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História Serendipity - JJK e PJM - Capítulo 21


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Notas do Autor


Olá!

Capítulo 21 - Trip.


— Você tem certeza disso? — É a primeira coisa que Jimin pergunta, preocupado, quando Jungkook lhe conta sobre a sua ideia. Ele se endireita no sofá da sala onde os dois estão sentados, percebendo o quão sério é aquele assunto.


— Sim. Mas você não precisa ir se não quiser! — Jungkook responde rapidamente. Ele não queria fazer o namorado achar que aquilo era sua obrigação.


A ideia de Jungkook estava relacionada ao trancamento do seu curso na universidade, a sua relação com seus pais e também ao seu relacionamento com Jimin. A questão era que Jungkook não aguentava mais o fato de estar escondendo tanta coisa de sua família e de si mesmo, como Jimin havia lhe dito logo quando se conheceram. Ele não queria mais cursar Engenharia Mecânica; aquele curso o desgastava diariamente, pois não chegava nem perto de ser algo que Jungkook gosta e ele só havia aceitado cursá-lo por pressão de seu pai. Jungkook também não aguentava mais esconder seu namoro com Jimin de seus pais.


Era aí que entrava a sua família. Jungkook sabe que a partir do momento em que ele anunciar que vai trancar seu curso e, ainda por cima, que está namorando sério com um homem, seus pais vão surtar. Ele não sabe exatamente qual vai ser a reação deles, mas tem certeza de que não será positiva. Pensando bem, Jungkook acha que corre até o risco de ser deserdado. E foi assim que ele chegou àquele momento no qual havia acabado de perguntar a Jimin se ele gostaria de acompanhá-lo até Busan para dar aquelas notícias aos seus pais.


— Você já esqueceu o que eu disse sobre lhe apoiar, Jeon Jungkook? — Jimin pergunta olhando com uma falsa irritação para a cara de Jungkook, que apenas sorri acanhado para o namorado. — Eu lhe perguntei se você tinha certeza porque não quero que você se force a fazer isso. Só estou preocupado com você. — O loiro completa.


Jungkook sente seu coração esquentar em seu peito como sempre acontecia quando Jimin falava aquele tipo de coisa.


— Eu tenho certeza. — Jungkook diz sem hesitação e Jimin sorri para ele. Já estava na hora de ele sair daquele poço de mentiras em que havia se afogado.


— Tudo bem, então. Mas antes precisamos resolver as coisas por aqui, ver com quem a Sophia vai ficar e eu também tenho que tirar folga do trabalho. — O loiro diz listando tudo o que eles precisam fazer antes de viajar, mas Jungkook só consegue pensar no quão feliz está por Jimin ter aceitado sua proposta.


Ele havia dito que Jimin não precisava ir se não quisesse, mas, no fundo, estava torcendo para a resposta ser sim, pois Jimin era o seu porto seguro em todos os momentos. Ter o seu namorado ao seu lado em um momento tão complicado como aquele seria essencial, o traria a força necessária para enfrentar aqueles problemas.


🌼


2 semanas depois


Jungkook e Jimin saem um pouco zonzos do avião que havia acabado de pousar no aeroporto de Busan, vendo o sol das oito horas da manhã no céu. Fazia muito tempo que ambos não usavam aquele transporte. Eles entrelaçam suas mãos e caminham sonolentos para a área onde irão pegar suas malas, já sentindo a mudança de horário os afetando profundamente. O casal se encosta em uma das colunas de sustentação do local e Jimin aproveita para se encaixar no peitoral do namorado, logo sentindo as grandes mãos do dito cujo o segurando pela cintura e o puxando para ainda mais perto.


Os dois permanecem ali até suas malas aparecerem na grande esteira e, quando as recolhem, caminham até a saída do aeroporto. Os pais de Jungkook estão cientes de que o filho está indo visitá-los em Busan, mas haviam dito para o rapaz que não estariam disponíveis para irem buscá-lo no aeroporto. Jimin havia ficado chateado com isso quando Jungkook o informou, mas o moreno disse que já estava acostumado com esse tipo de coisa, o que não melhorou muito a frustração do mais velho.


Por questões óbvias, Jungkook e Jimin ficariam em um hotel próximo à casa dos pais do mais novo, que sabiam apenas que o moreno estava namorando, mas não faziam ideia de que o namorado era Jimin e que ele estava o acompanhando naquela viagem.


