História Sentimentos em Segredo - Capítulo 13


Escrita por:

Visualizações 6
Palavras 1.552
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 13 - O passado de Ryu


Fanfic / Fanfiction Sentimentos em Segredo - Capítulo 13 - O passado de Ryu

Capítulo XII: O passado de Ryu


POV Ryu:

- Ryu~! Seu bobo, nunca vai me alcançar assim~!! – Cantarolava All enquanto corria de mim despreocupadamente lento. Eu já estava sem fôlego de tanto tentar alcança-lo, correndo atrás dele. Ele tinha, do nada, começado a brincar de pega-pega comigo – sem o meu consentimento – e agora estava a correr, tirando uma com a minha cara.
- Caramba All. – Dizia ofegante. – Dá um tempo, por favor. – Disse já no meu limite do esgotamento.
- Chaaato~!! Só porque você pediu por favor! Vem, vamos para a minha casa que a minha mãe está fazendo um bolo com cobertura de chocolate delicioso pra gente! Vamos!! – Disse todo animado com a ideia de comer o famoso bolo de chocolate da dona Lúcia, sua mãe.
- Ok. – Disse não tão animado quanto All, mas com um sorriso no rosto no final.
Nessa época eu tinha apenas oito anos. Eu era uma criança franzina, mas muito mais sorridente do que hoje. A inocência e a pureza, que hoje se esvaíram de meu ser, antes predominavam em mim. Eu sorria sinceramente, enquanto via All brincar com seus brinquedos e me mostrar todos os dias a sua “nova” coleção de carrinhos. Era divertido ver como ele se empolgava sempre com as mesmas coisas, fazendo sempre o mesmo. O que era simples se tornava a melhor coisa do mundo para mim. Eu, alguém que veio de um berço abençoado, enquanto ele de uma família que precisava até do pouco que não tinha.
Eu realmente adorava passar o tempo com ele e a sua família. Eu o fazia enquanto meus pais viajavam, e eles faziam isso bastante e com frequência, então eu passava a maior parte do meu tempo na casa dele. Simples, mas muito aconchegante e acolhedora. Sua mãe, Lúcia, passava o tempo sempre assando bolos e guloseimas para a gente enquanto nós passávamos o tempo brincando a espera deles. Todo dia era pega-pega, esconde-esconde, guerrinha de espadas, apostar corrida com carrinhos e muito mais. Como eu amava aquilo. E como eu sinto falta. Esses tempos preciosos se foram e nunca mais poderão voltar. 
Eu lembro até hoje da culpa que senti, intensamente, enquanto a mãe e o pai dele me acusavam e me culpavam de não ter cuidado de seu filho o suficiente. Era injusto, cruel, mas eu não conseguia tirar aquele peso que eu sentia sobre mim todas as noites depois de sua morte. Foi num maldito dia de sábado. Meus pais tinham, mais uma vez, saído para viajar a trabalho enquanto eu e minha irmã ficávamos cada um a cuidado dos pais de nossos amigos. Eu na casa de All e ela na de sua amiga, pois era assim que preferíamos, por mais que ficássemos longe um do outro. 
Eu já estava com meus quase doze anos completos, no dia seguinte seria o meu aniversário. O pior aniversário da minha vida. Fariam cinco anos que eu havia conhecido o All, pois o conheci no dia do meu aniversário. Eu estava na casa dele já e ele havia dito que tinha uma surpresa para mim no lugar em que costumávamos brincar: perto do lago. É claro que era uma ideia péssima duas crianças brincarem lá, mas na época não nos ligávamos disso, afinal éramos apenas crianças querendo brincar.
- Então, que surpresa é essa que você tanto esconde de mim? – Disse para o garoto de cabelos castanhos claros lisos logo a minha frente.
- Você já vai ver! Pare de ser impaciente~. – Disse All fazendo uma cara engraçada.
Dou risada e continuo a caminhar em direção ao lago. Então de repente ele para, fazendo com que eu faça o mesmo. Olho em volta e não vejo nada. Começo a ficar ainda mais impaciente, nunca fui bom para surpresas. Ele se vira e diz para mim apontando em direção ao outro lado do lago. 

