História Senza Limiti - Jikook - Capítulo 38


Escrita por:

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Park Jimin (Jimin)
Tags Bangtan Boys (BTS), Boyxboy, Chanbaek, Exo, Got7, Hyunjin, Jhope, Jikook, Jimin, Jin, Junghoseok, Jungkook, Luhan, Markson, Minyoongi, Namjin, Namjoon, Sehun, Seokjin, Straykids, Suga, Yoonseok
Visualizações 508
Palavras 5.842
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 38 - Capítulo 38


Fanfic / Fanfiction Senza Limiti - Jikook - Capítulo 38 - Capítulo 38

Jimin


Precisava das minhas coisas e precisava vender a minha picape. Ela jamais faria um trajeto tão longo de novo. Depois de ela ter enguiçado na semana passada, Kai chegou a dar uma olhada e disse que poderia consertá-la temporariamente. No entanto, o custo para consertar tudo o que era necessário era maior do que eu poderia pagar. Ligar e pedir para a Vovó Q ou Kai mandarem as minhas coisas e venderem a picape não me pareceu certo. Eles mereciam uma explicação... ou pelo menos a Vovó Q merecia. Ela me dera um teto, uma cama e me alimentara durante três semanas. Eu teria que voltar a Sumit para pegar as minhas coisas e me despedir da Vovó Q.


Hoseok me deu alguns dias para me estabelecer antes de voltar ao trabalho. Mark havia tirado o dia anterior de folga para me levar para me inscrever no Medicaid. Estava na hora de ir ao médico, mas precisava pedir o seguro-saúde antes. Naquele dia, eu o havia escutado dizer ao Yugyeom que estava esperando ansiosamente pelo encontro dos dois naquela noite. Eu estava monopolizando o tempo de Mark desde que tinha ido me buscar. Estava começando a me sentir um fardo. Detestava essa sensação. Eu podia pegar um ônibus. Não seria caro e, principalmente, eu não o incomodaria. Abri o notebook de Mark para pesquisar os horários.


Uma batida na porta interrompeu os meus pensamentos. Parei de fazer a busca e fui abrir a porta. Eu jamais esperaria aquilo. Lá estava Jungkook, com as mãos enfiadas na frente do jeans e vestindo uma das suas camisetas justas. Levantou os óculos que esta usando. Gostaria que ele não os tivesse tirado. A cor prateada dos seus olhos sob luz sol era ainda mais impressionante do que eu me lembrava.


– Oi. Encontrei o Mark no clube. Ele disse que você estava aqui – explicou. Jungkook estava nervoso. Eu nunca o tinha visto assim.


– É... hum... Hoseok me deu uns dias para trazer as minhas coisas de Sumit antes de começar a trabalhar.


– Você precisa ir buscar as suas coisas?


– É. Deixei tudo lá. Só trouxe bagagem para um dia. Não estava planejando ficar.


Jungkook franziu a testa.


– E como você vai até lá? Não estou vendo a sua picape.


– Eu estava procurando informações na internet para saber onde fica a estação de ônibus mais próxima.


Jungkook franziu ainda mais a testa.


– Fica a quarenta minutos daqui. Em Fort Walton Beach.


Não era tão ruim quanto eu havia imaginado.


– Não é seguro viajar de ônibus, Jimin. Não gosto da ideia de você andando de ônibus. Deixe-me levá-lo. Por favor. Você vai chegar mais rápido e é de graça. Você pode economizar o seu dinheiro.


Uma carona com ele? Ida e volta para Sumit? Será que era uma boa ideia?


– Não sei... – hesitei, porque sinceramente não sabia o que responder. Meu coração não estava pronto para tanto Jungkook.


– Não precisamos nem conversar... ou podemos, se você quiser. Deixo você escolher a música e não reclamo.


Se eu voltasse com Jungkook, Kai iniciaria uma briga? Pior, será que contaria a Jungkook sobre a gravidez? Ele faria isso? Eu nunca confirmei a Kai que estava grávido.


– Sei que você não consegue perdoar as mentiras e a mágoa. Não estou pedindo que faça isso. Você sabe que eu sinto muito e que, se pudesse, voltaria atrás. Por favor, Jimin, estou pedindo isso como um amigo que quer ajudar e mantê-lo a salvo de malucos que poderiam fazer mal a você em uma viagem de ônibus.


Pensei no quanto era pouco provável que alguém me fizesse mal no ônibus. E então pensei no fato de que eu não estava mais cuidando apenas de mim. Tinha outra vida para proteger.


– Está bem. Aceito a carona.


