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História Sensações vermelhas - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


E VAMOS DE COMEMORAÇÃO, PORQUE A FANFIC CHEGOU AOS 163 FAVORITOS COM UM ÚNICO CAPÍTULO BEM CURTO. MUITO OBRIGADAAA, VOCÊS NÃO TEM NOÇÃO DE COMO ESTOU RADIANTE!
Também quero agradecer por todo o carinho nos comentários, no twitter e nos grupos do whats, vocês são os melhores!!!!

Peço perdão pela demora, iniciei a faculdade faz um mês hoje e ainda estou tentando me acostumar com a rotina, mas prometo tentar ser mais rápida com o próximo capítulo. Não desistam de mim!

Capítulo betado pela minha maravilhosa amiga e parceira de fanfics Lara (@92sbaekiie), muito obrigada, meu anjo!!!

ops: NÃO APOIO O USO DE DROGAS! POR FAVOR, NÃO SEGUIR OS EXEMPLOS DOS PERSONAGENS.

Boa leitura!

Capítulo 2 - Você é gay?


Sensações Vermelhas

Capítulo 01 - Você é gay?


A escola no domingo se encontrava vazia, ao amanhecer de segunda-feira teve seus corredores cheios novamente por alunos falantes e empolgados contando do último final de semana. Sempre era assim, voltavam agitados e com as malas cheias de histórias para compartilharem com os amigos.

Porém Chanyeol e Baekhyun, obviamente, não faziam parte daquele agito. Odiavam as segundas-feiras, principalmente pelo barulho excessivo de adolescentes escandalosos e suas vidas fúteis. A ideia de ter um final de semana em família bonitinho com todos felizes, incomodava aos dois, e sem querer, machucava suas emoções, não queriam escutar aquelas coisas, pois só mostrava mais para eles com suas vidas eram fodidas.

Chanyeol silenciosamente encarava a lousa branca repleta de fórmulas anotada, não estava interessado em copiar uma única linha, por isso, ainda mantinha o caderno fechado. Havia esquecido seu fone em cima da cama, então infelizmente, dessa vez, estava sendo obrigado a escutar os papos paralelos dos alunos dentro da sala. Baekhyun estava certo sobre a vida ser injusta e até se questionava onde tinha errado tanto para não ter um lugar para chamar de lar e uma verdadeira família.

O jovem vivia com seu pai em uma mansão enorme, porém vazia de móveis e de sentimentos. A casa era mórbida, fria e sem cor, os empregados que trabalhavam era a única movimentação, porém não o suficiente para se escutar um único barulho. As cores acinzentadas das paredes escureciam a casa e tudo parecia mais deprimente. Chanyeol cresceu naquele ambiente sem brinquedos, sem cor e sem amor, não tinha sido uma criança feliz, sua infância foi marcada por saudades e choro.

Seu pai estava longe de ser um homem agradável. O rosto envelhecido trazia uma carranca séria, olhos negros e frios, não havia uma única expressão além de seriedade e raiva. O único contato que tinha com o homem, era quando ele chegava furioso e precisava descontar suas frustrações. Chanyeol não era como um filho para ele, e sim, como um saco de pancadas, ou então, um cinzeiro...

Jamais entenderia o verdadeiro significado de um amor fraternal, não conseguia nem imaginar como deveria ser confortante ter um colo para recorrer e saber que tem alguém esperando por si quando chegar em casa após uma semana exaustiva no colégio. Doía saber que não teria o prazer da vida de ter uma família de verdade.

Quando o sinal tocou anunciando a hora do intervalo, um alívio percorreu pelos ombros de Park, por não precisar mais ter que ficar isolado em seus malditos pensamentos, que lhe afundavam cada vez mais em uma tristeza profunda. Então pegou o material de qualquer forma de cima da mesa e seguiu corredor a fora ao lado do Byun, em um completo silêncio.


🍁


Chanyeol pegou a bandeja e escolheu minuciosamente o que comeria em seu intervalo, eram variedades diversas, chegava a ficar perdido e indeciso.  O melhor amigo estava ao seu lado como sempre e focando-se em que pegaria também, faziam tudo com muita calma e sem se importar com a fila que se formava atrás. Ninguém era maluco o suficiente para reclamar na cara deles, então estava tudo bem dessa forma.