Já no lado de fora do aeroporto, o casal chama um Uber e espera pelo carro. Apesar de ser a cidade natal de Jimin, fazia muito tempo que o rapaz não ia a Busan. Ele se lembra de poucas coisas, pois havia se mudado há muito tempo para o Canadá, e durante todo esses anos fora o lugar havia mudado muito.


— Você está bem? — Jungkook pergunta enquanto faz cafuné no cabelo tingido de Jimin, que se aconchega ainda mais ao peito do namorado e balança a cabeça positivamente.


O carro que haviam pedido chega e eles o adentram rapidamente. Por sorte, o casal havia escolhido uma época de tempo arejado em Busan, então no momento não está nem tão frio, nem tão quente, e os dois agradeciam por isso.


Ao chegaram ao seu quarto de hotel, a primeira coisa que Jimin faz é se jogar de peito para baixo na cama confortável, do jeito que está mesmo. Jungkook sorri ao ver o cansaço do namorado, o qual ele entende perfeitamente, já que o loiro não costumava viajar muito de avião, ainda mais para o outro lado do mundo como eles haviam feito. Jungkook encosta suas malas e as de Jimin a um canto na parede e começa a retirar suas próprias roupas, louco para tomar um banho e descansar. Jimin percebe a movimentação e se vira de peito para cima para observar o namorado.


— Vamos tomar banho? — Jungkook chama o mais velho, que faz uma cara emburrada, mas se senta na cama e começa a retirar suas roupas.


— Temos que ligar para a Sophia e o Taehyung também. — Jungkook o lembra e um sorriso fraco surge no rosto de Jimin ao pensar na filha e no amigo. O loiro termina de tirar suas roupas completamente, mas continua parado e sentado na cama. Jungkook o olha com o cenho franzido.


— Me carrega? — Jimin pede.


Jungkook cerra os olhos em direção ao namorado, que apenas faz um biquinho fofo em seus lábios e levanta os braços para o moreno. Obviamente, Jungkook é completamente rendido àquele homem a sua frente, então não é preciso muita insistência para que ele faça o que lhe é pedido. Assim, ele caminha em direção ao mais velho tentando segurar seu sorriso, mas sem muito sucesso. Jungkook coloca um braço por baixo dos joelhos de Jimin e com o outro rodeia sua cintura. Sem precisar de muita força, ele o carrega em estilo de noiva e caminha até o banheiro, sendo observado de perto pelo olhos brilhantes e cansados do loiro.


🌼


Depois de terem descansado durante a manhã inteira e almoçarem quase três horas da tarde, Jungkook e Jimin finalmente saem do hotel em que estão hospedados e se dirigem à casa dos pais do moreno. Os dois estão extremamente nervosos, mas tentam acalmar um ao outro durante todo o trajeto no táxi.


Jungkook simplesmente não consegue acreditar que esta é sua vida agora. Se isso estivesse acontecendo em qualquer outro momento de sua curta existência, Jungkook já teria desistido antes mesmo de entrar no avião para Busan. Mas agora ele tem Jimin. Agora ele tem Sophia. E eles o fazia sempre querer ir mais alto, sempre buscar pela sua própria evolução e, para fazer isso, Jungkook precisa se livrar de velhas amarras que o prendiam a uma parte de sua vida que não mais lhe constituía.


— Vai dar tudo certo. Mesmo que não dê. — Jimin diz quando vê que já estão quase chegando ao seu destino, olhando profundamente para o namorado no banco de trás do carro. Jungkook sorri e se sente automaticamente mais calmo ao ouvir aquilo. Essa frase era algo que Jimin havia começado a falar recentemente e poderia parecer um pouco sem sentido na primeira vez em que se escuta, mas, quando a buscava entender melhor, dava para perceber o quão perfeita é em qualquer situação de sua vida.


— Eu te amo, não se esquece disso. — Jungkook sussurra no ouvido de Jimin e espera que ele entenda sua mensagem; de que não importava o que os pais dele dissessem ou fizessem naquele encontro, nada mudaria seu amor por Jimin e nada o faria desistir do que eles dois tinham. Jimin sorri e deixa um beijo na bochecha do moreno.


