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História Sempre perdidos em pensamentos - Capítulo 24


Escrita por:


Notas do Autor


Hey, meus amores! Vcs estão bem?
Dei uma sumida, eu sei. Aconteceu um bom imprevisto nesses últimos meses. Conheci uma moça da mesma faculdade que eu, criei certo carinho por ela e investi muito tempo nela, porque ela, assim como eu, sofreu muito com uma desilusão amorosa e tem medo de confiar nas pessoas novamente. Então, aceitei a quest de ajudá-la a superar esse medo enquanto vamos nos conhecendo melhor! :)
Peço desculpas por ter demorado tanto, mas eu realmente decidi dar um tempo nessa fic enquanto as coisas estavam mais delicadas, afinal aqui tá sendo contada a história de um rapaz que quase se matou por desilusão amorosa e toda vez que eu tentava escrever as ideias não fluíam direito.
Sobre o capítulo em si, tivemos mudanças de planos. Atrasei o capítulo, mas reformulei o roteiro! Mudei algumas coisas aqui, outras ali... Basicamente, a história vai durar mais do que eu tinha planejado porque terão "dois clímax" - vai fazer sentido conforme as coisas desenrolarem, confiem em mim! XD
Bom, é isso queridxs, espero que gostem!

Capítulo 24 - Fantasmas ocultos


20 de maio de 2022 – David

 

- Ei, David, espera aí! – Ouço a voz de Mia atrás de mim. Paro de andar e observo a garota do cabelo rosa correndo em minha direção. – Nossa... Tá com pressa? – Indagou, ofegante.

- Um pouco. Estava indo pra casa me arrumar.

- Ah, sim... Verdade. Combinamos um rolê na minha. – Ela respirou fundo mais uma vez, tentando recuperar o fôlego. – Mesmo assim, você anda muito rápido. E aquele seu amigo da engenharia, não vai espera-lo?

- Não, ele tem aula até às 18h hoje.

- Saquei. Onde você mora?

- No final da Mt Auburn. E você?

- Bolton Street. Meio longe daqui.

- É, mais longe que a minha. Mas não tem problema. É prédio ou casa?

- Casa. Alugar apartamento aqui não compensa muito.

- Ah, sim, essas coisas aqui são caras mesmo. Bom, eu vou indo. Por volta das 14h estarei na sua casa. Até depois.

- Ah... Tudo bem. Até.

Acenei e sorri amigavelmente antes de continuar a andar. Calmamente, tiro meu fone de ouvido da mochila, plugo no meu celular, abro o Spotify, seleciono uma música qualquer, coloco em loop e guardo o aparelho no bolso da calça. Passo a mão pela minha cabeça e a sensação estranha de não sentir muita resistência ao fazer esse movimento ainda não sumiu. Por mais que eu tenha cortado o cabelo cada vez mais curto com o passar dos anos, nunca raspei. Entendo que não havia outra opção a não ser tirá-lo por inteiro, só que isso não facilita o processo de eu me acostumar. Apesar disso, confesso que não sentir a franja raspando em minha testa o tempo todo é um alívio. Às vezes me pergunto como eu suportava jogar basquete tendo que tirar o cabelo dos olhos a todo momento. Fazemos algumas coisas idiotas quando somos mais jovens, não é mesmo...?

Após os habituais quinze minutos de caminhada, chego em casa. Tiro o molho de chaves da mochila, destranco o portão e entro. Não entendo o porquê de o dono manter essa coisa entre a casa e a rua. Tem quase a mesma altura que eu e não é difícil de escalar – fiz isso algumas vezes no primeiro mês que passei aqui, ainda não tinha a chave para destranca-lo. Ao entrar em casa, noto que não havia muita bagunça. Preciso lavar a louça, as roupas, e arrumar o quarto. Moleza. Coloco a mochila sobre minha cama, tiro a camisa que usava por cima da camiseta e penduro-a em um cabide. Em seguida, fui direto para a cozinha. Desde que acordei do coma, coisas pequenas, como serviços domésticos, passaram a ter maior importância para mim. Às vezes descumpro o pacto que fiz com Marcus e faço as tarefas nos dias que ele deveria fazer. Obviamente o bonitão não reclama, afinal ele não gosta dessas coisas.

