1. Spirit Fanfics >
  2. Sempre fui sua >
  3. Capítulo 13

História Sempre fui sua - Capítulo 13


Escrita por:


Notas do Autor


boa leitura 💓

Capítulo 13 - Capítulo 13


No domingo à tarde eu estava deitada, me bronzeando no quintal dos fundos quando Rachel chegou e se estatelou numa cadeira na mesa do terraço.

– Jessie está me traindo – revelou ela, chorando. Ela segurava a cabeça enquanto fungava o nariz.

– O quê? – um grito pulou da minha garganta e eu levantei a cabeça. Tomei impulso com um abdominal e fui me sentar perto dela.

– Eu o vi ontem à noite abraçado com outra menina. Parece que ele tem ficado com nós duas ao mesmo tempo. Dá para acreditar? – Ela secou as lágrimas, mas outras mais caíram. Parecia que ela ainda não tinha penteado seu longo cabelo castanho, Rachel sempre se vestia para chamar a atenção e nunca saía de casa sem ter arrumado o cabelo e passado maquiagem. Manchas vermelhas cobriam seu rosto, então percebi que ela estava chorando há um tempo.

Provavelmente a noite toda.

– O que você viu exatamente? – perguntei, fazendo movimentos circulares em suas costas.

– Bem – disse ela, secando as lágrimas e recuperando o fôlego –, fui pro Loop e ele estava lá. Puck disse que ele ia correr ontem à noite, então apareci pra fazer uma surpresa…

– Espera, o quê? O Puck? – confusa, interrompi-a. – Como assim? Você conversou com ele? – Não via Puck há dois dias. Ele e Rach quase nem eram amigos. Que diabos estava acontecendo?

– Sim… não – ela respondeu vagamente. – Acabei encontrando ele ontem no trabalho. Eu estava no cinema, e ele foi lá assistir um filme. Ele mencionou que ontem à noite o Jessie tinha conseguido uma vaga na corrida e que adoraria me dar uma carona para fazer uma surpresa pra ele.

Caramba! Como ela conseguia ser tão ingênua?

– Você não achou isso um pouco conveniente demais?

– Quinn, como assim? – Ela parecia confusa. Tirou um lenço da bolsa e começou a assoar o nariz. Rapidamente me senti mal por ter tirado Jessie do foco da conversa para colocar Puck no lugar. Mas não podia deixar passar.

– Puck agindo como o cavalheiro que é, te ofereceu uma carona para você fazer uma surpresa para o seu namorado, o qual você convenientemente descobriu que está te traindo.Rachel, Puck sabia o que o Jessie estava aprontando. – Tenho certeza de que os homens têm tipo um código que diz que não devem meter seus amigos em apuros com as namoradas. Então, porque Puck faria isso?

Parecendo intrigada e confusa, Rach jogou o lenço na mesa.

– Tudo bem, mas isso não muda o fato de que o Jessie foi infiel. Tipo assim, honestamente, o Puck parecia tão chocado quanto eu. Ele foi muito gentil comigo.

É claro que foi. Puck fez com que Jessie e Rachel terminassem, o que era algo bom, mas suas ações não foram motivadas por bondade do coração. Ele definitivamente não estava protegendo Rachel. Mas qual era seu objetivo?

– Certo – ofereci –, mas como você pode ter certeza que o Jessie te traía regularmente? Você conversou com ele?

– Sim – ela quase sussurrou. – Saí do carro do Puck. Ele tinha me levado, já que só rola entrar se você tiver sido convidada, então demos umas voltas para procurar pelo Jessie. Eu o vi encostado no carro com uma garota supersexy que estava usando umas roupas de vadia.

Eles estavam se beijando e ele passava a mão nela. Não podia ser outra coisa. – Seu queixo começou a oscilar e seus olhos se encheram de lágrimas de novo, então enfiei a mão na bolsa dela para pegar mais lenços.