●●●


Yugyeom estava atirado sobre a grande poltrona na sala de estar de Mark com os pés apoiados no pufe e Mark enroscado no colo dele. Eu estava no sofá, me sentindo um experimento científico com os dois me encarando com ar confuso.


– Então... você não vê problema no fato de Jungkook levar você para Sumit amanhã para pegar suas coisas? Quero dizer, você não se sente estranho em relação a isso, ou... – Mark hesitou. Seria estranho. Também seria difícil ficar perto dele, mas eu precisava de uma carona. Mark tinha que trabalhar, não podia tirar mais um dia de folga para me ajudar naquela semana.


– Ele ofereceu. Eu precisava de uma carona, então aceitei.


– E foi tão fácil assim? Por que eu não estou acreditando nisso? – perguntou Mark.


– Porque Jimin está deixando de fora as partes em que Jungkook implorou e se humilhou – respondeu Yugyeom, dando uma risada. Pus a manta sobre os ombros. Estava com frio. Vinha sentindo muito frio ultimamente, o que era estranho, uma vez que era verão na Flórida.


– Ele não implorou – falei, sentindo necessidade de defender Jungkook. Mesmo se ele realmente tivesse implorado, não era da conta do Yugyeom.


– Tudo bem. Se você está dizendo. – Yugyeom tomou um gole do chá gelado que Mark havia preparado para ele.


– Não é da nossa conta. Deixe-o em paz, Yugyeom. Nós precisamos decidir sobre o que vamos fazer com o aluguel deste apartamento em uma semana.


Eu não ficaria muito tempo ali. Já dissera isso a Mark. Mudar para o apartamento mais caro não tinha sido uma boa ideia. Minha metade do aluguel não seria coberta depois que eu me mudasse e Mark ficaria com todo o custo. Yugyeom beijou a mão de Mark e sorriu para ele.


– Eu disse que posso cuidar de tudo. Basta você deixar.


Yugyeom piscou para Mark e eu virei a cabeça. Não queria observá-los. Jungkook e eu nunca havíamos sido daquele jeito. Nosso relacionamento foi curto. Intenso e breve. Imaginei qual teria sido a sensação de poder me enroscar nos braços de Jungkook sempre que eu quisesse. Saber que estava protegido e que ele me amava. Nunca tivera essa oportunidade.


– E eu disse que não vou deixar você pagar o meu aluguel. Sinto muito. Novo plano. Ah, Jimin, por que não saímos para procurar apartamento amanhã?


Uma batida na porta me interrompeu antes que eu pudesse concordar. E então, Namjoon abriu-a e entrou.


– Ei, você acabou de entrar no apartamento do meu garoto sem permissão. Ele podia estar nu – rosnou Yugyeom para Namjoon. Namjoon revirou os olhos e sorriu na minha direção.


– Vi o seu carro aqui, espertinho. Calma. Vim para ver se consigo convencer Jimin a dar uma volta comigo.


– Você está querendo levar uma surra? – perguntou Yugyeom. Namjoon deu um sorriso irônico e balançou a cabeça antes de voltar sua atenção para mim.


– Vamos lá, Jimin. Vamos dar uma volta e botar os assuntos em dia.


Será que Namjoon tinha feito parte daquela mentira toda? Ele certamente sabia a respeito. Eu não poderia dizer não. Mesmo que soubesse, ele também tinha sido a primeira pessoa legal que eu havia encontrado ali. Abastecera meu carro. Preocupara-se comigo dormindo embaixo da escada. Respondi que sim e me levantei.


– Esses dois precisam de algum tempo a sós mesmo – falei, olhando para Mark. Ele me observava com atenção. Dei um sorriso tranquilizador e Mark pareceu relaxar.


– Não saia por nossa causa. Precisamos decidir onde vamos morar em uma semana – disse Mark enquanto eu me dirigia para a porta.


– Vocês podem falar sobre isso mais tarde, Mark tuan. Jimin esteve fora por quase um mês. Você precisa ser menos egoísta – alegou Namjoon, abrindo a porta para eu sair.


– Jungkook vai pirar – disse Yugyeom em voz alta pouco antes de Namjoon fechar a porta, abafando o que quer que Mark houvesse começado a dizer. Descemos a escada em silêncio. Quando já estávamos na calçada, olhei para Namjoon.


– Você só estava com saudades ou quer me dizer alguma coisa? – perguntei. Namjoon sorriu.


– Estava com saudades. Precisei aturar o humor infernal do Jungkook. Então, pode acreditar. Senti saudade pra cacete.


Percebi pelo tom de provocação que ele estava querendo fazer uma piada. Mas pensar em Jungkook chateado não me fez sorrir. Só me fez lembrar de tudo.


