História Senza Limiti - Jikook - Capítulo 39


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Capítulo 39 - Capítulo 39


Fanfic / Fanfiction Senza Limiti - Jikook - Capítulo 39 - Capítulo 39

Jungkook


Jimin parecia estar prestes a chorar e fiquei com medo de perguntar se ele estava bem. Tive medo de que ele mudasse de ideia e ficasse em Sumit. Por isso, fiquei em silêncio até estarmos seguramente fora dos limites da cidade. Ver as suas mãos tensas no colo estava me incomodando. Queria que ele dissesse alguma coisa.


– Está tudo bem? – perguntei, sem conseguir me conter. Minha necessidade de protegê-lo assumiu o controle.


– Está. É só um pouco assustador, acho. Desta vez, sei que não vou voltar. Também sei que não tenho um pai esperando para me ajudar. É mais difícil ir embora dessa maneira.


– Você tem a mim.


Ele inclinou ligeiramente a cabeça e me olhou.


– Obrigado.


Eu precisava ouvir isso agora. Caramba, eu gravaria aquilo para que ele pudesse ouvir quantas vezes quisesse, se fosse ajudar.


– Nunca pense que você está sozinho.


Ele me deu um sorriso débil e voltou a atenção de novo para a estrada.


– Se quiser dormir, você sabe que eu posso dirigir...


A ideia de ficar livre para contemplá-lo quanto eu quisesse era tentadora. Mas ele ficaria esperando que eu dormisse e eu não ia desperdiçar qualquer tempo que eu tivesse com ele dormindo.


– Estou bem, mas obrigado.


Eu tinha passado por um drive-thru e comprado algumas coisas para comer no caminho. Mas Jimin estava dormindo naquela hora, logo devia estar com fome.


– Quer comer alguma coisa? – perguntei, entrando na estrada interestadual que nos levaria de volta à Flórida.


– Hum... eu não sei. Que tal sopa?


Sopa? Que pedido estranho. Mas, caramba, se era isso que ele queria, eu daria um jeito.


– Então vai ser sopa. Vou ficar de olho e encontrar algum lugar bom...


– Se você está morrendo de fome, pare onde quiser. Posso comer em qualquer lugar. – Ele pareceu nervoso de novo.


– Jimin, eu vou achar sopa para você – falei, olhando para ele. Ainda sorri, para deixar bem claro que era aquilo que eu queria.


– Obrigado – disse ele, olhando para as próprias mãos no colo. Ficamos em silêncio por um tempo, mas foi bom simplesmente tê-lo no carro comigo. Eu não queria que ele se sentisse pressionado a conversar.


●●●


Na primeira saída com restaurantes, apontei para a placa:


– Aqui parece bom. Escolha um lugar – pedi. Jimin deu de ombros.


– Não tem importância. Sabe, se você não quiser descer e continuar na estrada, posso comer alguma coisa dentro do carro mesmo.


Eu queria prolongar aquele dia o máximo possível.


– Nós vamos tomar sopa – respondi. Uma risadinha me chamou a atenção. Jimin estava sorrindo. Eu tinha uma nova meta agora: fazê-lo sorrir mais.


●●●


Jimin estava dormindo de novo quando paramos no estacionamento do condomínio de Tae naquela noite. Eu havia cuidado para manter a nossa conversa tranquila. Depois de um tempo, nós nos acostumamos a um silêncio confortável e ele caiu no sono. Parei a picape e fiquei sentado contemplando-o. Tinha olhado rapidamente para ele um milhão de vezes no caminho para casa. Por apenas alguns minutos, queria a liberdade de vê-lo dormindo. Suas olheiras profundas me preocupavam. Ele não estava dormindo o suficiente? Mark devia saber. Eu poderia conversar com ele sobre isso, mas fazer perguntas como está o Jimin não era uma atitude sábia. Uma batida de leve na janela me trouxe de volta à realidade. Yugyeom estava parado do lado de fora do carro com uma expressão divertida no rosto. Abri a porta e saí do carro antes que ele o acordasse. Não queria plateia.


– Você vai deixá-lo dormindo para sempre? Está pensando em sequestrá-lo? – perguntou Yugyeom.


