História Seoul: Good Fathers - Capítulo 12


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Categorias Bangtan Boys (BTS), VIXX
Personagens Hongbin, Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Leo, Min Yoongi (Suga), N, Park Jimin (Jimin), Personagens Originais, Ravi
Tags Família, Namjin, Taekook
Visualizações 130
Palavras 4.558
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Atrasei porque estava sem computador, mas estou recolocando as coisas nos eixos ( espero).
Gosto desse capítulo... acho que gosto de todos.

Capítulo 12 - Conforto


Fanfic / Fanfiction Seoul: Good Fathers - Capítulo 12 - Conforto

—Você é tão cara de pau, que nem consigo acreditar.

—“Oi, Jin, quanto tempo? Você está bem? Sim, eu também estou.”

A voz dele era suave como se estivesse se divertindo. Podia imaginar aquele sorriso odioso brincando na boca bonita demais. E eu não tinha paciência nenhuma restando.

— Foda-se o que está tentando fazer, Park. Você passou dos limites. Não me interessa o que está pensando, eu só quero que você suma.

Deveria ter desligado, mas mesmo assim, queria ouvir o que ele tinha a dizer. Se é que se prestaria a dar uma explicação para a audácia de ter me ligado. Estava em pé, apoiado na parede para não tremer, e podia sentir os dois garotos me observando.

— “O que você está fazendo com esses caras?”

— O que disse?!

— “Por que está andando com Kim Namjoon e aquele viciado? Não tem noção das coisas?”

— Jimin – chamei com uma sensação de desprendimento tão grande que me surpreendi — Espero que Ravi acabe com a sua raça*.

Então desliguei. Apertei o celular com força excessiva, até achar que realmente o quebraria ao meio, e fiquei só respirando por um momento, tentando acalmar a raiva que sentia. Os garotos se aproximaram e devagar, como se tivesse receio da minha reação, Taehyung me puxou para si. Abracei Tae, menor que eu, tão pequeno e trêmulo, e afundei o rosto no seu pescoço, respirando fundo. Sentia ele meio escondido em mim, ainda encolhido, e isso só fazia a raiva de Jimin crescer. Viciado?! Eu estava com tanta raiva daquelas palavras que nem sentia como se fosse eu mesmo.

Todas as vezes que Jimin me agredira, física ou emocionalmente, eu só sentira muita tristeza. Era como se meu peito pudesse rasgar ao meio pela dor, uma angústia tão profunda que não conseguia respirar. Mas agora, com aquele garoto chorando agarrado em mim, o ódio era tão quente e físico, que eu revidaria, de um jeito que nem Park poderia imaginar.

O celular de Jungkook tocando me fez voltar à realidade como um soco. Não era hora para imaginar maneiras de matar meu ex-namorado.

— ... isso, quase em frente…

— Jin!

Taehyung parou de chorar e viramos ao mesmo tempo quando Namjoon apareceu correndo, pela entrada dos fundos, na rua mais tranquila. Os cabelos descoloridos estavam bagunçados de correr, o rosto um pouco molhado de suor, apesar do frio, e parecia tão assustado, que me senti culpado. Ainda não tinha desligado o celular e só o fez quando estava muito próximo, dando-se conta do aparelho em mãos. Odiava ver aquela expressão nas pessoas, mas em Namjoon, era mil vezes pior. Observei ele correr até ali, contando mentalmente quantas vezes o vira menos do que animado. Quando disse que era pai? Só por um instante, lá estava aquela incredulidade assustada, mas agora, era diferente. Quando me defendeu de Jimin? Sim, ele estava possesso, mas não me preocupou, porque era raiva, não medo.

Ali, recebendo Taehyung em um abraço desesperado, Namjoon tremia de medo.

E isso era como a morte.

— Vocês estão bem? Tae, não chora, ele machucou você?