Por sorte, a comida era gratuita, pois diferente dos jovens daquele lugar, não recebiam mesada alguma de seus pais, passariam fome ou provavelmente teriam que vender drogas ou escolher algumas vítimas de quem pegar o dinheiro, mesmo sabendo ser errado, era a única solução que teriam.

Com a bandeja em mãos, Chanyeol seguiu até a mesa mais afastada dos demais adolescentes, sendo acompanhado por Baekhyun. Os dois sempre sentavam juntos e na mesma mesa, isolados de todo o restante do colégio, não queriam ninguém tagarelando em seus ouvidos, enquanto comessem.

Porém como se o mundo estivesse contra eles, logo após alguns minutos de paz, um garoto alto, mas não tanto quanto Chanyeol, e de fios loiros sentou-se à mesa, ao lado deles. Fazendo com que recebesse um olhar assassino e questionador de ambos os garotos cobertos por tatuagens e piercings, era como se eles quisessem arrancar a pele branquinha e macia, estraçalhar cada pedacinho dele.

Mas o garoto não ligou, apenas sorriu simpático demais com o olhar formando uma meia lua e estendeu a mão para o Park que estava ao seu lado.

— Olá, prazer meu nome é Oh Sehun, eu sou novo aqui, comecei hoje. — Ele disse antes de abaixar a mão ao perceber que não seria apertada. Os amigos estavam desacreditados com a atitude do garoto, era a primeira vez que alguém não temia a eles e se aproximava serenamente, ainda mais sendo um novato.

— Por que se sentou aqui? — Baekhyun indagou sem pestanejar e ignorando a apresentação. Estava intrigado com a ousadia do rapaz, ele não se encaixava nos padrões de cara excluídos da sociedade, que é maltratado pelos pais, estava longe disso. O tal Sehun cheirava a Chanel, e tinha a aparência perfeita para ser o cara popular do time de basquete que conquista o coração de todas as garotas com um sorriso de galã e palavras burras.

— Não tem espaço em nenhuma outra mesa, cara. Eu também não conheço ninguém e de todo mundo nesse espaço, vocês dois parecem serem os mais legais então... — E foi inevitável Chanyeol e Baekhyun não se entreolharem e julgarem entre eles como o novato tinha alguns neurônios fora do lugar, ou até quem sabe, a falta deles. — Ei, carinha do cabelo vermelho, passa o ketchup, esqueci de pegar. — Pediu, recebendo um olhar matador de Baekhyun. — Uh, entendi, eu como sequinho mesmo, sem problemas, cara, não precisa ficar bravo. Paz. — Fez um sinal com a mão.

Chanyeol quis rir da óbvia irritação de Baekhyun com a forma pela qual foi chamado, porém segurou dentro de si e deixou apenas um sorriso de canto sair em seu rosto, enquanto balançava a cabeça em negação. E jogou casualmente na bandeja de Sehun, a embalagem com ketchup.

— Valeu irmão. — Agradeceu com um sorriso grande e como uma criança pequena encheu o hambúrguer com o molho vermelho e abocanhou satisfeito.

 

  🍁

 

Para o azar de Park e Byun, Sehun parecia ter gostado muito de andar com eles, pois em nenhum momento saiu de perto ou sequer ameaçou se afastar, parecia muito confortável para ele estar na presença silenciosa dos dois, enquanto tagarelava sem pausas. Chanyeol respondia uma ou outra pergunta feita pelo garoto, diferente de Baekhyun que se mantinha em completo silêncio, apenas escutando os dois.

Quando Baekhyun fechou a porta do quarto e caiu na cama, só conseguia se sentir satisfeito por conseguir um descanso para seus ouvidos. A paz estava novamente em sua vida, sem Oh Sehun por perto, apenas com Chanyeol e o silêncio bom do quarto.

— Ele é um cara legal, até... — Chanyeol falou, enquanto desabotoava a camiseta social de botões do uniforme, sem prestar atenção em como Baekhyun levantou o tronco abruptamente.

— Você está louco, Park? Esse garoto não cala a boca um segundo sequer, fica tagarelando e tagarelando sem pausas. — Baekhyun resmungou indignado com o amigo. Desde quando seu melhor amigo gostava de ter um “papagaio” daqueles ao seu  lado? 

— Eu não sei, ele só é divertido, tipo nós passamos anos aqui dentro sem ter contato com ninguém além de nós mesmos, então é divertido falar com uma pessoa diferente. — Disse, retirando a camiseta e jogando para qualquer canto do quarto, sem se importar se estava suja. — É um cara maneiro.