– Cale a boca, seu idiota. Yugyeom riu.


– Mark está ansioso. Quer saber como foi a viagem. Eu ajudo você com as coisas dele se você o acordar e o levar para dentro.


– Ele está cansado. Mark pode esperar até amanhã.


Eu não queria que Jimin tivesse que acordar para enfrentar o enxerido do Mark. Jimin obviamente precisava de mais sono e mais comida. Mal havia tomado a sopa mais cedo. Eu tentei alimentá-lo de novo, mas ele não estava com fome. Isso precisava mudar. Estávamos voltando para a história dos malditos sanduíches de manteiga de amendoim.


– Então você diz isso para o Mark – respondeu Yugyeom quando eu enfiei a caixa nas mãos dele e tirei a mala do banco de trás do carro.


– Eu levo a mala. Você leva a caixa. Pode deixar que eu o acordo.


– Momento particular? – Yugyeom sorriu e eu empurrei a caixa para ele com um pouco mais de força. Ele tropeçou para trás, o que só o fez rir ainda mais. Ignorando-o, passei para o lado do passageiro. Acordá-lo e permitir que Jimin me deixasse não era exatamente o que eu queria fazer. Isso me assustava demais. E se fosse o fim? E se Jimin nunca mais deixasse eu me aproximar dele assim novamente? Não. Eu não poderia permitir que isso acontecesse. Eu trabalharia devagar, mas cuidaria para que isso não acontecesse. Ter passado o dia com ele já tornaria a minha rotina solitária muito mais difícil. Abri o cinto de segurança, mas ele mal se mexeu. Uma mecha de cabelo havia caído sobre o seu rosto e eu cedi à vontade de tocá-lo. Prendi os seus cabelos atrás da orelha. Ele era tão lindo! Eu nunca iria esquecê-lo. Não era possível. Precisava encontrar uma forma de reconquistá-lo. De ajudá-lo a se curar. As pálpebras dele se abriram e ele fixou seu olhar no meu.


– Chegamos – sussurrei, sem querer assustá-lo. Ele se sentou e me deu um sorriso tímido.


– Desculpe. Dormi e deixei você sozinho de novo.


– Você precisava desse descanso. Não me importei.


Queria ficar ali e mantê-lo no meu carro, mas não podia fazer isso. Recuei para que ele pudesse sair. Quase perguntei se podia vê-lo no dia seguinte, mas me contive. Ele não estava pronto para isso. Eu precisava dar espaço para ele.


– A gente se vê por aí, então – falei. Seu sorriso, no entanto, estremeceu.


– Está bem... A gente se vê. E obrigado de novo por me ajudar hoje. Vou pagar a gasolina.


De jeito nenhum.


– Não, não vai. Não quero o seu dinheiro. Fiquei feliz de poder ajudar.


Ele começou a dizer mais alguma coisa, mas fechou a boca. Assentindo de maneira contida, seguiu para o apartamento.


Jimin


No meu primeiro dia de volta ao trabalho, Hoseok me designou para os turnos do café da manhã e do almoço no salão. Nada bom. Fiquei parado do lado de fora da cozinha me preparando mentalmente para não pensar no cheiro. Eu tinha acordado enjoado e me obrigara a comer dois biscoitos de água e sal e a tomar um pouco de refrigerante, mas foi tudo o que consegui. No instante em que entrasse na cozinha, o cheiro ia me pegar. O bacon... ah, meu deus, o bacon...


– Sabe, querido, você precisa entrar lá para trabalhar – disse Lisa atrás de mim. Eu me virei, assustado e voltando à realidade, e a vi sorrindo.


– Os cozinheiros não são tão ruins assim. Você vai superar o berreiro rapidinho. Além disso, da última vez, você tinha todos eles sob o seu lindo comando.


Forcei um sorriso.


– Você tem razão. Posso fazer isso. Acho que só não estou pronto para as pessoas me fazendo perguntas.


Isso não era necessariamente verdade, mas também não era uma mentira. Lisa abriu a porta e eu fui atingido pelo cheiro. Ovos, bacon, salsichas, gordura. Ah, não. Comecei a suar frio e senti meu estômago embrulhar.


