História Ser maduro é para fracos - Capítulo 10


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Categorias Bleach
Personagens Byakuya Kuchiki, Hanatarou Yamada, Hinamori Momo, Ichigo Kurosaki, Isshin Kurosaki, Jinta Hanakari, Karin Kurosaki, Orihime Inoue, Shihouin Yoruichi, Tatsuki Arisawa, Toushirou Hitsugaya, Yuzu Kurosaki
Tags Bleach, Crack!fic, Hitsukarin, Ichihime
Visualizações 44
Palavras 3.296
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fluffy, Hentai, Lemon, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo-Ai, Sobrenatural, Suspense, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Voltei, e dessa vez na hora certa. Não, que eu saiba o universo não vai explodir.
É muito bom poder liberar esse capítulo, que começou como uma zoeira simples e acabou como um dos meus favoritos. Pelo título, vocês já devem saber que eu estou nas nuvens por poder explorar esse personagem super louco num capítulo assim, especialmente porque isso dará a base para eu criar um ship tão bizarro que destruirá o universo (embora não o que vocês pensarão inicialmente).
Enfim, boa leitura!

Capítulo 10 - As aventuras de Mayuri em suas negociações


            Mayuri gostava de se considerar alguém que não tinha medo de nada. A morte era algo que o excitava profundamente, e não podia dizer que ligava muito para seus subordinados e familiares (embora admitisse que ter perdido Nemuri Nanago durante a guerra com os Quincys fora algo extremamente inconveniente, já que Nemuri Hachigo levaria anos para atingir tal estado de maturidade para ajudá-lo com suas pesquisas). Talvez por isso tenha ignorado o aviso de seu antecessor, Urahara Kisuke, sobre a nova capitã da décima primeira divisão, Kurosaki Karin. Sabia que a garota de alguma forma havia sido uma “colaboradora” nas experiências do loiro, mas nunca havia entendido o porquê do título.

            Não podia negar que Kurosaki era um espécime único. Sua genética era fascinante, sendo descendente do grande clã Shiba, uma das linhagens mais ancestrais e importantes da Soul Society, combinada à uma das últimas Quincys de sangue puro, Kurosaki Masaki. Adicionando uma pitada de Hollow, podia dizer que era uma combinação que nunca veria novamente em sua vida. Mesmo com Kurosaki Ichigo, havia uma diferença. Karin era perfeitamente balanceada, seus poderes servindo para potencializar uns aos outros de acordo com suas fontes, enquanto no caso de Ichigo, não era segredo que as três heranças sanguíneas do homem viviam em conflito, já que suas proporções eram diferentes, isso sem contar a terceira irmã que tivera a infelicidade de ter todos os seus poderes cancelando uns aos outros. Não que fosse negar um dos outros Kurosakis como cobaia se tivesse a oportunidade, mas para Mayuri, experimentar com Karin tinha ainda mais potencial. O problema é que percebera tarde demais que caíra na armadilha de seu objeto de estudo. Ainda se lembrava como se fosse hoje....

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                        As aventuras de Mayuri em suas negociações

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            Mal havia acabado de entrar em seu laboratório, cansado e frustrado pelo erro de um de seus oficiais que lhe custara um de seus experimentos favoritos, quando ouvira a voz feminina.

            —Mayuri, está atrasado. —Pela primeira vez em mais de três séculos sentiu seu coração pular, assustado. Olhou em direção à voz, avistando a mais nova capitã do Gotei 13 tomando chá com Nemuri em seu colo, folheando sua mais recente pesquisa desinteressadamente. —Tenho que admitir que sua pesquisa sobre transmissão de reiatsu através do Senkaimon é fascinante, mas ao mesmo tempo, ela é tão ultrapassada que me dá dó só de olhar.

            —Minha pesquisa não está ultrapassada! Além disso, quem te deu a permissão de estar aqui?

            —Achei que Urahara tinha anunciado minha visita? —A mulher comentou, entediada, acariciando a cabeça da pequena Nemuri, que apenas riu. Mayuri estreitou os olhos. —Não me surpreende que ele tenha esquecido.

