História Ser rei - Capítulo 1


Escrita por: e tsukkie


Notas do Autor


hey, hey! estou iniciando no qmn project e eu to muito feliz, de verdade
eu amei escrever essa fanfic, deu um trabalho, mas até que eu to bem orgulhosinho <3
espero que gostem!
boa leitura

Capítulo 1 - Único


André nunca foi o tipo de pessoa que possuía muitas amizades, sendo um príncipe com pais superprotetores quase nunca saía do castelo. Apreciava sua própria companhia, gostava dos momentos que tinha para refletir consigo mesmo, no entanto, ninguém gosta de ficar sozinho a maior parte do tempo — mesmo que tenha Tawan, que era seu mordomo. Era engraçado imaginar a vida fora dos grandes muros do castelo.

 

Tinha um rito todo sábado de manhã: apoiava-se na janela de seu quarto, com Tawan do lado, e os dois ficavam observando a movimentação perto dos enormes portões. Geralmente nas manhãs de sábado eram que chegavam as coisas no castelo, tanto os carregamentos com novas vestes importadas ou mesmo simples flores, aliás, flores entregues por um rapaz de sorriso marcante que sempre parecia muito alegre com um trabalho tão simplista. André já tinha reparado muito nele, desde os cabelos dourados que batiam nos ombros, os olhos castanhos e o sorrisinho meigo. Ele tinha graça nos movimentos, principalmente quando oferecia as rosas para a rainha. Tawan sempre lhe zoava por ser caidinho de amores pelo plebeu. 

 

Suspirou e puxou um pouco a gola apertada camiseta social branca. Sua mãe sempre exigia que estivesse bem vestido, mesmo que isso significasse ficar com roupas quentes e pesadas demais, só porque eram caras. Tawan estava esparramado em sua cama, os olhos fitando o teto atentamente por trás das lentes finas e redondas.

 

— ‘Tu não sente vontade? — perguntou ainda fitando o teto.

 

— Do quê? — André franziu o cenho querendo arrancar a maldita gravata azul que parecia querer lhe sufocar.

 

— Sair do castelo, ver o mundo, sabe?

 

André ficou em silêncio encarando o melhor amigo. Tawan tinha algumas brisas um pouco loucas, talvez devesse ao fato de sua personalidade ser largada demais, relaxado. Provavelmente nunca o entenderia, na verdade, nem sabia como ele tinha virado seu mordomo de companhia, ele era um imigrante do Peru que caiu naquele castelo por acaso.

 

— Não. Minha mãe me mataria se soubesse que coloquei o pé para fora desse maldito castelo. Quer vê-la louca? — indagou e recebeu uma gargalhada como resposta. — Não vi graça.

 

— Você é muito chato, por isso. Está quase na hora…

 

O príncipe assentiu, os lábios se curvando em um sorrisinho amável e os olhos assumindo um brilho puro de amor. Tinha se apaixonado tanto na aparência do garoto quanto do que ouvia falar dele, e daria tudo para poder conhecê-lo pessoalmente, saber seus gostos por si mesmo. Os dois se apoiaram na janela e passaram a observar o que ocorria lá embaixo. O quarto de André tinha a vista perfeita para todo o reino, e principalmente dos portões.

 

— Ele veio com girassóis hoje — murmurou e mordeu lábio. — Ele fica tão lindo com girassóis.

 

— Você é muito apaixonado nesse menino mesmo, hein, bichin — Tawan riu e olhou para o príncipe.

 

— É, mas isso não vale de nada.

 

Enquanto o príncipe suspirava descontente e deixava uma expressão tristonha tomar seu rosto, o peruano franzia o cenho ainda com aquela ideia martelando sua cabeça. André tinha que sair daquele castelo, conhecer o reino — o vendedor de flores, principalmente. Como iria assumir o trono e liderar com sabedoria quando nem mesmo conhecia as pessoas que um dia governaria? Era besteira deixar o medo comandar tendo coisas mais importantes em jogo.

 

— Essa tarde nós iremos sair. Seus pais tem uma reunião importante e irão levar horas, também a princesa do reino vizinho irá demorar a chegar, temos um tempo. — Tawan soava extremamente animado enquanto explicava. — Iremos fugir pulando o muro do jardim nos fundos do castelo, afinal, é apenas seu, ninguém verá!

 

— Não acha que está levando a sério demais? E se alguém reconhecer?

 

— Você não sairá com uma coroa de ouro puro na cabeça, André! E também, já fazem anos que seus súditos não o vêem! Você não acha que isso é ridículo?