–Eu, hum, preciso ir ao banheiro primeiro – expliquei, seguindo para o banheiro dos funcionários o mais rápido possível sem correr. Isso pareceria ainda mais suspeito. Fechei a porta atrás de mim e a tranquei antes de me ajoelhar no piso frio. Agarrei a privada e botei para fora tudo o que eu havia comido na noite anterior e naquela manhã. Depois de várias ânsias de vômito, eu me levantei, ainda me sentindo fraco. Umedeci uma toalha de papel para limpar o rosto. A camisa polo estava colada ao corpo por causa do suor. Eu precisava me trocar. Lavei a boca com o enxaguante bucal em cima da pia e arrumei a camisa da melhor maneira possível. Talvez ninguém fosse perceber. Eu ia conseguir. Apenas prenderia a respiração quando estivesse na cozinha. Isso iria funcionar. Respiraria fundo antes de entrar todas as vezes. Precisava dar um jeito. Quando abri a porta, meus olhos se fixaram nos de Hoseok. Ele estava encostado na parede, parado de frente para a porta do banheiro, com os braços cruzados sobre o peito. Eu estava atrasado.


– Desculpe. Sei que estou atrasado. Só precisava de um tempinho antes de começar. Prometo que não vai acontecer de novo. Vou compensar ficando até mais tarde...


– Na minha sala. Agora – disse ele de repente e se virou para seguir pelo corredor. Meu coração disparou e fui atrás dele rapidamente. Eu não queria que Hoseok ficasse bravo comigo. Aquele emprego era a minha solução pelos próximos meses. Agora que eu havia me convencido a ficar aqui para decidir o que fazer, não queria ir embora. Ainda não. Hoseok abriu a porta para mim e entrei na sala.


– Sinto muito. Por favor, não me demita ainda. Eu só...


– Não vou demitir você. – Hoseok me interrompeu. Ah...


– Você já foi a um médico? Imagino que seja do Jungkook. Ele sabe? Porque vou quebrar o pescoço dele se ele souber que você está trabalhando aqui nessa condição.


Ele sabia. Ah, não... Balancei a cabeça freneticamente. Eu precisava interromper aquilo. Hoseok não podia saber. Ninguém além do Mark devia saber.


– Não sei do que você está falando.


Hoseok arqueou uma sobrancelha.


– É mesmo? – A descrença na voz dele me intimidou. Ele não engoliria uma mentira. Mas eu tinha um bebê para proteger.


– Ele não sabe. – A verdade saiu da minha boca antes que eu pudesse evitar.


– Não quero que ele saiba ainda. Preciso descobrir uma forma de fazer isso sozinho. Nós dois sabemos que o Jungkook não quer isso. A família dele iria odiar. Não posso aceitar que o meu bebê seja odiado. Por favor, entenda...


Hoseok resmungou um palavrão e passou as mãos pelos cabelos.


– Ele merece saber, Jimin.


Sim, ele merecia. Mas eu não sabia quanto os nossos mundos estavam maculados quando este bebê foi concebido. O quanto seria impossível nós dois termos um relacionamento.


– Eles me odeiam. Odeiam a minha mãe. Eu não posso. Por favor, me dê um tempo para provar que eu posso fazer isso sem ajuda. Vou acabar contando a ele, mas preciso me estabilizar e estar pronto para ir embora depois de contar. Desta vez, o que eu quero e o que ele quer não vêm primeiro lugar. Estou fazendo o que é melhor para este bebê.


Hoseok franziu ainda mais o cenho. Ficamos parados em silêncio durante vários minutos.


– Não gosto disso, mas essa história não é minha. Vá se trocar e procure a Darla. Você pode ficar no carrinho de bebidas hoje. E me diga quando o cheiro da cozinha não for mais um problema.


Tive vontade de abraçá-lo. Ele não ia me obrigar a contar a ninguém e estava me liberando de servir o café da manhã. Antes eu adorava bacon, mas agora... simplesmente não conseguia suportar.


– Obrigado. O jantar não tem problema. É só de manhã e, às vezes, à tarde.