            —O que você quer, mulher insolente?

            —Um acordo. —Karin colocou a garotinha que segurava no chão, e Nemuri correu para fora da sala, fechando a porta atrás de si.

            —Um acordo, hein? E o que te diz que eu não irei te dissecar agora mesmo?

            —Nós dois sabemos que eu sou um espécime muito mais valioso viva. —A mulher estreitou os olhos. —Além disso, eu tenho certas informações do mundo humano que você não tem.

            Mayuri riu, intrigado. Se o que a Kurosaki dizia era verdade, talvez ela possuísse alguma utilidade, no fim do dia. Urahara disse que ela era uma colaboradora, afinal. Uma palavra que ele hesitava em usar até mesmo com Tessai às vezes.

            —E o que me garante que o que você diz é verdade?

            —Eu posso demonstrar, mas não antes de fecharmos um acordo.

            —E o que você quer? Não é como se alguém como você se interessasse em minhas pesquisas. —Sentiu suas sobrancelhas franzirem com a risada debochada da hibrida.

            —Como uma cientista, mesmo se eu quisesse eu não posso ignorar suas pesquisas. —Agora sim sua descrença estava estampada em seu rosto. Pelo olhar triunfante de Karin, tal reação era melhor do que ela esperava. —Mas você está correto, não são suas pesquisas que me interessam no momento. Não é como se eu não tivesse acesso a elas, de qualquer forma. O que eu quero pode ser resumido em duas partes. A primeira é livre acesso ao laboratório para desenvolver minhas próprias pesquisas.

            —Claro, contanto que você não interfira em algum dos meus experimentos. —Concordou. Seu laboratório era gigante, e quase sempre tinha espaço suficiente para mais pessoas ali.

            —Contanto que eles não violem o código de ética e as leis da Soul Society de forma que vá contra os meus princípios, eu fingirei que não vi nada. E isso inclui o tratamento desumano de Nemuri-chan, se eu ouvir sobre algum dos seus subordinados nojentos encostando a mão nela de novo não terá ninguém que me impedirá de destruir a sua divisão.  —Mayuri sentiu uma raiva flamejante entrar em seu peito ao receber a informação de que alguém tivesse mexido em seu mais complexo experimento sem seu conhecimento.

            —Não se preocupe, não é de meu interesse deixar que Nemuri seja danificada. Eu gastei muito tempo e recursos nela para deixar que alguém interfira no desenvolvimento dela.

            —Não era exatamente o que eu tinha em mente, mas servirá. Minha segunda exigência é a sua colaboração em um projeto específico que eu tenho em mente.

            —Projeto?

            —Meus eletrônicos do mundo humano não irão funcionar aqui sem algumas adaptações. Eu estudei os tipos de transmissores que vocês usam por aqui para poderem se comunicar com o mundo humano, mas nenhum deles é avançado o suficiente para me conectar à internet com uma velocidade remotamente tolerável. Portanto, eu preciso da sua ajuda para arrumar um protótipo funcional em no máximo três semanas porque eu não quero perder a estreia de Yuri!! On Ice. —Explicou Karin, com um suspiro.

            —Pode ser arranjado. Akon e Rin estão livres esse fim de semana, mandarei os dois para o outro lado para estabelecer a conexão. Só isso?

            —Não, falta assinar o contrato.

            —Contrato?

            Karin retirou uma pilha de papeis de sabe-se lá de onde (ainda não tinha tido tempo para estudar as fendas interdimensionais contidas no decote feminino. Talvez a Kurosaki o ajudasse a coletar dados sobre isso num futuro próximo, embora o espécime ideal nesse caso fosse Matsumoto Rangiku), deixando-os sobre a mesa.

            —Eu estou acostumada a lidar com Urahara, é claro que eu fiz um contrato. Não que eu espere que você vá obedecer a metade das cláusulas, pra ser sincera, mas é mais uma garantia de que nosso trato está de pé. —Explicou Karin.

