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História Será que alguém pode me ouvir? - Capítulo 2


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Capítulo 2 - O Abismo


Você não sabe como que é estar nesse abismo. Você não sabe.

Você pode até tentar me entender, mas vai perder o interesse antes de descobrir alguma coisa. Sou falho. Todos somos, aliás. Sou daqueles que as garotas não conseguem enxergar com os olhos abertos. Sou aquele que na formatura do ensino fundamental 1, foi empurrado no meio da pista de dança e pisoteado até o tornozelo quebrar. Sou aquele que era BV e não sabia lidar com a situação.

Estamos no ensino fundamental 2. Nova escola, novos ares. Toruks não estava mais na mesma escola que eu, mas tudo bem. Sala nova. Pessoas novas, em sua maioria descolados buscando ostentar o que não tinham dinheiro para pagar. E eu lá, na minha carteira da 5º série posicionada estrategicamente na janela para  poder ver o pátio e a lousa ao mesmo tempo. Lembro de me ver numa situação retraida ainda. Mesmo em outra escola, outra turma, ainda sofria dos mesmos preconceitos e asneiras por parte dos meus colegas de classe. Seria eu o problema? Não estava incomodando ninguém.. só queria ter boas notas para dar orgulho aos meus pais e a mim mesmo, eu acho.

Ah, nem falei para vocês, nesse meio tempo me aprofundei na igreja, fazia teatros, ia em retiros, etc. Estava bem bacana por lá e sentia cada vez mais como Deus era bom e agia de forma maravilhosa se você permitisse.

Back to school, ficamos de 'aula vaga', que é um termo chulo para dizer que você, ou vai ficar sem fazer nada no pátio, ou vai ter aula com um professor substituto. Sinceramente, eu não sabia qual era o pior. Enfim, nesse dia, estava eu lendo um mangá no pátio, isolado da minha turma toda (como sempre), e eis que um colega me chama para eu me juntar a roda que eles tinham formado. Quase que eu falo: "Finalmente né!".

Chegando lá, estava rolando o famoso Verdade ou Desafio e acabou calhando que eu beijei uma garota pela primeira vez ali. Não foi nada tão impressionante quanto eu achei que seria, e também não foi aquele beijo monstruoso de língua que os jovens proferem, mas foi bom. Queria mais até, porém, não tive o culhão para conhecer a garota melhor. Ela era muito gente fina, realmente. Hoje ela esta casada e estou bem feliz por ela.

Seguindo meus anos adentro daquela prisão do saber, seguia recebendo insultos e o bullying só piorava. Não tinha amigos lá também. Grande novidade, porém Deus me mantinha de pé, mesmo eu não sabendo disso. 

Chegou numa das festas de fim de ano, eu, estava dentro de uma sala com mais um pessoal, rindo e comendo, tomando refrigerante e afins. Quando dei por mim estava eu e mais dois garotos descolados la na sala. Eu me senti importante até. Eu. Andando com eles. Muito bom né? Errado. Quando eu tentei sair, um me segurou por trás, o outro fechou a porta e começaram a me espancar freneticamente. Não sabia o porque daquilo.. PORQUE Ó MEU DEUS? PORQUE? O que eu tinha feito para merecer tal punição? Eu não entendia.. só sofri. E passado um suspiro, estava eu entrando no ensino médio... com cicatrizes, mas de pé!



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