Namjoon segurava Taehyung pelo rosto, aflito com a maneira com que o garoto não parava de chorar. Aquilo doía em mim. Passei o braço pelos ombros de Jungkook, calado e pálido ao meu lado. Quase me esquecia de que ele era só uma criança.

— Tudo bem, Kook? – experimentei o apelido, tentando sorrir, e isso o fez me olhar com surpresa — Você está bem? Não se preocupe. Taehyung está assustado, mas você o protegeu bem.

Jungkook engoliu em seco e abaixou a cabeça, agarrado à minha camiseta. Apertei-o contra mim, como faria com Tae ou Jinwoo, e encontrei os olhos angustiados de Namjoon. Ele me encarava sem piscar, ainda respirando pesado, e quando Jungkook lentamente me soltou, um pouco melhor, Tae pareceu perceber a situação e deu um passo para o lado. Namjoon deu dois passos e me puxou pelos braços, me abraçando. Apertei sua cintura e me permiti fechar os olhos um momento. Deitei a cabeça no seu ombro, apenas sentindo sua respiração contra a minha nuca, mas isso fez meu nariz doer e me endireitei com um resmungo.

— O que foi? – Namjoon segurou meu rosto com as duas mãos e ergueu um pouco, franzindo o cenho – O que é isso?!

— Ah – Jungkook parou ao seu lado, observando com distração — Desculpe, hyung, isso fui eu.

Namjoon o encarou com a mesma expressão e então me olhou de novo, relaxando um pouco — O que aconteceu?

— Acho que demos azar.

Uma nova movimentação na entrada do atalho me fez olhar rápido e meu coração acelerou drasticamente ao reconhecer Yoongi e Jinwoo, agarrado ao seu pescoço. Meu garotinho virou a cabeça, ainda chorando, e me desprendi de Namjoon meio no automático, correndo para lá.

Antes que estivesse próximo o suficiente, esticou os braços pequenos e Yoongi o depositou no chão. Senti meu coração vacilar de culpa quando ele correu com os braços ainda procurando pelos meus, dividindo a distância comigo. Me ajoelhei ali e o apertei contra mim, sentando sobre os pés com um suspiro. Jinwoo subiu no meu colo, querendo que o segurasse, então passei um braço pelas pernas minúsculas, erguendo-o um pouco. A mão livre estava nos seus cabelos desarrumados, fazendo um carinho ansioso, porque ele estava soluçando.

— Não chore, não chore. Está tudo bem! O Jin está bem, o appa está bem, todos estão bem – dizia repetidas vezes, quase para mim mesmo. Yoongi passou por nós e tocou minha cabeça sem dizer nada — Jinwoo está bem? Yoongi-ssi cuidou bem de vocês, isso não é bom? Por que está chorando?

Jinwoo ergueu o rosto um momento e esfregou os olhos, fungando. As bochechas estavam bem vermelhas e molhadas, mas minha mão não resolveu muita coisa, tentando secar as lágrimas. Só percebi Namjoon quando ele se agachou ao meu lado e bagunçou ainda mais os cabelos do menino.

— Achamos o Jin, não precisa chorar – olhei Namjoon e ele deu de ombros, ainda abatido — Não dissemos nada, ele só sente a sua falta.

Esperava que Jinwoo não entendesse a situação em que estávamos, mas do jeito que ele chorava, talvez entendesse bem demais. Me levantei, com um pouco de apoio do cara ao meu lado, e me virei olhar os garotos. Taehyung e Jungkook estavam de mãos dadas, mas ninguém pareceu notar, e Yoongi vinha mais atrás, silencioso. Assim que viram Jinwoo, os mais novos vieram até mim e fizeram afagos no garoto, sorrindo apesar da aparência cansada.

— Jinwoo, na próxima você fica conosco para ver o Jin hyung sendo legal – brincou Taehyung, recuperando um pouco do bom humor. Limpou a garganta com um pigarro teatral — Ha! Fiquem para trás, crianças! O hyung vai proteger vocês!

