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História Sentiremos sua falta - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo Único.


E em um último suspiro, se foi que nem um passarinho.

 

Sem dor, sem surpresa, nem nada. Foi presenteada com a melhor morte que se pode ter: dormindo, em sua cama, no aconchego de sua casa onde viveu até os 99 anos.

 

Ela sabia o que viria, por isso quando abriu os olhos outra vez, não estava mais naquela dimensão.

 

Tudo que pode ver foi um cenário branco, que resplandecia total paz, e a figura a sua frente era a mais acolhedora que poderia ser.

 

O quadro que guardou a vida toda de sua foto, com carinho e prestígio, lhe permitiu finalmente reconhecer. Clotilde, sua mãe.

 

— Mamãe? — a emoção tomou conta de seu ser. Viveu sua vida toda órfã, sem o abraço materno que tanto almejava nas horas difíceis em que se sentia com medo e triste.

 

— Ercília... Minha querida eu sinto tanto orgulho da mulher que se tornou — a moça de olhar amoroso e terno falou segurando amenamente em sua mão. — Não precisa ter medo — a puxou pra um abraço.

 

— Mamãe...! — Ercília se sentia completa da mais pura alegria.

 

Perdeu sua mãe ainda muito jovem, quando ainda era apenas um bebê, teve uma vida difícil em meio ao seu pai e sua madrasta que por muitas vezes judiava de si. Mas apesar das adversidades e sofrimento que passou, Ercília nunca se tornou uma pessoa amarga.

 

Muito pelo contrário, ela sempre foi doce e fez o que pode de sua vida para poder ajudar ao próximo.

 

Ela sentia falta da figura materna que tanto amava mesmo sem nenhuma lembrança.

 

E vê-la ali naquele momento, na sua frente, era a realização de um sonho.

 

Finalmente estava se reencontrando com sua mãe, depois de 99 anos, naquela passagem pós vida.

 

— Você teve uma vida boa, viveu 99 anos, teve onze filhos... Você não imagina a inspiração de muitos que foi, Ercília. Você tirava da sua própria boca para dar aos outros, por muitas vezes dava sua comida a quem estivesse morrendo de fome visitando sua casa, e ia dormir apenas com farinha pura e água. Ercília, não precisa ter medo... Você cumpriu o seu papel, estão todos gratos, a morte sempre foi aquilo que acreditou baseada em sua fé, e uma mulher de incrível fé e bom coração você é. — a mulher dizia. — Veja, eles estão aqui para te receber!

 

— Mãe! — então de trás da figura de sua mãe pode ver o seu filho querido Jair, que já se fora antes de si, naquele momento seus olhos transbordaram em lágrimas.

 

Estava o vendo novamente!

 

— Jair, menino! — então correu para um abraço. — Meu pequeno menino… 

 

— Mãe eu estava te esperando, senti tanto a sua falta… — Jair disse.

 

— Eu também senti muito a sua falta — Ercília disse.

 

— Estavam todos esperando pela senhora — o mais velho falou, e então apontou para os irmãos.

 

— Mãe... Me perdoa pelo que fiz — Zé Maria também apareceu em meio às lágrimas.

 

— Mãe, me perdoa também — Francisco disse, e apesar do jeito durão em vida, se encontrava feliz ao ver a mulher que amava ali.

 

— Meus filhos... Eu senti tanto a falta de vocês... Porque vocês se foram? — Ercília questionou, a morte deles antes da sua levou um pedaço importante de si quando ainda estava em vida.

 

— Mãe, nós viemos antes para preparar a vinda da senhora. Nos desculpe pela saudade e dor que deixamos, mas agora estamos juntos nesse plano novamente — Francisco respondeu.

 

Sabia que tinha deixado seus outros filhos para a vida, mas estava em paz sabendo que um dia os reencontraria novamente, assim como estava reencontrando aqueles que já se foram lá.

 

Um dia todos viriam por esse caminho, e aqueles que deixou lá na terra, teriam a oportunidade de vê-la novamente, e estarem reunidos mais uma vez.

 

— Estão todos tão bem aqui… — Ela disse emocionada, seu coração estava de tamanha paz.

 

— Sim, nós estamos — Jair respondeu. — Estamos com o pai, ele te esperou todos esses anos.

 

— O que? — Ercília questionou, e ao olhar para o outro lado pode ver Chága Nogueira com um sorriso tímido lhe encarando, e quando teve a atenção da mulher deu um aceno.

 

— Oh, Chága! — Ercília disse indo abraçar ao Márcio também, o qual ficou viúva por 28 anos.

 

— Eu estive à sua espera Ercília

 

— Estão todos aqui? — ela questionou surpresa pela vida pós morte que encontrava.

 

— Sim, todos — o velho Chága respondeu e enquanto respondia as pessoas que estavam ansiosas para rever aquela mulher de fé, iam aparecendo.. — Nossos amigos, familiares, Monsenhor Oliveira, Ferreirinha, Candeinha, seus irmãos Clodomiro, Dolores, Zenaide, Leleuza, Maria do Carmo, Seu André Reinaldo, Elisa, Raimunda do mané de Souza, seu pai Antonio Moreira, etc... E estão todos ansiosos para te ver!

 

E naquele momento Ercília se sentia feliz. Podia sim ter morrido, mas aquela era uma passagem que todo ser-humano iria fazer um dia. Não era momento de tristeza, viveu muito bem a sua vida, com uma mente lúcida e fé inabalável durante todos aqueles anos. Tudo tinha um começo e uma partida, mas essa partida era acolhedora, um reinício de um novo plano, e ela pode reencontrar todos aqueles que um dia já deixaram saudade naquela terra. 



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