— Você está carente.

— O que? Eu, Baekhyun? Não fode, né? — O Park questionou incrédulo com a fala do garoto de fios avermelhados, o encarando.

— Sim, você está! Desde quando se importar em falar com outra pessoa daqui? — Baekhyun colocou a pergunta, ao mesmo tempo em que lutava com os olhos para não deslizar pelo abdômen de Chanyeol, coberto por tatuagem e com um piercing no umbigo.

— Não me importo, só acho legal ter outra pessoa com quem conversar, é só isso. — Explicou, desafivelando o cinto para então começar a enrolá-lo na mão.

— Está tão ruim assim conversar apenas comigo? — Baekhyun indagou com um sorriso ladino, queria parecer brincalhão, mas todas as palavras carregavam um medo, apenas seu, de abandono e troca.

— Não é isso, não seja ciumento. — Chanyeol se aproximou do garoto sentado na cama, tendo os olhos castanhos grudados em si. Baekhyun admirava cada pedacinho do melhor amigo. E ao estar próximo suficiente, a grande mão desocupada tocou o rosto pequeno. — Falar com você, estar ao seu lado, jamais vai ser ruim, cansativo ou qualquer porra, você é único, insubstituível, Baek.

Os olhos castanhos se misturavam em um só tom, exploravam a verdade daquelas palavras soltas pelo Park, enquanto se afundavam em um sentimento ainda dormente. Baekhyun sentiu-se confortável e seguro com as palavras ditas, não saberia lidar se fosse deixado de lado pelo melhor amigo, ele era tudo o que tinha no mundo. Não sabia explicar, mas tinha vontade de abraçá-lo e não soltá-lo nunca mais, queria fazer morada em Chanyeol e jamais ir embora.

— Eu não sou uma estrela cadente, você deveria saber bem disso, não estou de passagem pela sua vida. — Explicou. — Eu vim para ficar com você.


 🍁


Com todos os dentes possíveis amostra, Sehun sentou-se ao lado dos melhores amigos em um extenso gramado atrás do colégio, enquanto eles fumavam um baseado tranquilamente, e mantinham os olhos presos no céu azul.

— Caras, vocês não deveriam fumar essas merda ai. — Sehun comentou, sendo completamente ignorado por ambos. — Depois que morrerem não diga que eu não avisei.

— Foda-se. — Baekhyun rebateu logo após assoprar a fumaça na cara de Sehun, que rapidamente enxotou com a mão. — Tsc, você é um fresco.

— Eu diria saudável. — Sehun contrapôs, tendo como resposta apenas um revirar de olhos do Byun. — Qualquer hora seus olhos vão ficar presos para cima de tanto que faz isso.

— Chanyeol controle seu mascote, ele está feroz hoje. — Baekhyun debochou, chamando a atenção do melhor amigo que apenas soltou uma risada fraca com a implicância do melhor amigo.

— Você é um saco, Byun.

— Você também, Sehun. — Deu uma breve risadinha, para logo ocupar sua boca com a droga, que preenchia seus pulmões com uma fumaça cancerígena, que obviamente acabaria lhe matando, como o Oh falou.

— Ocupe sua boca com essa merda e não encha meu saco, cara. — Sehun resmungou.

— Vocês são dois pé no saco, sinceramente. — Chanyeol proferiu já cansado das farpas trocadas, mesmo que achando hilário. — Não me dão paz um único minuto.

— Culpa de seu mascote que é todo fresco, já disse, Chanyeol. — Baekhyun alfinetou, tendo infantilmente Sehun mostrando a língua para si, fazendo o Park suspirar alto.

— Que se foda vocês dois, se um dia quiserem se matar vão em frente, eu não ligo.

Em duas semanas que Sehun se manteve ao lado deles, o Byun não perdia uma para tirar com a cara do loiro, o tempo todo fazendo piadinhas maldosas ou o xingando de alguma forma. O Oh quase suspeitava que fosse um leve ciúme de sua proximidade com Chanyeol, mas jamais iria expor seus pensamentos, pois ainda prezava por todos os dentes que carregava na boca.