— Eu não disse isso.

— Tão legal, Jin hyung – Jungkook se apoiou nos ombros de Tae, suspirando — Acho que também levou meu coração!

— Você fez o quê? – Namjoon me olhava com curiosidade, as sobrancelhas levemente apertadas. Olhei para o lado, não querendo criar caso.

— Eu só pedi que não fizessem nada…

— Eu protejo vocês! – Tae imitou em uma voz forçada.

— Sim, o que ele disse? – Jungkook fez uma careta, pensativo — Sim! O que eu vou dizer ao Namjoon se vocês se machucarem? Não, foi?

— Ah, Jin hyung é realmente o mais legal!

Puxei o ar com força pela boca e dei as costas ao grupo, começando a andar na direção da rua menos movimentada, só para me afastar do olhar inquisidor de Namjoon. Os meninos riram e isso me deixava aliviado. Não queria que Taehyung chorando se tornasse uma coisa corriqueira – ousava dizer, novamente.

— Jin! – parei e olhei para trás — A chave! Você volta comigo.

Tirei a chave do carro do bolso e arremessei para Namjoon, que repetiu o gesto com o amigo mais velho. Taehyung acenou timidamente e Jungkook sorriu, abraçando o outro garoto pelos ombros. Yoongi parecia distraído, mas ergueu minimamente a mão. Acenei como pude, Jinwoo agarrado em mim, mas ao menos ele não chorava.

Namjoon me alcançou com umas passadas rápidas e saímos dali, a sensação de que estávamos em outro mundo. O carro estava estacionado perto, mas foi um longo trajeto porque meu corpo estava pesando. Namjoon abriu a porta de trás e lutei para conseguir colocar Jinwoo no lugar.

— Nós já vamos para casa, ok? Seja forte só mais um pouco, Jinwoo.

Beijei o rosto do menino e ele me encarou, sério, a boca pequena formando um bico fofo, mas triste, porque ele tentava não chorar mais. Me sentei no banco da frente, ao lado de Namjoon, e me surpreendi com sua mão sobre a minha. Não dissemos nada, mas era reconfortante sentir ele tão próximo. Fechei os olhos e tentei não pensar em nada. Sua mão deixou a minha quando começou a dirigir, mas voltou para a minha perna, repetindo o gesto quando não estava segurando o volante.

— As duas mãos no volante, Kim – repreendi com um sorriso, quando ele me segurou pela décima vez.

— Mas eu estou – rebateu com uma risada e apertou forte a minha coxa.

Apenas ri e não insisti no assunto. Liguei o som no carro e uma voz grossa e delicada deslizou pelos acentos, ocupando o espaço como uma névoa venenosa. Aquilo me deu arrepios. Sentia que devia reconhecer a voz, a sensação era tanta que não conseguia prestar atenção à letra, mas havia alguma coisa diferente. Abri a boca, mas não consegui falar por um momento. Aquela era uma bela música. Envolvente, quente, bizarramente sexy**.

— Quem...? –  Namjoon riu, me olhando de canto.

— Não reconheceu? É o Tae.

— Não!

— Sim – riu de novo, dobrando uma rua conhecida — Yoongi e eu estávamos ouvindo essa demo antes. Foi a única que ele gravou, faz um tempo. Yoongi quer mostrar para umas gravadoras, agora que o Tae está mais focado. Acha que vai ser uma boa recompensa e incentivo.

— Ele vai ficar bem? – pensar em Tae me deixava preocupado.

— Yoongi vai ficar com ele. E, desconfio, Jeon também.

— Você está irritado?

