cenário, apenas em meio à negra nuvem sobre a rua chuvosa, percebendo ter encontrado Kirishima, mas o ruivo se encontrara diferente, como uma fera dominada pela raiva.

— Ei, Kirishima, o que houve? — questionou intrigado.

O ruivo respondeu apenas com rugidos secos em meio ao olhar vazio, como se tivesse se tornado um fantoche. O loiro hesitou, não sabendo se mantinha distância ou se tentava se aproximar, o encarando preocupado.

— Hfm, foi muito fácil controlar este jovem. — disse a voz novamente, se revelando para Bakugō.

— Do que está falando? Você está fazendo isso com ele? — gritou irritado.

— Eu apenas entrei em seu coração e suguei os bons sentimentos, o cenário em que este jovem se encontra é resultado de sua própria angústia.

— Que porcaria é essa? Morra seu verme. — Bakugō começou a explodir aleatoriamente ao redor, evitando atingir Kirishima, que começou a se aproximar lentamente do loiro distraído.

Longos dentes afiados surgiram em direção a Bakugō, que por pouco desviou assustado, percebendo que Kirishima fora quem o atacara, o que fez sua mente trabalhar para achar uma respostas.

— Kirishima, acorde disso.

Sem respostas, Kirishima avançou novamente, desta vez, agarrando Bakugō pelo pescoço o derrubando de costas no chão, rosnando sobre o seu rosto.

O sujeito surgiu por trás de Kirishima, como um vulto, onde Bakugō o enxergou e tentou disparar explosões em sua direção, sem sucesso.

— Não é a mim que deves atacar. — comentou o sujeito sorrindo de forma maligna.

— Cala a boca e morra. — gritou Bakugō mostrando o dedo do meio para o sujeito.

Dos olhos de Kirishima caíram gotas de sangue, escorrendo sobre as bochechas de Bakugō, que o encarou surpreso e preocupado. Aos poucos, o cenário ao seu redor começou a produzir algumas cenas diante a fumaça escura, como se imagens estivessem sendo formadas.

O sujeito começou a andar em lentos passos, parecendo estar feliz, enquanto Kirishima continuou a apertar o pescoço do loiro e rosnar com a voz trêmula. Mas Bakugō percebeu que as mãos do ruivo estavam a tremer, como se ele estivesse morrendo de frio, onde a temperatura do mesmo também estava muito baixa.

As imagens que se apresentam sobre a fumaça eram como memórias alegres de Kirishima, onde Bakugō estava em praticamente todas. O loiro acabou percebendo o cenário e relacionando à condição do amigo, reparando que a individualidade do sujeito, na verdade, estava roubando as memórias de Kirishima, as dissipando naquela fumaça. Quanto mais Kirishima parecia estar enfurecido, mais o sujeito estava feliz e alegre, ao ponto de começar a gargalhar do nada.

Bakugō extinguiu suas explosões das mãos, as levando sobre o rosto do ruivo, com um olhar solidário e com um entristecido sorriso. Ao envolver a face perturbada, o mesmo se aproximou como se fosse atacar, mas Bakugō não demonstrou nenhuma hesitação, se mantendo firme, mesmo que estando triste por ver seu amigo daquele jeito.

O cenário começou a se transformar em uma vazia caverna em chamas, ao mesmo tempo que envolta por uma suja neve, onde a imagem começou a se distorcer nas nuvens negras.

— Parece que não restará mais nenhuma lembrança boa do seu amigo. — disse o sujeito soltando risadas macabras. — Mais um pouco e ele estará completamente dominado pelo desespero e solidão.

Kirishima soltou um grito carregado de angústia, como se seus órgãos estivessem sendo esmagados e perfurados violentamente, ao mesmo tempo que não soltava o pescoço de Bakugō, estando com um olhar solitário, onde novamente lágrimas de sangue escorreram de seus olhos avermelhados.

— Tch, é de uma lembrança boa que você precisa? Então, eu não tenho escolha. — Bakugō agarrou os cabelos de Kirishima, puxando seu rosto para si, encaixando seus lábios na tensa boca de Kirishima, que estava a salivar de forma exagerada enquanto sua voz gemia em dor pela forte ardência em seu peito.

