1. Spirit Fanfics >
  2. Sentimentos >
  3. Capitulo Único!

História Sentimentos - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Apenas uma coisa que eu escrevi á algumas semanas e resolvi enviar.
Capitulo revisado, porém pode haver erros.
Depois de postado estarei lendo e arrumando...
I Won't Give Up - Música adaptada.
https://www.youtube.com/watch?v=Y5Y2CkQzeAw
Espero que gostem! :)
Jaskier x Geralt.

Capítulo 1 - Capitulo Único!


O lobisomem pairava sobre ele, braços grossos e peludos com grandes unhas afiadas erguidas e prontas para atacar. Geralt sabia que estava completamente ferrado e que suas chances eram mínimas, ao ser pego desprevenido com a transformação da criatura sua espada de prata havia sido jogada a uns bons metros dele.

Com uma respirada forte, Geralt recuou para trás, a lama grossa em suas botas desacelerou seus movimentos. Ele sabia que não estava na sua melhor noite. Seu corpo tinha um enorme rasgo de garras que iam da costela até as costas e puta inferno, estava ardendo como fogo puro e jorrava bastante sangue. 

Ele sabia que com seu metabolismo rápido o ferimento não poderia leva-lo a morte facilmente, porém com certeza deixaria cicatrizes. Apenas mais uma para coleção.

Desviou de outro ataque da criatura que dessa vez mirou sua cabeça. Se ele ao menos pudesse distrair a besta e pegar sua espada...rapidamente ele se esquivou de um pulo quase certeiro que o monstro fez para cima de si e desviou de um golpe afiado de garras que apontava para seu peito, girou seu corpo para fora do caminho e lançou o sinal igni para afastar a criatura. Fogo puro e intenso atingiu a lateral do lobisomem trazendo um forte cheiro de pele queimada em suas narinas.

A criatura uivou de raiva ao se regenerar diante dos olhos do grande bruxo e após um simples pulo já estava novamente em cima de Geralt tentando a todo custo morder sua jugular.

Ele bloqueou um golpe cheio de garras das mãos da besta, usando como um bastão o pedaço comprido de uma lança velha e enferrujada que encontrou jogado na lama.

Ele sabia que iria apenas ferir o animal, mas ele esperava que fosse o suficiente para conseguir contornar a situação e pegar sua espada, porém antes que ele pudesse fazer alguma coisa, ele viu pelo canto do olho, um borrão de cor se mexendo em direção a luta. E logo em seguida o lobisomem uivou de dor e surpresa ao ter um dos braços peludos decepado por sua espada de prata que para surpresa de Geralt, tinha um Jaskier feroz e determinado a segurando firmemente.

O bruxo gemeu. Ele disse a Jaskier para correr e se esconder. Por que Diabos esse idiota estúpido ainda estava aqui?

—Oh, que coisa horrível e feia você é... – Caçoou Jaskier recuando alguns passos para trás elegantemente.

—Cuidado Jaskier!

A criatura rapidamente pulou de cima de Geralt e foi em direção ao bardo em retaliação por seu membro cortado. Ela grunhia de dor e raiva.  Era uma cena um tanto quanto aterradora, porém Jaskier estava indo muito bem e não aparentava estar com medo.

Tinha que admitir, o bardo era tão bom com uma espada do que Geralt teria suspeitado. Podia ouvir seu coração batendo mais rápido em seu peito, apenas parcialmente pela adrenalina da luta, determinado a acabar com a criatura.

Geralt olhava para Jaskier, incrédulo, admirado e com medo...Medo de que o bardo a qualquer momento recebesse algum golpe da criatura, mas para sua surpresa Jaskier evitava um ataque após o outro. Seu peito estava estranhamente quente e cheio agora.

Outro braço peludo e ensanguentado caiu na lama. 

Jaskier estava se saindo muito bem, para alguém que não sabia usar uma arma, excepcionalmente bem demais.

Em um movimento arriscado, Jaskier pulou para frente, a lâmina levantada. E mais dois golpes desajeitados, a espada fez um movimento brusco e Geralt pode ver a cabeça maciça da criatura deslizar sobre o pescoço da mesma e cair com um barulho alto na lama suja, encharcando o bardo durante todo o processo.