            —Minha palavra não é o suficiente?

            —Eu não sou estúpida, Mayuri. Você tem três dias para me retornar com o contrato assinado antes que eu decida terminar nossa parceria antes mesmo de começar. E eu creio que você não gostaria disso. No meio desses papéis está uma amostra de uma das minhas pesquisas, leia com atenção e decida se vale a pena.

            Observou a saída triunfal de sua colega de trabalho, rolando os olhos de forma entediada. Não seria manipulado por um ultimato tão desesperado.

            Ou foi o que pensou, mas duas horas depois sua curiosidade infinita, que gostava de considerar como uma de suas melhores qualidades, finalmente venceu. Sentou-se em sua bancada, pegando os papeis. Ignorou o contrato, parando na pesquisa com olhos interessados. Era um estudo da interação de Reishi com partículas presentes no mundo humano chamadas de antimatéria, e como tal interação podia afetar a efetividade de ataques no mundo humano e em Hueco Mundo. Leu atentamente, fascinado. Na verdade, nunca tivera a oportunidade ou a intenção de fazer pesquisas no mundo humano, então tal pesquisa era extremamente inovadora para Mayuri. Logo lembrou-se do sorriso de Urahara quando o loiro disse sobre como Karin contribuía com suas pesquisas e finalmente entendeu o olhar divertido do loiro. Não gostava de admitir, mas o relatório que acabara de ler não podia ter saído das mãos de alguém menos que brilhante. Talvez ainda não tão brilhante quanto Urahara, mas o potencial estava ali. E é claro que Mayuri não deixaria tal talento escapar. Assinou o contrato sem nem ao menos ler, logo mandando que Akon entregasse tal contrato para sua nova colaboradora.

            Foi apenas dois dias depois, ao receber uma ligação nada espontânea de Urahara, que questionou sua decisão.

            —Mayuri~, vejo que você também caiu na armadilha. —O loiro disse, antes mesmo que pudesse terminar de estabelecer a conexão.

            —Urahara, vejo que você está começando a fazer tanto sentido quanto suas pesquisas. —Resmungou, ajustando seu jaleco com um pouco mais de força do que o necessário. —O que você quer dessa vez?

            —Fiquei sabendo que Kurosaki-chan te fez assinar o contrato.

            —Me pareceu uma troca justa.

            —Você ao menos leu o que estava escrito, Mayuri? Aposto que não. Não se preocupe, eu também caí nessa armadilha. —Urahara riu, divertido. Mayuri sentiu sua paciência acabar.

            —É claro que eu li, quem você acha que eu sou? —Mentiu descaradamente, odiando o ar de superioridade de seu rival.

            —Então o que dizia no contrato, Mayuri? —O rosto sério de Urahara quase o assustou, mas como cientista maluco oficial da Soul Society, ele também era rei de mudanças de humor.

            —Não é da sua conta. Não é como se você tivesse algo a ver com os meus negócios, foi você que decidiu ficar no mundo humano, cuide da sua vida. —Grunhiu.

            —Mayuri malvado! —Choramingou o loiro. Logo dois braços definidos entraram na tela, puxando o irritante shinigami até que o rosto zombeteiro de Yoruichi apareceu na tela.

            —Ela não é minha pupila por nada, Mayuri. Você realmente devia ler o contrato. Se ela consegue me enganar, então você não está seguro. —A mulher gato alertou, com um sorriso. —Eu tenho negócios a tratar com esse idiota, então vocês terão que terminar sua conversa mais tarde. Mande um oi pra Soi Fon pra mim.

            A chamada imediatamente foi terminada, e Mayuri pela primeira vez sentiu que pudesse ter cometido um erro. Foi até sua mesa, procurando entre os papeis que tinha até encontrar sua cópia do contrato. Franziu o cenho, sentando-se e cuidadosamente começando a ler o acordo assinado.