Ela continuou:

– Apareci lá e aquela garota jogou na minha cara que eles estavam ficando há meses!Meses! Que nojo. Perdi minha virgindade com aquele cara, e agora tenho que ir ao médico pra checar se não tenho nenhuma DST. – Ela continuou chorando, segurei sua mão enquanto ela se acabava.

Jessie sempre me respeitou muito, mas fiquei triste por Rachel. Que idiota! Todos nós saíamos juntos durante anos, e havia apenas algumas pessoas nesta cidade que eu podia chamar de amigo. Agora ele tinha se tornado mais uma pessoa em quem eu não podia confiar. Estava de saco cheio das pessoas, mas Rachel não estava, e eu odiava vê-la magoada. Ela foi pega totalmente de surpresa.

Porém, eu podia afirmar duas coisas com segurança: Puck provavelmente sabia que Jessie estava traindo há um tempo, mas não interferiu até agora e o término dos dois cumpriu seu objetivo de tentar me antagonizar.

– Bom, odeio ter que te fazer uma pergunta boba, mas como foi a corrida? O Jessie ganhou?

Ele provavelmente não correu. Outra parte do plano de Puck para levá-la até o Loop.

– Ficamos lá por um tempo, mas quem correu foi o Puck, não o Jessie.

É lógico.

– Como assim? Seria legal você ver o cuzão chegando em último lugar. – Tentei soar como se estivesse apenas tentando melhorar seu humor, mas o que realmente queria era informação.

– Ah, acabou que ele nem ia correr na noite passada. O Puck entendeu errado. – Ela fez um sinal com a mão para esquecermos.

Total. Armação.

– Mas o Puck falou que vai garantir que o Jessie esteja na lista da próxima semana e que ganhará dele por mim. – Rachel soltou uma risadinha, como se isso fosse fazê-la se sentir melhor.

– Você vai ficar bem? – Demora um tempo para se recuperar do fim de um relacionamento de dois anos quando se tem dezessete.

– Tenho certeza que… com o tempo. Puck foi muito atencioso e me trouxe pra casa mais cedo. Acho que ele se sentiu mal por eu ter passado por aquilo. Sério, Q., mesmo se ele soubesse, ele acabou me fazendo um favor. – Encostada na cadeira, ela puxou outro lenço.

Rachel ficou mais um tempo em casa. Ficamos deitadas sob o sol, tentando nos animar. Ela obviamente precisava aceitar o fato de que perdeu a virgindade e dois anos com aquele canalha, e a minha primeira semana na escola tinha sido péssima.

Ainda não conseguia acreditar que Jessie traiu Rachel Se tinha um caso de romance colegial que durou, este seria o de Jessie com Rachel. Então, por que estava preocupada com o papel de Puck nisso tudo? Estava na cara que Rachel realmente areditava na honestidade dele, mas eu sabia que ele estava planejando algo. Será que ela daria ouvidos a mim se eu tentasse afastá- la dele?

Depois que ela foi embora, voltei para o terraço para limpá-lo e regar as plantas.

Adornada com meu biquíni vermelho pequeno que comprei na Europa, mas que só tive coragem de usar dentro de casa, peguei a mangueira e aumentei o volume no dock do meu iPod. “Chalk Outline” começou a tocar bem alto e passei a borrifar as flores e os arbustos.

Meus quadris e ombros balançavam enquanto a minha mente se perdia na música.

Algumas árvores frutíferas decoravam o nosso pequeno terraço dos fundos junto com arbustos e diversas plantas e flores. O chão de pedras e o cheiro das rosas tornavam nosso oásis um grande refúgio. Quando o clima está agradável, meu pai e eu fazemos quase todas as refeições aqui fora e eu costumo ler na rede. Fazer lição de casa não rolava, porque os pássaros, o vento ou cachorros latindo criam uma distração esporádica.

Falando em cachorros…

Latidos de empolgação começaram a soar em cima da música, capturando minha atenção.

Estavam próximos, próximos como se viessem do vizinho.

Madman!