Namjoon parou de sorrir e negou com a cabeça. Apertou o volante com força e, dessa vez, manteve-os ali. Ainda me sentia pesado quando desci em frente ao prédio onde morava, a sensação era de que passara muito tempo longe. Namjoon pegou Jinwoo e segurei a porta para que passassem, a mochila cor de rosa nos ombros do garoto me lembrando de que ainda haviam pontas soltas e não chegaramos nem perto de resolver. Subimos em silêncio, eu só queria um banho e sentar até ficar cansado de descansar, mas precisava cuidar de Jinwoo.

Entramos e tranquei a porta do apartamento, arrancando os tênis no caminho.

— O que eu faço?

Olhamos os dois para Jinwoo, agarrado ao seu pescoço, a cabeça deitada ali, pensativo.

— Vamos para o quarto.

Segui os dois e me ative às costas de Namjoon. Elas eram largas, cheias de responsabilidades, mas tinha suavidade o suficiente para acalmar Jinwoo e me fazer sentir melhor. Odiava pensar que naquele curto espaço de tempo me apegara a ele, mas estávamos passando por coisas tão intensas, que não deveria me surpreender tanto.

Colocou Jinwoo sentado na beirada da cama e o pequeno arrancou os próprios tênis, engatinhando até chegar aos travesseiros.

— Talvez deva fazer um chá.

Concordei com um aceno e Namjoon saiu do quarto, deixando-me a sós com o pequeno. Fui até ele e me sentei ali, fazendo carinho nas suas costas. Se virou e revirou e então sentou, me encarando.

— Appa, vi gato.

— É mesmo? – ignorei o jeito como me chamou e aproveitei que ele parecia interessado em outro assunto que não a situação tensa de antes — Como ele era?

— Peto.

— Preto.

— Peto – repetiu, satisfeito consigo mesmo — Fez “miau, miau”. Não botei a mão.

— Você queria pôr a mão nele?

Concordou com um aceno e deitou de novo, se aconchegando a mim. Acariciei o cabelo escuro, tentando calcular quando uma pessoa olha para a outra e diz “você precisa cortar isso”.

— Pode ter gato? – olhei para ele, surpreso.

— Um gato? Nunca pensei. Ah, um gato... Como você o chamaria?

— Gato.

— Mas precisa um nome que ele use para se apresentar. Que tal... Côco?

— Não. Gato.

— Chim Chim?

— Gato.

— Nosso gato vai se chamar Gato? Por que isso não me surpreende? Vou perguntar ao Namjoon se ele gosta de gato.

— Joon gosta. Eu sei.

— Ele disse que gostou do gato? – me surpreendi com a pequena conversa.

Jinwoo sentou se novo, inquieto, e dessa vez começou a brincar com a meia. Isso me fez lembrar da jaqueta com sangue. Tirei ela e joguei no chão, bem longe, antes que ele visse.

— Ele disse Jin é gato. E Joon gosta do Jin. Gosta? – concordei com um aceno, devagar, sentindo meu rosto um pouco quente .

— Gosta sim. Nós nos damos bem. Eu também gosto do Namjoon. E o Jinwoo também gosta do Tae, do Jungkook e do Yoongi-ssi?

— Gosto. Ongi faz barco.

Imitou com as mãos o que seria um barco e eu sorri. Talvez um barco de papel, ou alguma coisa relacionada a barcos de verdade que ficara na cabeça da criança. Namjoon apareceu com uma xícara de chá morno e o cheiro de camomila imediatamente começou a me acalmar. Jinwoo aceitou quando ele lhe ofereceu e bebeu bastante. Esquecia de hidratar aquela criança! Apesar do frio, era necessário!

— Agora seria bom se você descansasse um pouco, certo? Vou pegar o seu urso – me levantei e fui até a sala buscar o presente de Namjoon, rindo comigo mesmo ao perceber quão distante o acontecimento parecia.

Naquele momento, Namjoon era só um estranho que me deixava nervoso e fazia coisas absurdas. Claro, continuava me deixando nervoso e fazendo essas coisas absurdas, mas não tinha mais receio algum. Quando voltei até o quarto, estava debaixo de Jinwoo, tentando beber o chá enquanto o menino queria pegar a xícara de volta.