O táxi finalmente para em frente à casa dos pais de Jungkook e o moreno não deixa de perceber a expressão chocada no rosto de Jimin ao avistar o local. Na verdade, Jungkook já estava esperando uma reação mais ou menos assim. Ele nunca havia mentido para Jimin – sempre disse que seus pais eram empresários ricos – mas o loiro provavelmente não esperava ver aquela mansão. Jungkook admite que seus pais foram exagerados quando adquiriram aquele local.


— Jungkook... — Jimin diz meio apreensivo quando o casal já está em pé na calçada em frente à casa enorme. — Eu acho que não estou vestido apropriadamente.


Jungkook franze as sobrancelhas ao ouvir aquilo. É muito estranho ver Jimin falando daquela forma, meio desconfiado e cabisbaixo, pois já está acostumado a vê-lo confiante com basicamente tudo, desde sua aparência até suas decisões. Ele se aproxima mais de Jimin e pega as duas mãos do rapaz nas suas, deixando vários beijos na pele macia.


— Você está lindo, amor. — Jungkook diz e o puxa para um abraço apertado. — E se eles falarem qualquer coisa ruim sobre você, pode ter certeza de que é mentira. — Ele completa e deixa um beijo no cabelo macio e cheiroso do mais velho. Jungkook também está nervoso, mas ele já está acostumado com as personalidades difíceis de seus pais, o que facilita um pouco a situação para si, já Jimin nunca os havia visto.


Os dois se separam do abraço e se olham apreensivos, mas Jungkook logo sorri fraco para o mais velho e o guia até a entrada da casa. Eles caminham de mãos dadas e param em frente à grande porta principal, e bem ao lado dela há uma campainha, a qual Jungkook aperta apreensivo. Eles ouvem a música da campainha soar por dentro da casa e esperam, nervosos, até que alguém atenda.


Não demora muito para que eles vejam a porta se abrir lentamente, revelando uma senhora baixinha, que aparenta ter mais de cinquenta anos, vestida com um uniforme de faxineira. A mulher arregala os olhos ao ver que quem está na porta é Jungkook.


— Pequeno! — A senhora exclama com um sorriso enorme e imediato no rosto. Jungkook também sorri de orelha à orelha ao ver a mulher. Ele solta a mão de Jimin e vai até a mulher, logo a puxando para um abraço apertado.


— Halmoni! — Jungkook exclama ainda apertando a senhorinha sobre si.


Jimin observa a interação dos dois com um sorriso em seu rosto e um olhar brilhante. Aquela senhora devia ser uma das pessoas que cuidaram de Jungkook desde que ele era criança, como o moreno mesmo já havia contado. A mãe e o pai de Jungkook raramente estavam presentes em casa, então quem reparava o menino eram os empregados e as babás que os pais ocasionalmente contratavam.


Os dois se soltam ainda com sorrisos enormes nos rostos. Jungkook olha para Jimin e o loiro consegue ver a felicidade estampada naquela expressão. Seus olhos escuros brilham como se ele guardasse uma galáxia dentro de si.


— Halmoni, esse é Jimin, meu namorado. — Jungkook diz para a mulher enquanto puxa o loiro para um abraço de lado. Jimin não estava esperando a súbita apresentação, mas logo sorri educadamente para a senhora e se curva em frente a ela. A mulher parece estar levemente chocada, mas retribui ao cumprimento imediatamente. — E essa é a minha Halmoni de coração. — O moreno diz apontando para a mulher.


— Muito prazer em conhecer a senhora. — Jimin diz sorrindo.


Aos poucos, a senhorinha parece digerir a informação que lhe foi dada e sorri de volta para Jimin, logo o puxando para um abraço também. Mas, depois, ela vira-se novamente para Jungkook com uma expressão apreensiva.


— Meu filho, seus pais... — Ela diz sem completar sua frase, mas havia ficado bem claro o que aquilo significava.


A mulher está preocupada com a reação dos pais de Jungkook à notícia. O moreno engole em seco, mas não solta a mão de Jimin em nenhum momento. Nenhum dos dois sabia o que viria pela frente naquela tarde ensolarada, mas ambos tinham certeza de que não iriam desistir um do outro por razão alguma, e isso era o suficiente para acalentar os corações de Jimin e Jungkook.