Não duvidava que houvesse alguma relação entre Baekhyun e Chanyeol além de uma amizade forte, talvez durante a noite a dentro do dormitório, eles deveriam no mínimo dar uns beijinhos. Pois, se não se enganava, aqueles olhares trocados entre os melhores amigos era puro desejo, e caso não fosse, estava de fato, muito louco.

Tinha curiosidade em saber, a pergunta dançava na ponta de sua língua sempre que estava sozinho com Chanyeol, porém ainda achava cedo demais para ele querer se abrir dessa forma consigo. O Park não tinha cara alguma de que sentaria para tomar um café as cinco consigo e contar sobre a vida, estava bem longe disso. Por isso, que se contentaria em apenas observar e analisar, até ganhar mais confiança e ter a resposta que desejava.

— Falei com o treinador, ontem, no final da tarde. — Sehun comentou, quebrando a quietude do ambiente.

— Vai entrar para o time? — Chanyeol perguntou, tragando a fumaça tóxica para dentro.

— Não é assim tão fácil. — Comentou. — Terei que fazer um teste daqui alguns dias para ver se sou bom o suficiente para vestir a camiseta e representar o colégio nos campeonatos.

— Isso é um saco. Mas quem vai avaliar você?

— O treinador mesmo junto ao diretor e o capitão. — Contou, deitando-se no gramado bem cuidado.

— O capitão ainda é o Yixing? — Sehun confirmou. — Tsc, uma vez o Baekhyun brigou com ele. Os dois se odeiam né Baek?

— Sim, claro. — Respondeu meio desconcertado. — Eu e o Yixing nos odiamos, muito. — Riu sem graça e um tanto estranho.

— O cara é insuportável, qualquer coisa se ele não te aprovar a gente aqui pode dar um jeitinho.

— Não me coloque em suas encrencas, Park.

— Quem vê não está doido para bater no Zhang de novo. — Chanyeol brincou e Baekhyun apenas deu de ombros, fechando os olhos e se concentrando apenas em fumar a única coisa que no momento trazia tranquilidade para sua alma.

— Agradeço a ajuda, cara, mas prefiro resolver minhas coisas sozinho e sem agressão. — Declarou, realmente agradecido, principalmente por notar que Chanyeol estava disposto a lhe ajudar ali dentro.

— Você quem sabe. — Deu de ombros, recebendo um sorrisinho fechado do Oh.

— Antes que eu me esqueça, vamos sair hoje à noite, tenho um bom lugar para  irmos. — Contou empolgado chamando a atenção dos dois tatuados.

— Conte mais. — Chanyeol incentivou já curioso.

— Um parceiro meu vai dar uma festa hoje, e sério as festas que ele dá são foda. A última que eu fui teve de tudo o que vocês possam imaginar desde gente fazendo stripper em cima de uma mesa até briga. Inclusive, ele usa algumas coisas, então se quiser, ele consegue algumas paradas pra vocês.

— Pode crê que vamos. — Chanyeol confirmou.

— E a festa que tínhamos hoje? — Baekhyun indagou.

— Que se foda essa, você sabe que a festa do Hyunjin não é a melhor, sempre é uma merda. Bora nessa com o Sehun. — Baekhyun mesmo hesitante acabou por aceitar, pois no fim Chanyeol estava certo sobre as festas do Hyunjin, sempre era muito tédio e terminava com polícia na porta.

— Certo, vou avisar ele. — Sehun pegou o celular e logo digitou a mensagem, provavelmente seria para o dono da festa em que iriam. — Estejam prontos até às dez.

 

🍁


—Chegamos ao nosso destino, meus caros. — Sehun anunciou mesmo que não fosse necessário, já que o som alto e as pessoas um tanto alteradas no jardim da frente deixava bem nítido que ali estava rolando uma festa. E pelas luzes apagadas das demais mansões daquele condomínio, notava-se que era o único lugar possível daquela região que tinha alguma coisa acontecendo.

Eles estavam parados na calçada da casa, e antes que seus pés criassem raízes ali, Sehun avançou para dentro sendo acompanhado dos outros dois.

Sem novidade alguma ao abrirem a grande porta de madeira, o barulho aumentou umas dez vezes tanto da música quanto dos murmurinhos agitados dos jovens empolgados, que dançavam sem qualquer vergonha, apenas sendo levados pelas luzes coloridas e pela batida da música.

— Divirtam-se, caras. — Sehun disse olhando por cima dos ombros para eles. — Se vemos por aí, e, por favor, não exagere nas drogas. — Pediu com um sorriso de canto e logo sumindo entre todos os corpos em movimentos ritmados.