—Geralt! –Gritou o moreno de olhos azuis, soltando a espada em baque surdo pelo lamaceiro. E indo para cima do bruxo conferir se ele estava machucado.

— Caramba, Jaskier, o que você está fazendo aqui?

—Bem, ajudando você aparentemente. -Jaskier sorri, mas o bruxo sabe que é apenas para quebrar o clima, pois seu sorriso nunca chega aos olhos. -Eu não podia deixar você aproveitar toda a diversão sozinho.

Jaskier se aproximara mais do bruxo, para conferir seus ferimentos.

—Doce Melitele Geralt! – Sibilou o bardo, ao ver as costas do companheiro cheia de lacerações. – Isso está feio!

—Me diga algo que eu não sei bardo!

—Você não consegue ser amigável nem quando está ferido…me poupe Geralt.... – Jaskier resmungou baixo, mas o bruxo resolveu ignorar e dizer finalmente o que estava curioso.

—Você nunca me disse que poderia lutar.

Jaskier se virou, sangue e lama salpicavam sua roupa, assim como seu cabelo bagunçado pela luta.

—Só porque eu normalmente tento evitar usar uma espada, não significa que eu não sei como usa-las.

Ele suspirou ajudando o bruxo a se levantar e sentar-se em uma pedra.

 -Você é inacreditável. – Zombou o bruxo e Jaskier não sorriu, estava preocupado com o ferimento de Geralt que precisava ser limpo logo ou ele morreria com a perda de sangue, ou pelo menos pensava o bardo.

— Geralt por favor, fique aqui e espere por mim e pelo amor de Melitele, não faça nada estúpido enquanto eu estiver fora. Eu só vou buscar Roach e já volto.

Geralt assentiu, observando sua silhueta sair em retirada, ele ainda estava um pouco confuso em descrença pela coragem de Jaskier em enfrentar um monstro que tinha o dobro de seu tamanho.

Não demorou muito, até Jaskier voltar com o cavalo ao seu lado. Roach, relinchou e abaixou a cabeça, batendo na bochecha de Geralt em preocupação.

—Eu estou bem, Roach. -Ele disse dando um afago suave no pescoço da égua, confortando o animal tempestuoso.  Ela relinchou e bateu com os cascos na lama como se estivesse o reprendendo por não tomar cuidado.

Jaskier rodeou o animal e ficou na frente do bruxo e estendeu uma das mãos para dar suporte para ajudar na montaria. 

—Vamos!

Geralt soltou um huuum, mas aceitou a ajuda do bardo, grunhindo quando suas feridas doeram, ao montar a égua.

Ele gemeu, seria bom descansar seus músculos em uma cama.

(...)

Já era noite quando eles voltaram para o pequeno vilarejo. Roach bufou e uma nuvem branca de ar escapou entre suas narinas. A ferida em suas costas pulsava, mas não era nada do que ele não poderia aguentar. Já havia passado por coisas piores, mas mesmo assim o cheiro do nervosismo de Jaskier o deixou tenso. O bardo estava agindo como se ele estivesse entre a vida e morte.

Geralt escorregou das costas de Roach, engolindo um silvo agudo com um movimento errado. Ele captou o olhar atento de Jaskier e uma ligeira preocupação que estava estampado em todo o seu rosto. Ele desviou o olhar.

Jaskier era protetor demais, não que ele fosse morrer por causa de um simples arranhão de um lobisomem, não seria a primeira vez que lutava contra um e saia machucado, mas o jeito que o bardo estava agindo ultimamente lhe trazia sentimentos estranhos, sentimentos tão confusos que ele não conseguia lidar.

E isso o incomodava. Geralt não queria complicações. Ele não queria alguém para se preocupar com ele, ou para se apaixonar por ele, e muito menos que crie expectativas sobre ele.

Ele não queria que ninguém se desapontasse quando ele não puder mais ficar. Ele não queria jamais deixar alguém lamentando quando algum animal ou criatura inevitavelmente o despedaçar.

 Lembrou-se das palavras de Visemir. Certamente um bruxo não terá uma morte tranquila em uma cama.

Mas era Jaskier. 

Jaskier era diferente.

Geralt já tentou deixa-lo para trás inúmeras vezes, Jaskier apenas fingia que não via seu gesto. Uma vez em uma caçada Geralt o deixou para trás de propósito, Jaskier o encontrou novamente, ele simplesmente saiu de um arbusto, irritado e sem fôlego, e se sentou para almoçar com ele.