            No início, não achou nada demais. Bom, talvez um pouco estranho para um contrato, mas normal o suficiente para o contrato que o envolvia. Três cláusulas que o proibiam de tirar amostras de sangue, cabelo ou qualquer outro material biológico de Karin ou qualquer outro membro de sua família sem que tal objeto de observação oferecesse sua expressa permissão. Podia viver com isso, não é como se esperasse que roubar amostras fosse ser fácil, de qualquer forma. Outra clausula particularmente restrita dizia respeito à propriedade das pesquisas feitas por Kurosaki Karin. Toda e qualquer pesquisa feita em conjunto pertenceria a ela, e Mayuri e os envolvidos poderiam ter acesso à leitura, mas não a patente de qualquer coisa inventada no processo ou na determinação de qualquer regulação imposta a tais produtos. Inconveniente, mas novamente nada demais. Mayuri nunca se importou com patentes, apenas com o conhecimento, e ter acesso à isso lhe era mais que suficiente, fora que sua divisão tinha fundos suficientes para explodir a Soul Society 5 vezes e pagar pelos reparos antes de ter que começar a se preocupar com dinheiro, coisa que as outras divisões não chegavam nem perto de ter.

            Foi apenas quando chegou na décima oitava página que percebeu algo estranho. Mais especificamente, havia assinado permissão para que Karin interferisse em suas pesquisas sempre que achasse conveniente. No início não entendera muito bem as implicações de tal coisa, ainda mais porque ela supostamente não tinha conhecimento de nem um milésimo das coisas que aconteciam em seu laboratório naquele exato momento e nenhum de seus subordinados ofereceriam tal informação de bandeja, mas logo se lembrou da interação dela com Nemuri.

            Um de seus piores pesadelos fora reutilizar o cérebro de sua querida subserviente Nemu para tentar replicar os resultados de tal mente brilhante, mas infelizmente não tivera sorte. Se Nemu era calma, inteligente, submissa e tudo o que procurava numa assistente, Nemuri era o contrário. Barulhenta, desastrada e levemente mais rebelde do que sua anterior. Havia passado noites em claro pensando num método para corrigir o comportamento da garota, mas a pequena se afastava cada vez mais do comportamento ideal estipulado por sua antecessora. Não o entenda mal, Nemuri Hachigo possuía ainda mais potencial do que sua antecessora, e já mostrava sinais de um intelecto que surpreendia até mesmo a ele, fora o interessante fenômeno de que ela era a primeira de sua criação a não possuir a mesma Zampakutou das outras Nemuris que vieram antes. Por isso, não era de se estranhar que ela atraísse a curiosidade de todos os cientistas que a conheciam, incluindo seu terrível antecessor, Kisuke Urahara. Não era de se estranhar que alguém que se rebaixasse ao nível de socializar com tal criatura quisesse influenciar seu experimento também.

            Em todas as suas outras experiências, havia conseguido evitar a contaminação de seus experimentos isolando-os em sua divisão. As mulheres eram extremamente raras ali, então não corria o risco de que as outras Nemuris assimilassem os comportamentos ilógicos da população feminina de Seireitei, mas dessa vez era diferente. Não apenas convidara Karin para fazer o que quisesse em sua divisão em troca de informações científicas, mas também para interferir com seus experimentos, embora tivesse a vaga impressão de que se não garantisse tal permissão ela ignoraria suas objeções de qualquer forma.

            Ou seja, dera poderes demais para sua aliada cedo demais. Riu, irritado, rasgando sua cópia do contrato em mil pedacinhos e assustando Akon que terminava de preencher alguns relatórios de pesquisa na mesa no canto da sala. Yoruichi havia treinado sua preciosa Kurosaki bem, teria que ter cuidado ao prosseguir ou estaria muito encrencado.

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            Agora que já haviam se passado três anos desde o início de tal parceria, podia apenas dizer que era pior do que havia imaginado inicialmente. Não o entenda mal, sua parceira havia lhe suprido com informações interessantes sobre a composição do fogo infernal e após quase seis meses de pesquisa, finalmente estava pronto para criar um protótipo que imitava tal substância. Porém, seu maior experimento não estava indo como desejava.