– Desculpe – murmurei. Não sabia o que mais dizer.


– Que bom que você voltou. Fiquei esperando.


Sabia que ele queria me dizer mais alguma coisa. Podia sentir isso. Ele só estava dando um tempo e escolhendo as palavras.


– Sinto muito pelo que aconteceu. Como aconteceu. E pelo Luhan. Ele pode parecer um cachorro mais mimado do mundo, mas teve uma infância horrorosa. Isso o estragou. Se você fosse filho da Georgianna, compreenderia. Não estou justificando nada, é só uma explicação.


Não respondi. Não tinha nada a dizer sobre aquilo. Eu não sentia nenhum tipo de solidariedade em relação ao Luhan, mas era óbvio que os homens da vida dele sentiam. Sorte dele.


– Independentemente de tudo isso, o que Luhan fez foi errado. A forma como tudo foi escondido de você foi uma merda. Sinto muito não ter falado nada, mas, para ser sincero, eu nem sabia que você e o Jungkook estavam tendo alguma coisa até aquela noite no clube em que ele pirou por causa dos escargots. Eu percebi que ele estava atraído por você, mas a maioria dos homens da cidade também estava. Achei que ele fosse o único cara que não daria em cima de você pela lealdade que tem com ao Luhan e…bem, o que você representava para os dois.


Namjoon parou de caminhar e eu me virei para ele.


– Eu nunca o vi assim. Nunca. Jungkook parece oco. Não consigo me aproximar dele. Ele não sorri. Nem se dá mais o trabalho de fingir que aproveita a vida. Está diferente desde que você foi embora. Ainda que ele não tenha sido sincero e parecesse só estar protegendo o Luhan... vocês dois simplesmente não tiveram tempo suficiente. Luhan foi responsabilidade de Jungkook desde que ele era um garoto. Isso era tudo o que a gente sabia. Então você entrou no mundo dele e o virou de cabeça para baixo da noite para o dia. Se ele tivesse tido mais tempo, teria lhe contado. Sei que teria. Mas ele não contou. Toda a situação não foi justa com ele. Jungkook estava se apaixonando pelo garoto que ele sempre achara que era o culpado por seu irmão não ter pai. As crenças dele estavam mudando e foi difícil para ele avaliar tudo isso.


Apenas o encarei, não porque não concordasse. Eu já sabia de tudo aquilo. Compreendia o que ele estava dizendo. O problema era que... isso não mudava as coisas. Mesmo que ele fosse me contar, não mudava quem ele e Luhan eram e o que representavam para mim. Os últimos três anos da minha mãe tinham sido um inferno, enquanto eles viviam em suas casas chiques, indo de uma festa para outra. A crença deles nas mentiras que me contaram era a única coisa que eu não achava que algum dia seria capaz de superar.


– Merda. Eu provavelmente estou piorando as coisas. Eu só queria conversar e garantir que você soubesse que o Jungkook... ele precisa de você. Ele está arrependido. E não acho que algum dia ele vá esquecê-lo, Jimin. Se ele tentar conversar com você sobre isso amanhã, pelo menos tente escutá-lo.


– Eu o perdoei, Namjoon. Só não consigo esquecer. O que fomos ou o que estávamos prestes a ser acabou. Nunca mais vai acontecer. Não posso deixar que aconteça. Meu coração não vai permitir. Mas eu sempre vou escutá-lo.


Eu me importo com ele. Namjoon soltou um suspiro cansado.


– Acho que isso é melhor do que nada.


Era tudo o que eu tinha a oferecer.


Jungkook


Jimin saiu do apartamento de Mark com um copo de café antes que eu pudesse saltar do carro. Abri a porta e saí da picape. Ele estava com os cabelos tão bonito. Eu adorava os cabelos dele, usava um short que mal cobria as suas pernas e iria dificultar a minha concentração enquanto dirigia. Eles subiriam pelas coxas. Tirei os olhos das pernas dele e me fixei no seu olhar firme. Ele dava um sorrisinho forçado.


– Trouxe um pouco de café, já que você saiu da cama tão cedo por minha causa. Sei que não gosta de acordar cedo.


Sua voz era insegura e suave. Seria a minha missão mudar isso nessa viagem. Queria que ele voltasse a se sentir confortável ao meu lado.