Eu e Puck encontramos esse Boston Terrier maluco quando tínhamos doze anos. Meu pai nunca estava em casa e minha avó tinha alergia a ele, então Puck o levou para sua casa. O cachorro era doido, mas muito adorável. Demos o nome de Madman. Juro que, de propósito,ele esperava os carros se aproximarem para tentar atravessar a rua. Entrar em briga com cachorros maiores era batata, e ele adorava pular de alturas extraordinárias quando estava empolgado… o que acontecia com frequência.

Fechei a água e andei até a cerca que separava o meu quintal dos fundos da casa de Puck.

Apertando os olhos no buraquinho entre os painéis de madeira, senti como se brilhasse por dentro. Ao ver Madman novamente, meu coração encheu-se de afeto.

Ele fazia aquela coisa que todo cachorro faz de “pular enquanto late” e estava correndoe pelo quintal enquanto pulava pra cima e pra baixo. Apesar de ele tecnicamente ser o cachorro de Puck agora, no meu coração este mocinho ainda era metade meu.

Achei um buraquinho para olhar – ok, xeretar. Puck entrou no meu campo de visão e me encolhi ao lembrar de nosso último encontro. Ele começou a jogar pedacinhos de carne para o Madman pegar. O cão engolia tudo e balançava o rabo, esperando ansiosamente por outro pedaço. O bichinho parecia risonho e bem cuidado.

Puck se ajoelhou e ofereceu o último pedaço de carne que estava na mão. Madman se aproximou e lambeu sua mão depois de engolir o agrado. Puck riu e fechou os olhos quando Madman ficou em pé para lamber seu rosto. Puck abriu um sorriso, e percebi que fazia muito tempo desde a última vez que o vi feliz de verdade. Seu sorriso deixava um vazio em meu estômago, mas não conseguia parar de olhar.

Enquanto meu coração ficava apertado ao testemunhar essa cena rara de Puck realmente parecendo um ser humano, meus olhos seguiram até suas costas nuas e as cicatrizes desbotadas que marcavam sua pele. Engraçado que eu não as tinha notado na noite em que ele esteve sem camisa dentro do meu quarto, talvez porque estava meio escuro.

Havia vermelhões sem um padrão específico espalhados, mais ou menos uns cinco,cobrindo suas costas musculosas, senão macias. Ele não tinha isso quando éramos crianças.

Tentei me lembrar se já tínhamos falado sobre algum machucado dele. Mas não me recordei de nada.

Naquele momento, os violoncelos pesados do Apocalyptica começaram a vibrar pelos meus alto-falantes e Madman virou a cabeça na minha direção. Congelei por um instante antes de decidir me afastar. Ele começou a latir de novo e o som de suas unhas arranhando a cerca fizeram meu coração bater mais rápido. Madman adorava esse tipo de música que misturava violoncelo com heavy metal, escutou isso por anos. Era como se ele lembrasse.

Tirei a mangueira do chão e deixei ela cair de novo quando escutei os painéis da cerca se mexerem. Ao me virar, dei risada vendo o Madman pular por uma das tábuas soltas e vir com

tudo para cima de mim.

– Oi, amigão! – Ajoelhei-me e peguei-o no colo enquanto ele se contorcia, empolgado. Sua respiração ofegante aqueceu meu rosto, e a baba era bem nojenta. Mas ele estava feliz em me ver e sorri aliviada. Ele não tinha se esquecido de mim.

Parei ao escutar o som da voz de Puck.

– Ah, só podia ser a desmancha-prazeres atrapalhando a vizinhança toda com seu barulho.

Explodi de raiva. Ele não tinha nada contra a minha música, apenas contra mim.

Olhei para cima e vi o olhar sarcástico de Puck. Ele inclinou a sobrancelha para parecer irritado, mas sabia que não ia conversar comigo sem tirar algum proveito disso. Ele se pendurou no topo da cerca, com o corpo em cima de alguma coisa que o deixava mais alto.