Jaskier era..

Jaskier se preocupava com ele.

Jaskier cuidava dele, da mais simples e mais patética forma.

Ele garantia que Geralt comesse direito. Ele verificava e analisava cada uma de suas feridas, costurando-as quando necessário e fazia com que cada uma delas virasse uma balada bonita. Não que ele confessasse isso ao bardo.

Diabos! Geralt mal se lembrava a última vez que foi expulso de alguma vila depois que estava viajando com o bardo. Jaskier o tornou tolerável para as outras pessoas, nem as crianças fugiam mais dele. Ele transformava as cicatrizes de Geralt nas marcas de um herói, fazendo dele um guerreiro famoso. 

Jaskier era um homem excêntrico e...especial. Ele esfregava a dor nos músculos de Geralt, com suas mãos quentes e sujas de óleo quando ele precisava.

Jaskier fazia essas coisas pequenas e significativas para ele que mexia com sua cabeça. Nunca teve algo assim na vida, nem com Yennefer. Seria tão mais fácil se bruxos realmente não tivessem sentimentos.

O bardo assumiu as rédeas, de Roach e levou a égua a um poste livre no estábulo. Geralt murmurou algumas palavras de conforto para ela, antes de acariciar seu pescoço. Enquanto Jaskier parava para afrouxar a sela e tirar os sacos pesados da égua. 

O barulho de um bar cheio de bêbados o envolveu quando eles entraram. O cheiro de suor, álcool e pele suja permaneceu no ar e isso o fez fazer uma careta.

 Geralt deixou o olhar percorrer os rostos sombreados da multidão. Algumas mesas a frente, ele encontrou o olhar do homem gordo e velho que o contratara originalmente.

—Parece que você foi bem-sucedido, bruxo.

 Observou o homem, olhando-o com uma expressão de repulsa mal escondida no rosto e um ligeiro desconforto na voz, mas isso poderia ter a ver com a lama e com o cheiro do sangue em sua pele.

—Morto. – Disse simplesmente e o homem sorriu satisfeito retirando uma bolsa de moedas do cinto e a jogando na mesa diante dele. Moedas tilintavam umas contra as outras. 

—Aí está, acho que digo em nome da cidade quando falo que estou feliz que o monstro esteja morto.

Geralt assentiu bruscamente para ele antes de estender a mão e pegar a bolsa de moedas, depois deu as costas para o homem procurando Jaskier.

Queria subir ao quarto logo e retirar o fedor de sangue e lama de seu corpo. Ele encontrou o bardo logo a frente, ajustando a alça do alaúde por cima do ombro, ele estava um pouco nervoso.

— Nós teremos que dividir o quarto, aparentemente eles só possuem um disponível, mas não se preocupe eu posso dormir no chão...

O bruxo assentiu, se desligando ao notar que Jaskier começava a divagar e falar demais.

O quarto que Jaskier o levou não era muito grande, mal continha uma cama, uma lareira e uma banheira de madeira à sua frente. Algumas velas foram colocadas sobre a lareira que Jaskier teve o cuidado de acender imediatamente. A sala inteira cheirava sutilmente aos óleos perfumados que Jaskier correu despejar na banheira que fervilhava com água morna.

Geralt chutou as botas sujas de seus pés e começou a desatar a armadura, peça por peça, seus músculos se contorcendo quando afrouxava a placa de couro rasgada, onde o lobisomem o atingira.

Jaskier tirou o gibão rasgado com uma careta e arregaçou as mangas de sua própria camisa. Exceto por alguns respingos de sangue, ele aparentemente não parecia afetado pela luta. Ele notou os olhos do bardo viajando sobre seu corpo, permanecendo em alguns lugares, antes de se fixar nas feridas vermelhas em suas costelas. 

—Vamos, me deixe cuidar disso.

—É apenas um arranhão, eu posso fazer isso sozinho.

— Sim é apenas um arranhão...de um fodido lobisomem.

—Não exagera Jaskier.  

—Honestamente Geralt! Se eu tivesse corrido como você queria, talvez você poderia, sei lá, ter ficado lá e sangrado até a morte.