– Obrigado – falei, com um sorriso que, esperava, o tranquilizasse e abri a porta do carona para ele. Não havia conseguido dormir desde as três da manhã. Estava ansioso. Já devia ter tomado uns dois bules de café. Mas não diria isso a ele. Jimin tinha me levado café. Um sorriso verdadeiro tomou conta dos meus lábios quando fechei a porta e segui de volta para o banco do motorista. Jimin segurava uma garrafa de água que também tinha trazido perto da boca e estava tomando pequenos goles quando olhei para ele.


– Se quiser ouvir música, prometi que o deixaria escolher – lembrei a ele. Jimin não se mexeu, mas um sorriso se insinuou em sua boca.


– Obrigado. Estou bem agora. Você pode ouvir alguma coisa, se quiser. Preciso acordar primeiro.


Eu não queria saber do rádio. Só queria conversar com ele. Não importava sobre o quê. O importante era conversar.


– E então, qual é o plano? Kai sabe que você está indo buscar as suas coisas? – perguntei. Ele se remexeu no assento e eu me obriguei a manter os olhos na estrada e não em suas pernas.


– Não. Quero explicar tudo para ele e para a avó dele, a Vovó Q. Também preciso convencê Kai a vender a minha picape e me enviar o dinheiro. Ela não vai conseguir fazer o caminho de volta para cá. Está muito detonada.


A picape Jimin era velha. A ideia de que ele não estaria mais andando por aí naquilo era um alívio. Mas também não gostava da ideia de ele não ter carro. Eu ainda não sabia como eu ia dar um jeito nisso. Jimin jamais aceitaria que eu lhe comprasse um. Talvez a picape dele pudesse ser consertada e ficar mais segura.


– Eu posso levá-la a uma oficina enquanto você estiver arrumando as coisas. Talvez só precise de alguns ajustes. Jimin suspirou.


– Obrigado, mas não precisa se incomodar. Kai já fez isso. Ele mandou consertar para que eu pudesse andar com ela pela cidade, mas disse que era um quebra-galho. Precisa de muito mais e eu não posso pagar.


Apertei a direção com mais força. A ideia de que Kai vinha cuidando Jimin me deixava maluco.  Eu detestava que ele houvesse levado a picape de Jimin à oficina. Que a família Kai o tivesse ajudado quando ele mais precisou. Minha família havia ferrado com a vida dele. E eu não estava ao seu lado quando ele precisou de ajuda.


– Então você e o Kai estão...?


Que merda eu estava perguntando? Se eles estavam o quê? Porra. Eu não queria saber isso.


– Nós somos amigos, Jungkook. Fomos amigos a vida inteira. O que eu sinto em relação a ele não mudou.


Soltei um pouco a direção e passei as palmas das mãos suadas na calça jeans. Merda, Jimin me deixava maluco. Se eu queria que ele voltasse a se sentir confortável comigo, precisava me acalmar. Não encher o Kai de porrada quando o visse seria um bom começo. Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, Jimin se inclinou para a frente e ligou o rádio. Encontrou uma estação de música country no meu rádio por satélite, recostou-se no banco e fechou os olhos. Eu havia me intrometido demais. Ele estava pedindo educadamente para eu calar a boca. Entendi a dica. Trinta minutos de silêncio se passaram até que o meu telefone tocou. O nome de Luhan apareceu na tela do meu painel. O maldito iPhone estava conectado ao meu carro. Normalmente, isso facilitava as coisas e me deixava com as mãos livres. Mas Jimin ver o nome de Luhan não foi legal. Eu não queria uma lembrança. Meu plano era que aquele dia fosse isento de lembranças. Cliquei “Ignorar” e o rádio voltou a tocar. Não olhei para Jimin, mas senti os olhos dele em mim. Foi muito difícil não me virar para ele.


– Você podia ter falado com Luhan. É seu irmão – disse Jimin, tão baixinho que eu quase não ouvi por causa da música.


– É, mas também representa coisas em que eu não quero que você pense hoje.


Jimin não parou de olhar para mim. Eu estava fazendo o máximo de esforço para manter a situação casual. Parar o carro, segurar o rosto dele e dizer o quanto ele era importante para mim e o quanto eu o amava não era o que Jimin estava precisando naquele momento.


– Eu estou melhor, Jungkook. Tive tempo de processar tudo e lidar com a situação. Vou ver o Luhan no clube. Estou preparado para isso. Você está me ajudando hoje. Poderia estar fazendo qualquer outra coisa, mas escolheu tirar o dia para me ajudar. Não quero impedir que atenda telefonemas de pessoas de quem você gosta. Não sou feita de açúcar.


Porra. O plano de manter a situação casual e simples tinha oficialmente fracassado. Parei no acostamento em um rompante. Mantive as mãos longe dele, mas voltei toda a minha atenção para Jimin.