Não eram novatos em festas, estavam bem distantes de serem, frequentavam uma todos os finais de semanas e já foram em todos os tipos, as mais comuns eram como a que estavam, cheia de jovens bêbados dançando e se beijando pelos cantos, com música alta, luzes coloridas, e drogas rolando pelas sombras da grande mansão. Então sabiam que para conseguirem se soltar precisavam de uma ajudinha.

Tomando a frente, Baekhyun seguiu caminho desviando dos corpos suados, sentindo sua bunda ser agarrada algumas vezes, e tendo que desviar de algumas pessoas um tanto chapadas. Chanyeol apenas o seguia, mantendo-se localizado pelos fios vermelhos que se destacavam na aglomeração. Ao chegarem à cozinha soltaram o ar dos pulmões, aliviados por terem espaço suficiente para respirarem e se movimentarem sem ter alguém próximo.

O lugar estava vazio comparado com os demais cômodos, havia apenas um casal se beijando próxima a ilha, e duas meninas conversando, enquanto um garoto no meio delas parecia mal, provavelmente, devido ao uso excessivo da bebida alcoólica. Ignorando tudo ao redor, os amigos pegaram os copos vermelhos americanos em cima da bancada, jogando irresponsavelmente dentro energético e uma vodka cara que estava próxima a eles. Não eram exigentes em questão de bebidas, desde que os deixassem loucos o suficiente para esquecerem todos os problemas, já se dava por satisfeito.

Ao terem o gosto da bebida na boca e a sensação dela descendo pela garganta, sentiram seus músculos relaxarem e a sensação prazerosa tomar conta de seus corpos.

— Puta que pariu isso é muito bom. — Chanyeol apreciou, recebendo uma afirmação satisfeita do Byun. — Vamos curtir a festa.

— Vamos. Se encontramos no final, você sabe a regra. — Baekhyun avisou. Eles possuíam um acordo de que em todas as festas deveriam voltar juntos, porque caso alguém os encontrasse que fosse juntos, para não apenas um acabar se dando mal.

Com o copo vermelho em mão, Chanyeol saiu porta afora da cozinha, parando novamente na sala agitada cheia de gente dançando. A música estava muito alta e a batida era boa, isso poderia até contagiar o Park, mas não era o maior dançarino e preferia não se arriscar, mas sabia bem que o amigo de fios tão vermelhos quanto sangue, estava em algum canto rebolando o quadril de forma sensual, e só o pensamento de ver em ele dançar daquele jeitinho, fez seu estômago estranhamente revirar, o fazendo levar o copo até a boca e em um único gole, virar tudo.

Antes que saísse do canto que se encostou para buscar mais bebida, Sehun surgiu com uma garrafa de cerveja e inesperadamente com um baseado entre os dedos, tudo isso acompanhado de um sorriso galanteador de artista teen.

— Está fumando? — Chanyeol perguntou um tanto confuso já que ele sempre criticava  sua atitude de fumar e de Baekhyun.

— Tá ligado naquela parada do faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço? — Chanyeol concordou. — Pois é eu sei como essa porra faz mal, isso vai matar eu, você e Baekhyun, assim como todo o resto que usa, mas acontece que não consigo mais parar, e não quero ver vocês dois presos nisso.

— Sem lição de moral aqui, por favor, Sehun. — Pediu.

— Tsc, ta certo, irmão. — Sehun disse. — Trouxe pra você, é muito boa. — Entregou para Chanyeol.

— Porra valeu, mas não vai tomar? — Perguntou tomando a garrafa de cerveja da mão de Sehun.

— Desculpe, mas vai ter que beber sozinho, porque não curto misturar. — Justificou-se. — Cadê o rabugento do Byun?

— Não fale assim dele, Baekhyun só está na defensiva. — Defendeu e o mais baixo deles, apenas ergueu as mãos para o alto, soltando um risinho, antes de levar a droga para a boca. — Mas eu não sei onde ele está. Provável que rebolando por algum canto desta casa. Ele adora dançar. — Suspirou pesado e levou a garrafa para boca, apreciando pela primeira vez daquela marca e gostando muito do que sentiu. — Caramba essa é da boa mesmo.

— Eu te disse. — Sorriu. — Você e Baekhyun são bem próximos, né?