 

— O quê?

 

— O sucessor do trono não conhecer seu próprio reino.

 

André mordiscou o lábio e baixou o olhar. Tawan estava certíssimo e isso doía em seu coração e pesava em sua consciência. Sempre foi muito apegado a ideia de se tornar um bondoso rei e fazer a vida no reino prosperar maravilhosamente, mas isso não estava acontecendo, não sabia nem como andava as famílias, vendas ou qualquer outra coisa naquele reino. Sempre trancado no castelo, convivendo com empregados e seus pais, só eles. Era exaustivo. Queria mudar isso, no entanto, o medo cutucava seu coração e o apertava. Sua mãe poderia enlouquecer caso soubesse que tinha saído do castelo.

 

— Você tem certeza que não irão me reconhecer?

 

— Tem minha palavra, meu príncipe.






 

Ycaro suspirou aliviado — ou quase isso. —, Ainda era cedo, mas teria uma pausa do trabalho. Cuidava da floricultura da mãe e sempre fazia entregas, tinha um parceiro, mas ele sempre se dava ao luxo de chegar mais tarde por ser preguiçoso. O garoto encostou-se na parede do estabelecimento e observou a rua em silêncio. Sendo por volta das dez — quase onze — horas era normal que a movimentação fosse grande, dali alguns meses seria a coroação do príncipe, e também seu casamento. Ycaro às vezes se pegava imaginando como seria o príncipe tão amado pelo povo, mas tão pouco visto, sua mente gostava de brincar imaginando como seria conversar com ele, perguntar o porquê de ele não sair.

 

— Yo! — A voz animada e quase que infantil de seu parceiro lhe chamou a atenção. — Tudo bem?

 

— Está atrasado! — ralhou enquanto revirava os olhos. — Como quer ganhar um salário completo se fica se atrasando, Saiko?

 

— Oh… Foi mal. O Greg caçou uns insetos e ficou vomitando, tava cuidando dele.

 

A expressão de Saiko demonstrava tristeza e arrependimento, bem, deveria demonstrar se aquilo fosse verdade — em partes era — Greg vivia trazendo insetos para dentro de casa. Ycaro, como o bom e ingênuo que era arregalou os olhos, incrédulo.

 

— E o ‘bichin tá bem?

 

— Eu deixei ele dormindo depois de cuidar. Desculpa, viu?

 

— Não, não, tudo bem, eu entendo. Enfim, eu já entreguei as flores no castelo, o carregamento ‘tá completo. Agora, a gente precisa comprar algumas coisas no centro. Minha mãe quer novos vasinhos para as plantas.

 

Saiko — assentiu e bagunçou os cabelos negros e com alguns fios ondulados que batiam na nuca, ele usava óculos quadrados, possuía olhos negros e possuía um cavanhaque, sua aparência era séria apesar do estilo não ser, era um idiota. Ycaro tinha os cabelos loiros tocando os ombros, os olhos castanhos clarinhos e um jeitinho amável, junto com a voz adorável.

 

Os dois saíram andando juntos enquanto conversavam sobre algumas coisas banais. Quase todo período de trabalho era assim, o que não tornava as coisas tão maçantes e cansativas, era bom poder brincar um pouco e variar. O centro estava mais movimentado, pessoas corriam para lá e para cá, preocupando-se principalmente com vestimentas. Ycaro desviou o olhar da pequena tenda de vasos e fixou o olhar em um garoto um pouquinho mais baixo que si, os cabelos negros cheio de cachinhos batia no ombro e ele sorria bobo para todos os lados.

 

— O que cê tá olhando? — Saiko questionou, tocando seus ombros.

 

— Um garoto — murmurou em resposta.

 

— Mas já apaixonado? Espera, quem é?

 

— O baixinho de cabelo onduladinho.

 

— O amigo dele é bonito.

 

Ycaro franziu o cenho e desviou o olhar para o amigo do garoto, ele parecia um pouco desesperado enquanto olhava para os lados. O que tinha demais para tanta preocupação? Queria falar com ele, mas precisava fazer seu trabalho.

 

— Vamos falar com ele.