Kirishima não estava consciente, ele estava mergulhado em um sufocante oceano de escuridão, completamente sozinho, sem nenhum sentimento alegre em seu corpo, sentindo apenas frio e um imenso vazio, como se sua vida estivesse acabando aos poucos. Mas um estranho calor começou a envolvê-lo, um calor instável, que se assemelhava ao calor de pequenas explosões.

O ruivo começou a se familiarizar com este calor, se perguntando qual sua origem. Lentamente, seu coração começou a bater em um ritmo mais apressado e seu corpo sentia pequenos formigamentos, era como se ele estivesse sendo abraçado por um caloroso fogo familiar. Sua boca era a parte que mais estava quente, seguido de sensações quentes em suas mãos e braços. Algo estava o puxando para fora daquele sombrio espaço.

Kirishima finalmente recuperou sua consciência, retomando o controle do próprio corpo, se vendo sendo envolvido pelos braços de Bakugō, ao mesmo tempo que os lábios do loiro estavam a devorar os seus, em um intenso beijo revelador.

— Mas o que está acontecendo? — questionou o sujeito ao reparar que o ruivo retornara. — Como pôde?

— Ba... ku... gō. — sussurrou o ruivo em falhadas palavras ofegantes.

— Pelo jeito funcionou. — comentou Bakugō soltando um breve sorriso orgulhoso.

— Você… Não precisava ter feito isso. — comentou o ruivo preocupado.

O sujeito percebeu que os sentimentos roubados estavam retornando ao ruivo, o fazendo ficar irritado e perturbado.

— Ahgr, isso não pode estar acontecendo, o meu poder é mais forte. — O cenário se distorcia enquanto o sujeito ficara em fúria.

Kirishima o encarou com um olhar intimidador, como um tigre a observar a presa estando prestes a atacar. Na mente do ruivo, prevalecia o pensamento de que o sujeito tentara arrancar dele um sentimento muito precioso, guardado a sete chaves em seu coração, um sentimento construído e cultivado por muito tempo.

Bakugō percebeu a expressão feroz de Kirishima, prevendo que o ruivo estava pensando em atacar sozinho. Mas o loiro não queria mais ver seu amigo sofrer, seu coração entrou em fúria e em sua mente prevalecia apenas o desejo de protegê-lo a todo custo.

Bakugō lançou explosões em direção ao sujeito, que perturbado não as percebera, sendo arremessado para longe. As nuvens formaram um redemoinho e começaram a se dissipar, mas a pessoa se levantou e correu em direção ao ruivo, mas o loiro se pôs em frente.

— Você pensa que eu nunca reparei, que você sempre está tentando cuidar de mim? — comentou em hesitantes palavras. — Desta vez, eu irei te proteger.

Kirishima, ainda em dor, encarou seu colega surpreso e com os olhos prestes a transbordar em lágrimas transparentes, sentindo uma forte alegria em seu peito, ao mesmo tempo que a preocupação tomava conta.

— Bakugō. — gritou Kirishima em desespero, ao ver que o loiro corria em direção ao sujeito, após ter soltado um caloroso sorriso ao virar seu rosto pelo ombro.

Bakugō atacou a pessoa enfurecida, por ter perdido o controle da situação, soltando uma explosão na cara dele, acompanhado de um forte chute no estômago. O loiro parecia se divertir em dar uma surra no estranho homem, que parecia estar vulnerável. Entretanto, a diversão durou pouco, pois o sujeito acabou agarrando uma das pernas de Bakugō e com uma força surpreendente o arremessou no chão.

Kirishima não aguentou apenas assistir, disparando em direção ao homem e o atacando violentamente, endurecendo sua pele e batendo no homem com toda a sua força, resultando em uma bola de neve de adrenalina, batendo sem parar, seguidas vezes, onde em sua mente prevalecia o que este homem o causara, o deixando cada vez mais furioso, mas em seus socos não havia ódio, apenas a frustração de ter seus sentimentos expostos tão facilmente, ao mesmo tempo que se sentia fraco por ter sido controlado por um estranho vilão.