— Sim, nós somos. Tipo nós dois só temos um ao outro então... — Comentou, tirando os olhos de cima do loiro e direcionando para a pista, a fim de encontrar o melhor amigo por ali dançando com uma expressão safada no rosto.

— Interessante. — Vaporou a fumaça. — Vocês são só amigos? — A pergunta escorregou pelos lábios, não deveria, mas estava tão relaxado com a droga e Chanyeol não parecia que se daria o trabalho em lhe acertar um soco naquele momento apenas por uma pergunta boba.

— Como assim, Sehun? — Perguntou, voltando a olhar para ele.

— Ah Chanyeol tipo vocês dois não fodem no quarto ou sei lá, trocam uns beijinhos, um boquete, qualquer porra desse tipo. — Sehun explicou, recebendo um olhar arregalado que logo mudou ao ter uma expressão questionadora e para então cair na gargalhada.

— Cê tá me tirando, né? — Chanyeol questionou desacreditado de que aquilo fosse verdade, mas a seriedade pairada no rosto fino de Sehun, fez com que seu sorriso morresse e uma postura mais séria fosse adotada. — Claro que não fazemos essas coisas, Sehun! Não seja louco. Eu e Baekhyun somos só amigos. De onde tirou essa ideia?

Oh Sehun deveria estar muito chapado para chegar ao ponto de pensar uma barbaridade daquelas. Chanyeol e Baekhyun transando? Isso jamais aconteceria, eram amigos e héteros. Baekhyun era lindo e tinha um corpo incrível, mas Chanyeol jamais se deitaria com ele, não tinha nem como imaginar. Não faria esse tipo de coisa com seu melhor amigo, ou com qualquer outro homem. Não era gay, nem nada relacionado a uma sexualidade diferente de hétero.

Não gostava de homens, nem de Baekhyun, daquela forma.

 — Hum, juravam que faziam algo, vocês parecem morrer de tesão um pelo outro.

— Você está muito chapado, Sehun.

— Não tanto ainda, esse é o primeiro e comecei não faz muito tempo, mas posso estar vendo as coisas erradas.

— Você não pode, você está. Muito errado. — Fugiu do olhar interrogativo de Sehun, observando as pessoas dançarem, e distraindo-se com o sabor da cerveja.

— Então, você está sozinho e não rola nada com Baekhyun? — Chanyeol não notou a intenção presa por trás das palavras, nem a malícia do toque em seu braço.

— É. Solteiro, cara. E Baekhyun é só um bom amigo, quase como um irmão.

— Bom saber. — Sehun disse, se movimentando para frente de Chanyeol, o colando na parede e espalmando as mãos sobre seu peitoral.

Os olhos de Chanyeol se arregalaram e o corpo todo se enrijeceu, caralho, o que estava acontecendo? Por que diabos, Sehun estava tão colado em si e tomando aquele tipo de aproximação? O que deveria fazer?

— Eu te acho tão lindo, Chanyeol, eu já estou um longo tempo querendo ficar com você, sabe? — Sussurrou ao pé do ouvido do tatuado, o vendo se arrepiar por inteiro. — Você quer também? — Perguntou baixinho, e lentamente puxou com os dentes o lóbulo da orelha dele para baixo.

— Eu... Eu... — Chanyeol estava travado, completamente em pane, nunca na sua vida havia passado por uma situação dessas. Era um homem, seu amigo mais especificamente, dando em cima de si na maior cara de pau.

Cara a cara, Chanyeol sentiu um medo tomar conta do seu interior. Não queria beijar, Sehun.

— Se você quiser beijo você, mas se não quiser, eu prometo sair daqui.

— Eu n-não sou gay, Sehun. — Sehun pareceu se assustar no mesmo instante, dando um passo para trás.

— Espera, você não é gay? — Chanyeol negou com um balançar de cabeça. — Nem bissexual, pan, qualquer coisa que faça você ter desejo sexual por homem e até romântico? — Novamente, negado. — Uau. Por essa eu não esperava. Me passa essa bebida.

— Achei que não misturasse.

— Achei que era gay, então passa essa porra pra cá, eu preciso. — Revirando os olhos, Chanyeol entregou a garrafa para o amigo, que deu um longo gole e devolveu.

— Por que o espanto? —

— Chanyeol, eu tenho um radar para gays excelente, jamais errei, mas...  Você, puta que pariu, perdão. — Colocou a mão sobre a boca, ainda completamente desorientado. — Não vai entrar na minha cabeça que você não é gay.