— Só um gole!

— Não!

— Um só!

— Não!

Jinwoo ria alto e até a ideia de ter a cama cheirando a camomila não importava. Jinwoo desistiu do chá e veio pegar o urso, caindo sentado. Rolou para o lado e me apressei a servir de barreira antes que chegasse no chão. Namjoon, que ainda ria, me estendeu a xícara e abraçou o garoto, puxando-o para o outro lado.

Coloquei a xícara à salvo no criado mudo e me sentei na cama, escorando na parede. Os dois brincaram mais um tempo, depois Namjoon ajudou Jinwoo a ir ao banheiro, e quando voltaram, o mais velho ficou fazendo carinho nas costas do menino até que ele adormeceu.

Estava observando Jinwoo um bom tempo quando levantei os olhos para Namjoon e ele sorriu. Parecia estar me analisando também.

— O que foi? – sussurrei.

— Você é muito bonito.

Sorri sem jeito e olhei para a janela. O sol estava começando a se pôr. Podia tomar um banho e descansar antes de fazer o jantar.

Fazer o jantar. Até alguns dias atrás, essa ideia seria absurda.

— Seokjin.

— Hum?

— Faça amor comigo.

 

 

 

— Cala a boca.

— Eu ‘tô falando sério! – Namjoon riu, escorregando para fora da cama. Me levantei e saí do quarto, certo de que ele seguiria.

Ouvi quando fechou a porta, devagar, e antes que chegasse até a sala, me abraçou pelas costas, rindo no meu pescoço. Tentei me soltar, mas já estava rindo também. Namjoon me virou entre seus braços, chocando nossos corpos com alguma violência. Ele não parava de sorrir e eu me permitia rir de nervosismo, afinal, aquilo ainda era um pouco novo para mim.

— Não podemos.

— Me diga um bom motivo!

— O Jinwoo!

— Caramba, ele dorme mais pesado do que eu! Ele estava cansado, tomou o chá... Jin ele está completamente apagado!

Tentei me soltar do seu abraço, mas acabei com as costas na parede e ele apoiado com os dois braços ali, delimitando meu espaço de novo. Namjoon estava sério, mordendo a boca de uma maneira que ele talvez não soubesse como era sexy. Desisti de me afastar e agarrei seu cabelo onde era mais longo, enterrando os dedos nos fios. Namjoon sorriu de canto, movendo a cabeça para acompanhar meu carinho agressivo. Suspirou e tombou a cabeça para trás, a risada rouca causando arrepios nas minhas costas quando beijei sua garganta.

— Já pensou em outro argumento?

Argumento? Inspirei o cheiro de perfume e o odor suave de suor. Isso era bom. O cheiro dele era uma coisa nova que agitava meu corpo, me fazendo suspirar.

— Isso é um “não”?

Namjoon ousou recuar quando tentei lhe beijar e sorriu com certa maldade, andando de costas pelo o corredor.

— Posso tomar um banho, Jin?

— Hum? – engoli em seco, demorando a acompanhar a mudança na situação — Claro! Te empresto umas roupas... – Namjoon tirou a jaqueta no meio do corredor e perdi um pouco do fio do pensamento quando puxou a camiseta para cima, revelando o abdomen suavemente definido — ... depois.

A camiseta caiu junto com a jaqueta e ele desafivelou o cinto da calça jeans, me olhando sem piscar. Ele não ficava constrangido? Porque eu estava por nós dois! Pendeu a cabeça para o lado, sorrindo da forma mais inocente que pode enquanto o cinto se unia ao resto das roupas.

— Vai ficar só me olhando?