 

Sem esperar resposta, Saiko agarrou seu braço e o puxou até lá. O problema de seu parceiro — e melhor amigo — Era que ele não pensava muito antes de ir e fazer as coisas. Ycaro sentiu o nervoso passar por todo ao seu corpo ao ter o garoto baixinho lhe encarando — se fosse um pouco mais sonhador diria que viu os olhos dele brilharem — O silêncio entre os quatro era estranho, um avaliando o outro, sem nem saber como formular uma pergunta básica ou ter um dizer. O moreno baixinho estava receoso quanto a Ycaro, e se tivesse o visto alguma vez no castelo? Estaria morto de tantas formas!

 

— Precisam de algo? — Tawan perguntou após um tempo com Saiko lhe encarando tão fixamente. Parecia procurar por algo valioso.

 

— Eu conheço você — Rodrigo murmurou enquanto estreitava os olhos.

 

André tremeu e apertou o braço de Tawan, os olhos demonstrando o pânico que sentia. Ninguém poderia saber que estavam fora do castelo, ninguém. Escondeu-se atrás do melhor amigo e rezou para os deuses que lembrou. Só faltava essa, sabia que era furada!

 

— Como assim conhece? Nunca te vi na vida.

 

— Eu tenho certeza que conheço!

 

— Saiko, para! Tá assustando eles com esse jeito. Credo. Desculpa, viu? Eu nem sei porquê ele quis vir aqui — Ycaro sorriu envergonhado, estendendo a mão na direção de Tawan em cumprimento. — Eu sou o Ycaro.

 

— Tawan e Felipe — apresentou após aceitar o cumprimento.

 

André saiu de trás de Tawan e encarou Ycaro, sorrindo e acenando de um modo meio retraído. Estava nervoso, estava frente a frente com o garoto que gostava há tanto tempo. Ajeitou melhor a capa azul clara que usava sobre seus ombros. Queria poder conversar mais com ele, conhecê-lo, no entanto a ideia parecia impossível quando Saiko lhe encarava querendo descobrir tudo sobre eles.

 

— Y-Ycaro — chamou baixinho, com as bochechas coradas de leve. — P-Pode pedir para o seu amigo parar de encarar a gente assim?

 

Ycaro assentiu e se apressou em acertar um tapa na nuca de Saiko. Quando ele encarnava com algo era difícil de tirar da cabeça. O moreno passou a mão na nuca marcada e suspirou pesadamente, desviando o olhar dos dois recém-conhecidos. Sentia que conhecia-os, só precisava lembrar de onde.

 

— Desculpa, é que vocês são muito familiares, mas de todo jeito, eu vou lembrar de onde vocês são.

 

— Vem com esse papo de doido aqui ‘pra ver se eu não te acerto um murro — O peruano fechou a expressão, tornando-se sério.

 

— Sem violência, por favor. Que tal a gente almoçar? Eu pago um almoço como desculpa pelo abestado aqui.

 

— Vamos, Tawo! — André sorriu adoravelmente e Tawan revirou os olhos, assentindo.

 

Caso citasse comida, André Felipe era um dos primeiros a aparecer. — Ou aceitar, como é o caso. Uma das coisas que mais amava fazer, talvez porque pudesse sempre descontar toda a frustração que sentia comendo. Ser príncipe era algo difícil e sufocante, não tinha tanta privacidade, criados indo para lá e para cá, invadindo seu quarto, nem mesmo tempo tinha para ler um livro se não se enfiasse no meio do jardim.

 

Os quatro saíram andando em direção à uma pequena taverna rústica, mas mesmo assim muito acolhedora. O príncipe olhava para os lados admirado. Não tinha essas coisas no castelo, nunca mesmo tinha ido em um restaurante! Eles sentaram-se em uma mesa no fundo, próximo ao balcão de atendimento. Tawan arrumou os óculos sobre o nariz e encarou Rodrigo que, apesar de agora não encará-lo daquele modo estranho, ainda olhava-o. Ycaro batucava os dedos na mesa, ergueu seu rosto e encarou André; ele sorria bobo enquanto olhava o lado, alguns fios negros caíam sobre seu rosto, intensificando a imagem adorável. Era meio bobo se sentir encantado por um garoto que conhecia há tão pouco tempo.

 

— Então… O que vamos pedir? — André perguntou, lançando um sorrisinho para Ycaro antes de encarar Tawan.

 

— Você pode escolher, não estamos em casa, lembra?

 

— Oh.

 

— Como assim? — Rodrigo questionou e André suspirou pesadamente.

 

— Meus pais, eles são muito superprotetores, não me deixam escolher nada, Tawan que sempre escolhe o que é “melhor.” Eu não posso sair, não posso fazer nada. Nós estamos aqui porque o Tawan quis fugir escondido.