— Eu pareço tanto assim ser gay? —

— Você não sabe o quanto, na minha visão você tem uma faixa preta escrito em letras garrafais neon na sua testa escrito “GAY”.  — Chanyeol fez uma careta. — Uma pena. Pensei que iríamos nos divertir mais juntos, mas tudo bem, posso viver sem isso.

— Puta que pariu, agora quem precisa de alguma coisa sou eu. — Comentou, desencostando da parede. — Seu amigo que tem as drogas, está aonde?

— Provável que esteja perto da piscina. Ele tem o cabelo castanho e uma estatura mediana, provável que ele está vestindo algo tão caro quanto o valor dessa casa. E o nome dele é Kim Junmyeon.

Não demorou muito para que Chanyeol encontrasse Junmyeon e conseguisse o que queria. Ao lado do rapaz recém-conhecido, experimentou formar uma fila de pó branco sobre o mármore do balcão da cozinha e passar o nariz por ela, inalando toda a droga para dentro de seu corpo. Aquela merda fazia um mal do caralho, tanto Junmyeon quanto Chanyeol sabiam disso, mas ansiavam pela euforia causada pelo uso dela.

Viram-se presos em um mundo paralelo, completamente insanos com suas pupilas dilatadas. Sentiam-se autoconfiante o suficiente para terem o mundo em mãos, completamente inebriados pelo efeito da droga traiçoeira que agia em seu sistema nervoso periférico. Maldita seja aquela droga que levava tantas pessoas a morte, mas que estava em mãos jovens completamente irresponsáveis.


🍁


A claridade da luz causava irritabilidade aos olhos. A manhã de um novo dia nascia, deixando sábado e todas suas loucuras para trás. Não havia mais luzes coloridas brilhando, nem música alta, estava o mais puro silêncio e paz. Enfim, domingo.

Um tanto zonzo ainda, Chanyeol levantou seu tronco e tentou abrir melhor os olhos. Tentava ao mesmo tempo buscar memórias da noite anterior, mas como se tudo tivesse sido apagado, nada vinha à mente depois que inalou o pó branco junto a Junmyeon.

— Veja só quem acordou.

Olhando para o canto do dormitório encontrou Baekhyun sentado no chão com um baseado entre os dedos, em um estado sereno, os fios desarrumados e uma carinha preguiçosa, o que fez um pequeno sorriso nascer no canto da boca do Park. Baekhyun era sua paz sem nem saber.

— Causei muitos problemas para você? — Perguntou, bagunçando o cabelo.

— Encontrei você jogado deitado do lado da ilha da cozinha, estava no auge da loucura, o coringa teria inveja da sua insanidade de ontem. — Baekhyun falou calmo. — Seja sincero comigo, você usou de novo né?

Chanyeol queria muito dizer que não, todavia não sabia mentir para Baekhyun, ele conhecia todas as suas facetas. Nada passaria despercebido pelo sensor do melhor amigo, e pior que dizer para ele que havia cedido mais uma vez a tentação daquela droga, seria mentir que não havia feito e ser pego na mentira.

— Sim. — A voz saiu em um fio baixo. Baekhyun bufo obviamente irritado com a irresponsabilidade do amigo, pois sabia os efeitos da cocaína e tinha completa noção do vício que ela poderia causar no usuário, não queria ver a única pessoa que tinha se perdendo em um mal tão grande.

— Porra, Chanyeol! Você é burro, não é possível que ainda tenha algum neurônio dentro da sua cabeça vivo e capaz de raciocinar as coisas que digo e o perigo que corre inalando essa merda!. — Advertiu irritado. — Cocaína é coisa séria, Chanyeol. Essa porra vicia, tem noção da quantidade de filho da puta que ‘tá preso no vício que ela causa, ou então, em quantos ela mata? Você é idiota. Idiota!

— Não exagera também. — Discordou. — Olha só pra mim, eu estou bem, não estou com vontade de usar de novo. Eu não vício nessas paradas, já disse.

— Sua prepotência de achar que nada vai acontecer com você me irrita. Uma hora vicia e eu não quero ter que ver você fodido por conta dessa merda. — Baekhyun queria colocar aquilo de uma vez por todas na cabeça de Chanyeol, mas parecia impossível, era a mesma coisa que conversar com uma pedra.