— Kirishima, já chega. — gritou Bakugō ao perceber que o ruivo já não estava mais lutando, apenas descontando sua ira, enquanto o sujeito já não se mexia mais.

O ruivo pareceu não ouvir, continuando a bater desesperadamente, enquanto de seus olhos voltavam a sair vermelhas lágrimas carregadas de frustração e solidão. Bakugō reparou que Kirishima estava vulnerável a ser controlado novamente e correu abraçá-lo, finalmente o separando do sujeito.

— Está bem agora. — comentou Bakugō encostando sua testa na de Kirishima.

O cenário envolto pelas negras nuvens, finalmente se extinguiu, eles voltaram para a frente do hotel, onde o professor Aizawa estava a posto encarando o estranho com seu seco olhar, apagando a individualidade do homem surrado.

— Voltem para dentro, eu cuido do resto. — comentou o professor.

Os garotos passaram pelo Eraser Head de forma tímida, sendo abordados antes de seguir.

— Vocês foram bem. — comentou Eraser.

Bakugō percebeu que Kirishima ainda estava abalado, então pegou em sua mão e o arrastou gentilmente. Ao chegar de volta no quarto, Bakugō segurou o rosto de Kirishima, que estava com um olhar solitário e prestes a chorar.

— Ei, idiota, está tudo bem agora. — comentou o loiro em um tom de brincadeira.

— Me desculpe por ser um incômodo. — O ruivo já não suportava mais o aperto em seu peito.

Bakugō, mesmo que sem jeito, aproximou o rosto de Kirishima em seu peito e o envolveu em um gentil abraço. O ruivo desabou em lágrimas por alguns instantes, até que reparou a situação, ficando confuso.

— Bakugō, o que está fazendo?

— Você nunca foi um incômodo, seu idiota. — O loiro afagou a cabeça do ruivo enquanto encostava os lábios em sua testa.

— Oh, pode ser que você esteja sendo controlado… — Kirishima fora interrompido por um cascudo irritado.

— Cale a boca, não vê que estou tentando te ajudar… 

— Heeeeeeh? — O ruivo se viu surpreso, mas ao mesmo tempo as memórias do ocorrido retornaram a assombrar sua mente. — Ah, você fez aquilo apenas para me trazer de volta… Estou eternamente grato. — Ele sorriu gentilmente, mas sua expressão era solitária.

— Aquilo… — Bakugō corou ao desviar o olhar. — Tsk, eu não consegui pensar em mais nada para tentar… 

— Deve ter sido difícil para você o fazer... quero dizer, bei... jar... um amigo... Talvez esteja sendo difícil para você me encarar depois daquilo... Se quiser, eu posso sair....

Bakugō interrompeu as palavras de Kirishima com um breve beijo tímido em seus lábios, o deixando calado e com a boca aberta em surpresa.

— Não é tão ruim... — comentou o loiro corado.

O ruivo surpreso sentiu seu coração acelerado quase sair pela boca, expirando o ar pausadamente, levando sua mão a acariciar o rosto do loiro ainda corado, o puxando para si enquanto lentamente aproximava os seus úmidos lábios nos de Bakugō.

Da porta surgiu batidas, assustando os garotos, que pularam ao estremecer, Bakugō faz sinal para Kirishima ficar quieto e sentar na cama, enquanto o loiro atendia.

— Professor?!

— Eu vim verificar como vocês estão.

— Estamos bem...

— Tem certeza? Aquele vilão era altamente perigoso, ele trás a tona os sentimentos profundos das pessoas, se aproveitando da brecha que se abre para roubar os sentimentos alegres... Mesmo que vocês tenham o derrotado, ainda pode haver sequelas.

— Que tipo?

— Bem, como os sentimentos são algo delicado, quando são violentamente expostos, podem causar algum trauma, instabilidade emocional, inseguranças... A individualidade daquele sujeito é perigosa por isso, ela perturba as pessoas as transformando em seus fantoches quando envoltos pela nuvem negra.