 

— Isso é horrível — Ycaro entreabriu os lábios, surpreso demais. — Mas você conhece o reino?

 

— Ele acabou de dizer que não pode sair, seu animal! — Saiko falou em tom alto.

 

— Ah, é. Mas, ei, o Saiko e eu podemos apresentar o reino todinho ‘pra vocês!

 

— A gente o quê?!

 

— Sério?!

 

Os quatro se entreolharam, Rodrigo e Tawan receosos e Ycaro e André mais que animados. Era muita confusão para pouca pessoa. Tawan, como mordomo e a pessoa mais próxima do príncipe, temia por ele. Sair umas duas vezes no mês era ok, agora sair sempre? Não poderia garantir sempre dar certo.

 

— Eu não acho que seja uma boa ideia — O peruano interviu, tocando no ombro de André.

 

— Mas você que disse que sair seria uma coisa boa.

 

— Não quando.... — interrompeu-se, respirando fundo. — Olha, a gente não pode, e se sua mãe descobrir?

 

— É, você tem razão. Desculpa, Ycaro, acho que essa vai ser a última vez.

 

O clima tinha pesado. Rodrigo tentava encaixar todas as peças com informações que eles tinham dado, mas nada parecia fazer sentido. Ycaro estava tristonho e virou o rosto assim que a garçonete se aproximou, pronta para fazer os pedidos.









 

No castelo, André andava de um lado para o outro dentro do quarto. Tinha um jantar importante com a princesa do reino vizinho para tentar selar outro casamento. Não queria um casamento, era novo demais! Por que diabos teria que casar para assumir o trono? Era um absurdo. Bateu o pé no chão e suprimiu a vontade insana de gritar. Tudo estava lhe irritando desde que tinha chegado com Tawan. Talvez a ideia de ficar longe de Ycaro depois de o conhecer fizesse o príncipe se retorcer em ódio. Maldita proteção excessiva, maldita lei que príncipes deveriam casar com princesas.

 

— Meu príncipe? — Tawan adentrou o quarto.

 

Ele já estava devidamente arrumado, suas roupas em tons pretos, parecia leve. Considerando que André tinha que usar aquela maldita farda azul porque era obrigatório um príncipe estar apresentável. Olhou para o melhor amigo e suspirou pesadamente. Não queria conhecer a princesa, sinceramente, preferia que ela voltasse de onde tinha saído.

 

— Eu não vou me casar — disse lentamente, a voz controlada e exalando puro ódio. — Ela não vai me obrigar.

 

— Você sabe que para mudar a lei precisa estar no trono.

 

Tawan foi até a cômoda e segurou a coroa pequena, aproximando-se de André e ajeitando sobre os cabelos rebeldes. Entendia toda a revolta do príncipe, onde vivia era tudo muito pior. Os dois se encararam e ali ele pôde ver o quanto André queria desabar.

 

— Eu sei que o meu povo precisa de um líder melhor, um líder que se importe com o bem-estar deles de verdade, mas eu não suporto a ideia de me casar com alguém por interesse. Porra, ele só quer as riquezas e os exércitos que o reino dela pode oferecer!

 

— André, quando você passa a comandar um reino tão grande quanto o nosso, você não depende mais de escolhas que irão lhe agradar, você tem que fazer o que é o certo para todo um reino, tem que fazer o que é melhor para essas pessoas, não para você. Entendeu?

 

O príncipe encolheu os ombros e assentiu. Os dois saíram do quarto. André ajeitou sua postura e ergueu o rosto passando um tom superior e inabalável. Mais uma vez a maré me engoliu. De novo me sinto quebrado. Desceu as escadas com Tawan em seu encalço, olhando para as pessoas que preenchiam um grande salão. Eu quis falar, mas ninguém me ouviu. Com minha voz sufocada. Andou até o lado da rainha e encarou a princesa do outro lado do salão, estava assinando sua sentença. Não vou chorar. Eu tenho que ser firme. Tawan ofereceu um sorriso gentil antes de voltar a ficar sério. Não estava certo aquilo, duvidava que a princesa queria isso também. Podem tentar, tentar me silenciar. 

 

Ninguém me cala

Todos querem me ver quieta

Sei que tudo me afeta

Eu cansei, ninguém mais me cala

 

— Eu… Eu tenho um pronunciamento a fazer — André respirou fundo e foi andando para o centro do salão com o olhar de todos atento a si.