– Eu escolhi levar você hoje porque não há nada que eu queira mais do que estar perto de você. Estou fazendo isso porque sou um homem desesperado que vai enfrentar o que quer que seja por você. – Fui vencido e estendi a mão para passar o polegar no rosto dele e então nos seus cabelos, que me fascinavam desde a primeira vez que eu pusera os olhos nele.


– Eu faço qualquer coisa. Qualquer coisa, Jimin, só para ficar perto de você. Não consigo pensar em mais nada. Não consigo me focar em mais nada. Então nunca pense que você está sendo inconveniente. Quando precisar de mim, estarei aqui.


Parei. Estava parecendo patético até para mim mesmo. Afastei a mão da cabeça dele, engatei a picape e voltei para a estrada. Jimin não disse nada. Eu não o culpava. Eu parecia um maluco falando. Ele provavelmente estava com medo de mim agora. Caramba, até eu estaria.


Jimin


Meu coração estava batendo tão forte que eu tinha certeza de que ele podia ouvir. Aquela tinha sido uma péssima ideia. Estar perto dele me deixava muito confuso. Era fácil esquecer quem ele era. Ele me tocar, ainda que só o meu rosto, me deu vontade de chorar. Eu queria mais do que aquilo. Sentia saudade dele. De tudo o que lhe dizia respeito. E estaria mentindo se dissesse que a ideia de estar tão perto dele o dia todo não havia me mantido acordado a maior parte daquela noite. Como eu não disse nada, Jungkook aumentou o volume do rádio de novo.


Eu devia falar alguma coisa, mas o quê? Como reagir àquilo sem simplesmente causar mais dor a nós dois? Dizer a ele que sentia saudade dele e que também o queria não facilitaria as coisas. Só seria mais difícil. Desta vez, quando o telefone tocou, a tela do painel do carro dele exibiu o nome “Namjoon”. Jungkook apertou um botão e atendeu.


– Oi.


Arrisquei olhar para ele, já que o seu foco não estava mais em mim. As rugas de preocupação em seu rosto me deixaram triste. Não queria que elas estivessem lá.


– É, estamos a caminho – respondeu Jungkook ao telefone.


– Não acho que seja uma boa ideia. Ligo para você quando voltar. – Ele cerrou o maxilar e eu soube que o que quer que Namjoon estivesse dizendo o estava deixando irritado.


– Eu disse que não – resmungou e encerrou a ligação antes de atirar o telefone no porta-copos.


– Tudo bem com você? – perguntei sem pensar direito. Ele virou a cabeça para mim. Era como se estivesse espantado pelo fato de eu estar falando com ele.


– Sim. Tudo bem – respondeu, em um tom muito mais calmo, então voltou os olhos para a estrada. Esperei alguns minutos e decidi fazer algum comentário sobre o que ele me dissera. Se eu não começasse a falar sobre isso com ele, sempre teríamos aquele silêncio estranho entre nós. Mesmo que eu fosse embora em quatro meses e nunca mais o visse... não, eu o veria de novo. Eu teria que vê-lo, não teria? Será que eu poderia mesmo nunca contar a ele sobre o bebê? Afastei esse pensamento. Ainda não tinha ido ao médico. Pensaria nisso quando chegasse o momento. Naquela manhã eu vomitara de novo ao abrir o compactador de lixo e sentir um resquício do cheiro de peixe frito que Yugyeom jogara fora na noite anterior. Eu não era tão sensível normalmente. O chá quente de gengibre que eu estava tomando quando Jungkook foi me buscar havia acalmado o meu estômago. Eu podia fingir que aquele teste de gravidez estava errado ou encarar a realidade.


– Sobre o que você falou... eu, hum, não sei bem como responder àquilo. Quero dizer, sei como me sinto e gostaria que as coisas fossem diferentes, mas elas não são. Eu quero que a gente... quero que a gente encontre um jeito de ser amigos... talvez. Eu não sei. Isso parece tão esquisito. Depois de tudo – parei, porque a minha tentativa de conversar com ele estava sendo um caos. Como nós poderíamos ser amigos? Foi como tudo aquilo tinha começado e ali estava eu, apaixonado e grávido de um homem com quem eu não podia ter um futuro.


– Eu serei o que você me deixar ser, Jimin. Só não me tire da sua vida de novo. Por favor.


Assenti. Tudo bem. Daria um tempo àquela história de amizade. Depois... depois eu contaria a ele sobre a gravidez. Ou ele sairia correndo, ou iria querer fazer parte da vida do nosso bebê. De qualquer maneira, eu precisava de tempo para me preparar. Porque não deixaria meu filho ter qualquer coisa a ver com aquela família. Nunca. Isso estava fora de cogitação. Eu odiava mentirosos... mas estava prestes a me tornar uma por um tempo. Desta vez, era eu quem tinha um segredo para guardar.


