História Será que é AMOR? - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Categorias B.A.P
Personagens Youngjae
Tags Amigos, Amor, Bap, K-pop, Paixão, Romance, Youngjae
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Palavras 2.074
Terminada Sim
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 15 - Capítulo 15


Hyemi não costumava passar muito tempo nas instalações da fábrica.

"O lugar da presidente é atrás da mesa e à frente dos negócios, filha", o pai dela dizia sempre, "não em meio às máquinas."

Sua filosofia sempre tinha sido contratar funcionários competentes, depois deixar que eles dessem conta do trabalho enquanto ele planejava estratégias de crescimento.

Entretanto, a linha de produção era um dos locais prediletos dela. Adorava ficar num canto, olhando mixers gigantescos combinando ingredientes para formar cremes homogêneos e perfumados, ou adstringentes, ou xampus.

Desceu a escada até o setor de embalagens e despachos, tomando o cuidado de não enganchar os saltos altos nos degraus de aço. Precisava reparar nos calçados que Meghan estaria usando e alertar Youngjae para que a auxiliasse por ali.

Como se ele precisasse ser avisado!... Na certa não soltaria a modelo um segundo sequer.

O barulho naquele setor era bem menor e ela suspirou, de alívio. O único ruído era o das máquinas enchendo os recipientes plásticos, num ritmo compassado e monótono. Nenhum operário, reparou, trabalhava sem luvas ou máscara. E até mesmo o ar era constantemente filtrado, evitando-se, assim, qualquer risco de contaminação.

Bem no final do corredor, atrás de uma parede de vidro, o departamento de perfumes trabalhava a todo vapor, produzindo o Meghan a fim de atender à demanda inicial. Hyemi nem sequer pensou em se aproximar. Embora o maquinário fosse planejado de modo a não deixar escapar nenhum odor, só a lembrança da fragrância já era o bastante para deixá-la com náuseas...

Permaneceu na seção de cosméticos, observando uma fila interminável de frascos desfilando por uma das esteiras. Eram práticos, sem dúvida. E atraentes, até certo ponto. Mas e se produzissem uma linha mais elitizada?, perguntou-se. Os mesmos produtos, numa embalagem mais refinada e elegante, que as mulheres pudessem exibir sobre a penteadeira... E que tivessem um refil. Um frasco de vidro mais alongado, talvez, com as cores da Bonjil: preto e dourado.

Precisava conversar com Youngjae a respeito. O custo de uma embalagem daquelas seria bem maior, sem dúvida. Mas o retorno podia ser muito compensador.

Isso se ele não estivesse tão absorvido com o setor de perfumes, a ponto de relegar a linha de cosméticos a segundo plano.

Cruzou os braços, irritada com a própria tendência a tirar conclusões precipitadas. O fato de Youngjae estar apaixonado por Meghan não significava que ele fosse negligenciar o próprio trabalho. Nem mesmo que se casasse com a modelo.

Pelo menos era melhor que não, meditou ela. Pois continuava mais do que reticente quanto ao sucesso de um casamento como aquele.

"Já chega!", interrompeu-se, enérgica. Não tinha vindo até ali para ruminar os planos pessoais de Youngjae. Afinal, ela apenas supunha que ele tencionava casar-se. E mesmo que estivesse certa, ainda havia a chance de Meghan não aceitá-lo.

Respirou fundo. Só se aquela menina fosse mesmo muito idiota, pensou.

Youngjae era um em mil: bonito, carinhoso, inteligente... sexy. Também teimoso, exasperante... E bom demais no jogo de buraco para o gosto dela. 

Sorriu, tristemente. Era mais sábio ressaltar-lhe os defeitos, para que não se arrependesse ainda mais de tê-lo perdido.

Hyemi perdeu-se em devaneios uma vez mais, alheia ao intenso movimento ao seu redor. Queria não acreditar que Youngjae já pudesse ter planos em relação a Meghan.

Afinal, há menos de duas semanas tinha pedido a ela, Hyemi, em casamento.

— De mentirinha, sua boba — repreendeu-se.

Ao ouvi-la, a operária ao lado dela ergueu a cabeça, assustada.

— Está falando comigo, srta. Kwan?...

Hyemi corou até a raiz dos cabelos.

— Não, não. Não foi nada. — Disfarçou, apanhando um frasco que, mal posicionado na esteira, só enchera até a metade, derramando parte do produto. — ...Isto acontece com frequência?

— Não. — A moça balançou a cabeça, veementemente. — Não há nada errado com a máquina. Acontece com um frasco em cem.

Hyemi assentiu em silêncio, odiando a si mesma. Como podia ser tão idiota a ponto de ficar parada no meio do setor de produção falando sozinha?! E sobre Youngjae, o que era pior.