Enquanto lavava os pratos que usamos no café da manhã, começo a refletir sobre os últimos dias... Parece que me relacionar com pessoas não tem sido a mesma coisa. Prefiro muito mais passar longos períodos sozinho do que com alguém, e o motivo não é solitude. Por mais que eu suporte minha presença, “gostar” é uma palavra muito forte. Talvez eu esteja odiando mais as outras pessoas do que eu mesmo. Essa ida até a casa da Mia parecia melhor quando ela fez a proposta. Não descumpro promessas e nem cancelo compromissos sem ter um bom motivo para isso, então... Tenho que ir.

Acelerei o ritmo com o qual eu fazia as tarefas, mas preferi deixar para lavar as roupas depois que eu voltasse para casa. Tomei um banho rápido, escolhi um conjunto de roupas decente – calça jeans preta, camiseta azul e um All Star branco que peguei emprestado do Marcus – e solicitei um motorista da Uber. Enquanto minha carona não chegava, escrevi um post-it avisando que havia pego o tênis emprestado e colei-o na geladeira. Conferi se havia pego celular, carteira, chave de casa... Tudo certo.

O motorista não demorou a chegar e era simpático. Rendeu alguns bons minutos de conversa, apesar de eu ter fingido minha empolgação com os assuntos. Paguei em dinheiro, valor exato somado com uma gorjeta considerável. Caminhei tranquilamente até a porta do endereço que ela passou por mensagem e toquei a campainha. Instantes depois, Mia abre a porta. Ela estava usando uma calça legging preta, camiseta branca, que estava um pouco larga, e chinelos. Apesar do estilo homewear, ela provavelmente tinha passado batom. Seus lábios brilhavam um pouco e não pareciam ressecados. Creio que o nome dessa tonalidade seja “nude”. Lembro da Kalia mencionando algo sobre esse tipo de batom.

- Uau. – Pensei em voz alta e fui indelicado. Ela imediatamente olhou para baixo, tentando identificar algo de errado em suas roupas.

- O que?

- Você passou batom?

- Hum? Ah, sim, um pouco... – Ela corou levemente. Balancei a cabeça e ri um pouco.

- Desculpa, fui inconveniente. Não foi por mal.

- Relaxa, relaxa. – Ela sorriu, um pouco envergonhada. – Entra, por favor. – Assenti e segui em direção a ela.

- Obrigado pelo convite. – Passei pela porta e ela fechou logo em seguida. – Então, você pensou em algo pra fazer?

- Pensei em algo bem caseiro mesmo. Assistir uns filmes, ficar conversando, jogar alguma coisinha... Mesmo achando que isso não combina muito com você.

- Sério? O que você acha que combina comigo? – Sorri de maneira provocativa e ela desviou o olhar.

- Ah, coisas mais... “Extravagantes”. Ir em festas, eventos maiores, sair com a galera...

- Sendo sincero, gosto desse tipo de rolê, mas... Prefiro compromissos do tipo mais caseiro. – Ela sorriu e eu retribuí. – Aparências enganam.

- Pode crer. Fica à vontade aí, por favor. Se quiser tirar os sapatos... – Mia foi em direção ao quarto. – Sei que a casa é pequena, mas cabem duas pessoas numa boa.

- Beleza, obrigado. – Tirei os sapatos e deixei-os encostados próximos a porta. Então, fui em direção ao quarto em que a moça do cabelo rosa estava. Ela estava sentada na única cama presente no quarto, com um controle dualshock na mão. Era uma cama de casal, mas tinha apenas dois travesseiros sobre ela, sendo que um estava nas costas dela, em posição vertical, e o outro estava ao lado dela, posicionado da mesma forma.

- Chega mais, sobe aqui! – Ela sorriu e eu forcei um sorriso. Me senti um pouco desconfortável com esse pedido, mas não quis ser grosseiro.

- Com licença... – Disse, enquanto subia na cama.

- Ah, deixa disso! Sinta-se em casa. – Sorri, novamente me sentindo desconfortável. – Então... A gente pode jogar ou assistir alguma coisa, o que você prefere? Tenho FIFA, Mortal Kombat, The Last of Us parte dois... Ah, e dois controles também, então podemos jogar um contra um tranquilamente. – Soltei um breve riso, dessa vez genuíno.

- Você provavelmente me daria uma surra em todos eles, não sou muito bom com videogames, mas... Vamos jogar primeiro. Escolhe com qual a gente começa, aí o próximo eu escolho.