            Sempre havia se certificado de criar um relacionamento de pai e filha com qualquer que seja a Nemuri em testes, garantindo que a alma experimental tivesse um forte laço emocional com ele e, portanto, fosse mais fácil de domar quando fosse a hora. Havia funcionado com as primeiras sete garotas, e achara que tivesse funcionado com Nemuri Hachigo também. A nova versão do projeto Nemuri, porém, não havia criado a mesma ligação com ele, porém, mas decidira adotar Kurosaki Karin, e, para seu desespero, Soi Fon como figuras maternas. E por causa dessa influência maligna, a garota não queria continuar em sua divisão. Olhou para o papel em suas mãos, uma solicitação de transferência, levantando o olhar para encontrar os olhos negros da garota que não parecia ter mais de dez anos.

            —E por que eu deveria deixa-la ir? Você é meu experimento, devia obedecer às minhas ordens e ser analisada de perto. —Começou seu discurso, amassando o papel. Se Nemu e suas antecessoras provavelmente haveriam encolhido e pedido mil desculpas ao ver sua reação, Nemuri apenas franziu as sobrancelhas.

            —Eu chequei com Sotaicho-san e a Central 46, e de acordo com minhas pesquisas, eu preencho todos os critérios para me enquadrar nas definições de alma. E como alma, eu não estou recebendo os direitos que me são garantidos na legislação ficando nesta divisão. —Explicou a garota, nada feliz. Se seu lado cientista estava curioso para ver onde tal livre arbítrio iria, seu lado mais cauteloso lhe dizia que se não agisse rápido, seu experimento escaparia com sucesso. —Portanto, eu consultei com Soi Fon-san e ela me disse que todos os shinigamis ativos na Soul Society podem optar por uma transferência de divisão, e considerando que a décima terceira divisão possui uma reputação por sua conduta pacífica, creio que eu me encaixaria melhor lá.

            —E se eu não garantir tal transferência? —Desafiou, interessado. A pequena pareceu ficar nervosa, respirando profundamente algumas vezes antes de prosseguir.

            —Se eu não aparecer na primeira divisão em exatamente cinquenta e oito minutos, Ise Nanao entenderá que meus direitos foram violados e abrirá uma investigação na divisão imediatamente, com o apoio da Central 46. Se eu aparecer, mas minha transferência for negada, coisa semelhante acontecerá a menos que um motivo excelente seja fornecido para tal rejeição.

Abriu e fechou a boca, tentando falar algo, qualquer coisa. Infelizmente, não sabia exatamente o quê. Uma emoção estranha preencheu seu peito, algo entre tristeza e pura raiva homicida, embora não entendesse exatamente o porquê. Sabia que não estava emocionalmente envolvido no projeto Nemuri desde a morte de seu último espécime, então não tinha razão para o seu cérebro produzir tais reações químicas para prendê-lo à garota. E embora raiva homicida fosse uma emoção com a qual estava constantemente em contato, especialmente quando um certo cientista loiro entrava em contato, tristeza era uma memória distante que mais parecia um sonho do que algo concreto. Mayuri nunca ficava triste, nunca. Então por que diabos queria explodir a décima primeira divisão e comer um pote gigante de sorvete?

—Okay. —Disse, por fim. —Eu não preciso de você aqui para monitorar seu progresso, fora que colocar você em situações fora de meu controle me dará ideias para aprimorar a sua sucessora.

—Obrigada, otou-san. —A palavra não lhe era estranha, mas era uma das primeiras vezes em que essa versão de Nemuri lhe dizia coisa semelhante, o rosto infantil brilhando de felicidade, uma expressão que raramente vira em seus outros modelos. —Eu estou grata por estar viva, e sempre serei grata pelo tempo que o senhor dedicou me criando e me treinando. E-Eu te amo, otou-san.

—Sei. Vá logo, antes que eu mude de ideia.