Devia mais era voltar para o escritório. Ali pelo menos podia remoer os problemas em voz alta sem ninguém querer interná-la, depois...

Uma vez na própria sala, pediu à secretária para segurar todas as ligações telefônicas.

— Vou trabalhar nos relatórios de vendas e não quero ser interrompida.

A moça concordou com a cabeça e Hyemi fechou-se no escritório, aliviada. 

Não sentou atrás da mesa, entretanto. Em vez disso, caminhou até as janelas amplas que davam para o estacionamento.

Quis pensar em outras coisas, no trabalho do dia seguinte, no final de semana em Daegu. Mas as propostas que Youngjae havia feito, mesmo que por brincadeira, povoavam-lhe os pensamentos, impiedosamente.

"Case-se comigo", ele pediu. "E nunca mais vai precisar de alguém para subir o zíper do seu vestido..."

Se fosse esperta teria se agarrado àquela chance. Como podia ter sido tão estúpida a ponto de não desconfiar de que, no fundo, era aquilo o que mais queria?

Também estava sendo ridícula, agora. Como se Youngjae pudesse ter falado sério. Tão sério que ele até imaginava ter uma parada cardíaca se ela dissesse "sim"...

Sentiu a garganta se apertar e se detestou pela autopiedade. Se pelo menos as coisas houvessem sido diferentes, suspirou.

Se ainda Youngjae tivesse dito: "Case-se comigo porque sou louco por você. Porque te amo...".

Sorriu, involuntariamente. Conhecia a voz dele tão bem que quase podia ouvi-lo pronunciando as palavras: um pouco rouco... e cheio de paixão.

Recostou-se na janela, roçando a face no vidro frio e junto ao tecido áspero da cortina. Em sua imaginação, porém, tudo o que sentia era o calor da pele dele acariciando a dela, os lábios úmidos e macios explorando os seus.

Fechou os olhos por um momento, perdida em recordações. Mas não havia sentido em ficar ali, refletiu. Tudo o que tinha acontecido entre ela e Youngjae até agora não passou de uma confusão de sentimentos. Em se tratando dele, tinha certeza, havia sido apenas carência afetiva, nada mais.

Mas por parte dela... Deu meia-volta, nervosa com o rumo dos próprios pensamentos. Marchou para a mesa, determinada a dar cabo da projeção de vendas de uma vez por todas. Afinal, aquele serviço precisava estar terminado antes que partisse para Daegu.

Mal tocou no lápis, ouviu o toque do interfone. Atendeu, irritada.

— Pensei que tivesse dito para segurar todas as lig...

— É a sra. Yoo, convidando-a para almoçar — justificou-se a secretária, apressada. — Imaginei que gostaria de atendê-la.

Hyemi hesitou por um segundo. Não se lembrava de ter combinado nada com SoYoon.

— Tudo bem, mas quero que me faça um favor enquanto isso: reserve uma passagem em meu nome para Daegu, sexta-feira.

— Sim, senhorita.

— Agora pode completar. — Apertou um botão. — Bom dia, SoYoon.

— Olá, querida! — A voz da mãe de Youngjae soou terna do outro lado da linha. — Estou ligando para lhe fazer um convite de última hora. Gostaria de ir a um desfile com almoço no shopping? Desculpe chamá-la assim, de repente, mas uma amiga comprou os convites e amanheceu hoje com uma gripe infernal. Achei que gostaria de aproveitar a chance...

Hyemi vacilou por um momento. Olhou os papéis sobre a mesa. Talvez um pouco de recreação a ajudasse a se concentrar melhor, mais tarde. E ainda tinha o dia seguinte para trabalhar, antes de embarcar para a Daegu.

— A que horas posso buscá-la? — ouviu-se indagando.

— Daqui a meia hora está bom para você? — SoYoon estipulou, entusiasmada.

— Está ótimo.

Yoo SoYoon recebeu-a, afobada, na porta da frente.

— Entre um minuto, Hyemi. Vou pegar meu casaco de pele, lá em cima. Não sabia que estava tão frio!

Hyemi caminhou pela sala rústica e bem decorada, onde a árvore de Natal ainda repousava a um canto, destituída de parte de seus enfeites. À luz do dia parecia patética e sem vida. A magia da noite de Natal se fora por mais um ano. E para alguns de nós talvez para sempre, refletiu, melancólica. Para ela, pelo menos, o Natal nunca mais seria o mesmo.

Pilhou-se fitando a lareira vazia, recriando na mente os momentos loucos vividos com Youngjae, ali. Deu as costas para o lugar, então, obrigando-se a não pensar.

Sobre a mesa comprida de jantar, o álbum de Natal ainda aguardava os registros daquele ano. Mas o que SoYoon escreveria ali?, perguntou-se. 

Talvez que aquele havia sido o último Natal que Youngjae e Hyemi tinham passado juntos...

