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História Sentidos. - Capítulo 2


Escrita por: e Maal_


Notas do Autor


Hoje o sentido é Audição e nosso casal é Mu e Aldebaran.

Capítulo 2 - Silêncio.


Fanfic / Fanfiction Sentidos. - Capítulo 2 - Silêncio.

"O primeiro dever do amor é ouvir."

Paul Johannes Tillich

 

 

Sua realidade era dolorosa e cruel, sua sanidade estava inconstante há dias. Perder alguém que se ama não é fácil, principalmente quando sua dor foi causada pela irresponsabilidade de alguém no trânsito. Saber que foi “por acidente” que sua felicidade foi interrompida é de enlouquecer qualquer um.

"Não sei se quero continuar". A mesma frase ecoava a cada segundo em sua mente. Aldebaran refletia sobre sua vida no caminho para casa, mas não importava o quanto pensasse, sua realidade não irá mudar! A dor não passará...

E pensar que não faz muito tempo que ele era feliz e tinha tudo que considerava importante para sua vida: Um bom casamento com o homem que amava, uma casa própria, um bom emprego e acabara de adotar um filho.

Tudo agora parecia tão distante, a felicidade é mesmo efêmera...

Ainda podia ouvir o cantarolar feliz de seu amado Mu no dia em que foram buscar seu filho Kiki no orfanato para finalmente terem uma família completa, naquele dia ele se sentiu pleno, finalmente pode cumprir a promessa que fizera a Mu ainda na adolescência, enfim dera a ele um lar, uma família. Mu sempre cantarolava quando estava feliz, Podia-se dizer que ele cantarolava quase o tempo todo! Porém o canto foi interrompido por um motorista bêbado fugindo de uma blitz.

Foi no fim do verão. Naquele dia o carro estava na oficina, ele e Mu haviam ido a pés buscar o filho na escola quando fora atropelado na calçada. A imagem de seu doce e sorridente Mu, ensanguentado no chão fora a última que Aldebaran teve se seu carneirinho. Fora ali que esse percebera quão frágil era sua felicidade. Naquela mesma tarde, não resistindo aos traumas do acidente Mu partira para sempre levando consigo seu cantarolar.

"Não sei se quero continuar". A mesma frase ecoava a cada segundo em sua mente. Aldebaran parou o carro enfrente a garagem, mais uma vez ele fora imprudente, ele havia se tornado aquilo que mais odiava: Um irresponsável bêbado atrás de um volante. Apertou com força o volante, se sentindo um lixo, mas como suportar a dor estando sóbrio?

Sabia que estava assumindo o risco de matar um inocente e tirar a felicidade de alguém como alguém tirou a sua, sentia-se enojado de si por isso também, mas não tinha mais forças para entrar naquela casa sabendo que mais uma vez dormiria sozinho. Nunca mais ouvira um “boa noite meu querido, como foi seu dia?” A doce voz de Mu foi silenciada. Mas se ele não parasse poderia ser ele o próximo a silenciar um inocente. Aldebaran sabia disso, ainda assim fraquejava fazendo da bebida seu refúgio.

Na porta a empregada já o aguardava desejosa de ir para casa, Aldebaran pediu desculpa pelo atraso e entrou se sentido frustrado, envergonhado e trôpego. Na sala, ele encontrou no sofá seu filho que por certo o esperara até adormecer. Segurando o choro, Aldebaran abrira e fechara os olhos várias vezes perguntando-se o que estava fazendo de sua vida e de seu filho. Lembrou-se das palavras de Mu poucos dias antes do acidente: “Amor, cuide sempre da nossa gotinha de amor”. Aldebaran nunca entendera o porquê daquele pedido, até parecia que Mu sabia que os deixaria.

Tal como em um mausoléu o silêncio predominava na casa toda.

Aldebaran olhou mais uma vez para o pequeno Kiki, com seus seis anos aquela criança já compreendia a situação, e tentava o seu melhor para animá-lo e ajudá-lo. Aldebaran sorriu triste antes de pegar seu filhote nos braços e o levar para seu quarto onde era para ele estar dormindo. Com extremo cuidado colou seu filho na cama e certificou-se que a janela estava bem fechada o frio da madrugada não deixasse Kiki resfriado, o beijou na testa, desligou a luz do abajur e deixou a porta entreaberta para que pudesse ouvir caso Kiki tivesse outro pesadelo. Sem as canções de ninar que Mu  sempre cantava o sono do pequeno já não era mais o mesmo.

Numa tentativa vã de adormecer, Aldebaran olhou para o lado onde Mu dormira, abraçou o travesseiro que ainda continha seu cheiro de lavanda na fronha e se aconchegou com seu filho nos braços e fechou os olhos, mas o sono demorou a  vir e quando veio fora perturbador demais!

Sonhara com a última que pode tocar em seu companheiro, podia sentir Mu esfriando, segurava sua mão com afinco tentando lhe passar seu calor, sua força vital enquanto orava aos céus para que os deuses não levassem Mu desta terra. O desespero era vívido! Aldebaran o matinha em seus braços sentindo o calor desaparecendo aos poucos não existir mais, sentindo o coração de Mu desacelerando, parando como asas de borboleta encharcada pela chuva, pesada, sem forças.

 Os olhos verdes intensos perdiam lentamente o brilho e os lábios rosados agora pálidos sussurrava suas últimas palavras: “Amor não chore. Cuide do nosso Kiki por nós dois.” E um sorriso triste de quem partia sem deixando para trás seus dois amores. Aldebaran ficou ali impotente ouvindo os pequenos gemidos de dor e os dolorosos ofegos diminuírem até só restar o silêncio.

Quando acordara de madrugada, Aldebaran estava assustado pelo sonho e suando frio. Kiki dormia em seu peitoral como um anjo, enternecido ele o abraçou com carinho e cuidado e chorou, chorou em silêncio para apaziguar sua dor.

Após o choro, fora até a cozinha prepara o café da manhã e perdeu-se em suas memórias enquanto coava o café. Ainda podia ver Mu andando pela cozinha só de cueca cantarolando para lhe enfeitiçar todas as manhãs. Até pouco tempo atrás Aldebaran poderia abraça-lo forte o e sussurrar baixarias nos seus ouvidos, o excitando como podia até que Mu se soltasse dizendo que podiam acorda Kiki com o barulho.

O apito da chaleira que borbulhava com água quente para fazer o chocolate quente de seu filho, tirou Aldebaran de seus devaneios. Enquanto preparava o chocolate um vento forte abriu a porta da cozinha fazendo Aldebaran se assustar, porém o vento quente carregado com uma leve fragrância de lavanda. Aldebaran arrepiou-se. Era quase como se pudesse ouvir Mu sussurrando em seu ouvido: “Seja forte, seja feliz, viva! Ame! Eu sempre estarei cuidando dos dois”.

E essa foi a última vez que Aldebaran ouvira a voz suave do seu grande amor. Na beira do fogão ele sorriu gentilmente para o nada fazendo uma jura silenciosa que a partir de agora não choraria mais, não beberia mais, e seria forte. Arrumou a mesa do café e fora acordar seu pequeno com uma certeza que Mu cuidaria dos dois para sempre.

 

 



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