Geralt revirou os olhos, mas se deu por vencido. Se Jaskier queria dar uma de curandeiro, não seria ele que reclamaria. Até porque a ferida de suas costas seria um pouco mais complicada para lidar.

—Não seja dramático, não estou morrendo.

Não era novidade exatamente que o coração do bruxo batia mais devagar, para que ele não sangrasse de forma inconveniente até a morte. E eles também não eram tão fáceis de matar. Jaskier estava exagerando.

—Certo, como deseja. –Disse Jaskier zombando.

Geralt não disse nada, apenas observou o bardo balançar a cabeça em indignação, um pequeno vinco se formou entre as sobrancelhas apertadas de Jaskier, antes de ajudá-lo a tirar as peças restantes da roupa.

Com um suspiro, Geralt ficou totalmente nu e sentou-se na banheira. A água morna fez seu ferimento arder, mas ele evitou demostrar dor, pois Jaskier parecia sofrer mais que ele próprio ao fitar suas feridas.

Depois de limpo Geralt levantou-se e foi se sentar a cama, onde recebeu uma boa olhada crítica do bardo.

Jaskier enfiou as mãos nas sacolas que o próprio havia jogado do lado da cama e puxou um frasco e dois pedaços de pano. 

Geralt sentiu um cheiro suave de camomila, quando Jaskier começou a limpar o ferimento de suas costas.

Ele derramou um pouco do líquido amarelado em um pedaço de pano e passou sobre os ferimentos do bruxo.  

—Realmente, o que você faria sem mim?

 Jaskier olhou para ele severamente através dos cílios escuros, enquanto ele cuidadosamente começava a cutucar a ferida.

—Provavelmente eu teria...

Jaskier bateu no braço dele. 

— Se eu não tivesse te seguido, você ainda estaria deitado na lama, provavelmente morto.

—É um risco do trabalho. –Disse o bruxo somente para irritar o bardo.

Jaskier bufou. 

Seus dedos suaves limpavam com agilidade os ferimentos de Geralt. Ele fechou os olhos apenas curtindo o momento, sabia que poderia apenas tomar uma poção para curar mais rápido, porem ele confessava que gostava de quando Jaskier o ajudava. Com toda a sua delicadeza poética e com seus dedos longos e suaves. 

Geralt nunca iria admitir isso para o bardo, mas gostava.

—Que bom que eu resolvi voltar e salvar sua bunda então, suas decisões às vezes são péssimas.

Isso arrancou um pequeno sorriso dele. 

—Jaskier se você ficar quieto eu deixo você escrever uma balada sobre isso.

—Oh, não se preocupe, eu definitivamente irei escrever algo sobre hoje, mas confie em mim, você não me quer quieto.

Jaskier pegou um pedaço de pano longo e dobrado de uma bolsa. E começou a enrolá-lo fazendo um curativo longo sobre suas costas e depois costelas, os dedos ocasionalmente roçando a pele de Geralt, antes de atar as pontas. Isso lhe causou um arrepio, o bardo era tão delicado.

Jaskier ronronou satisfeito com seu trabalho. Ele se levantou, foi até a banheira e passou a mão pela água. Fez uma careta ao sentir a frieza.

—Hum, não está mais quente...

Ele alcançou o balde ao lado da banheira com intenção de encher de água antes de passar para a lareira para aquecê-la um pouco, porem para sua surpresa ao virar se deu de cara com Geralt ainda nu em toda sua plenitude masculina. Ele sabia que estava corando no momento, mas não pode evitar.

—Deixe que eu esquento para você.

— Está bem.

 Geralt ativou o igni em direção a banheira e o bardo pode ver que a água estava voltando a ficar quente. Jaskier sabia que Geralt não era bom em demostrar sentimentos, mas aquele ato para ele era como se fosse um agradecimento. E para Jaskier era mais que suficiente.

—Oh obrigado, agora por favor vá descansar que assim que terminar irei buscar nossas comidas.

—Jaskier eu estou bem, deixa que eu vou buscar.

—Tem certeza? Se quiser pode ir deitar, não irei demorar muito no meu banho.

Jaskier começou a retirar sua roupa um pouco envergonhado e Geralt pode ver um pouco de pele, antes de se obrigar a se virar e procurar algo para vestir antes que atacasse o bardo.

—Sim eu vou.

(...)