– Entendi. Vou escalar você para os turnos da noite no restaurante. E tome cuidado com o calor quando estiver no carrinho de bebidas. Tenha sempre gelo ou alguma outra coisa para se refrescar. Posso contar para a Darla?


– Não – respondi antes que ele pudesse terminar.


– Ela não pode saber. Ninguém pode saber, por favor.


Hoseok suspirou, mas concordou.


– Está bem. Vou guardar seu segredo. Se precisar de alguma coisa, é melhor me dizer... senão vou deixar o Jungkook saber.


– Está bem. Obrigado.


Hoseok me deu um sorriso tenso.


– Nos vemos mais tarde, então. Eu estava dispensado.


●●●


Minha escala no resto da semana foi trabalhando no carrinho de bebidas. Haveria um torneio na semana seguinte e eu deveria trabalhar o dia inteiro. Não podia estar mais feliz com isso. O dinheiro seria ótimo. E embora o calor fosse intenso no campo durante todo o dia, era melhor do que ficar no ar-condicionado sentindo cheiro de bacon ou qualquer outra carne gordurosa e saindo correndo para vomitar. Desde que eu fora embora, o clube estava mais movimentado. Segundo Darla, os membros que iam apenas durante as férias de verão agora estavam todos residentes. Mark e eu percorríamos o campo com dois carrinhos diferentes para manter a todos hidratados. Como Hoseok raramente estava no campo, eu não precisava me preocupar com os seus olhos curiosos. Ele estava ocupado trabalhando. Yugyeom havia contado o Mark que Hoseok vinha tentando provar ao pai que estava pronto para uma promoção. Depois de reabastecer o meu carrinho pela terceira vez no dia, voltei para o primeiro buraco para recomeçar o percurso. Reconheci a parte de trás da cabeça de Namjoon imediatamente. Ele estava jogando com... Luhan. Eu sabia que esse dia chegaria, mas não havia me preparado para ele. Eu poderia muito bem pular aquele buraco e deixar que Mark os atendesse na próxima volta, mas isso seria apenas adiar o inevitável. Parei o carrinho e Namjoon virou-se para mim. Ele parecia estar tendo uma conversa séria com Luhan. A expressão tensa e frustrada no rosto dele não foi nada reconfortante. Ele sorriu, mas pude ver que foi um sorriso forçado.


– Estamos bem, Jimin. Você pode seguir para o próximo buraco – disse Namjoon. Luhan virou a cabeça ao ouvir o meu nome e a careta detestável no rosto de Luhan me fez engatar a marcha a ré. Talvez o meu primeiro instinto estivesse certo. Eu não deveria ter parado.


– Espere. Eu quero uma coisa.


Ao ouvir a voz de Jungkook, meu coração bateu de um jeito que só ele conseguia fazer bater. Virei a cabeça e o vi correndo na minha direção usando short azul-claro e camisa polo branca. Nunca deixava de ficar impressionado com o quanto ele conseguia ficar tão ridiculamente lindo em uma roupa tão careta. Os garotos do Alabama não se vestiam assim para nada. Jogavam golfe de jeans, bonés e qualquer camiseta ou camisa de flanela que estivesse limpa no dia. Mas Jungkook fazia aquele visual parecer irresistível.


– Preciso de uma bebida – falou, com um sorriso fácil ao se aproximar do meu carrinho. Parou bem na minha frente. Eu não o via fazia uns dois dias. Desde a nossa viagem.


– O de sempre? – perguntei, descendo só para ficar ainda mais perto dele. Ele não recuou e os nossos peitos estavam quase se tocando. Olhei para ele.


– Isso mesmo – respondeu, sem se mexer. Também manteve os olhos fixos nos meus. Um de nós precisaria se mexer e interromper aquele jogo. Eu sabia que devia ser eu. Não podia levá-lo a acreditar que alguma coisa havia mudado. Passei por ele e fui até a parte de trás do carrinho para pegar uma Corona. Ao me abaixar para tirar uma do gelo, senti Jungkook se aproximando de mim por trás. Caramba. Ele não estava facilitando a minha vida. Eu me endireitei e não olhei para trás nem me virei. Ele estava perto demais.


– O que você está fazendo? – perguntei baixinho. Não queria que Luhan ou Namjoon nos ouvissem.