- Beleza, vamos de MK. – Ela estendeu a mão, pegou o outro controle e me entregou. Ele era quase idêntico ao que ela usava, com a diferença de que o meu era rosa em algumas partes e o dela era totalmente preto.

- Nossa, fiquei com o joystick rosinha. Que fashion. – Ela riu um pouco enquanto olhava para a tela da TV.

- Os dois estão em bom estado, então uso qualquer um deles. Sendo sincera, escolho o que estiver mais perto. – Mia manteve um sorriso no rosto, apesar do semblante constrangido. Hum... Ela consegue ser muito fofa, às vezes...

- Faz sentido, faz sentido.

- David, vem cá... Eu tava pensando aqui... Você me disse que tava no curso de ciências gerais quando nos vimos pela primeira vez, mas depois disse que cursava biologia. Tem o curso de biologia no MIT e eu não sabia?

- Ah, então, pretendo me especializar em biologia. Tô montando minha grade pegando o mínimo possível de matemática e física, e o máximo de biologia e química. Resumindo: é ciências gerais, mas falo biologia por força do hábito.

- Ah, sim! Agora saquei. Eu queria poder fazer isso com a parte de neurologia, mas a clínica geral é obrigatória.

- Sabe, eu acho lindo você querer seguir nessa área. Talvez eu esteja sendo influenciado pelo o que aconteceu comigo, mas, mesmo assim, tenho bastante admiração por quem escolhe essa carreira.

- Obrigada. Sempre quis ser médica, desde pequena. Mas ainda não sei se tenho a frieza necessária pra exercer essa profissão. – Ela escolheu o modo de jogo em que nos enfrentaríamos e, depois de escolher qual personagem usaria, continuou a falar. – E você, o que queria ser quando ficasse mais velho?

- Ah, bem... – Escolhi um boneco qualquer antes de responde-la. – Meu passado não é dos melhores. Eu só queria mudar de vida. Nunca pensei em uma profissão específica até o ano passado, quando decidi me transferir para o curso de ciências gerais.

- Hum... – Apesar de ter se mantido em silêncio, pude notar certo desconforto em Mia. Ela provavelmente não esperava que eu falaria esse tipo de coisa e se sentiu mal por ter perguntado.

- Mas, pelo menos consegui desejar ter uma profissão específica. Antes tarde do que nunca! – Sorri e ela retribuiu discretamente. Não sei dizer se dizer isso melhorou as coisas, mas eu tentei.

Passamos algumas horas jogando e eu perdi boa parte das partidas que joguei contra ela. Apesar de ser bastante competitivo, quando disputo algo assim com algum conhecido, essa vontade excessiva de vencer não aparece. A sessão de jogatina se resumiu a nós dois fazendo cosplay de Martin Tyler e Alan Smith, sendo que Mia assumiu o papel do narrador e eu do comentarista, respectivamente. Várias piadas e bugs nos jogos renderam boas risadas. A sensação ruim que surgiu hoje de manhã se manteve constante, porém minha introversão diminuía conforme o tempo passava.

Assim que a jogatina saturou, sugeri que assistíssemos um filme na Netflix. Mia aceitou, mas disse que não tinha feito a assinatura da plataforma e já havia gasto o free trial do aplicativo. Loguei minha conta no PlayStation 4 dela e disse que poderia usar sempre que quisesse, contanto que me avisasse antes. Ela concordou com as condições e agradeceu a gentileza. Nenhum dos filmes recentes disponíveis na lista chamou nossa atenção, então Mia propôs que assistíssemos “Avatar”, já que ela queria assistir o segundo filme, porém não havia assistido o primeiro. Aceitei a sugestão dela, mesmo sabendo a história do filme até de trás para frente.

Apesar de ela estar sendo muito receptiva e transmitindo uma energia leve, o desconforto não passa. E isso me incomoda, muito. É como se eu estivesse em território inimigo, desarmado, procurando uma saída desesperadamente. Só que o inimigo estaria me oferecendo uma cama e suprimentos ao invés de ameaças de morte. Não faz sentido... Talvez o Julian consiga me ajudar com isso. Não é normal eu não conseguir acreditar que tudo o que ela diz e faz seja verdade. Parece tudo vazio, da boca para fora. Mas, será que é mesmo? Ela realmente quer ser minha amiga? Por que ela me convidou para a casa dela? Por que eu não consigo acreditar em mais ninguém?

