História Sensations - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Decisões...


 Meu primeiro dia já estava sendo desastre, me sentia completamente inútil pela forma arrogante que fui tratada mais cedo, odiava ser tratada daquela maneira e ter que ficar calada, mas tudo bem, talvez ele só esteja tendo um dia ruim, todos nós temos os nossos e com certeza seu humor vai melhorar em breve. Bom, era isso que eu gostava de pensar. Vanessa nos da algumas dicas do que fazer e o que não fazer, como funciona sua rotina e como devemos nos portar — talvez ela tenha me avisado um pouco tarde demais sobre a preferência do café do Sr. Schedeiman e sobre as portas absurdamente leves. Até que este momento é interrompido  pelo próprio Schedeiman em pessoa, cuja sua expressão era séria e impassível, ele nos chama até a sua sala e dá instruções claras para Vanessa chamar o entregador, ele escreve um cartão com flores oque me faz sentir vontade de sorrir, então eu estava certa a seu respeito, um dia ruim apenas. Quando o olhar dele está entre mim e as meninas, eu logo entendo que uma de nós será responsável por levar as flores até o entregador, antes de alguém possa se pronunciar acabo sendo mais rápida em o fazer e logo caminho em direção a saída de sua sala e respectivamente sigo caminho até o elevador e seleciono o térreo ficando facilmente distraída com o numerador dos andares. Até que algum tempo sozinha me pego observando o cartão entreaberto revelando sua caligrafia escrito "Preciso..." imaginar o que ele pode ter escrito depois me faz rir, romantismo não parecia ser o perfil dele, ele era tão sério, embora anti profissional eu acabo me deixando levar pela curiosidade e então leio o que está escrito. 
 

"Preciso que entenda que certos afastamentos são necessários para que assim possamos conseguir entender o que há dentro de nós. Pensei muito sobre esta partida, e entendi que isso é o melhor a se fazer.  Estou te deixando hoje, com essa vontade de continuar, mas não dá mais. As coisas foram perdendo o sentido, nós fomos nos perdendo um do outro e cada vez mais nos afastamos um do outro mesmo estando presentes em um só lugar. Apenas torço para que consiga guiar sua vida e encontre a felicidade que procura. "                          

                                          - Nicolas 
 

 Logo perco o sorriso curioso dentre as palavras percebendo que o bilhete não tinha nada a ver com oque eu esperava de algo romântico, fico boquiaberta no elevador me repreendendo mentalmente por ter feito aquilo, e se ele souber que li? Quando as portas se abrem eu praticamente corro dentre as pessoas levando a encomenda até o entregador para me livrar logo daquilo. 

 — Obrigada, não se esqueça, antes das duas.

 Digo após entregar a encomenda a ele, que sorri e pisca para mim me garantindo que cumprirá o horário, logo o observo sair do prédio e eu me pego novamente pensativa enquanto mordia meu lábio nervosamente, ia ter que voltar para lá e encarar ele depois disso...Seu dia devia estar indo mesmo ladeira abaixo.

 Quando subo de elevador, cheio por sinal, as meninas estão fazendo suas tarefas e anotando coisas importantes para seu aprendizado, me encosto na parede perto delas e repasso mentalmente cada detalhe do meu dia para escrever tudo depois. Mas esse momento breve de paz não durou muito.

 — Eu tenho um almoço agora com...? 

 — Os franceses senhor. 

 Vanessa o responde e já se ajeita para o acompanhar, porém seu telefone toca e percebo que algo de ruim deve ter acontecido já que a mesma hesita em ir com ele. De qualquer forma, decido não ouvir a conversa dos dois, já havia me intrometido muito. 

 — Pode ir, eu me viro com uma delas...Meu casaco.

 Só quando Vanessa se afasta para pegar sua bolsa e uma das meninas vai pegar o sobretudo dele é que entendo que está falando com a gente, nós três o observamos em silêncio enquanto ele caminha até o elevador, porém ele logo se vira para nós. 

 — Por que não tem uma de vocês do meu lado anotando? 

 Troco um olhar breve com as meninas e logo me voluntario para o acompanhar, rapidamente pego meu casaco e cachecol, não sabia exatamente para onde estávamos indo ou se deveria ir mesmo, então decido apenas seguir ele, quando as portas do elevador se fecham um silêncio se instala no ambiente. 

 — Desculpe por hoje cedo, não vai se repetir

 Decido falar primeiro quase murmurando olhando para o numerador, tantos andares e eu sentia que o ambiente começava a ficar desconfortável.

— Bata na porta antes de entrar. 