Filho da puta. Por que sempre demorava um ou dois segundos para eu lembrar a razão de odiá-lo?

Após piscar, foquei novamente em Madman e afaguei seu pelo preto e branco commovimentos longos e suaves.

– A lei municipal contra barulho só começa a valer depois das dez da noite – esclareci e olhei para o meu relógio invisível. – Viu? Ainda tem muito tempo.

Madman começou a mastigar meus dedos e balancei a cabeça, sem conseguir acreditar em como podíamos apenas continuar de onde tínhamos parado depois de tanto tempo. Desde a briga com Puck, não o pressionei para ver o cachorro. O único contato que o Madman teve comigo nos últimos anos era por acaso, como o de hoje. Mas eu ainda não tinha encontrado com ele desde que voltara e, mesmo após um ano, ele reagia a mim como se tivéssemos nos visto ontem.

Puck continuava do outro lado da cerca, nos observando em silêncio. Não sabia o que ele estava pensando, mas metade de mim tentava entender a razão de ele ainda não ter tirado o cachorro de mim. Parecia quase legal da parte dele deixar a gente se ver.

Não consegui deixar de abrir um grande sorriso. Que diabos estava acontecendo? O cachorro parecia tão feliz em me ver que me comovi em uma risada silenciosa. Nunca tive outro animal de estimação e, depois de ficar sozinha nestas últimas semanas, acho que estava precisando de um amorzinho. Se a atenção de um cachorro podia me deixar desse jeito, não conseguia imaginar como ficaria feliz quando meu pai voltasse para casa.

– Venha, Madman – Puck gritou, tirando-me da minha pequena utopia. – O horário de visita acabou. – Ele assobiou e arrastou a tábua para Madman poder atravessar a cerca.

– Escutou? – engasguei, com os lábios tremendo. – Volte para sua cela, garotinho. – Deixei o cachorro lamber meu rosto e depois bati nas suas costas antes de gentilmente empurrá-lo para longe. Puck assobiou novamente e Madman entrou correndo pela cerca.

– Noah, está aí fora? – uma mulher gritou. Jared se virou ao escutar a voz, mas não acenou ou respondeu.

– Quinn, é você, querida? – Katherine, a mãe de Puck, subiu em cima de onde ele estava para ver pela cerca.

– Oi, Sra. Puckerman– acenei vagarosamente. – Bom te ver. – Ela estava bem bonita, com o cabelo castanho na altura do ombro e uma blusa estilosa. Muito melhor do que a última vez que a vi. Deve ter parado de beber no último ano.

Enquanto crescia, costumava vê-la com rabos-de-cavalo bagunçados porque ela sempre estava muito bêbada para se preocupar em tomar um banho, e sua pele tinha sempre uma aparência debilitada pela falta de uma alimentação saudável.

– Digo o mesmo. – Seus olhos cintilantes estavam cheios de uma doçura sincera. – E é muito bom ver vocês dois conversando novamente.

É claro que ela nem imaginava que a gente ainda não se suportava. Parece que eu e Puck tínhamos isso em comum. Sempre mantínhamos nossos pais longe de nossos problemas.

– Por que não vem ficar um pouco aqui? Adoraria conversar e saber como você passou seu ano fora.

– Fala sério, agora não. – O rosto de Puck distorceu-se com o desgosto, para minha felicidade.

– Adoraria isso, Sra. Puckerman. Só vou colocar uma roupa. – Puck me encarou, ao notar que eu estava apenas de biquíni. Ele ficou me olhando por um tempo, mas não tanto, deixando-me envergonhada.

– Beleza – Puck suspirou e olhou para o outro lado. – Vou sair mesmo. – Com isso, ele pulou de onde estava e desapareceu dentro da casa. Antes de chegar ao meu quarto para me trocar, escutei o barulho do carro dele e os pneus cantando.


Notas Finais


Obrigada por ler até aqui❣️
Eai, Puck armou ou não o término??
E essas cicatrizes?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...