Sem dizer nada, Chanyeol levantou-se da cama e seguiu para o banheiro levando uma muda de roupa. Não queria ter aquela discussão com o Byun, pois sabia como sempre acabava. Não iria viciar, não sentia desejo de usar novamente, Baekhyun que era muito exagerado com essas coisas. Era dono do próprio corpo e das próprias vontades, saberia dizer não para o pó quando bem entendesse. Pelo menos, era o que achava na época.

E não demorando muito, Sehun invadiu sua cabeça, com as lembranças dele dando em cima de si e dizendo que parecia gay, desde quando? Ninguém jamais havia falado isso e sempre se achou muito hétero em todos os pontos. Sehun deveria ter algum problema sério de designação para achar que Park Chanyeol, o grande bad boy, era gay e ainda por cima, poderia ter uma relação com Baekhyun, outro grande hétero. Não tinha cabimento para os pensamentos de Oh Sehun.

Mas se de repente, o colégio estivesse comentando pelos corredores que o achava gay? Era possível já que adolescentes são incorrigíveis fofoqueiros e criadores de histórias. Porém que motivo deu para tal boato surgir entre os alunos? Nem se portava como gay.

Ficaria louco com isso.

Secando os fios ao sair do banheiro encarou Baekhyun sentado ainda no mesmo lugar e viu nele uma ótima forma de ter alguma pergunta respondida.

— Baekhyun, me responde uma coisa com total sinceridade, por favor. — Pediu.

— Pergunta e já aviso que não terei dó de machucar você.

— Ótimo. — Estava nervoso pela resposta, por isso demorou um pouco. Achando coragem dentro de seu interior, molhou os lábios secos e perguntou: — Você acha que eu sou gay?

A pergunta causou um silêncio total no quarto. Baekhyun o encarava confuso pela pergunta repentina, esperava por qualquer outra coisa, menos aquilo. Como assim gay?

— Olha Chanyeol, você nunca me disse que gostou de um cara, então não acho. — Respondeu um tanto incerto do que deveria falar, não sabia o que se passava pela cabeça dele naquele instante.

— Não isso. Você acha que eu pareço gay?

— Mas que merda de pergunta é essa, Chanyeol? — Questionou. — Eu não estou entendendo você, está com dúvida sobre sua sexualidade, irmão?

— NÃO! Eu sou hétero. Hétero, mesmo. É que ontem aconteceu uma coisa...

— Hum, o que aconteceu? — Baekhyun perguntou. Colocou o baseado entre os lábios e experimentou mais uma vez da fumaça, precisava disso para ficar bem com o que poderia vim dali em diante.

— Sehun é gay.

— O que? Fala alto, porra.

— Sehun é gay. — Chanyeol vociferou alto e um tanto puto por precisar repetir. Atraindo o olhar curioso do Byun. — Ele deu em cima de mim, ontem. — As bochechas de Chanyeol queimaram como fogo, não entendeu a repentina timidez pelo assunto, mas só piorou quando Baekhyun abriu a boca para gargalhar alto como se fosse a maior piada do século. — Se fude, Baekhyun! Qual seu problema?

— Ah Chanyeol, você é muito burro em não ter notado como Sehun olhava para você, é óbvio que ele é gay.

— Não é óbvio. Você não está entendendo, ele literalmente deu em cima de mim. — Explicou um tanto eufórico. — Ele queria me beijar, tem noção disso? Ele queria beijar a minha boca, porque achava que eu era gay.

— Merda, onde eu estava para perder essa cena? — Debochou do amigo que lhe lançou um olhar assassino. — Ah qual é, Chanyeol? Isso é engraçado demais. Consigo até imaginar você morrendo de medo de ser beijado por um homem.

— Se fosse você no meu lugar iria ficar igual.

— Não mesmo. Se fosse eu no seu lugar, teria beijado Sehun. — Confessou com um sorriso travesso, divertindo-se com a cara de espanto do melhor amigo. — O que foi? Por que está me olhando com essa cara? É só a verdade, Sehun é lindo. Eu o beijaria.

— Você é gay, Baekhyun?

— Sim, eu sou gay, Chanyeol. Algum problema?

 


Notas Finais


Obrigada por lerem até aqui! Eu espero que tenham gostado desse capítulo e que possa encontrar vocês aqui nos comentários ❤

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