– Eu sinto a sua falta – respondeu ele. Fechando os olhos, respirei fundo e tentei acalmar o frenesi que ele estava provocando no meu coração. Eu também sentia falta dele. Mas isso não fazia a verdade desaparecer. Dizer que eu sentia falta dele não seria inteligente. Eu não precisava deixá-lo acreditando que as coisas poderiam voltar a ser como antes.


– Pegue a sua bebida e vamos logo – gritou Luhan atrás dele. Isso bastou para eu me mexer. Não estava a fim de um ataque verbal de Luhan. Não hoje.


– Fique na sua, Luhan – resmungou Jungkook enquanto eu empurrava a Corona para ele e voltava rapidamente para o assento do motorista do carrinho.


– Jimin, espere – pediu ele, me seguindo.


– Não faça isso – implorei.


– Eu não posso com Luhan. Ele recuou e assentiu antes de se afastar. Desviei o olhar dele e dei a partida no carrinho. Sem olhar para trás, segui para o buraco seguinte.


Jungkook  


– Você se lembra do que lhe pedi no outro dia, Luhan? – resmunguei quando o carrinho de Jimin já estava longe.


– Você estava sendo patético. Só queria ajudá-lo a não parecer um idiota apaixonado.


Eu me aproximei ele. Luhan estava me provocando. Eu nunca senti aquela raiva absoluta que a maioria dos irmãos têm a ponto de machucar os irmãos fisicamente quando crianças. Mas, naquele momento, estava sentindo. Namjoon entrou no meio de nós dois, formando uma barreira.


– Opa. Você precisa relaxar, amigo.


Desviei o meu olhar furioso de Luhan para Namjoon. Que porra ele estava fazendo? Ele odiava Luhan.


– Saia. Isso é entre mim e o meu irmão – lembrei a ele.


Namjoon nunca o havia defendido antes. Mesmo quando o pai dele era casado com a nossa mãe, fazia questão que todos entendêssemos quanto odiava Luhan. Nunca houve qualquer ligação remotamente fraternal entre os dois.


– E você vai ter que passar por cima de mim para chegar nele – respondeu Namjoon, dando um passo na minha direção.


– Porque neste momento você está pensando apenas nos sentimentos da Jimin. Lembre-se de como a presença dele afeta Luhan. Você costumava se importar com isso.


Mas que porra! Eu estava tendo alucinações? Quando foi que Namjoon começou a defender Luhan?


– Eu sei exatamente como isso afeta Luhan. Mas o que eu estou tentando fazê-lo entender é que nada do que aconteceu foi culpa do Jimin.


Luhan odeia a pessoa errada há tanto tempo que não consegue se livrar dessa história. Qual é o problema com você, afinal? Você já sabia disso! Foi você quem defendeu o Jimin quando ele apareceu por aqui da primeira vez. Você nunca acreditou que fosse culpa dele. Você soube que Jimin era inocente desde o começo.


Namjoon se remexeu desconfortavelmente e olhou de volta para Luhan, cujos olhos estavam completamente arregalados.


– Você o deixou frágil, Jungkook. Durante toda a vida do Luhan, você o protegeu. Ele contava com você. E então você simplesmente o deixa de lado, volta toda a sua atenção o Jimin e espera que Luhan fique bem. Ele pode ser adulto, mas foi dependente de você a vida inteira. Luhan não sabe ser de qualquer outra aneira. Se você não estivesse tão absurdamente focado em reconquistar o Jimin, enxergaria isso.


Empurrei Namjoon para fora do meu caminho e olhei para a meu irmão. Eu não precisava daquele sermão dele, mesmo que fosse verdade. No fundo, eu estava feliz que os dois houvessem enfim encontrado algo em comum. Talvez Namjoon gostasse dele, afinal. Nós moramos na mesma casa durante anos. Juntos, sofremos a mesma negligência.


– Eu amo você, Luhan. Você sabe disso. Mas não pode me pedir para escolher. Não é justo.


Luhan pôs as mãos nos quadris. Era a sua posição desafiadora.