- David? – Mia coloca a mão em meu ombro e eu saio do devaneio. – Tá tudo bem? Você fez uma cara triste e abraçou os joelhos... – Assim que ela mencionou minha postura, notei que eu realmente não estava mais relaxado como antes.

- Tô, tô bem. É que esse filme me lembra uma fase ruim da minha vida. Só isso.

- Quer assistir outra coisa?

- Não, não, vamos terminar esse.

- Hum... Se quiser desabafar um pouco, tô a disposição pra te ouvir, tá bom?

- Claro. – Forço um sorriso. – Obrigado.

Externamente fui amigável, internamente não. De imediato, pensei: “até parece”. Tudo está tão estranho na minha vida que sequer sei como reagir. Sinto essa necessidade de estar o tempo todo na defensiva, preparado para quando as coisas derem errado. O que aconteceu comigo? Quem eu me tornei? E por que? Não é um possível que um simples término me desestabilizou dessa forma. Eu sou mais forte do que isso, sei que sou. Então... Por que? Eu deveria levar isso com leveza, acreditar na bondade dela, mas não consigo. Para mim, ela é como uma cobra se encolhendo, preparando um bote na minha jugular. Preciso descobrir o porquê disso... Eu quero dar uma chance para ela, mas... Como? E por que essa imagem surgiu? Qual cobra se prepara para dar um bote age de maneira afetuosa? Nenhuma! Esse sentimento não faz sentido!

Tentei ignorar esses pensamentos ruins enquanto assistia ao filme, mas não funcionava. Curiosamente, o que me acalmava eram os comentários que Mia fazia ocasionalmente em cenas que ela ficava feliz ou chocada. Essa dualidade ainda vai me matar... Em meio a fantasmas que rondavam minha mente, consegui assistir tanto o primeiro como o segundo filme de “Avatar”, prestando mais atenção na parte dois. A ideia era ir embora antes do Marcus chegar em casa, mas me atentei ao horário somente quando ele me ligou: 21h.

- Alô?

- Ei, Dave. Tudo certo por aí? Você disse que voltaria antes de eu chegar e faz algumas horas que tô por aqui.

- É, eu sei, não vi o tempo passar. Foi mal.

- Não, irmão, relaxa. Se a menina deixar, dorme aí.

- Não, não. Não precisa. Já tô voltando. Você fez alguma coisa pra comer ou comprou na Uber Eats?

- Uber Eats, óbvio. Deve tá pra chegar. Comprei uns hambúrgueres. Você vem pra jantar?

- Claro. Guarda um pra mim, a gente racha a conta. Em uns 15 minutos eu apareço aí.

- Beleza, irmão. Até depois. – Desligo a ligação e me viro para Mia.

- Eu preciso ir, meu amigo pediu uns lanches pra dividirmos e não quero que ele gaste dinheiro à toa.

- Tranquilo, Dave. Foi um dia bom. – Ela sorriu, com uma mistura de felicidade e tristeza no olhar.

Fiquei mais uns 10 minutos na casa dela, até o motorista da Uber chegar. Ela me acompanhou até a porta e voltou para dentro assim que entrei no carro. Tanto o rapaz que dirigia quanto eu não estava a fim de papo, então a corrida de volta foi mais silenciosa que a de ida. Não que eu me incomode com isso, minha mente estava uma zona e eu realmente precisava pensar em paz. Depois de um dia atípico como esse, qualquer um na minha situação ficaria, no mínimo, encucado. Principalmente pela imagem que eu criei dela... Lobo em pele de cordeiro. Mas, será mesmo? Ou ela é, de fato, um cordeiro? Essas analogias que crio realmente são estranhas, mas elas fazem sentido... Pelo menos para mim. De qualquer forma, preciso da ajuda do Julian, mais do que nunca. Não quero machucar outra pessoa sem perceber. Não quero ser um babaca porque não consigo lidar com meus problemas. Eu preciso melhorar.

 

(...)


Notas Finais


É isso, meus amores. O próximo capítulo se passará alguns meses mais a frente, talvez em novembro ou dezembro. O motivo pra isso será explicado no decorrer do próximo capítulo mesmo.
Espero que tenham gostado, mais uma vez peço perdão pela demora, e até a próxima! s2


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