– Tudo bem – respondi, mas não disse mais nada. Meus olhos estavam ficando pesados. A falta de sono da noite anterior e o fato de que eu não podia tomar cafeína para me despertar estavam me pegando. Fechei os olhos.


●●●


– Calma, doce Jimin. Sua cabeça estava caído para a frente e você iria acabar com um baita torcicolo. Vou só deitar o seu encosto.


Um sussurro profundo e quente soprou no meu ouvido e eu estremeci. Eu me virei para ele, mas estava tão sonolento que não consegui despertar por completo. Algo suave roçou meus lábios e eu caí no sono de novo.


●●●


– Você precisa acordar, dorminhoco. Estou aqui, mas não faço ideia de para onde ir.


A voz de Jungkook, acompanhada por um apertão suave no braço, me despertou. Esfreguei os olhos e os abri. Estava deitada. Olhei para Jungkook e ele sorriu.


– Não podia deixar você ficar com o pescoço caído. Além disso, estava dormindo tão profundamente, que quis que você se sentisse mais confortável.


Ele soltou o cinto de segurança e se aproximou de mim para apertar um botão na lateral do meu assento. O encosto voltou devagar à posição normal e eu vi o sinal de trânsito de Sumit, no Alabama, à minha frente.


– Sinto muito. Dormi o caminho todo. Deve ter sido uma viagem muito chata.


– Eu fiquei com o controle do rádio, então não foi nada mau – respondeu Jungkook com um sorriso irônico, olhando para o sinal.


– Para onde eu vou daqui? – Siga em frente até ver uma grande placa vermelha de madeira anunciando “Produtos frescos e lenha à venda” e vire à esquerda. Vai ser a terceira casa à direita, mas fica mais ou menos três quilômetros depois de entrar na estrada. Depois de mais ou menos uns quatrocentos metros, acaba o asfalto.


Jungkook seguiu as minhas orientações e não falamos muito. Eu ainda estava acordando e um pouco enjoado. Não havia comido nada. Tinha biscoitos salgados que o Mark me dera na bolsa, mas comer um deles na frente do Jungkook seria uma má ideia. Se eu passasse mal, poderia deixá-lo desconfiado. Quando paramos na porta da garagem da casa da Vovó Q, eu estava suando frio. Vomitaria se não comesse alguma coisa. Abri a porta para sair antes que Jungkook pudesse ver o meu rosto. Provavelmente devia estar pálido.


– Quer que eu vá com você ou é melhor esperar aqui? – perguntou Jungkook.


– Ah, hum... talvez seja melhor você ficar aqui – respondi ao ver a caminhonete do Kai estacionada.


Não queria que Jungkook e Kai brigassem de novo. Também não confiava em Kai para ficar de bico fechado sobre o teste de gravidez. Fechei a porta do carro e segui na direção da casa. Kai abriu a porta de tela e saiu antes que eu chegasse ao primeiro degrau. A expressão no seu rosto era uma mistura de preocupação e raiva.


– Por que ele está aqui? Ele trouxe você para casa, agora pode ir embora – resmungou Kai, olhando para Jungkook atrás de mim. É, tinha sido uma ótima ideia Jungkook ficar no carro. Senti o estômago embrulhar e lutei contra a náusea.


– Ele vai me levar de volta. Acalme-se, Kai. Você não vai brigar com ele. Você é meu amigo. Ele é meu amigo. Vamos conversar sobre isso lá dentro. Preciso pegar minhas coisas.


Kai deu um passo para trás e me deixou passar, então me seguiu para dentro da casa, batendo a porta atrás de si.


– O que quer dizer com “levar de volta”? Aquele teste deu positivo? Você vai voltar para ele agora, mesmo depois de ter sido tão magoado a ponto de voltar para cá arrasado três semanas atrás? Eu vou cuidar de você, Jimin. Sabe disso. Levantei a mão para que ele parasse de falar.


– Uma coisa não tem nada a ver com a outra, Kai. Ele é um amigo que me deu uma carona. Sim, nós fomos mais do que isso antes... aconteceram coisas, mas agora não estão mais acontecendo. Eu não estou correndo para ele. Vou reaver meu emprego em Rosemary e ficar morando com o Mark por um tempo. Depois vou para outro lugar recomeçar a vida. Só não posso continuar aqui.