– Você não pode amar nós dois. Eu nunca vou aceitá-lo. Jimin apontou uma arma para mim, Jungkook! Você viu. Ele é louco. Ele ia atirar em mim. Como você pode amar a ele e a mim? Isso não faz sentido.


– Jimin jamais teria atirado em você. Ele apontou uma arma para o Namjoon também.– Ele superou.– E, sim, amo vocês dois. Amo os dois de jeitos diferentes.


Luhan olhou para Namjoon e deu um sorriso triste. Isso foi ainda mais estranho.


– Ele não me escuta, Namjoon. Desisto. Ele está escolhendo o amor Jimin em vez de mim e dos meus sentimentos.


– Luhan, apenas ouça o que ele tem a dizer. Qual é? O que ele está falando faz sentido – disse Namjoon em um tom gentil que eu jamais o ouvi usando com Luhan. Eu só podia estar em um episódio de Além da imaginação. Luhan bateu o pé.


– Não. Eu o odeio. Não suporto olhar para Jimin. Ele o está magoando agora e eu o odeio ainda mais por isso – gritou Luhan.


Olhei ao redor para ver se alguém a escutava e vi Hoseok vindo na nossa direção. Merda. Namjoon se virou e acompanhou o meu olhar.


– Ah, merda – resmungou ele. Hoseok parou na nossa frente e olhou de Luhan para Namjoon e depois para mim.


– Ouvi o suficiente para saber sobre o que é esta conversa – disse ele, mantendo o foco totalmente em mim.


– Deixe-me ser bem claro. Nós todos somos amigos desde sempre. Eu conheço a dinâmica da família de vocês. – Ele olhou para Luhan com cara de nojo e então se voltou para mim.


– Se alguém tem algum problema com o Jimin, é melhor tratar disso comigo. Ele tem um emprego aqui pelo tempo que quiser. Os três podem não gostar disso, mas, pessoalmente, estou cagando para vocês. Então, superem essa história. Ele não precisa dessa merda toda agora. Deem um tempo, estamos entendidos?


Eu o examinei. O que ele estava querendo dizer e por que estava agindo como protetor do Jimin? Não gostei disso. Meu sangue começou a ferver e cerrei os punhos. Ele queria conquistá-lo? Aparecer quando Jimin estava indefeso e bancar o herói? De jeito nenhum. Isso não ia acontecer. Jimin era meu. Hoseok não esperou uma resposta. Simplesmente se afastou.


– Parece que você tem concorrência – disse Luhan com a voz arrastada. Namjoon se aproximou e ficou na frente dele novamente.


– Já chega, Luhan – sussurrou e olhou para mim.


Eu estava cansado daquilo. Não podia mais lidar com aqueles dois. Atirei o taco no chão e saí atrás de Hoseok.


●●●


Ou ele me ouviu ou sentiu a raiva que eu estava emanando, porque parou pouco antes de chegar à sede do clube e virou-se para mim. Levantou uma das sobrancelhas, como se estivesse achando divertido. Isso só me enfureceu ainda mais.


– Nós dois queremos a mesma coisa. Por que você não respira fundo algumas vezes e se acalma? – perguntou Hoseok cruzando os braços em cima do peito.


– Fique longe dele, está me ouvindo? Desista. O Jimin me ama. Ele só está confuso e magoado. Também está muito vulnerável. Que Deus me ajude se você sequer pensar em tirar vantagem da situação dele. Encho você de porrada.


Hoseok inclinou um pouco a cabeça e franziu o cenho. Não se afetou com a minha ameaça. Talvez eu precisasse afetá-lo.


– Eu sei que você o ama. Nunca o vi agindo de um jeito tão louco na vida. Entendo isso. Mas Luhan o odeia. Se você ama mesmo o Jimin, precisa protegê-lo do veneno que está pingando dos caninos do seu irmão. Se não, eu farei isso.


Senti como se ele tivesse me dado um tapa na cara. Antes que eu pudesse responder, Hoseok abriu a porta e entrou. Fiquei olhando fixamente para a porta fechada durante vários minutos antes de me mexer. Eu ia perder um deles. Amava o meu irmão, mas, com o tempo, ele me perdoaria. Poderia perder Jimin para sempre. Não permitiria que isso acontecesse.