A garotinha novamente sorriu, correndo para fora onde provavelmente Soi Fon ou Karin a esperavam. De certa forma, era bom saber que ela não dependeria dele para preencher suas necessidades emocionais, mas sentiria falta da brilhante mente que o ajudaria em seus experimentos no futuro.

Mais tarde, enquanto preenchia os papeis de transferência de Nemuri, não pôde deixar de pensar que era melhor para todos. Nemuri nunca conseguiria atingir o estado de maturidade que ele desejava, mostrando-se portadora de qualidades indesejáveis desde seu despertar. Da mesma forma, nunca seria capaz de prover as necessidades que tais qualidades indesejáveis traziam, e, portanto, a garota nunca seria capaz de atingir um estado de produção de endorfinas satisfatório e morreria infeliz em sua divisão. E talvez tais mudanças trouxessem novos dados para sua pesquisa que o ajudariam a finalmente atingir a filha perfeita na próxima geração.

—Taicho, Kuchiki Rukia está retirando os pertences de Hachigo de nossa divisão. Devo fazer algo? —Seu tenente questionou, alerta e eficiente como sempre.

—Oh não, isso foi planejado, Akon. Nemuri está sendo transferida para a décima terceira divisão.

—Mas nossos testes....

—Serão mais produtivos num ambiente menos controlado. Nós já temos os dados das Nemuris anteriores para nos basearmos, experimentar com outro conjunto de dados nos ajudará a corrigir falhas na nova Nemuri.

—Como quiser, taicho. —O homem assentiu, saindo de sua sala com um olhar indecifrável.

Não se moveu, esperando alguns minutos mais antes de sair dali e ir para a sala de vigilância de sua divisão. Ignorou os olhares curiosos, posicionando-se de frente ao monitor que mostrava a nova capitã de sua “filha”. Nemuri parecia contente com sua nova situação, sorrindo abertamente e conversando de forma animada com a nobre. Não demorou muito antes que ambas saíssem, de mãos dadas, Nemuri dando um último olhar para a câmera.

—Agora que a ala está desocupada, movam os experimentos 00282837 e 00383922n para a área imediatamente. —Ordenou, sem tirar os olhos do monitor.

Havia tomado a decisão certa, decidiu, embora da próxima vez fosse dar mais credibilidade para os avisos de Urahara Kisuke.


Notas Finais


Viu, eu consigo escrever capítulos menores de vez em quando, embora seja difícil. Esse capítulo começou com o meu desejo de explorar a raiva homicida de Mayuri e terminou como um relato agridoce no relacionamento de um pai e sua filha. Nem eu sei como ou quando isso aconteceu, mas quando eu finalmente percebi eu já tinha me apegado tanto ao capítulo que acabou ficando assim e eu mudei parte da história para poder acomodar tal coisa.
É totalmente minha culpa, a pequena Nemuri apareceu em menos de dois capítulos e já roubou meu coração, tipo o Kazui e a Ichika. E ao ver que ela era tão diferente da Nemu, eu tive essa inspiração de explorar até onde as diferenças das duas iriam. Ou seja, esperem um capítulo da Soi Fon em breve.

No próximo capítulo teremos Ichigo sendo Ichigo, então não se preocupem! Se arriscam a dizer quem será nosso narrador ou narradora?
Espero sinceramente que vocês tenham gostado do capítulo, apesar dele não ter tantas palavras como o normal. Olhem pelo lado positivo, seus olhos não vão ficar cansados!
Sugestões, críticas, ameaças? Estou aberta a tudo! Podem mandar, eu prometo que não vou chorar muito!
O próximo sairá provavelmente entre amanhã e segunda. Era para ser hoje, e eu inclusive já tenho ele prontinho em toda a sua glória, mas revisar leva um bom tempo e eu teoricamente devia estar dormindo bem mais do que eu estou no momento e pretendo retificar isso hoje.
Até logo, e tenham uma boa sexta (ou seja lá em que dia vocês estão lendo)!


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