Jaskier já estava se vestindo quando Geralt voltou para o quarto com a comida. O estômago do bardo grunhiu, estava com mais fome do que pensava.  Os dois rapidamente comeram com Jaskier ocasionalmente falando e após isso o bruxo se deitou para um cochilo, enquanto o bardo resolveu descer para a taberna e colocar seu dom em ação como havia combinado com o dono do lugar.

A taberna estava cheia e Jaskier iniciou o show cantando as canções mais alegres e conhecidas de seu repertório rendendo um peso significante em sua bolsa de moedas, mas por fim alguém apaixonado que estava bebendo para afogar suas mágoas lhe gritou para cantar músicas sobre o amor e isso o fez pensar em Geralt e em uma canção secreta que ele escreveu e nunca apresentou a ninguém, muito menos ao bruxo, pois as pessoas dali poderiam até não saber sobre quem o bardo cantava, mas Geralt não era estupido e saberia que era sobre ele.

Ele começou dedilhando seu alaúde em uma melodia suave.

Quando olho em seus olhos

É como observar o céu de noite ou um belo amanhecer

Eles carregam tantas coisas

E como as estrelas antigas

Vejo que você evoluiu muito para estar bem aonde está

Qual a idade da sua alma?

Ele não podia se conter quando a letra da música chegou em seus lábios e ele não pôde deixar de cantá-la ao público naquela taverna pequena e suja, derramando seu coração naquela canção que ele sabia que Geralt não estava ali para ouvir.

Não desistirei de nós

Mesmo que os céus fiquem violentos

Estou lhe dando todo meu amor

Ainda olho para cima

Jaskier fechou os olhos ao soltar sua linda voz. Ele estava tão envolto na canção e nas lembranças que ela lhe trazia que não viu que o bruxo assim que ele começou a tocar seu afinado alaúde, havia descido as escadas da taverna e se sentado no fundo da mesma bebendo uma cerveja e ouvindo o bardo cantar.

E quando precisar de seu espaço

Para navegar um pouco

Esperarei pacientemente

Para ver o que você descobrirá

De fato, quando o dia estava difícil, quando Geralt precisava de silêncio ele sabia o que fazer. Ele entendia. Ele se sentava com Geralt em silêncio, pegava seu alaúde e o limpava acompanhado pelo som rítmico de Geralt afiando suas espadas. Ele limpava seu instrumento corda por corda, polegada á polegada, deixando o tempo fluir silenciosamente entre eles, até o bruxo voltar ao normal.

Porque até as estrelas queimam

Algumas também caem sobre a terra

Temos muito a aprender

Somos dignos

Não, eu não desistirei

Ele não podia evitar o amor que ele tinha pelo Lobo Branco, seu companheiro de viagem, seu “amigo’’

"Nós não somos amigos".

Quantas vezes ele ouviu essa frase, essa maldita frase saindo da boca de Geralt. Quantas vezes ele engoliu sua mágoa e dor ao ouvir o bruxo dizer aquelas palavras. Jaskier sabe que Geralt nunca o olharia com desejo e amor, mas ele esperava pelo menos que fosse digno do bruxo como amigo, então ele cantou. 

Não quero ser alguém que vai embora facilmente

Estou aqui para ficar e fazer a diferença que posso fazer

Nossas diferenças, elas fazem muito nos ensinando a usar

As ferramentas e os dons que temos, sim, há muito em jogo

E no fim, você ainda é meu amigo

Pelo menos não tivemos a intenção

Para funcionarmos, não quebramos, não queimamos

Tivemos de aprender a ceder sem ceder à pressão do mundo

Tive que aprender o que tenho e o que não sou

E quem sou

Por enquanto, Jaskier se contentaria em viajar ao lado do bruxo e compor músicas sobre o grande Geralt de Rívia e sofrer em silêncio. Ele ficará contente em amar de longe platonicamente até que Geralt o mandasse embora de vez. 

É realmente patético, mas contribuiu para essa boa música. E ao cantar uma última vez o refrão algo esvaziou em seu peito.

Porque até as estrelas queimam

Algumas também caem sobre a terra

Temos muito a aprender

Somos dignos

Não, eu não desistirei

Geralt estava levemente chocado quando o bardo terminara de cantar e por fim abriu os olhos e olhou em sua direção como se eles fossem dois imãs e tivessem conectados. O bruxo primeiramente vê surpresa e depois vergonha.