Jimin


Mark estendeu o braço e apertou a minha mão. Estava parado de pé ao meu lado, enquanto eu esperava pelo médico na mesa de exame. Havia feito xixi num copinho e agora estávamos esperando o resultado oficial. Meu coração estava acelerado. Existia uma remota possibilidade de eu não estar grávido. Procurando no Google na noite anterior, descobri que os testes de gravidez de farmácia podiam dar errado e eu poderia estar enjoando porque a minha cabeça achava que eu estava grávido. A porta se abriu e uma enfermeira entrou na sala. Ela estava sorrindo ao olhar para Tae e para mim.


– Parabéns. O resultado é positivo. Você está grávido.


A mão de Mark apertou a minha com mais força. Eu sabia disso no fundo, mas o simples fato de ouvir a enfermeira falando tornou a situação mais real. Eu não iria chorar. Meu bebê não precisava saber que eu havia chorado quando descobri que estava grávido. Queria que ele se sentisse sempre amado. Não era uma coisa ruim. Não poderia ser ruim. Eu precisava de uma família. Logo teria uma de novo. Alguém que me amaria incondicionalmente.


– O médico virá conferir algumas coisas em poucos minutos. Precisamos de amostras de sangue também. Você tem tido cólicas ou sangramento?


– Não. Só sinto muito enjoo. Cheiros acabam comigo – expliquei. A enfermeira fez algumas anotações na prancheta.


– Pode não parecer, mas isso é uma coisa boa. Ficar enjoado é bom.


Mark riu.


– Você não o viu tendo ânsia de vômito. Não tem nada de bom naquilo.


A enfermeira sorriu.


– É, eu me lembro desses dias. Isso é engraçado. – Ela então olhou para mim.


– O pai vai participar?


Vai? Eu poderia contar a ele? Balancei a cabeça.


– Não, acho que não.


O sorriso triste que a enfermeira abriu enquanto assentia e fazia mais uma anotação na prancheta deixou claro que aquela situação era bem frequente.


– Você estava usando algum anticoncepcional quando engravidou? Pílula? – perguntou a enfermeira.


Não olhei para Mark. Talvez eu não o quisesse ali, afinal. Balancei a cabeça. A enfermeira levantou as sobrancelhas.


– Nada? – perguntou ela.


– Não, nada. Quer dizer, nós usamos camisinha umas duas vezes, mas houve outras vezes em que não usamos. Ele tirou antes uma vez... mas uma vez, não.


Mark ficou tenso ao meu lado. Sabia o que ele estava pensando. Como eu podia ter sido tão burro? Esse era um fato que eu havia deixado de fora da história.


– Está bem. O médico vai falar com você em breve – disse ela, saindo da sala. Mark sacudiu o meu braço, obrigando-me a olhar para ele.


– Ele não usou camisinha? Ele é louco? Caramba! Ele devia ter pensado em perguntar se você estava grávido. Que idiota. Eu estava aqui sentindo pena dele por não saber que vai ser pai, mas ele não usou uma droga de uma camisinha. Ele devia ter procurado você quatro semanas depois, para ter certeza de que você não estava grávido. Que idiota.


Mark estava andando de um lado para outro na minha frente. Eu só o observava. O que eu podia dizer em relação a tudo aquilo? Eu estava tão errado quanto ele. Tinha sido eu que tirara a roupa, subira em cima dele e trepei feito louco naquela noite. E a última coisa que passou pela a cabeça naquele momento foi parar e botar uma camisinha. Eu não lhe dera muito tempo para pensar. Mas eu não iria dividir os detalhes da minha vida sexual com o Mark. Então fiquei de boca fechada.


– Jungkook merece isso. Ele devia ter procurado você. Não conte àquele idiota. Se ele acha que pode fazer sexo sem proteção, por mim, pode viver na ignorância. Vou estar ao seu lado. Você e eu. Nós vamos dar conta disso.


Mark parecia pronto para dominar o mundo naquele momento. Isso me fez sorrir. Eu não estaria em Rosemary quando o bebê nascesse. Gostaria de poder estar. Queria que o meu bebê tivesse mais alguém para amá-lo. Mark daria um excelente tio. Essa ideia me deixou triste. Meu sorriso desapareceu.