Abri a boca para responder, mas só consegui puxar o ar com força e olhar enquanto ele entrava no banheiro, deixando a porta aberta. Meus. Deuses. Respirei fundo e comecei a me mover. Eu podia lidar com isso. Com isso e com meu coração. Meu rosto estava quente, podia sentir e devia ser visível, mas meu coração também estava acelerado e não era medo. Não era porque Jimin fora a única pessoa com quem me relacionei que tinha medo de uma situação daquelas, mesmo que não acreditasse que ele seria o tipo sexo casual. Namjoon era muito transparente nas suas ações e – pelo tanto que tinha demonstrado – ele não parecia interessado apenas em transar e me ignorar depois.

Recolhi a roupa do chão, aspirando o cheiro que desprendia delas, e entrei no banheiro, trancando a porta atrás de mim. Ouvi o chuveiro ser ligado mas não virei o rosto naquela direção. Larguei as roupas sobre o cesto e olhei a jeans no chão, apanhando-a também. Meu olhar seguiu pelo assoalho até aquela última peça de roupa que não consegui apanhar, me erguendo devagar com a respiração irregular.

Estava nervoso, ansioso, mas olhei aos poucos, preparando meu coração para o que eu sabia que veria. Mas imaginar é diferente de ver ao vivo. Namjoon estava de costas, debaixo do chuveiro, as mãos correndo pelos cabelos curtos, alinhando-os para trás. A água caía nas costas largas, sem máculas, e acompanhava os músculos marcados na carne magra, a curva sutil da cintura que gostava de sentir. Olhei as coxas, as panturrilhas, as nádegas modestas, absorvi a forma como ele se movia, pouco ligando para a minha presença, e decidi que estava muito bem com a situação.

Respirei fundo e tirei a camiseta, sem tanta coragem quanto ele. Vi Namjoon se mover devagar e olhou para trás, virando-se quando me percebeu, finalmente. Senti vontade de me cobrir de novo, um pouco tímido. Não me achava tão atraente como ele e fazia um tempo desde que ficara à vontade sem roupa na frente de outra pessoa. A memória pesada ameaçou voltar à tona, mas Namjoon a empurrou para longe quando sorriu, dando um passo na minha direção.

Caminhei até ele, dois passos além, e parei diante do box de vidro, onde me alcançou. Não tinha coragem de olhar seu corpo tão descaradamente, mas ele passava a língua pelos lábios enquanto me olhava. Senti o puxão na cintura quando me agarrou pela calça e abriu botão e zíper em um movimento irritadiço. Apertei os lábios, sem desviar dos seus olhos nos meus, e ajudei suas mãos quentes a empurrarem a peça para baixo. Seus dedos prenderam o elástico da boxer e ela desceu com a calça, me fazendo respirar fundo de novo.

Namjoon riu e meu estômago deu uma volta.

— Jinnie, você está hiperventilando. Está nervoso?

Fiz uma careta e arranquei o resto da roupa de uma vez, respirando fundo. Verdade, estava quase hiperventilando de nervosismo. Isso não era um pouco ridículo? Na minha idade... Parei de pensar nisso quando Namjoon me levou pela mão para debaixo do chuveiro. A água estava quente na medida e a sensação era aconchegante. Fechei os olhos um segundo e só apreciei suas mãos no meu peito, tocando devagar, explorando a pele com um toque gentil.

Me permiti sentir todo o prazer daquelas sensação e abri os olhos, me deliciando com a forma como me olhava, sedento. Podia ficar um pouco envaidecido com isso, certo? Puxei Namjoon pelo pescoço e o beijei, apertando-o contra mim. A sensação dos corpos quentes debaixo da água era uma coisa diferente e não podia deixar de comparar aqueles beijos, aqueles toques, com o que eu conhecera antes. De novo, me movi para longe da lembrança e beijei Namjoon com mais vontade, mordendo o lábio inferior.