Jaskier parecia estático, mas os sons de palmas e cintilares de moedas ecoam na direção do bardo, fazendo ele acordar de seu estupor. Ele respira fundo e força um sorriso. Recolhe as moedas que foram jogadas para ele e agradece ao público, depois foge para o andar de cima onde Geralt não pode vê-lo desejando que o mesmo não o seguisse.

Geralt piscou várias vezes, olhando para a direção que Jaskier correu. Sua mente estava processando sobre a canção do bardo e a conclusão que chegou fez seu peito bater mais rápido e se aquecer por um sentimento forte que estava evitando a todo custo sentir. 

Quando Geralt finalmente tomou coragem de ir atrás de Jaskier, ele encontrou o bardo deitado na cama de casal velha que antes havia dormido, ele estava olhando para o teto e parecia que iria morrer a qualquer momento.

Geralt entrou no pequeno quarto e teve a impressão de que o cômodo havia encolhido e estava pequeno demais para os dois homens no momento.

Ele ficou parado em frente a porta pelo lado de dentro, a poucos metros do pequeno bardo, havia um leve brilho de suor na testa de Jaskier, uma gota aninhada na cavidade de sua garganta, o pescoço estava exposto e o casaco aberto.

Ele ficou em silencio, não sabia como falar, o que falar, mas sentia que devia dizer algo.  

—Jask...

—Não Geralt, não torne isso mais difícil para mim por favor.

Então ele finalmente olha para Geralt e o bruxo pode ver que o bardo estava lutando esse tempo todo contra pequenas e cintilantes lágrimas que desciam a todo custo por seu rosto delicado.

E Geralt sentiu uma vontade involuntária de pegar Jasker em seus braços, secar lágrima por lágrima e dizer que estava tudo bem, mas ele simplesmente encolhe os ombros e suspira, caminhando até a cama de madeira velha e deitando-se ao lado do bardo.

Seus ombros se tocaram por um momento, mas Jaskier se afastou rapidamente mais para o lado para dar espaço para ele no colchão.  

—Eu nunca quis que alguém se apaixonasse por mim. – Disse Geralt por fim quebrando o silencio. - Honestamente Jaskier, eu não sou o tipo de pessoa digna do amor, a vida que eu levo é solitária...eu não posso me dar ao luxo de fazer alguém sofrer com a possibilidade grande de que a qualquer momento eu posso morrer, especialmente se essa pessoa for você.

—Geralt... – Balbuciou Jaskier contraditório, sua voz tremia um pouco e ele parecia ter raiva ao virar sua cabeça bruscamente para olhar no rosto do bruxo. - Seu belo idiota!

Geralt sentiu que deveria ficar ofendido com as palavras do pequeno homem, mas o modo como elas saíram da boca de Jaskier fez ele se sentir molenga.

—Essa escolha não é sua okay, você não tem o direito de impor se outra pessoa pode ama-lo ou não Geralt. O amor é algo puro e vem quando você menos espera, ou você acha que eu escolhi amar um homem bruto do jeito que você é -Geralt não sabia como responder. E embora tenha sido treinado para acelerar e desacelerar as batidas de seu coração, ele não conseguia se controlar. Então Jaskier continuou falando soltando uma risada amarga. -Acho que essa é a hora de dizer que eu estou apaixonado por você e estou a muito tempo...não me importo se você liga ou não já que eu sei que você ainda ama Yennefer.

—Eu não amo a Yennefer. - Disse Geralt, mas Jaskier ignorou.

Geralt realmente não está mentindo quando fala essas palavras ao bardo. Ele acredita que já não sente mais nada pela feiticeira á muito tempo. Algumas vezes ele se pegava pensando nela, mas sabia que era por conta da ligação com o maldito djinn.

 -Por Melitele, uma parte de mim está aliviado em dizer o que eu sinto para você e confesso que isso é libertador, mas Geralt eu não estou falando essas coisas para você esperando algo em troca...eu sei que depois disso eu tenho que inevitavelmente me afastar de você e seguir meu caminho, bem se você quiser...

Jaskier deixou escapar um longo suspiro de entristecer o coração do bruxo. E eles recaíram em um silêncio desconfortável.