– Por que não pode ficar aqui? Caramba, Jimin, eu me caso com você hoje mesmo. Sem perguntas. Amo você. Mais do que a minha própria vida. Você tem que saber disso. Pisei na bola quando éramos mais novos e aquela história com o Yeo One não significa nada para mim. Ele é só um garoto que me distrai. Você é tudo o que eu quero. Venho lhe dizendo isso há anos. Por favor, me escute...


– Kai, pare com isso. Você é meu amigo. O que nós tivemos acabou há muito tempo. Eu flagrei você fazendo coisas que não devia com outro garoto. Naquela noite, tudo mudou. Amo você, mas não estou apaixonado por você e nunca mais estarei. Preciso arrumar as minhas coisas e tocar a minha vida.


Kai deu um soco na parede.


– Não diga isso! Essa história não acabou. Você não pode fugir assim, sozinho. Não é seguro! – Ele fez uma pausa.


– Você está grávido?


Não respondi. Fui até o quarto onde estava hospedado e comecei a arrumar a minha mala.


– Está? – insistiu ele, me seguindo até o quarto. Não respondi. Continuei focada nas minhas coisas.


– Ele sabe? O filho do astro de rock vai assumir a responsabilidade? Ele está mentindo, Chim Chim. O bebê vai chegar e ele vai fugir. Ele não vai conseguir dar conta. Um bebê não se encaixa na vida dele. Você sabe disso. Caramba, o mundo todo sabe disso. Ele mesmo pode ser um astro de rock. Vi a casa de praia onde ele mora. Ele não vai estar presente quando as coisas ficarem difíceis. Esse tipo de gente não fica. Posso ter pisado na bola, mas não vou fugir. Sempre estarei aqui.


Dei meia-volta.


– Ele não sabe, está bem? Nem sei se vou contar a ele. Não quero alguém para me salvar. Posso fazer isso sozinho. Não sou um inútil.


Ele começou a abrir a boca para argumentar quando a Vovó Q entrou no quarto. Eu não tinha me dado conta de que ela estava em casa.


– Pare de implorar, Kai. Você fez a cama, rapaz, agora deite-se nela. Jimin seguiu em frente. O coração dele seguiu em frente. Jimin mostrou a todos nós que era capaz de estudar enquanto cuidava da mãe doente e dele mesmo.


Vovó Q então olhou para mim e um sorriso triste tomou conta dos seus lábios.


– Parte o meu coração que você tenha outro fardo como este para carregar ainda tão jovem. Este quarto é seu, se precisar. Mas, se estiver decidido a ir embora, abençoo essa decisão também. Apenas se cuide. – Ela se aproximou e me abraçou.


– Eu amo você como se fosse meu neto. Sempre o amei – sussurrou Vovó Q nos meus cabelos. Senti os meus olhos se encherem de lágrimas.


– Eu também amo a senhora.


Ela deu um passo para trás e fungou.


– Não deixe de dar notícias – pediu, começando a se afastar. Então olhou de novo para mim.


– Todo homem merece saber que tem um filho. Mesmo que não vá fazer parte da vida dele, um pai precisa saber. Não se esqueça disso.


Ela saiu do quarto, deixando Kai e eu a sós. Guardei as minhas últimas coisas na mala e fechei o zíper. Levantei-a pela alça. Meu enjoo havia piorado. Cobri a boca com a mão.


– Merda, Chim Chim. Você não pode fazer isso. Me dê isso aqui. Você não pode carregar peso. Está vendo, você não pode fazer isso sozinho. Quem vai garantir que você está se cuidando direito?


O melhor amigo que eu tivera em toda a minha vida estava de volta e o cara maluco que achava que estava apaixonado e prestes a sacrificar a própria vida havia desaparecido.


– Eu contei o Mark. Ele sabe e eu estou tomando cuidado. Eu não estava pensando. Isso tudo é muito novo para mim. E acho que vou vomitar.


– O que eu posso fazer? – perguntou ele, com um olhar de pânico no rosto.


– Biscoitos de água e sal ajudam.


Kai largou a mala e saiu correndo do quarto para buscar biscoitos. Voltou em menos de um minuto com uma caixa e um copo.


– A Vovó Q ouviu você. Ela já estava com a caixa de biscoitos e um copo de refrigerante nas mãos. Disse que isso vai aliviar o enjoo.


– Obrigado – falei, sentando na cama para comer um pouco. Nós dois ficamos em silêncio. Minha náusea começou a diminuir e eu aprendi, por experiência própria, que aquele era o momento de parar de comer. Se comesse demais, passaria mal logo em seguida. Fiquei de pé e devolvi a caixa e o copo a Kai.