Com um movimento brusco, inverteu as posições e me jogou contra a parede fria, fazendo-me arquear as costas com uma risada baixa. O movimento causou uma leve fricção que o fez rosnar alguma coisa que não entendi. Não queria parar de beijá-lo, ou de sentir seu corpo colado ao meu. Meu estômago dava voltas quando sua respiração batia na minha pele e, sem nenhuma relutância, enfiou uma das coxas entre as minhas, me fazendo arfar. Podia sentir sua excitação e isso me deixava um pouco elétrico, quase com vontade de rir, como se houvesse tomado uma dose extra de café. Namjoon cravou as unhas curtas na minha cintura e então se afastou, só um segundo, fazendo-me virar de costas para si. Era aterradora a forma como ele me movia como queria e isso me deu medo por um momento.

Acho que estaquei um instante ao sentir seu corpo colado ao meu. Eu estava excitado, estava quente e atordoado pela vontade de tocar Namjoon, mas de repente, aquela sensação era muito forte.

A lembrança da dor e do medo me atingiu como um soco e perdi o ar. Eu tinha certeza de que a reação fora interna, mas acabei ofegando com o que pareceu um gemido, e por um instante, aquele foi o único som além do chuveiro. Continuei respirando forte para afastar a sensação, mas só consegui ficar tonto. Um, dois, três, respira fundo, quatro, cinco, seis, era só uma lembrança ruim.

Ainda sentia a ereção de Namjoon contra mim e sabia o que ele queria – eu também queria! – mas ele parou de se mover e deitou a cabeça no meu ombro, beijando com carinho a curva do meu pescoço.

— Seu pescoço é tão bonito – comentou com tranquilidade, abraçando-me. Tinha certeza de que ele conseguia sentir meu coração batendo, eu mesmo não sabia dizer onde aquela confusão cacofônica era minha e onde começava a dele. Estávamos os dois nervosos — Posso lavar as suas costas?

Acenei com a cabeça, devagar, confuso, e ele me soltou. Imediatamente todos os recipientes do suporte perto do registro foram para o chão.

— Opa! Que droga...

Nos agachamos ao mesmo tempo e comecei a rir, recolhendo meu shampoo favorito e um óleo hidratante. Namjoon pegou o shampoo infantil e deu um sorriso fechado, pensativo. Recolhi o resto e me ergui, não surpreso que ele causasse alguma destruição. Nada havia quebrado, exceto o clima anterior.

— Namjoon-ah…

Ele me olhou, ainda sorrindo, e ficou em pé, recolocando o shampoo no lugar. Com o sabonete em mãos, começou a limpar meus braços e o tórax, e era uma sensação estranha ter alguém literalmente me banhando naquela altura da vida. Virei no automático e ele esfregou as minhas costas, não sem antes beijar a minha nuca, o que me fez sorrir. O carinho era sutil e quente, de uma maneira que não me assustava. Dei um suspiro e tombei a cabeça sobre o ombro quando me abraçou, sem parar de me ensaboar.

— Jinnie, posso tocar em você?

A pergunta sussurrada próxima ao meu ouvido era rouca e me deixou arrepiado. Como ele obviamente já estava me tocando – e bastante! – compreendi o significado daquilo e senti aquele calor peculiar aumentando. Concordei com um aceno e deixei que ele me guiasse para debaixo do chuveiro, lavando a espuma que nos cobria. De frente para si, podia olhar dentro daqueles olhos escuros e turvos de desejo, e isso me deixava de novo elétrico.

Senti uma das suas mãos descer pelo meu corpo, devagar pela barriga, a ponta dos dedos descendo até a virilha, e então, desde a base, subindo pela minha extensão com um aperto bom. Abri a boca num ofegar mudo e ele aproximou o rosto do meu, apenas poucos centímetros distante. Seu hálito quente batia no mesmo rosto, misturando-se ao oxigênio, e seu rosto molhado e sério era a única coisa no meu campo de visão. Sentia sua mão grande subindo e descendo pelo meu membro, quase desajeitado, e queria que ele também pudesse ter prazer comigo. Atordoado pelo jeito bom com que minhas pernas ficavam moles, soltei seu ombro e procurei pela sua ereção, dura e latejante, envolvendo-a com meus dedos um pouco experientes.