Geralt começou a pensar sobre tudo e todas as aventuras do lado do bardo, inclusive sobre os seus sentimentos e por um momento seus pensamentos o levaram a querer manter o bardo para ele. Jaskier já tinha provado hoje mais cedo que sabia se proteger, quando Geralt não poderia salva-lo e o bruxo teria que se manter a salvo também para não machucar o coração de Jaskier. Ele não sabia se poderia manter essa promessa silenciosa, mas ele tentaria a todo custo não perder a vida para não fazer o bardo sofrer.

Geralt rastejou seu corpo sob o colchão velho para mais perto do bardo e ergueu sua cabeça para ter uma visão melhor do outro homem, deixando seu rosto a poucos centímetros da face de Jaskier, que arregalou os olhos surpreso e corou com a aproximação do homem maior.

—Jask...eu não quero que você vá embora. - Disse Geralt finalmente, se esforçando para confessar seus sentimentos e não parecer um ogro, Jaskier ofegou- Eu não sei o que sinto, mas acho que também sinto algo por você…não me faça dizer isso novamente.

—Oh Geralt, confesso que por essa eu não esperava...

Geralt se aproximou mais um pouco umedecendo seus lábios e levando suas mãos até o cabelo do menor. Jaskier engoliu em seco lambendo os lábios. Ele queria provar o beijo de Geralt, mas parecia fácil demais acreditar que o outro o queria também. 

—Mas você não gosta de homens.

—Quem disse que não? – Disse Geralt desafiadoramente, mas Jaskier estava meio abobado.

Ele pisca algumas vezes tentando se lembrar, se em alguma aventura de ambos, já havia visto o bruxo com algum homem, mas um pensamento de desejo e ciúmes, ao pensar no outro homem com alguém, o atingiu forte agora que ele sabia que o lobo branco sentia algo por si.

E veio acompanhado de uma enorme necessidade de provar a si mesmo que ele era tudo o que Geralt precisava, e em um movimento afiado e suave por contas dos ferimentos, ele se jogou sobre Geralt, montando no colo dele e abocanhando os lábios do homem com fervor.

Geralt rosnou retribuindo o beijo e entrelaçando seus braços pela cintura de Jaskier.

 Diabos! Ele tinha um gosto divino e viciante!

A melhor coisa que tinha provado até agora e depois disso sabia que não teria forças para afastar o bardo de sua vida.

Os quadris de Jaskier rolavam sensualmente contra os seus, indo e voltando como ondas na praia, pressionando a protuberância crescente nas calças contra o estômago de Geralt. Ele range os dentes agarrando as nádegas de Jaskier com as duas mãos continuando a pressão, procurando mais contato com o corpo do bardo em meio ao beijo, mas por fim ele grunhe quando Jaskier salta de seu colo todo ofegante.

—Acho que exagerei. 

Geralt rosna em advertência, mas Jaskier apenas ri molhando os lábios, e se deitando ao lado de Geralt, um sorriso presunçoso banhado em seus lábios enquanto seus olhos procuravam os do bruxo. Suas mãos lentamente começaram a acariciar o peito de Geralt, puxando distraidamente o colar em formato de lobo que estava lá.

—Sexo hoje não Geralt, vamos deixar seus ferimentos curarem primeiro.

—Eu estou bem. – Resmungou Geralt puxando o outro para seus braços, mas Jaskier apenas riu aconchegando nos braços musculosos e quentes de Geralt mal acreditando que tudo aquilo estava acontecendo com ele. Nem mesmo nos seus sonhos mais profundos ele imaginou que aquilo um dia iria acontecer.

—Se você diz, mas por forças das dúvidas vamos esperar alguns dias e você pode fazer o que quiser comigo.

Geralt não respondeu, apenas lançou um huum a Jaskier, mas o puxou o aconchegando mais em seus braços ao fingir um mal humor que realmente não existia no momento.

No pequeno estábulo, um pouco longe do casal conversando, Roach relinchou como se soubesse o que estava acontecendo com o bardo e o bruxo naquele pequeno quarto abafado que ambos compartilhavam, à medida que Jaskier se desatava a falar com Geralt.

Humanos são seres completamente estranhos… pensou voltando a mastigar a grama, sendo essa sua única preocupação.


Notas Finais


Obrigado por ler! :)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...