— Eles também vão ficar sabendo hoje. — Jungkook explica à mulher. Ela assente, mas ainda parece extremamente preocupada. Aquilo das Jimin se perguntar o quão ruim e traumática havia sido a infância e adolescência de Jungkook com seus pais.


A senhorinha se afasta levemente da porta e dá espaço para o casal entrar com um sorriso pequeno em seu rosto já tocado pela idade. Quando Jungkook e Jimin já estão no lado de dentro da casa, a mulher fecha a grande e pesada porta atrás de si. Os dois homens agradecem e caminham pelo corredor que vai até a sala de estar da mansão e, quando chegam a esta, ficam parados apenas observando tudo ao seu redor. Jungkook por estar se lembrando de quando ainda morava ali e Jimin por ainda estar muito chocado com a grandiosidade daquele lugar.


— Seus pais estão no escritório, Pequeno. Você vai até lá ou quer que eu os chame? — A senhora pergunta assim que se aproxima dos dois rapazes parados na sala. Jungkook dá mais uma olhada ao redor do local, relembrando cada momento de sua vida ali, e se vira em direção à mulher.


— É melhor esperarmos aqui. — Jungkook diz e a mulher concorda, logo caminhando lentamente em direção a outro corredor depois da sala.


Quando estão sozinhos na sala, Jungkook abraça Jimin pela cintura e o traz para mais perto do seu corpo, aproveitando para deixar um cheiro no pescoço do namorado. Jimin sorri acanhado ao sentir os toques de conforto de Jungkook, que está dando o seu melhor para que o loiro não se sinta mal naquele lugar. O mais alto continua o abraçando, mas começa a caminhar em direção ao enorme sofá da sala de estar e leva Jimin consigo. Eles se sentam sobre aquele estofado branco e macio, fazendo Jimin sentir um leve medo de manchá-ló sem querer.


Depois de alguns minutos, é possível ouvir vários passos vindos do mesmo corredor por onde a senhorinha havia ido e os corações de Jimin e Jungkook aceleram automaticamente. Os pais de Jungkook estão chegando à sala de estar.


Nervosos, os dois rapazes se levantam de onde haviam acabado de se sentar e arrumam suas roupas, mesmo que elas estejam em ótimo estado. Jungkook tenta se lembrar do discurso que havia preparado antes da viagem e que havia decorado no avião, mas nenhuma palavra aparecia em sua cabeça nesse momento, então ele teria que improvisar da melhor forma que podia. Jimin sente todo o seu corpo se preencher com apreensão e precisa se lembrar constantemente de que ele e seu namorado precisam fazer isso, que esse é mais um dos passos que eles precisam dar para poder avançar em sua vida juntos.


Segundos depois, três figuras saem daquele corredor. A senhora que os atendeu na porta sai primeiro, lançando um olhar piedoso para o casal e logo se retira para outro compartimento da casa. Depois dela, os pais de Jungkook aparecem.


A primeira a entrar no campo de visão do casal é a mãe do rapaz e Jimin se surpreende ao ver que a mulher tem quase a mesma estatura que seu filho. Ela está trajando um vestido social que parece ser um pouco desconfortável para se usar em sua própria casa, assim como os seus saltos altos que produzem um som de “toc” no chão de madeira enquanto ela se aproxima. Sua expressão está fechada, séria demais para alguém que está revendo o filho depois de tanto tempo.


O pai de Jungkook surge logo atrás de sua esposa e é possível perceber que o rapaz realmente havia herdado sua altura de seus pais, pois Jimin precisa levantar levemente sua cabeça para olhá-lo. Ele também usa roupas sociais, fazendo o loiro se perguntar se aquela família nunca andava pela casa usando apenas seus pijamas, como ele fazia na sua própria residência. Tudo naquela casa é extremamente formal, como se qualquer coisa fora do lugar pudesse causar um alvoroço, e Jimin se sente desnorteado.


— Olá, pai. Olá, mãe. — Jungkook diz com um sorriso fraco e se curva levemente em frente aos pais. Jimin franze as sobrancelhas por um breve momento ao ver aquilo, mas, em seguida, faz o mesmo que o namorado. O casal em frente aos dois rapazes acena levemente com a cabeça para o filho, mas olham para Jimin logo em seguida, como se perguntassem quem é aquele.