Aquele lago na época em que eu era criança tinha uma espécie de ponte (que era um tronco gigante de uma árvore). Os pais do All viviam dizendo para nunca atravessarmos o lago por aquela ponte. Mas naquele dia...
- Vamos atravessar a ponte. A surpresa está do outro lado. - dizia com a maior inocência e um sorriso largo no rosto. O rosto de um pequeno anjinho, puro, sem malícia alguma, sem ciência dos terrores da vida real. Seu mundo era um só, pequeno, brilhante e simples. Cheio de alegria e diversão. Um mundo do qual foi destruído ao atravessarmos aquela maldita ponte.
- Tem certeza disso All? - perguntei enquanto atravessava a ponte logo atrás dele.
- Sim, porque? - perguntou sem saber o motivo da minha preocupação. Mas quando eu ia responder algo deu errado. 
A cena passou em câmera lenta naquele momento. Tudo muito devagar, claro, luzes incomodavam meus olhos e me atrapalhavam de ver direito o que ocorria: ele havia escorregado do tronco e caído na água.
- All!!! - foi a última vez que chamei por seu nome.
E então eu esperei, desesperado, por horas e horas, chorando ao ver que ele não aparecia, até finalmente decidir voltar, com medo de cair na água também. Covarde. Idiota. Como eu fui um covarde, com medo de não conseguir voltar eu não pulei na água para salva-lo no momento em que ele caiu. O lago era fundo, e assim que ele caiu eu não o vi submergir. Era tarde quando eu saí correndo em busca de ajuda, mas eu não sabia. As lágrimas faziam minha visão embaçar e consequentemente eu tropeçava várias vezes. Corra mais rápido. Depressa. All não morra! Era tudo o que passava pela minha cabeça no momento mais terrível da minha vida.
Quando cheguei na casa dele sua mãe estava na cozinha. Chamei por ela desesperado, sem fôlego. Ela, não sabendo como vc reagir ao meu estado apenas perguntou o que havia acontecido. Eu não dizia nada. Não conseguia pronunciar uma única palavra, em choque. Ela não vendo All junto comigo e olhando meu estado percebeu que algo estava errado. Gritou por seu marido e começou a se desesperar. Ela me chacoalhava perguntando sobre o All, e eu não conseguia sair do transe. Até que minutos depois, finalmente pronuncio algumas palavras.
- Ele... Ele... Caiu... No lago... - desabava em lágrimas. Olhei para eles e os vi arregalar em os olhos, desesperados e em choque. Rapidamente eles saíram em direção ao lago, mas era tarde quando chegaram lá. 
Ambulância, sirenes de polícia soando por toda parte, moradores do bairro aglomerados, curiosos com o que estava acontecendo. Tudo. Me lembro de tudo. E por um longo tempo, para esquecer, eu apelava para a dor física. Auto mutilação. A dor sentida na pele era um alívio para a dor instalada na mente.
Os pesadelos que me assombravam, remédios para a depressão que me assolavam. Tudo isso, hoje ainda dói. Mas eu decidi, quando ela me viu naquele estado deplorável, entorpecido de remédios e álcool, sangue por toda parte, sentado no chão e escorado na parede, que eu nunca mais faria de novo, eu prometi a ela e até hoje cumpro com essa promessa. Não vou ceder, por mais que doa, não a farei chorar mais, nunca mais.
- Bleeeh! Que horror seu maloqueiro loiro. Péssimo gosto para se vestir e péssimo gosto para penteados. - Aly me zoa pela enésima vez enquanto me ajuda a me arrumar para sair. Essa garota me dá nós nervos vinte e quatro horas por dia desde que nasceu. Sério, era pra mim ser filho único dia veio essa peste, meu tormento do dia a dia. Ninguém merece...
- Tá, tá. Se for pra você ficar criticando cada roupa minha que coloco não vou mais pedir sua ajuda. Além disso você que aceitou me ajudar, não sei porque reclama tanto... - digo já no limite da minha paciência.
- Olha aqui, oh sr. Penteado do Grevil, eu reclamo o quanto eu quiser, você tem um péssimo gosto, não posso fazer nada quanto a isso. Agora quem pediu por ajuda aqui foi você e eu só aceitei porque você ia me dedurar pela última vez que saí escondida, só isso. Nada mais. Então cala a boca agora e me deixa escolher uma roupa pelo menos usável pra você ir nesse encontro, a menos que queira espantar a garota. - fala tanto e de uma vez que eu pego meu celular e começo a ver minhas redes socias no meio do seu sermão. 
- Já acabou? - pergunto após ela terminar o discurso. Ela bufa irritada e joga em cima de mim uma camisa social, em seguida uma calça jeans preta e por último o meu vans preto, do qual eu desvio depressa. Sua raiva a deixa tão fofa que eu rio dela.
- Idiota! Está aí sua roupa. Agora tchau. Tenho mais o que fazer...- diz e começa a sair do meu quarto furiosamente, batendo os pés no chão e com as bochechas infladas e coradas. Rio ainda mais e acrescento:
- Boa sorte com o príncipe encantado. Vai precisar. - rio mais abertamente e com vontade, gargalhando no final. Ela volta para o quarto e arremessa meu travesseiro em minha cara, que eu pego antes que me acerte, ainda rindo bastante. 
Por ela, e talvez um dia por mim, eu nunca mais farei algo como aquilo de novo.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...