 

— O que está fazendo? — Tawan perguntou olhando para ele assustado.

 

André caminhou até a princesa e lhe estendeu a mão, sorrindo gentilmente. Ela era tão refém quanto ele naquela merda de mundo onde querem controlar tudo. Ela aceitou sua mão e foi puxada para mais perto.

 

— Você odeia esse casamento tanto quanto eu?

 

— Achei que concordasse com essa palhaçada.

 

O príncipe se afastou dela, largando sua mão. O sorriso estampando no rosto. Estava cansado de se opor a quaisquer decisão decisão de seus pais. Aquilo precisava mudar, nem que fosse de uma maneira pública com vários reinos aliados presenciando a festa que deveria ser a de uma nova união. Respirou fundo.

 

— Eu não vou me casar.

 

— André? O que está dizendo? Pare já com isso, está dizendo besteiras — O rei começou a se aproximar, no entanto, o príncipe negou, seus olhos estão marejados.

 

— Não — berrou. — Vocês nunca me escutam mesmo eu sendo o único sucessor do trono! Eu não quero me casar com essa garota, eu não me importo com as riquezas ou a porcaria do exército que ela tem. Eu, eu sou o futuro rei! Eu sei o que é melhor para o meu reino! Não preciso me casar a força com alguém, nem ela quer isso!


 

Chegou a hora do mundo mudar

Essa história é antiga

Uma princesa não deve falar

Não há o que eu não consiga

Não dá

 

— André você está muito alterado — Sua mãe tentou se aproximar, e ele riu.

 

— Eu só estou falando a verdade. Estou esgotado de vocês dizerem o que eu devo fazer, como eu devo fazer. Chega, eu cansei de tudo isso! Chega de querer me prender nesse castelo como a um prisioneiro, chega de querer que eu seja feito de bobo para vocês. Chega.

 

— Filho, já chega desse showzinho.

 

— Ninguém vai me calar, ninguém vai me tocar. Eu não vou me casar, entenda isso, e eu vou assumir o trono uma hora ou outra, aceite. Aceite.

 

André deu as costas para todos e subiu as escadas correndo. Sentia as lágrimas escorrendo por seu rosto e toda adrenalina ainda pulsando em seu corpo.Tinha feito loucura, fez tudo em poucos minutos, tudo o que não conseguia em malditos dezessete anos.







 

Aquele dia já tinha virado uma loucura, por que não intensificar mais? O príncipe escalava o muro do jardim, pronto para sair. Não iria conseguir ficar ali mais nenhum segundo. Não sabia como as coisas iriam funcionar, na verdade, pensar nisso fazia sua cabeça doer. Pulou o muro e saiu correndo em disparada, mesmo que nem ao mesmo soubesse para onde correr, só precisava. Sua intuição que o guiasse.

 

Quando o cansaço bateu, parou perto de uma fonte bastante afastada do castelo. Sentou-se na beira e passou os dedos na água, brincando com ela. A coroação seria dali a pouco tempo, como faria para ajeitar tudo isso? Era de lei que assim que o primogênito fizesse dezoito anos assumisse o trono, mas precisaria estar casado. Aquilo viraria bagunça.

 

— Quem tá aí? — Uma voz conhecida ecoou pelo lugar.

 

— Ycaro?

 

— Felipe?

 

Os dois se entreolharam e riram, no entanto os risos pararam quando Ycaro desceu o olhar e reparou nas roupas do menor, ainda estava com as vestes de um príncipe. Eles ficaram em silêncio, o loiro chocado demais para dizer algo e André envergonhado. Era tão estranho.

 

— É, eu sou o príncipe André Felipe, faltou só a coroa, né? — riu, desacorçoado e se sentou na fonte de novo. — Desculpa ter mentido.

 

— Não acho que você deva satisfação para um cara que conhece há um dia — Ycaro se sentou ao seu lado, sorrindo docemente. — Que foi que aconteceu?

 

— Acabei com meu possível casamento, gritei com meus pais, saí escondido, talvez seja deserdado…

 

— A lista é longa hein, bichin.

 

— É, é sim. Estou fodido.

 

Ycaro abraçou-o e deixou a cabeça dele cair em seu ombro. Não sabia o que deveria dizer, nunca tinha lidado com um príncipe antes. Os dois permaneceram abraçados, quietinhos. Era uma troca de carinho singela, e André estava precisando daquilo.