— Pronto! — SoYoon veio ao seu encontro. — Ah! Descobriu meu segredo. — Riu, embaraçada. — Odeio guardar os enfeites da árvore! Qualquer coisa me faz desistir... Ei! Por falar nisso, não quer assumir o álbum daqui por diante?

Hyemi negou com um sorriso triste.

— Não, SoYoon. É uma tradição dos Yoo.

— E daí? Sabe o quanto Sungjin e eu queremos que faça parte mesmo da família, não sabe?...

Hyemi ergueu o olhar para o dela, em choque. Então era verdade.

Se SoYoon houvesse dito aquilo há um mês, teria rido da ideia. Agora tudo o que tinha vontade de fazer era correr para os braços dela e chorar.

O problema era que precisava desiludi-la. Mas como? Contando tudo sobre Meghan?... Não. Não seria justo para com Youngjae. Se havia algo a ser anunciado, ele é quem tinha de fazê-lo.

— SoYoon, eu... — A voz dela falhou. — Eu não acho que devíamos falar nisso, agora.

"Porque, se eu falar", pensou em pânico, "vou desabar aqui mesmo."

— Eu entendo, meu anjo. — SoYoon a acariciou no rosto, maternal. — Prometo não perturbá-la mais com esse assunto. — Passou o braço pelos ombros dela. — Agora vamos embora. Senão vamos perder o desfile.

"Eu bem que gostaria", refletiu Hyemi "se pudesse correr para uma caverna bem escura e nunca mais sair de dentro dela." Seria o único modo de não ter de encarar de novo SoYoon, nem Meghan... E nem Youngjae.

E nunca mais ouvir o riso dele brincando em seus ouvidos?... Nunca mais poder ver aquele rosto perfeito e amado? Não. Qualquer dor era suportável, contanto que o tivesse a seu lado. Por menor que fosse o papel que desempenhasse em sua vida. Mesmo que nunca deixasse de ser apenas uma amiga.

Estava de volta ao escritório há poucos minutos, quando uma batida à porta tornou a impedir que iniciasse a análise de vendas. Dessa vez, Youngjae foi o motivo.

— Desculpe perturbá-la — de se desculpou com um sorriso e o coração dela disparou no mesmo instante. — Mas estou procurando as provas dos anúncios e não consigo encontrar.

— Estão no meu cofre. — Ela baixou a cabeça, querendo se concentrar nas apostilas da contabilidade, em vão. Seus olhos insistiam em acompanhar cada movimento daquelas mãos no botão do cofre, fazendo-a recordar o calor de seu toque, a suavidade com que a tinham acariciado.

"Devia ignorá-lo, Hyemi", uma voz alertou dentro dela, "só vai sofrer mais cobiçando um fruto proibido."

Mas era impossível. Fitava os ombros largos sob a malha de lã, estremecendo na ânsia de poder tocá-los, senti-los.

Youngjaevoltou-se para ela, os olhos castanhos brilhantes de entusiasmo.

— Importa-se se eu os chamar para dar uma olhada nisso? — agitou os papéis.

— Quem? — Hyemi piscou, obrigando-se a sair do transe.

— Meghan e John.

Ela assentiu, relutante. Que diferença fazia, afinal? Não os via juntos desde a véspera do Ano Novo e não podia adiar o momento para sempre. Talvez fosse melhor enfrentar a realidade de uma vez, do que ficar esperando o instante em que se depararia com Meghan dentro do apartamento de Youngjae. Por sinal, era um milagre que isso ainda não tivesse acontecido.

"Preciso sair de lá", resolveu de súbito, lembrando-se de que ainda não tinha dado nenhuma posição ao sr. Eunho. Faria isso assim que se visse novamente a sós, na sala. E também não discutiria preço. Qualquer soma de dinheiro valia a pena gastar para estancar aquele sofrimento.

A secretária abriu a porta para Meghan e o empresário, e Hyemi aproveitou para murmurar-lhe ao ouvido:

— Lembre-me de telefonar ao sr. Eunho, depois.

— Sr. Eunho? — A moça franziu a testa. — Tenho o número?

Ela negou com a cabeça.

— Apenas não me deixe esquecer. É muito importante.

— Eunho?... — interveio Youngjae. — Do que se trata?

Ela engoliu em seco, atribuindo à imaginação o tom de reconhecimento na voz dele.

— Não é nada com a empresa — desconversou, fria.

Ele ergueu uma sobrancelha.

— Se for um corretor, não perca seu tempo.

Hyemi empalideceu.

— Por quê?

— O mercado de ações está em baixa.

Soltou o ar, aliviada. Por um segundo pensou que ele se referia a um corretor de imóveis e não da Bolsa!...

— Obrigada pela dica.

— Por nada.

 



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