– Deixe aí. Guardo depois. – Kai pegou a minha mala.


– Passe aquela caixa também. Você não pode carregá-la – disse ele, pegando as coisas que eu não havia desencaixotado depois da última mudança. Peguei a última sacola pequena e ele seguiu para a porta sem dizer mais nada. Seguir atrás dele rezando para que não fizesse nenhuma bobagem quando visse Jungkook. Kai parou quando chegamos à porta de tela que levava à varanda. Depois de largar a mala, virou-se para mim.


– Você não precisa ir com ele. Eu disse que posso consertar isso. Você tem a mim, Chim Chim. Sempre teve a mim.


Kai acreditava no que estava dizendo. Eu podia ver em seu rosto. Se eu precisasse de um amigo, sabia que Kai estaria lá. Mas ele não era salvador de ninguém. De qualquer maneira, eu não precisava de um salvador. Eu tinha a mim mesmo. Ajeitei a sacola no ombro e pensei com cuidado em como explicar aquilo a ele mais uma vez. Tentei de tudo. Ele não iria compreender a verdade. Falar sobre como ele havia falhado comigo quando minha mãe estava doente e eu estava completamente sozinho só iria magoá-lo ainda mais.


– Eu preciso fazer isso.


Kai soltou um grunhido frustrado e passou a mão pelos cabelos.


– Você não confia em mim para cuidar de você. Isso me magoa demais. – Ele deu uma risada derrotada.


– E por que confiaria, não é? Eu já decepcionei você antes. Com a sua mãe... eu era um garoto, Chim Chim. Quantas vezes preciso dizer que as coisas são diferentes agora? Sei o que quero. Eu... meu Deus, Chim Chim, quero você. Sempre foi você.


Senti um aperto na garganta. Não porque eu o amasse, mas porque me importava mesmo com ele. Kai era uma parte importante da minha história. Ele estava na minha vida desde que eu conseguia me lembrar. Diminuí a distância entre nós e peguei sua mão.


– Por favor, entenda. Eu preciso fazer isso. Preciso encarar. Eu tenho que ir.


Kai deu um suspiro cansado.


– Eu sempre estou deixando você ir, Chim Chim. Você já me pediu isso antes. Eu continuo tentando, mas está me destruindo aos poucos.


Um dia ele iria me agradecer por tê-lo deixado.


– Sinto muito, Kai. Mas tenho que ir. Ele está me esperando.


Kai pegou a mala de novo e abriu a porta com o ombro. Jungkook desceu da picape assim que nos viu.


– Não diga nada a ele, Kai – sussurrei. Kai assentiu e eu o acompanhei até o último degrau. Jungkook nos encontrou ali.


– Isso é tudo? – perguntou, olhando para mim.


– Sim – respondi. Claramente Kai não queria entregar a mala e a caixa para Jungkook. Um músculo no maxilar de Jungkook se mexeu e eu soube que ele estava fazendo um esforço muito grande para se comportar.


– Dê as coisas para ele, Kai – falei, cutucando-o nas costas. Kai suspirou e deu a mala e a caixa ao Jungkook, que a pegou e seguiu para a picape.


– Você precisa contar a ele – murmurou Kai quando se virou para mim.


– Eu vou contar. Preciso pensar.


Kai olhou para a minha picape.


– Vai deixar a picape?


– Achei que talvez você conseguisse deixá-la na oficina para vender. Conseguir uns mil dólares por ela. Daí você poderia ficar com metade e me mandar a outra metade. Kai franziu a testa.


– Eu vendo a picape, Chim Chim., mas não vou ficar com dinheiro nenhum. Mandarei tudo para você.


Não discuti com ele. Se ele fazia questão, eu aceitaria.


– Está bem. Mas pode dar pelo menos um pouco para a Vovó Q? Por me deixar ficar aqui e tudo mais?


Kai ergueu as sobrancelhas.


– Você quer que minha avó vá até Rosemary lhe dar umas palmadas?


Sorrindo, me aproximei dele e, segurando seus ombros, fiquei na ponta dos pés e beijei-o no rosto.


– Obrigado. Por tudo – sussurrei.


– Você pode voltar se precisar de mim. Sempre. – A voz dele ficou embargada e eu soube que precisava ir embora. Dei um passo para trás e fiz um aceno com a cabeça antes de voltar para a picape. Jungkook estava com a porta do carona aberta quando cheguei e a fechou atrás de mim. Notei quando ele olhou de novo para Kai antes de se sentar à direção. Eu estava mesmo fazendo aquilo. Deixando o que era seguro e dando o primeiro passo para encontrar o meu lugar no mundo.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...