 

Tawan estava desesperado atrás de André. Tinha mentido para o rei e a rainha que ele estava no jardim, que precisava de um tempo sozinho. Pulou o muro e saiu a procura do príncipe. As coisas estavam excessivamente fora de controle; perguntava-se se tivessem continuado no castelo durante a manhã não teria acontecido tudo isso. Entretanto duvidava fielmente, André tinha essas explosões.

 

Correu pelo reino, mas tudo o que ganhou foi um chocar de corpo com alguém que não queria ver tão cedo. Rodrigo parecia surpreso e confuso ao lhe olhar, talvez fossem as roupas caras ou só a expressão desesperada. Respirava afobado enquanto limpava a poeira da calça.

 

— Caralho, então é tudo verdade.

 

— O que é verdade?

 

— O Felipe ser o príncipe!

 

— Sabe onde ele está?

 

— Com o Ycaro.

 

— Leve-me até ele. — Tawan praticamente ordenou para o garoto na sua frente.

 

Saiko assentiu e reprimiu um riso. Sabia de onde conhecia os dois, e agora era lembrava de que tinha os visto algumas vezes no castelo. Eles caminharam até a floricultura, a porta estava encostada. André estava sentado no chão, conversando com Ycaro; os dois pareciam submersos em uma conversa profunda. Tawan respirou aliviado e se ajoelhou na frente do menor, tomando o rosto em suas mãos.

 

— Ficou louco?! Seus pais queriam minha cabeça por causa de você, eles estão desesperados! — Tawan quase gritou.

 

— O quê?

 

— André, eles estão preocupados com você. Esquece tudo isso e volta comigo para o castelo, ok? Quem sabe se você conseguir convencer de que é um bom líder eles não te deixem assumir o trono sem um casamento.

 

— Você acha mesmo que eles me dariam ouvidos?

 

— Depois do seu surto… Eu acho difícil não te ouvirem.

 

O príncipe riu e abraçou o melhor amigo de forma apertada. Talvez tivesse feito a coisa certa falando tudo aquilo. Era só esperar para ver o que acontecia.





 

A conversa tinha levado mais tempo do que André queria. Seu pai ainda possuía pensamentos antiquados, mas mudaria tudo aquilo assim que assumisse o trono. O príncipe estava focado em mostrar que merecia aquele reino como ninguém. Estava decidido em mostrar que conseguia resolver os problemas, mesmo que um a um. As semanas se passavam com rapidez. Quando apareceu em público foi muito bem recebido por todos, ainda mais por estar mudando todo a cara daquele reino. As coisas pareciam mais vivas e animadas, ruas mais enfeitadas e impostos justos. André estava orgulhoso de todo o seu trabalho.

 

No dia da coroação, André estava extremamente nervoso, apertava os dedos em comportamento compulsivo. Ycaro, Rodrigo e Tawan estavam juntos com ele aguardando que o rei o chamasse para o coroar, todo o reino estava reunido em uma platéia próximo ao castelo. Aquilo era insano.

 

— E se eu desmaiar na hora? — perguntou mordendo o lábio inferior.

 

Saiko e Tawan não estavam prestando muita atenção no príncipe, seus flertes eram mais importante. Nem Ycaro sabia como aquilo tinha começado, só tinha começado e eles estavam enrolados. Levantou-se e segurou o rosto do menor com delicadeza.

 

— Vai ficar tudo bem, André. Você vai ser rei e vai dar certo.

 

— Obrigado por estar aqui.

 

Os dois trocaram olhares apaixonadinhos e Ycaro deu um selinho rápido nos lábios alheios, André riu todo corado.

 

— Recebam nosso futuro rei! — ouviu a voz de seu pai.

 

— É agora!

 

Tawan sorriu confiante para o melhor amigo e o viu ir subir correndo onde seu pai estava com sua mãe e os demais da corte. Ycaro observou tudo com um sorrisinho bobo, desde André vermelhinho tendo sua pequena coroa retirada para receber a coroa grande, tornando-se rei. Sentia-se feliz por fazer parte disso, por vê-lo crescer, por vê-lo cuidar de um reino que amava tanto quanto os amavam. Era sua história que agora era escrita.





 


Notas Finais


eu queria agradecer a @swgar-sukki, minha marida linda, pela capa maravilhosa, e a @biscuitdoce pela betagem incrível, eu to muito soft :((
eu espero que vocês tenham gostado e sacado as referências c:
se você ainda não conhece o projeto, acesso nosso perfil, siga-nos e confira nossas fanfics!
é isso, tchauzinho, raposinhas <33333333333333


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