— Olá, Senhor e Senhora Jeon, me chamo Jimin. — O loiro se apresenta e comemora internamente quando consegue terminar sua fala sem gaguejar.


— Sentem-se. — A mãe de Jungkook diz e aponta para o sofá no qual os dois haviam previamente sentado. Eles fazem o que é dito e o outro casal na sala também se senta no sofá menor na direção oposta.


Enquanto isso, a senhora que havia os recebido na porta surge na sala de estar com uma bandeja contendo café e chá. Ela entrega as bebidas dos seus patrões, depois vai até Jungkook e Jimin com um sorriso carinhoso no rosto, deixando-o escolher as suas. Segundos depois, como um vulto, a mulher some novamente para a cozinha.


— Como vai, Jungkook? — O pai do rapaz pergunta depois de tomar um gole de seu chá.


Jungkook engole em seco antes de responder. Jimin quer tocar em sua coxa como sempre fazia para acalmá-lo, mas não pode fazer isso no momento.


— Estou muito bem, pai. E vocês? Como estão as coisas na empresa? — O moreno tenta conversar casualmente, mas o loiro ao seu lado percebe o seu nervosismo em cada palavra. Ele já o conhece tão bem que perceber essas coisas não leva muito esforço.


— Estamos bem. E a empresa está esperando por você. — O homem responde.


Nesse momento, é como se a tensão na sala de estar houvesse se tornado palpável. Os pais de Jungkook o olham e o pressionam sem cerimônia alguma. Jimin sente o seu corpo inteiro congelar e o moreno ao seu lado também não parece estar em uma situação melhor. Jungkook toma mais um gole de seu café e deixa sua xícara em cima da mesinha de centro da sala.


— Sobre isso... Preciso conversar com vocês. — Jungkook diz e coloca sua mão esquerda no sofá, logo ao lado de onde a mão direita de Jimin está. O loiro entende imediatamente o recado e coloca sua mão pequena levemente por cima da grande de Jungkook. Ele estava sendo cuidadoso com demonstrações de afeto em frente aos pais do moreno, mas, se o próprio havia pedido por aquilo, Jimin não negaria. Porém, o ato não passa despercebido pelos olhos do casal em frente aos dois, causando cenhos franzidos nas faces de ambos.


— Eu não assumirei a empresa. — Jungkook diz de uma vez só.


Um silêncio agonizante se instala no local. A Senhora Jeon franze ainda mais suas sobrancelhas. O pai de Jungkook o observa com uma expressão confusa, como se esperasse que o filho dissesse que está brincando. Mas segundos se passam e nada acontece, então ele se pronuncia.


— Do que você está falando? Esse sempre foi o nosso plano. — O Senhor Jeon diz e é possível perceber que a calmaria em seu tom de voz é completamente falsa.


— Sempre foi o plano de vocês. — Jungkook responde determinado, mas sua mão treme levemente, fazendo com que Jimin a acaricie cautelosamente. — Além disso, também vou trancar o curso de Engenharia Mecânica. Nada disso é o que eu quero.


Ao ouvir aquilo, a mãe de Jungkook arregala levemente os olhos e Jimin pode jurar que aquela é a primeira expressão real que ele vê no rosto da mulher, pois todas as suas reações haviam sido controladas até aquele momento. O pai de Jungkook endireita a sua postura no sofá como um pavão que quer aumentar seu tamanho e mostrar quem realmente manda ali.


— Jungkook, eu não acho que isso seja um assunto para conversamos na frente de estranhos. — Ele diz ao filho e lança um olhar indiferente a Jimin, que se sente ainda mais nervoso do que antes.


Para a surpresa do loiro, Jungkook entrelaça seus dedos aos dele e aperta a sua mão com certa força. Jimin corresponde ao ato, mesmo sentindo que os olhos de seus sogros estão o perfurando nesse momento.


— Jimin não é um estranho, ele é meu namorado. — O moreno diz e, dessa vez, sua voz não tem um pingo de incerteza ou medo. Jimin aproveita, por alguns breves segundos, a sensação de ver seu namorado falando daquele jeito sobre si.


O resultado da revelação de Jungkook é o seu pai se levantando abruptamente do sofá com toda a sua face retorcida em raiva. A mulher ao seu lado, porém, parece perdida por um tempo e olha para os dois rapazes com um choque estampado em seu rosto.