— Entendo.

— Como vocês conseguiram se safar dele, eu ainda não entendi, mas se tiverem algum assunto não resolvido, eu aconselho resolver, pois quanto menos problemas o pedregulho pensar, menores podem ser as sequelas...

— Então... As cenas que apareciam na nuvem negra...

— As memórias felizes da pessoa sendo controlada, é desta forma que o sujeito suga a felicidade dos outros.

— Felizes...

— Bem, se precisarem de qualquer coisa, basta me chamar, lhe darei o devido espaço, pois parece que você tem algo sério para conversar com ele.

Bakugō gelou por alguns instantes e Aizawa deixou o corredor. O loiro fechou a porta e retornou ao encontro de Kirishima, que se encontrava deitado na cama enquanto agarrado em seu própria cabelo, como se estivesse com raiva.

— Que porcaria está pensando? — disse Bakugō sentando-se ao lado.

— Talvez, no quanto eu fracassei hoje... — comentou entristecido.

— Do que está falando? Esse nem parece o Kirishima que eu conheço, aquele que me seguia igual a um cachorro abanando o rabo todo alegre e positivo.

— Mhm, eu já não sei mais se esses dias voltarão.

Bakugō estranhou a reação de Kirishima e segurou o rosto do ruivo, o encarando nos olhos.

— Você sempre esteve lá quando eu precisava de você, sempre me protegeu e sempre me ajudou, se tem alguém que está eternamente grato aqui sou eu, por ter você ao meu lado. Desta vez, eu cuido de ti.

Kirishima arregalou os olhos em surpresa, pelas belas palavras de Bakugō, que lentamente aproximou seu rosto e levou sua língua até entrar pela aberta boca do ruivo, que o agarrou em um desesperado abraço firme, como se estivesse prestes a perder algo precioso, o puxando para si enquanto o loiro o beijava calorosamente.

Na manhã seguinte, a luz quente do sol invadiu sobre a cama, iluminando a face de Kirishima, que se demonstrava um pouco incomodado, até que uma mão gentilmente surgiu sobre seu rosto, impedindo a luz.

— Hmm?! — Kirishima, confuso, virou seu rosto, encontrando com o de Bakugō, que estava deitado ao seu lado. — Queeeeee? Bakugō?!

— Pare de ser barulhento. — Ele tampou a boca do ruivo com a mão.

Lentamente, Bakugō passeou com os dedos sobre o rosto do ruivo, o acariciando estranhamente enquanto o encarava com um olhar sério.

— O... O que o fez deitar comigo? — questionou nervoso, mas demonstrando um envergonhado sorriso.

— Eu quis garantir que você estava dormindo bem...

— Whoaaa. — Kirishima parecia tão surpreso quanto uma criança recebendo o presente dos sonhos.

— Tch, pare de encarar assim, até parece um pirralho.

— Bakugō. — Ele aproximou seu rosto diante a face do loiro, alegre como um cãozinho a abanar a cauda. — Eh... Obrigado. — Seu grande e amigável sorriso retornou ao seu rosto.

As bochechas de Bakugō ficaram levemente rosadas e ele desviou o olhar enquanto coçava a cabeça.

— Eu... Eu sempre estarei... Ao seu lado... — gaguejou timidamente. — Por isso, não me encare desse jeito, quer morrer? — gritou irritado.

— Hehe, então quer dizer que está tudo bem entre nós. — Kirishima mencionou em tom feliz e aliviado. — Eu também sempre estarei com você, Bakugō.

— V-vamos, temos que ir tomar o café da manhã... — Bakugō levantou da cama com o coração acelerado.

— Ok, mas primeiro... — Kirishima agarrou Bakugō pelas costas e beijou seu pescoço. — Bom dia. — Ele disse em um tom carinhoso.

Bakugō virou seu rosto com a intenção de xingar, mas fora surpreendido com um beijo do ruivo, o que o deixou calmo e relaxado.

— Bom dia. — Surpreendente respondeu sussurrando.

 



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