– Desculpe. Eu não queria chatear você – disse Mark, soltando as mãos da cintura com um olhar preocupado no rosto.


– Não. Você não me deixou chateado. Eu só gostaria... gostaria de não precisar ir embora. Quero que o meu bebê conheça você.


Mark se aproximou, passou os braços pelos meus ombros e me abraçou.


– Você vai me dizer o seu endereço e vou visitar vocês o tempo todo. Ou então você poderia ficar morando comigo. Quando o bebê nascer, Jungkook provavelmente não vai estar mais aqui. Ele não fica em Rosemary depois do verão. Teremos tempo de instalar vocês dois antes de ele voltar. Pense nisso. Não se preocupe com qualquer decisão definitiva agora.


Jungkook iria embora? Ele desistiria de mim e iria embora de Rosemary? Ou ficaria? Meu coração doía de pensar nele me deixando. Por mais que eu soubesse que não daria certo, queria que ele brigasse por mim. Queria que ele encontrasse alguma forma de ficarmos juntos, mesmo sabendo que era impossível. Duas horas mais tarde, estávamos de volta ao apartamento de Mark e eu estava com vitaminas pré-natais e diversos panfletos sobre como ter uma gravidez saudável. Guardei tudo na minha mala. Precisava de um banho quente e um cochilo. Mark bateu uma vez na porta do banheiro e entrou. Ele estava segurando o telefone na mão e sorrindo feito um idiota.


– Você não vai acreditar nisso. – Ele fez uma pausa e balançou a cabeça, como se ainda não estivesse acreditando.


– Hoseok acabou de me ligar. Ele disse que o apartamento no condomínio é nosso pelo mesmo preço que estou pagando por este apartamento aqui. Ele disse que é como um benefício, já que ter dois funcionários morando no clube vai ser útil. E pediu para avisar que nós dois ficaremos sem emprego se não aceitarmos a oferta dele.


Sentei sobre a tampa fechada da privada e olhei fixamente para ele. Hoseok estava fazendo isso porque eu estava grávido. Era seu jeito de ajudar. Queria gritar com ele e abraçá-lo ao mesmo tempo. Senti os meus olhos se enchendo de lágrimas.


– Ele ainda está no telefone? – perguntei, quando percebi que Tae ainda segurava o aparelho perto da orelha.


– Não, é o Yugyeom. Ele disse que tem a ver com você. Você não está... saindo com Hoseok ou coisa parecida, está? – perguntou ele lentamente. Yugyeom deve ter perguntado isso. Ele fez a pergunta como se não acreditasse no que estava dizendo.


– Pode colocar o telefone no mudo? – pedi, falando baixinho.


Mark arregalou os olhos e concordou. Depois de passar o telefone para o mudo, ele me encarou como se não estivesse me reconhecendo. O que ele achava? Que estava dando em cima do Hoseok grávido de Jungkook? Claro que não.


– Mark, ele sabe. Hoseok sabe.


Ele se deu conta do que estava acontecendo e ficou de queixo caído.


– Como? – perguntou.


– Ele me escalou para o turno do café da manhã no restaurante. A cozinha... estava com cheiro de bacon.


– Ahhh! – exclamou Mark e assentiu. Havia entendido. Tirou o telefone do mudo.


– Não tem nada acontecendo com o Hoseok e o Jimin. Ele só ficou amigo dele e quer ajudar.


Só isso. Mark revirou os olhos para alguma coisa que Yugyeom disse, chamou-o de louco e desligou.


– Certo, então ele sabe que você está grávido e vai nos entregar um apartamento no condomínio por quase nada? Tipo, é a melhor coisa do mundo. Espere até ver esse lugar. Se ele nos deixar ficar lá depois que o bebê nascer, o seu quarto vai ter espaço suficiente para um berço! É perfeito.


Eu não podia pensar tão adiante. Naquele momento, só precisava ir atrás de Hoseok para conversar com ele. Se eu fosse embora em quatro meses, não queria que Mark perdesse esse negócio. Precisava garantir isso antes que Mark ficasse empolgado demais.





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