— Jeon Jungkook! — O Senhor Jeon exclama com raiva e aponta seu dedo indicador para o filho, como uma ameaça. Porém, Jungkook também se levanta subitamente, ficando frente à frente com seu pai, olhando-o com determinação. Jimin fica atordoado com a situação e sem saber o que fazer por um tempo, mas logo também se levanta e toca com cautela no ombro do namorado para tentar acalmá-lo.


— O que você acha que está fazendo, Jungkook? — Dessa vez, é a Senhora Jeon que fala e ela também havia acabado de se levantar para ficar ao lado do marido. Ela tenta manter sua compostura, mas não consegue esconder a raiva em sua voz.


— Eu estou cuidando do meu futuro, mãe. — Jungkook responde simplesmente e dá de ombros.


Isso apenas enfurece ainda mais seus pais. O Senhor Jeon dá a volta ao redor da mesinha de centro e se aproxima ainda mais do filho, suas faces ficando a poucos centímetros uma da outra. Ele continua a apontar seu dedo para Jungkook.


— Não foi para isso que eu mandei você para o Canadá! — O homem exclama enfurecido, mas Jungkook não se move e continua o encarando com determinação. Jimin aperta o ombro do rapaz tentando puxá-lo para trás, com medo de algo pior acontecer, mas o namorado permanece em seu lugar.


— Realmente, pai. Mas ainda bem que os seus planos não deram certo. Ainda bem que eu tomei coragem para decidir a minha própria vida e conheci a pessoa com quem quero passar o resto dela. — Jungkook fala com um sorriso no rosto e Jimin, mesmo em um estado de choque e felicidade ao ouvir aquilo, percebe que é um sorriso totalmente verdadeiro. Ele não está falando nada daquilo para provocar seus pais, mas sim porque é a mais pura verdade.


E é nesse momento que a face do pai de Jungkook fica vermelha de raiva e ele levanta a mão, fazendo menção de virá-la sobre o rosto do filho. Jimin rapidamente percebe a intenção do homem e puxa o namorado para trás, dessa vez com bastante força, e logo se coloca em frente a ele. O loiro sente o seu sangue esquentar com raiva. Ele não deixaria ninguém fazer aquilo com Jungkook.


— Senhor Jeon, por favor, se acalme. — Jimin fala após respirar profundamente, tentando acalmar a si mesmo. Mesmo a ponto de explodir por ter visto aquele homem levantar a mão para Jungkook, Jimin sabe que não deve deixar a situação seguir naquele caminho.


— Quem você acha que é para mandar eu me acalmar?! — O homem explode e aponta aquele mesmo dedo para o rosto de Jimin.


— Não fale assim com ele! — Jungkook também exclama de onde está. A Senhora Jeon aparece por trás do marido e também o puxa, afastando-o dos dois rapazes. Ela tem uma expressão indecifrável em seu rosto, mas Jimin pode perceber que a mulher não está nem um pouco feliz com todas aquelas revelações.


— Eu lhe dei tudo durante toda a sua vida e é assim que você retribui?! — O homem enfurecido pergunta ainda com seus braços seguros pelas mãos da esposa.


E Jimin tem vontade de gritar com aqueles dois. Ele tem vontade de falar tudo que está entalado dentro de si. Como eles podem agir assim com seu próprio filho?


Jimin é um pai e aquela reação dos pais de Jungkook não entra em sua cabeça. Ele imagina uma situação assim com a sua própria filha, mas tudo que passa pela mente de Jimin é o quanto ele quer que Sophia seja feliz, independente da profissão que ela escolha seguir ou a pessoa com quem se relacionar. E o loiro nunca se imaginaria cobrando algo de Sophia daquele jeito descarado, como se tudo que ele tivesse feito pela filha precisasse ser pago em algum momento. Tudo que Jimin fez por Sophia, todo o esforço para lhe dar o melhor, foi por puro amor. A única retribuição que ele pediria é que ela fosse feliz.


— Se é isso que lhe preocupa, pai... Se é o dinheiro que você gastou comigo o que lhe preocupa, então simplesmente não me dê mais nada. — Jungkook diz e é possível perceber que seu tom de voz não está mais tão raivoso, mas sim triste e abalado. Apesar de tudo, aqueles dois ainda são seus pais e ele, secretamente, havia imaginado uma realidade em que eles o aceitavam.