Ele estava tão quente. Não sabia se era apenas a água, o calor dentro do banheiro, ou nosso sangue fervendo, mas Namjoon parecia febril. Corri todo seu comprimento com um aperto suave e recebi o gemido como resposta. Ele fechou os olhos e deitou a cabeça no meu ombro, impedindo-me de ver sua expressão prazerosa, mas criando uma sensação ainda melhor quando sua respiração tocava meu peito.

Na ânsia de gozar, colava ainda mais seu corpo no meu e nossas mãos ficaram quase esmagadas, movendo-se num ritmo crescente. Toquei a ponta e massageei com deletei ao ouvi-lo gemendo rouco e fiquei maravilhado quando o calor novo escorreu pelos meus dedos, seu corpo tremendo com um espasmo involuntário. Não lembrava como fazer outra pessoa sentir prazer poderia ser incrível.

Namjoon me soltou um momento e recuou, ignorando minha expressão de lamento, mas então se agachou, apoiando-se na parede para compensar as pernas moles, e me olhou, sorrindo de canto.

— Eu só sei o que aprendi com pornô, então, me dá um desconto se isso for ruim!

Antes que pudesse dizer que aquilo era desnecessário – mesmo que meu interior estivesse gritando que sim! Isso, deus! Era disso que eu estava falando! – Namjoon segurou meu pênis com uma mão e lambeu. Fechei os olhos e não consegui ver quando me colocou na boca, um pouco receoso, eu sabia, mas a sensação era perfeita. Sua língua era tão habilidosa ali quanto era beijando, sem escrúpulos, apesar de inexperiente, e muito, muito sensual. Agarrei meus próprios cabelos para não segurar nos dele, e aproveitei a sensação máxima de prazer que poderia existir no mundo, me fazendo gemer alto.

— Nam – chamei com um aceno torpe e bati na sua cabeça, fazendo-o rir enquanto se levantava.

Trocou a boca pela mão novamente e me desfiz entre seus dedos, o gemido meio rouco, do fundo da garganta, ecoando pelo banheiro apertado. Namjoon me beijou em meio aquele torpor e suas mãos estavam firmes na minha cintura, firmando-me.

— Será que tem como a gente fazer isso todo dia?

Encarei as orbes negras e aquele sorriso tranquilo e quis muito beija-lo. A sensação era diferente de segundos antes, uma mudança drástica que fazia meu peito doer. Passei os braços pelo seu pescoço e realmente o beijei. Dessa vez com calma, com sofrimento e necessidade, e talvez, só talvez, um pouquinho de amor.

 

 


Notas Finais


*acabar com a sua raça: eu amo essa expressão. É uma daquelas frases que usamos sem notar o peso que têm, mas quando tu traduz pra alguém que não fala a língua, essa pessoa provavelmente vai pensar "mano, quanto ódio no coração".

** Já estava prevendo que Taehyung chegaria com Singularity para nos jogar na sarjeta.

Você! Sim, você mesma, coração, pode vir no meu whatsapp dizer que sexo no chuveiro não funciona hahahahaha <3

Hoje estou tão falante... Enfim, eu gosto muito desse lemon, porque ainda é uma coisa difícil pro Seokjin. É o momento onde ele precisa, de fato, enfrentar tudo que ele já viveu e perceber que não precisa mais ser daquele jeito. E às vezes, perceber que merece amor é difícil.
No começo dessa fic, lá em janeiro, quando comecei mesmo a escrever, pensei que eles estavam se apaixonando muito rápido, mas hoje eu vejo que nos apaixonamos depressa. O que varia, na verdade, é a construção - ou não - desse amor. Claro, é o que eu imagino que seja...

~comentários são amor <3


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