 Dessa vez eu levei o olhar a ele que estava a um passo na minha frente, arrogância de novo...

 — Não achei que as portas fossem...leves. E-eu, sinto muito, não vai acontecer novamente. 

 Ele permaneceu em silêncio respondendo algumas mensagens em seu celular e eu apenas suspirei baixo voltando o meu olhar para o numerador, porque demora tanto? 

 — Posso perguntar aonde vamos? 

 — É ser dever saber aonde estou indo. 

 Ele guarda seu celular e traz sua atenção a mim agora me olhando com aquele olhar ilegível. 

 — Vanessa provavelmente repassou meu dia com vocês, mas pelo o que pude ver, você é a única que não anota nada. Você deveria saber qual café eu tomo, as reuniões que eu tenho...E o código de vestida da empresa, pelo o que me parece apenas você não prestou atenção. 

 O jeito que ele começa a falar me faz descer o olhar para os meus pés, ele me fazia parecer uma completa inútil e isso estava começando a me irritar. Porém, com toda minha boa calma ensaiada, eu começo a me defender em um tom baixo juntando minhas mãos.

 — Eu tenho tudo memorizado, prefiro fazer as anotações quando chego em casa, assim treino meu cérebro para que sempre absorva todas as informações e esteja sempre ligado aos detalhes, tem funcionado com os anos... 

 Já que eu não tinha todo o tempo do mundo para me dedicar somente aos estudos, pensei comigo mesma.

 — Está me dizendo que consegue memorizar toda minha rotina? 

 — Estou, hoje você teve por voltar de três encontros, e acredito que esteja com algum problema sendo resolvido já que seu advogado foi convocado nas mesmas, seu café até então eu não sabia como gostava então resolvi arriscar, mas agora já estou informada. O jantar com os franceses, Vanessa não nos detalhou sobre e apenas disse o que iriam abordar na reunião, afinal até então era ela quem iria acompanhar o senhor.

   Ele negou com a cabeça desviando o olhar para frente em desaprovação quando a porta do elevador se abriu e começamos a andar em direção a saída passando pela recepção do prédio. 

 — Eu sei que não vou ficar neste trabalho por muito tempo, então não vejo o porque de apressar a chegada dos meus trajes só por causa desse teste, não me leve a mal, não vim com seu código de vestimenta por não tê-las, ainda...Mas se sou tão desastrosa como diz que sou, não perca seu tempo comigo. 

 Disse já quando estávamos dentro do carro encarando bem seu rosto, ele permaneceu inexpressivo por todo o caminho então apenas desviei meu olhar a janela e sentia que estava encrencada, talvez até riscada dessa oportunidade nesse exato momento, qual o problema comigo?  

 — Você me dizer isso só demostra seu desinteresse nessa vaga.

 Fiquei em silêncio olhando pela janela por um momento breve, pensativa, era verdade, talvez eu realmente não estivesse interessada em trabalhar para ele, mas não era pelos motivos certos e eu sabia disso. Discretamente suspirei baixo olhando agora para minhas mãos.

— Não é um lugar que eu me encaixe, é uma grande empresa...

— Pessoas como você me desanimam.  

 A maneira que aquelas palavras me atingem com tamanha frieza que chega a ser humilhante, eu já estava acostumada a trabalhar com pessoas desdenhosas e que não mediam palavras, mas eu jamais esperaria ter este tipo de tratamento no mundo empresarial também, talvez tivera sido ingenuidade minha de fato, cega por um sonho distante do qual eu ainda estou a realizar devagar. Só então percebo que o carro já havia parado e o motorista abre a porta para nós, mas antes mesmo que eu possa pensar em sair meu chefe fecha a porta me deixando confusa e me apresso em abrir a janela do lado onde ele estava. 

— Não precisa me acompanhar, José ira leva-la para sua casa. 

 Permaneço olhando para seu rosto somente para ter certeza que estava falando sério, mas esse contato não dura muito já que ele dá as costas para mim, estava começando a não gostar dele e não me importava oque estava se passando, já devia estar cortada mesmo, então porque obedecê-lo quando posso simplesmente segui-lo e aprender mais um pouco de perto? 

— Então que pena que ficará desanimado o almoço inteiro. 

 Digo já ao seu lado após sair do carro e o seguir até o restaurante Eleven Madison Park, ele se quer fez menção em me olhar e permaneceu me ignorando até chegarmos a mesa reservada onde homens engravatados e de terno já nos aguardavam com suas respectivas secretárias. Só nesse momento meu chefe fez menção a mim, me apresentando para os senhores ali presentes e assim iniciamos a reunião, ignorando constantemente a presença um do outro. 



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