A mãe de Jungkook solta o seu marido e entra no espaço entre ele e o filho, que está atrás de Jimin, olhando para o moreno com uma expressão cautelosa.


— Jungkook... — Ela diz como um aviso.


— Deixa ele. Um dia ele irá se arrepender de tomar esse caminho e vai voltar com o rabo abanando para cá. — O Senhor Jeon diz sarcasticamente para a sua esposa, que continua em frente ao filho sem tirar os olhos dele. É muito difícil entender se seu olhar contém apreensão ou desgosto. Ou talvez ambos.


Jimin se sente revoltado, por falta de palavra melhor para descrever o seu estado. Além de tratar Jungkook como um projeto de sua empresa, de levantar sua mão para ele, o pai do moreno ainda o menospreza daquela forma, como se o rapaz não fosse um adulto capaz de ser independente. Jimin não aceita isso, então ele age. O loiro se vira para o namorado, que ainda está atrás de si olhando para os pais com tristeza e raiva.


— Vamos, Jungkook. — Jimin diz ao moreno e pega a sua mão, encaixando-a na sua.


Ele olha para o rapaz com profundidade, tentando transmitir através daquilo tudo o que não pode falar no momento. Tentando dizer que Jungkook tem ele, que eles estão juntos nessa e no que vier pela frente. E, por um momento, Jimin vê os olhos do namorado marejarem ao finalmente entender seu recado. Jungkook segura suas lágrimas e assente positivamente com a cabeça para o loiro.


Assim, o casal caminha de mãos dadas em direção à porta da casa. Porém, antes de finalmente saírem, Jimin para em frente ao pai do seu namorado.


— Não é Jungkook quem está perdendo aqui. São vocês. E podem ficar despreocupados, ele não vai voltar de rabo abanando para cá, pois ele sempre vai ter a mim e aos amigos que vocês nunca se deram ao trabalho de conhecer. — O loiro diz com um sorriso no rosto para os pais de Jungkook, que o olham sem reação.


Depois disso, o casal finalmente sai daquela casa. Eles ficam abraçados na calçada enquanto Jimin pede um carro por aplicativo; Jungkook abraça o mais velho de lado, com o rosto escondido na curva do seu pescoço, e Jimin consegue sentir que ele está segurando o choro. De repente, o barulho da enorme porta da mansão soa nos ouvidos dos dois e eles se viram para olhar, percebendo que quem sai dela é a senhorinha que havia os recepcionado.


— Pequeno! — Ela exclama andando o mais rápido que pode até o casal.


— Halmoni. — Jungkook diz com um sorriso fraco e se solta do abraço de Jimin para poder ir até a mulher. Os dois se encontram no meio do caminho e logo se abraçam apertado. Jimin também se aproxima, olhando com apreço para aquela interação.


— Eu ouvi tudo, perdão. — A mulher diz acanhada.


— Não precisa se desculpar, Halmoni. Do jeito que estávamos gritando, era impossível não ouvir. — Jungkook brinca mesmo naquele estado e Jimin sorri fraco, levando uma mão para acariciar levemente o cabelo do namorado. Ele não deixa de perceber o olhar carinhoso que a mulher dá para os dois.


— Eu queria lhe entregar isso. — Ela diz tirando um papel pequeno do bolso de seu avental e o entrega nas mãos estendidas de Jungkook. — O meu número e o da minha casa. Você pode ligar quando quiser, Pequeno.


Jungkook olha para o papel em suas mãos com lágrimas nos olhos. Ele observa os números por algum tempo, emocionado, e depois puxa a senhorinha para outro abraço.


— Obrigada, Halmoni. Obrigada por tudo. — Jungkook diz com a voz embargada enquanto ainda está abraçando a senhora, que sorri ainda mais ao ouvir aquilo.


— Eu espero que um dia tudo isso se resolva. E também vou rezar para que vocês sejam muito felizes. — Ela diz verdadeiramente quando sai do aperto dos braços do moreno. Após isso, a senhora também puxa Jimin para um abraço rápido, dá um sorriso para o casal e volta apressada para dentro da mansão.


Jimin e Jungkook se olham e sorriem um para o outro. Eles entrelaçam suas mãos e seguem seu caminho.



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